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A divina comédia - Inferno

 

 

 

Autor: Dante Alighieri
Clássico / Lit. Italiana / Poema Épico
Editora: 34
Páginas: 232
Ano: 2010
Ano de Publicação Original: aprox. 1304 – 1321

Os comentários que se seguem não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que leu Inferno pela primeira vez, portanto, leiga em Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

Básico: O que saber antes de começar a leitura

Antes de começar a leitura de Inferno, procurei textos de apoio na internet para ajudar na compreensão da obra. Em meio a tanta informação, encontrei alguns pontos interessantes.

O simbolismo do número 3, que remete à Santíssima Trindade, permeia toda a obra de Dante. A Divina Comédia é dividida em 3 partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma dessas partes é dividida em 33 cantos, que, por sua vez, são divididos em tercetos [utilizando a terza rima]. Na verdade, Inferno tem um canto a mais, que é a introdução, portanto, são 100 cantos no total [99+1]. Cada lugar tem 9 círculos a serem percorridos por Dante.  Ou seja, tudo múltiplo de 3.

Para entender a famosa terza rima de Dante, vou copiar as primeiras estrofes de Inferno, na tradução da Editora 34, que respeita a estrutura encadeada original:

1 A meio caminhar de nossa vida
2 fui me encontrar em uma selva escura:
3 estava a reta minha via perdida
4 Ah! que a tarefa de narrar é dura
5 essa selva selvagem, rude e forte,
6 que volve o medo à mente que a figura
7 De tão amarga, pouco mais lhe é a morte,
8 mas, pra tratar do bem que enfim lá achei,
9 direi do mais que me guardava a sorte.
10 Como lá fui parar dizer não sei;
11 tão tolhido de sono me encontrava,
12 que a verdadeira via abandonei.

E assim por diante. Para que saber disso? Para entender que nada é por acaso na estrutura do poema que você está prestes a ler. Tudo tem um significado, um simbolismo, e tudo é minucioso e grandioso.

Após essa primeira pesquisa, parti para os textos introdutórios da edição que eu tinha em mãos. Eles foram indispensáveis. Entendi o motivo pelo qual Dante escolheu Virgílio para ser seu Mestre no percurso e o porquê de ter escrito esse livro.

“Não há dúvida de que Dante escreveu a sua obra máxima com o fim de reformar moralmente o mundo que via imerso, para dizer o mínimo, numa situação trágica e pecaminosa.” (Italo Eugenio Mauro)

Não sei se teria compreendido metade do que entendi se não fossem esses textos. Dito isso, vale ressaltar o que dizem os especialistas: não se entende A Divina Comédia com apenas umas poucas leituras, nem se aproveita tudo o que nela há sem conhecer todos os personagens e fatos envolvidos. Ou seja, é preciso saber MUITO, ter muito conhecimento, ter lido os poemas épicos anteriores a Dante, entender qual era a situação do mundo na época, entre outros fatores, para realmente compreender A Divina Comédia.

Não estou nesse grupo, nem perto, mas a gente tem quer tentar, não é? Afinal, é preciso começar por algum ponto.

O que achei

Comecei a leitura pensando que encontraria um texto dificílimo, quase incompreensível. É, de fato, difícil, mas nada do outro mundo. O segredo, pra mim, foi ler tudo em voz alta, bem concentrada. Fui tentando desembaralhar as palavras, a sua ordem nas sentenças, mas logo percebi que, aos poucos, esse “desembaraço” fica automático.

Encontrei uma edição antiga do meu avô com as famosas ilustrações do também famoso Gustave Doré. Nela fui acompanhando os desenhos canto a canto, e isso foi, sem dúvidas, um algo a mais na leitura. Se você não tiver uma edição ilustrada, o amigo Google pode lhe ajudar facilmente, vale a pena!

O texto é um tanto assustador, chega a causar horror e medo, mas é fascinante. Os primeiros cantos foram incríveis, a leitura fluiu melhor do que eu esperava e me empolguei com tudo o que lia. Lá depois da metade do livro, talvez passada a euforia inicial, achei os cantos mais enfadonhos, só vindo a recuperar a empolgação no último canto, onde encontramos Lúcifer.

É um livro que quero reler mais pra frente, especialmente quando já tiver lido grandes epopeias como Ilíada, Odisseia e Eneida, por exemplo. Se recomendo? Sim, claro, afinal, como já disse, é preciso começar de algum ponto e, reafirmo, não é um bicho de sete cabeças.

3 corações

Inferno Dante Alighieri

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Sinopse: A meio do caminho, ou seja, da duração expectável de sua vida, Dante, consciente de se haver desviado do reto procedimento, encontra-se perdido numa alegórica “Selva Escura”. Encontra aí a figura de Virgílio, o poeta latino que, a pedido da alma beata de Beatriz, o grande amor da juventude de Dante, vem se lhe oferecer como guia para o Inferno e o Purgatório onde, pelo exemplo dos pecadores e de suas penas, Dante poderá encontrar o caminho de sua salvação. Dante aceita e os dois iniciam sua viagem. Antes da entrada para o Inferno eles passam por seu Vestíbulo: o “Limbo”, onde não há castigo, porém a possibilidade de salvação, que abriga as almas dos infantes falecidos antes da instituição do batismo e alguns grandes personagens do passado anterior a Cristo. O Inferno, que eles então adentram, é constituído por uma imensa cratera escavada nas profundezas do globo terrestre na queda do corpo do Anjo rebelde expulso do Paraíso. Começa nas proximidades da “selva selvagem” essa ampla cratera e vai se afinando até o centro da Terra onde se encontra o próprio Lúcifer que aí tem o encargo do Rei do Inferno. Por Italo Eugenio Mauro