No mar, Toine Heijmans

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Autor: Toine Heijmans
Lit. Holandesa / Lit. Contemporânea
Editora: Cosac Naify
Páginas: 160
Ano: 2015

Comprei No Mar em uma daquelas promoções após o encerramento da Cosac Naify sem ter referências sobre o livro, confiando apenas na boa seleção da editora. De fato, era pouco comum a Cosac errar a mão e, como eu esperava, gostei muito do livro.

No Mar, do escritor holandês Toine Heijmans, é narrado em primeira pessoa por Donald, um homem de 40 anos que resolve passar três meses no mar, pensando na vida. Cansado de ver colegas mais novos alcançando cargos que ele sempre desejou, cansado da vida, das promoções que não vinham, Donald conta a sua esposa que a empresa lhe oferecera um período sabático remunerado, que velejaria sozinho durante esse tempo e que gostaria de levar sua filha nos dias finais do trajeto. Ela concorda, e é justamente o relato desses momentos com a filha que acompanhamos.

No Mar é angustiante do começo ao fim. Não sabemos o que aconteceu, o que é verdade, o que é alucinação. A escrita é envolvente e, bingo!, deixa o leitor um tanto mareado, como se a voz daquele pai desesperado entrasse como o movimento das ondas do mar em nossas cabeças. Delírio meu? Talvez, mas, afinal, o que não o é nesse livro?

Heijmans nos deixa muitas reflexões sobre paternidade, sobre o trabalho e a vida nas entrelinhas desse pequeno livro. Não nos dá respostas, devo alertar, porém. Quando eu pensei que finalmente entendera o que estava acontecendo, vem o final e, puff!

Leitura rápida e um tanto angustiante. Um bom livro, sem dúvidas.

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Sinopse: Em meio a uma grande crise pessoal, Donald, um homem de 40 anos, decide passar três meses velejando pelo Mar do Norte. Nos últimos dias do trajeto, da Dinamarca para a Holanda, terá a companhia de sua filha de sete anos, Maria. Será a primeira vez que os dois ficarão sozinhos, sem os cuidados da mãe, Hagar. Apesar do cansaço do pai-capitão, tudo parece estar sob controle. Quase chegando ao destino final, no entanto, ele perde a filha de vista. Esse narrador, nada confiável, escreve a experiência num diário de bordo, numa clara referência a Donald Crowhurst, navegador amador britânico encontrado morto em meio a uma competição, em 1969, depois de mandar uma série de falsos relatórios afirmando que estaria na rota correta e muito perto de cumprir o trajeto.

Doutor Fausto, Thomas Mann

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Autor: Thomas Mann
Lit. Alemã / Clássicos / 1001 Livros / Nobel
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 600
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1947

 

Comecei a leitura de Doutor Fausto sem ter muita noção da dimensão da obra que tinha em mãos. Sabia apenas que era uma releitura da famosa lenda fáustica alemã, na qual o médico vende sua alma ao diabo em troca de tempo de vida para fazer grandes descobertas científicas. Como amante da música, o que mais me interessava não era a lenda, mas o fato de narrar a vida de um compositor alemão, ainda que fictício.

Li aquelas primeiras páginas umas trocentas vezes. Ia e voltava, não entendia muita coisa. Então, resolvi continuar mesmo sem compreender tudo o que lia para ver no que dava. E o que surge diante dos meus olhos são capítulos maravilhosos, sensacionais, seja sobre música, seja sobre guerra, intercalados com uns capítulos malucos, de quebrar a cabeça.

Ambientado na Alemanha da primeira metade do século XX, Doutor Fausto nos conta a história do músico Adrian Leverkühn, narrada por Serenus, seu amigo de infância, que tem uma profunda admiração pelo compositor.

Após ter se relacionado com Esmeralda, uma prostituta, e contraído sífilis, Adrian, doente, faz um pacto com o diabo – em um capítulo de tirar o fôlego – no qual vende sua alma e a capacidade de amar em troca de 24 anos de uma carreira brilhante na música. Acompanhamos, estupefatos, todo esse período de apoteose musical até o momento em que ele decide convidar amigos para uma, digamos, apresentação final.

Até a metade do livro, apesar de ter uns capítulos de cair o queixo, eu não imaginava que ia gostar tanto desse livro. Foi uma leitura das mais difíceis que já fiz e a que me deixou mais eufórica quando concluí. Os capítulos finais são apoteóticos, indescritíveis. Eu tinha vontade de ler tudo em voz alta, de marcar todos os trechos, de mostrar a todo mundo aquilo que lia. Thomas Mann é genial.

Durante todo o livro o autor fala muito de música e composição, o que pode deixar a leitura ainda mais difícil para quem nada entende do assunto. Para quem ama a música, como eu, é de entrar em êxtase. Fala de polifonia, fuga, adagio, harmonia, coro… fala de partitura, de dodecafonia, faz referências a músicos como Wagner e traça paralelos com a 9a Sinfonia de Beethoven. É de pirar!

Além de tudo, o personagem ainda é considerado uma alegoria da Alemanha da época, daquela Alemanha que se rendera ao nazismo após a Primeira Guerra. Quando ficamos sabendo disso, tudo cresce ainda mais. É, repito, apoteótico, genial, sensacional.

Não tenho palavras para descrever como queria a experiência dessa leitura, que entrou, sem dúvidas, para minha lista de favoritos. Leiam! Vale cada gota de suor.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

 

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Sinopse: Último grande romance de Thomas Mann, Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio — uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes

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Autor: Julian Barnes
1001 Livros / Ensaios
Editora: Rocco
Páginas: 124
Ano: 2012
Ano de Publicação Original: 1984

 

Um dos melhores livros que li no ano passado foi O Ruído do Tempo (resenha aqui), de Julian Barnes, autor de O Papagaio de Flaubert, e também gostei bastante dos dois livros que já li do próprio Flaubert, portanto, pensei que, claro, gostaria de um livro sobre Flaubert escrito por Barnes. Mas não foi bem o que aconteceu.

Por ter me encantado com O Ruído do Tempo, criei uma certa expectativa em cima de O papagaio de Flaubert, especialmente porque muitos amigos que leram, gostaram muito. Além disso, está na lista dos 1001 livros para ler antes de morrer.

Barnes nos traz Geoffrey Braithwaite, um médico aposentado que tem uma certa obsessão por Flaubert e, com a desculpa de tentar descobrir qual dos dois papagaios empalhados seria o verdadeiro, aquele que Flaubert utilizou para escrever Um Coração Singelo (resenha aqui), vai nos contar muito sobre a vida do ilustre criador de Emma Bovary.

Barnes, com muita ironia e uma certa acidez, vai discorrer sobre o papel dos críticos, sobre a importância – ou a não importância – da vida privada do artista ou escritor em relação a sua obra, sobre o que ficamos sabendo do que realmente aconteceu e o que se perde com o tempo, sobre os possíveis amores de Flaubert, suas inspirações, seu modo de vida, sua genialidade.

Reconheço, é bem escrito e tem suas qualidades. Consegui enxergá-las e até rir e gostar de alguns trechos, mas no geral me vi entediada, lendo por ler, lendo apenas para terminar. Por mais que eu tentasse, não consegui me envolver e, de quebra, ainda peguei um certo abuso de Flaubert.

Pretendo ler outros livros do autor, mas este do papagaio definitivamente não me ganhou. Leiam por sua conta em risco, rs.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

 

Sinopse: Geoffrey Braithwaite, médico inglês aposentado, admirador de Gustave Flaubert, descobre num museu da Normandia um papagaio empalhado, que o escritor francês teria tomado emprestado para escrever a novela Um coração singelo. Em outro museu, outro papagaio empalhado também passa por ter sido o que serviu ao escritor do século XIX. Qual deles seria o autêntico? O que é realidade e o que é fantasia no trabalho de um autor? Partindo de um dado aparentemente prosaico, o escritor britânico Julian Barnes desenvolve uma prosa deliciosa em que todos os gêneros são transgredidos – romance, biografia, crítica literária – e em que o resultado surpreende a cada passo. Raras vezes inteligência e versatilidade andaram tão juntas. Ou foram reconhecidas com tanta unanimidade. Por este livro Barnes recebeu o prêmio Médicis, na França, e o Geoffrey Faber Memorial, na Inglaterra.

A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói

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Autor: Lev Tolstói
Lit. Russa / Clássico / Novela / 1001 Livros
Editora: 34
Páginas: 96
Ano: 2006
Ano de Publicação Original: 1886

A morte de Ivan Ilitch foi a terceira novela que li de Tolstói e, sem dúvidas, a mais impressionante. O autor surpreende não só pelo texto irretocável, mas por conseguir ser tão atual quanto se o tivesse escrito hoje.

Não é surpresa para ninguém que Ivan Ilitch morre. Está ali no título, está na primeira página da novela. Começamos com a notícia de sua morte e só depois passamos a conhece-lo, a saber o que fazia, quem era e como vivia.

Ivan era um juiz de instrução que, ao receber um bom cargo, termina tendo uma vida confortável. Viveu para o trabalho, para o sistema corrupto que lhe empregou, foi infeliz no casamento e vivia cercado de pessoas interesseiras, os ditos amigos. Até que, certo dia, uma doença lhe atinge e daí para frente ele só piora.

Tolstói alfineta não só o sistema judiciário russo da época, como também as relações de falsa amizade dos colegas de trabalho, que fingem ser amigos, mas na verdade estão de olho no cargo e na vida um do outro. Quão atual não é isso?

Ivan se vê sozinho, abandonado, despedaçado, enquanto o mundo ao seu redor continua a girar sem sua presença, ou melhor, sem se importar com sua ausência. Tolstói nos choca, sem piedade. Faz-nos ouvir os gritos e o silêncio de quem sabe que está morrendo, faz-nos sentir na pele o arrependimento de não ter cultivado melhores amizades, de não ter dado a devida atenção a quem merecia.

Tolstói nos mostra também como tratamos a morte com artificialidade. Não sabemos lidar com a morte. Não sabemos lidar com quem está morrendo. Mente-se. Finge-se.

E ainda que eu lhes diga todos os temas tratados, não há como ter noção da dimensão desse texto. É quase inacreditável que alguém o tenha escrito de tão sensacional. Você  se vê triste pelo enredo e pela dor de quem morre, mas estupefato pela narrativa grandiosa. Não importa quantas páginas tem, A morte de Ivan Ilitch é monumental.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença.

 

Carmen, Prosper Mérimée

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Autor: Prosper Mérimée
Lit. Francesa / Clássico / Conto
Editora: Zahar / Editora 34
Páginas: 136
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1845

 

Desde que soube que a ópera Carmen, do compositor Georges Bizet, fora inspirada em um conto homônimo do francês Prosper Mérimée, quis conhecer seu texto. Carmen é uma das óperas que mais aprecio e também uma das mais populares no mundo. Eu esperava que a história original fosse boa, claro, mas não imaginava que gostaria tanto.

Carmen, ou Carmencita, é uma bela cigana de cabelos negros e olhos marcantes, que usa sua beleza para seduzir – e roubar – os homens. Por ela, D. José Navarro se perde e se transforma em um bandido perigoso, muito procurado, que vai contar sua trágica história de amor com a cigana para nosso narrador, que, claro, também se apaixonara pela carmencita.

O conto tem quatro partes, sendo a terceira delas a que serviu de base para a ópera de Bizet, e a quarta, apenas algumas explicações do autor sobre seus conhecimentos gitanos. Não sei se fui muito influenciada pelo espetáculo que eu já conhecia, mas o texto é realmente a cara de uma ópera e a Carmen do papel é tão sensacional quanto a dos palcos. Que personagem vibrante! Parece estranho falar assim de uma impostora, mas ela é, de fato, inesquecível.

A rica escrita de Mérimée foi a melhor surpresa da leitura. Cheia de orações em ordem indireta – que eu amo -, ela me transportou para um palco de ópera ao ar livre, e aí não sei até que ponto tem culpa o tradutor, ninguém menos que Mário Quintana.

Como amante da ópera, sou um pouco suspeita para falar do conto, pois posso ter sido muito influenciada pela música, já que ela tocou em minha cabeça durante toda a leitura. Só tem um defeito: é muito curto, ficamos salivando por mais e mais páginas, e elas não existem. Fora isso, um espetáculo! 

Sobre as edições: li pela edição comentada, em capa dura, da Zahar, que traz todas as novelas e contos do autor, com tradução de Mário Quintana. A editora 34 lançou uma edição apenas com o conto Carmen, com outro tradutor, e, até onde entendi, ilustrações de Pablo Picasso, o que me deixou bem curiosa. Se eu comprar (o que pretendo fazer, rs) venho mostrar pra vocês.⠀

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Sinopse: A fama a precede, e ela é a primeira a sabê-lo. Tão logo entra em cena, a moça pergunta: “Já ouviu falar de Carmencita?”. E a verdade é que todos nós já ouvimos falar da bela boêmia muito antes de conhecê-la — ou, mais precisamente, muito antes de conhecê-la sob os traços que lhe emprestou Prosper Mérimée em Carmen, novela publicada em outubro de 1845 na Revue des Deux Mondes. De fato, a cigana não demorou a passar das páginas aos palcos e destes às telas. Primeiro veio a ópera do compositor Georges Bizet: Carmen logo se converteu numa das óperas mais encenadas do repertório lírico, contando com Friedrich Nietzsche e Otto von Bismarck entre seus admiradores. Depois foi a vez do cinema, com inúmeras adaptações, assinadas pelos diretores mais diversos, de Chaplin e Lubitsch a Saura e Godard. Nesse trânsito da literatura à ópera e ao cinema, a personagem foi se descolando do original impresso para seguir carreira própria, com notório sucesso. 
Mas o estrelato tem lá o seu preço. Justamente porque a reconhecemos sem demora como encarnação da femme fatale, a figura esquiva e movediça criada por Mérimée foi se fazendo frontal e inequívoca. A boêmia tornou-se familiar, o que não deixa de ser uma situação insólita para quem, como ela, sempre se recusou terminantemente a constituir família. Já não nos intrigamos mais, já não tentamos decifrá-la. Num certo sentido, Carmen — a personagem — foi se tornando ilegível na mesma medida em que multiplicava seus avatares. Para voltar a lê-la, é preciso devolvê-la a um texto, é preciso reler Carmen — a novela de 1845.

 

O fazedor de velhos, Rodrigo Lacerda

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Autor: Rodrigo Lacerda
Literatura Brasileira / Romance Juvenil
Editora: Cosac Naify
Páginas: 136
Ano: 2008

 

O fazedor de velhos foi mais um daqueles livros que comprei às cegas em uma promoção e não me arrependi. Não é o melhor livro do mundo, mas é bem interessante, especialmente para o público ao qual é destinado, o juvenil.

O livro conta a história de Pedro, um garoto desiludido com os dissabores da adolescência e, depois, com a faculdade de História, que resolve pedir ajuda a uma figura esquisita, um professor que topara com ele outras duas vezes em situações embaraçosas.

Pedro, nosso narrador, passou a gostar de ler depois de muita insistência de seus pais, e, ao longo do livro, cita inúmeras obras para o leitor, de maneira despretensiosa e agradável. Chega a nos contar também alguns detalhes de Rei Lear, de Shakespeare, que ele precisara ler para um certo “desafio”.

Parece um daqueles livros que os professores passam na escola para dar uma respirada nos clássicos, só que é bem escrito e passa uma excelente mensagem. Assim como Pedro, muitos ficam perdidos, angustiados, querendo se encontrar no curso que escolheram, acertar nas escolhas da vida, mas quem dera se todos encontrassem um excêntrico fazedor de velhos por aí…

Livro curtinho, bem escrito, simples, sem firulas, sem glamour, com algumas boas lições de maturidade. Ótima leitura para o público juvenil.

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Sinopse: Com uma prosa fluente, lírica e bem-humorada, o escritor Rodrigo Lacerda, autor de Vista do Rio (Cosac Naify, 2003), mostra as experiências e descobertas de um adolescente que, sem se dar conta, torna-se adulto. Pedro é um jovem como outro qualquer, que gosta de jogar futebol de botão, ir ao Maracanã, pegar jacaré na praia, tomar sorvete. Mas algo o difere dos demais: a paixão pela literatura. Ele adora ler, emociona-se e se envolve de forma profunda com os livros. Numa fase em que se deseja ser muitas coisas ao mesmo tempo, ele conhece Nabuco, um enigmático professor que o auxilia na difícil tarefa de se colocar no mundo. A descoberta do amor também faz parte de seu amadurecimento: Pedro encanta-se por uma garota prática e racional, completamente diferente dele. As poéticas ilustrações de Adrianne Gallinari, em traço fino de nanquim sobre tecido de algodão rústico, complementam as evoluções na narrativa. Dialogando com leitores de todas as idades, o livro prova que a única coisa que resiste ao passar do tempo é o potencial humano para se emocionar.

Filomena Firmeza, Patrick Modiano e Sempé

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Autor: Patrick Modiano
Ilustrador: Jean-Jacques Sempé
Lit. Francesa / nobel / infantojuvenil
Editora: Cosac Naify
Páginas: 96
Ano: 2014

 

Quantas nuances tem esse pequeno grande livro? Quanto do amor entre pai e filha fica, ali, implícito no que Modiano não nos conta? Que lindeza de livro!

Patrick Modiano, vencedor do Nobel de Literatura de 2014, e Jean-Jacques Sempé, grande ilustrador francês, nos contam a história de Filomena, uma bailarina que, observando uma aula de ballet da filha, se lembra de sua própria infância em Paris, quando vivia sozinha com seu pai.

São memórias lindas, sensíveis, com aquela magia que só as boas lembranças da infância nos trazem. Filomena Firmeza tem um tom nostálgico, tem gostinho de infância, de inocência, de uma inocência cada dia mais rara. Tem gostinho de amor…

Modiano não nos conta tudo, deixa lacunas para serem preenchidas por nossa imaginação, por nossas verdades, por nossas versões. E assim, reforça ainda mais o laço de amor entre Filomena e seu pai, que o amava mesmo sem saber ao certo sua ocupação.

O que falar das ilustrações do cartunista Sempé? Quanta delicadeza, quanta sensibilidade… Não tem como separar o texto dos desenhos, foram feitos um para o outro. Tem um ar romântico, casa perfeitamente com a Paris de décadas atrás e deixa o leitor feito bobo. Perdi-me naqueles desenhos, dei vida e movimento a cada um deles em minha imaginação.

E posso confessar? Me senti uma criança quando terminei e quis recomeçar a leitura naquele mesmo instante. Sabe aquele “de novo!”? Pois é…

Esse livro:

Ricamente ilustrado *** Fala sobre a relação pai e filha *** Para ler em família *** Ótimo vocabulário

HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

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Sinopse: Este delicado livro de um dos mais importantes escritores franceses rememora uma bonita relação entre pai e filha, pelo traço único de Sempé. Filomena, já adulta, observa a filha na aula de balé, em Nova York, e se transporta para sua própria infância em Paris, quando morava com o pai, uma figura bastante peculiar, e se comunicava com a mãe (que já residia nos Estados Unidos) apenas por cartas. Com ele, brincava de subir ao mesmo tempo na balança para se pesar, fazia bagunça com o creme de barbear e caminhava até a escola de balé. Ali, Filomena tirava seus óculos e via um mundo sem nitidez – mas também sem aspereza. Um delicado relato sobre a importância do amor entre pais e filhos e um convite a revisitarmos a nossa própria infância.