Lolita, Vladimir Nabokov

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AUTOR: VLADIMIR NABOKOV
clássico/ romance
EDITORA: alfaguara
PÁGINAS: 392
 ANO: 2011

 

Antes de ler esse livro eu só sabia que Lolita era uma polêmica história de um homem de meia idade que se apaixonava por uma adolescente – ou melhor, por uma ninfeta – e nada mais. Temi iniciá-lo pois as palavras amor e pedofilia na mesma frase já me davam náuseas. No entanto, em um daqueles momentos que todo leitor ávido tem de procurar diversas listas de “melhores livros do século” ou “1001 livros para se ler antes de morrer”, notei que Lolita aparecia em todas. Em todas! E, claro, pensei, por que não?

Devo, antes, dizer que li umas 80 páginas e parei a leitura, interrompendo-a por um ou dois meses. Digo isso para encorajar os que fizeram o mesmo, ainda que sem motivo, como eu. Sugiro, ainda, que não retomem de onde pararam, mas que a reiniciem com novo frescor. Valeu cada palavra.

Humbert Humbert é um professor de literatura perto dos seus quarenta anos que se muda para a pequena Ramsdale para escrever um livro. Aluga um quarto na casa de Charlotte Haze, mãe de Dolores – Dolly, Lola, Lo, Lolita – a ninfeta de 12 anos por quem Humbert se apaixona perdidamente. Per.di.da.men.te!

“Tinha sido amor à primeira vista, à última vista, às vistas de todo o sempre.”

O primeiro amor de Humbert foi uma garota de 12 anos, Annabel, quando ele ainda era adolescente. Ela morreu quatro meses após o início da tórrida paixão juvenil, e por isso ele tenta nos convencer de que sua obsessão por ninfetas é, de certa forma, uma busca pela Annabel perdida. Humbert casa-se com Valeria, em uma tentativa frustrada de acabar com sua obsessão por ninfetas, mas Valeria também morre! E é após esses acontecimentos que nosso narrador muda-se para Ramsdale.

A narrativa é em primeira pessoa pelo que é chamado de narrador não confiável, uma vez que Humbert conta-nos o que lhe convém, muitas vezes (ou sempre) tentando convencer-nos de suas boas intenções.

O que você deve saber – que eu não sabia – é que o narrador vai lhe manipular e, por vezes (por muitas vezes!), vai lhe fazer acreditar em cada linha que ele escreve. Julguem-me: eu não vejo o Humbert Humbert como um pedófilo pervertido, vejo-o como um homem que enlouqueceu de amor. Percebe como esse livro pregou uma peça em mim?

Não há como negar que o que Humbert sente por Lolita é amor. Um amor ilícito, mas amor; doentio, obsessivo, ainda assim, amor; possessivo, egoísta, mas amor. Apaixona-se por ela desde a primeira vez que a vê e pretende manter esse amor para si. Bem, assim ele o diz. Convence-nos de que Lolita sempre lhe provocou, que a atração era mútua e de que foi ela quem tomou todas as iniciativas.

“Senhoras e senhores do júri, não fui seu primeiro amante.”

É uma leitura perturbadora, mas não me foi nauseante. A escrita é tão incrível que burlou meus pensamentos e me deixou boquiaberta aplaudindo de pé. A adjetivação contida nessas páginas é de fazer qualquer um babar, é inacreditável a capacidade de Nabokov com as palavras. Quantas vezes ele descreveu Lolita? Inúmeras! E todas únicas e fantásticas. A narrativa é rica, poética, meio hipnotizante, de uma estética encantadora.

Apesar de tudo, os personagens são extremamente irritantes, inclusive a “doce” Lolita, o que não deu brechas para que eu tivesse piedade dela. Mesmo diante dos favores sexuais exigidos por Humbert Humbert em troca de algumas moedas ou concessões, não consegui convencer-me completamente de sua inocência. Lembrem-se, foi o Sr. Humbert quem me contou a história!

É engraçado que há uma outra figura, Clare Quilty, e este sim é um pedófilo pervertido que dá nojo. Mais uma jogada de Nabokov?

Ao término da leitura, certa ou errada, convenci-me de que Lolita não era realmente ingênua, que não foi estuprada pelo HH e que no início correspondia aos seus flertes. Não sei dizer se ela um dia o amou – ou se algum dia foi capaz de amar alguém, tendo sido tão precocemente iniciada na vida sexual. Porém, torci para que ela fosse feliz e senti pena das lágrimas do amor incondicional, maluco e intenso do obcecado Humbert.

Para quem tem medo da leitura, aviso: as cenas não são gráficas, mas é inevitável que elas se formem na sua cabeça. No entanto, a elegância da prosa é tamanha que você vai lendo e lendo… Acima de tudo, Lolita é uma obra prima da literatura e merece ser lida, degustada e apreciada.

3 corações

5 Estrelas

* Está na lista dos “1001 livros para se ler antes de morrer”, de Peter Boxall (Clique aqui para ver mais resenhas da lista)

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Outras capas ❤

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Sinopse: Lolita é um livro imprescindível, e um dos mais importantes romances do século XX. Polêmico, irônico, tocante, narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que desperta seus desejos mais agudos.
Mas a obra-prima de Nabokov, agora em nova tradução, não é apenas uma assombrosa história de paixão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Na literatura contemporânea, não existe romance como Lolita.

16 respostas em “Lolita, Vladimir Nabokov

  1. Começei a ler o livro e achei meio ‘saco’ e abandonei… nunca procurei saber nada sobre a história, nem tinha lido nenhuma resenha… mas vc, como sempre, me deixa com ‘água na boca’ para começar, ou, nese caso, recomeçar. furou a frente e foi para ser o próximo da fila. Beijos e Parabens pelo Blog.

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    • Obrigada, Paula. A leitura dele realmente é meio pesada e tem umas partes um pouco cansativas. Como eu disse pra Verônica no comentário acima, tenta intercalar com um romance bem leve e vai lendo sem pressa, um pouquinho por dia, de repente você termina curtindo :)) Espero que goste! Beijos :*

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  2. Nunca pensei em lê-lo… Acho que sempre rive um pouco de preconceito. Mas depois de tantos livros com características tão ou até mais polêmicas, voltei a colocá-lo na lista…

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  3. Esta aí um livro que de primeira não me interessei, pensei “nossa o cara é pedófilo, eca”, mas depois da sua resenha e da maneira como você Carol expõe os fatos senti uma coisa diferente e comecei a considerar a leitura…

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  4. eu li até um certo ponto, mas me senti mal e desconfortável e parei, mas uma coisa deduzi sobre a personagem, a Lolita de ingênua não tinha nada e era bem manipuladora e o cara um tonto apaixonado, mas quem sabe depois de sua resenha não dou uma segunda chance!!!

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  7. Caroline, você poderia falar um pouco sobre a edição da Alfaguara? A impressão, o encadernamento e o papel é de boa qualidade? Estou em dúvida se adquiro a versão física ou e-book.

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  8. Olá, Caroline!

    Suas resenhas são muito bem escritas, gosto muito do blog!

    Então… Gostei de ler suas impressões, mas confesso que elas me convenceram a realmente não ler esse livro. É como você disse: “vai lhe fazer acreditar em cada linha que ele escreve” e eu não quero acreditar nele! Não quero ser convencida! Quero continuar tendo a plena convicção de que um adulto que se envolve com uma menina de 12 anos, ainda que com consentimento, é sim um estuprador. Nossa legislação, na verdade, diz que isso se estende até os 14 anos de idade. Então acho esse livro um tanto perigoso, na verdade… Não que não possa ser lido, mas isso sempre deve ser feito com muito senso crítico. E, mesmo assim, não quero ler.

    Acho perigoso o fato de ele convencer o leitor… de algo que é melhor que ninguém seja convencido. Mesmo que houve consentimento, mesmo que a inocência de Lolita já tivesse sido roubada pela vida… isso não justifica que outra pessoa reitere essa situação. Vou mais longe: nossa sociedade diz que não tem problema em haver relações sexuais entre adolescentes/crianças tão jovens (12, 13 anos) porque os dois são “inocentes”, mas creio que é igualmente prejudicial, embora os dois não tenham a noção disso. É algo que não deve ser influenciado, muito pelo contrário!! Acho que a sociedade deveria dizer: “vocês são tão novos, esperem um pouco, ok? Não vão se arrepender de esperar um momento de maturidade.”

    O “momento” de maturidade já é algo bem pessoal, cada um vai ter uma opinião, e a minha é: lá pra depois dos 18 anos.

    Mesmo que o texto de Nabokov seja tão bom, tão bem escrito, pra mim o meio não justifica a mensagem. Mas quero ler algum outro livro do autor um dia, para conhecer sua escrita.

    sonhos-e-suspiros.blogspot.com.br

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    • Oi, Dafne. Concordo com você, e não deixei de pensar que é um crime repugnante de qualquer forma. No entanto, na ficção, o narrador que o Nabokov cria manipula o leitor, somos uma espécie de vítimas, daí a genialidade do autor. A escrita é sensacional! Se você ler, não se preocupe, não vai passar a abrir exceção para esse crime não. :))
      E que bom que gosta das resenhas, fico feliz! :))) Abraço, Caroline

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