O domo de Brunelleschi, Ross King

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Autor: Ross King
florença / história / arquitetura
Editora: record
Páginas: 240
Ano: 2013

 

O Domo de Brunelleschi conta a história da construção da cúpula da catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, desde o lançamento do concurso para a proposta, em 1418, até pouco depois da cerimônia de consagração, em 1446.⠀

A leitura é bem simples e prazerosa, daquela que deixa o leitor querendo ler e saber mais sobre os assuntos relacionados, seja sobre o Renascimento, Brunelleschi, Florença ou sobre a construção de cúpulas.⠀

A genialidade de Filippo Brunelleschi realmente é de encher os olhos. Não só fez o que parecia impossível na época, como ninguém conseguiu fazer igual até hoje.⠀

Olhar para a Duomo, como é chamada, é de deixar qualquer um sem fôlego, sem acreditar que aquilo foi erguido há mais de 5 séculos e ainda continua a surpreender. Em 2010 estive na catedral e pude me deslumbrar com sua beleza, mas não encarei a subida [claustrofóbica] dos mais de 400 degraus [em espiral] até a cúpula [se olharem as fotos dessa escada irão me entender]. No entanto, hoje, depois de ter lido este livro, eu não perderia a oportunidade de subir.⠀

Para quem gosta de História, leitura mais que recomendada, e se estiver com viagem marcada para Florença, leitura obrigatória, rs.

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Sinopse: Em uma época de arranha-céus gigantescos e estádios com cúpulas enormes, verdadeiros feitos arquitetônicos, a catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, conserva o raro poder de fascinar. Este livro conta a extraordinária história de como esta cúpula foi levantada e narra a trajetória de seu arquiteto, o brilhante Filippo Brunelleschi. Denunciado como louco quando começou o trabalho, viveu de forma ambiciosa e ingênua, colecionando rivalidades e intrigas — um drama humano em meio a pragas, guerras, feudos e outros elementos da Renascença florentina, uma era gloriosa e da qual o domo continua a ser o principal símbolo.

Chá de sumiço [2]

Olá, queridos amigos!

Pela segunda vez desde que comecei o blog estou sumida. E pelo mesmo motivo! Em 2015 tive meu primeiro filho, que fez com que meu ritmo de leitura diminuísse por um tempo. Em 2017/2018 tive minha segunda gestação, mas dessa vez não era “apenas” um bebê, mas dois. Sim, gêmeas! Nasceram em abril e, portanto, minhas leituras ficaram em segundo – ou terceiro, quarto, quinto… – plano novamente.

De lá pra cá tentei começar alguns livros, sem sucesso, até que há alguns dias finalmente consegui engatar uma leitura, então acredito estar pronta para, aos pouquinhos, retomar as postagens aqui.

Obrigada aos que me enviaram mensagens carinhosas nesse período, preocupados, querendo saber por onde eu andava. Andava – e ainda ando – em uma loucura inimaginável, mas deliciosa. Três filhos, sendo 2 de uma só vez, com as mesmas necessidades ao mesmo tempo, não é lá brincadeira, como se diz. Mas, vamos lá! Tentarei por a casa em ordem novamente 😉

 

O doente imaginário, Molière

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Autor: Molière
Adaptação: Marilia Toledo
Lit. Francesa / Teatro / Infantojuvenil
Editora: 34
Páginas: 144
Ano: 2010
Ano de Publicação Original: 1673

 

Comprei O Doente Imaginário depois de ter me encantando com Molière em O Misantropo, mas não prestei atenção que a edição da Editora 34 se tratava de uma adaptação feita por uma autora de teatro para o público juvenil.⠀

É explicado na introdução que ela buscou preservar tanto o conteúdo como a forma original da peça, mas simplificando um pouco para que pudesse ser encenada para crianças. Bem, já estava com o livro em mãos, continuei.⠀

A história gira em torno do hipocondríaco Argan, o doente imaginário, que tenta casar a filha com um médico, para facilitar sua vida. A peça se transforma em uma enganação sem fim, com o médico prescrevendo remédios sem necessidade, a esposa tentando arrancar dinheiro do marido, a criada tentando ajudar a filha do doente a casar com quem ama e os pretendentes tentando se passar por boas e inteligentes pessoas.⠀

Dá para notar a intenção de Molière em criticar a hipocrisia de então [e sempre atual], mas certamente muito se perde no texto adaptado. Ciente de que li uma adaptação, preciso analisá-la como tal, mas confesso que esperava mais.⠀

Para o público infantojuvenil, no entanto, é bem divertido e interessante, especialmente como uma introdução ao mundo das peças. A edição traz também um resumo sobre como montar uma peça teatral.⠀

Recomendo, assim, como literatura infantojuvenil. Para quem queria o original, como eu, melhor procurar outra edição.

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Sinopse: Levada ao palco pela primeira vez em 1673, a peça O doente imaginário tornou-se um dos maiores clássicos da comédia e continua a ser encenada até hoje no mundo inteiro. A divertida intriga criada por Molière (1622-1673) tem por base o conflito entre a autenticidade e a hipocrisia. No centro da trama está o hipocondríaco Argan, figura ao mesmo tempo simpática e detestável, que permanece como um dos grandes personagens a que o célebre dramaturgo francês deu vida.
A premiada autora de teatro Marilia Toledo nos oferece agora a sua adaptação da obra, voltada aos jovens, que ressalta toda a graça do original, mantendo-se sempre fiel ao espírito crítico e bem-humorado de Molière. Além das geniais ilustrações de Laerte, a edição inclui um esclarecedor texto sobre o processo de montagem de uma peça teatral.

O conto da ilha desconhecida, José Saramago

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Autor: José Saramago
Lit. Portuguesa / Nobel
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 64
Ano: 1998

 

Que livrinho sensacional! O conto da ilha desconhecida, de Saramago, foi uma grata surpresa. Pequeno no tamanho, gigante nas reflexões que nos traz.⠀

Saramago nos conta sobre um homem que bate à porta do rei para lhe fazer um pedido esquisito: um barco para encontrar uma ilha desconhecida. Depois de muita insistência, eis que o barco lhe é concedido, mas isso não significa que o homem esteja pronto para navegar.⠀

Assim que terminei a leitura, parei e pensei, preciso reler. Agora! Imediatamente. E o fiz. Reli. E deveria [o farei] reler esse conto outras tantas vezes na vida.⠀

Começa com uma crítica aos governos e à burocracia, usando para isso uma espécie de telefone-sem-fio, mostrando a inutilidade de se ter tanta gente fazendo um trabalho que meia dúzia de pessoas poderia desempenhar com maior eficácia. E isso é só um mero detalhe no mar de metáforas que se seguem.⠀

O conto da ilha desconhecida fala de autoconhecimento, das suas dificuldades, de como achamos que não há nada novo a ser descoberto, e Saramago nos convida a nos questionarmos: como saber se não há nada novo? Como veremos a ilha se não sairmos da ilha?⠀

Saramago nos mostra uma “porta das decisões”, por mais difícil que seja ultrapassá-la, não há volta, mas pode haver alívio. Ele fala sobre determinação e perseverança, sobre como é difícil conseguir um barco, e que, mesmo depois de consegui-lo, navegá-lo pode não ser tão fácil.⠀

Para cada leitor, certamente há uma interpretação diferente, portanto não creio ter “estragado” o livro para vocês com minha opinião. Confesso que esperava um final mais pomposo, mas isso não tira o brilho dessa pequenina história cheia de significado.

 

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Sinopse: Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas.
Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Antes, entretanto, ela é submetida a uma série de embates com o status quo, com o estado consolidado das coisas, como se da resistência às adversidades viesse o mérito e do mérito nascesse o direito à concretização. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a idéia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou.
“…Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós…”, lemos a certa altura. Nesse movimento de tomar distância para conhecer está gravado o olho crítico de José Saramago, cujo otimismo parece alimentado por raízes que entram no chão profundamente.
Inédito em livro, O conto da ilha desconhecida é ilustrado por oito aquarelas de Arthur Luiz Piza.

Uma Duas, Eliane Brum

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Autora: Eliane Brum
Literatura Brasileira
Editora: Leya
Páginas: 176
Ano: 2011

 

Uma Duas, da brasileira Eliane Brum, foi um dos livros mais bem comentados nos últimos meses nos grupos de literatura. Dizia-se que era um livro pesado, que doía no leitor. Pois bem, diante disso, pensei que eu seria mais uma leitora a gostar.⠀

O começo empolga, você devora as páginas, gosta da história e teme pelo que estar por vir. Mas isso tudo passa muito rápido, porque o que estava por vir fica logo bem claro e daí para frente não muda muito. Senti como se lesse a mesma coisa do início ao fim.⠀

Dói? Depende. No começo até dá para sentir a dor das personagens, mas depois fica tudo um pouco exagerado e não consegui sentir nada. Foi como se eu tivesse desligado o botão da emoção.⠀

Eu já havia lido há um bom tempo o livro A Pianista (resenha aqui), da austríaca Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel de Literatura de 2004, que tem a mesma temática de Uma Duas: uma relação difícil, doentia e perturbadora entre mãe e filha. A Pianista é, no entanto, sensacional! Denso, pesadíssimo, mas um primor. Talvez, por ter comparado um com o outro – e era inevitável fazê-lo – Uma Duas ficou bem aquém das minhas expectativas e deixou a desejar.⠀

Quer um livro pungente, mas muito bom? Leia A Pianista! Um Duas não é ruim, mas é uma leitura mais, digamos, simples que a da austríaca.

Sinopse: Esta obra trata da relação entre mãe e filha. Desde que seu pai deixou a família, diante de circunstâncias surpreendentes, a jornalista Laura e sua mãe, Maria Lúcia, mantêm uma relação distante, quase inexistente. Porém, um sério problema de saúde de Maria Lúcia acaba forçando a convivência das duas novamente.

Os Pilares da Terra, Ken Follett

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Autor: Ken Follett
Ficção histórica / Idade Média
Editora: Rocco
Páginas: 944
Ano: 2012

Ken Follett já tinha me conquistado quando eu lera a trilogia O Século (Queda de Gigantes, Inverno do Mundo e Eternidade por um fio), mas, por mais que eu já esperasse gostar de Os Pilares da Terra, não imaginava que devoraria tão rápido suas quase mil páginas.

A história se passa na Inglaterra do século XII, em plena Idade Média, quando o clero tinha muito poder político e seus membros de alto escalão se metiam em negociações com a nobreza. A trama se desenrola em torno da construção da catedral do priorado de Kingsbridge e envolve muitos – e cativantes – personagens. Em meio a isso, temos grandes disputas ocorrendo, como uma guerra entre herdeiros do trono e de um condado.

Não temos apenas um protagonista, mas muitos personagens cuja importância não consigo enumerar, o que me parece uma característica já do autor e parte de sua fórmula de sucesso. Com isso, viramos as páginas sem perceber e não conseguimos parar de ler.

Além de toda a ação ininterrupta e do ritmo frenético, ainda nos deparamos com as descrições – mesmo que básicas – das catedrais da época e suas escolhas construtivas e arquitetônicas, como suas proporções, o formato dos arcos e das abóbadas, seus vitrais e a entrada de luz, tipo de pilares, uso de nervuras, distribuição de carga, quantidade de naves e a forma do coro. Um extra para arquitetos como eu, ou para quem se interessa pelo assunto.

A tudo isso, acrescente um pano de fundo histórico super interessante. Ken Follett, mesclando personagens fictícios a reais, nos transporta para a Idade Média e vivenciamos um pouco do funcionamento da vida do povo, do clero e da nobreza. Gostei, em especial, do fato de o autor não colocar todos os padres da época no mesmo “balaio”. Não eram todos corruptos, nem todos santos.

Ken Follett é, sem dúvida, um mestre do entretenimento e Os Pilares da Terra merece o sucesso que tem já há alguns anos.

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Sinopse: Um mergulho na Inglaterra do século XII através da saga da construção de uma catedral gótica. Emocionante, complexo, pontilhado de coloridos detalhes históricos, Os Pilares da terra, de Ken Follett, é um clássico que traça o painel de um tempo conturbado, varrido por conspirações, intrincados jogos de poder, violência e surgimento de uma nova ordem social e cultural. O livro, que há mais de 20 anos conquista novos leitores e já vendeu mais de 18 milhões de exemplares em 30 idiomas, volta agora às livrarias em volume único, capa dura, cuidadoso projeto gráfico e preço competitivo.

Caravaggio, Gilles Lambert

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Autor: Gilles Lambert
Arte / Biografia
Editora: Taschen
Páginas: 96
Ano: 2015

 

Caravaggio é um dos meus pintores favoritos, mas, apesar disso, eu quase nada sabia sobre sua vida. Foi tão genial quanto foi polêmico, tinha tanta facilidade de pintar quanto tinha de se meter em brigas e confusões.

Gostava de chocar e burlava até as próprias encomendas que lhe faziam colocando algo escandaloso nelas. Diferente dos seus colegas, pintava no escuro e escolhia como modelo para suas criações o povo da rua, prostitutas, mendigos. Seus quadros tinham sempre um jogo de luz e sombra, uma dramaticidade e um realismo impressionantes.

Foi um gênio, isso é indiscutível. Esta edição da Taschen nos traz um breve panorama de sua obra e vida, em um texto resumido e simples, porém bom. Dá para ter uma boa noção de quem foi Caravaggio e do que está por trás de suas telas. Não entra, no entanto, em quesitos técnicos de pintura.

Faz parte de uma coleção bem acessível e cumpre o que promete, em um material gráfico de excelente qualidade, com papel apropriado e muitas ilustrações. Para quem quer ler uma biografia completa, este não é o melhor livro, mas para quem quer saber um pouco sobre o pintor, vale bem a pena.

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Sinopse: Este livro apresenta um resumo cronológico detalhado da vida do artista, e da obra, cobrindo sua importância histórica e cultural. Cerca de 100 ilustrações a cores, com comentários explicativos além de uma biografia concisa.