A Bela e a Fera, Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve

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Autores: Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve
Clássico / Literatura Francesa / Infantojuvenil
Editora: Zahar
Páginas: 238
Ano: 2016
Ano de Publicação Original: 1756 e 1740

 

A Bela e a Fera é, sem dúvidas, meu conto de fadas preferido da Disney. Sempre me encantei com a transformação da Fera através da bondade da Bela e com a mensagem de que o amor e pequenos gestos de carinho podem mudar as pessoas.

A edição da Zahar traz duas versões do conto e diz, inclusive, que a história pode ter sido baseada em fatos reais, numa suposta fera. A versão mais conhecida e a que deu origem ao desenho da Disney é de 1756, uma adaptação de Madame de Beaumont da versão “original”, escrita por Madame de Villeneuve em 1740. A “original” tem cerca de 160 páginas e um linguajar mais adulto, enquanto a chamada “clássica” é bem curtinha, menos de 30 páginas, e claramente voltada para o público infantil.

clássica é parecida com a história que conhecemos, mas com muitos detalhes diferentes e bem menos românticos. Não temos a mendiga que transforma o príncipe em Fera, não temos Gaston, que enciumado tenta matar a Fera, não temos os objetos falantes e a linda e gigantesca biblioteca não passa de uma estante. As circunstâncias que levam o pai de Bela ao castelo são diferentes da do filme, assim como a que leva Bela a rever o pai e a decidir retornar para a Fera. A Bela, prisioneira da Fera, recebe todas as noites um pedido de casamento, o que deixa tudo muito forçado.

A versão original começa maravilhosamente bem, com um linguajar elegante, rica em detalhes e parecia que ia me conquistar. Mas… não foi bem assim. Até a metade a história vai bem, mas depois se perde em um mar de explicações mirabolantes e uma genealogia confusa. A Bela era uma princesa (e prima da Fera) e a bruxa era uma fada que criara o príncipe; havia ainda uma segunda fada, que comandava os sonhos (muitos sonhos) da Bela para que ela se apaixonasse pela Fera e, assim, quebrasse o feitiço. Ou seja, não há aquela transformação natural que tanto me encantou no filme da Disney. A Bela, simplesmente, do nada, puff, se apaixona pela Fera, que incansavelmente lhe perguntava todas as noites se Bela aceitava “dividir o leito com ela”.

Gostei do fato de que as histórias são contadas sem que ninguém tenha um nome próprio. As pessoas são a bela, a fera, a fada, a rainha, o velho, as irmãs. Gostei, no geral, do texto e adorei as ilustrações (coloridas!) da edição da Zahar. No entanto, não senti que a Fera merecia, nem por um segundo, o amor da Bela. Nem tampouco senti que a Bela havia se apaixonado, afinal, nem tinha um porquê!

Não levem minhas palavras tão a sério, não é tão ruim assim, rs, apenas me decepcionei um pouco. [Poxa, cadê o amor da Bela pelos livros?! Cadê a magia?!] Contudo, foi bom conhecer a história original. Nada de extraordinário, apenas interessante.

3.5 Estrelas

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Sinopse: A versão original do clássico que inspirou o novo filme da Disney, estrelado por Emma Watson

Adaptado, filmado e encenado inúmeras vezes, o enredo de A Bela e a Fera vai muito além da jovem obrigada a casar com uma horrenda Fera que no final se revela um lindo príncipe preso sob um feitiço. Nessa edição bolso de luxo da coleção Clássicos Zahar você encontra reunidas duas variantes da história.

A versão clássica, escrita por Madame de Beaumont em 1756, vem embalando gerações e inspirou quase todos os filmes, peças, composições e adaptações que hoje conhecemos. A versão original, que Madame de Villeneuve publicara em 1740, é de uma riqueza espantosa, que entre outras coisas traz as histórias pregressas da Fera e da Bela e dá voz ao monstro para que ele mesmo narre seu destino.

Toda em cores e ilustrada, essa edição conta com ótima tradução do premiado André Telles, uma apresentação reveladora e instigante assinada por Rodrigo Lacerda e cronologia das autoras. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

 

Purgatório (A Divina Comédia #2), Dante Alighieri

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AUTOR: DANTE ALIGHIERI
CLÁSSICO / LIT. ITALIANA / POEMA ÉPICO
EDITORA: 34
PÁGINAS: 224
ANO: 2010
ANO DE PUBLICAÇÃO ORIGINAL: APROX. 1304 – 1321

 

Os comentários abaixo não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que está lendo A Divina Comédia pela primeira vez, portanto, leiga na obra de Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

A Divina Comédia entrou para minha meta de leitura desse ano como um desafio e o quanto passei a gostar da obra foi uma grata surpresa. Fiz algumas pesquisas antes de iniciar o primeiro livro e coloquei alguns pontos que achei interessantes no post sobre Inferno (ver aqui). Para os leigos em Dante, como eu, a “ajuda” é imprescindível para uma melhor compreensão do texto.

A leitura de Inferno foi um pouco difícil, mas não tanto quanto a do Purgatório. O segundo livro requer muito, mas muito mais repertório e conhecimento do que o primeiro. Eu penei – em todos os sentidos – mas a medida em que fui avançando e compreendendo melhor os círculos, fui gostando mais do que lia.

Assim como em Inferno, no Purgatório também temos 9 círculos a serem percorridos por Dante. São dois ante-purgatórios e mais sete cornijas, cada uma correspondendo a um pecado capital.

Para a gigantesca montanha que é o Purgatório, vão aqueles que se arrependeram ainda em vida. No Canto IV, ficamos sabendo que a subida é tão íngreme que é necessário usar pés e mãos, mas que a medida em que avançamos, ela se torna cada vez mais fácil. (Diferente do Inferno, onde quanto mais se desce piores são os pecados, no Purgatório, quanto mais se sobe, mais leve e mais perto do céu se fica.)

Na porta do Purgatório (Canto IX), o anjo grava sete “Ps” na testa de Dante, que serão lavados um a um, a medida em que ele for passando de uma cornija para a outra. Passadas essas cornijas, Virgílio, que não tem acesso ao Paraíso, se despede de Dante.

A partir daí, foi, para mim, a parte mais empolgante e bonita do livro, quando chegamos ao Paraíso Terrestre – ou Jardim do Éden – encontramos Beatriz e vemos o arrependimento e purificação de Dante para que ele siga sua jornada.

Contando assim até parece bem simples, mas o livro é cheio de simbologias e referências para serem desvendadas. Há, certamente, quem vá compreendê-las sem ajuda, mas no meu caso fui salva pelas notas da edição da editora 34.

Por exemplo, leio no Canto XXIX,

“a virtude, da qual o juízo emana,
candelabros me fez reconhecer
e, nas vozes do canto, ouvir ‘Hosana'”,

os candelabros simbolizam os dons do Espírito Santo. Ou, ainda no mesmo canto,

“Vi, depois, de humilde semblante,
e atrás de todos vir sozinho um velho
de olhar dormente, embora penetrante.”

o velho simboliza o Apocalipse. Ou seja, dava para ter entendido o que estava escrito, mas não compreendido seu significado. Com as notas e as pesquisas tudo vai tomando forma, e é aí que entra o entusiasmo e a admiração pela obra.

Outro detalhe que enriqueceu a leitura foi ter acompanhado os famosíssimos desenhos que Gustave Doré fez para A Divina Comédia. (Como tenho uma outra edição antiga, ilustrada, fui seguindo a ordem das ilustrações por ela. Deixo aqui um link de um site  que tem todas as ilustrações de Doré separadas por livro.)

Recomendo para quem quer conhecer a obra e encorajo os que ainda tem medo dela. Não dá para compreender tudo, nem eu teria tamanha pretensão, mas repito o que disse em Inferno, não é um bicho de sete cabeças. Sigamos – felizes – para o Paraíso!

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Sinopse: O Purgatório é constituído por uma montanha altíssima que surge do mar no centro do hemisfério austral, contornada por cornijas, ou terraços, que vai se afinando até chegar ao plano do Paraíso Terrestre. A primeira parte da escalada é reservada às almas que, tendo-se arrependido só à última hora, devem aguardar a sua admissão, pela Porta de São Pedro, aos círculos superiores, onde cumprirão as penas diversas, correspondentes aos pecados praticados em vida e que os purgarão para depois serem admitidos ao Paraíso. Esses terraços desenvolvem-se em sete círculos, sobrepostos, nesta ordem: I – Orgulhosos; II – Invejosos; III – Iracundos; IV – Preguiçosos; V – Avaros e Prógigos; VI – Gulosos; e VII – Luxuriosos. Por Italo Eugenio Mauro

O silêncio da água, José Saramago

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Autor: José Saramago
Lit. Infantojuvenil / Nobel / Lit. Portuguesa
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 24
Ano: 2011

 

Diferente do que eu pensava, esse livro não foi escrito especialmente para o público infantil. O Silêncio da Água nos traz um conto não-ficcional extraído do livro Pequenas Memórias do autor. Por ser apropriado para crianças, recebeu ilustrações e uma bela edição póstuma em grande formato e capa dura.

Quando um vencedor de Nobel escreve um livro – no caso um conto – o leitor sempre espera algo genial. Confesso que terminei a leitura decepcionada, querendo algo a mais. Abri o computador para escrever o que achei do livro e tive vontade de relê-lo, mas nem precisei. A história foi tomando forma, foi crescendo, se agigantando tal qual o enorme peixe ilustrado na capa e, ao mesmo tempo, se tornando delicada, como uma simples, mas memorável, lembrança de infância.

Saramago nos conta uma pequena aventura de seu tempo de criança, quando vivia perto do rio Almonda e, ao ir lá pescar, encontra um grande peixe com o qual trava uma breve luta.

O autor sempre expressou seu desejo de que seus livros não deveriam ser adaptados para o português do Brasil, portanto temos aqui um linguajar que talvez soe estranho, mas nada que os pais não consigam explicar. Por mais que o texto seja bem curto e ilustrado, acredito que as crianças menores não consigam compreendê-lo ou achar graça. Já para as maiores, é uma ótima introdução a uma literatura mais realista, menos fabulosa e romântica.

4 Estrelas 3 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** Pouco texto, embora rico *** Palavras Novas

HdP - Selo Família HdP - Selo Crescidinhos

 

 

 

 

 

Sinopse: Em uma tarde silenciosa, um garoto vai pescar à beira do Tejo e é surpreendido por um peixe enorme que lhe puxa o anzol. Infelizmente, a linha arrebenta, deixando-o escapar. Ele corre até a casa dos avós, com a esperança de voltar, rearmar a vara e “ajustar as contas com o monstro”. Claro que, ao alcançar o mesmo ponto do rio, o menino não encontra mais nada, apenas o silêncio da água. Sua tristeza só não é completa pois o peixe, como ele diz, “com o meu anzol enganchado nas guelras, tinha a minha marca, era meu”. 
Esse menino foi José Saramago, que narra neste livro uma aventura de infância que, para ele, culmina em um despertar da lucidez. Ilustrado por Manuel Estrada, este pequeno conto autobiográfico se torna uma fábula de extraordinária beleza e sabedoria.

Um Coração Simples, Gustave Flaubert

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Autor: Gustave Flaubert
Clássico / Novela / Literatura Francesa
Editora: Grua Livros [Melville House]
Páginas: 80
Ano: 2015

 

A primeira coisa que fiz ao terminar Um Coração Simples foi procurar a data de sua publicação para confirmar minha suspeita de que a novela havia sido lançada após Madame Bovary (resenha aqui). E foi… quase 20 anos depois. Só alguém que já escreveu sua obra-prima poderia se dar ao luxo de publicar uma história cuja personagem principal é alguém como Félicité.

Félicité não tem nada de extraordinário para contar. É uma moça comum, pobre, humilde, simples, ordinária, que até chega a pensar que poderia ser feliz, que poderia ser amada. Tudo ilusão, nada acontece. Passa a trabalhar para uma senhora com dois filhos e lá seu altruísmo transborda. Nunca reconhecido, diga-se de passagem.

Flaubert constrói sua novela em cima de um enredo irrelevante, de uma moça insignificante, invisível, sem casa, sem família e sem amor, que enlouquece por um papagaio. Ainda assim, nos leva, admirados, da primeira à última página. A admiração se dá pela sua escrita, “apenas”.

Um Coração Simples mostra que, não à toa, Flaubert é um dos grandes mestres do Realismo. É mais contexto histórico que enredo, é mais escrita que história, é mais significado para o movimento literário do que uma leitura prazerosa. É uma leitura rápida, boa, mas talvez um pouco realismo demais pra mim.

4 Estrelas

*** Essa novela também foi lançada pela Editora Rocco, com o título Um Coração Singelo, assim como também faz parte do livro Três Contos, da ed. Cosac Naify.

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Sinopse: Com uma atenção aos detalhes da vida burguesa considerada quase escandalosa na época, Um coração simples fará com que muitos se lembrem, ou descubram, por que Gustave Flaubert foi aclamado como o primeiro grande mestre do realismo. Esta novela traz a história de uma mulher simples, Félicité, que trabalha décadas como criada para a Sra. Aubain, uma viúva de alguns recursos. Zela por tudo na casa, ajuda a criar os pequenos Paul e Virginie, mima seu sobrinho Victor, que entra em sua vida por acaso. Sua compreensão pouco sofisticada do mundo, pautada por suas realidades próximas e por sua própria história sem grandes acontecimentos, é acompanhada por um grandioso sentimento de amor, no sentido amplo da palavra. Escrita perto do fim da vida do autor, o trabalho era para ser uma homenagem a George Sand, que morreu antes do texto ficar pronto, e foi concebido em resposta a uma discussão entre ambos sobre a importância do realismo. Embora o texto mostre seu virtuosismo para contar detalhes e se baseie em uma de suas serviçais da vida real, Julie, Flaubert disse que a novela exemplificava sua declaração – ‘beleza é o objeto de todos os meus esforços’.

Inferno (A Divina Comédia #1), Dante Alighieri

A divina comédia - Inferno

 

 

 

Autor: Dante Alighieri
Clássico / Lit. Italiana / Poema Épico
Editora: 34
Páginas: 232
Ano: 2010
Ano de Publicação Original: aprox. 1304 – 1321

Os comentários que se seguem não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que leu Inferno pela primeira vez, portanto, leiga em Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

Básico: O que saber antes de começar a leitura

Antes de começar a leitura de Inferno, procurei textos de apoio na internet para ajudar na compreensão da obra. Em meio a tanta informação, encontrei alguns pontos interessantes.

O simbolismo do número 3, que remete à Santíssima Trindade, permeia toda a obra de Dante. A Divina Comédia é dividida em 3 partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma dessas partes é dividida em 33 cantos, que, por sua vez, são divididos em tercetos [utilizando a terza rima]. Na verdade, Inferno tem um canto a mais, que é a introdução, portanto, são 100 cantos no total [99+1]. Cada lugar tem 9 círculos a serem percorridos por Dante.  Ou seja, tudo múltiplo de 3.

Para entender a famosa terza rima de Dante, vou copiar as primeiras estrofes de Inferno, na tradução da Editora 34, que respeita a estrutura encadeada original:

1 A meio caminhar de nossa vida
2 fui me encontrar em uma selva escura:
3 estava a reta minha via perdida
4 Ah! que a tarefa de narrar é dura
5 essa selva selvagem, rude e forte,
6 que volve o medo à mente que a figura
7 De tão amarga, pouco mais lhe é a morte,
8 mas, pra tratar do bem que enfim lá achei,
9 direi do mais que me guardava a sorte.
10 Como lá fui parar dizer não sei;
11 tão tolhido de sono me encontrava,
12 que a verdadeira via abandonei.

E assim por diante. Para que saber disso? Para entender que nada é por acaso na estrutura do poema que você está prestes a ler. Tudo tem um significado, um simbolismo, e tudo é minucioso e grandioso.

Após essa primeira pesquisa, parti para os textos introdutórios da edição que eu tinha em mãos. Eles foram indispensáveis. Entendi o motivo pelo qual Dante escolheu Virgílio para ser seu Mestre no percurso e o porquê de ter escrito esse livro.

“Não há dúvida de que Dante escreveu a sua obra máxima com o fim de reformar moralmente o mundo que via imerso, para dizer o mínimo, numa situação trágica e pecaminosa.” (Italo Eugenio Mauro)

Não sei se teria compreendido metade do que entendi se não fossem esses textos. Dito isso, vale ressaltar o que dizem os especialistas: não se entende A Divina Comédia com apenas umas poucas leituras, nem se aproveita tudo o que nela há sem conhecer todos os personagens e fatos envolvidos. Ou seja, é preciso saber MUITO, ter muito conhecimento, ter lido os poemas épicos anteriores a Dante, entender qual era a situação do mundo na época, entre outros fatores, para realmente compreender A Divina Comédia.

Não estou nesse grupo, nem perto, mas a gente tem quer tentar, não é? Afinal, é preciso começar por algum ponto.

O que achei

Comecei a leitura pensando que encontraria um texto dificílimo, quase incompreensível. É, de fato, difícil, mas nada do outro mundo. O segredo, pra mim, foi ler tudo em voz alta, bem concentrada. Fui tentando desembaralhar as palavras, a sua ordem nas sentenças, mas logo percebi que, aos poucos, esse “desembaraço” fica automático.

Encontrei uma edição antiga do meu avô com as famosas ilustrações do também famoso Gustave Doré. Nela fui acompanhando os desenhos canto a canto, e isso foi, sem dúvidas, um algo a mais na leitura. Se você não tiver uma edição ilustrada, o amigo Google pode lhe ajudar facilmente, vale a pena!

O texto é um tanto assustador, chega a causar horror e medo, mas é fascinante. Os primeiros cantos foram incríveis, a leitura fluiu melhor do que eu esperava e me empolguei com tudo o que lia. Lá depois da metade do livro, talvez passada a euforia inicial, achei os cantos mais enfadonhos, só vindo a recuperar a empolgação no último canto, onde encontramos Lúcifer.

É um livro que quero reler mais pra frente, especialmente quando já tiver lido grandes epopeias como Ilíada, Odisseia e Eneida, por exemplo. Se recomendo? Sim, claro, afinal, como já disse, é preciso começar de algum ponto e, reafirmo, não é um bicho de sete cabeças.

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Inferno Dante Alighieri

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Sinopse: A meio do caminho, ou seja, da duração expectável de sua vida, Dante, consciente de se haver desviado do reto procedimento, encontra-se perdido numa alegórica “Selva Escura”. Encontra aí a figura de Virgílio, o poeta latino que, a pedido da alma beata de Beatriz, o grande amor da juventude de Dante, vem se lhe oferecer como guia para o Inferno e o Purgatório onde, pelo exemplo dos pecadores e de suas penas, Dante poderá encontrar o caminho de sua salvação. Dante aceita e os dois iniciam sua viagem. Antes da entrada para o Inferno eles passam por seu Vestíbulo: o “Limbo”, onde não há castigo, porém a possibilidade de salvação, que abriga as almas dos infantes falecidos antes da instituição do batismo e alguns grandes personagens do passado anterior a Cristo. O Inferno, que eles então adentram, é constituído por uma imensa cratera escavada nas profundezas do globo terrestre na queda do corpo do Anjo rebelde expulso do Paraíso. Começa nas proximidades da “selva selvagem” essa ampla cratera e vai se afinando até o centro da Terra onde se encontra o próprio Lúcifer que aí tem o encargo do Rei do Inferno. Por Italo Eugenio Mauro

Uma Criatura Dócil, Fiódor Dostoiévski

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Autor: Fiódor Dostoiévski
Clássico / Lit. Russa / Novela
Editora: Cosac Naify
Páginas: 128
Ano: 2013
Ano de Publicação Original: 1876

 

Uma criatura dócil foi mais um daqueles livros que comprei no escuro, sem ler sinopse, confiando apenas no autor e na seleção da editora, e não me arrependi.

Dostoiévski narra a história de um penhorista, um homem egoísta, machista e irritante, que tenta entender a morte de sua esposa. Diante de seu corpo morto, ele, o narrador sem nome, nos conta como conheceu sua esposa, as circunstâncias do casamento e um pouco do cotidiano, refazendo sua trajetória a fim de descobrir as causas daquela morte.

A história em si não me agradou, mas a escrita é tão incrível que fica difícil achar algo ruim. A angústia daquele homem que não quer se culpar é sentida nas palavras e suas repetições. O conflito enorme que se passa em sua cabeça é exposto com maestria e é impossível não sentir um pouco de piedade, mesmo diante de um chato egocêntrico.

Pelos olhos do narrador, Dostoievski nos traz dois personagens cheios de camadas, complexos e muito bem apresentados, e critica aquele tipo de casamento, a impotência da esposa e a infelicidade de ambos.

O que dizer da última linha do texto? Será? É, talvez seja quase sempre assim, só percebemos quando não mais temos.

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Sinopse: Nesta pequena obra-prima, Fiódor Dostoiévski se entrega a uma narrativa fantástica – como ele mesmo definiu – buscando compreender a relação de um casal marcada pela opressão e pela dominação. O leitor vai se deleitar com a singularidade do processo narrativo usado pelo autor para desenvolver a trama e transmitir suas ideias: um caminho tortuoso, repleto de guinadas e reviravoltas.

“Em cada linha sentimos a mola do ressentimento, o erotismo da intimidação, a anatomia da maldade. O diabo está nos detalhes.” [Augusto Massi]

O Homem sentado no corredor – A doença da morte, Marguerite Duras

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Autora: Marguerite Duras
Literatura Francesa / Clássico Moderno / Contos
Editora: Cosac Naify
Páginas: 112
Ano: 2007

 

 

Poucos dias depois que li O Amante (resenha aqui), ainda curiosa para ler mais de Marguerite Duras, entro em um canal de vídeos que gosto e vejo a recomendação desses dois contos da autora. Pronto, seria – e foi – minha próxima leitura.

Duras escreve com uma melancolia de quem está a beira de amargas lágrimas. É como se seu texto escondesse um coração amargurado que finge que não se importa.

Os dois contos são bons, mas não me encantaram tanto assim. Novamente a escrita se sobrepõe ao enredo e, tal qual em O Amante, a sensação um ou dois dias depois é diferente da do momento do término da leitura.

Ao terminar a leitura a impressão que tenho é que aquilo foi pouco, que faltou algo, que tudo não passa “apenas” de uma bela escrita. Dias depois me pego pensando na cena de cada conto e eles crescem exponencialmente, ganham forma e se fixam na memória (justamente como aconteceu com o Amante).

Os dois contos fazem parte de um volume da incrível Coleção Mulheres Modernistas da Cosac Naify. Eles são bem curtinhos e para justificar o volume a edição vem com fonte grande e margens enormes, o que decepciona um pouco – no sentido de que queríamos mais ou talvez de que fomos enganados, de certo modo.

O homem sentado no corredor foi o conto que mais gostei. Uma leitura rápida, cujas cenas se passam em câmera lenta, bem arrastadas, sem pressa alguma. Marguerite consegue ficar bem em cima da tênue linha que separa o vulgar do elegante.

A Doença da Morte, embora bem mais profundo que o primeiro conto e aberto a muitas interpretações, é meio sem graça.

Os dois contos são ótimos para quem quer conhecer mais o estilo da autora, mas recomendar, recomendar mesmo, de coração, não é bem o caso.

3.5 Estrelas 3 corações

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Sinopse: O Homem Sentado no Corredor – A Doença da Morte – Depois de publicar três autoras de língua inglesa, a coleção Mulheres Modernistas traz a sua primeira escritora francesa. As duas novelas de Marguerite Duras (1914-1996) – conhecida principalmente pelo romance O amante e pelo roteiro do filme Hiroshima mon amour – que compõem este livro chamam a atenção pelo caráter fortemente confessional e amoroso, mas de uma amorosidade esquiva, rara e, sobretudo, muito distante do que costumamos encontrar nos textos de tônica amorosa. Os dois textos, de 1980 e de 1983, respectivamente, como que anunciam um tempo de amores rápidos, do pânico da intimidade e de uma velocidade inaugurada com “A uma passante”, de Baudelaire. Nas duas narrativas, é pelo desencontro, pela ausência e pela falta que se dá o embate amoroso entre os pares anônimos. A grande novidade no discurso amoroso de Duras se dá na invenção de um tipo de texto breve e intenso, no qual a narrativa já se inicia com a situação posta. O volume traz, ainda, um breve posfácio da autora sobre A doença da morte, a lista completa de suas obras – ficção, teatro, cinema, adaptações, gravações – e uma bibliografia sobre Duras no Brasil. A tradução do dramaturgo, poeta, ator e diretor Vadim Nikitin privilegia a crueza e a oralidade dessa prosa. A edição conta também com raras aquarelas do artista plástico alemão Anselm Kiefer.