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o homem sentado no corredor a doença da morte

 

Autora: Marguerite Duras
Literatura Francesa / Clássico Moderno / Contos
Editora: Cosac Naify
Páginas: 112
Ano: 2007

 

 

Poucos dias depois que li O Amante (resenha aqui), ainda curiosa para ler mais de Marguerite Duras, entro em um canal de vídeos que gosto e vejo a recomendação desses dois contos da autora. Pronto, seria – e foi – minha próxima leitura.

Duras escreve com uma melancolia de quem está a beira de amargas lágrimas. É como se seu texto escondesse um coração amargurado que finge que não se importa.

Os dois contos são bons, mas não me encantaram tanto assim. Novamente a escrita se sobrepõe ao enredo e, tal qual em O Amante, a sensação um ou dois dias depois é diferente da do momento do término da leitura.

Ao terminar a leitura a impressão que tenho é que aquilo foi pouco, que faltou algo, que tudo não passa “apenas” de uma bela escrita. Dias depois me pego pensando na cena de cada conto e eles crescem exponencialmente, ganham forma e se fixam na memória (justamente como aconteceu com o Amante).

Os dois contos fazem parte de um volume da incrível Coleção Mulheres Modernistas da Cosac Naify. Eles são bem curtinhos e para justificar o volume a edição vem com fonte grande e margens enormes, o que decepciona um pouco – no sentido de que queríamos mais ou talvez de que fomos enganados, de certo modo.

O homem sentado no corredor foi o conto que mais gostei. Uma leitura rápida, cujas cenas se passam em câmera lenta, bem arrastadas, sem pressa alguma. Marguerite consegue ficar bem em cima da tênue linha que separa o vulgar do elegante.

A Doença da Morte, embora bem mais profundo que o primeiro conto e aberto a muitas interpretações, é meio sem graça.

Os dois contos são ótimos para quem quer conhecer mais o estilo da autora, mas recomendar, recomendar mesmo, de coração, não é bem o caso.

3.5 Estrelas 3 corações

marguerite duras contos

Sinopse: O Homem Sentado no Corredor – A Doença da Morte – Depois de publicar três autoras de língua inglesa, a coleção Mulheres Modernistas traz a sua primeira escritora francesa. As duas novelas de Marguerite Duras (1914-1996) – conhecida principalmente pelo romance O amante e pelo roteiro do filme Hiroshima mon amour – que compõem este livro chamam a atenção pelo caráter fortemente confessional e amoroso, mas de uma amorosidade esquiva, rara e, sobretudo, muito distante do que costumamos encontrar nos textos de tônica amorosa. Os dois textos, de 1980 e de 1983, respectivamente, como que anunciam um tempo de amores rápidos, do pânico da intimidade e de uma velocidade inaugurada com “A uma passante”, de Baudelaire. Nas duas narrativas, é pelo desencontro, pela ausência e pela falta que se dá o embate amoroso entre os pares anônimos. A grande novidade no discurso amoroso de Duras se dá na invenção de um tipo de texto breve e intenso, no qual a narrativa já se inicia com a situação posta. O volume traz, ainda, um breve posfácio da autora sobre A doença da morte, a lista completa de suas obras – ficção, teatro, cinema, adaptações, gravações – e uma bibliografia sobre Duras no Brasil. A tradução do dramaturgo, poeta, ator e diretor Vadim Nikitin privilegia a crueza e a oralidade dessa prosa. A edição conta também com raras aquarelas do artista plástico alemão Anselm Kiefer.

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