Preconceito Literário

Por mais improvável que pareça, os leitores sofrem com o inaceitável preconceito literário. Basta dar uma navegada nas redes sociais para perceber que a intolerância insiste em dar as caras, o chato metido a intelectual parece ser uma espécie que jamais entrará em extinção. (notem que chamo de chato o metido a intelectual, e não o intelectual, o culto, o educado, o inteligente e respeitoso – esse merece sempre minha admiração.)

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Consideremos como tribo um grupo de leitores que tem gosto em comum, participam dos mesmos fóruns de discussão, dos mesmos grupos de leitura e, portanto, terminam se acostumando com opiniões parecidas com a sua. Quando o leitor se afasta de sua tribo, começa a perceber que seu gosto, por mais estranho que isso possa parecer, incomoda a alguém.

Os gêneros da literatura são inúmeros, mas uma parte dos leitores acha que só um tipo é válido: o que eles consideram culto. Não basta pensar que os outros leitores são inferiores, nem basta se pabular do que leu, esses “críticos” adoram menosprezar quem não se encaixa na tribo cult.

Esse preconceito em relação aos best-sellers não é novidade. Essa tribo que se considera intelectual sempre repete clichês como “Odeio best-sellers”. Como se ‘best-seller’ fosse um gênero literário e todos os livros que vendem muito fossem iguais. Victor Hugo e Goethe já foram best-sellers, e aí?!

Estou sempre com mais de 1 livro em andamento: um clássico, uma biografia, um romance bobo e um romance “bom”, por exemplo. Eles me dão opções suficientes para ter o que ler em cada momento. Ando mais devagar com uns que com outros e não vejo problema algum com isso. Ler Balzac não me impede de gostar de Jogos Vorazes. E se um dia o fizer, ótimo, verei em todos os leitores de best-sellers potenciais leitores de clássicos. É tão simples!

Uma importante revista postou em sua página no Facebook no fim de 2014 que o livro do ano fora A Culpa é das Estrelas. O livro de John Green passou meses ocupando o topo da lista dos mais vendidos, então, claro, não haveria problema em destacá-lo, certo? Infelizmente, errado! Fiquei boquiaberta aos abrir os comentários e senti vergonha de ser conterrânea daqueles, er…, cidadãos.

Os comentários xingavam não só o livro, mas os leitores. Variavam entre “Oi??? Literatura?” e “Lixo” a “Escolher isso é querer nivelar por baixo né”.

Um comentário em especial chamou a minha atenção: “Com todo respeito, mas chamar isso de literatura é uma afronta aos grandes escritores. Essa ‘onda’ de livros ‘young adult’ está tornando os jovens cada vez mais alienados. Trágico!” 

Humm…Interessante. Pulemos o “com todo respeito…”, por motivos óbvios, e passemos a “afronta aos grandes escritores”. Por que um escritor que vende muito seria uma “afronta aos grandes escritores”? Quem estaria apto a dizer que escritor X é ruim e Y é bom? Qual seria o limite entre literatura e o que eles chamam de “não-literatura”?

Os grandes escritores são selecionados pelo tempo, que se encarrega de eternizar as grandes obras, mas isso não diminui a importância da literatura de entretenimento, dos best-sellers, dos livros que, por um motivo ou outro, encantam uma geração.

Essa ‘onda’ de ‘young adult’, como fala a especialista super-cult, tem iniciado milhares de jovens no mundo da leitura. Harry Potter começou a formar, há quase 20 anos, uma legião de leitores cada vez mais ávidos por histórias que lhe despertem para novos mundos, que lhe instiguem, lhe provoquem, lhe façam sorrir, que lhe deem prazer. São esses mesmos jovens que hoje movimentam o mercado editorial no Brasil, que lotam os eventos de livros e que tem encontrado em escritores populares, ídolos. Seria isso algo ruim? Idolatrar sempre foi uma característica da adolescência, então por qual motivo não poderiam eleger um autor, ao invés de um cantor ou ator, para ser seu ídolo? Isso é ser alienado?! Pior, seria isso algo “trágico”?! Vejam bem, ela diz que é TRÁGICO!

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Ainda me lembro de muitos professores reclamando, dizendo que os adolescentes tinham que ler Machado de Assis e Graciliano Ramos, pois Harry Potter era literaturazinha passageira, coisa de criança. Passageira? An…ram… Certo dia, olhando a lista dos 10 livros mais vendidos da semana, percebi que 8 deles eram livros young-adult (jovem adulto), e isso continuou por semanas. Isso poderia significar que só se lê livros desse tipo hoje em dia, mas não é o que tem mostrado o mercado e as feiras especializadas. Não são os adultos que estão lendo livros para jovens, mas são os jovens que estão consumindo a maior parte da literatura vendida no país e, portanto, estão ocupando os topos das listas.

Esses dados comprovam que, sim, Harry-Potters e Crepúsculos podem, sim, “iniciar” leitores. Será que isso é um tapa na cara dos “educadores” que um dia criticaram a leitura dessas sagas simplesmente porque não eram livros “sérios”? Aqueles mesmos educadores que insistiam que estudante brasileiro só deveria ler clássicos nacionais? Acredito que esses dados são a esperança de que teremos, em um futuro próximo, adultos que leem mais.

Vi uma reportagem com dois jovens que obtiveram nota máxima na redação do ENEM em 2014 (a mesma redação que presenteou com um zero mais de 500 mil estudantes – quinhentos mil!!!) e sabe o que eles tinham em comum? A paixão pela leitura! E em especial pela leitura dessas sagas tão criticadas, voltadas para o público jovem-adulto.

Vejo crianças de 7 anos engolindo Diários de um Banana ou Percy Jacksons. Vejo que essas mesmas crianças vão crescendo e se interessando por John Green, Meg Cabot ou a brasileiríssima Paula Pimenta, e assim sucessivamente. Sem dúvidas, o hábito da leitura por prazer plantado desde a infância leva os leitores a lerem Machado, Dickens ou as irmãs Brontë por vontade própria algum dia. O interesse muda com o tempo, as expectativas mudam, o gosto muda, apura, sofistica. Ninguém começa lendo Proust ou Turgenyev, mas se aprender a gostar de ler, um dia chega lá – se assim o desejar.

Dizer que os livros para jovens-adultos estão deixando os jovens alienados é não perceber nada que acontece a seu redor. NADA! (Lembra dos 500 mil alunos?!) Fico me questionando se esses pseudo-intelectuais moram no Brasil, um país onde a média de livros lidos por ano é de apenas 4 títulos.

Há quem pense que ler livros ruins não acrescenta em nada, que é melhor não ler nada que ler algo ruim. Há, ainda pior, quem pense que atrofia o cérebro, que uma vez lido é impossível “deslê-lo”, que o estrago já foi feito. Que bobagem! Um livro ruim atiça o lado crítico do leitor, faz com que ele que pense em muitos porquês e forme uma opinião. É claro que com isso não estou dizendo que se deva ler livros ruins, mas se um cair na sua mão, que seja aproveitado da melhor maneira.

Concordo que há livros ruins, medíocres, de péssima qualidade, especialmente com o mercado querendo vender muito, querendo lucrar. Com a facilidade de publicação que há hoje em dia, muitos escritores que jamais conseguiriam contrato com uma editora terminam lançando seus livros de forma independente no meio digital e uma parte deles é ruim mesmo. Jamais disse que os livros devem ser passíveis de críticas, pois tem muitos livros cujo português é vergonhoso, lastimável. O que enfatizo é que o leitor não deve ser menosprezado ou julgado por lê-los. Que sejamos sempre maduros e critiquemos com fundamentos sérios o livro, jamais o leitor.

É natural que depois de alguns lixos ele queira algo mais, algo melhor. Quantas vezes não vi, nos grupos de leitura, pessoas pedindo dicas de livros melhores, pois cansara de “mais do mesmo”? Quantas vezes não vi leitores pedindo dicas de clássicos para iniciantes? É um processo e ele deve ser respeitado.

Devo enfatizar que o contrário também acontece: o culto também sofre preconceito. Talvez paguem a conta dos pseudo-intelectuais sem que tenham nada a ver com isso. Muitas vezes, comentar que está lendo James Joyce, por exemplo, leva alguns a torcerem o nariz, a acharem que o comentário é apenas para se mostrar culto ou inteligente, quando na verdade o leitor só quer ter com quem conversar sobre uma excelente leitura que fez. O preconceito é abominável de qualquer forma e essa conversa de que quem só lê clássicos ou livros “difíceis” é um chato ou coisa parecida é tão ruim quanto julgar os que leem best-sellers.

John Green pode, sim, levar a Tolstoi, mas forçar um livro chato e enfadonho leva à desistência. Obrigar alguém a ler um livro cansativo logo nos primeiros anos de vida ou nas horas de lazer é criar uma geração que repele a leitura, que a associa a algo penoso.

Que jamais percamos o prazer de ler o que queremos, que jamais tenhamos vergonha do que escolhemos. Que a evolução seja constante, mas natural e sadia, sem pressões ou constrangimentos. Que as boas leituras cheguem de mansinho e nos conquistem, que a bela escrita nos faça salivar, nos vicie, nos faça suspirar. Que os preconceituosos leiam mais para que abram suas cabeças e se tornem mais tolerantes. Que Hemingways, Virginias e Goethes possam conviver em paz na mesma estante que Colleens, Kieras e Perkins. (se assim quiser o dono da estante, rs)

Que desgostemos sem medo de qualquer livro, que possamos dar nossa opinião mais sincera, mas que jamais desrespeitemos aqueles que tem opinião contrária. Que o respeito seja sempre o princípio básico e que a paixão pelas palavras se espalhe, invada os lares e possa plantar sonhos no coração de cada um. Que a leitura receba sempre um enorme SIM!

eu sou livre viva livraria

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91 respostas em “Preconceito Literário

  1. Parabéns pelo excelente texto, Carol! Transcreveste muito do que eu penso, fico chateada com cada bobagem que ouço/leio por aí. Os cultos agora estão caindo em cima do filme 50 tons de forma muito exagerada e eu que nem sou fã achei um absurdo o preconceito! Um abraço :*

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  2. Viva ! Adorei o o texto!
    Concordo com tudo, quero saber onde eu assino?
    Estou cansada desses falsos intelectuais, o importante é ler, incentivar a leitura, gênero cada um tem o seu, simples assim. A denominação literária não faz uma pessoa mais inteligente do que o outra, nos faz diferentes, a diferença é salutar.
    Eu escrevo romance contemporâneo, que é muito criticado por pessoas que acham que isso é uma invenção pra vender livro, como se vender livro fosse muito fácil.
    mil bjssssssss

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  3. Lendo seu texto me lembrei de um poema do Manoel de Barros…
    “Penso que não tive escolha
    Fui escolhido e gostei da escolha
    Faço o que sonho
    Faço o que gosto
    Sou um pouco irresponsável
    Com os passarinhos, isto seja:
    Sou livre
    Amo a palavra.”

    Amemos portanto! Sem preconceitos e cada vez com mais intensidade!!

    Mais uma excelente mensagem Carol!

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  4. Amei seu texto, sempre bato nesta tecla. O importante é ler. Fui alfabetizada muito cedo, já lia com 5 anos. E sempre li tudo o que cai nas mãos, inclusive bula de medicamento se não tiver outra coisa pra ler. E nem por isso sou menos culta,burra, ou alienada. Ao contrario, tenho 2 faculdades, falo 4 linguas e amo turma da Monica, Stephen King, Nora Roberts, Hermann Hesse e li todos os livros da Jane Austen no original. E todas as crianças da familia leem muito. Desde pequenas elas manuseiam, rasgam , riscam e se apaixonam por livros.

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  5. Texto formidável. Me apaixonei pelos livros ao ler Harry Potter quando tinha 11 anos, foi como se eu tivesse descobrido um mundo novo, desde então não parei mais, leio de tudo: desde as sagas da “moda” até os clássicos. Acho que toda leitura é válida, sempre acrescenta algo. E é como você disse, tem que começar aos poucos.

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  6. Muito bom o texto, parabéns!
    Acho horrível o povo se matando e ofendendo o outro por causa de gosto literário, acho que esse comportamento sim é coisa de gente sem cultura.
    Tenho 23 anos e leio por prazer desde os 12 e não em me incomodo em dizer que nunca li os clássicos nacionais por infelizmente ter sido obrigada na época da escola, mas não me considero menos leitora por isso.
    Mesmo os livros mais simples te acrescentam algo, novas palavras, novos cenários.
    O julgamento dos “dois lados” só faz banalizar a leitura como mais uma forma de criar tumulto na internet e isso é lamentável.

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  7. Muito bom o texto, parabéns!
    Acho horrível o povo se matando e ofendendo o outro por causa de gosto literário, acho que esse comportamento sim é coisa de gente sem cultura.
    Tenho 23 anos e leio por prazer desde os 12 e não em me incomodo em dizer que nunca li os clássicos nacionais por infelizmente ter sido obrigada na época da escola, mas não me considero menos leitora por isso.
    Mesmo os livros mais simples te acrescentam algo, novas palavras, novos cenários.
    O julgamento dos “dois lados” só faz banalizar a leitura como mais uma forma de criar tumulto na internet e isso é lamentável. nunca li os clássicos nacionais por infelizmente ter sido obrigada na época da escola, mas não me considero menos leitora por isso.
    Mesmo os livros mais simples te acrescentam algo, novas palavras, novos cenários.
    O julgamento dos “dois lados” só faz banalizar a leitura como mais uma forma de criar tumulto na internet e isso é lamentável.

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  8. Adorei o texto, parabéns 🙂

    Quem dera que cada um respeitasse os gostos dos outros, mas isso é um sonho, não só na literatura, mas também em diversos outros hobbies e atividades…afinal somos um país de ignorantes e acomodados, onde a maioria nem se quer lê, e ainda sim sai criticando os outros.

    Abraços

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  9. Parabéns pelo texto, é exatamente o que penso. Não se deve desmerecer nenhum tipo de leitor. O importante é a pessoa pegar gosto pela leitura, o que, fatalmente, o fará um melhor escritor, interpretador de textos e uma pessoa com melhores argumentos numa discussão.
    Toda leitura é válida! Ler é o alimento da alma 😀

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  10. Eu fui incentivada a leitura desde a infância, depois dos livros de contos de fadas, o primeiro livro que ganhei da minha mãe foi O Guarani – José de Alencar, eu tinha 9 anos na época, eu virei grande fã e li todos os livros. Hoje tenho inúmeros livros que variam entre José de Alencar, Machado de Assis, John Green, Stephenie Meyer, Lauren Kate, bem como autores brasileiros e internacionais que não são tão conhecidos, mas que escreveram livros maravilhosos. Já passei e passo ainda, por muitas criticas a ler aos livros “young-adult”, e procuro sempre pedir para que a pessoa leia o livro para depois vim dar a sua opinião.

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  11. Bem isso! Adorei o texto! O importante, primeiramente, é ler! Estimula a imaginação, ajuda com o conhecimento da nossa língua, e como tu mesmo disse, com o tempo geralmente o leitor se interessa por livros mais complexos, e até mesmo por clássicos. Não adianta “enfiar goela abaixo” clássicos, tem que ensinar a gostar de livros, dar liberdade de escolha, sem julgamentos e preconceitos… (que mania feia, essa, de sair julgando tudo e todos, não é?)

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  12. E dá pra discordar de algo do que você disse?! Perfeito.
    As pessoas esquecem que, idependente do gênero que você está lendo, é isso que importa. Seja clássico, seja best-seller, YA, HQ…Não importa.
    Procure algo com que se identifique e pronto!
    Digo isso porque gosto de ler, e ponto. Autores me ganham e me decepcionam com uma facilidade tremenda… Então não leio por status, leio por ler, para relaxar, para agregar ideias na minha cabecinha e deixar a imaginação fluir.
    Acredito até que se não fosse Harry Potter, nunca teria descoberto que existem leituras chatas e leituras legais! Gosto de clássicos, mas ainda assim alguns deles me entendiam e eu simplesmente não me identifico… e acho ótimo, quem se identifica. Gosto, política e religião não se discutem! 🙂

    Excelente texto!
    Bjs
    MaH

    http://oquedissealice.blogspot.com.br
    @oquedissealice

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  13. Concordo totalmente. Muito chato escutar que best-sellers não são dignos de leitura (sofro com isso diariamente pq sou estudante de letras). Faço parte de um projeto na universidade que vai trabalhar com a temática juventude. Vou trabalhar a leitura na vida dos jovens!!!

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  14. Ótimo texto! Exatamente como penso. É a velha história: gosto não se discute, cada um tem o seu; e respeito é, sempre, muito bom. As pessoas se esquecem que os tempos são outros; os interesses mudaram, a vida mudou. Os clássico sempre serão clássicos, afinal, os livros são atemporais, mas, cada um que leia aquilo que lhe dá prazer. Assim também é com a música, cada um no seu quadrado, no seu samba, pagode, axé ou clássica. Num futuro próximo, quem garante que John Green não será um clássico? Fico feliz em ver o quanto a juventude de hoje se interessa pelos livros. No meu tempo (nem faz tanto tempo, assim!), eram raros os que liam por prazer. Engoliamos Machado de Assis, Érico Veríssimo, Castelo Branco, e tantos outros, e o que vi foram dezenas de jovens que odiavam ler. Se vc. passar a vida sem ler qualquer clássico, qual o problema? Seja feliz, divirta-se, isso é o que interessa. Meu filho de 12 anos passa dias lendo: é apaixonado por mangá e tem várias coleções. E quem sou eu para dizer que isso é trágico? Ao menos ele está lendo! Amanhã ou depois, quem sabe, se interessará por John Green, Agatha Christie, Jo Nesbo, Machado de Assis, Tolstoi, Balzac, Shakespeare. Mas, se passar a vida lendo mangás, feliz dele, que faz algo com prazer.

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  15. Caroline, você disse TUDO! Sou da mesma opinião: ninguém (ou quase ninguém) começa a gostar de ler com Machado ou Hemingway, especialmente adolescentes. São livros adultos, escritos em uma outra época e com linguagem bem mais rebuscada.
    Acredito, também, que qualquer livro, por pior que seja, vai ensinar alguma coisa, nem que seja a escrever corretamente ou ampliar o vocabulário.
    Fiz um post sobre isso há algum tempo no meu blog e fico muito feliz de ver que não estou sozinha nessa “luta” contra os preconceituosos literários.

    Beijos,
    Camila | http://www.lendoporai.com

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  16. Cara eu sempre procurei manter a minha leitura variada, leio de Senhor do Anéis à 50 tons de cinza recentemente (tudo bem que esse último tá me parecendo a versão adulta e depravada de Crepúsculo, mas tudo bem, por que eu também li Crepúsculo! rsrsr) Leio fantasia, leio terror, leio romances melosos, leio livros juvenis e já passei por preconceito literário. Me lembro que uma vez no trabalho estávamos discutindo alguns livros que mais gostamos de ler, eu era a única mulher na turma, por isso podem imaginar os livros favoritos mais discutidos: Senhor dos Anéis, Eragon, Crônicas de Gelo e Fogo, principalmente Crônicas de Gelo e Fogo! Cara também curto, foi meu presente de aniversário, a saga toda! Mas no momento em que citei Nicholas Sparks… vamos dizer que perdi o respeito da turma na hora! E sim, eu leio livros do Nicholas Sparks também, justamente por que me nego a ficar presa a um único gênero literário, tenho aspirações de escritora e por isso não posso me prender a apenas um tipo de leitura. Me lembro também que na escola eu não gostava de ler, eu odiava na verdade, por que as leituras obrigatória eram sempre de escritores brasileiros antigos que eu não conseguia compreender e nem me identificava, primeiro livro que prendeu minha atenção? Harry Potter, sim! Mudou minha vida, transformou a leitura na minha maior paixão e hoje eu consigo apreciar uma literatura mais clássica, pois adquiri o gosto da leitura graças a Harry Potter! Mas infelizmente é assim, se você diz que leu Silmarillion e eu li, você é TOP, mas se diz que leu A última música, também li, sua moral cai! E eu amei ambos os livros!

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  17. Excelente texto! Eu também penso assim, e, em minha “vida literária” os clássicos complementam os “best sellers” e vice versa. O que eu acho importante é conhecer o que existe. Como alguém pode afirmar que um livro não é bom se nunca o leu? Literatura é arte, e arte mexe com aquilo que é pessoal… o mesmo livro pode não despertar sentimentos iguais em pessoas diferentes.
    E o mínimo que a gente pode esperar é o respeito.
    Beijos!

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  18. Belíssimo texto, traduz tudo o que eu penso, parabéns!

    Eu já cansei de me escandalizar com a opinião de pseudos-seja-lá-o-que-for, prefiro usar esse tempo lendo um livro. Mas fico me perguntando, será que esse crítico literário sabe que Jane Austen era a New Adult da sua época? Ou que Shakespeare era um escritor do povo? Sinceramente, conto nos dedos as pessoas que conheço que leram a obra completa de Shakespeare.

    É uma questão de bom senso, um clássico só é classico porque é de outra época – é como criticar as mulheres de hioje por usarem calças! E não é porque é clássico que é bom, isso também é uma questão de gosto. Eu ODEIO Machado de Assis e isso não faz de mim uma alienada, só significa que já li livros o suficiente na minha vida pra decidir o que ocupa a minha cabeceira. Sabe o que eu acho que falta para os críticos de redes sociais? Um dicionário onde possam aprender o significado da palavra respeito.

    Acabei de curtir a página.

    Grande beijo.

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  19. Simplesmente me apaixonei por você agora. Tudo que você disse nessas linhas já se passou comigo, pois foram esses livros hoje criticados que me mostrou o quanto prazeroso é ler. E com o passar dos anos minha leitura foi sendo lapida, moldada e hoje tenho muito orgulho em poder viajar no mundo da literatura young adult, e refletir, questionar com Nietzsche.

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  20. Uau! Que texto! Adorei! Concordo com tudo o que você disse. E daí se alguém acha que o livro que eu estou lendo é chato/ best-seller/ literatura barata/ etc? Quem está lendo afinal?
    Outra comentário ridículo é aquele que diz que “virou modinha” ler. Que bom que virou moda, né? Espero que essa moda não passe nunca!
    Parabéns pelo texto ótimo, vou compartilhar 🙂

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  21. Nunca senti tanta empatia por um texto como o seu, talvez pelo fato de eu ser um defensor assíduo de todas as literaturas, e preconceito literário é um tópico que me incomoda pra caramba, ou por me ver em suas palavras, como a criança que foi estimulada a ler com pequenas história e, conforme os anos passavam, se interessou por novos gêneros e mundos. É fascinante o modo como você trouxe a ideia de que “Idolatrar sempre foi uma característica da adolescência, então por qual motivo não poderiam eleger um autor, ao invés de um cantor ou ator, para ser seu ídolo?”, e falando particularmente, meus maiores ídolos atuais são autores. Parabéns. Seu texto está maravilhoso!

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  22. O texto está muito bem elaborado e explicita as práticas perversas utilizadas nas salas de aulas, obrigando a leitura, ao invés de desenvolver o gosto pela leitura, respeitando as individualidades e interesse dos alunos, nos diferentes gêneros literários.

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  23. Texto espetacular! Com poucas e precisas palavras esclarece o que parece ser apenas uma questão de gosto. Eu mesma tinha um certo preconceito literário e acabo de perdê-lo por completo. Parabéns! E vamos ler!

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  24. Outro tipo de preconceito: contra livros nacionais.
    Mais do que isso, muitos leitores brasileiros rejeitam um livro simplesmente por ele ter personagens e ambientes com a cara do nosso povo.
    Qual é a lógica?
    Como escritor, tendo acabado de lançar meu primeiro livro de ficção fantasiosa, me surpreendi com essa realidade. Mas, felizmente, há leitores que não possuem tal mentalidade.

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  25. muito bem dito, adorei seu comentário e concordo, antes de criticar as pessoas pelo que elas estão lendo, melhor seria achar formas de baratear cada vez mais o acesso aos livros, para que todos se transformassem em devoradores compulsivos, foi é dez.

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  26. Que texto ótimo!!
    Senti muito essa questão do preconceito literário quando entrei na faculdade e passei a conviver com pessoas do curso de Letras. Infelizmente o culto ao clássico ainda é persistente e segregador.
    Com o tempo aprendi a respeitar meus próprios gostos sem qualquer vergonha. Meus livros young-adult convivem em perfeita harmonia com os meus Dostoiévskis, Tolstois e Salingers. Livro é livro, se me agrada é o que importa 🙂

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  27. Concordo com tudo o que está escrito. Cada um tem o direito de ler o que quiser e se encaixar em seu gosto. Aliás, gosto é algo extremamente subjetivo e querer impor o nosso gosto para os outros é no mínimo coisa de gente sem noção. Só faria um adendo. Do mesmo modo que tem os pseudos cult, chatíssimos, que esculhambam o pessoal que gosta de best seller, também existe gente que faz o oposto. Eu mesma já sofri com piadinhas de mal gosto dando a entender que não conhecer esse tipo de literatura é ser “velho” e que gostar de clássicos é coisa de gente careta.
    O respeito tem que ser uma via de mão dupla, não só no que tange a leitura, mas em todas as áreas da nossa vida. Infelizmente acaba entrando na questão da autoridade pessoal… é muito comum gente querendo impor sua visão ao outro como forma de tentar dominá-lo (não só em Literatura). Deixar se abalar por isso é besteira também.
    Uma das minhas professoras de Literatura tão bem dissera uma vez que o que importa não é o título ou quantidade de páginas que alguém lê, mas a forma como a pessoa se relaciona com a linguagem e com o lido.

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  28. Caroline,adorei o seu texto. Entrei em um debate num grupo de leitores justamente por esses clichês. Foi com HP que passei a ter gosto pela leitura e hoje eu sou professora. Acho que todo incentivo a leitura é bem vinda.

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  29. amei teu texto e compartilho uma experiência minha aqui. estou concluindo o mestrado em psicologia e minha forma de “relaxar” a mente de tantos textos teoricos e metodologicos era lendo sagas , trilogias em fim muita literatura juvenil. Muitos colegas criticavam , mas n dava pra pesquisar o dia inteiro e ainda levar um “freud e a interpretação dos sonhos” pra cama. Li e continuo lendo literatura juvenil, me relaxa e me dá fôlego pra suportar os “cults” .

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  30. Meu deus que texto foi esse!. Parabéns para o escritor! Nunca vi ninguém falando tão bem sobre algo assim. O preconceito literário é muito comum hoje em dia, eu mesma já fui críticada por estar lendo ou já ter lido X obra.
    Texto divino (palmas)

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  31. Caroline Gurgel, parabenizo pelo texto, mas lamento discordar em alguns pontos.

    Ao contrário da opinião expressa no artigo, em que os livros young-adults são a iniciação a outros tipos de literatura, acredito que seja, na verdade, uma literatura que vicia o leitor a ponto de dificultar a transição destas para outras obras literárias, através de fórmulas que pouco estimulam a imaginação cultural coletiva, deixando um legado de leitores prontos para responder apenas a estímulos de mercado.

    Concordo que não se deve ter preconceito (e isso não abrange apenas a literatura), mas ainda falta um senso crítico ao que se lê, e é justamente nesse ponto que a literatura young-adult vem de forma cada vez mais alienatória buscando consumidores ao invés de leitores.

    Porque o lazer não pode ser crítico? Porque pensar não é uma diversão, uma forma de passar o tempo? Como que levantar questionamentos acaba etiquetando as pessoas como chatas ou incômodas?

    Já aqueles que simplesmente resumem essa literatura a “lixo”, não percebem que também estão contribuindo muito pouco para uma possível melhora do senso crítico. O próprio twitter é terrível nesse aspecto de reduzir ideias que são complexas demais para serem expressas em tão poucos caracteres, o que resulta em uma aparente agressividade em se expressar.

    Os educadores também respondem a um sistema que é à favor do ser humano autômato.O problema não são os livros indicados, sim a doutrina, o método, a estrutura em que estamos inseridos. A leitura é sim um processo, mas temos que tomar cuidado para não transformar isso em argumento em prol dessa alienação midiática geral que nos assola.

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    • Ramirez, educado assim, pode discordar sempre que desejar. Eis a primeira diferença entre você e os que simplesmente agridem sem acrescentar nada ao debate.

      Vamos lá, concordo até certo ponto com sua opinião. Nasci em uma família de leitores, sempre vi meus ídolos (avô, pai…) lendo, sempre ganhei gibis e livrinhos, enfim, fui estimulada a ler desde cedo, mas nem todos tem essa sorte. A maioria sai traumatizada da escola, sai com a ideia de que ler é chato, e é aí que, na minha opinião, entram os livros fáceis, de leitura rápida e simples.

      Os young-adults tem levado milhares de jovens a ler. Uma parte deles, com o tempo, passa a se interessar por outras leituras, por livros mais densos e consegue ver prazer nisso. Outra parte, concordo com você, vicia na literatura mais simples e fica por ali. Alguns, por vontade própria e outros porque simplesmente não conseguem fazer a tal transição. Mas se não fosse esse tipo de literatura, será que eles estariam lendo?

      Empresto muitos livros, tento introduzir muitos amigos na leitura, e o que tenho observado é que é mais fácil introduzir o hábito de ler com o livro popular. Participo de muitos grupos, já li muitos depoimentos de gente que começou a ler com Crepúsculo e hoje se arrisca em Dostoievski. Diariamente vejo nesses grupos pessoas se dizendo cansadas de “mais do mesmo”, pedindo dicas de livros mais “originais”, melhores. Por isso, sou a favor de que se leia sempre, que a evolução vem com o tempo.

      Uma geração de leitores de young-adult pode formar filhos leitores, filhos que se espelharão nos pais desde cedo. Mas se esses mesmos filhos não virem livros em casa, provavelmente poucos deles construirão o hábito de ler.
      Concordo com você também quando diz que não devemos etiquetar de chatos os que questionam o benefício ou malefício desse tipo de literatura. Quando a pessoa traz argumentos para o debate, não vejo problema algum, aliás, nos faz refletir mais. Porém, quando essa pessoa só faz agredir, chamar de estúpido, de vazio e etc, acaba se tornando um chato.

      Espero muito que tenhamos no futuro uma geração lendo mais e melhor. Como você mesmo disse, uma geração de leitores, não de consumidores.

      Abç!

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  32. Muito bom! Eu, infelizmente, me pego às vezes sendo preconceituosa com essas sagas novas como “Divergente”. O que eu fiz? Peguei emprestado e comecei a ler. E não é que eu estou gostando?
    Temos que experimentar mais e parar de julgar sem conhecer.
    Excelente texto!
    (Vai ter filmes dos best-sellers sim e, se não gostarem, vai ter a saga inteira!)

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  33. No início do texto achei que era mais um texto revoltado da net sobre gostos literários, mas acabou que sua critica se identificou com a minha. Desde criança gostei de ler, mas depois de alguns anos de inatividade (virei gamer na entrada da adolescência) voltei à leitura quando na faculdade. E concordo com você que uma literatura leva a outra, criticar um gênero para mim é como discutir sobre time de futebol. E sim uma literatura mais simples leva a outra mais complexa e o gosto pela literatura é desenvolvida sobre o prazer em ler. Minha esposa e eu fizemos um projeto de leitura em uma escola rural onde os alunos escolheram os livros que queriam ler e nós adquirimos para a biblioteca da escola. E adivinhe o que apareceu no topo da lista Harry Potter e Crepúsculo (este último odeio com todas as minhas forças, mas enfim) e são os livros mais emprestados da escola, imagina em um escola rural onde os alunos normalmente ajudam os pais nas fazendas escolhendo por iniciativa própria parar para ler. Há ainda a questão da mudança para livros mais densos, acho que isso acontece naturalmente, a medida que crescemos nossos gostos mudam porque nossas prioridades também mudam, assim é natural que uma pessoa que eventualmente só lia “young adults” passe a querer livros diferentes pelo simples fato de que o diálogo autor/leitor mudou para ele. Meu maior exemplo é Olhai os lirios do Campo do Érico, li ele quando tinha 15 anos para uma prova de literatura e, juro, dormia quando lia o livro de tão chato, hoje com 30 anos comprei o livro de volta (e olha que não me lembrava de ter lido ele) e descobri que é um livro excelente. Assim permitamos que nossas crianças e adolescentes se empanturrem com a literatura que lhes convém, com o tempo ele eles irão escolher outros autores e dentre eles escolherão os clássicos, porque é uma via natural. Já que foram os clássicos que ajudaram a formar outros autores, até mesmo os autores adolescentes.

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  34. Excelente texto, concordo plenamente. Lembro do sofrimento que foi ler os livros obrigatórios na escola e depois ter que fazer aqueles “trabalhinhos” insuportáveis. Se eu não tivesse nascido em uma casa cheia de livros e com pais e avós leitores, talvez nunca tivesse tido a oportunidade de desenvolver o amor à leitura por conta própria, fora da escola.

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