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O Palácio de Inverno

 

 

Autor: John Boyne
Romance Histórico
Editora: Cia das Letras
Páginas: 456
Ano: 2010

 

O Palácio de Inverno é daquelas histórias que faz você querer tirar uma estrela de cada livro que já avaliou antes. É um romance histórico extraordinário que prende e envolve o leitor desde as primeiras páginas.

Geórgui Jachmenev, personagem fictício e narrador, era um simples mujique, um pobre camponês que depois de um ato heroico quase involuntário, se vê em meio a czares, condes e princesas, entre palácios e trens de luxo, completamente encantado e apaixonado por Anastacia, uma das quatro filhas do czar. A partir daí sua vida vai tomar um rumo completamente inesperado.

Arrisco-me a dizer que é o livro mais bem construído que já li e chega a ser inacreditável o domínio do autor em desenvolver a trama sem ordem cronológica alguma, indo e vindo no tempo com maestria. A narrativa do autor é fantástica, deleitável. Deixa-nos bobos quando começa a juntar as épocas e os personagens, quando passado e presente se encontram.

Com uma escrita magnífica, rica em detalhes, um desenvolvimento fabuloso e uma pesquisa histórica fantástica, John Boyne nos apresenta personagens de sua imaginação e os mistura aos últimos Romanovs da Rússia e a outras tantas figuras históricas.

Seus personagens são verossímeis, cheios de vida, de defeitos e qualidades, sempre muitíssimo bem caracterizados. É impossível não mergulhar neles e se ver imaginando que tudo aquilo pode ter existido de fato. Questionamos, fantasiosos: será? Facilmente nos vemos dentro do Palácio, em meio aos czares; nos vemos dentro de suas casas, convivendo com suas famílias e rotina. Boyne sabe como contar uma história, sabe como inserir um tom levemente misterioso em seus capítulos, como nos deixar curiosos, atentos, surpresos e emocionados.

Embarcamos em dois mundos, na São Peterburgo que se preparava para a revolução bolchevique e na Londres da segunda metade do século XX. Embarcamos em uma história de amor que ultrapassa barreiras, de um amor intenso, verdadeiro e duradouro; a história de uma vida inteira escrita, sem dúvida, com coração e alma.

Inquestionavelmente, um dos melhores livros que já li.

5 corações

5 Estrelas

favoritos

*** Se você não sabe muito sobre os últimos Romanovs, é preferível que só pesquise sobre eles quando terminar o livro. Dessa forma, terá mais elementos surpresa durante a leitura. (Mas não deixem de fazer essa pesquisa, mesmo que rápida, sobre a última família dessa dinastia. É um deleite à parte ver como o autor brincou com os fatos históricos.)

Nicolau II e sua família: Olga, Maria, Nicolau, Alexandra, Anastásia, Alexei e Tatiana.

Nicolau II e sua família: Olga, Maria, Nicolau, Alexandra, Anastásia, Alexei e Tatiana.

Sinopse: Pode-se fugir da história? Será possível viver no anonimato após uma existência de fausto e glória? A vida comum é assim tão diferente da vida pública?
Geórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais.
Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior.
A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso – mas e para Zoia, o que teria custado?
Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.

 

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