A janela de esquina do meu primo, E. T. A. Hoffmann

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Autor: E. T. A. Hoffmann
Literatura Alemã / Conto
Editora: Cosac Naify
Páginas: 80
Ano: 2014
Ano de Publicação Original: 1822

 

E. T. A. Hoffmann para mim sempre esteve muito mais ligado à música do que à literatura. Seus contos serviram de base para inúmeras peças musicais, como a Kreisleriana de Schumann, a aclamada ópera Os Contos de Hoffmann, de Jacques Offenbach, sem falar nos ballets Coppélia, de Delibes, e O Quebra-Nozes (resenha do livro aqui), de Tchaikovsky. Eu, que já o achava genial, descobri que ele influenciou grandes nomes da literatura como Dickens, Poe, Gógol, Baudelaire, Balzac e Dostoievsky. Quer mais? Crítico musical que era, foi um dos primeiros a reconhecer o talento de Beethoven.

A Janela de Esquina do meu Primo nos traz uma conversa entre o narrador e seu primo, um escritor inválido, que mora em um apartamento com vista para a Gendarmenmarkt, grande (e linda) praça em Berlim. Debruçados sobre tal janela, observando a feira que se desenrola à sua frente, os dois personagens nos descrevem com detalhes o que veem – e o que imaginam.

O resultado é um conto que transporta o leitor para outro século e nos faz enxergar com clareza tudo o que é narrado. Barracas de feira com seus comerciantes e clientes, roupas, as boas e as já puídas, flores, cestos de comida, bolsos de dinheiro, semblantes, gestos e trejeitos e até sentimentos.

O posfácio desta edição, escrito por Marcus Mazzari, nos indica que a história tem caráter autobiográfico. Mazzari diz que essa representação realística da sociedade burguesa moderna feita por Hoffmann já nos deixa muito do que será, décadas depois, o realismo de Balzac e Dickens, por exemplo.

A edição da finada Cosac é, como sempre, um capricho à parte. Lindas ilustrações, ótima tradução, papel com gramatura alta e texto com boa diagramação, tudo isso para um simples e curto – porém significativo – conto. Coisas da Cosac! É um livro para ler “em uma sentada só”, mas que me deixou com vontade de ler toda a obra do autor.

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Sinopse: O livro narra a história de um escritor inválido, preso em seu pequeno apartamento de esquina, cuja única abertura para o mundo é uma janela de onde ele observa toda a praça. Ao receber a visita de seu primo, os dois descrevem minuciosamente os tipos que frequentam e fazem suas compras na feira semanal na Gendarmenmarkt, principal praça de Berlim. O autor antecipa as questões urbanísticas e sociais das grandes metrópoles. A obra ainda traz ilustrações que recriam imagens de época e aparecem também recortadas nas margens do livro, como uma janela que se abre para a praça. O texto publicado postumamente, no mesmo ano de sua morte, apresenta pontos semelhantes à vida do autor, mas não é claramente autobiográfico. 

Crianças Dinamarquesas, Jessica J. Alexander e Iben D. Sandahl

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Autoras: Jessica J. Alexander e Iben D. Sandahl
Educação / Cultura Estrangeira
Editora: Fontana (Companhia das Letras)
Páginas: 144
Ano: 2017

 

Sou uma grande admiradora da arquitetura e do urbanismo dinamarquês, mas nunca tinha prestado atenção se seus habitantes eram ou não felizes, e Crianças Dinamarquesas, mais do que nos ajudar em como lidar com os conflitos dos filhos, vem nos mostrar um pouco do olhar leve e otimista daquele povo.

No famoso Crianças Francesas não fazem manha (resenha aqui) a autora nos traz um relato de sua experiência com a educação de sua filha, de situações que ela presenciou e de conversas que teve com educadores. Crianças Dinamarquesas é uma leitura mais rápida, menos “íntima”, bem mais impessoal. As autoras nos mostram como os dinamarqueses veem a vida e como isso influi na educação de seus filhos.

Na terra dos criadores do Lego, brincar é primordial. É brincando que se aprende a resolver problemas e a se adaptar às diversas situações que vão surgindo, de uma maneira leve e sem pressões. Alfabetização precoce é algo que eles rejeitam com firmeza, e as escolas tendem a respeitar o tempo de desenvolvimento de cada criança e a envolver em suas atividades crianças de diferentes idades e aptidões. Com isso, elas se acostumam a ajudar e respeitar umas às outras. É como se, ao contrário dos americanos, eles não tivessem a intenção de formar líderes, mas sim de formar equipes.

Eles são otimistas, mas são sinceros. Não enganam as crianças nem ignoram os problemas, ensinam a enfrentá-los sempre vendo o lado positivo da situação. Eles, assim como os franceses, não exageram nos elogios aos filhos. Eles elogiam o esforço, a dedicação, a estratégia, jamais a inteligência. Eles não rotulam, não dizem que fulana é preguiçosa, sicrano é ruim nisso, fulano é hiperativo.

Os dinamarqueses ensinam aos filhos a terem empatia, a serem resilientes e a ver tudo pelo lado positivo. Os pais mantêm a calma, são pacientes e não se estressam por qualquer bobagem. Encaram tudo com mais tranquilidade, não ligam para opinião dos outros e veem algumas atitudes desafiadoras dos filhos mais como uma fase passageira de descobertas do que como uma birra ou necessidade de disciplina.

Generalizando [generalizando mesmo], é como se os americanos quisessem criar líderes, os franceses crianças bem educadas e os dinamarqueses crianças felizes, preocupadas em ajudar umas às outras.

Se dá para ter uma mistura disso, não sei, mas que Crianças Dinamarquesas nos mostra um caminho mais leve, paciente e alegre a ser seguido, disso não tenho dúvidas. É uma leitura bem curtinha, tem seus clichês, mas é muito boa.

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Sinopse: Por mais de quarenta anos, a população da Dinamarca tem sido eleita a mais feliz do mundo pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD). Os dinamarqueses também foram considerados o povo mais feliz do mundo por todas as edições do Relatório Mundial da Felicidade, publicado pelas Nações Unidas. Qual seria, então, a fórmula desse sucesso? Depois de muita pesquisa, as autoras deste livro acreditam ter desvendado o segredo. E a resposta é bastante simples: toda essa felicidade vem da forma como os dinamarqueses são criados. A filosofia dinamarquesa de como educar os filhos gera resultados poderosos: crianças felizes, emocionalmente seguras e resilientes, que se tornam também adultos felizes, emocionalmente seguros e resilientes, e que reproduzem esse estilo de criação quando têm seus próprios filhos. Que tal, então, conhecer melhor esses costumes, atitudes e posturas? O método exige prática, paciência, força de vontade e autoconsciência, mas o resultado faz o esforço valer a pena. Não se esqueça de que esse será seu legado.

Será o Benedito!, Mário de Andrade

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Autor: Mário de Andrade
Conto / Literatura Brasileira
Editora: Cosac Naify
Páginas: 32
Ano: 2014
Ano de Publicação Original: 1939

 

Acho sensacional como os bons escritores conseguem dizer muito e emocionar tanto com tão poucas palavras. Será o Benedito! é um texto bem curtinho de Mário de Andrade, publicado pela primeira vez em 1939, que encanta pela simplicidade.

Em poucas linhas, o autor nos traz o menino do campo, aquele moleque cheio de sonhos e curiosidades, que vê no narrador, um adulto da cidade, uma possibilidade de conhecer mais do mundo.

Uma história tão singela, mas tão cheia de significados. Do jovem que escuta atento às experientes palavras do velho; da amizade e do vínculo que se cria a partir de pequenos gestos; e do arrependimento, do remorso, da chance perdida.

Será o Benedito! clama que não deixemos que o medo impeça a realização de um sonho, que não criemos problemas antes deles existirem de fato.

Linda e delicada história, que ganha ainda mais corpo nessa caprichada edição em capa dura, ricamente ilustrada, da saudosa Cosac Naify. É um livrinho que se lê em menos de 5 minutos, mas que deixa sua marca no leitor para sempre.

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Sinopse: Sexto volume da coleção ‘Dedinho de Prosa’, a crônica ‘Será o Benedito!’, de Mário de Andrade, um dos mais importantes nomes do modernismo brasileiro, e ilustrada por Odilon Moraes, retrata o encontro entre o homem maduro e o jovem menino, trazendo à tona os temas da amizade e da pureza, numa leve prosa cotidiana. Durante as férias na Fazenda Larga, o narrador encontra Benedito, um negrinho obcecado por conhecer a cidade grande, que ouvia atento a narração do visitante sobre os arranha-céus, chauffers, cantores de rádio, o presidente da República… As ilustrações de Odilon Moraes traduzem a separação dos dois universos – cidade e campo -, construída ao longo do texto. Ao final da edição, um glossário explica os termos menos usuais, e textos auxiliam na localização e importância da crônica em nossa história literária. 

Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie

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Autora: Agatha Christie
Crime / Mistério / Lit. Inglesa
Editora: Harper Collins Brasil
Páginas: 200
Ano: 2014
Ano de Publicação Original: 1934

 

Li muito Agatha Christie na adolescência e eu lá com meus 11 anos me sentia a própria adulta carregando seus livros pra lá e pra cá. A rainha do crime me encantava! 💕 Com o tempo fui deixando a autora de lado, até que, no mês passado, vi o trailer da nova adaptação para o cinema de Assassinato no Expresso do Oriente, que eu lera há uns 20 anos, e fiquei com vontade de fazer uma releitura para ver se ainda me apaixonaria por seus mistérios.

Nessa história, Hercule Poirot embarca no Expresso do Oriente, um trem de luxo, que, devido a uma forte nevasca, precisa fazer uma parada no meio do caminho. É nesse meio-tempo que acontece um assassinato e, claro, o famoso detetive tenta desvendar quem, dentre os passageiros, cometeu tal crime.

Não à toa seus livros continuam a vender tanto. Assassinato no expresso do oriente é simples, sem ser bobo, tem bom vocabulário, é rico em personagens e prende bem o leitor. Confesso que tudo ficou um pouco aquém das lembranças de outrora, mas ainda assim uma boa leitura.

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Sinopse: Nada menos que um telegrama aguarda Hercule Poirot na recepção do hotel em que se hospedaria, na Turquia, requisitando seu retorno imediato a Londres. O detetive belga, então, embarca às pressas no Expresso do Oriente, inesperadamente lotado para aquela época do ano.

O trem expresso, porém, é detido a meio caminho da Iugoslávia por uma forte nevasca, e um passageiro com muitos inimigos é brutalmente assassinado durante a madrugada. Caberá a Poirot descobrir quem entre os passageiros teria sido capaz de tamanha atrocidade, antes que o criminoso volte a atacar ou escape de suas mãos.

Crianças francesas não fazem manha, Pamela Druckerman

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Autora: Pamela Druckerman
Não-Ficção / Educação Infantil / Cultura Francesa
Editora: Fontanar
Páginas: 272
Ano: 2012

 

Subestimei demais este livro. Um dos motivos foi por ter ouvido falar que a autora recomendava deixar o bebê chorando por um bom tempo para discipliná-lo. E, bem, ela não faz isso. Na verdade, diferente do que imaginei, ela não recomenda nada. Pamela Druckerman apenas diz como as coisas são na França. Simples assim!

A autora, uma jornalista novaiorquina que se muda para Paris depois de se casar, começa a observar as diferenças comportamentais entre franceses e americanos quando engravida de sua primeira filha. Eu não esperava que o livro fosse quase um relato de uma experiência pessoal, então estranhei um pouco o começo, quando ela estava se apresentando, mas após entender o propósito do livro, passei a gostar bastante.

Quem espera um manual, uma lista de problemas e soluções ou algo do tipo, irá se decepcionar. O livro é mais para entender, de uma maneira descontraída e bem-humorada, a filosofia francesa de educar (que não é lá muito bem-humorada, rs)Se ela é boa ou ruim em médio e longo prazo não se sabe, mas ela parece funcionar ali, no quesito disciplina e boa alimentação, na primeira infância.

Entendendo essa filosofia, o leitor pode incorporar à sua rotina, dentro de seus princípios, os hábitos que julga bons, mas a verdade é que não dá para “ser francesa” fora da França. Os franceses parecem dispostos a seguir as mesmas regras sociais [sem nem perceber], incluindo corrigir deslizes dos filhos dos outros. A maneira como eles educam os filhos é muito homogênea, o que facilita a vida de todos. Não tem, por exemplo, uma tia oferencendo doce na hora errada ou deixando o sobrinho bagunçar toda a sua casa. É como se, em prol de uma sociedade sem crianças birrentas, todos se empenhassem.

Essa homogeneidade pode parecer fantasia da autora, mas já li o mesmo em outros livros, como Piquenique na Provence, de Elizabeth Bard, jornalista americana casada com um francês. O livro de Bard não foca na maternidade, mas como ela engravida e tem um bebê, seu relato se assemelha muito – muito mesmo – com o de Pamela.

Não existe muita novidade nas “técnicas” francesas, são os famosos limites, a diferença é que eles conseguem seguir com rigor e firmeza o que julgam correto.

O livro é bem escrito e muito bem estruturado, e, mesmo que não se concorde com toda a filosofia educacional francesa, há sim bons hábitos e boas dicas (muitas!) para serem incorporadas ao nosso dia-a-dia. De toda forma, tendo filhos ou não, é uma ótima leitura para quem gosta e quer entender um pouco mais do estilo de vida francês. Vale a leitura!

 

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Sinopse: Exaustão com o choro e a manha das crianças pequenas, falta de tempo para suas próprias necessidades e para um convívio romântico em casal, sofrimento com insegurança, preocupação excessiva, dependência e culpa. Tudo isso faz realmente “parte do pacote” de ter filhos? Pamela Druckerman começou a perceber que, na França, a resposta é um enfático não. A jornalista americana se muda para Paris logo após se casar. Lá, além das diferenças culturais mais conhecidas, começa a observar que as crianças se comportam de forma muito mais educada do que jamais viu. Estarrecida, ela percebe que os jantares nas casas dos franceses não são eventos caóticos em que crianças interrompem os adultos, brigam com os irmãos ou reclamam dos legumes. Esse é apenas um dos exemplos que a fazem querer descobrir qual é a mistura de autoridade e relaxamento dos pais que faz com que as crianças francesas sejam tão comportadas, sem ficarem reprimidas ou sem personalidade. Afinal, qual é o segredo para que durmam a noite toda? Para que não tenham ataques de birra em público? Para que sentem-se de maneira educada à mesa e experimentem muito mais do que nuggets e batatas? Para que desenvolvam a autoestima e se tornem articuladas? Os pais que ela observou em Paris parecem ter encontrado o equilíbrio perfeito entre ouvir os filhos e deixar claro que são os adultos que mandam. Dentro de um limite conhecido como cadre, essas crianças têm total liberdade e autonomia, mas fora dele, quem exerce autoridade são os pais. Pamela nota que os franceses conseguem balancear admiravelmente suas necessidades e as das crianças, não se acorrentam a um falso conceito de pais perfeitos e, ainda assim, são atentos, carinhosos e criam filhos educados e felizes. A autora empreende uma surpreendente jornada pela cultura francesa e passa a rever alguns conceitos da criação de filhos. Por anos, ela investiga as respostas a essas e outras questões, além de viver muitas experiências no próprio cotidiano, já que se torna mãe em Paris. O resultado é um relato inteligente, bem-humorado e ao mesmo tempo bem-fundamentado dos segredos dos franceses para ter filhos criativos e educados – e também um manual para os pais não se tornarem escravos de pequenos tiranos.

O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger

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Autor: J.D. Salinger
Clássico Moderno / Lit. Americana / 1001 livros
Editora: do Autor
Páginas: 251
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1951

 

O apanhador no campo de centeio, de Salinger, estava na minha lista de leitura há bastante tempo, mas eu sempre adiava na esperança de que lançassem uma edição menos feia e com um preço melhor. Terminei gastando quase 80 reais nessa edição em capa mole, sem arte, com péssima diagramação e páginas brancas, muitas falhas de revisão e uma tradução que pode não agradar a todos.⠀

Quando comecei a leitura, estranhei o linguajar vulgar e as gírias esquisitas. Fui atrás do original e me deparei com um texto cheio de palavrões, gírias e muitas, muitas contrações. Meu desconforto com a edição brasileira pode ter sido pelo uso de gírias muito regionais que eu desconhecia. [Debatendo o livro com uma amiga, ela me disse que eram gírias antigas, usadas naquela época, e por isso mesmo ela gosta da tradução, que mantenha vivas essas expressões.] Em algumas situações, não dá pra entender mesmo a intenção da tradução, como quando alguém diz “Oba”, o colega responde “oba”, e no original era simplesmente “hi” e “hi”. Confesso, xinguei os tradutores, coitados, não tinham tanta culpa assim. É o tipo de escrita que, inevitavelmente, se perde na tradução, por melhor que ela seja. Se você lê em inglês, não pense duas vezes.⠀

The Catcher in the rye é narrado em 1ª pessoa por um adolescente cheio de conflitos, que acaba de ser expulso de mais uma escola. Holden não gosta de nada, não consegue se interessar por nenhuma atividade e está sempre meio revoltado com tudo e todos que o cercam. O protagonista critica tanto os outros que termina ele mesmo sendo digno de pena do leitor. [Teria aí alguma referência ao Misantropo de Molière?]

É assim, meio sem começo, sem meio ou fim, meio sem história. É como entrar na cabeça de um adolescente, mas de forma alguma é como se um adolescente o tivesse escrito. Ele não nos daria tantas informações irrelevantes e tão sem graça. Salinger conseguiu escrever um livro que diz muito através do superficial, do banal e do irrelevante. Todo esse dar-de-ombros, esse desejo de fuga e essa inconsistência resultou em um retrato do adolescente perdido.⠀

Tive uma adolescência tranquila, cheia de amigos, então não me identifiquei com o protagonista, mas certamente aquele que se isolou mais nessa fase da vida verá a si mesmo em algumas dessas páginas.⠀

A leitura não foi nada do que eu esperava [mas que mania pretensiosa essa de querer adivinhar o que nos trazem os clássicos, ein?!], mas foi incrível e com cara de que ressoará por muito tempo nas minhas lembranças.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

O legado de Eszter, Sándor Márai

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Autor: Sándor Márai
Lit. Húngara / Clássico
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 113
Ano: 2001
Ano de Publicação Original: 1939

 

Sabe quando você lê um livro e gosta tanto que compra – cega e obsessivamente -todos os outros do autor? Foi o que aconteceu quando li As Brasas, comprei tudo que encontrei de Sándor Márai, e não me arrependo.

O Legado de Eszter foi escrito uns poucos anos antes de As Brasas, e eu diria que é como uma prévia do que viria a ser a obra-prima do escritor. Como sempre, o enredo é muito simples e o foco está na condição humana, nos sentimentos, nos comportamentos.

Eszter e Nunu, uma antiga criada, recebem um comunicado de que Lajos voltará para lhes fazer uma visita, após vinte anos de ausência. Todos naquela casa se preparam para a chegada daquele homem sem caráter, sem escrúpulos, que fora cunhado de Eszter e o único homem que ela amou na vida.

Sem reviravoltas ou grandes floreios, Márai nos leva para dentro daquela casa, nos faz sentir todo o peso que paira sobre aquele lugar, sobre tudo que ele poderia ter sido e vivido. Vai nos sufocando com palavras carregadas de angústia e amargura, nos enfeitiçando com um texto limpo e delicado e, pouco a pouco, vai tirando as camadas que cobrem e sustentam Eszter, até que ela se transforme em pó, como se não aguentasse tamanha nudez.

Quem gostou de As Brasas certamente gostará de O legado de Eszter, pois segue a mesma linha intimista e dolorosa. Só não esperem que seja superior, não é, é um livro bem mais simples, mas maravilhoso. Vale a pena!

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“Passado algum tempo não é possível ‘acertar-se’ nada entre as pessoas; compreendi essa verdade desesperançada ali, no banco de pedra. O homem vive e remenda, repara, constrói e depois, por vezes, estraga a vida; mas com a passagem do tempo percebe que o todo, que se erigiu daquela forma, a partir dos erros e acasos, não é modificável. Lajos já não podia fazer mais nada. Quando alguém emerge do passado e anuncia em tom comovido que deseja acertar ‘tudo’, o propósito só pode suscitar compaixão e riso; o tempo já ‘acertou’ tudo, a seu modo singular, o único possível.”

Sinopse: Eszter e a velha criada Nunu já se acomodaram a uma existência de aldeia, quase solitária, pacata, acreditando-se livres das memórias de uma época em que a energia e o encanto de Lajos aturdiam a todos na casa. Naquele tempo, enfeitiçados por suas promessas, os pais e os irmãos de Eszter entregaram- lhe quase tudo o que tinham.

Entretanto, Eszter e Nunu recebem um dia um telegrama: Lajos anuncia que voltará, depois de uma ausência de vinte anos. As duas se debatem entre a esperança de que virá para saldar suas dívidas e o pressentimento do perigo – talvez venha em busca de algum resto da herança miúda deixada pelo pai de Eszter.

Atordoada por um turbilhão de sentimentos contraditórios, ela se prepara para a chegada. Lajos – que entre juras de amor por ela, Eszter, desposou sua irmã Vilma -, o falsificador de promissórias, o descrente, o fugitivo, o indigno de confiança, o que mente com lágrimas de verdade, foi o único homem que Eszter amou.

Assistimos, incrédulos, aos passos sedutores de Lajos, ensaiados, e à entrega angustiada mas inevitável de Eszter. Um fim paradoxal revela a lei ausente dos manuais de ética: o que um dia se iniciou tem de ser encerrado. Descobrimos que ´as decisões solenes e definitivas, que traçam o relevante na linha do destino de nossas vidas, são bem menos conscientes do que acreditamos mais tarde, nos momentos de rememoração e lembrança´. Na prosa límpida e precisa de Márai, ao emergirem das páginas, Eszter e Lajos se alinham aos personagens inesquecíveis da literatura universal.