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Autor: Thomas Mann
Lit. Alemã / Clássicos / 1001 Livros / Nobel
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 600
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1947

 

Comecei a leitura de Doutor Fausto sem ter muita noção da dimensão da obra que tinha em mãos. Sabia apenas que era uma releitura da famosa lenda fáustica alemã, na qual o médico vende sua alma ao diabo em troca de tempo de vida para fazer grandes descobertas científicas. Como amante da música, o que mais me interessava não era a lenda, mas o fato de narrar a vida de um compositor alemão, ainda que fictício.

Li aquelas primeiras páginas umas trocentas vezes. Ia e voltava, não entendia muita coisa. Então, resolvi continuar mesmo sem compreender tudo o que lia para ver no que dava. E o que surge diante dos meus olhos são capítulos maravilhosos, sensacionais, seja sobre música, seja sobre guerra, intercalados com uns capítulos malucos, de quebrar a cabeça.

Ambientado na Alemanha da primeira metade do século XX, Doutor Fausto nos conta a história do músico Adrian Leverkühn, narrada por Serenus, seu amigo de infância, que tem uma profunda admiração pelo compositor.

Após ter se relacionado com Esmeralda, uma prostituta, e contraído sífilis, Adrian, doente, faz um pacto com o diabo – em um capítulo de tirar o fôlego – no qual vende sua alma e a capacidade de amar em troca de 24 anos de uma carreira brilhante na música. Acompanhamos, estupefatos, todo esse período de apoteose musical até o momento em que ele decide convidar amigos para uma, digamos, apresentação final.

Até a metade do livro, apesar de ter uns capítulos de cair o queixo, eu não imaginava que ia gostar tanto desse livro. Foi uma leitura das mais difíceis que já fiz e a que me deixou mais eufórica quando concluí. Os capítulos finais são apoteóticos, indescritíveis. Eu tinha vontade de ler tudo em voz alta, de marcar todos os trechos, de mostrar a todo mundo aquilo que lia. Thomas Mann é genial.

Durante todo o livro o autor fala muito de música e composição, o que pode deixar a leitura ainda mais difícil para quem nada entende do assunto. Para quem ama a música, como eu, é de entrar em êxtase. Fala de polifonia, fuga, adagio, harmonia, coro… fala de partitura, de dodecafonia, faz referências a músicos como Wagner e traça paralelos com a 9a Sinfonia de Beethoven. É de pirar!

Além de tudo, o personagem ainda é considerado uma alegoria da Alemanha da época, daquela Alemanha que se rendera ao nazismo após a Primeira Guerra. Quando ficamos sabendo disso, tudo cresce ainda mais. É, repito, apoteótico, genial, sensacional.

Não tenho palavras para descrever como queria a experiência dessa leitura, que entrou, sem dúvidas, para minha lista de favoritos. Leiam! Vale cada gota de suor.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

 

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Sinopse: Último grande romance de Thomas Mann, Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio — uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.