Preconceito Literário

Por mais improvável que pareça, os leitores sofrem com o inaceitável preconceito literário. Basta dar uma navegada nas redes sociais para perceber que a intolerância insiste em dar as caras, o chato metido a intelectual parece ser uma espécie que jamais entrará em extinção. (notem que chamo de chato o metido a intelectual, e não o intelectual, o culto, o educado, o inteligente e respeitoso – esse merece sempre minha admiração.)

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Consideremos como tribo um grupo de leitores que tem gosto em comum, participam dos mesmos fóruns de discussão, dos mesmos grupos de leitura e, portanto, terminam se acostumando com opiniões parecidas com a sua. Quando o leitor se afasta de sua tribo, começa a perceber que seu gosto, por mais estranho que isso possa parecer, incomoda a alguém.

Os gêneros da literatura são inúmeros, mas uma parte dos leitores acha que só um tipo é válido: o que eles consideram culto. Não basta pensar que os outros leitores são inferiores, nem basta se pabular do que leu, esses “críticos” adoram menosprezar quem não se encaixa na tribo cult.

Esse preconceito em relação aos best-sellers não é novidade. Essa tribo que se considera intelectual sempre repete clichês como “Odeio best-sellers”. Como se ‘best-seller’ fosse um gênero literário e todos os livros que vendem muito fossem iguais. Victor Hugo e Goethe já foram best-sellers, e aí?!

Estou sempre com mais de 1 livro em andamento: um clássico, uma biografia, um romance bobo e um romance “bom”, por exemplo. Eles me dão opções suficientes para ter o que ler em cada momento. Ando mais devagar com uns que com outros e não vejo problema algum com isso. Ler Balzac não me impede de gostar de Jogos Vorazes. E se um dia o fizer, ótimo, verei em todos os leitores de best-sellers potenciais leitores de clássicos. É tão simples!

Uma importante revista postou em sua página no Facebook no fim de 2014 que o livro do ano fora A Culpa é das Estrelas. O livro de John Green passou meses ocupando o topo da lista dos mais vendidos, então, claro, não haveria problema em destacá-lo, certo? Infelizmente, errado! Fiquei boquiaberta aos abrir os comentários e senti vergonha de ser conterrânea daqueles, er…, cidadãos.

Os comentários xingavam não só o livro, mas os leitores. Variavam entre “Oi??? Literatura?” e “Lixo” a “Escolher isso é querer nivelar por baixo né”.

Um comentário em especial chamou a minha atenção: “Com todo respeito, mas chamar isso de literatura é uma afronta aos grandes escritores. Essa ‘onda’ de livros ‘young adult’ está tornando os jovens cada vez mais alienados. Trágico!” 

Humm…Interessante. Pulemos o “com todo respeito…”, por motivos óbvios, e passemos a “afronta aos grandes escritores”. Por que um escritor que vende muito seria uma “afronta aos grandes escritores”? Quem estaria apto a dizer que escritor X é ruim e Y é bom? Qual seria o limite entre literatura e o que eles chamam de “não-literatura”?

Os grandes escritores são selecionados pelo tempo, que se encarrega de eternizar as grandes obras, mas isso não diminui a importância da literatura de entretenimento, dos best-sellers, dos livros que, por um motivo ou outro, encantam uma geração.

Essa ‘onda’ de ‘young adult’, como fala a especialista super-cult, tem iniciado milhares de jovens no mundo da leitura. Harry Potter começou a formar, há quase 20 anos, uma legião de leitores cada vez mais ávidos por histórias que lhe despertem para novos mundos, que lhe instiguem, lhe provoquem, lhe façam sorrir, que lhe deem prazer. São esses mesmos jovens que hoje movimentam o mercado editorial no Brasil, que lotam os eventos de livros e que tem encontrado em escritores populares, ídolos. Seria isso algo ruim? Idolatrar sempre foi uma característica da adolescência, então por qual motivo não poderiam eleger um autor, ao invés de um cantor ou ator, para ser seu ídolo? Isso é ser alienado?! Pior, seria isso algo “trágico”?! Vejam bem, ela diz que é TRÁGICO!

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Ainda me lembro de muitos professores reclamando, dizendo que os adolescentes tinham que ler Machado de Assis e Graciliano Ramos, pois Harry Potter era literaturazinha passageira, coisa de criança. Passageira? An…ram… Certo dia, olhando a lista dos 10 livros mais vendidos da semana, percebi que 8 deles eram livros young-adult (jovem adulto), e isso continuou por semanas. Isso poderia significar que só se lê livros desse tipo hoje em dia, mas não é o que tem mostrado o mercado e as feiras especializadas. Não são os adultos que estão lendo livros para jovens, mas são os jovens que estão consumindo a maior parte da literatura vendida no país e, portanto, estão ocupando os topos das listas.

Esses dados comprovam que, sim, Harry-Potters e Crepúsculos podem, sim, “iniciar” leitores. Será que isso é um tapa na cara dos “educadores” que um dia criticaram a leitura dessas sagas simplesmente porque não eram livros “sérios”? Aqueles mesmos educadores que insistiam que estudante brasileiro só deveria ler clássicos nacionais? Acredito que esses dados são a esperança de que teremos, em um futuro próximo, adultos que leem mais.

Vi uma reportagem com dois jovens que obtiveram nota máxima na redação do ENEM em 2014 (a mesma redação que presenteou com um zero mais de 500 mil estudantes – quinhentos mil!!!) e sabe o que eles tinham em comum? A paixão pela leitura! E em especial pela leitura dessas sagas tão criticadas, voltadas para o público jovem-adulto.

Vejo crianças de 7 anos engolindo Diários de um Banana ou Percy Jacksons. Vejo que essas mesmas crianças vão crescendo e se interessando por John Green, Meg Cabot ou a brasileiríssima Paula Pimenta, e assim sucessivamente. Sem dúvidas, o hábito da leitura por prazer plantado desde a infância leva os leitores a lerem Machado, Dickens ou as irmãs Brontë por vontade própria algum dia. O interesse muda com o tempo, as expectativas mudam, o gosto muda, apura, sofistica. Ninguém começa lendo Proust ou Turgenyev, mas se aprender a gostar de ler, um dia chega lá – se assim o desejar.

Dizer que os livros para jovens-adultos estão deixando os jovens alienados é não perceber nada que acontece a seu redor. NADA! (Lembra dos 500 mil alunos?!) Fico me questionando se esses pseudo-intelectuais moram no Brasil, um país onde a média de livros lidos por ano é de apenas 4 títulos.

Há quem pense que ler livros ruins não acrescenta em nada, que é melhor não ler nada que ler algo ruim. Há, ainda pior, quem pense que atrofia o cérebro, que uma vez lido é impossível “deslê-lo”, que o estrago já foi feito. Que bobagem! Um livro ruim atiça o lado crítico do leitor, faz com que ele que pense em muitos porquês e forme uma opinião. É claro que com isso não estou dizendo que se deva ler livros ruins, mas se um cair na sua mão, que seja aproveitado da melhor maneira.

Concordo que há livros ruins, medíocres, de péssima qualidade, especialmente com o mercado querendo vender muito, querendo lucrar. Com a facilidade de publicação que há hoje em dia, muitos escritores que jamais conseguiriam contrato com uma editora terminam lançando seus livros de forma independente no meio digital e uma parte deles é ruim mesmo. Jamais disse que os livros devem ser passíveis de críticas, pois tem muitos livros cujo português é vergonhoso, lastimável. O que enfatizo é que o leitor não deve ser menosprezado ou julgado por lê-los. Que sejamos sempre maduros e critiquemos com fundamentos sérios o livro, jamais o leitor.

É natural que depois de alguns lixos ele queira algo mais, algo melhor. Quantas vezes não vi, nos grupos de leitura, pessoas pedindo dicas de livros melhores, pois cansara de “mais do mesmo”? Quantas vezes não vi leitores pedindo dicas de clássicos para iniciantes? É um processo e ele deve ser respeitado.

Devo enfatizar que o contrário também acontece: o culto também sofre preconceito. Talvez paguem a conta dos pseudo-intelectuais sem que tenham nada a ver com isso. Muitas vezes, comentar que está lendo James Joyce, por exemplo, leva alguns a torcerem o nariz, a acharem que o comentário é apenas para se mostrar culto ou inteligente, quando na verdade o leitor só quer ter com quem conversar sobre uma excelente leitura que fez. O preconceito é abominável de qualquer forma e essa conversa de que quem só lê clássicos ou livros “difíceis” é um chato ou coisa parecida é tão ruim quanto julgar os que leem best-sellers.

John Green pode, sim, levar a Tolstoi, mas forçar um livro chato e enfadonho leva à desistência. Obrigar alguém a ler um livro cansativo logo nos primeiros anos de vida ou nas horas de lazer é criar uma geração que repele a leitura, que a associa a algo penoso.

Que jamais percamos o prazer de ler o que queremos, que jamais tenhamos vergonha do que escolhemos. Que a evolução seja constante, mas natural e sadia, sem pressões ou constrangimentos. Que as boas leituras cheguem de mansinho e nos conquistem, que a bela escrita nos faça salivar, nos vicie, nos faça suspirar. Que os preconceituosos leiam mais para que abram suas cabeças e se tornem mais tolerantes. Que Hemingways, Virginias e Goethes possam conviver em paz na mesma estante que Colleens, Kieras e Perkins. (se assim quiser o dono da estante, rs)

Que desgostemos sem medo de qualquer livro, que possamos dar nossa opinião mais sincera, mas que jamais desrespeitemos aqueles que tem opinião contrária. Que o respeito seja sempre o princípio básico e que a paixão pelas palavras se espalhe, invada os lares e possa plantar sonhos no coração de cada um. Que a leitura receba sempre um enorme SIM!

eu sou livre viva livraria

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91 respostas em “Preconceito Literário

    • Celso, recebi apenas dois comentários com opinião contrária. rs
      Um deles acabei de aprovar. O outro exclui porque a pessoa apenas me chamava de “leviana” (típico hater, não é? rsrs), o que não acrescenta em nada ao debate.
      Abç!

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  1. Quero deixar uma mensagem pra escritora: Seu texto é sensacional. Eu tenho muito o hábito de julgar, mas os autores e a forma de escrita. Sou um super consumidor dos best sellers, meus autores favoritos são JK, Stephen King e Larsson. Tenho muito o hábito de dar minha opinião sobre livros que vejo as pessoas lendo, recomendando algo “melhor”. Nunca tinha pensado nessa ponto como um processo. Eu dizia: Meu, para de ler isso…experimenta esse ou aquele, vc vai se apaixonar! Respeitarei mais quando ver pessoas lendo Crepusculo. hahaha
    E para aqueles leitores só do cult, eu sempre recomendo livros Young adult, principalmente se for jovem. Tem um amigo meu que lia a coleção de classicos do pai dele, com 16 anos lendo shakespeare. Um dia ele leu Inferno e adorou. Me senti super feliz, pois mostrei o lado bom da vida pra ele. heuheue
    Abraços

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  2. Post incrível! Perfeito, sem tirar nem por. É exatamente esse pensamento preconceituoso dos pseudo-cults que leva o Brasil a ter tão poucos leitores. A leitura precisa ser incentivada em todos os níveis. Um livro sempre leva a outro, e o gosto evolui, como você disse. Parabéns!

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  3. Para mim, ler era chato. No fundo, no fundo, eu gostava muito, mas ter que ler um livro que eu não queria e na hora que eu não queria fez com que eu achasse que não gostasse. Até que um dia, mandaram 12 livros para mim e minha mãe disse que eu teria que ler.
    Peguei o que mais agradou os meus olhos: “Tudo por um pop star”, da Thalita Rebouças. Li, gostei, li os outros que tinha ganhado, pedi mais e hoje precisam me impedir de não comprar mais antes de ler os mais de 40 que tenho em casa ainda não lidos.
    É claro que hoje em dia os livros da Thalita não me deixam ansiosa para terminar de ler (as vezes chega a ser chato), mas foi o ponta pé para que eu chegasse onde cheguei hoje.
    Se não fossem os livros eu não não faço ideia do que estaria estudando hoje, em que estaria trabalhando e muito menos qual seria meus planos para o futuro, porque eu só escolhi esse caminho pelo o qual estou seguindo, porque um dia me deram um livro “bobo” para ler.
    Ainda leio Thalita Rebouças para depois passa-los para minha irmã mais nova e não tenho vergonha de fazer isso em público.

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  4. Excelente texto! Sem falar que os livros de entretenimento muitas vezes possibilitam o desenvolvimento da criatividade de tamanha maneira… Fica claro (em neon piscante), cada vez mais, que o desenvolvimento das capacidades de uma pessoa não dependem apenas da leitura de clássicos, mas, sim, do prazer e do aproveitamento que se tem ao concluir um bom livro – sendo ele best-seller ou clássico.

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  5. Gostei bastante do texto. Só tenho algo a acrescentar, muitas vezes o que é mais divulgado na mídia são livros como a trilogia “Jogos Vorazes”, livros do autor John Green, enfim, não critico essas leituras, nem outras. Aliás, já li toda a trilogia “Jogos Vorazes”, assim como já li Goethe, Dostoiévski, enfim.. só acho que os jovens, principalmente quem está iniciando nesta “vida de leitor” só tem acesso à leituras restritas, como as que mencionei, pois é o que a mídia divulga, mas existem excelentes livros de autores nacionais, por exemplo, como Pedro Bandeira que são excelentes para quem está iniciando no mundo da leitura, no entanto, essas obras não são tão divulgadas, na verdade, não são nem mencionadas, talvez por serem consideradas um tanto “antigas”, só que na minha opinião se encaixam perfeitamente na lista de quem está começando a ler. Fiz parte de um projeto em que o foco principal era mostrar para alunos de uma escola estadual o quanto existem obras brasileiras que “conversam” com os adolescentes de alguma forma, que são maravilhosos para inserir esses jovens na literatura. O resultado foi excelente, pois pudemos mostrar aos alunos e alunas o quanto é vasta a literatura nacional e que não existem apenas os best sellers amplamente divulgados pela mídia, É maravilhoso descobrir que a literatura vai muito além do que vemos divulgados atualmente na TV e na internet e com certeza nossos jovens merecem saber disso (=

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  6. Assim como na vida, na religião, na política e na literatura, as pessoas deveriam se preocupar menos com o que as outras fazem. Tenho quase trinta anos e comecei minha vida literária com Mário de Andrade, passei por Camões, Machado, dediquei anos de estudos a Shakespeare e posso dizer que Goethe desperta grandes sentimentos em mim. No entanto, no último ano, foi o livro do David Levithan que mais me marcou e ganhou o meu prêmio de livro do ano. Também chorei nas últimas páginas do John Green, em mais de um livro por sinal, e, sinceramente, não acho que fiquei mais burra. Pelo contrário.
    As coisas mudam, assim como o mundo e a literatura. Os autores, livros e tudo que há no mundo acompanham essas mudanças. Mr. Darcy talvez não seja o homem dos sonhos das garotas de hoje, mas um garoto lindo, com medo do esquecimento e com câncer seja mais próximo de tudo que vivemos. Além de manter o ideal romântico, sim, se se morre de amor.

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  7. Não há nada de mal fazer ler romances e qualquer outro tipo de Chick lit, afinal nem todo o dia conseguimos ter como você mencionou a maior concentração do mundo para ler algo mais complexo, algo que chegue com uma leitura mais didática, calma é sempre bom e não torna isso uma obrigação. A questão é ficar preso em histórias que são um início, meio e fim, sendo o início a descrição dos personagens, o desenvolvimento com muitas brigas ou então um certo suspense e no final ser muito feliz ou bonito, como a maioria dos filmes hollywoodianos. Acredito, que também é preciso de histórias, trágicas e/ou tristes, algo que chegue mais próximo a realidade em que muitos vivem, para que crie um sentimento de dizer “isso ão foi certo, isso acontece comigo, com o lugar onde vivo e/ou com as pessoas daqui, o que posso fazer para mudar”. Claro que as vezes nós queremos fugir um pouco da nossa realidade, e repito, nem sempre é possível e não dá para escapar todo o tempo e com isso o que trazemos para a nossa realidade? Normalmente, o que está mais recente em nossa mente, são os últimos fatos em que vimos, sentimos, ouvimos e consequentemente é sobre o que pensamos mais e nos questionamos mais, como o fato de alguém assistir mais filmes e novelas, ler livros e ouvir músicas de gênero romântico, faz com que a Maioria das pessoas questionem mais o que seria o amor e de como estão suas relações interpessoais, pensar em quem está mais próximo a ela, como nas histórias. Isso é ruim? Não, porém não é pensado muito em outros acontecimentos a não ser no que você sente e naquele que te está mais próximo, Não se reflete Muito em outros assuntos que abrangem o todo, e geralmente, a um único indivíduo, que no caso é quem? O leitor. Se são best sellers ou não, isso não acontece só em livos, acontece também no cinema, na TV, no teatro, na música e entre outros meios de comunicação, a questão é, ler Apenas Determinados gêneros podem sim levar uma alienação, a um individualismo maior, afinal, o ser humanos só faz o que o outro reproduz, como um simples bocejar, seus pensamentos e atitudes são frutos do meio em que vivem; e mais uma vez comento, uma leitura por leitura, não faz mal a ninguém de vez em quando, isso acontece até em grandes obras, o Problema é ser Sempre assim e com Isso ter quais tipos de questionamentos e reflexões.

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  8. Olá Caroline! Adorei seu texto! Mas também digo que já fiz, e ainda faço parte, daqueles que julgam as pessoas pelo o que elas leem, assistem, ouvem, etc. Mas explico, algumas pessoas apenas leem bests sellers, sem conhecer os trabalhos menos famosos dos tais autores, existe isso no mundo dos filmes, pessoas que assistem apenas blockbuster e não abrem a visão para outros filmes, pois julgam ser entediantes ou muito antigos, no mundo da música, arte, e outras formas de cultura também existe isso. Cada um faz o que bem entende, eu aprendi a ler com Meg Cabot, e mesmo hoje nos meus 20 e poucos anos, ainda adoro O Diário da Princesa, mas com o tempo fui expandindo minha leitura para outros temas,como Stephen King, Frederick Forsyth, George R. R. Martin, enfim, acho que todos devemos experimentar as coisas antes de julgar, assim como eu amo filmes clássicos e de arte, também assisto blockbusters. cada um deveria cuidar mais do seu próprio nariz e viver a vida, afinal, ela é curta demais pra se preocupar com a dos outros (e muito curta para ler todos os livros que quero, haha)!

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  9. Parabéns, adorei seu texto e já vi muitos comentários como esses que cita… e conheço pessoas que leram 4 clássicos na vida toda e arrotam como se fossem imortais da ABL… Procuro leituras que me divirtam ou me surpreendam… atualmente estou me divertindo demais com os livros de Guerra dos tronos… e já ouvi vários comentários do tipo que você citou… infelizmente… Acho, como bem disseste, que o respeito é imprescindível para uma vida em sociedade, mas muita gente não percebe isso…

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  10. O que eu bato na tecla constantemente é que, só gostar de bestsellers não faz um bom leitor. Eu leio um de vez em quando, o problema é que, não formam opiniões, não te faz pensar. Li um de Goethe e… Não achei grande coisa. Eu “amadureci” na leitura quando a minha mãe me falou, ao me ver comprar um livro infanto juvenil com 16 anos, que eu deveria evoluir na leitura. A minha irmã também me falava a mesma coisa, e me explicou que, a gente não deve ler apenas o que nos dá prazer, todavia, devemos ler pelo valor da obra, a sua contribuição no mundo e na evolução da sociedade, porque aquela obra literária é tao importante, construindo um senso crítico. Entenda porque critico quem só lê o que todos leem.

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    • Entendo o seu ponto de vista, mas temos que pensar que vivemos num país como o Brasil, em que, como a autora do post disse, tem uma média de 4 livros lidos por ano. Se os jovens estão lendo best-sellers e só best-sellers, não é melhor agradecer pelo fato de estarem lendo? Vivemos em uma cultura em que livros são menosprezados e que se é incentivado a passar horas na frente de uma televisão. Então toda vez que eu vejo uma garota lendo A Seleção, por exemplo, fico feliz que ela esteja, ao menos, lendo. E discordo de você em um ponto: não são apenas livros clássicos que passam mensagens importantes e de crítica social; muitos livros best-sellers fazem esse papel também. Criticar uma pessoa que só lê os mais vendidos é não pensar que esta pessoa pode estar retirando lições muito valiosas dali, escritas em uma linguagem mais acessível e que chega mais facilmente a elas. Portanto, na minha opinião, é preferível que o jovem leitor leia Divergente e retire lições importantes para sua vida de lá do que leia Dom Casmurro, por exemplo, e não entenda nada, ou ainda pior, considere leitura algo maçante por ser forçado a ler algo que está distante de sua compreensão e, portanto, desistir. Pessoas crescem, leitores amadurecem e eventualmente passam a se interessar por livros mais complexos. Mas no tempo deles. E criticá-los pelo tipo de leitura que fazem pode ser muito mais um desserviço (o jovem se sentir desencorajado e parar de ler) do que uma ajuda.

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  11. Muito legal seu texto, me identifiquei com ele, é bem o que penso.

    A grande maioria desse tipo de crítico que conheço, que abomina qualquer coisa “comercial”, são pretensos escritores. Eu jamais publicaria um livro deles, ainda precisam caminhar muito para chegar em um nível aceitável de qualidade, e ainda pergunto: ele se olhou no espelho antes de criticar outro autor, ou os leitores de um autor “comercial”? Garanto que não. Muitos fazem isso para chamar a atenção, para esconder de si mesmo sua ignorância.

    Eu sou escritora, cansei de ser chamada de “vergonha” para o meio literário por ser escritora de “modinha” :/

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  12. Ano passado eu li 36 livros. Variou de A culpa é das estrelas até a releitura de Guerra e Paz, passando por contos fantásticos do século XIX. E Viva a variedade!!!

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  13. Oi, Caroline!

    Primeiro gostaria de te parabenizar pela postagem. Nunca li um texto dizendo absolutamente TUDO o que eu penso sobre preconceito literário.
    Confesso que já mordi muito a língua, já que algumas vezes cheguei a julgar a leitura das pessoas. Hoje eu aprendi muito com isso e sou aberta a ler de tudo.. tanto que livros para os quais eu torcia o nariz só de ouvir falar o nome, agora eu tenho o interesse de ler só pra ver qual é.

    Eu acho que os brasileiros precisam evoluir bastante ainda nessa questão do preconceito literário (não só desse tipo, mas de todos os outros..). O povo tem que parar com essa mania de julgar as pessoas pelo que elas leem e de se dizerem ~mais cultos~ porque leem mais clássicos, etc.

    Além disso, eu sou totalmente a favor da aderência da literatura atual e best-seller nas escolas, alternando ocasionalmente com leituras clássicas. Acho que só assim nós poderemos fazer com que os jovens, desde mais novos, possam criar gosto para ler. Quero saber até quando as escolas vão continuar enfiando garganta abaixo os 5468431 clássicos que, muitos deles, são muito difíceis de serem lidos, principalmente para muitos alunos que não tem costume de ler.

    E concordo totalmente com o que você disse que se o jovem começa a ler por livros mais simples, eles vão, à medida que o tempo vai passando, procurar ler literatura mais antiga. Essa mudança de gosto é super normal e eu mesma já passei por essa transição.

    Enfim, que todos do nosso universo literário possam evoluir e aprender a se respeitar mais.

    Beijo!

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  14. “O interesse muda com o tempo, as expectativas mudam, o gosto muda, apura, sofistica. Ninguém começa lendo Proust ou Turgenyev, mas se aprender a gostar de ler, um dia chega lá – se assim o desejar.” Excelente texto, você escreveu o que eu realmente penso sobre esses pseudo-intelectuais que querem impedir os jovens de ler o que eles quiserem e acharem bom pra sua idade. O mesmo vale para adultos que de vez em quando quer ler algo mais leve, como você citou no texto. Gosto de ler desde criança, mas faz pouco tempo que venho me aventurando por livros mais clássicos (tenho 21), só que tem dias que simplesmente não dá, a cabeça dói, a vista se cansa e você precisar ler algo mais “tranquilo”. Por isso parei de me forçar a ler Victor Hugo ou Saramago em um dia que eu estava mais pra um Markus Zusak. Vou mostrar esse texto pra quem eu puder, porque ficou muito bom. Assim que todos deveriam pensar. Um beijo, sucesso sempre :*

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  15. É a primeira vez que leio algo sobre preconceito literário e fiquei bastante incomodada com o que li. Acho que você perdeu vários pontos importantes na sua análise e não entendi muito bem a finalidade da argumentação.
    Primeiro, considerando que os best sellers são os livros que estão sofrendo preconceito no seu texto, e considerando que eles são os mais lidos pelos jovens, que levam inúmeras pessoas a eventos literários e que estão ganhando cada vez mais espaço, esse preconceito que você cita influencia negativamente exatamente onde? Ou na verdade isso é apenas um incômodo dos leitores desses ramos literários por terem suas obras criticadas?
    Você citou dois alunos que tiraram nota máxima no enem e que são leitores de sagas. Bom, temos que ser sinceros e dizer que qualquer leitura amplia o vocabulário, ajuda nas aulas de gramática e que nos ensina a escrever melhor. Contudo, não são todas as leituras que nos ensinam a ter senso crítico, a pensar sobre a nossa realidade.
    Realidade essa que não foi considerada nem por um minuto. Quando se fala de literatura, a principal questão é quem são as pessoas que podemos incluir no mercado consumidor de livros e demais artigos culturais no Brasil? Pessoalmente, acho essa uma discussão mais importante.
    Que fique bem claro, não concordo com ninguém que faça críticas sem embasamento e nem que pronunciem comentários depreciativos apenas pelo prazer de fazê-los. Mas é necessário prestar atenção em algumas críticas.
    Por exemplo, você citou que o livro a Culpa é das Estrelas foi considerado o livro do ano (eu li e gostei), porém acho que a revista deveria apontá-lo como o livro mais vendido, pois realmente existem livros melhores e que foram completamente menosprezados.
    Além disso, você ignora o fato de que o hábito pela leitura geralmente se inicia antes dos livros citados aqui, como no meu caso, com livretos de contos e, principalmente, quadrinhos.
    Entretanto, é extremamente necessário que se aprenda a ler textos difíceis sim. Muitas pessoas se focam apenas no que é fácil e dá prazer e quando se deparam com textos complexos na escola desistem facilmente ou não conseguem interpretá-los.
    Senti falta desses aprofundamentos no seu artigo e não consegui entender o real ponto, principalmente porque o mercado young adult continua crescendo, independente de qualquer “preconceito”.
    Espero que minhas considerações não sejam tomadas como afronta e descaso, mas como uma possibilidade de reflexão.

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    • Lee, minha intenção nunca foi incomodar ninguém. Quanto a perder alguns pontos importantes, certamente devo ter deixado muita coisa de fora. Não sou jornalista, não sou formada em Letras nem nada do tipo, sou uma leitora escrevendo por Hobby!

      Você se questiona o porquê de eu ter escrito sobre isso se os tais livros continuam vendendo muito. Bem, o motivo foi o fato de ver SEMPRE comentários cheios de ódio nas redes sociais e em alguns meios que frequento. Basta falar de algum livro mais simples e algumas pessoas lhe atiram todas as pedras. (São raras as pessoas que argumentam!)

      Apenas mostrei que, na minha opinião, os livros simples levam a livros mais complexos. Mostrei também o que vejo: estudantes traumatizados com a leitura. Acham chato, entediante e na primeira oportunidade deixam de ler (justamente quando terminam a escola). Não fossem os best-sellers, teríamos ainda menos leitores, então por que criticam tanto esses livros?

      Enfim, pra mim, esses livros podem conviver em paz com grandes obras, não vejo porque um precisa anular o outro. Gostaria de poder ler Dostoievski e John Green sem ter que ser a estranha quando estou no grupo “errado”. Apenas isso 🙂

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  16. Nossa. Penso isso há tanto tempo. Fico mais triste ainda em perceber que isso se reflete em outras áreas que não só à literatura. Adoraria lhe passar minha opinião sobre alguns best-sellers. Amo de paixão alguns. Outros não. Alguns dizem que faço uma interpretação não convencional. Não sei o que querem dizer com isso. Porém, concordo com absolutamente tudo o que disseste. Viva a construção. Da forma que vier. Parabéns pelo texto.

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  17. Pingback: Always | Lana's Library

  18. Parabéns pelo texto Caroline…..é o que sempre digo aos meu filhos, leia, se for uma leitura ruim, mesmo assim será de gde ajuda, pois te tornará crítico. Mas isso eles só vão saber e entender depois de terem lido muuuito. rssss

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  19. Adorei seu texto. Já sofri preconceito varias vezes, por exemplo quando digo que não gosto de Clarice Lispector. Cada um tem que ler o que gosta, o importante é ler. O engraçado é quando professores participam desse preconceito. Tem uma menina que trabalha comigo, ela tem 16 anos e nunca leu nada na vida dela. A professora disse que nesse ano ela queria que os alunos lessem pelo menos um livro por mês. Como ela sabe que gosto de ler, ela veio pedir uma indicação. Como sei que ela nunca leu nada, emprestei para ela o livro Diário de um Banana que li recentemente e adorei. Hoje ela veio me contar que ontem na escola a professora perguntou o que os alunos estavam lendo e quando ela falou o nome do livro a professora ironizou dizendo que de tantos livros para ela escolher tinha que ler um infantil. Dai foi uma porta aberta para ela ser zoada pelos outros alunos. Fiquei indignada com isso.

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    • Nossa, Silvana! Imagino sua revolta! Fico indignada também quando acontece essas coisas :/ Se nem os professores tem boa didática pra incentivar a leitura, como faremos com que os brasileiros leiam mais? Difícil.

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  20. Eu vi uma professora de Língua Portuguesa dizer que nunca recomendaria Harry Potter aos seus alunos, pois ele é “sub-literatura” e que os alunos tinham que ler os mesmos clássicos que ela leu na idade deles. E eu, tipo, AHN??

    Esse preconceito vem de muitos professores, infelizmente. Eles não percebem que estes livros tidos como YA podem suscitar uma série de reflexões da parte dos jovens e poderiam ser bem trabalhados em sala de aula. Jogos Vorazes, por exemplo, é um ótimo exemplo de regimes ditatoriais. Mas todo mundo o nivela como um romancezinho adolescente. 😦

    Até os livros ruins têm sua serventia, pois nos ajudam a lapidar nosso estilo e nosso gênero preferido. Acho que o problema do livro é se ele não for lido. E mesmo que seja para criticar, tem que saber como fazer. Odiar por odiar é muito fácil.

    Ótimo texto! 😀

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  21. Oi! ^^
    Adorei o seu texto. Concordo com tudo o que li.
    Nunca sofri preconceito literário. Não que eu me lembre. Comecei a gostar de ler com as revistinhas da Disney e da Turma da Mônica e depois fui passando devagar para os livros. Hoje gosto muito de ler fantasia. Sei que tem gente que torce o nariz, que acha coisa de criança, mas não estou nem aí. Leio o que gosto e pronto. Se eu não ganho nada com isso (na verdade sempre se ganha com a leitura – seja por uma boa leitura ou pelo amadurecimento do senso crítico), quem vive de criticar os outros pelo que lê, esse sim perde muito tempo. Tempo que poderia estar realmente lendo. Se é que lê.

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  22. Dizer que alguém que só lê determinado gênero não é leitor; Dizer que quem lê modinhas não é leitor; Dizer que quem não lê a enciclopédia não é leitor… Gente, a leitura é democrática. Cada um lê o que quer.
    Digo isso por que não vejo os “leitores de modinha” postando nada contra outros tipos de literatura, então por que esses pseudo-sábios ficam com sua opinião engessada se achando grandes conhecedores de algo só por que leem ou leram esse ou aquele livro do século XVIII?
    Acho um absurdo menosprezar qualquer tipo de literatura. Cada um tem um objetivo específico, e a leitura deve satisfazer esse objetivo, e não o do mundo. Leio de Nietzsche a Tolkien, de Machado de Assis a Thalita Rebouças, de Tchecov a Rowling, e não vejo uma leitura pobre em nenhum deles, vejo pessoas metidas, que não compreendem o verdadeiro poder da leitura, e saem por aí a torto e a direito criticando algo que ainda não compreendem.

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  23. Dizer que alguém que só lê determinado gênero não é leitor; Dizer que quem lê modinhas não é leitor; Dizer que quem não lê a enciclopédia não é leitor… Gente, a leitura é democrática. Cada um lê o que quer.
    Digo isso por que não vejo os “leitores de modinha” postando nada contra outros tipos de literatura, então por que esses pseudo-sábios ficam com sua opinião engessada se achando grandes conhecedores de algo só por que leem ou leram esse ou aquele livro do século XVIII?
    Sou formando em pedagogia, escrevo, tenho prática com o ensino da literatura, e acho um absurdo menosprezar qualquer tipo de literatura. Cada um tem um objetivo específico, e a leitura deve satisfazer esse objetivo, e não o do mundo. Leio de Nietzsche a Tolkien, de Machado de Assis a Thalita Rebouças, de Tchecov a Rowling, e não vejo uma leitura pobre em nenhum deles, vejo pessoas metidas, que não compreendem o verdadeiro poder da leitura, e saem por aí a torto e a direito criticando algo que ainda não compreendem. Essa é minha opinião.
    Boa tarde.

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  24. Inclusive fui postar um texto sobre preconceito literário no grupo do facebook “clube dos livros ‘trecho de livros'” e a adm do grupo disse que era uma babaquice. O problema é que certos leitores tem uma mente totalmente engessada. Xô preconceito!

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  25. Falou tudo e mais um pouco. Eu sou fã apaixonado de Jogos Vorazes e sei muito bem como é. Engraçado porque eu já George Orwell, Koushun Takami,Stephen King,Agatha Christie,Sidney Sheldon e não me sinto melhor por isso, me sinto na verdade satisfeito por conhecer tantas histórias boas e ter feito parte de cada uma delas. As pessoas tem que abrir mais a mente delas, ouvir o que as outras pessoas tem a dizer.

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