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Autor: Sándor Márai
Literatura Húngara
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 448
Ano: 2008
Ano de Publicação Original: 1941

 

Mais um livro de Sándor Márai e aqui estou, novamente, tentando escolher as palavras adequadas para expressar o que ele me faz sentir.

De verdade fala sobre casamento e separação, sobre amores e dissabores, sob a perspectiva de quatro personagens, cujas histórias se completam – ou se despedaçam. Uma esposa que tentou a todo custo conquistar o amor de seu marido; um homem que nunca se libertou de uma antiga obsessão; uma mulher amargurada, que jamais aceitou o que a vida lhe deu; e um amante obrigado a fugir de seu país no pós-guerra.

Como sempre, Márai nos traz um enredo muito simples. São as palavras que brilham, que sufocam e que encantam. O autor vai lá no fundo da alma de seus personagens, para tocar e ferir o leitor sem piedade.

Márai consegue sugar todas as minhas forças e tirar todo o meu ar. É poético, denso, e fala com maestria sobre os sentimentos. Todos os sentimentos! Dá um peso quase palpável à mágoa que chega a doer.

A sensação que dá é que ele não lhe leva para dentro das páginas, mas para debaixo delas. E, como se não bastasse tudo isso, nos ambienta muito bem na Budapeste que ainda sofria com os horrores da guerra e nos mostra o declínio daqueles que tinham tudo e viram suas vidas se despedaçarem.

Sándor Márai tem o poder de me prender completamente na magia de suas tristes e sábias palavras. Vale, e como vale, a leitura.⠀

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Sinopse: Numa confeitaria de Budapeste, Ilonka conta a uma amiga a história de seu casamento desfeito, e relembra a inutilidade do esforço para conquistar a alma do ex-marido, encantado desde a juventude por Judit, uma simples criada. Depois, na atmosfera carregada de um café, Péter, o ex-marido de Ilonka, narra a um amigo a sua versão sobre a separação. 
Trinta anos mais tarde, na cama de um quarto de hotel em Roma, Judit fala ao novo namorado, músico, sobre a união fracassada com Péter, condenada de início pelo abismo existente entre seu ressentimento indissolúvel e as amarras impostas a seu parceiro, nobre por herança e filiação. 
Finalmente, em Nova York, o baterista de cabaré, o último confidente de Judit, faz uma crítica áspera da ditadura da sociedade de consumo, responsável pelo fim do sonho americano. 
Escrito ao longo de quatro décadas, e na voz de quatro narradores, De verdade disseca os conflitos do amor e do casamento, além de revelar os bastidores da burguesia decadente da Europa Central entre as duas grandes guerras. 
Demarcando com agudeza a fronteira intransponível que separa as classes sociais, o romance reabre as cicatrizes de uma capital agonizante, sitiada pelas tropas comunistas.