A Libélula no Âmbar (Outlander #2), Diana Gabaldon

A libélula no ambar

 

 

AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: SAÍDA DE EMERGÊNCIA
PÁGINAS: 944
ANO: 2014

(Resenha de Outlander #1 aqui)

 

Não sei se conseguirei expressar o que senti com a leitura desse livro, talvez meus comentários se alternem entre frustração e admiração pela autora. O primeiro livro, A Viajante do tempo é fantástico, une uma escrita sem defeitos, uma história de amor arrebatadora e um panorama histórico extraordinário. É perfeito, e quando um autor escreve um livro assim, tem, na sua sequência, a difícil missão de cumprir as expectativas do leitor. E as minhas eram altas, altíssimas.

Diana Gabaldon abre o livro no ano de 1968 e isso me assustou. Muito! Bem, não o ano, mas o fato de Claire estar com sua filha de 20 anos, Brianna Randall. Randall?! Vinte anos?! Mais algumas páginas e o que descobrimos é como um balde de água gelada na cabeça. Não, não pode ser. Por que, Diana, por que?! Fechei o livro, me irritei, não quis acreditar… depois, esperando alguma mágica, me recompus e retomei a leitura, pois a ansiedade já me consumia. Eu me vi virando longas páginas, em uma ânsia incansável por respostas. Talvez eu já as tivesse, mas eram tão duras que o que eu buscava mesmo era um milagre, uma daquelas reviravoltas impossíveis que só os autores de ficção conseguem fazer. Esse início cruciante foi uma sacada de mestre, mas também foi uma faca de dois gumes. Eu não diria decepcionada, mas me vi frustrada e isso, certamente, atrapalhou um pouco a leitura. Mas, voilà

A autora é brilhante, não há como negar. Escreve com maestria e parece que gosta do tom de sua própria voz, pois não nos poupa de pormenores ou fatos que servem apenas para a caracterização e contextualização da época e do lugar. Há trechos em que ela se aproxima mais de um livro de História do que de um romance e, não fosse o fato de termos um casal de protagonistas mais do que cativantes, teria sido difícil passar por todos aqueles capítulos. Não me entendam mal, é interessante, nos leva àquelas batalhas, nos faz viver a pompa da Paris do século XVIII e as campestres Highlands escocesas em toda sua brutalidade, seus clãs e costumes. Faz-nos sentir a ignorância diante das doenças, muitas vezes consequência da falta de higiene. É fascinante e nos transporta àquela difícil época, todavia o excesso de informações que não mudariam em nada o rumo do romance desanima um pouco. Eu não gosto de encurtar os livros, adoro adjetivação em demasia e todos os floreios que um autor pode utilizar, mas aqui eu tenho a petulância de dizer que tiraria algumas páginas. Uai, são 944!

Ainda assim, continuo dizendo que Diana é incrível. Ora! Ela nos tira da zona de conforto, extrapola todos os limites, é crua, dura, sai do lugar-comum, foge de coisinhas pequenas e do eu-te-conheci-me-apaixonei-e-acabou. Vira e mexe traz à tona o estupro do livro passado e, ó, céus, isso dilacera meu coração e eu sofro tudo de novo. Aos desavisados, se preparem, pois não para por aí. É como se ela tivesse um estranho fetiche por cenas nauseantes, cenas de estupro, de sexo como moeda de troca, de prostituição de menor e de inflição de dor nas partes baixas masculinas. Tudo extremamente detalhado e gráfico. Causa-nos nojo, pavor, repulsa e até pena.

No entanto, quando ela quer, faz-nos derreter de amor, faz-nos sorrir e salivar. Jamie e Claire são personagens apaixonantes, dignos de reverência. Claire é forte, decidida, determinada. É prestativa, mas sem ser boba; é doce, mas não é ingênua. Oh, Claire! O que ela fez pelo Jamie foi de uma coragem que só um amor verdadeiro é capaz, e me abalou, muito…me angustiou… Jamie, Ah, o Jamie!, o que dizer desse grandalhão que dá vontade de botar no colo? O que dizer de sua honestidade e franqueza? O que dizer de seu amor incondicional pela Claire e das palavras carinhosas (e engraçadas) que lhe diz? E sua inocência, tão bem mensurada que aquece a alma? E seu senso de humor? E sua coragem e bravura? E seus cabelos ruivos, seu corpo caloroso e sua beleza estonteante? Jamie e Claire são personagens perfeitos! Geralmente personagens assim são tão inverossímeis que entedia, mas aqui ocorre o oposto. Eles foram o que manteve aceso o romance e o que fez cada infinita página valer a pena.

Apesar de termos um amor e uma amizade forte entre o casal, senti falta das provocações bem humoradas que existiam no primeiro livro e queria ter visto um pouco mais de paixão. A paixão ficou já bem para o final do livro, e, repito, quando a autora quer, ela faz com esmero. Fez-me tremer, queimar por dentro, de dor e de amor, de medo e de desespero.

É difícil dar 5 estrelas a um livro que não lhe emocionou como você queria. Tão difícil quanto, é diminuir uma estrela de tamanha veracidade, de uma trama tão grandiosa e bem desenvolvida, de um trabalho primoroso de pesquisa histórica, com personagens tão amados e bem construídos. Recomendo? Ora, claro!

4.5 corações 5 Estrelas

 

Minha coleção <3 - Em destaque o livro #2, A Libélula no âmbar, na época o mais difícil de encontrar ;)

Minha coleção ❤ ainda da editora Rocco

Sinopse: O soldado Jamie Fraser, por quem Claire se apaixona, precisa ajudar o príncipe Carlos Stuart a formar alianças que o apóiem na retomada do poder. Pressente-se, entretanto, que a rebelião fracassará. De fato, a tentativa de devolver o trono aos católicos arruinará os clãs escoceses. Enfrentando um velho rival, Claire tenta impedir muitas mortes cruéis e salvar o homem que ama. Assim são os primeiros capítulos de A libélula no âmbar , segunda etapa de Outlander, série de Diana Gabaldon, que começou com A viajante do tempo . O romance tem início quando, depois de assistir a uma cerimônia celta, Claire atravessa séculos de história e cai no mesmo lugar, só que no ano de 1743, e encontra Jamie, seu grande amor.

5 respostas em “A Libélula no Âmbar (Outlander #2), Diana Gabaldon

  1. Resenha maravilhosa mais uma vez! ^^

    Ainda não li o livro, pois confesso que estou me preparando psicologicamente para o que está por vir, porque sei que a autora fará questão de abrir todas as feridas e realizar novas como sempre. rsrsrs Me apeguei completamente aos personagens e apenas o fato de imaginar o pobre Jamie sofrendo com a aparente separação de 20 anos (sério mesmo???) no início da história já me parte o coração e como sempre me faz ficar extremamente revoltada com a autora ao mesmo tempo em que a admiro por sua ousadia e escrita tão fascinante. Mas imagino que aos poucos as peças irão se encaixando e haverá explicações, por mais dolorosas que sejam, certo?

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  2. Não li, porque to lendo o livro agora (mais ou menos agora, dei uma paradinha), mas o começo me chocou tanto que enquanto leio a parte dois e lembro do inicio, me dá uma dorzinha… kkkkkkkkk Sou apaixonada pelo Jamie!! Hahahaha

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  3. Carol, você fala da Diana Gabaldon perfeitamente, sou fãzona dessa autora, essa série me deixa sem chão, como se diz aqui, sem prumo! rsrs
    Nesse segundo livro é impossível não começar com as expectativas em alta. Quase morri quando li, fiquei imaginando o que a autora iria fazer pra consertar minha frustração, pois são 20 anos, 20 anos! Diana é ousada, meio sádica e com uma mente fascinante, porque ela conseguiu me fazer terminar, me apaixonar mais ainda e querer mais!
    Posso dizer com segurança que é uma característica de todos os livros da série esse extremo em ter tudo detalhado e gráfico, essa riqueza de detalhes pode ser cansativa porque nós ansiamos tanto Jamie e Claire, os momentos que eles estão envolvidos são tão intensos que quero ler só sobre eles rsrs pelo menos comigo é assim!

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