O Ruído do Tempo, Julian Barnes

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Autor: Julian Barnes
Ficção Histórica / Música
Editora: Rocco
Páginas: 176
Ano: 2017

 

Uma biografia meio romanceada de um dos maiores compositores do século XX, escrita por um autor consagrado com um Man Booker Prize. Foi assim que O Ruído do Tempo me foi apresentado. Prometia boa literatura e um pouco da vida de Shostakovich, uma deliciosa combinação.

O autor escolheu alguns episódios – sempre envolvidos com o governo comunista soviético – da vida de Shostakovich para abordar, então não temos aqui uma biografia completa e linear, nem um estudo sobre a sua música. Aliás, a música é pouco citada.

O Ruído do Tempo foca nos conflitos vividos pelo compositor, nas difíceis decisões que teve que tomar [ou que tomaram por ele] e que influenciaram completamente sua vida e carreira. Ficção e realidade se misturam quando entramos na mente de Shostakovich, nos seus pensamentos, nas suas angústias.

O primeiro e mais importante episódio narrado aconteceu em 1936, quando Stálin foi assistir a aclamada ópera de Shostakovich, a Lady Macbeth de Mtensk. Dias depois, saiu no Pravda, principal jornal da época, que aquilo era “confusão ao invés de música”. A obra foi censurada e Dmitri Shostakovich caiu em desgraça. É a partir daí que tudo se desenrola.

A sensação que temos é a de que Shostakovich era tão bom, mas tão bom, que o Governo, vendo que ele fazia muito sucesso com o público, resolveu usá-lo a seu bel-prazer. Seria uma ótima propaganda. Vejam como valorizamos a música! E Shostakovich teve que dançar conforme a música. Era isso ou morrer!

Covardia, fraqueza ou falta de opção? Sua vida ou sua integridade? Era um gênio, não um herói. Julian Barnes fala que ser covarde é mais complicado do que ser herói. Para ser herói basta uma morte simbólica, enquanto o covarde vive a angústia da mentira por toda uma vida. Será?

Há ainda um outro ângulo, uma outra possibilidade a ser considerada. Alguns acreditam que Shostakovich era irônico. Fingia ser a favor do regime, mas expressava o que bem queria em suas sinfonias. Há quem reconheça essa rebeldia em sua obra.

“O sarcasmo era perigoso para quem o empregava, identificável como linguagem do destruidor e do sabotador. Mas a ironia – talvez, às vezes, ele esperava – permitiria que conservasse o que valorizava, mesmo quando o ruído do tempo se tornava alto o bastante para quebrar vidraças. O que ele valorizava? Música, família, amor. Amor, família, música. A ordem de importância costumava variar. A ironia podia proteger a música? Desde que a música continuasse a ser uma linguagem secreta que permitia que contrabandeasse coisas pelos ouvidos errados. Mas não podia existir apenas como um código: às vezes era preciso dizer as coisas de forma direta. A ironia poderia proteger seus filhos? Maxim, na escola, com dez anos de idade, tinha sido obrigado a caluniar o pai publicamente numa prova de música. Nestas circunstâncias, de que servia a ironia para Galya e Maxim?”

O livro me trouxe muitas reflexões acerca dos musicistas e suas reais relações com os governos tirânicos. Até onde o público sabe a verdade? Até que ponto um artista abandonaria sua música? Até que ponto somos íntegros quando a vida de sua família corre perigo? Fugir, como fez Stravinsky, por exemplo, é uma opção?

Não bastasse tudo isso, a escrita de Barnes é fabulosa. Com uma narrativa não linear, daquelas que não se pode piscar, o autor me deixou estupefata, querendo ler tudo que já escrevera. Entrei pela música e saí deslumbrada com um livro sensacional!

5 Estrelas 5 corações

Para Ouvir:

Mesmo quem acha não conhece o compositor, certamente reconhecerá sua popular Valsa nº 2, que já foi tema de alguns filmes. Deixo aqui um vídeo da Valsa e o de uma de sua sinfonias mais bonitas, a Sinfonia nº 5.

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Sinopse: Em seu primeiro romance desde O sentido de um fim, vencedor do Man Booker Prize, e após o sensível ensaio sobre o luto Altos voos e quedas livres, Julian Barnes resgata e ficcionaliza a trajetória do compositor russo Dmitri Shostakovitch para retomar questões recorrentes em sua obra como a memória e a verdade. A história tem início em 1937, na União Soviética, quando Shostakovich tem certeza de que será preso, exilado na Sibéria, talvez até executado, após escrever um de seus maiores concertos, Lady Macbeth de Mtsensk, que não agradou ao governo. A partir daí, Barnes constrói (ou desconstrói) uma breve biografia de um dos grandes nomes da música do século XX, um personagem complexo e contraditório, com uma narrativa extremamente humana sobre integridade, coragem e poder que celebra, acima de tudo, a liberdade artística. Aclamado pela crítica estrangeira, O ruído do tempo já se destaca como uma das incontestáveis obras-primas de Julian Barnes.

Pais e Filhos, Ivan Turguêniev

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Autor: Ivan Turguêniev
Literatura Russa / Clássico / 1001 livros
Editora: Cosac Naify
Páginas: 352
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1862

 

Pais e Filhos foi lançado em 1862 e para que entendamos bem a grandiosidade desta obra devemos contextualizá-la muito bem. A Rússia passava por um momento de grande impacto social: o fim da servidão, regime em que o camponês era propriedade do dono da terra. Turguêniev, brilhantemente, não só faz um panorama deste novo cenário, como se aproveita dele para nos mostrar com mais intensidade as relações entre pais e filhos e as divergências de pensamento entre essas diferentes gerações.

Arkádi acaba de terminar a faculdade e resolve retornar, ao lado de seu amigo Bazárov, à propriedade de seus pais. Eis onde tudo começa. Da propriedade da família de Arkádi à da família de Bazárov, passando – estrategicamente (e, por que não, romanticamente?) – pela casa de Ana Serguêievna, Turguêniev vai nos apresentando as ideias e as atitudes das diferentes gerações, desde o pai que tenta se modernizar, às mães e seu amor irrestrito, até o tio conservador que não aceita tudo facilmente.

Bazárov se considera um niilista, aquele que não crê em nada, que se recusa a seguir regras e a reconhecer autoridades. É um personagem fantástico, mas de uma arrogância que me deu raiva. Turguêniev o coloca – aparentemente – em um pedestal, como se ele fosse o herói de tudo. Mas… mas… aparentemente. Ou, ironicamente!, já que o autor nos mostra que o niilismo de Bazárov não se sustenta por completo.

Então, quem estava certo? Os tradicionalistas ou os niilistas? Nem um, nem outro. Nem Pável, o tio conservador de Arkádi, nem Bazárov, seu antagonista. Turguêniev alfineta os dois lados, ambos sucumbem – aqui e acolá – ao que rechaçam.

E os pais? Sempre os pais! Sempre presentes, sempre ali, faça chuva ou faça sol! Dispostos a tudo, inclusive a não falar com seus filhos, se assim o desejarem. Como somos imaturos aos 20 e poucos anos! Como entendemos pouquíssimo da maternidade quando ainda não somos mães… Deu para sentir o que sentiram os pais de ambos os jovens, sem que Turguêniev precisasse sequer nos descrever.

O amor, diante de tanta negação, é, talvez, o maior vencedor desse livro. Ou sou eu que vejo amor em tudo… É para os braços dos pais que os filhos voltam, é nos braços da amada que os jovens querem estar, por mais que queiram romper com qualquer ideia do romantismo.

Turguêniev abordou diversos temas de forma simples, contando uma história que quase não tinha o que contar, mas que, incrivelmente, traz uma profunda reflexão para o leitor acerca das relações humanas. Nem niilismo, nem tradicionalismo, Pais e Filhos é muito mais que meros conceitos. Muito bom!

5 Estrelas

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: Traduzido pela primeira vez diretamente do russo para o português, este clássico é responsável por uma das maiores polêmicas da literatura russa. No início da década de 1860, dois eventos transformaram significativamente a sociedade russa: o fim da servidão e a fundação do movimento Terra e Liberdade, organização secreta que lutava contra as autoridades e instituições oficiais. A abordagem desse contexto fez com que Pais e filhos despertasse uma das maiores fendas da história da literatura russa. O termo “niilista” se popularizou e Ivan Turguêniev (1818-1883) foi acusado de ser responsável por atos criminosos cometidos por radicais influenciados por sua obra. Na trama, o jovem Arkádi Nikolaitch, acompanhado de seu amigo e mentor Bazárov, volta à propriedade de sua família após formar-se na universidade. Bazárov é um personagem singular: despreza qualquer autoridade, é antissocial e se autoproclama um “niilista”.

Bartleby, o escrevente – uma história de Wall Street, Herman Melville

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Autor: Herman Melville
Clássico / Conto / Lit. americana
Editora: Autêntica
Páginas: 152
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1853

 

Uma amiga me emprestou Bartleby, o escrevente, de Herman Melville, autor de Moby Dick, e me disse: é curtinho, em um instante você lerá. De fato, é curto, mas ele se agiganta dentro do leitor e não acaba quando viramos a última página. Ficamos horas a fio pensando nos quês e nos porquês.

Bartleby é contratado pelo narrador dessa história, um advogado, para trabalhar como copista em seu escritório. A princípio, ele exerce sua função corretamente, depois se recusa a fazer certas atividades, até que para completamente de trabalhar – e não reage a nada.

Ele me lembrou Meursault, personagem de O Estrangeiro, livro lançado cerca de meio século depois, dentro da chamada teoria do absurdo, do francês Albert Camus. Os dois tem aquele “dar de ombros” sem fim, aquela apatia que deixa o leitor com vontade de sacudir o personagem, de mandar agir ou esboçar reação.

O conto traz problemas bem comuns no nosso dia-a-dia. O quão atual não é uma pessoa que, diante de uma situação difícil de resolver, passa a adiar a tentativa de solucionar o caso? Essa mesma pessoa, que sentia apenas um pequeno incômodo, passar a ver tudo como um enorme fardo a partir do momento em que terceiros começam a julgá-lo, a apontar o dedo em sua direção, a questioná-lo. Será que é sempre assim, nos incomodamos mais pela reação que os outros tem do que pelo real incômodo?

E quanto aos colegas de trabalho, suas alternâncias de humor, seus dedos apontados… São personagens que parecem tão simples, mas carregam inúmeras faces.

O que dizer também dos janelões… imensos, grandiosos! Eles não estão na história por acaso. Enormes vidraças que deveriam servir para contemplação e entrada de luz natural, servem apenas para ver a parede de tijolos do prédio vizinho. Luz? Entra pouquíssimo… Então vem a solidão, a loucura, entramos no tal “absurdo”…

Que pequeno grande livro! Diz muito mais do que conta, merece ser descamado, merece ser lido… e – dada as inúmeras interpretações possíveis – merece ser relido.

5 Estrelas

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Sinopse: Um advogado nova-iorquino de meados do século XIX resolve contratar um novo copista. Atendendo ao anúncio do advogado, apresenta-se à porta de seu escritório um jovem que ele caracteriza como uma figura “palidamente asseada, lastimosamente respeitável, incuravelmente desolada”. Era Bartleby. No começo, o novo copista trabalhava fazendo o que se esperava dele: cópias.

Mas, depois, bem, depois, não vamos estragar a história. Bartleby, o escrevente_ é um conto de Herman Melville (1819-1891), o autor de _Moby Dick, publicado pela primeira vez em 1853. O personagem central é tão marcante e o conto tem uma força tal que Bartleby tem fascinado leitores e críticos desde sua primeira publicação.

Foi, contemporaneamente, teorizado por filósofos tão ilustres quanto Gilles Deleuze, Jacques Derrida, e Giorgio Agamben (v. Bartleby, ou da contingência, Autêntica, 2015). A presente edição apresenta o conto numa nova tradução ao lado do original em inglês.

O Barco das Crianças, Mario Vargas Llosa

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O barco das crianças

 

Autor: Mario Vargas Llosa
Ilustradora: Zuzanna Celej
Ficção Juvenil / Lit. Hispano-americana /
Lit. Latino-americana / Nobel
Editora: Alfaguara
Páginas: 112
Ano: 2016

 

O Barco das Crianças é uma bela e comovente história escrita por ninguém menos que Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura de 2010, voltada para o público infantojuvenil.

História, ficção e fantasia se misturam nas conversas de um velhinho solitário e Fonchito, uma criança curiosa. De sua casa, Fonchito observava o velhinho sentado em um banco, contemplando o mar. Certo dia, ele resolve ir lá para descobrir o que tanto o homem olhava. A resposta vem em forma de uma história interessantíssima sobre a Cruzada das Crianças, contada pelo velhinho, um pouco por dia.

Aparenta ser um livro bem infantil, pelo título, capa, ilustrações e tamanho do texto, mas pode ser um pouco pesado para as crianças menores, já que fala da Cruzada das Crianças.

Uma mistura de lenda e História, essa Cruzada teria acontecido por volta do século XII, na Europa, e assim como as demais Cruzadas, tinha a intenção de recuperar Jerusalém e devolvê-la aos cristãos. As crianças teriam partido do porto de Marselha e as que não morreram de frio, de fome ou afogadas, terminaram vendidas como escravas. Ou talvez tenham terminado como nos conta o velhinho… quem sabe?!

O livro é lindo de todas as formas. As ilustrações [aquarelas] são muito bonitas, bem delicadas e tem um quê de nostalgia, tem algo que me fez lembrar-me de um livro infantil – da Coleção Mundo da Criança – que eu lia na casa da minha avó quando era pequena.

Llosa tenta resgatar nas crianças a vontade e o interesse delas em conversar com os mais velhos, em ouvir o que eles tem para lhes contar. Essa troca saudável entre gerações tão diferentes está cada dia mais rara, infelizmente. Pontos para o autor!

Além de ter muito conteúdo histórico para ser aprendido, O Barco das Crianças é meio mágico, deixa enigmas no ar e inúmeras possibilidades de interpretação.

Um livro um pouco triste, meio melancólico, mas encantador. Simples e, ao mesmo tempo, rico. Uma história singela, escrita com esmero para todas as idades. Uma contribuição e tanto de Vargas Llosa para o mundo da boa literatura infantojuvenil.

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Esse livro:

Ilustrado *** História *** Para ler em família *** Lida com a morte *** Texto rico

HdP - Selo Crescidinhos HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali, todas as manhãs. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história muito antiga e… extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Mario Vargas Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

As Brasas, Sándor Márai

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Autor: Sándor Márai
Clássico / 1001 Livros / Literatura húngara
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 176
Ano: 1999
Ano de Publicação Original: 1942

 

Eu tenho a mania de simpatizar – do nada – com alguns títulos que aparecem em listas de recomendações mesmo sem ter a mínima ideia do que vou encontrar ali. Foi o caso do espetacular As Brasas.

Listado como um dos 1001 títulos que devemos ler antes de morrer, o livro do húngaro Sándor Márai é de um lirismo encantador e de uma profundidade impressionante, especialmente dada a pouca quantidade de páginas.

Conta o reencontro de dois amigos – grandes amigos, melhores amigos! – após 41 anos de separação. Ou, mais precisamente, 41 anos e 43 dias, contados, aguardados, ensaiados… Por um determinado motivo, na busca de uma determinada resposta. Ou não…

Entramos no castelo de Henrik, o general, na Hungria e só conseguimos parar quando viramos a última página do livro. E nem deveríamos ler tal preciosidade tão rápido, é um livro para ser degustado lentamente. Além de ter um texto riquíssimo, a estrutura da narrativa e a ordem em que os fatos nos são apresentados são irretocáveis. Passado e presente se unem ali, naquela noite, no tão esperado encontro, naquele duelo cheio de amargura, naquele monólogo cujas palavras são como dolorosas punhaladas no peito.

Ah, o monólogo! Ou melhor, O monólogo. Meticuloso, intenso, de uma paciência angustiante, raras vezes interrompido por Konrad, o amigo. Sándor Márai inquieta e aflige o leitor lá por dentro, parece remexer com todos os nossos sentimentos. Ficamos atormentados, mas maravilhados.

Muito mais do que uma simples história, As Brasas nos traz a força das palavras – das ditas e das não ditas. Faz-nos refletir sobre amizade, inveja, traição e o imenso peso da dúvida. Mostra-nos as consequências de nossas decisões e a fragilidade dos nossos sentimentos. Um deslize, uma escolha… um desejo de vingança e a cegueira toma-lhe o brilho da vida.

De uma sensibilidade penetrante, As Brasas merece ser saboreado por todos os amantes das letras. Sensacional!

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: Romance sobre a amizade, a paixão amorosa e a honra. Conta a história de dois homens que não se vêem há 41 anos. Foram amigos inseparáveis na infância, mas um dia, em 1899, um deles desapareceu. Algo muito grave aconteceu naquele dia, e é esse o enigma que agora, já no fim da vida, eles vão decifrar. Move-se entre os dois o fantasma de Kriztina, por quem eles travarão um duelo que se inicia como um civilizado jogo de esgrima, mas logo se torna uma luta árdua, embora os duelistas só disponham de uma arma: as palavras.

O húngaro Sándor Márai nasceu em 1900. Exilou-se em 1948, inconformado com a implantação do comunismo em seu país. Em 1979 fixou-se nos Estados Unidos, onde se suicidou. As brasas é sua primeira obra lançada no Brasil.

Depois daquela montanha, Charles Martin

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Autor: Charles Martin
Drama / Literatura Americana
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016

 

Não gosto quando isso acontece. Tento sempre fazer com que isso não aconteça! Detesto quando todo mundo ama o livro e eu o acho… ok. Boa história, personagens cativantes e um lindo final, mas ainda assim, ok.

Depois daquela montanha conta a luta de Dr. Ben, um médico ortopedista, e de Ashley, uma jornalista, pela sobrevivência em condições extremas após um acidente de avião. Eles tentaram fugir de uma nevasca fretando um pequeno avião, na esperança de chegar a tempo para seus compromissos, mas se veem feridos em uma extensa área de floresta coberta com muita neve, a 3.500 metros de altitude e com temperaturas negativas. Ah, e sem comida.

Eu até poderia ter implicado com o fato de que em um caso real, nas condições narradas, qualquer pessoa morreria em questão de horas, mas o autor me prendeu de tal forma que eu relevei e me deixei levar.

Tudo vai super bem até que o autor começa a se explicar demais. Sabe quando conta uma história inteira só para justificar uma habilidade do personagem? Quando isso acontece poucas vezes, não vejo problema, mas para cada habilidade que Ben tinha – um verdadeiro ninja! -, havia uma história justificando, explicando como ele aprendera a fazer tal coisa. Achei isso um pouco forçado.

A linguagem é simplória, o que torna a leitura bem rápida. De fato, o autor capta a atenção do leitor desde as primeiras páginas e o deixa curioso até o fim, e é maravilhoso quando isso acontece. Lá pela metade do livro a história fica um pouco repetitiva e lenta, mas depois retoma o fôlego.

O desfecho é bonito e faz valer as páginas lidas, faz a gente refletir um pouco sobre a vida e seu valor. É um bom livro e não à toa vai virar filme. Aliás, ele é a cara de um filme e já vislumbro até a bela fotografia com neve, muita neve! Gostei, mas esperava um pouco mais. Talvez lê-lo sem criar grandes expectativas seja o segredo…

3.5 corações

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Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.

Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.

Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.

Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.

Publicado em mais de dez países, Depois Daquela Montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.

Os melhores livros lidos em 2016 e Três livros para 2017

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Início de um novo ano, época de fazer um balanço de tudo que fizemos no ano que passou, do que gostamos, do que poderíamos ter feito melhor e dos desafios que cumprimos. Época também de traçar novos planos e de agradecer por tudo de bom que nos aconteceu.

E para quem fala sobre literatura, claro, é época de escolher as melhores leituras do ano e selecionar novos – e grandiosos – desafios!

Foram 7.846 páginas lidas em 2016, segundo o Skoob! Cumpri minha meta “quantitativa” (com qualidade, claro), mas não cumpri todos os desafios que me propus no início de 2016. Além dos 30 livros aleatórios, me desafiei a ler Guerra e Paz, A Divina Comédia e Anna Kariênina, {eu estava bem modesta rs}

De Guerra e Paz li umas 1350 páginas logo no início de 2016, estava adorando, mas quando cheguei ao 3° tomo desanimei. Não desisti, rs, pretendo retomar em 2017. Esse desânimo me levou a nem começar Anna Kariênina, do mesmo autor. (mas não saiu da meta!) Já A Divina Comédia {terminei Paraíso nos acréscimos do 2° tempo, ainda vem resenha por aí} foi uma experiência maravilhosa, uma ótima surpresa!

Mas, vamos ao que interessa, vamos aos melhores!

 

Melhor Leitura de 2016: Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa

Que livro! Que final! Que personagens! Só posso insistir que leiam, mas não deixem que minha euforia gere tantas expectativas. É um livro simples e genial ao mesmo tempo. É uma história comum, de gente comum, mas que tem algum pozinho mágico inexplicável em suas páginas que emociona e cativa o leitor.

Resenha aqui.

Melhor “Tem que Ler”: A Revolução dos Bichos, de George Orwell

A Revolução dos Bichos é sensacional! Ainda me pergunto porque não o li antes!!! Leitura obrigatória, sem dúvidas, bem elucidativa e cheia de citações de cair o queixo de tão atuais que são. Incrível!

“Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros.”

Resenha aqui.

 

Melhor Livro de Não-Ficção: A Civilização do Espetáculo, de Mario Vargas Llosa

A Civilização do Espetáculo traz reflexões e opiniões bem lúcidas e ponderadas de Vargas Llosa – vencedor do Nobel de Literatura de 2010 – acerca da cultura e do comportamento das pessoas nos dias de hoje. Foi uma leitura tão boa que acabei uma caixa de marcadores, rs, e ainda não consegui escrever uma resenha. Prometo fazê-la!!

 

 

Escolher os melhores nunca é fácil, já que cada livro (os bons!) traz algo especial. Eu poderia citar Édipo Rei (resenha aqui) como leitura que me surpreendeu, poderia citar O Pomar das Almas Perdidas (resenha aqui) como leitura que mais me tocou ou Liturgia do Fim (resenha aqui) como leitura mais poética e sensível. Poderia ainda citar O Barco das Crianças, de Vargas Llosa, como melhor infantojuvenil e Um, dois e já (resenha aqui) como leitura mais nostálgica. Foram ótimas leituras! Na verdade, tenho lido cada vez menos livros ruins pelo simples fato de que passei a abandonar, sem dó nem piedade, leituras que não me conquistam. Alguns eu insisto, mas geralmente me arrependo. rs! 2016 foi bom, mas pretendo que 2017 seja O ANO!  rsrs

 

Três livros para 2017 

Quero ler tanta coisa que foi bem difícil escolher os três desafios de 2017, rs. Mas, vamos lá, terminei escolhendo:

  1. A Montanha Mágica, de Thomas Mann
  2. Dom Quixote de la Mancha, de Cervantes
  3. David Copperfield, de Charles Dickens

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Tenho outros calhamaços em andamento, como Decameron, de Boccaccio, e Outono da Idade Média, que passaram “automaticamente” para meta – e desafio – desse ano. Já adianto que os dois são INCRÍVEIS, leituras maravilhosas, para se ler aos poucos, sem pressa!

Quanto a meta quantitativa, não sei… A cada ano me importo menos com ela 🙂

Em 2016 tirei alguns poucos livros da Jarra de TBR – livros para ler, mas confesso que não me agradou muito a ideia de pegar um livro aleatório demais, já que pra mim cada momento pede um tipo de história diferente. No entanto, é ela quem faz andar – mesmo que lentamente – a pilha de livros “encostados”, então aqui e acolá vou puxar uma estrelinha dessas também.

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E a meta de vocês? Todo mundo organizando e planejando as leituras do ano?!

Aproveito para desejar a todos um Ano Novo maravilhoso, cheio de amor e muitas realizações, com histórias deliciosas, livros encantadores e personagens apaixonantes.

Muito obrigada a todos que me acompanharam por todo esse ano!

Grande abraço, com carinho,

Caroline Gurgel