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o velho e o mar

 

 

AUTOR: ERNEST HEMINGWAY
CLÁSSICO /  LITERATURA AMERICANA / NOBEL
EDITORA: BERTRAND BRASIL
PÁGINAS: 126
ANO: 2005
PUBLICAÇÃO ORIGINAL: 1952

 

O Velho e o Mar é daqueles livros que você se questiona o porquê de não ter lido antes. No meu caso, o porquê de não ter escutado a recomendação de meu pai, fã de Hemingway, antes. Hemingway é tão fantástico que conquista até leitores como eu, mais inclinados à escrita clássica, cheia de adjetivação. É incrível como consegue nos transportar àquele cenário, mesmo com a escrita “seca”, concisa e sem floreios que lhe é peculiar.

O velho e o mar é o segundo livro do escritor que leio, e nele, mais do que no primeiro, é possível perceber a importância de Hemingway para a literatura moderna e o quanto essa quebra de tradições clássicas significou para o meio literário. Seja nas artes, na arquitetura ou na literatura, romper um estilo e estabelecer novos parâmetros não é uma tarefa fácil e Hemingway o fez com genialidade, e só aqui compreendi o porquê de ter merecido um Nobel.

O autor conta a história de um velho pescador, Santiago, que mesmo muito experiente está há 84 dias sem conseguir pescar nada. Com o incentivo do jovem amigo Manolin, resolve encarar mais um dia no mar. E é essa ida solitária em busca de algum peixe que acompanhamos, não só como leitores, mas principalmente como espectadores.

Deixa-nos tantas mensagens e são tantas metáforas que acredito que a cada releitura uma nova interpretação seja captada. Fala sobre a vida e toda a experiência que você acumula nela; fala de amizade, reconhecimento e carinho; e do conhecimento passado de geração em geração. É bonito de se ver a admiração, o respeito e a gratidão que o jovem Manolin tem por aquele experiente velhinho que lhe ensinara a pescar.

Sim, fala de velhice e de orgulho. E é incrível como, em tão poucas páginas, Hemingway consegue fazer um retrato tão realístico e triste do homem que envelhece, do homem que mesmo experiente e cheio de conhecimento se vê, de certa forma, impotente, uma vez que suas condições físicas já não são as mesmas. Mostra-nos o quão importante era para ele conseguir a façanha de “domar” aquele peixe enorme, muito mais por orgulho do que pela fome ou dinheiro. Fala de determinação, da sua luta incansável de ir até o fim, e, novamente, do orgulho que não lhe permitia desistir.

A beleza está na simplicidade, se o leitor esperar qualquer rebuscamento irá se decepcionar. É impressionante como, mesmo com tanta frugalidade, essa estória me encantou e me emocionou. E mais ainda, como me deixou triste.

Um clássico para todas as idades, para se ler e se reler. Recomendo, sem dúvida alguma.

5 corações 5 Estrelas

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer”, de Peter Boxall (Clique aqui para ver mais resenhas da lista)

** Autor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1954 (Clique aqui para ver mais resenhas de vencedores de Nobel)

Sinopse: Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Esse é o fio do enredo – fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado – com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salao, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.