O menino do pijama listrado, John Boyne

o menino do pijama listrado

 

Autor: John Boyne

Ficção Histórica

Editora: Seguinte

Páginas: 186

Ano: 2007

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Quando você lê um livro tão bem recomendado, que vem com aquele “todo mundo gostou” e já ganhou alguns prêmios é inevitável criar grandes expectativas. Adiei essa leitura por muito tempo para poupar-me da tristeza que ela me traria e pensei que seria um 5 estrelas. Não foi. Ou foi, nem sei. Desde que terminei a leitura fico me perguntando se vale três, quatro ou cinco estrelas – o que é bastante estranho. Mas, vamos lá.
O Menino do Pijama Listrado conta a história de Bruno, um garotinho de 9 anos que morava em Berlim em uma adorável casa de cinco andares, como o próprio relata. Até que um dia seu pai recebe o Fúria para um jantar, torna-se comandante e recebe uma nova missão. Para cumpri-la precisará se mudar para Haja-Vista por um “futuro previsível” e levará toda sua família – a esposa, a filha mais velha, Gretel, e Bruno. Ao chegar lá Bruno não gosta do lugar, pois fica longe dos amigos e não tem crianças para brincar, até que um dia ele percebe que há, do outro lado da cerca, muitas famílias – com crianças! – e todas vestem um pijama listrado.

O Fúria – Führer – é, obviamente, Hitler e Haja-Vista, por mais tosco que pareça, é Auschwitz. E é aí que entra o primeiro problema. Por que uma criança alemã de 9 anos não sabe pronunciar Führer ou Auschwitz, mesmo tendo sido corrigido inúmeras vezes por sua irmã? Para deixar o livro mais leve e não citar os “nomes feios”? Talvez. E outra, que criança alemã, repito, de 9 anos nunca tinha ouvido falar em judeu?

Para mim a idade de Bruno é a falha dessa história, ele é inocente demais. Vejo suas ideias, conceitos e dificuldade de fala compatíveis com uma criança de 5 ou 6 anos. Eu poderia esquecer isso e pensar que ele viveu “preso” em casa, sob rédeas curtas dos pais que lhe “pouparam” dos detalhes do Nazismo. Mas não… Bruno tinha amigos e brincava na rua, por isso a minha estranheza.

Afora esses pormenores, o livro é incrível, de uma simplicidade que encanta. A narrativa é em 3ª pessoa, mas como é sob a perspectiva de Bruno não sabemos ou vemos nada além do que o próprio vê. A escrita é singela, quase infantil, mas ainda assim elegante.

Um ponto que o autor quer deixar evidente é de que as crianças são inocentes, puras, não nascem racistas nem com ódio no coração. Elas não veem a cor ou a religião do coleguinha, elas veem uma criança e a oportunidade de fazer um amigo. Os adultos, estes sim, podem transformá-las em pessoas más.

Devido ao tema, pensei que teria uma abordagem mais profunda, mas não, tirando as últimas páginas, é tudo muito “leve”, na medida do possível, claro. É como um livro que conta o Holocausto para crianças. Se é que se deve contar sobre o Holocausto às crianças! 

A pureza da criança é o que torna esse livro triste em uma bonita história. Recomendaria para crianças, mas não é um livro para crianças. Ou é? Ou as crianças tem que aprender desde cedo os horrores que já aconteceram neste mundo para que se tornem adultos mais conscientes e responsáveis, menos racistas?

Meu livro favorito do autor continua sendo O Palácio de Inverno (resenha aqui), este sim é fantástico, um dos melhores livros que já li. Quanto ao menino do pijama, melhor ler e tirar suas próprias conclusões, pois é livro favorito de muitos leitores por aí. 😉

4 corações 4 Estrelas

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o menino do pijama listrado meu

Sinopse: Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.

Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

11 respostas em “O menino do pijama listrado, John Boyne

  1. Ótima resenha! Depois de ler outros livros sobre a Segunda Guerra Mundial, que retratam a história de uma forma mais crua e realista, este se torna uma leitura bem leve. Porém acho que o ponto positivo realmente está na delicadeza da escrita narrada pelo ponto de vista de crianças inocentes e de coração puro, livre de preconceitos.
    Lembro que quando li o final me surpreendeu bastante. Logo assisti o filme e achei uma ótima adaptação! Muito bom mesmo!

    Estou super curiosa para ler “O Palácio de Inverno”, certamente será uma das minhas leituras desse ano!

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    • Lê, concordo com você, a delicadeza é o ponto alto desse livro. Espero que goste de O Palácio de Inverno, é super rico (acho que ele é culpado por eu ter me decepcionado um pouco com O menino do pijama rs)

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  2. eita menina sabida,por isso sempre vou atras(quase sempre)do que vc ler.E também pergunto a minha filha,que é uma leitora voraz como vc.

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  3. Já me recomendaram esse livro inúmeras vezes mas tenho muito medo de sofrer… =/ Fiquei bem curiosa, quem sabe possa entrar na lista dos livros de desafios de 2015.

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    • Tatiana, é uma leitura super rápida. É muito triste, mas eu pensei que fosse mais “pesado”. É bem curtinho, dá pra encaixar aí na meta rs

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  4. Resenha maravilhosa!!! Eu tive a mesma impressão que você. Infelizmente, não consegui nem concluir o livro. Acho que porque tava esperando algo diferente, algo mais profundo… Não sei! É um livro bonito, mas li com tanta expectativa – eu tinha lindo A menina que roubava livros – e achei que ia ser nesse nível. Concordo com você!!

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    • Carolina, acho que meu problema foi como o seu, expectativas muito altas, estava lendo outras coisas mais densas e tal. O final é bem chocante, é ainda o que me fez dar uma estrelinha ali a mais, mas no geral esperava bem mais do livro. :))

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  5. Concordo com vc Carol, é uma leitura mais leve por ser do ponto de vista de uma criança, tratou com sutileza esse tema que é pesado. Bruno me pareceu bem inocente mesmo, mas a tensão é tanta porque nós sabemos o que são aquelas famílias e tudo que envolve…
    Também gostei do filme, achei que não faltou nada, tenso e muito triste!

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