Os melhores livros lidos em 2016 e Três livros para 2017

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Início de um novo ano, época de fazer um balanço de tudo que fizemos no ano que passou, do que gostamos, do que poderíamos ter feito melhor e dos desafios que cumprimos. Época também de traçar novos planos e de agradecer por tudo de bom que nos aconteceu.

E para quem fala sobre literatura, claro, é época de escolher as melhores leituras do ano e selecionar novos – e grandiosos – desafios!

Foram 7.846 páginas lidas em 2016, segundo o Skoob! Cumpri minha meta “quantitativa” (com qualidade, claro), mas não cumpri todos os desafios que me propus no início de 2016. Além dos 30 livros aleatórios, me desafiei a ler Guerra e Paz, A Divina Comédia e Anna Kariênina, {eu estava bem modesta rs}

De Guerra e Paz li umas 1350 páginas logo no início de 2016, estava adorando, mas quando cheguei ao 3° tomo desanimei. Não desisti, rs, pretendo retomar em 2017. Esse desânimo me levou a nem começar Anna Kariênina, do mesmo autor. (mas não saiu da meta!) Já A Divina Comédia {terminei Paraíso nos acréscimos do 2° tempo, ainda vem resenha por aí} foi uma experiência maravilhosa, uma ótima surpresa!

Mas, vamos ao que interessa, vamos aos melhores!

 

Melhor Leitura de 2016: Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa

Que livro! Que final! Que personagens! Só posso insistir que leiam, mas não deixem que minha euforia gere tantas expectativas. É um livro simples e genial ao mesmo tempo. É uma história comum, de gente comum, mas que tem algum pozinho mágico inexplicável em suas páginas que emociona e cativa o leitor.

Resenha aqui.

Melhor “Tem que Ler”: A Revolução dos Bichos, de George Orwell

A Revolução dos Bichos é sensacional! Ainda me pergunto porque não o li antes!!! Leitura obrigatória, sem dúvidas, bem elucidativa e cheia de citações de cair o queixo de tão atuais que são. Incrível!

“Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros.”

Resenha aqui.

 

Melhor Livro de Não-Ficção: A Civilização do Espetáculo, de Mario Vargas Llosa

A Civilização do Espetáculo traz reflexões e opiniões bem lúcidas e ponderadas de Vargas Llosa – vencedor do Nobel de Literatura de 2010 – acerca da cultura e do comportamento das pessoas nos dias de hoje. Foi uma leitura tão boa que acabei uma caixa de marcadores, rs, e ainda não consegui escrever uma resenha. Prometo fazê-la!!

 

 

Escolher os melhores nunca é fácil, já que cada livro (os bons!) traz algo especial. Eu poderia citar Édipo Rei (resenha aqui) como leitura que me surpreendeu, poderia citar O Pomar das Almas Perdidas (resenha aqui) como leitura que mais me tocou ou Liturgia do Fim (resenha aqui) como leitura mais poética e sensível. Poderia ainda citar O Barco das Crianças, de Vargas Llosa, como melhor infantojuvenil e Um, dois e já (resenha aqui) como leitura mais nostálgica. Foram ótimas leituras! Na verdade, tenho lido cada vez menos livros ruins pelo simples fato de que passei a abandonar, sem dó nem piedade, leituras que não me conquistam. Alguns eu insisto, mas geralmente me arrependo. rs! 2016 foi bom, mas pretendo que 2017 seja O ANO!  rsrs

 

Três livros para 2017 

Quero ler tanta coisa que foi bem difícil escolher os três desafios de 2017, rs. Mas, vamos lá, terminei escolhendo:

  1. A Montanha Mágica, de Thomas Mann
  2. Dom Quixote de la Mancha, de Cervantes
  3. David Copperfield, de Charles Dickens

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Tenho outros calhamaços em andamento, como Decameron, de Boccaccio, e Outono da Idade Média, que passaram “automaticamente” para meta – e desafio – desse ano. Já adianto que os dois são INCRÍVEIS, leituras maravilhosas, para se ler aos poucos, sem pressa!

Quanto a meta quantitativa, não sei… A cada ano me importo menos com ela 🙂

Em 2016 tirei alguns poucos livros da Jarra de TBR – livros para ler, mas confesso que não me agradou muito a ideia de pegar um livro aleatório demais, já que pra mim cada momento pede um tipo de história diferente. No entanto, é ela quem faz andar – mesmo que lentamente – a pilha de livros “encostados”, então aqui e acolá vou puxar uma estrelinha dessas também.

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E a meta de vocês? Todo mundo organizando e planejando as leituras do ano?!

Aproveito para desejar a todos um Ano Novo maravilhoso, cheio de amor e muitas realizações, com histórias deliciosas, livros encantadores e personagens apaixonantes.

Muito obrigada a todos que me acompanharam por todo esse ano!

Grande abraço, com carinho,

Caroline Gurgel

 

A Bela e a Fera, Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve

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Autores: Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve
Clássico / Literatura Francesa / Infantojuvenil
Editora: Zahar
Páginas: 238
Ano: 2016
Ano de Publicação Original: 1756 e 1740

 

A Bela e a Fera é, sem dúvidas, meu conto de fadas preferido da Disney. Sempre me encantei com a transformação da Fera através da bondade da Bela e com a mensagem de que o amor e pequenos gestos de carinho podem mudar as pessoas.

A edição da Zahar traz duas versões do conto e diz, inclusive, que a história pode ter sido baseada em fatos reais, numa suposta fera. A versão mais conhecida e a que deu origem ao desenho da Disney é de 1756, uma adaptação de Madame de Beaumont da versão “original”, escrita por Madame de Villeneuve em 1740. A “original” tem cerca de 160 páginas e um linguajar mais adulto, enquanto a chamada “clássica” é bem curtinha, menos de 30 páginas, e claramente voltada para o público infantil.

clássica é parecida com a história que conhecemos, mas com muitos detalhes diferentes e bem menos românticos. Não temos a mendiga que transforma o príncipe em Fera, não temos Gaston, que enciumado tenta matar a Fera, não temos os objetos falantes e a linda e gigantesca biblioteca não passa de uma estante. As circunstâncias que levam o pai de Bela ao castelo são diferentes da do filme, assim como a que leva Bela a rever o pai e a decidir retornar para a Fera. A Bela, prisioneira da Fera, recebe todas as noites um pedido de casamento, o que deixa tudo muito forçado.

A versão original começa maravilhosamente bem, com um linguajar elegante, rica em detalhes e parecia que ia me conquistar. Mas… não foi bem assim. Até a metade a história vai bem, mas depois se perde em um mar de explicações mirabolantes e uma genealogia confusa. A Bela era uma princesa (e prima da Fera) e a bruxa era uma fada que criara o príncipe; havia ainda uma segunda fada, que comandava os sonhos (muitos sonhos) da Bela para que ela se apaixonasse pela Fera e, assim, quebrasse o feitiço. Ou seja, não há aquela transformação natural que tanto me encantou no filme da Disney. A Bela, simplesmente, do nada, puff, se apaixona pela Fera, que incansavelmente lhe perguntava todas as noites se Bela aceitava “dividir o leito com ela”.

Gostei do fato de que as histórias são contadas sem que ninguém tenha um nome próprio. As pessoas são a bela, a fera, a fada, a rainha, o velho, as irmãs. Gostei, no geral, do texto e adorei as ilustrações (coloridas!) da edição da Zahar. No entanto, não senti que a Fera merecia, nem por um segundo, o amor da Bela. Nem tampouco senti que a Bela havia se apaixonado, afinal, nem tinha um porquê!

Não levem minhas palavras tão a sério, não é tão ruim assim, rs, apenas me decepcionei um pouco. [Poxa, cadê o amor da Bela pelos livros?! Cadê a magia?!] Contudo, foi bom conhecer a história original. Nada de extraordinário, apenas interessante.

3.5 Estrelas

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Sinopse: A versão original do clássico que inspirou o novo filme da Disney, estrelado por Emma Watson

Adaptado, filmado e encenado inúmeras vezes, o enredo de A Bela e a Fera vai muito além da jovem obrigada a casar com uma horrenda Fera que no final se revela um lindo príncipe preso sob um feitiço. Nessa edição bolso de luxo da coleção Clássicos Zahar você encontra reunidas duas variantes da história.

A versão clássica, escrita por Madame de Beaumont em 1756, vem embalando gerações e inspirou quase todos os filmes, peças, composições e adaptações que hoje conhecemos. A versão original, que Madame de Villeneuve publicara em 1740, é de uma riqueza espantosa, que entre outras coisas traz as histórias pregressas da Fera e da Bela e dá voz ao monstro para que ele mesmo narre seu destino.

Toda em cores e ilustrada, essa edição conta com ótima tradução do premiado André Telles, uma apresentação reveladora e instigante assinada por Rodrigo Lacerda e cronologia das autoras. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

 

Esqueceram de mim – Home Alone, John Hughes

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Autor: John Hughes
Ilustrador: Kim Smith
Literatura Infantil / Natal / Livros em Inglês
Editora: Quirk Books
Páginas: 40
Ano: 2015

 

Sou daquelas que já assistiu Esqueceram de Mim um zilhão de vezes e assistiria mais outras tantas vezes. Quando vi a carinha de Kevin Mcallister na livraria, não resisti.

O livro é recente, posterior ao filme, pegando carona no seu sucesso, mas… quem se importa? É bem infantil, com textos curtos, mas contempla bem todo o filme. As ilustrações são lindas, com cores vivas e bem a cara do Natal.

Home Alone é daqueles livros fofos que estimulam a leitura nos pequeninos, e como as crianças estão, a cada dia, aprendendo o inglês mais cedo, certamente vale o investimento. Uma fofura para os pequenos, uma nostalgia sem fim para os “grandinhos”, rs ❤

4 Estrelas

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Esse livro:

Ilustrado *** Para ler em família *** Para crianças bilingues: Preschool 3 (4 a 8 anos)

HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Eight-year-old Kevin McCallister wished his family would disappear. He never thought his wish would come true! The classic movie you know and love is now an illustrated storybook for the whole family—complete with bumbling burglars, brilliant booby traps, and a little boy named Kevin who’s forced to fend for himself. Can he keep the crooks from entering his house? And will his family return in time for Christmas? With an amusing read-aloud story and enchanting, immersive illustrations, this charming adaptation can be enjoyed year after year alongside The Polar Express, How the Grinch Stole Christmas, and other Christmas storybook classics.

O Labirinto dos Espíritos (O Cemitério dos Livros Esquecidos #4), Carlos Ruiz Zafón

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AUTOR: CARLOS RUIZ ZAFÓN
LITERATURA ESPANHOLA / mistério
EDITORA: planeta
PÁGINAS: 928
ANO: 2016

 

O Labirinto dos Espíritos é o quarto e último livro de O Cemitério dos Livros Esquecidos, uma das minhas séries favoritas. Os livros podem ser lidos fora de ordem, pois as histórias se sobrepõem e se complementam. Como o autor diz, é uma história com quatro portas de entrada diferentes, e isso é o mais mágico de tudo. Contudo, ainda prefiro a ordem de lançamento: A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos.

A Sombra do Anjo tem seu foco em Daniel Sempere, O Jogo do Anjo em David Martín e Isabella Gispert e O Prisioneiro do Céu conecta os dois primeiros livros e nos dá um pouco mais de Fermín. Então, o que traz o quarto livro? Traz mais uma personagem forte, nos traz Alicia!

O enredo se desenvolve em torno do sequestro de Mauricio Valls, vilão já conhecido do leitor. Alicia e Vargas são contratados para ajudar a desvendar o caso, mas terminam descobrindo muito mais do que deveriam e arriscando suas vidas. Claro, os mistérios estão conectados com os livros anteriores.

É o mais policial dos quatro livros, especialmente a primeira metade – a que mais gostei. Como lhe é peculiar, Zafón recheia suas páginas com intrigas, desaparecimentos, assassinatos, drama, paixão e uma pitada de humor.

A sombria Barcelona de outrora continua a encantar, o cemitério continua mágico e inspirador e a livraria dos Sempere ainda nos deixa com aquele sorriso bobo no rosto.

O que dizer de Alicia? Essa personagem, uma referência a Alice no país das maravilhas, me encantou profundamente. Bem construída, cheia de camadas, dramática, complexa e, ao mesmo tempo, tão transparente. Vargas? Prefiro não entregar o jogo… (Zafónzito, quiero matarte!)

Assim como nos demais volumes, em O Labirinto a metaliteratura está sempre em cena. Zafón nos presenteia com uma literatura que referencia – e reverencia – grandes obras, mas de forma despretensiosa e sutil. É um livro de entretenimento de qualidade, bem escrito, muitíssimo bem construído e com personagens inesquecíveis. INESQUECÍVEIS! Como esquecer Daniel Sempere?! Impossível!

A história é toda redondinha, sem pontas soltas, mas tem algo que pode incomodar aos mais cricris. Ao longo das investigações, repete-se muito as mesmas informações, sempre com algum acréscimo, mas ainda assim são muitas repetições. Elas ajudam, na verdade, o leitor a não se perder em meio a tantas épocas e tantos fatos distintos. Fiquei o tempo todo pondo em ordem os acontecimentos, puxando da memória o que eu já sabia e rabiscando as novas peças do quebra-cabeças. Uma delícia!

É bom? Muito bom! Amei? Sem dúvidas! Porém senti falta de um algo a mais, talvez de um final mais apoteótico e mais surpreendente. Senti vontade de abraçar o livro em diversos momentos, mas, apesar de a história estar completíssima, queria mais. Queria que superasse A Sombra do Vento… e não supera. É o único defeito.

São quase mil páginas e eu leria outras tantas. Zafón consegue prender o leitor do começo ao fim, com um ritmo frenético e uma linguagem elegante e quase poética, com personagens que exalam amor pelos livros e faz derreter o coração daqueles que compartilham dessa paixão.

Assim como um dia encontrarei aquele guarda-roupa que leva a Nárnia e aquela plataforma que leva a Hogwarts… Cemitério dos livros esquecidos, me aguarde, um dia lhe encontrarei.  ❤

4.5 Estrelas 5 corações

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resenha dos demais livros da série

A Sombra do Vento (aqui)

O Jogo do Anjo (aqui)

O Prisioneiro do céu (aqui)

Sinopse: Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere, já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo. Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível. “O Labirinto dos Espíritos” é uma história electrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com “A Sombra do Vento”, que alcança aqui toda a sua intensidade e tracejado, que por sua vez desenha uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

Purgatório (A Divina Comédia #2), Dante Alighieri

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AUTOR: DANTE ALIGHIERI
CLÁSSICO / LIT. ITALIANA / POEMA ÉPICO
EDITORA: 34
PÁGINAS: 224
ANO: 2010
ANO DE PUBLICAÇÃO ORIGINAL: APROX. 1304 – 1321

 

Os comentários abaixo não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que está lendo A Divina Comédia pela primeira vez, portanto, leiga na obra de Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

A Divina Comédia entrou para minha meta de leitura desse ano como um desafio e o quanto passei a gostar da obra foi uma grata surpresa. Fiz algumas pesquisas antes de iniciar o primeiro livro e coloquei alguns pontos que achei interessantes no post sobre Inferno (ver aqui). Para os leigos em Dante, como eu, a “ajuda” é imprescindível para uma melhor compreensão do texto.

A leitura de Inferno foi um pouco difícil, mas não tanto quanto a do Purgatório. O segundo livro requer muito, mas muito mais repertório e conhecimento do que o primeiro. Eu penei – em todos os sentidos – mas a medida em que fui avançando e compreendendo melhor os círculos, fui gostando mais do que lia.

Assim como em Inferno, no Purgatório também temos 9 círculos a serem percorridos por Dante. São dois ante-purgatórios e mais sete cornijas, cada uma correspondendo a um pecado capital.

Para a gigantesca montanha que é o Purgatório, vão aqueles que se arrependeram ainda em vida. No Canto IV, ficamos sabendo que a subida é tão íngreme que é necessário usar pés e mãos, mas que a medida em que avançamos, ela se torna cada vez mais fácil. (Diferente do Inferno, onde quanto mais se desce piores são os pecados, no Purgatório, quanto mais se sobe, mais leve e mais perto do céu se fica.)

Na porta do Purgatório (Canto IX), o anjo grava sete “Ps” na testa de Dante, que serão lavados um a um, a medida em que ele for passando de uma cornija para a outra. Passadas essas cornijas, Virgílio, que não tem acesso ao Paraíso, se despede de Dante.

A partir daí, foi, para mim, a parte mais empolgante e bonita do livro, quando chegamos ao Paraíso Terrestre – ou Jardim do Éden – encontramos Beatriz e vemos o arrependimento e purificação de Dante para que ele siga sua jornada.

Contando assim até parece bem simples, mas o livro é cheio de simbologias e referências para serem desvendadas. Há, certamente, quem vá compreendê-las sem ajuda, mas no meu caso fui salva pelas notas da edição da editora 34.

Por exemplo, leio no Canto XXIX,

“a virtude, da qual o juízo emana,
candelabros me fez reconhecer
e, nas vozes do canto, ouvir ‘Hosana'”,

os candelabros simbolizam os dons do Espírito Santo. Ou, ainda no mesmo canto,

“Vi, depois, de humilde semblante,
e atrás de todos vir sozinho um velho
de olhar dormente, embora penetrante.”

o velho simboliza o Apocalipse. Ou seja, dava para ter entendido o que estava escrito, mas não compreendido seu significado. Com as notas e as pesquisas tudo vai tomando forma, e é aí que entra o entusiasmo e a admiração pela obra.

Outro detalhe que enriqueceu a leitura foi ter acompanhado os famosíssimos desenhos que Gustave Doré fez para A Divina Comédia. (Como tenho uma outra edição antiga, ilustrada, fui seguindo a ordem das ilustrações por ela. Deixo aqui um link de um site  que tem todas as ilustrações de Doré separadas por livro.)

Recomendo para quem quer conhecer a obra e encorajo os que ainda tem medo dela. Não dá para compreender tudo, nem eu teria tamanha pretensão, mas repito o que disse em Inferno, não é um bicho de sete cabeças. Sigamos – felizes – para o Paraíso!

3 corações

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Sinopse: O Purgatório é constituído por uma montanha altíssima que surge do mar no centro do hemisfério austral, contornada por cornijas, ou terraços, que vai se afinando até chegar ao plano do Paraíso Terrestre. A primeira parte da escalada é reservada às almas que, tendo-se arrependido só à última hora, devem aguardar a sua admissão, pela Porta de São Pedro, aos círculos superiores, onde cumprirão as penas diversas, correspondentes aos pecados praticados em vida e que os purgarão para depois serem admitidos ao Paraíso. Esses terraços desenvolvem-se em sete círculos, sobrepostos, nesta ordem: I – Orgulhosos; II – Invejosos; III – Iracundos; IV – Preguiçosos; V – Avaros e Prógigos; VI – Gulosos; e VII – Luxuriosos. Por Italo Eugenio Mauro

O silêncio da água, José Saramago

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Autor: José Saramago
Lit. Infantojuvenil / Nobel / Lit. Portuguesa
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 24
Ano: 2011

 

Diferente do que eu pensava, esse livro não foi escrito especialmente para o público infantil. O Silêncio da Água nos traz um conto não-ficcional extraído do livro Pequenas Memórias do autor. Por ser apropriado para crianças, recebeu ilustrações e uma bela edição póstuma em grande formato e capa dura.

Quando um vencedor de Nobel escreve um livro – no caso um conto – o leitor sempre espera algo genial. Confesso que terminei a leitura decepcionada, querendo algo a mais. Abri o computador para escrever o que achei do livro e tive vontade de relê-lo, mas nem precisei. A história foi tomando forma, foi crescendo, se agigantando tal qual o enorme peixe ilustrado na capa e, ao mesmo tempo, se tornando delicada, como uma simples, mas memorável, lembrança de infância.

Saramago nos conta uma pequena aventura de seu tempo de criança, quando vivia perto do rio Almonda e, ao ir lá pescar, encontra um grande peixe com o qual trava uma breve luta.

O autor sempre expressou seu desejo de que seus livros não deveriam ser adaptados para o português do Brasil, portanto temos aqui um linguajar que talvez soe estranho, mas nada que os pais não consigam explicar. Por mais que o texto seja bem curto e ilustrado, acredito que as crianças menores não consigam compreendê-lo ou achar graça. Já para as maiores, é uma ótima introdução a uma literatura mais realista, menos fabulosa e romântica.

4 Estrelas 3 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** Pouco texto, embora rico *** Palavras Novas

HdP - Selo Família HdP - Selo Crescidinhos

 

 

 

 

 

Sinopse: Em uma tarde silenciosa, um garoto vai pescar à beira do Tejo e é surpreendido por um peixe enorme que lhe puxa o anzol. Infelizmente, a linha arrebenta, deixando-o escapar. Ele corre até a casa dos avós, com a esperança de voltar, rearmar a vara e “ajustar as contas com o monstro”. Claro que, ao alcançar o mesmo ponto do rio, o menino não encontra mais nada, apenas o silêncio da água. Sua tristeza só não é completa pois o peixe, como ele diz, “com o meu anzol enganchado nas guelras, tinha a minha marca, era meu”. 
Esse menino foi José Saramago, que narra neste livro uma aventura de infância que, para ele, culmina em um despertar da lucidez. Ilustrado por Manuel Estrada, este pequeno conto autobiográfico se torna uma fábula de extraordinária beleza e sabedoria.

O sol também se levanta, Ernest Hemingway

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Autor: Ernest Hemingway
Lit. Americana / Nobel / Clássico / 1001 livros
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 272
Ano: 2001
Ano de Publicação Original: 1926

 

Não sou das maiores entusiastas do minimalismo, ao menos não na literatura, mas Hemingway sempre desmonta minhas implicâncias. Mais uma vez, veio provar que não importa o estilo, quando quem o escreve tem um quê de genialidade.

O sol também se levanta nos traz o dia a dia de Jake, um jornalista e o narrador dessa história, de Lady Brett Ashley, uma viúva por quem todos se encantam [inclusive Jake], de Robert Cohn, um escritor em busca de inspiração, e de Mike, um playboy meio escanteado, e a ida deles à Festa de San Fermín, em Pamplona. Juntos formam um grupo de expatriados ingleses e norte-americanos – inspirados no círculo de amizade do próprio autor – vivendo em Paris no período após a Primeira Guerra Mundial.

O livro foi escrito em 1926 e é preciso que o leitor se atente não só ao contexto do pós-guerra, mas ao das touradas. Até então a Festa de San Fermín e suas touradas não eram alvos de protestos. Era simplesmente uma grande e vibrante festa com séculos de tradição. Ser contra as touradas não me fez, portanto, gostar menos desse livro.

Hemingway tem um estilo muito peculiar de texto que é seco, direto, sucinto e aparentemente simples. Usa praticamente tudo que eu digo que não gosto em um livro, como frases curtas, diálogos em excesso [e também curtíssimos] e quase nada de adjetivos. O resultado deveria ser um livro sem graça, com personagens rasos. Deveria. Seria. Se não fosse Hemingway.

Ele diz muito mais do que está escrito, passamos a conhecer profundamente seus personagens sem que ele tenha sequer nos apresentado. Talvez, conseguir deixar implícito nas palavras não ditas a personalidade de cada um seja tão ou mais difícil quanto dizê-las em alto e bom som.

Eles parecem superficiais, mas são apenas personagens marcados pela Guerra, que, mesmo ambiciosos em sua vida artística e intelectual, carecem de sonhos e se embebedam para fugir da realidade e fingir divertimento em busca de inspiração. São integrantes da famosa Geração Perdida, batizada por Gertrude Stein.

É impressionante como o autor conseguiu captar e retratar bem essa geração, não só de forma ficcional como nesta obra, mas também em Paris é uma festa (resenha aqui), livro póstumo com suas memórias dos anos vividos em Paris.

O sol também se levanta é vívido, mesmo que um pouco degradante. É gostoso de ler, mesmo que suas páginas só contemplem um bando de bêbados. É simples sem ser, é complexo sem aparentar. Talvez não seja para todos os gostos {nada o é}, mas vale a tentativa, ao menos pela embriaguez sem que sequer precisemos beber.

4.5 Estrelas 4 corações

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Capa nova <3

Capa nova

 

 

 

 

 

 

Sinopse: O sol também se levanta é uma obra vigorosa que retrata, em estilo direto e despojado, os conflitos e frustrações dos norte-americanos e ingleses que vivem em Paris após a Primeira Guerra Mundial. Numa linguagem acelerada, Hemingway cria personagens que logo se inserem no convívio do leitor, destacando-se, entre eles, como figuras marcadas e marcantes, Jake Barnes, jornalista emasculado por um ferimento de guerra, Lady Brett Ashley, jovem viúva inglesa por quem ele estava apaixonado, Robert Cohn, o escritor em busca de seu caminho, Mike Campbell, o playboy inglês que também fazia a corte a Lady Brett, e Pedro Romero, o toureiro espanhol com quem ela tem um caso.

Para O Sol Também se Levanta Hemingway elaborou tipos humanos complexos, representando assim uma geração contaminada pela ironia e pelo vazio diante da vida, com seus valores morais destruídos pela guerra e irremediavelmente perdidos. Temas como a solidão e a morte, os preferidos do escritor, são explorados de forma brilhante. Escrito originalmente em 1926 e publicado em 1927, este é considerado por muitos como sua obra mais refinada em termos de técnica literária.