O Labirinto dos Espíritos (O Cemitério dos Livros Esquecidos #4), Carlos Ruiz Zafón

 

 

AUTOR: CARLOS RUIZ ZAFÓN
LITERATURA ESPANHOLA / mistério
EDITORA: planeta
PÁGINAS: 928
ANO: 2016

 

O Labirinto dos Espíritos é o quarto e último livro de O Cemitério dos Livros Esquecidos, uma das minhas séries favoritas. Os livros podem ser lidos fora de ordem, pois as histórias se sobrepõem e se complementam. Como o autor diz, é uma história com quatro portas de entrada diferentes, e isso é o mais mágico de tudo. Contudo, ainda prefiro a ordem de lançamento: A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos.

A Sombra do Vento tem seu foco em Daniel Sempere, O Jogo do Anjo em David Martín e Isabella Gispert e O Prisioneiro do Céu conecta os dois primeiros livros e nos dá um pouco mais de Fermín. Então, o que traz o quarto livro? Traz mais uma personagem forte, nos traz Alicia!

O enredo se desenvolve em torno do sequestro de Mauricio Valls, vilão já conhecido do leitor. Alicia e Vargas são contratados para ajudar a desvendar o caso, mas terminam descobrindo muito mais do que deveriam e arriscando suas vidas. Claro, os mistérios estão conectados com os livros anteriores.

É o mais policial dos quatro livros, especialmente a primeira metade – a que mais gostei. Como lhe é peculiar, Zafón recheia suas páginas com intrigas, desaparecimentos, assassinatos, drama, paixão e uma pitada de humor.

A sombria Barcelona de outrora continua a encantar, o cemitério continua mágico e inspirador e a livraria dos Sempere ainda nos deixa com aquele sorriso bobo no rosto.

O que dizer de Alicia? Essa personagem, uma referência a Alice no país das maravilhas, me encantou profundamente. Bem construída, cheia de camadas, dramática, complexa e, ao mesmo tempo, tão transparente. Vargas? Prefiro não entregar o jogo… (Zafónzito, quiero matarte!)

Assim como nos demais volumes, em O Labirinto a metaliteratura está sempre em cena. Zafón nos presenteia com uma literatura que referencia – e reverencia – grandes obras, mas de forma despretensiosa e sutil. É um livro de entretenimento de qualidade, bem escrito, muitíssimo bem construído e com personagens inesquecíveis. INESQUECÍVEIS! Como esquecer Daniel Sempere?! Impossível!

A história é toda redondinha, sem pontas soltas, mas tem algo que pode incomodar aos mais cricris. Ao longo das investigações, repete-se muito as mesmas informações, sempre com algum acréscimo, mas ainda assim são muitas repetições. Elas ajudam, na verdade, o leitor a não se perder em meio a tantas épocas e tantos fatos distintos. Fiquei o tempo todo pondo em ordem os acontecimentos, puxando da memória o que eu já sabia e rabiscando as novas peças do quebra-cabeças. Uma delícia!

É bom? Muito bom! Amei? Sem dúvidas! Porém senti falta de um algo a mais, talvez de um final mais apoteótico e mais surpreendente. Senti vontade de abraçar o livro em diversos momentos, mas, apesar de a história estar completíssima, queria mais. Queria que superasse A Sombra do Vento… e não supera. É o único defeito.

São quase mil páginas e eu leria outras tantas. Zafón consegue prender o leitor do começo ao fim, com um ritmo frenético e uma linguagem elegante e quase poética, com personagens que exalam amor pelos livros e faz derreter o coração daqueles que compartilham dessa paixão.

Assim como um dia encontrarei aquele guarda-roupa que leva a Nárnia e aquela plataforma que leva a Hogwarts… Cemitério dos livros esquecidos, me aguarde, um dia lhe encontrarei.  ❤

4.5 Estrelas 5 corações

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o-labirinto-dos-espiritos

resenha dos demais livros da série

A Sombra do Vento (aqui)

O Jogo do Anjo (aqui)

O Prisioneiro do céu (aqui)

Sinopse: Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere, já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo. Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível. “O Labirinto dos Espíritos” é uma história electrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com “A Sombra do Vento”, que alcança aqui toda a sua intensidade e tracejado, que por sua vez desenha uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

9 respostas em “O Labirinto dos Espíritos (O Cemitério dos Livros Esquecidos #4), Carlos Ruiz Zafón

  1. Parabéns pela resenha.
    Onde vc conseguiu.comprar esse livro. Vi que no Brasil só será lançado no segundo semestre de 2017

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  2. Olá esse livro traz algo a respeito do David Martin e do Andreas Corelli?
    Fiquei extremamente curiosa em relação às esses dois personagens

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    • Olá, Ingrid. Traz sim, é o desfecho da quadrilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos, então envolve todos os personagens dos 3 livros anteriores e nos acrescenta outros. Tem bem mais de David Martin na verdade que de Andreas Corelli. :)) É tão gostoso de ler quanto os outros!

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  3. Adorei a resenha.. está de parabens.. se um dia achar a entrada do cemiterio dos livros esquecidos, me avisa tá… eu me perderia lá dentro..kkk… Amo os livros dele, foi por causa da Sombra do vento que cai de cara nesse mundo tão maravilhoso… Li quase todos os seus livros e tenho eles tbm.. Zafon consegue viciar as pessoas em suas palavras. Eu era uma pessoa que não gostava de ler, agora.kkk.. vicio puro..
    Até chego a escrever algumas historias.
    Com tudo é isso, estou anciosa para ler esse livro e realmente Daniel é inesquecivel.

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  4. Cara… Amei a resenha e tô ansiosa demais para ler o livro. Só não leio em espanhol porque ainda não domino totalmente a língua. Essa quadrilogia é muito especial para mim e sério, os livros do Zafón são maravilhosos demais, tenho todos e falta apenas esse para a minha coleção. ❤

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  5. Olá!

    Adorei a obra mas confesso que ficaram umas pontas soltas às quais não consegui encontrar resposta. Uma vez que disseste que todas as dúvidas ficaram respondidas no “Labirinto dos espíritos”, gostaria de que talvez pudéssemos partilhar opiniões. Ficou bem sublinhado que o David Martin encontrava-se muito doente, e por isso todo o enredo à volta do Andreas Corelli foi imaginação dele. Isso deixa duas perguntas pendentes que o último livro não consegue responder: Afinal quem então assassinou Cristina? Afinal quem então assassinou Barrido e Escobillas? A dada altura cheguei a pensar que talvez tivesse sido o Martin no meio da sua loucura e crença, mas o escritor remete-nos a acreditar que isso não é uma possibilidade.

    Obrigada 🙂
    Ana

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