Os Sofrimentos do Jovem Werther, J.W. Goethe

os sofrimentos do jovem werther

 

 

Autor: Johann Wolfgang Goethe
Clássico / Romantismo / Literatura Alemã
Editora: Martins Fontes
Páginas: 223
Ano: 2007 (Publicação original: 1774)

 

O que dizer de Os Sofrimentos do Jovem Werther? Por que eu não o li antes?! Por que estudamos o romantismo europeu nas aulas de literatura e esse livro não nos é passado como leitura obrigatória para entender o movimento?! Esse livro é fantástico, um clássico escrito há cerca de dois séculos e meio e que continua atual.

Comecei a leitura e, depois de poucas páginas, parei. Para continuar eu precisava entender o contexto histórico em que ele havia sido escrito, afinal não podemos analisar os clássicos como se fossem histórias escritas por um qualquer no presente. Pensando nisso, pergunto-me se quem o classifica com uma ou duas estrelas tem consciência do que está fazendo. Comentários como “queria que acabasse logo” ou “Werther é muito chato, queria que morresse” são tão tolos, insipientes e rasos que me fez pensar se essas criaturas sabiam a preciosidade que tinham em mãos ou, ao menos, o século em que fora escrito. Creio que não. Mas, bem, voltemos ao contexto.

À época em que Goethe escreveu Os Sofrimentos… a Europa estava tomada pelo Iluminismo e pelo Racionalismo, que viam na ciência e na razão a resposta para tudo. Goethe vai de encontro a esses ideais ao escrever uma história em que o sentimentalismo, a emoção e o culto ao amor ocupam completamente o lugar da razão. Critica fortemente a aristocracia e, assim, associa-se a movimentos como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, que consolidariam a burguesia na sociedade europeia.

Goethe foi pioneiro e Os Sofrimentos do Jovem Werther é considerado o marco inicial do Romantismo na literatura europeia, rompendo com os padrões clássicos. É considerado o primeiro best-seller europeu e influenciou toda uma geração, que passou a vestir-se e a comportar-se como Werther. Foi tão importante que Napoleão confessou a Goethe que o havia lido sete vezes. Até hoje está na lista dos cem livros mais lidos da História. Precisa de mais algum incentivo para lê-lo?

Os Sofrimentos do Jovem Werther é um romance epistolar e tem caráter autobiográfico, porém, com final, nomes e locais alterados. No livro, o jovem Werther envia cartas para o amigo Wilhelm, o narrador criado por Goethe, e conta-lhe tudo o que sente.

A princípio vemos um Werther encantado com o ar bucólico do lugar e com as pessoas que o cercam. Vemos um Werther extasiado conhecer Carlota e se apaixonar perdidamente por ela, que já estava prometida a Alberto, seu noivo. Dá-se início, então, a uma paixão desmedida, desenfreada, tempestuosa, mas proibida, inalcançável. A emoção, a supervalorização do amor, a idealização da mulher e o sentimentalismo exacerbado são expressos em cada linha desse triângulo amoroso. E, pouco a pouco, vemos Werther destruir-se, sangrar de amor, sofrer por sua pura e inatingível Carlota.

“Às vezes não compreendo como outro possa amá-la, tenha o direito de amá-la, quando eu, somente eu a amo, com tanta ternura, tão profundamente, não pensando em outra coisa, querendo apenas esse amor, e não possuindo nada além dela.”

A vontade que eu tinha era de marcar cada parágrafo desse livro. São tantas citações que merecem destaque, tantas verdades, tantas percepções acerca do ser humano e da sociedade que, mesmo escritas em 1787, continuam atuais.

“Tudo no mundo acaba por dar nas mesmas ninharias; e aquele que, para agradar aos outros, e não por paixão ou necessidade íntima, esfalfar-se para ganhar dinheiro, honrarias ou algo semelhante, este sempre será tolo.”

Completamente atemporal, esse livro me encantou e me fez lembrar-me da minha adolescência. É fácil identificar-se com o jovem Werther, pois todos nós já fomos, um dia, um pouco dele. Ou seremos! E que triste aquele que nunca o foi, que nunca amou sem medida, que nunca sofreu, que nunca exagerou um sentimento ou verteu uma lágrima de paixão.

“Por que é que aquilo que faz a felicidade do homem acaba sendo, igualmente, a fonte de suas desgraças?”

Quero reler esse livro outras tantas vezes, muito mais que Napoleão! Quero recomendá-lo sempre que puder! Leitura deliciosa – apesar de seu tom melancólico – e uma escrita de encher os olhos, de fazer parar para suspirar! Atentem-se ao contexto histórico e leiam-no!!!

5 corações5 Estrelasfavoritos

os sofrimentos do jovem werther meu

* Por ser um clássico, há diversas traduções desse livro, algumas, inclusive, gratuitas. Aconselho que escolham uma boa tradução – as gratuitas geralmente são péssimas, então vale a pena investir em uma boa editora 😉

** Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer”, de Peter Boxall (Clique aqui para ver mais resenhas da lista)

“Ah, como estremeço quando o meu dedo toca por acaso no seu, quando nossos pés se encontram embaixo da mesa! Recolho-me como que tocado pelo fogo, e uma força secreta impele-me de novo para frente – uma vertigem apodera-se de todos os meus sentidos. E sua inocência, sua alma pura não pressente o quanto essas pequenas familiaridades me afligem. E quando então, durante a conversa, ela pousa a mão sobre a minha, e, em meio a uma discussão animada, aproxima-se tanto de mim que seu hálito celestial roça os meus lábios: nestes momentos sinto-me desfalecer, como que atingido por um raio. E, Wilhelm, este céu, esta confiança, jamais eu ousaria…! – compreendes o que quero dizer. Não, meu coração não é assim tão devasso! Fraco, sim, muito fraco! E isto não é ser devasso!”

“Queria que alguém ousasse repetir-me tudo isso para atravessar-lhe a minha espada de lado a lado, – porque só o sangue poderá acalmar-me. Oh! Cem vezes já peguei do punhal para livrar meu coração do peso que o esmaga”

“E esta miséria enorme, o tédio entre essa gente torpe que aqui se reúne! Essa concorrência e o modo como ficam atentos, um procurando obter vantagem sobre o outro; vejo as paixões mais mesquinhas, mais miseráveis, sem nenhum pejo. Assim, por exemplo, há por aqui uma senhora que tanto fala da sua nobreza e das suas terras que pessoas de fora necessariamente haverão de pensar: eis aí uma tola que se vangloria de sua origem nobre e da fama de suas propriedades. A verdade, porém, é outra: a mulher é aqui da vizinhança, filha do tabelião. Vês, não posso compreender a raça humana, tão inconsciente, a ponto de prostituir-se de maneira tão baixa.”

Sinopse: “Os sofrimentos do jovem Werther” é um romance epistolar, publicado pela primeira vez em 1774, que teve um sucesso enorme e imediato por toda a Europa. Trazia novidades surpreendentes para a época. Era como um espelho da vida e dos costumes burgueses. Esta edição inclui prefácio de Joseph-François Angelloz e cronologia da vida e obra de Goethe. Tradução direta do alemão da segunda versão de “Die Leiden des jungen Werthers”, publicada originalmente em 1787.

10 respostas em “Os Sofrimentos do Jovem Werther, J.W. Goethe

  1. Oi, Carol! Eu costumo ter preguiça de ler clássicos, mas do jeito que tu falaste me interessei! 🙂 Tem livros que precisam ser lidos! Beijo!

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    • Andressa, esse é bem tranquilo de ler, super gostoso (mesmo sendo triste). É bem melancólico, por isso nos lembra da adolescência e tal. Espero que você goste :)) Bjs

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  2. Como já disse Carol é impossível ler sua resenha e não se interessar, você coloca as coisas de um jeito peculiar e essa ressalva sobre o contexto histórico em que foi escrito é tudo pra podermos apreciar um bom clássico. Preciso ler! Bjo

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