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Autor: J.D. Salinger
Clássico Moderno / Lit. Americana / 1001 livros
Editora: do Autor
Páginas: 251
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1951

 

O apanhador no campo de centeio, de Salinger, estava na minha lista de leitura há bastante tempo, mas eu sempre adiava na esperança de que lançassem uma edição menos feia e com um preço melhor. Terminei gastando quase 80 reais nessa edição em capa mole, sem arte, com péssima diagramação e páginas brancas, muitas falhas de revisão e uma tradução que pode não agradar a todos.⠀

Quando comecei a leitura, estranhei o linguajar vulgar e as gírias esquisitas. Fui atrás do original e me deparei com um texto cheio de palavrões, gírias e muitas, muitas contrações. Meu desconforto com a edição brasileira pode ter sido pelo uso de gírias muito regionais que eu desconhecia. [Debatendo o livro com uma amiga, ela me disse que eram gírias antigas, usadas naquela época, e por isso mesmo ela gosta da tradução, que mantenha vivas essas expressões.] Em algumas situações, não dá pra entender mesmo a intenção da tradução, como quando alguém diz “Oba”, o colega responde “oba”, e no original era simplesmente “hi” e “hi”. Confesso, xinguei os tradutores, coitados, não tinham tanta culpa assim. É o tipo de escrita que, inevitavelmente, se perde na tradução, por melhor que ela seja. Se você lê em inglês, não pense duas vezes.⠀

The Catcher in the rye é narrado em 1ª pessoa por um adolescente cheio de conflitos, que acaba de ser expulso de mais uma escola. Holden não gosta de nada, não consegue se interessar por nenhuma atividade e está sempre meio revoltado com tudo e todos que o cercam. O protagonista critica tanto os outros que termina ele mesmo sendo digno de pena do leitor. [Teria aí alguma referência ao Misantropo de Molière?]

É assim, meio sem começo, sem meio ou fim, meio sem história. É como entrar na cabeça de um adolescente, mas de forma alguma é como se um adolescente o tivesse escrito. Ele não nos daria tantas informações irrelevantes e tão sem graça. Salinger conseguiu escrever um livro que diz muito através do superficial, do banal e do irrelevante. Todo esse dar-de-ombros, esse desejo de fuga e essa inconsistência resultou em um retrato do adolescente perdido.⠀

Tive uma adolescência tranquila, cheia de amigos, então não me identifiquei com o protagonista, mas certamente aquele que se isolou mais nessa fase da vida verá a si mesmo em algumas dessas páginas.⠀

A leitura não foi nada do que eu esperava [mas que mania pretensiosa essa de querer adivinhar o que nos trazem os clássicos, ein?!], mas foi incrível e com cara de que ressoará por muito tempo nas minhas lembranças.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.