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FELICIDADE_CONJUGAL
AUTOR: LEV TOLSTÓI
CLÁSSICO / LITERATURA RUSSA / novela
EDITORA: 34
PÁGINAS: 128
ANO: 2010
PUBLICAÇÃO ORIGINAL: 1859

 

Comecei a ler Felicidade Conjugal esperando encontrar tudo, menos felicidade. Fiquei esperando o Tolstói amargo de A Sonata a Kreutzer (resenha aqui), e nada. Aquela doçura, aquele ar de romantismo, de amor bonitinho, estava soando estranho e sem propósito. Não conseguia entender qual era a do autor, já que estava tudo tão simples, tão…tão…comum, básico, normal.

O livro conta a história de uma menina do interior que perdera seus pais e passa a ser criada por uma governanta. Ela termina se encantando por um homem bem mais velho que ela, que era amigo de seu pai e fora encarregado de cuidar das partes legais da família. Eles se casam, apaixonados, mas esse amor tende a mudar, ou melhor, a se transformar.

Continuei a leitura pensando que o que lia era um Tolstói que ainda não desabrochara, um Tolstói ainda contido, até que, opa, como de supetão, lá pelos 60% da leitura, passo a enxergar um pouco suas intenções. Digo um pouco porque, mesmo tendo pensado que enxergara tudo, o que Tolstói quer nos falar de verdade aparece apenas nas últimas linhas.

E nessas últimas linhas tudo se conecta ou meio que se desmancha, como se todas as páginas anteriores desabassem sobre você. E então eu vi o quão delicado é todo o livro, como se tudo estivesse pendurado por um frágil e fino cordão prestes a se romper.

Tolstói fala sobre o amor conjugal e sua transformação em um texto de uma simplicidade impressionante, que parece que não vai levar a nada. Com um ar despretensioso, ele nos apresenta uma história super sensível, que abre caminho para uma reflexão profunda e que nos deixa uma mensagem triste, de certa forma, por “desromantizar” o amor, mas ainda assim singela e completamente realística.

4 Estrelas

4 corações

felicidade conjugal tolstoi

Sinopse: Publicada em 1859, quando o escritor tinha pouco mais de trinta anos, Felicidade conjugal é talvez a primeira obra-prima de Lev Tolstói e prenuncia um tema que terá importância fundamental na vida do autor russo — o tema do desejo, neste caso apreendido do ponto de vista feminino. Ao contrário do que ocorre em A Sonata a Kreutzer (1891), obra de andamento vertiginoso e com a qual este livro forma um estranho díptico, o tom dominante é dado aqui pela delicadeza da Sonata ao Luar, de Beethoven, peça que a narradora executa nas páginas de início e fim da novela.
Com um talento incomum para descrever os estados de alma de suas personagens, Tolstói põe em destaque a figura da jovem e bela Mária, que narra as várias etapas de sua vida amorosa, desde o primeiro despertar dos sentidos até o momento em que, tendo experimentado por si mesma o absurdo da existência, ela pode, enfim, voltar à própria vida.
Combinando sutileza e gravidade, o “observador genialmente perspicaz” que foi Tolstói — segundo as palavras de Boris Schnaiderman, que assina a tradução, as notas e o posfácio — escreveu uma novela em que “o humano e o literário encontram o seu máximo de expressão”.