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um coração simples flaubert

 

Autor: Gustave Flaubert
Clássico / Novela / Literatura Francesa
Editora: Grua Livros [Melville House]
Páginas: 80
Ano: 2015

 

A primeira coisa que fiz ao terminar Um Coração Simples foi procurar a data de sua publicação para confirmar minha suspeita de que a novela havia sido lançada após Madame Bovary (resenha aqui). E foi… quase 20 anos depois. Só alguém que já escreveu sua obra-prima poderia se dar ao luxo de publicar uma história cuja personagem principal é alguém como Félicité.

Félicité não tem nada de extraordinário para contar. É uma moça comum, pobre, humilde, simples, ordinária, que até chega a pensar que poderia ser feliz, que poderia ser amada. Tudo ilusão, nada acontece. Passa a trabalhar para uma senhora com dois filhos e lá seu altruísmo transborda. Nunca reconhecido, diga-se de passagem.

Flaubert constrói sua novela em cima de um enredo irrelevante, de uma moça insignificante, invisível, sem casa, sem família e sem amor, que enlouquece por um papagaio. Ainda assim, nos leva, admirados, da primeira à última página. A admiração se dá pela sua escrita, “apenas”.

Um Coração Simples mostra que, não à toa, Flaubert é um dos grandes mestres do Realismo. É mais contexto histórico que enredo, é mais escrita que história, é mais significado para o movimento literário do que uma leitura prazerosa. É uma leitura rápida, boa, mas talvez um pouco realismo demais pra mim.

4 Estrelas

*** Essa novela também foi lançada pela Editora Rocco, com o título Um Coração Singelo, assim como também faz parte do livro Três Contos, da ed. Cosac Naify.

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Sinopse: Com uma atenção aos detalhes da vida burguesa considerada quase escandalosa na época, Um coração simples fará com que muitos se lembrem, ou descubram, por que Gustave Flaubert foi aclamado como o primeiro grande mestre do realismo. Esta novela traz a história de uma mulher simples, Félicité, que trabalha décadas como criada para a Sra. Aubain, uma viúva de alguns recursos. Zela por tudo na casa, ajuda a criar os pequenos Paul e Virginie, mima seu sobrinho Victor, que entra em sua vida por acaso. Sua compreensão pouco sofisticada do mundo, pautada por suas realidades próximas e por sua própria história sem grandes acontecimentos, é acompanhada por um grandioso sentimento de amor, no sentido amplo da palavra. Escrita perto do fim da vida do autor, o trabalho era para ser uma homenagem a George Sand, que morreu antes do texto ficar pronto, e foi concebido em resposta a uma discussão entre ambos sobre a importância do realismo. Embora o texto mostre seu virtuosismo para contar detalhes e se baseie em uma de suas serviçais da vida real, Julie, Flaubert disse que a novela exemplificava sua declaração – ‘beleza é o objeto de todos os meus esforços’.

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