Tags

, , , , , , , , ,

purgatorio-a-divina-comedia-dante

 

 

AUTOR: DANTE ALIGHIERI
CLÁSSICO / LIT. ITALIANA / POEMA ÉPICO
EDITORA: 34
PÁGINAS: 224
ANO: 2010
ANO DE PUBLICAÇÃO ORIGINAL: APROX. 1304 – 1321

 

Os comentários abaixo não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que está lendo A Divina Comédia pela primeira vez, portanto, leiga na obra de Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

A Divina Comédia entrou para minha meta de leitura desse ano como um desafio e o quanto passei a gostar da obra foi uma grata surpresa. Fiz algumas pesquisas antes de iniciar o primeiro livro e coloquei alguns pontos que achei interessantes no post sobre Inferno (ver aqui). Para os leigos em Dante, como eu, a “ajuda” é imprescindível para uma melhor compreensão do texto.

A leitura de Inferno foi um pouco difícil, mas não tanto quanto a do Purgatório. O segundo livro requer muito, mas muito mais repertório e conhecimento do que o primeiro. Eu penei – em todos os sentidos – mas a medida em que fui avançando e compreendendo melhor os círculos, fui gostando mais do que lia.

Assim como em Inferno, no Purgatório também temos 9 círculos a serem percorridos por Dante. São dois ante-purgatórios e mais sete cornijas, cada uma correspondendo a um pecado capital.

Para a gigantesca montanha que é o Purgatório, vão aqueles que se arrependeram ainda em vida. No Canto IV, ficamos sabendo que a subida é tão íngreme que é necessário usar pés e mãos, mas que a medida em que avançamos, ela se torna cada vez mais fácil. (Diferente do Inferno, onde quanto mais se desce piores são os pecados, no Purgatório, quanto mais se sobe, mais leve e mais perto do céu se fica.)

Na porta do Purgatório (Canto IX), o anjo grava sete “Ps” na testa de Dante, que serão lavados um a um, a medida em que ele for passando de uma cornija para a outra. Passadas essas cornijas, Virgílio, que não tem acesso ao Paraíso, se despede de Dante.

A partir daí, foi, para mim, a parte mais empolgante e bonita do livro, quando chegamos ao Paraíso Terrestre – ou Jardim do Éden – encontramos Beatriz e vemos o arrependimento e purificação de Dante para que ele siga sua jornada.

Contando assim até parece bem simples, mas o livro é cheio de simbologias e referências para serem desvendadas. Há, certamente, quem vá compreendê-las sem ajuda, mas no meu caso fui salva pelas notas da edição da editora 34.

Por exemplo, leio no Canto XXIX,

“a virtude, da qual o juízo emana,
candelabros me fez reconhecer
e, nas vozes do canto, ouvir ‘Hosana'”,

os candelabros simbolizam os dons do Espírito Santo. Ou, ainda no mesmo canto,

“Vi, depois, de humilde semblante,
e atrás de todos vir sozinho um velho
de olhar dormente, embora penetrante.”

o velho simboliza o Apocalipse. Ou seja, dava para ter entendido o que estava escrito, mas não compreendido seu significado. Com as notas e as pesquisas tudo vai tomando forma, e é aí que entra o entusiasmo e a admiração pela obra.

Outro detalhe que enriqueceu a leitura foi ter acompanhado os famosíssimos desenhos que Gustave Doré fez para A Divina Comédia. (Como tenho uma outra edição antiga, ilustrada, fui seguindo a ordem das ilustrações por ela. Deixo aqui um link de um site  que tem todas as ilustrações de Doré separadas por livro.)

Recomendo para quem quer conhecer a obra e encorajo os que ainda tem medo dela. Não dá para compreender tudo, nem eu teria tamanha pretensão, mas repito o que disse em Inferno, não é um bicho de sete cabeças. Sigamos – felizes – para o Paraíso!

3 corações

purgatorio

Comprar:

Compre aqui Amazon

 

 

 

Sinopse: O Purgatório é constituído por uma montanha altíssima que surge do mar no centro do hemisfério austral, contornada por cornijas, ou terraços, que vai se afinando até chegar ao plano do Paraíso Terrestre. A primeira parte da escalada é reservada às almas que, tendo-se arrependido só à última hora, devem aguardar a sua admissão, pela Porta de São Pedro, aos círculos superiores, onde cumprirão as penas diversas, correspondentes aos pecados praticados em vida e que os purgarão para depois serem admitidos ao Paraíso. Esses terraços desenvolvem-se em sete círculos, sobrepostos, nesta ordem: I – Orgulhosos; II – Invejosos; III – Iracundos; IV – Preguiçosos; V – Avaros e Prógigos; VI – Gulosos; e VII – Luxuriosos. Por Italo Eugenio Mauro

Anúncios