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Proibido Tabitha Suzuma

Autora: Tabitha Suzuma
Romance / Drama / Young adult *
Editora: Valentina
Páginas: 304
Ano: 2014

 

*Livro lido e resenhado em março de 2014, no original Forbidden.

Em lágrimas, eu digo: essa foi uma das histórias mais tristes e devastadoras que já li. Ponto. É tocante e extremamente bem desenvolvida, entrou na minha lista de favoritos, mas ainda assim digo: não leiam! Como alguém escreve um livro assim? Como alguém para e escreve sobre dois irmãos que se apaixonam?

Proibido conta a história de Lochen e Maya, os mais velhos de uma família de cinco irmãos, cujo pai os abandonara para viver com outra mulher do outro lado do mundo – e os esquecera -, e cuja mãe é uma alcoólatra que mal dorme em casa e tampouco se preocupa com os filhos. A falta de estrutura familiar é sentida em cada um dos cinco personagens principais e foi muito bem desenvolvida. (Eu me recuso a tratar a mãe como algo que não um lixo, então, não, ela não é um personagem principal.)

Lochen. Dezessete anos, o homem da casa e nenhum amigo. Entra em pânico só de pensar em falar com alguém na escola ou durante a aula. Emudece, empalidece, falta-lhe ar e, principalmente, faltam-lhe as palavras. Sua melhor amiga, confidente e a única pessoa com quem se sente bem: Maya.

Maya. Dezesseis anos, tão nova mas tristemente banida de uma etapa tão importante da vida, de uma adolescência que não pôde desfrutar, que para ela nunca existiu. Ao invés de festas e namoros, divide as responsabilidades da casa com Lochan, seu melhor amigo.

Kit. Eu odeio esse garoto, não deveria, mas o odeio. Um adolescente irritante de treze anos que nunca aceitou as ordens de seu irmão – nem o sumiço e a indiferença do pai – e fez de tudo para chamar a atenção de todos. Argh! Ele me tirou do sério!

Tiffin, um menino de 8 anos, cheio de energia. E Willa, uma garotinha de cinco aninhos e, talvez, a única coisa fofa em todo o livro.

Uma bagunça. O retrato das consequências de pais desastrosos e de um divórcio mal feito. Das consequências de se tornar adulto antes do tempo, forçado pela vida. Maya e Lochen. Um fazia o jantar, o outro colocava a irmãzinha para dormir. Um ensinava a tarefa, o outro dava banho e contava histórias. Dois jovens cuja alegria fora tirada por uma mãe estúpida, doente e negligente, que se vestia como uma vadia e estava sempre de ressaca, vomitando pelos cantos, e pelo desprezo de um pai.

Dois irmãos que se vêem com um sentimento que transcende o amor fraternal, que extrapola os limites da legalidade, que dói e perfura a alma. Um sentimento puro, mas proibido.

Tão delicado, tão frágil, tão quebrantável, e ainda assim tão forte, expressivo, intenso… Vi-me lendo com os olhos bem abertos e a garganta seca; a respiração curta, partida; um silêncio ensurdecedor que só me fazia ouvir as batidas altas do meu próprio coração. tum-tum, tum-tum, tum-tum. Um nó na garganta, uma dor no peito… Piedade. Angústia. Pena.

Como achar que não poderiam se amar se parecia que tinham sido feitos um para o outro? Como achar que aquilo era errado? E, ao mesmo tempo, como achar que seria certo? Seria aquele sentimento um amor carnal ou um forte amor fraternal perdido e enganado pelas circunstâncias da vida? Em outras circunstâncias, teriam se apaixonado? Se não tivessem sido sugados pela solidão que os destruía, teriam se apaixonado?

A autora soube escrever uma história única, que me prendeu e me deixou curiosa, com o coração apertado a cada página. Será que um dia se declarariam? Assumiriam tal sentimento? Não digo o rumo que a história toma, mas reforço o quão avassaladora ela é. Começa triste, seu desenrolar é triste e termina devastadoramente triste. Nada, absolutamente nada me fez sorrir. Nada tirou a dor que se implantou em meu coração logo nas primeiras páginas. Não há alívio, só há sufoco. Por que ler um livro assim? Não sei. Definitivamente, não sei. Talvez nos faça pensar, refletir… Talvez nos abra a cabeça, nos deixe menos preconceituosos, menos intolerantes… Não sei…ou talvez tenhamos um lado masoquista, simplesmente.

Devo ainda comentar sobre o público para o qual este livro é destinado. A Amazon o classifica como young adult – ou jovem adulto – que corresponderia a jovens de 12 a 18 anos e, bem, esses leitores não tem estrutura emocional suficiente para ler essa história. Não é moralismo, um adolescente lê o que quer, mas o conteúdo é pesado, não só pela tensão sexual, mas principalmente pela perturbação e descontrole emocional. Se foi desconfortável lê-la aos 29 – e sem ter um irmão para colocar no lugar do Lochan – aos 18 teria sido demasiadamente atordoante.

Nos primeiros vinte por cento da leitura eu supus o que me aguardaria ao final da história, e acertei, infelizmente. Mas nada, nem o fato de eu ler já imaginando o que viria, nada poderia ter me preparado para tal e, portanto, não adiantaria que eu aqui gritasse para alertá-los, pois seja como for, essa história vai lhes consumir e lhes fazer chorar. Muito. Preparados não estarão, mas estejam avisados.

FORBIDDEN

Capa Original


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Sinopse: Proibido – Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã.

Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.