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Quem nunca ouviu dizer que a leitura estimula o cérebro? Pois é! Isso, que sempre foi senso comum, tem sido provado pela neurociência. Natalie Phillips, pesquisadora da Universidade de Stanford, concluiu que “ler é um exercício verdadeiramente valioso para o cérebro”, de grande importância para os neurônios [e contra o envelhecimento destes] e para a memória, como uma ginástica cerebral.

Monteiro Lobato já dizia: “quem não lê, mal ouve, mal fala, mal vê.” A leitura liberta, isso é fato! Através dela ganhamos conhecimento, ampliamos nossa visão de mundo, adquirimos voz própria, melhoramos nosso vocabulário, nossa escrita e comunicação, desenvolvemos nosso senso crítico e damos asas à imaginação. Mas como formar esse leitor?

Acredita-se que é na primeira infância que se forma um bom leitor e que ler para o bebê desde os primeiros dias de vida estimula o cérebro e o desenvolvimento da linguagem e estreita os laços entre pais e filhos. É essa a recomendação da Academia Americana de Pediatria, vamos seguir?!

Sai de cena agora a pessoa que já leu tantos artigos sobre a importância da leitura que já os incorporou a seu discurso de incentivo e entra em cena a mãe que começou a ler para o seu filho quando ele tinha uns 2 meses. Ou seja, as dicas abaixo são baseadas na experiência pessoal que tenho tanto com meu filho quanto a que tive quando criança [já que me tornei um adulto leitor, rs].

Afinal, O Que Ler Para o Bebê?! Sempre me fazem essa pergunta e a resposta pode soar estranha: Qualquer coisa! rs Calma, explico e dou, sim, sugestões.

Um dos principais benefícios da leitura para os bebês é o desenvolvimento da linguagem. O bebê aprende a falar e a entender o significado das palavras quando conversamos com ele ou simplesmente ao escutar os outros falarem. Ok, isso é claro. Porém, por mais que não percebamos, a quantidade de palavras que usamos no dia-a-dia é limitada, daí a importância da leitura. Nos livros encontramos palavras que não usaríamos em um diálogo comum, logo o bebê que recebe essa atenção [leitura] conseguirá, em seu primeiro ano de vida, compreender muito mais palavras e expressões que um que não teve esse estímulo. O benefício não para por aí, já que isso melhora o raciocínio e estimula o cérebro, afetando positivamente o desenvolvimento da criança a curto e longo prazo em muitas áreas. [a etapa de 0 a 5 anos é considerada primordial para a formação do intelecto e do emocional]

Por isso, respondo que deve-se ler “qualquer coisa”. Não como um descaso, mas apenas para enfatizar que tudo o que se lê para a criança é importante, seja uma poesia em um livro de adulto, seja um conto de fadas. Claro, existem livros mais adequados, com mais cores e mais estímulos, mas não se preocupem demais com isso. Qualquer livro infantil é interessante nessa fase em que o entendimento completo da história ainda não é o principal objetivo da leitura. [mais abaixo deixo dicas “concretas” de livros rs]

O que e como eu fiz

Comecei a ler para meu filho quando ele tinha cerca de 2 meses. Poderia ter começado antes, confesso que o cansaço falou mais alto e não consegui. Costumava ler após uma mamada ou assim que ele acordava de um cochilo, pois eram as horas nas quais ele estava mais calmo e relaxado.

Cada mãe ou pai vai saber encontrar esse momento, que pode – e deve – virar um hábito, fazer parte da rotina, como, por exemplo, ler antes de dormir. São alguns minutinhos do seu dia que não merecem desculpas esfarrapadas como “não tenho tempo”. [não sou tão chata assim, só estou tentando lhe incentivar, rs. Precisamos criar uma geração de leitores para ver se esse país começa a andar pra frente!]

Eu usava livros bem coloridos e mostrava tudo que eu via em cada página, mesmo que parecesse que ele estava em outro planeta. Contava a história usando diferentes vozes e intonações [acredita-se que a mudança no tom de voz deixa o bebê mais atento e desperta a curiosidade].

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“Meu bebê só quer rasgar as páginas do livro!” 

Paciência, como em tudo, é a chave do sucesso. É claro que o bebê vai querer rasgar o livrinho, faz parte. Cabe a mãe, com muita paciência, explicar que não é para rasgar e não deixar rasgar, rs. Vai acontecer de rasgar? Vai, também faz parte. O que não pode acontecer é: vou esperar ele crescer e quando ele entender que não é para rasgar eu volto a ler. Como incentivadora, eu imploro: não façam isso! rs Insistam! O benefício vale o esforço.

Quando ele quiser rasgar, troquem por um livro de capa e páginas durinhas, de cartão, que não tem como ele rasgar. Mas não fiquem nos livros acartonados, é importante que o bebê aprenda que não deve rasgar o livro. E, por experiência própria, digo, eles aprendem! Se o meu aprendeu, o seu também aprende.

Deixem os livros acartonados em um local que eles possam acessar quando já estiverem engatinhando ou dando os primeiros passinhos. Os de páginas de papel podem esperar eles crescerem um pouquinho mais para “lerem” sozinhos.

Acredito também que ler desde cedo ajuda o bebê a entender o que é o livro e que aquilo não é para rasgar. Portanto, mãos à obra!

“Meu filho não presta atenção quando leio”

Parece que seu filho está prestando atenção em todos os detalhes do seu quarto, da sala ou de onde quer que você esteja lendo, menos na historinha que você está lendo? Normal! Repito: é normal. Continue lendo até onde achar que dá, mesmo que pareça que ele não está prestando atenção ou entendendo. Mostre os desenhos, imite sons, faça perguntas e as responda. Não se limite ao texto, use a criatividade. Com o tempo ele vai começar a gostar daquilo, a apontar os objetos e a entender o que é cada um.

A repetição, não só para bebês, mas também para crianças pequenas, é super importante. É a repetição que vai fazer com que ele ative a memória, crie lembranças e vínculos com os personagens. Vai chegar um dia, lá por volta dos 11 ou 12 meses, que ele mesmo vai pedir [o velho “ãn” acompanhado de mímicas] para você começar novamente o livrinho que você acabou de ler.

É por volta dessa fase também que ele mesmo vai pegar o livro, colocar no seu colo e “ãn” [traduzindo: lê pra mim, mamãe].

Livro não é brinquedo, Livro é Livro e é divertido

Eu sou um pouco conservadora em relação aos livros infantis e, particularmente, não gosto de livros que são mais brinquedos que livros. Não acho que eles “funcionem”, especialmente a longo prazo. Brinquedo é brinquedo, livro é livro, e a criança tem que aprender que os dois podem ser divertidos e prazerosos, embora diferentes.

Quando falo de livros-brinquedos não me refiro aos livros pop-up [aqueles que quando você abre se formam objetos “3d” de papel] ou livros com sons. Esses são interessantes.

Um dia vi um “livro” que parecia apenas uma caixa de brinquedos, vinha com gesso e formas para as crianças moldarem bonecos. Era tudo, menos um livro. O problema não é ter um livro desses, mas só ter livros desses e associar leitura a brinquedo. Quando a criança se acostuma com livros de verdade desde pequena, certamente levará esse saudável hábito para a vida adulta.

Posts sobre livros infantis – Entendendo os Selos

Sempre que der recomendarei livros infantis aqui no blog e tentarei indicar a faixa etária para a qual ele é destinado, embora isso seja um pouco subjetivo e difícil de precisar. Todos os livros recomendados são sempre livros que realmente li, jamais indicarei algo baseado em sugestão de editora ou de terceiros, sem que eu tenha lido, manuseado e analisado o livro.

Criei alguns selos, que estão/estarão presentes nos posts de literatura infantil, para ajudar nessas indicações:

Selo Bebê: livros acartonados, cheio de cores e desenhos simples. Lembrando que pode-se ler para o bebê qualquer livro, o selo é apenas para indicar que o livro é adequado para o manuseio do bebê.

Selo Criança: dispensa maiores explicações, rs. É basicamente o livro infantil da primeira infância, com textos simples, mas já mais extensos que as poucas palavras dos livros para bebês, e bem ilustrados. Livros que servem desde o primeiro ano de vida até a próxima fase, a do Selo Crescidinhos.

Selo Crescidinhos: livros infantis para crianças já com domínio da língua, que não sentem mais a necessidade de ilustrações e conseguem ler e acompanhar textos longos e mais complexos. Para exemplificar, cito o famoso Diário de um banana, para iniciantes no selo, e Harry Potter, para os “veteranos”.

Selo Família: claro, livros para se ler em família. O selo engloba livros que pedem explicações mais cuidadosas dos pais, livros que tem histórias bonitas e emocionantes, com boas mensagens, e os grandes clássicos da literatura infantil, que sempre merecem esse momento em família.

Hdp - Selo BebêHdP - Selo CriançaHdP - Selo CrescidinhosHdP - Selo Família

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sugestões de livros para bebês de 0 a 12 meses

As sugestões abaixo são apenas um guia para facilitar a escolha dos livros, que não precisa ser exatamente a dos títulos que cito. Expondo os motivos pelos quais gosto de cada um, fica fácil procurar na livraria algo semelhante. Colocarei também o link de onde comprar.

  • Coleção Olhinhos Agitados: são acartonados e tem desenhos bem definidos, ótimos para bebês. Honestamente, o texto podia ser melhor, mas o livro atrai muito a atenção dos pequeninos devido aos olhinhos grandes que se “mexem” e se repetem a cada página. Na realidade, os olhinhos estão na última página e se repetem através de vazios nas páginas anteriores. É incrível como esse simples detalhe faz efeito. Esse do Dragão ainda tem o diferencial de podermos encaixar os dedos nos olhos por trás do livro e movimentá-los. [Onde comprar -> aqui]

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  • Gaspar e Lisa: comprei esses livrinhos por recomendação de uma amiga. A filha dela de 2 anos adora! Quando chegaram eu fiquei um pouco decepcionada, pareciam escuros demais, desenhos sem muita nitidez, mas para minha surpresa e alegria meu filho adorou. São duas coleções diferentes com o mesmo nome: uma voltada para bebês – Os Opostos, As Formas, Os Números e As Cores; e outra para crianças. Os de bebês são acartonados e é preciso ter muita imaginação para inventar uma história qualquer, pois o texto se resume a uma ou duas palavras em cada página. {são excelentes também para a fase em que a criança está aprendendo as formas, os números e as cores}. Os de crianças tem capa dura, mas páginas comuns. Nas livrarias, não sei o porquê, você encontra os acartonados como “capa simples” e os de capa dura e folhas “moles” como “capa dura”. Parece bobagem, mas achei bom esclarecer para facilitar a compra.

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Nessas fotos dá para ver a diferença na quantidade de texto de uma coleção para a outra. São livros da Cosac Naify, editora maravilhosa que fechou, infelizmente, mas que ainda podem ser encontrados em algumas livrarias. [Onde comprar -> aqui]

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  • Livros com sons: tem aos montes nas livrarias e é sucesso na certa! Alguns que tenho aqui prefiro nem citar, já que a bateria não durou nadica de nada e o som sumiu em pouco tempo. Deixo aqui Animais de Estimação, da Publifolhinha, como sugestão, especialmente por ter, além dos desenhos de cada bicho, a foto dele, fazendo com que o bebê associe o desenho ao bicho como ele realmente é. [Onde comprar -> aqui]

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Indico também os livros da coleção Toque e Sinta. Nesse caso o áudio não é do som dos animais, mas a leitura do pequeno textinho de cada página. O interessante nessa coleção é que uma parte do animal é feita de algum material com textura diferente da do papel. Na foto abaixo dá para notar o trechinho com a juba do leão ou o “pelo” da zebra? [onde comprar -> aqui]

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  • Juca Pé de Fruta: esse livro é super comum, capa mole, mas fez (e faz) muito sucesso por aqui. Tem um texto simples, meio rimado, e as ilustrações são lindas. Além de falar de frutas! [Onde comprar -> aqui]

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  • Livros do Itaú: não deixem de pedir, sempre que possível, os livros que o Itaú distribui gratuitamente. São sempre muito bons. No momento, o site diz que estão esgotados, mas todos os anos eles lançam nova campanha.

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Clube do Livro Infantil

Os clubes de livros estão funcionando a todo vapor no país, e para o público infantil conheço dois: o Leiturinha e o Expresso Letrinhas (da Companhia das Letras). São assinaturas mensais e a criança recebe de um a dois livros por mês escolhidos por especialistas e adequados a sua idade. Falarei deles detalhadamente em outro post. [se alguém conhecer algum outro, por favor, me avise nos comentários] 😉

 

Ufa, acho que é só! Claro, não se prendam a esses títulos, são apenas sugestões dos que deram certo aqui. Relembro também que ler qualquer livro é válido nessa primeira fase. Tenham paciência e não desistam, mesmo quando pareça que eles não estão atentos. Crie o hábito!

Já ia me esquecendo do principal: leiam também, sejam exemplo! Os livros sempre estiveram presentes na minha vida, mas junto a eles também tinham leitores, e isso faz a diferença! Nunca é tarde para descobrir o prazer da leitura, você só precisa achar o seu livro, do seu gosto. E, acredite, tem livro para todos os gostos!

Espero que tenham gostado do post. Beijos e até a próxima!  😉  ❤

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