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paris é uma festa

 

Autor: Ernest Hemingway
Nobel / Memórias / Clássico moderno
Editora: Bertrand
Páginas: 240
Ano: 2007
Ano de Publicação Original:1964

 

Paris é uma Festa é uma coleção de memórias da vida de Hemingway nos seus anos em Paris, na década de 1920. O livro foi publicado originalmente em 1964, após a sua morte, tendo sido editado com a ajuda de sua quarta e última esposa, a partir de notas e manuscritos deixados pelo autor. Paris é uma Festa foi reeditado – no original, A Moveable Feast – recentemente, em 2009, por um de seus netos e essa edição, “Restored Edition”, tem sido fortemente criticada, especialmente por antigos amigos do autor, que reportam que a alteração foi feita para modificar algumas partes que constrangiam a sua avó Pauline, segunda esposa de Hemingway. A versão que lemos no Brasil ainda é a original, portanto, meus comentários são sobre ela.

Paris é uma Festa nos presenteia com as memórias de Hemingway sobre seus anos em Paris e os cafés que frequentava, as ruas por onde caminhava e os amigos com quem convivia. Apresenta-nos um Hemingway que deixava de comer, mas não deixava de apreciar um vinho nem tomar um café. Conseguia fazer o café render toda uma manhã para que pudesse ficar ali, sentado, observando a charmosa e louca Paris dos anos 20 e escrevendo o que lhe conviesse. Mostra-nos um Hemingway que era bom ouvinte e tinha bons amigos, como Sylvia Beach, dona da Shakespeare and Company, que lhe emprestava quantos livros quisesse, e outros tantos escritores famosos. E a partir desses empréstimos, vemos Hemingway lendo pela primeira vez autores como Dostoievski e Tolstói, e tecendo uns poucos comentários sobre eles.

Foi mais que um deleite reconhecer alguns de seus amigos, àquela época ainda reles mortais, hoje grandes e importantes nomes como Gertrude Stein, Erza Pound, Scott Fitzgerald, Ford Madox Ford e James Joyce. É inimaginável que alguém tenha convivido com todas essas ilustres pessoas, tanto que se fosse uma obra de ficção seria fantasiosa em demasia.

Paris vale a pena e retribui tudo aquilo que você lhe dê.

“Na Europa, então, todos consideravam o vinho tão normal e sadio como qualquer bom alimento, além de grande fonte de alegria e bem-estar. Beber vinho não era esnobismo ou sinal de sofisticação, nem uma espécie de culto. Era tão normal como comer e, para mim, igualmente necessário.” 

Sobre Scott Fitzgerald: “Ele me contara no Closerie des Lilas que, quando escrevia contos que julgava bons, talvez bons demais para o Post, fazia modificações neles, piorando-os para que se tornassem comerciais e pudessem ser aceitos pela revista.” 

“O marido tem duas garotas bonitas a seu lado quando acaba de trabalhar. Uma delas é nova e desconhecida e, se ele não tiver sorte, acabará amando as duas.”

A escrita é uma delícia, despretensiosa, nos leva àqueles dias e nos faz sorrir a cada recordação. É um livro curto, mas para ser degustado lentamente e relido algumas vezes ao longo da vida. É um livro para se amar Paris ainda mais, para se amar a verdadeira essência da capital francesa que tanto inspirou – e inspira – grandes escritores.

4 corações 4.5 Estrelas

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Sinopse: Amor, ironia, humor, saudade. Ernest Hemingway foi sempre contrario ao sentimentalismo. Seus contos, seus romances mostram o homem em busca de si próprio, descobrindo-se nos momentos de dor, perigo ou derrota. Nenhum idealismo diante da vida: ela deve ser enfrentada como um desafio, e vencida sem arrogância ou perdida sem lamúrias.

Paris é uma festa mostra-nos um Hemingway diferente, o escritor e o homem fazendo uma viagem sentimental à década de vinte, quando o mundo se abria diante dele e seus companheiros eram a gente anônima das ruas e gente famosa como Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald.

Da cidade, seus perfumes, seus encantos, de si mesmo, de seus amigos e inimigos Hemingway nos deixou, neste livro póstumo, uma série de vinhetas inesquecíveis, escritas com amor e ironia, com humor e saudade.

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