Depois daquela montanha, Charles Martin

depois-daquela-montanha

 

 

Autor: Charles Martin
Drama / Literatura Americana
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016

 

Não gosto quando isso acontece. Tento sempre fazer com que isso não aconteça! Detesto quando todo mundo ama o livro e eu o acho… ok. Boa história, personagens cativantes e um lindo final, mas ainda assim, ok.

Depois daquela montanha conta a luta de Dr. Ben, um médico ortopedista, e de Ashley, uma jornalista, pela sobrevivência em condições extremas após um acidente de avião. Eles tentaram fugir de uma nevasca fretando um pequeno avião, na esperança de chegar a tempo para seus compromissos, mas se veem feridos em uma extensa área de floresta coberta com muita neve, a 3.500 metros de altitude e com temperaturas negativas. Ah, e sem comida.

Eu até poderia ter implicado com o fato de que em um caso real, nas condições narradas, qualquer pessoa morreria em questão de horas, mas o autor me prendeu de tal forma que eu relevei e me deixei levar.

Tudo vai super bem até que o autor começa a se explicar demais. Sabe quando conta uma história inteira só para justificar uma habilidade do personagem? Quando isso acontece poucas vezes, não vejo problema, mas para cada habilidade que Ben tinha – um verdadeiro ninja! -, havia uma história justificando, explicando como ele aprendera a fazer tal coisa. Achei isso um pouco forçado.

A linguagem é simplória, o que torna a leitura bem rápida. De fato, o autor capta a atenção do leitor desde as primeiras páginas e o deixa curioso até o fim, e é maravilhoso quando isso acontece. Lá pela metade do livro a história fica um pouco repetitiva e lenta, mas depois retoma o fôlego.

O desfecho é bonito e faz valer as páginas lidas, faz a gente refletir um pouco sobre a vida e seu valor. É um bom livro e não à toa vai virar filme. Aliás, ele é a cara de um filme e já vislumbro até a bela fotografia com neve, muita neve! Gostei, mas esperava um pouco mais. Talvez lê-lo sem criar grandes expectativas seja o segredo…

3.5 corações

Comprar:

Compre aqui Amazon

 

 

 

depois-daquela-montanha-charles-martin

Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.

Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.

Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.

Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.

Publicado em mais de dez países, Depois Daquela Montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.

The Night Before Christmas ‘Noite de Natal’, Nikolai Gogol

the night before christmas

 

 

Autor: Nikolai Gogol
Literatura Russa / Clássicos /
Conto / Folclore Ucraniano / Natal
Editora: Penguin
Páginas: 65
Ano: 2007
Ano de publicação original: 1832

 

The Night Before Christmas – ou Noite de Natal*¹ – caiu em minhas mãos por fazer parte de uma pequena coleção da Penguin de clássicos natalinos. Adoro histórias de natal e comprei a coleção de olhos fechados, sem saber o que me aguardava. Que bom que o fiz, pois se tivesse lido a sinopse, provavelmente teria perdido um livro fantástico.

Essa história não é o típico conto de natal, é quase o oposto. Não tem a magia do espírito natalino, mensagens bonitas ou nada parecido. É praticamente uma sátira sobre o natal, com um humor refinado e muita, muita crítica. Faz parte do folclore ucraniano e é contada até hoje, pasmem, às crianças. Ele não tem nada de infantil, mas, folclore é folclore, hum. Aliás, só a título de curiosidade, falei em folclore ucraniano – e não russo – porque Gogol nasceu em uma cidade do império russo onde hoje é a Ucrânia. Russos e ucranianos brigam pela “posse” do escritor, mas como escreveu em russo, sua obra é considerada literatura russa.

Em The Night Before Christmas temos o ferreiro Vakula, que pintara o diabo terrivelmente em uma parede da igreja. Vakula era apaixonado por Oksana, mas não era muito bem quisto pelo pai da menina, Chub, e portanto não ousaria visitá-la enquanto ele estivesse em casa. Pensando nisso (não vou contar os porquês), para se vingar, o diabo resolve roubar a lua e deixar todos em uma completa escuridão. Oksana era uma bela moça e, ciente de sua beleza, desprezava a todos. Ela impõe um certo presente para se casar com Vakula, e ele vai usar o diabo para consegui-lo. Temos ainda uma bruxa, mãe de Vakula, um diácono, um alcaide e alguns sacos de carvão.

Parece meio bizarro, não é? E é bizarro! Mas ao mesmo tempo o texto é tão atraente e imprevisível que você vai lendo sem parar e visualizando tudo perfeitamente. Não dá para imaginar que alguém consiga, em tão poucas páginas, contar tantos acontecimentos e, ao mesmo tempo, criticar todos eles. A ironia, a crítica e o humor permeiam toda a narrativa.

É uma história excêntrica, meio maluca, sem pé nem cabeça, daquelas que não daria certo de maneira alguma se escrita por um qualquer. Não sei o que me encantou tanto nessa história, fico pensando e não sei responder. Talvez tenha a ver com o fato de que Gogol está longe de ser um qualquer.

Recomendo, sem dúvidas!

3.5 corações

*¹ No Brasil essa história foi traduzida como Noite de Natal e foi publicada no livro O Capote e outras histórias, da Editora 34.

Encontrei o conto gratuitamente online no site da Época. Para ler clique aqui.

O livro deu origem a ópera Cherevichki, de Tchaikovsky.

the night before christmas nikolai gogol

Sinopse: It is the night before Christmas and devilry is afoot. The devil steals the moon and hides it in his pocket. He is thus free to run amok and inflicts all sorts of wicked mischief upon the village of Dikanka by unleashing a snowstorm. But the one he d really like to torment is the town blacksmith, Vakula, who creates paintings of the devil being vanquished. Vakula is in love with Oksana, but she will have nothing to do with him. Vakula, however, is determined to win her over, even if it means battling the devil.Taken from Nikolai Gogol s first successful work, the story collection Evenings on a Farm Near Dikanka, The Night Before Christmas is available here for the first time as a stand-alone novella and is a perfect introduction to the great Russian satirist.

November 9, Colleen Hoover

november 9 colleen hoover

 

 

Autora: Colleen Hoover
New Adult / Romance
Editora: Atria
Páginas: 320
Ano: 2015

Sempre gostei muito de romance, muito mesmo, mas nesse último ano praticamente não consegui ler nenhum. Tentei muitos, começava e parava, achava tudo igual, meio bobo, previsível – e talvez a culpa seja da maternidade, quem sabe?! rs – e coloquei todas as minhas esperanças de “cura”, de “desbloqueio”, em Colleen Hoover e seu novo lançamento, November 9. Se eu não conseguisse ler – e gostar – de um livro seu é porque o caso não tinha solução.

November 9 conta a história de Ben, um aspirante a escritor, e Fallon, uma atriz ainda em busca de seu sonho. Eles se conhecem em um 9 de novembro, ambos com 18 anos, quando Fallon está prestes a se mudar para Nova York. Conversam, riem, se divertem e, sentindo uma conexão especial entre eles, combinam de se encontrar uma vez por ano, em cada 9 de novembro. E são esses encontros e desencontros que acompanhamos, ano após ano.

Para quem já leu Um Dia, de David Nicholls, é inevitável associar os dois livros. Eles têm a mesma premissa, sim, mas são distintos, e o mais engraçado é que a própria autora cita o livro em seu texto e comenta suas diferenças. Li os dois e digo: Ben e Fallon não tem nada de Em e Dexter. Um Dia é meio deprimente, November 9 é alegre, mesmo com todo o drama.

Comecei a ler e as páginas foram virando e virando, meu sorriso foi se alargando e ficando meio bobo, fui ficando íntima dos personagens, me apaixonando, torcendo, vibrando… Colleen realmente consegue me prender. Escrito em primeira pessoa, com capítulos se alternam entre os pontos de vista dos dois protagonistas, November 9 tem um texto fluido, simples e leve, o que deixa a leitura sempre prazerosa. É daqueles livros que até enquanto espera o elevador você lê e que só para quando finalmente termina.

A primeira metade de November 9 é divertida, os diálogos são super fofos, tem uma combinação de humor e flerte deliciosa, que nos deixa rindo à toa, meio abobalhados, completamente apaixonados. Sempre digo que Colleen Hoover tem o timing perfeito para o romance acontecer, ela sabe a hora certa de nos deixar ansiosos, a hora de nos deixar tristes ou dando pulinhos de felicidade.

São muitos pontos positivos, November 9 é Colleen sendo Colleen, é aquele livro que se parece com todos os outros da autora, mas que, ops, é diferente. É muito bom, muito mesmo, mas tem uma coisinha que me incomodou. Ela inseriu algo que eu, particularmente, não gosto e acho um tanto inverossímil. Sabe aquela pessoa que ama tanto o outro que prefere abdicar desse amor para que o outro seja feliz? Pois é, na vida real não conheço ninguém assim, mas os autores insistem em criá-la.

November 9 conquista pela simplicidade, pela paquera gostosa e pelos beijos roubados. Conquista por ser livro que fala de livros, conquista pela despretensão, pelo mocinho galanteador e pela menina que se descobre bonita. Ah, e já ia me esquecendo, há uma surpresinha, uma certa aparição, e ela, definitivamente, conquista. ❤

Não é meu livro favorito da autora, mas ainda assim é Colleen, e Colleen vale sempre a pena.

No calor do momento, vou tentar classificar por ordem de preferência os livros da autora:

  1. Métrica
  2. Hopeless (Um Caso Perdido) – ou ele seria antes de Métrica? rs
  3. Point of Retreat (Pausa)
  4. Maybe Someday
  5. Ugly Love
  6. Confess
  7. November 9
  8. Essa Garota

(Deixei Maybe Not e Finding Cinderella de fora por serem novelas e Finding Hope por ser pov)

november 9 colleen hoover

Sinopse: Beloved #1 New York Times bestselling author Colleen Hoover returns with an unforgettable love story between a writer and his unexpected muse.

Fallon meets Ben, an aspiring novelist, the day of her scheduled cross-country move. Their untimely attraction leads them to spend Fallon’s last day in L.A. together, and her eventful life becomes the creative inspiration Ben has always sought for his novel. Over time and amidst the various relationships and tribulations of their own separate lives, they continue to meet on the same date every year. Until one day Fallon becomes unsure if Ben has been telling her the truth or fabricating a perfect reality for the sake of the ultimate plot twist.

Não conte a ninguém, Harlan Coben

Corr_Cp_NãoConteNinguem_Arqueiro_15mm.pdf

 

Autor: Harlan Coben
Policial / Mistério
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Ano: 2009

 

Sabe quando você tem uma lista de livros para ler, começa todos e, um a um, nas primeiras páginas vai dizendo “esse agora não”? Pois bem, era assim que eu estava, nada “descia”. Então, pensei, nunca li nada do Harlan Coben, tenho um livro dele guardado há um bom tempo, por que não? Livros de mistério são sempre bons para quebrar esse “bloqueio”, já que – normalmente – eles deixam o leitor curioso. E foi justamente a curiosidade que me fez virar as páginas de Não Conte a Ninguém.

A história gira em torno de Beck, um médico cuja esposa fora brutalmente assassinada, 8 anos antes, quando eles estavam juntos em um lago. Beck e Elizabeth eram apaixonados desde que eram crianças e ele nunca a esqueceu. Um dia, recebe um email misterioso com informações que só ele e Elizabeth poderiam saber e passa a desconfiar que ela possa estar viva. Nesse mesmo período, dois corpos, que podem estar ligados ao assassinato, aparecem e tudo o que se sabia pode mudar.

E agora, ela está viva? Ele está delirando? Com quem ele pode contar? Em quem confiar? Ficamos cheios de porquês e querendo descobrir todo o mistério em questão. Tem quem descubra tudo logo de cara, mas não sou dessas. Até elaboro teorias, penso em possibilidades, acerto alguma coisa, mas tudo muito vago. Para quem mata a charada rapidinho, não sei se é um livro interessante, pois a graça está só, e somente só, no desenrolar dos fatos.

A escrita é bem pobre e isso me surpreendeu bastante, dada a fama do autor. Ele sabe contar a história, sabe deixar os ganchos no final de cada capítulo, sabe como prender o leitor, mas é só. Ok, saber fazer isso tudo já é muito, mas, mesmo tendo gostado do livro, eu confesso que esperava um pouco mais, mais Uaus! e Ohs! durante a leitura.

O livro todo tem um ar de filme, é muito visual, rápido, sem grandes aprofundamentos. Aliás, me senti assistindo aos filmes que via quando era adolescente, desses filmes policiais a lá Tela Quente.

Por ter sido lançado no ano 2000, o “atraso” tecnológico me deu um pouco de agonia – e aí, claro, não é culpa do autor, é loucura minha mesmo. Ele fala em internet discada, em bipe, Yahoo, Netscape, e isso marca bem uma época que talvez esteja próxima demais. Isso me fez lembrar de um livro que li em 2013 e usava drones como algo super tecnológico. Apenas dois anos depois qualquer pessoa pode usar um deles e isso tira um pouco a graça da história de quem a lê hoje, me entende? Ou é loucura minha? Talvez enfatizar demais marcas, modelos e tecnologia de uma determinada época deixe o livro com um prazo de validade curto.

Apesar dos pesares, o livro me prendeu do começo ao fim, eu não conseguia parar de ler. E quando isso acontece é preciso reconhecer que ele cumpriu seu papel de entretenimento. Muito bem, por sinal. Quero ler outros livros do autor, especialmente quando quiser algo que me prenda bem. Para quem gosta de livro com cara de filme, é uma boa pedida. 😉

não conte a ninguém

Sinopse: Não Conte a Ninguém – Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer. 

O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa.

Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: Como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido?

Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência.

Não conte a ninguém foi o livro mais aclamado de 2001, indicado para diversos prêmios, entre eles Edgar, Anthony, Macavity, Nero e Barry. Em 2006 foi adaptado para o cinema numa produção francesa vencedora de quatro Cesars (o Oscar francês), inclusive de melhor ator e diretor.

Eternidade por um fio (O Século #3), Ken Follett

eternidade por um fio capa
Autor: Ken Follett
Ficção Histórica
Editora: Arqueiro
Páginas: 1072
Ano: 2014

 

– Queda de Gigantes, O Século #1, resenha aqui.

– Inverno do Mundo, O Século #2, resenha aqui.


Eternidade por um fio coroa a incrível trilogia O Século, de Ken Follett, mas, embora ainda muito bom, é o livro mais fraco – ou menos bom – dos três.

Quando comecei Queda de Gigantes me encantei de cara com a capacidade de Follett de encaixar personagens fictícios nos momentos históricos de maneira primorosa. Uma mistura de ficção e realidade tão bem construída que nem percebemos a quantidade de páginas e logo estamos lendo o segundo livro, Inverno do Mundo, que é tão bom quanto o primeiro e nos deixa cheios de expectativas para esse terceiro volume. Como ele finalizaria a vida daquelas famílias? Que fatos históricos do pós guerra ele abordaria? Será que seria possível gostar da mesma maneira dos filhos e netos dos protagonistas das edições anteriores? Bem, foi assim, cheia de questionamentos que iniciei Eternidade por um fio.

Esse volume começa no ano de 1961 e acompanhamos toda a tensão da Guerra Fria, a aflição gerada com a Crise dos Mísseis de Cuba e as tentativas de se evitar uma nova guerra. Acompanhamos a briga pelo poder, a polarização EUA versus URSS, o comunismo versus capitalismo, a Cortina de Ferro e seu domínio soviético. Vemos erguerem o Muro de Berlim e a incalculável dor das famílias separadas. Follett fala também da Guerra do Vietnã e as inúmeras tentativas de justificá-la; nos mostra Martin Luther King e sua luta pela igualdade nos Estados Unidos. Acompanhamos os presidentes norte americanos, suas eleições e algumas de suas medidas mais importantes. Vemos políticos serem assassinados, civis serem presos. Na União Soviética, vemos entrar líder, sair líder e nada mudar. Em meio a tanta tensão, também temos o rock and roll e alguma menção ao movimento hippie. Claro, chegando à década de 80, vemos a queda do muro de Berlim e o comunismo ruir, levando consigo as barreiras que tanto causaram medo e sofrimento.

São inúmeros e importantes momentos históricos que se misturam aos personagens fictícios e nos fazem enxergar a História por diversos ângulos. Ao inserir a vida comum dos personagens, com suas paixões, medos e dúvidas, erros e acertos, glória e declínio, Follett nos aproxima da História, faz com que vejamos tudo mais de perto, um pouco menos mistificado. Não fosse a mania do autor de colocar sexo em tudo, diria que deveria ser leitura obrigatória nas escolas.

A leitura desses três livros me fez refletir sobre caráter e índole e sua relação com o posicionamento político de cada um. Follett me fez perceber que, em certos casos, mesmo estando do lado “errado” da política, a pessoa pode realmente acreditar que está fazendo o bem, que está lutando por melhorias. Tomando Grigori Peshkov como exemplo, foi um personagem bem querido, mesmo tendo morrido acreditando que o comunismo agia corretamente. Apesar de boa pessoa, o poder o cegou e ele não percebeu que passou a ter muitas regalias, as mesmas regalias que os monarcas tinham e que o levou às ruas para protestar no início do século XX.

O autor foi super feliz ao criar personagens verossímeis, nem completamente maus, nem totalmente santos, e conseguiu uma variedade impressionante em relação a personalidade de cada um. É incrível como ele consegue inserir pra lá de duzentos personagens e não ficamos perdidos – ou pelo menos não completamente rsrs. Por mais que tenhamos que parar algumas vezes para pensar em quem era o pai ou avô daquela pessoa, isso não atrapalha o andamento ou a compreensão da leitura.

Sei que é natural sentir falta dos protagonistas anteriores e achar estranho vê-los sendo mencionados apenas de vez em quando, mas devo dizer que essa nova geração não me conquistou como as outras. Minha ressalva está principalmente nas mulheres que ele criou. Poxa, Ken Follett, não é possível que não tenha existido uma mulher decente sequer nessa época!!! Por que “todas” tinham que ser infiéis ou bem assanhadas?

Outra ressalva está no fato de que todos os conservadores foram pintados como vilões, com Ronald Reagan, por exemplo, sendo simplesmente um assassino.

A escrita do autor continua simples, direta, sem firulas. É um pouco seca, mas se encaixa perfeitamente no que ele quer contar. Como lhe é peculiar, não nos poupa de detalhes cruéis da guerra e das atrocidades cometidas.

Preciso dar destaque a duas matriarcas: Ethel e Maud, minhas personagens favoritas de toda a série. A vida de Ethel Williams Leckwith me fez pensar em como a vida é uma caixinha de surpresas e me fez refletir por quantos acontecimentos passa alguém que vive por muito tempo e o quanto de experiência acumula. Gostaria que ela tivesse tido mais destaque nesse livro, mas ainda assim, gostei do que li. Maud? Tudo o que Maud passa é de partir o coração desde o livro anterior. Que irônico o destino, não? Quem diria que a pobre Ethel viveria tão bem e a rica Maud terminaria na Alemanha Oriental?

Posso passar ainda parágrafos e mais parágrafos comentando sobre essa trilogia de tão boa e cheia de conhecimento que ela é. Um banho de História, daqueles livros que acrescentam, que nos faz enxergar um pouco além. Uma trilogia que merece ser lida e recomendada sempre. Para quem não costuma ler ficções históricas, aconselho a tentativa, certamente irá se surpreender. É fato, nunca mais verei a História como antes.

3.5 corações 4.5 Estrelas

ken follett trilogia o século

 

Sinopse: Eternidade Por Um Fio – Durante toda a trilogia O Século, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução… e rock and roll!

Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas.

George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal.

Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado.

Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear.

Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia e para a história.

Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo. 

Álbum de Casamento (Quarteto de Noivas #1), Nora Roberts

album de casamento quarteto de noivas nora roberts

Autora: Nora Roberts
Romance
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2013
Quarteto de Noivas #1

 

Pelo Carter, vale…

Sabe aquele dia em que você está uma pilha de nervos, estressada, com dor de cabeça e não tem analgésico que resolva? Bem, eu estava assim, sem querer pensar em nada, necessitando de algo leve e divertido que me fizesse relaxar. Foi exatamente o que Álbum de Casamento me fez. Relaxar.

É o primeiro de uma série de quatro livros, e cada um conta a história de uma das quatro amigas. Melhores amigas desde a infância, elas costumavam brincar de se casar e de organizar a cerimônia infinitas vezes, até que crescem e fazem daquela brincadeira sua profissão.

Neste primeiro volume temos a história de Mac, uma fotógrafa que registra o amor, mas não acredita nele, já que seus pais se separaram quando ela ainda era uma menininha e se casaram novamente outras tantas vezes. Eis que surge Carter, um professor todo certinho, que na época do colégio já era apaixonado por ela e que vai mudar sua vida para melhor.

Engoli as cem primeiras páginas e adorei. As conversas entre as amigas são deliciosas, bem realísticas e leves. Os preparativos dos casamentos e as próprias festas são divertidas e, de novo, bem reais. Nora Roberts realmente tem o dom de visualizar cenas triviais de amizade e colocá-las no papel com destreza. São cenas em que você sorri e pensa “é assim mesmo que acontece”. Mas, como nem tudo são flores, depois do primeiro terço da história isso fica muito repetitivo e um pouco entediante. Chegou uma hora em que eu não aguentava mais ler sobre as flores da decoração, o desenho do bolo, o piti da mãe da noiva ou a organização da agenda da Parker, a amiga coordenadora dos eventos.

Não fosse o Carter, eu o teria abandonado. Carter é o melhor desse livro, sem dúvidas. Encantei-me com esse personagem e ele fez a leitura valer a pena. Um professor atrapalhado (leia-se atrapalhadíssimo), daqueles com PhD, apaixonado pela profissão. Um nerd super fofo, doce, carinhoso e romântico, que fez a Mac acreditar no amor.

É uma história pra lá de previsível, mas teve seus bons momentos, que, claro, contou com a presença do Carter. É a vida como ela é quando ela resolve ser bonitinha. Um livro bem açucarado, que remete àqueles filmes românticos que os homens odeiam e as mulheres adoram. Para dias estressantes, certamente uma boa pedida, mas nada imperdível.

3.5 corações 3 Estrelas

album de casamento quarteto de noivas


Comprar Álbum de Casamento:

livrariaculturalogo

Comprar Box Quarteto de Noivas:

livrariaculturalogo

 

Sinopse Álbum de Casamento: Álbum de Casamento – Quando crianças, as amigas Parker, Emma, Laurel e Mac adoravam fazer casamentos de mentirinha no jardim. E elas pensavam em todos os detalhes. Depois de anos dessa brincadeira, não é de surpreender que tenham fundado a Votos, uma empresa de organização de casamentos bem-sucedida. Mas, apesar de planejar e tornar real o dia perfeito para tantos casais, nenhuma delas teve no amor a mesma sorte que tem nos negócios. Até agora. Com várias capas de revistas de noivas no currículo, a fotógrafa Mac é especialista em captar os momentos de pura felicidade, mesmo que nunca os tenha experimentado em sua vida. Por causa da separação dos pais e de seu difícil relacionamento com eles, Mac não leva muita fé no amor. Por isso não entende o frio na barriga que sente ao reencontrar Carter Maguire, um colega de escola com o qual nunca falara direito. Carter definitivamente não é o seu tipo. Professor de inglês apaixonado pelo que faz, ele cita Shakespeare e usa paletó de tweed. Por causa de uma antiga quedinha por Mac, fica atrapalhado na frente dela, sem saber bem como agir e o que falar. E mesmo assim ela não consegue resistir ao seu charme. Agora Carter está disposto a ganhar o coração de Mac e convencê-la de que ela é capaz de criar suas próprias lembranças felizes. 

Reviving Izabel ‘O Retorno de Izabel’ (Na Companhia de Assassinos #2), J. A. Redmerski

Reviving Izabel #2

 

Autora: J. A. Redmerski
Suspense / Romance / Thriller
Editora: Kindle Edition
Páginas: 373
Ano: 2013
Série: Na Companhia de Assassinos – #2

Obs.: A edição brasileira já tem título, O Retorno de Izabel, e previsão de publicação para Julho 2015. Veja a capa brasileira no final da resenha. 

Essa resenha contém spoilers do livro 1, A Morte de Sarai, portanto, se ainda não o leu, melhor não continuar 😉


 

A Morte de Sarai termina com um final satisfatório, talvez não o mais romântico ou ideal, mas, ainda assim, satisfatório e verossímil. Todavia, admito que deixa o leitor curioso, querendo saber o que acontece dali em diante e terminamos correndo para o segundo livro com altas expectativas. Eis o problema! O primeiro livro é muito bom, me deixou tensa do começo ao fim, completamente presa e super ansiosa, no entanto, sua continuação é cheia de altos e baixos. Ora lhe prende, ora lhe entedia.

O Retorno de Izabel começa um tempo depois do término de A morte de Sarai, e vemos nossa protagonista com uma sede de vingança, querendo planejar e cometer um assassinato sozinha. Sozinha! Por mais que Sarai não tenha medo de matar ou morrer, é inexperiente e termina se metendo em encrenca, atraindo mais vilões do que poderia imaginar. Porém, isso também atrai de volta Victor, que terá que decidir se treina Sarai como ela deseja e permanece ao seu lado ou se a convence a viver uma vida normal. Niklas e Fredrik também reaparecem, mas não sabemos mais em quem confiar – se é que podemos confiar em alguém.

O começo da história me irritou um pouco, com uma Sarai mais imatura do que pude imaginar, fazendo algumas burradas que me tiraram do sério. A trama só volta a entrar nos eixos quando Victor reaparece, trazendo consigo Fredrik, um personagem instigante e cheio de mistérios.

Assim como no livro 1, a autora continua com uma narrativa que parece mais um roteiro de filme, embora aqui isso tenha me incomodado um pouco. Talvez eu não saiba bem apontar as diferenças, mas é como se aqui ela descrevesse demasiadamente os passos dos personagens. Descrições são interessantes, mas ações óbvias demais que não acrescentam muito devem ser bem mensuradas para não encher o livro desnecessariamente.

Talvez a autora tivesse concluído melhor a história de Victor e Sarai ‘Izabel’ se acrescentasse mais umas 100 páginas ao primeiro livro, e não criando um segundo volume. Há trechos bem repetitivos, muitos “diálogos internos”, como se a autora sentisse a necessidade de esmiuçar demais, explicar demais tudo para o leitor, supondo que ele ainda não tivesse entendido seu raciocínio – quando na verdade tudo já tinha ficado bem claro.

Até os 85% a leitura é ora empolgante, ora previsível e comum. É quando a autora, tcham ram!, enfim me surpreende!! Ufa! Daquele trecho em diante ela fez valer a leitura e me reconquistou. Sabe quando você está arriando na cadeira, sonolenta, quase fechando os olhos e de repente algo lhe desperta completamente? Yeah!

Não é tão fascinante quanto o primeiro, mas ainda assim é uma leitura que vale a pena e foge do trivial. Confesso que Sarai perdeu uns pontinhos e ficou atrás de Victor e Fredrik na minha lista de personagens favoritos, mas o saldo ainda foi positivo. Se lerei o próximo livro? Não tenho dúvida, afinal, é sobre ninguém menos que o misterioso Fredrik. Estou ansiosíssima! 😉

 

3.5 corações 3.5 Estrelas

 

Capa brasileira de Reviving Izabel - O Retorno de Izabel - que será publicado pela Suma de Letras ainda esse ano.

Capa brasileira de Reviving Izabel ‘O Retorno de Izabel’ – que será publicado pela Suma de Letras ainda esse ano.

 

  • Ordem de leitura:

#1 – A Morte de Sarai (Resenha aqui)

#2 – Reviving Izabel (a ser publicado no Brasil em Julho 2015)

#3 – The Swan & the Jackal

#4 – Seeds of Iniquity

#5 – The Black Wolf (ainda sem capa)

 

Sinopse – Reviving Izabel: Determined to live a dark life in the company of the assassin who freed her from bondage, Sarai sets out on her own to settle a score with an evil sadist. Unskilled and untrained in the art of killing, the events that unfold leave her hanging precariously on the edge of death when nothing goes as planned.

Sarai’s reckless choices send her on a path she knows she can never turn back from and so she presents Victor with an ultimatum: help her become more like him and give her a fighting chance, or she’ll do it alone no matter the consequences. Knowing that Sarai cannot become what she wants to be overnight, Victor begins to train her and inevitably their complicated relationship heats up.

As Arthur Hamburg’s right-hand man, Willem Stephens, closes in on his crusade to destroy Sarai, she is left with the crushing realization that she may have bitten off more than she can chew. But Sarai, taking on the new and improved role of Izabel Seyfried, still has a set of deadly skills of her own that will prove to be all she needs to secure her place beside Victor.

But there is one test that Izabel must face that has the potential to destroy everything she is working so hard to achieve. One final test that will not only make her question her decision to want this dangerous life, but will make her question everything she has come to trust about Victor Faust.