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Noites Brancas Dostoievski

Autor: Fiódor Dostoiévski
Literatura Russa / Novela / clássico
Editora: 34
Páginas: 96
Ano: 2009
Ano de Publicação Original: 1848

 

Novela publicada em 1848, Noites Brancas é considerada a maior aproximação de Dostoiévski com o romantismo. Escrito em primeira pessoa por um personagem sem nome que sofre de uma solidão profunda, esse livro é tão singelo que passamos as páginas com delicadeza para não machucá-las.

A história se passa em São Petersburgo, em noites brancas – no verão, durante alguns dias, o sol não chega a se pôr completamente, deixando as noites quase tão claras quanto o dia, as noites brancas. O narrador é um solitário sonhador que, vagando pela rua, se depara com uma moça chorando, a segue e por ela se encanta. Nástienka é uma ingênua menina que vive atada à saia da avó, que é cega, por um alfinete para que não fuja de casa e espera, apaixonada, pelo retorno prometido de seu amor.

Na primeira noite, Nástienka pede ao narrador que por ela não se apaixone. Na segunda, ele lhe conta sua história de isolamento, em um discurso tão elevado que Nástienka se maravilha, mas pede que fale de modo mais simples, pois não saberá falar à altura. Em outra noite, ela é quem lhe conta de sua vida, de sua espera e de seu amor que já deveria ter retornado. Sobre a última noite não lhes digo nada, para não tirar a surpresa, mas conto que entre esses dias, o narrador vai ajudar a moça por quem se apaixonou a reencontrar seu prometido, mesmo que aquilo lhe doa no peito, mesmo que não vá ter nunca o amor de Nástienka para ele.

É uma singela e bonita história de amor, de desprendimento, de amar sem ser amado, de ser amado sem amar. É um amor genuíno, delicado, puro e, eu poderia dizer, sutil, mas não, não é sutil. É forte e extrapola, mesmo que apenas dentro do coração do solitário sonhador, que guarda para si o sentimento por temer que sua libertação afaste sua amada.

Leitura mais que recomendada, rápida e, vou ter que repetir, singela. Um deleite!

4.5 corações

 

** Vale a pena investir na edição da Editora 34. Ela tem se destacado nos (re)lançamentos dos clássicos russos, com traduções sempre muito bem elogiadas. Ah, e isso não é um publipost, ok?, não ganho NADA da editora 😉

noites brancas banner dostoievskiSinopse: Durante uma das singulares “noites brancas” do verão de São Petersburgo, em que o sol praticamente não se põe, dois jovens se encontram numa ponte sobre o rio Nievá e dão início a uma história repleta de fantasia e lirismo. Publicado em 1848, na contracorrente de sua época, que privilegiava o Realismo, este livro é, na obra de Dostoiévski, aquele que mais se aproxima da escola romântica. Não apenas pelo tipo do Sonhador, figura central da novela, mas também pela atmosfera delicada e fantasmagórica, que envolve a trama, o cenário e os protagonistas. Aqui, a própria cidade de São Petersburgo — com seus palácios e pontes, seus espaços monumentais — revela-se como personagem. Não por acaso, Noites brancas atraiu a atenção de diretores de cinema como Luchino Visconti e Robert Bresson, que procuraram traduzir para a tela todo o encanto desta que se tornou uma das obras mais famosas de Dostoiévski — agora pela primeira vez no Brasil em tradução direta do russo.

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