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a viajante do tempo novo

 

 

AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: SAÍDA DE EMERGÊNCIA
PÁGINAS: 800
ANO: 2014

 

Lá estava eu, me sentindo “órfã” após o término de uma trilogia incrível e arruinada para qualquer história que não fosse, oh!, tão magnífica quanto aquela! Lia uns e outros e, mesmo gostando, sentia falta de algo grandioso. Um belo dia, não tão belo assim rs, pois esse livro foi dificílimo de encontrar (na época a ed. SdE ainda não tinha começado a relançar a série, então minha edição é da Rocco comprada em sebo) resolvi escutar as recomendações de umas amigas e ver o que de tão bom tinha em Outlander. Tudo que eu sabia era que a moça caía 200 anos no tempo, nada mais.

Primeira página: Inverness. Ponto. Ganhou-me! Se você é alucinada pela Escócia como eu, vai enlouquecer. Se não é, vai ficar.

A inglesa Claire, enfermeira durante da II Guerra Mundial, casou-se com Frank Randall, um professor universitário fascinado por História e por seus antepassados, pouco antes do início da Guerra, que logo os separou. Após a guerra, novamente reunidos, seguiram para Inverness – norte da Escócia. Lá, Claire vê uma cena esdrúxula e um tanto mística em Craigh na Dun – uma espécie de Stonehenge fictícia, um círculo de pedras misterioso – e resolve retornar ao local para ver se poderia encontrar algo por lá que explicasse tal cena. E é aí que tudo começa.

Claire passa por uma pedra, como uma fenda no tempo, e surge cerca de 200 anos antes, em 1743, no mesmo local, com as mesmas roupas que usava. Os homens das Highlands que a encontram não entendem quem é aquela mulher. Uma prostituta? Uma espiã? Uma bruxa? Na dúvida, levam Claire até que descubram quem ela realmente é. Eis que surge Jamie, e se seu coração pulsa e você precisa de ar para viver, anote minhas palavras: você vai cair de amores por Jamie, muito! E você vai sofrer por ele, tanto, tanto…

Para os mais avessos à fantasia, asseguro-lhes que a única parte que caracterizaria essa história como tal é a “queda” no tempo e nada mais. Todos os personagens são plausíveis e suas atitudes completamente condizentes com a época e o local. A autora mistura mitos da região, contos, religião, medicina, crenças, batalhas, brigas, amor e ódio… Nos transporta para uma época em que a tortura e o abuso eram rotineiros e os homens, uma espécie de brutamontes. As mulheres que conheciam ervas e misturas que curavam eram confundidas com bruxas e queimadas em praça pública ou condenadas à forca, atraindo curiosos que aplaudiam fervorosamente.

Se eu fizer uma analogia entre o livro e um castigo, eu diria que a autora começa com uma palmadinha, passa para um tapa, um soco, uma surra, até que, no final, açoita e deixa tudo em carne viva. Então, não se enganem com o início leve e divertido dessa história, pois certamente não é para os mais frágeis. Os capítulos finais são de uma dureza que eu jamais tinha experimentado em um livro. Aquilo doeu em mim, lá dentro, dilacerou meu coração, corroeu tudo que podia, esgaçou cada pedacinho do meu peito. Fechei e reabri o livro infinitas vezes, e quando parecia que a ferida ia cicatrizar, a autora vinha e botava o dedo, fazendo todo o sangue jorrar novamente. Por mais que eu tentasse – e eu tentei, ó, como tentei – não visualizar a cena, ela estava lá, a cada fechar de olhos, a cada pulsar, na minha cabeça. Oh, doce Jamie! O que eu faria por você?

Vi alguns poucos comentários na Amazon falando do “absurdo” de um certo castigo que ocorre lá pela metade do livro, que as pessoas não deviam admitir isso e bla-bla-bla. Que parte perderam da leitura? Certamente a de que a história se desenrola em meados do século XVIII, em plena região das Highlands escocesas! Se nos dias de hoje a lenda – mesmo contada como lenda – do monstro do Lago Ness ainda sobrevive e é um dos principais atrativos da cidade, imagine o que não era aquela região em 1700!

Apesar das torturas, boa parte dessa história é alegre e até engraçada. A maneira como os personagens principais se provocam nos mais inusitados momentos levaram algumas boas risadas minhas. Além disso, a excelente caracterização da época, dos costumes locais, da tradição dos kilts, da relação entre pai e filho e entre marido e mulher, da arquitetura e da natureza, as brigas entre os clãs, entre ingleses e escoceses, foram um deleite e um aprendizado à parte. A escrita é outro ponto alto, sempre envolvente e elegante, cativa o leitor desde as primeiríssimas páginas.

É uma bela história de amor entre duas pessoas de épocas tão diferentes, mas que encontram um no outro tudo o que precisam. Um é a base, o outro a estrutura. É daqueles amores assim, difícil de esquecer, que marca, que permanece, que dá saudades, que te prende. É daqueles amores inquebrantáveis, sólidos, raros, que abdica… Jamie e Claire, um herói e sua heroína, no mínimo, fascinantes.

5 corações 5 Estrelas

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A série está sendo relançada pela editora Saída de Emergência. Os dois primeiros livros já estão disponíveis. Os da Rocco, só em sebo e se você tiver muita sorte 😉

a viajante do tempo 3

Minha edição, ainda da editora Rocco ❤ ❤ ❤

Minha coleção <3

Minha coleção ❤ Em destaque o livro #2, A Libélula no âmbar, o mais difícil de encontrar na época 😉