Tristão e Isolda, Joseph Bedier


Autor: Joseph Bédier

Lenda Medieval / Clássico / 

Editora: WMF Martins Fontes

Páginas: 138



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{lido em jan 2020} Estava um dia desses ouvindo um trecho da ópera de Wagner inspirada na lenda de Tristão e Isolda quando me apareceu a recomendação do livro Coração devotado à morte (aqui), de Scruton, no qual o filósofo “transforma Tristan und Isolde num caleidoscópio de conceitos, textos e ritmos”. Música, filosofia e literatura juntas. ♥️ Pronto, um prato cheio para a leitora aqui.⠀

Comprei, claro! 🙈 Só tinha um problema, por conhecer a lenda (ou achar que conhecia), eu nunca me interessara em ler Tristão e Isolda. Mirando simplesmente a leitura de Coração devotado à morte (ainda suspirando com este título🤤), peguei Tristão e Isolda para “dar uma lidinha” e me deparei com uma história riquíssima, daquelas em que reconhecemos a origem de tantos outros livros (de Romeu e Julieta, inclusive).⠀

Acredita-se que Tristão e Isolda venha das lendas contadas pelos povos celtas e que tenha iniciado sua forma literária no século XI.⠀

Li a versão de Bédier e gostei bastante. A linguagem mais formal dos diálogos é um deleite à parte. Leiam-no, vale a pena – especialmente para refletir sobre originalidade.

Atualização: a editora 34 lançou uma edição em versos, de Béroul.

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Sinopse (ed. 34): A história de Tristão e Isolda, de origem celta, incendiou a imaginação de poetas, músicos, ficcionistas e dramaturgos por vários séculos, tendo inspirado a célebre ópera de Wagner. O romance de Tristão, do misterioso Béroul, uma narrativa em versos rimados e metrificados composta entre 1150 e 1190, integra o ciclo de histórias do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda, e marca o surgimento do romance moderno no Ocidente. A presente edição bilíngue, apresentada e traduzida por Jacyntho Lins Brandão, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, foi vertida diretamente do francês arcaico e recupera, em nossa língua, todo o brilho, o frescor, a inventividade e o colorido dos 4.485 versos dessa indiscutível obra-prima da literatura medieval

Crianças francesas comem de tudo, Karen Le Bilon




Autora: Karen Le Billon

Parentalidade / Alimentação Infantil /
Cultura Francesa

Editora: Alaúde

Páginas: 320

Ano: 2012

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Quando escrevi, há alguns anos, meus comentários sobre o livro Crianças francesas não fazem manha [aqui] (Pamela Druckerman), falei que não dava para ser francês fora da França. Continuo com a mesma opinião e foi por conta dela que deixei o Crianças francesas comem de tudo esperando na estante por um bom tempo. Infelizmente.

Antes de explicar o “infelizmente”, preciso dizer que não concordo com boa parte da educação francesa. Ela é rígida, inflexível, nada acolhedora e, apesar de funcionar perfeitamente bem no quesito disciplina, pode ter um custo muito alto a longo prazo. É um preço que eles estão dispostos e acostumados a pagar, algo enraizado em sua rica cultura. E como é cultural, não adianta discutir se tem afeto ou não. Para eles, tem. Para mim, falta.

Sobre eu ter, infelizmente, deixado o livro guardado por um bom tempo, digo o mesmo que disse sobre o livro de Druckerman – podemos aprender muito com os franceses, especialmente sobre o que eles mais sabem fazer: comer bem.

A autora, uma canadense casada com um francês, nos conta sua experiência pessoal em um ano na França com suas duas filhas – e, muito importante, rs, tendo que lidar com a família francesa do marido. A partir dessa experiência ela lista 10 regras de ouro a serem seguidas. E quer saber? As 10 regras são perfeitas! Difícil é cumpri-las, especialmente quando não se vive em uma sociedade que corrobora para a sua manutenção (escola, amigos, familiares, festinhas…) e quando muitas atitudes necessárias para tal vão de encontro aos nossos princípios afetivos e à nossa flexibilidade – no desejo de aprimorar a autonomia das crianças.

Crianças francesas não opinam, elas cumprem regras. Em defesa delas, porém, digo que isso escrito parece pior do que, de fato, é. Para elas é algo natural e leve e, como Karen bem nos mostra, não é visto como regra a ser cumprida, já que agem como todos a seu redor.

De toda forma, é um livro leve, bem divertido, interessantíssimo do ponto de vista cultural, que nos faz refletir sobre comida de verdade (algo que eu prezo bastante na minha casa) e que dá, sim, para adaptar muito do que lemos à nossa realidade. Uma excelente leitura, especialmente para os que querem introduzir novos alimentos na rotina dos filhos – e na sua própria -, que desmistifica a ideia de que existem alimentos diferentes para crianças e para adultos.

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Coração devotado à morte, Roger Scruton




Autor: Roger Scruton

Filosofia / Música

Editora: É Realizações

Páginas: 288

Ano: 2010

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Em Coração devotado à morte, o filósofo Roger Scruton analisa – e exalta! – minuciosamente a obra de Wagner e, através dela, nos traz reflexões sobre o sagrado, os mitos, a morte, os rituais, os sacrifícios, o olhar, o amor cortês, o amor erótico e até a Eucaristia. Mistura música e filosofia de uma maneira que elas nos parecem completamente indissociáveis.

Eu havia lido Tristão e Isolda e me encantara com a leitura. Conhecia a obra de Wagner baseada na lenda, mas não era uma peça que eu costumasse ouvir sempre [até por ter mais de 4 horas de duração]. Para a leitura da análise de Scruton, mergulhei na música de Wagner. Ainda que não compreendesse nem metade do que lia, passei a enxergar o que não enxergava. Aliás, a ouvir o que não ouvia. Sublime, meus amigos, sublime!

Scruton fala de literatura, de música e de filosofia. Traz à cena nomes como Schopenhauer, Kant, Girard, Nietzsche, Freud e Schoenberg. Todas estas e outras referências, à medida que enriquecem a leitura, tornam-na lenta e difícil. Apesar disso, para quem gosta de música e gosta de ler, vale o esforço – e a pesquisa.

“Seu sucesso triunfante em Tristan und Isolde é um farol para nossos esforços menores, e uma recordação, num mundo cada vez mais desumanizado, do que significa ser humano.”

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Sinopse: Roger Scruton propõe uma rara combinação transdisciplinar. Nas palavras do autor, seu ponto de vista “ora é filosófico, ora é crítico, ora é musicológico”. A riqueza deste livro relaciona-se à pluralidade derivada de tal abordagem. Desse modo, transforma-se Tristan und Isolde num caleidoscópio de conceitos, textos e ritmos. Ademais, Scruton tece um diálogo tão inesperado quanto fecundo entre Immanuel Kant e René Girard – entre outras tantas interlocuções ousadas e criativas. Segundo o autor, se, na superfície, as óperas de Wagner articulam um aparente contraponto com o caráter ascético do cotidiano do filósofo de Königsberg, ainda assim, em sua estrutura profunda, a obra de Kant teria sido “a grande inspiração por trás da visão da natureza humana que foi expressada e legitimada nas óperas de Wagner, e que encontra sua elaboração mais surpreendente e comovente na história de Tristan e Isolde”. O livro de Scruton é também uma exploração independente do erótico e do “momento sacramental” que ele contém, do qual a nossa sociedade do sexo instantâneo e da pornografia desmedida está se afastando progressivamente. Scruton vê Tristan und Isolde como um ponto de transição na autocompreensão da humanidade moderna, e também como uma das maiores obras de arte já concebidas.

4 livros interativos para crianças pequenas (3 a 36m)

Um livro interativo é aquele que convida a criança a tocá-lo, a manuseá-lo e a participar da história. São livros importantes para o desenvolvimento do hábito de leitura como atividade prazerosa. Lembrando que a faixa etária indicada não é um limitador, já que as crianças continuam gostando dos seus primeiros livrinhos por muito tempo.

O fabuloso livro dos dedinhos, Lulu Lima [comprar]

Em O fabuloso livro dos dedinhos usamos nossos dedos para fazer os movimentos das pernas, das orelhinhas, das asas ou dos braços dos animais. Além de entreter e prender a atenção dos pequenos, eles adoram fazer os movimentos, o que estimula a coordenação motora.

The very hungry caterpillar [uma lagarta muito comilona], Eric Carle [comprar]

The very hungry caterpillar (disponível também em português como Uma lagarta muito comilona) é outro sucesso. Embora não pareça tão interativo, você pode pegar algo para ser a lagarta (aqui usamos uma xuxinha de cabelo) e passá-la pelos buraquinhos das páginas, por dentro das frutas que ela come pelo caminho até se transformar em uma linda borboleta. É um livro que trabalha as frutas, dias da semana, números de 1 a 5 e a transformação da lagarta em uma borboleta.

Eu acho que vi um elefante!, Lulu Lima [comprar]

Eu acho que eu vi um elefante! repete esta frase ao longo do livro e as crianças vão puxando as abas para esconder ou descobrir o elefante. Simples e divertido.

Fazenda Agitada [comprar]

Em ‘Fazenda agitada’ além de termos cenas da fazenda, que naturalmente atraem a atenção das crianças, temos um trator destacável na capa para que eles brinquem entre as páginas que formam um arco-cenário. (veja o vídeo mais abaixo)

 

 

5 livros para crianças de 2+anos

Quando se aproximam dos dois anos de idade, as crianças vão se interessando mais por livros com historinhas um pouco mais elaboradas, vão mesclando-os com seus já conhecidos livros de “uma palavra por página”, seus livros de cores e animais. Trago aqui alguns desses livrinhos e lembro que a idade é apenas para dar um norte, já que, provavelmente, eles devem aproveitar essas histórias até os 5 anos ou muito mais!

A casa de livros do urso, Poppy Bishop [comprar]

A casa de livros do urso é um livro bem fofo que incentiva a leitura. O ouriço, o coelho, o camundongo e a raposa eram quatro amigos que adoravam histórias e toda noite liam o mesmo livro, o único que tinham. Um dia, na floresta, encontram um livro que pertence a um urso e terminam descobrindo uma casa na árvore cheia de livros, a casa do urso. Depois de uma bronca do urso, a leitura termina unindo todos os animais.

Bem lá no alto, Susanne Straßer [comprar]

Bem lá no alto começa com um urso olhando para um bolo que está em uma janela beeeem alta de uma casa. Com o passar das páginas outros animais vão chegando, um a um, e, juntos, subindo um no outro, vão tentando chegar perto da janela. Será que eles conseguem pegar o bolo? Um livrinho super simples, com um texto que se repete e vai ganhando mais palavras (trabalha repetição e acumulação) a cada página, bem gostoso de ler para os pequenos. Eles adoram!

Lacriminha, Lulu Lima [comprar]

Lacriminha conta a história de uma menina que chorava por tudo, até que suas lágrimas desaparecem e ela vai pedir ajuda na natureza. Lacriminha vai descobrir que bom mesmo é chorar de felicidade.

Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça dela, Werner Holzwarth & Wolf Erlbruch [comprar]

Este livro de título gigante é um sucesso por aqui. Alguém fez cocô na cabeça da toupeira e as crianças acompanham – entusiasmadas e cheias de riso – a investigação dela por todo o livro, descobrindo os diferentes cocôs dos animais. Trabalha a repetição e tem muitos “truc truc”, “ploft”, “slump” para os pais exagerarem os sons na leitura [importantíssimo, eis!]. Os pequenos adoram!

O que tem dentro da sua fralda?, Guido van Genechten [comprar]

O que tem dentro da sua fralda? é daqueles tem-que-ter. O livro traz um ratinho muito curioso que vai fuçar o que tem na fralda de vários animais. Já viu, né? Um livro cheio de janelinhas para as crianças abrirem. No final, os animais também querem saber o que tem na fralda do ratinho e ficam surpresos quando não veem nada. Por que será?

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Hamlet, William Shakespeare




Autor: William Shakespeare

Clássico / Teatro

Editora: Nova Fronteira

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Que leitura sensacional! Por mais que eu conhecesse a boa fama de Hamlet, não esperava gostar tanto dessa peça. 

Shakespeare nos apresenta o jovem Hamlet, sofrendo pela morte do pai, rei da Dinamarca, que morrera dois meses antes, e indignado com o recente casamento de sua mãe com o cunhado. O fantasma, teoricamente do rei morto, aparece para Hamlet, conta-lhe por quem fora assassinado e exige vingança. Para confirmar a veracidade dos fatos, Hamlet usa do artifício teatral para fazer com que o assassino confesse seu crime. A partir daí, claro, a tragédia começa a acontecer.

A atemporalidade dos temas tratados nos deixa embasbacados. Hamlet é considerada a maior tragédia sobre vingança e, como não poderia ser diferente, a partir dela se desdobram a loucura, a insanidade, os erros, a imprudência e a tragédia que a todos destrói.

Hamlet reina absoluto por toda a peça e nos causa muitas e distintas sensações, por vezes até contraditórias. Sentimos compaixão, piedade… Rimos e sentimos raiva. Como não se enfurecer ao vê-lo destratar Ofélia e perder seu grande amor?

Em Hamlet lemos, com sorriso largo, os famosos solilóquios. Impossível não abrir um sorriso ao ler “ser ou não ser, esta é a questão”. Reconhecemos esta e tantas outras frases célebres de Shakespeare, como a dita por Polônio: sobretudo sê fiel e verdadeiro contigo mesmo. Aliás, esta faz parte de uma fala sensacional de Polônio, de um riquíssimo e atual conselho que ele dá para seu filho Laertes.

Certamente uma peça a ser relida muitas vezes. Uma leitura fluida, prazerosa e, apesar dos pesares, divertida. E, vale frisar, não tenham medo de Shakespeare, deem-se este prazer!

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A Bailarina de Auschwitz, Edith Eva Eger




Autora: Edith Eva Eger

Memórias / Holocausto

Editora: Sextante

Páginas: 304

Ano: 2019

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Edith Eger tinha apenas 16 anos quando foi levada com uma de suas irmãs para Auschwitz. Seus pais, como tantos outros, morreram nas câmeras de gás. Edith e Magda, sua irmã, sobreviveram. A Bailarina de Auschwitz poderia ser um relato de sofrimento e raiva, mas é uma delicada, porém forte, história de superação.

Edith nos traz não só um relato de seu período no campo de concentração, mas as memórias de toda sua vida, de como formou uma família e escolheu uma profissão, de como ajudou pacientes e de como eles foram fundamentais no seu processo de cura.

Quão íntimo nos tornamos do outro quando lemos suas memórias escritas com a maior honestidade? Sabe quando falamos que queremos guardar alguém em um potinho? Pois é… Ao abrir suas feridas, a enxergamos. Quanto mais a enxergamos, mais a admiramos. Quanto mais exposta, mais ela é útil, mais ela nos ensina. Edith nos mostra que sozinhos não somos nada, mas que somos os únicos responsáveis por cada decisão que tomamos, por cada escolha que fazemos.

É uma leitura que, embora faça chorar, revigora. Choramos suas angústias, mas vibramos com suas vitórias. Certamente toca o coração de quem lê, mesmo que uns mais, outros menos. Viktor Frankl foi seu grande incentivador e é, de fato, uma leitura que se assemelha a Em busca de um sentido. Ambos falam sobre a importância de buscar um sentido, de ter o amor no centro de nossas vidas, de aceitar o que já passou e de viver o presente. De escolher viver o agora. De entender que nunca é tarde para (re)começar.

Obrigada, Edith, por toda a sua grandeza e generosidade.

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Sinopse: A bailarina de Auschwitz é a história inspiradora e inesquecível de uma mulher que viveu os horrores da guerra e, décadas depois, encontrou no perdão a possibilidade de ajudar outras pessoas a se libertarem dos traumas do passado.