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Autor: Ivan Turguêniev
Literatura Russa / Clássico / 1001 livros
Editora: Cosac Naify
Páginas: 352
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1862

 

Pais e Filhos foi lançado em 1862 e para que entendamos bem a grandiosidade desta obra devemos contextualizá-la muito bem. A Rússia passava por um momento de grande impacto social: o fim da servidão, regime em que o camponês era propriedade do dono da terra. Turguêniev, brilhantemente, não só faz um panorama deste novo cenário, como se aproveita dele para nos mostrar com mais intensidade as relações entre pais e filhos e as divergências de pensamento entre essas diferentes gerações.

Arkádi acaba de terminar a faculdade e resolve retornar, ao lado de seu amigo Bazárov, à propriedade de seus pais. Eis onde tudo começa. Da propriedade da família de Arkádi à da família de Bazárov, passando – estrategicamente (e, por que não, romanticamente?) – pela casa de Ana Serguêievna, Turguêniev vai nos apresentando as ideias e as atitudes das diferentes gerações, desde o pai que tenta se modernizar, às mães e seu amor irrestrito, até o tio conservador que não aceita tudo facilmente.

Bazárov se considera um niilista, aquele que não crê em nada, que se recusa a seguir regras e a reconhecer autoridades. É um personagem fantástico, mas de uma arrogância que me deu raiva. Turguêniev o coloca – aparentemente – em um pedestal, como se ele fosse o herói de tudo. Mas… mas… aparentemente. Ou, ironicamente!, já que o autor nos mostra que o niilismo de Bazárov não se sustenta por completo.

Então, quem estava certo? Os tradicionalistas ou os niilistas? Nem um, nem outro. Nem Pável, o tio conservador de Arkádi, nem Bazárov, seu antagonista. Turguêniev alfineta os dois lados, ambos sucumbem – aqui e acolá – ao que rechaçam.

E os pais? Sempre os pais! Sempre presentes, sempre ali, faça chuva ou faça sol! Dispostos a tudo, inclusive a não falar com seus filhos, se assim o desejarem. Como somos imaturos aos 20 e poucos anos! Como entendemos pouquíssimo da maternidade quando ainda não somos mães… Deu para sentir o que sentiram os pais de ambos os jovens, sem que Turguêniev precisasse sequer nos descrever.

O amor, diante de tanta negação, é, talvez, o maior vencedor desse livro. Ou sou eu que vejo amor em tudo… É para os braços dos pais que os filhos voltam, é nos braços da amada que os jovens querem estar, por mais que queiram romper com qualquer ideia do romantismo.

Turguêniev abordou diversos temas de forma simples, contando uma história que quase não tinha o que contar, mas que, incrivelmente, traz uma profunda reflexão para o leitor acerca das relações humanas. Nem niilismo, nem tradicionalismo, Pais e Filhos é muito mais que meros conceitos. Muito bom!

5 Estrelas

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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pais-e-filhos

Sinopse: Traduzido pela primeira vez diretamente do russo para o português, este clássico é responsável por uma das maiores polêmicas da literatura russa. No início da década de 1860, dois eventos transformaram significativamente a sociedade russa: o fim da servidão e a fundação do movimento Terra e Liberdade, organização secreta que lutava contra as autoridades e instituições oficiais. A abordagem desse contexto fez com que Pais e filhos despertasse uma das maiores fendas da história da literatura russa. O termo “niilista” se popularizou e Ivan Turguêniev (1818-1883) foi acusado de ser responsável por atos criminosos cometidos por radicais influenciados por sua obra. Na trama, o jovem Arkádi Nikolaitch, acompanhado de seu amigo e mentor Bazárov, volta à propriedade de sua família após formar-se na universidade. Bazárov é um personagem singular: despreza qualquer autoridade, é antissocial e se autoproclama um “niilista”.