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Historias de Paris - Mario Benedetti
Autor: Mario Benedetti
Ilustrador: Antonio Seguí
Contos / Lit. Latinoamericana
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 64
Ano: 2013

 

Mais um livro que leio por recomendação da Tatiana Feltrin, ou seja, mais um comprado “às cegas”. Quando o recebi fiquei surpresa, uai! Cadê o livro? Histórias de Paris tem apenas 64 páginas e nos traz 4 contos de Mario Benedetti já publicados anteriormente em livros distintos.

Geografias, Cinco anos de vida, O hotelzinho da rue Blomet e Só por distração são pequenos contos escritos com uma concisão impressionante. Uma prosa tão fluida que, mesmo breve, prende o leitor e transmite o forte sentimento, a dor e as mudanças de vida acarretadas pela ditadura e pelo exílio.

É incrível como, em tão poucas palavras, o autor conseguiu demonstrar de maneira tão leve – e ao mesmo tempo profunda – as consequências do exílio, as mudanças nos relacionamentos amorosos e as expectativas e desilusões de um exilado.

Preciso ainda comentar sobre a edição primorosa da Biblioteca Azul (Selo da Editora Globo). Que capricho!! Impresso em um papel de alta gramatura, margens largas, fonte em um tom de cinza escuro, folhas de cor bordô separando os contos e, por último, mas não menos importante, recheado de belíssimas ilustrações. A arte de Antonio Seguí foi um deleite à parte com seus desenhos em cores fortes e traço “grosseiro”, e certamente vai me fazer reabrir esse livro outras tantas vezes.

O único defeito é que acaba rápido, como uma “amostra grátis”, deixando um gostinho de quero-mais. Fora isso, recomendadíssimo!

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Sinopse: Histórias de Paris – “É de se esperar que neste espaço se fale do livro. Pois vou falar é do autor, um homem modesto, de sorriso suave e olhar melancólico, como corresponde a um uruguaio de estirpe. Um homem cálido e bondoso, tímido e cordial. E que soube defender suas ideias com uma paixão que contradizia a amabilidade no trato com as coisas da vida e as pessoas do mundo. Um homem chamado Mario Benedetti.
Quando cometeu sua única grande maldade – nos deixar para sempre – Mario estava com 88 anos. Tinha vivido de tudo, da infância de privações à militância que lhe custou um prolongado exílio. E havia escrito sem parar. Foram mais de 80 livros, ao longo de 63 anos.
Escreveu bons romances, contos formidáveis, ensaios, crítica literária, obras de teatro. E poesia. Foi e é um dos poetas mais lidos do idioma espanhol. Teve, entre seus muitos méritos de escritor, o de ter sido amado pelos jovens. Suas palavras foram roubadas por um sem fim de apaixonados, e ajudaram, gerações afora, a convencer amores esquivos.
Os amigos se despediram dele com leves pinceladas que, unidas, compõem seu retrato mais certeiro. “Que será de nós sem sua bondade inexplicável?”, perguntou Eduardo Galeano.
“Mario foi, acima de tudo, um homem bom”, confirmou outro poeta gigantesco, o argentino Juan Gelman. “Mario ocupava um lugar muito maior do que ele mesmo achava”, afirmou o português José Saramago.
Esse foi o Mario que conheci num dia de inverno de 1973, em Buenos Aires, onde eu morava e ele chegou exilado. Esse foi o escritor que se mostrou em tudo que escreveu. Os contos deste livro são Mario em estado puro. Ler cada um é estar diante dele, escutar sua voz mansa e pausada, confirmar uma capacidade de ternura pelo ser humano que poucas vezes vi igual – e que hoje é artigo cada vez mais raro nesse mundo ressecado. Esse mundo no qual Mario faz tanta falta.
Ler esses contos é como conversar com ele, ouvir Mário desfiando seu rosário de histórias num fim de tarde sereno de Montevidéu ou da vida.”

 

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