A sutil arte de ligar o f*da-se, Mark Manson

Autor: Mark Manson

Autoajuda

Editora: Intrínseca

Páginas: 224

Ano: 2017

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Com título e capa bem apelativos, A sutil arte de ligar o foda-se tinha tudo para que eu não o lesse, até que alguém em que confio indicou sua leitura.⠀

Não sei por qual motivo, mas eu imaginava ter a ver com o ridículo “não sou obrigada a nada” [ridículo porque, sim, somos obrigados a um monte de coisas, já que não vivemos isolados na selva]. Bem, não tem nada disso. Tem alguns bons pontos e alguma enrolação, mas não tem nada de tão extraordinário assim.⠀

Ele fala basicamente que devemos escolher com o que devemos nos preocupar, que devemos escolher nossas prioridades e nossos valores e ligar o “foda-se” (sorry) para o resto. Não dá para abraçar o mundo, não é?⠀

Fala que somos culpados por tudo que acontece em nossa vida, uma vez que somos responsáveis por nossas escolhas (e não-escolhas). Culpar os outros ou depender da aprovação dos outros é furada.⠀

Fala também que, partindo do princípio de que somos fracassados ou medíocres, podemos seguir com nossa vida e não esperar uma mega motivação (que nunca vai chegar), começar fazendo qualquer coisa e tudo que vier de bom é lucro. Ok, resumi demais, mas no final das contas é isso aí.⠀

Outro ponto é sobre aceitar que vamos, sim, todos morrer. E, segundo ele, aceitando bem a morte, podemos viver plenamente.⠀

O livro é bom, mas não é incrível e não traz nada muito diferente, apesar de trazer boas verdades. O maior problema dele é que o autor se baseia em suas experiências pessoais, e não em uma vasta pesquisa de casos clínicos, por exemplo. Ou seja, perde um pouco a credibilidade. Ele falou, é legal, tudo muito redondinho, faz sentido, mas falta base.⠀

Apesar de parecer que não gostei, gostei, sim, dá pra refletir um bocado. Mas não, não nos dá o poder de ligar o foda-se. Nem se iluda!

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Sinopse: Chega de tentar buscar um sucesso que só existe na sua cabeça. Chega de se torturar para pensar positivo enquanto sua vida vai ladeira abaixo. Chega de se sentir inferior por não ver o lado bom de estar no fundo do poço.

Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva – sem querer desprezar o valor de nada disso, a grande verdade é que às vezes nos sentimos quase sufocados diante da pressão infinita por parecermos otimistas o tempo todo. É um pecado social se deixar abater quando as coisas não vão bem. Ninguém pode fracassar simplesmente, sem aprender nada com isso. Não dá mais. É insuportável. E é aí que entra a revolucionária e sutil arte de ligar o foda-se.

Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. E ele faz isso da melhor maneira. Como um verdadeiro amigo, Mark se senta ao seu lado e diz, olhando nos seus olhos: você não é tão especial. Ele conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão.

Para os céticos e os descrentes, mas também para os amantes do gênero, enfim uma abordagem franca e inteligente que vai ajudar você a descobrir o que é realmente importante na sua vida, e f*da-se o resto. Livre-se agora da felicidade maquiada e superficial e abrace esta arte verdadeiramente transformadora.

Uma Duas, Eliane Brum

Autora: Eliane Brum

Literatura Brasileira

Editora: Leya

Páginas: 176

Ano: 2011

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Uma Duas, da brasileira Eliane Brum, foi um dos livros mais bem comentados nos últimos meses nos grupos de literatura. Dizia-se que era um livro pesado, que doía no leitor. Pois bem, diante disso, pensei que eu seria mais uma leitora a gostar.⠀

O começo empolga, você devora as páginas, gosta da história e teme pelo que estar por vir. Mas isso tudo passa muito rápido, porque o que estava por vir fica logo bem claro e daí para frente não muda muito. Senti como se lesse a mesma coisa do início ao fim.⠀

Dói? Depende. No começo até dá para sentir a dor das personagens, mas depois fica tudo um pouco exagerado e não consegui sentir nada. Foi como se eu tivesse desligado o botão da emoção.⠀

Eu já havia lido há um bom tempo o livro A Pianista (resenha aqui), da austríaca Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel de Literatura de 2004, que tem a mesma temática de Uma Duas: uma relação difícil, doentia e perturbadora entre mãe e filha. A Pianista é, no entanto, sensacional! Denso, pesadíssimo, mas um primor. Talvez, por ter comparado um com o outro – e era inevitável fazê-lo – Uma Duas ficou bem aquém das minhas expectativas e deixou a desejar.⠀

Quer um livro pungente, mas muito bom? Leia A Pianista! Um Duas não é ruim, mas é uma leitura mais, digamos, simples que a da austríaca.

Sinopse: Esta obra trata da relação entre mãe e filha. Desde que seu pai deixou a família, diante de circunstâncias surpreendentes, a jornalista Laura e sua mãe, Maria Lúcia, mantêm uma relação distante, quase inexistente. Porém, um sério problema de saúde de Maria Lúcia acaba forçando a convivência das duas novamente.

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes

Autor: Julian Barnes

1001 Livros / Ensaios

Editora: Rocco

Páginas: 124

Ano: 2012

Ano de Publicação Original: 1984

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Um dos melhores livros que li no ano passado foi O Ruído do Tempo (resenha aqui), de Julian Barnes, autor de O Papagaio de Flaubert, e também gostei bastante dos dois livros que já li do próprio Flaubert, portanto, pensei que, claro, gostaria de um livro sobre Flaubert escrito por Barnes. Mas não foi bem o que aconteceu.

Por ter me encantado com O Ruído do Tempo, criei uma certa expectativa em cima de O papagaio de Flaubert, especialmente porque muitos amigos que leram, gostaram muito. Além disso, está na lista dos 1001 livros para ler antes de morrer.

Barnes nos traz Geoffrey Braithwaite, um médico aposentado que tem uma certa obsessão por Flaubert e, com a desculpa de tentar descobrir qual dos dois papagaios empalhados seria o verdadeiro, aquele que Flaubert utilizou para escrever Um Coração Singelo (resenha aqui), vai nos contar muito sobre a vida do ilustre criador de Emma Bovary.

Barnes, com muita ironia e uma certa acidez, vai discorrer sobre o papel dos críticos, sobre a importância – ou a não importância – da vida privada do artista ou escritor em relação a sua obra, sobre o que ficamos sabendo do que realmente aconteceu e o que se perde com o tempo, sobre os possíveis amores de Flaubert, suas inspirações, seu modo de vida, sua genialidade.

Reconheço, é bem escrito e tem suas qualidades. Consegui enxergá-las e até rir e gostar de alguns trechos, mas no geral me vi entediada, lendo por ler, lendo apenas para terminar. Por mais que eu tentasse, não consegui me envolver e, de quebra, ainda peguei um certo abuso de Flaubert.

Pretendo ler outros livros do autor, mas este do papagaio definitivamente não me ganhou. Leiam por sua conta em risco, rs.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

 

Sinopse: Geoffrey Braithwaite, médico inglês aposentado, admirador de Gustave Flaubert, descobre num museu da Normandia um papagaio empalhado, que o escritor francês teria tomado emprestado para escrever a novela Um coração singelo. Em outro museu, outro papagaio empalhado também passa por ter sido o que serviu ao escritor do século XIX. Qual deles seria o autêntico? O que é realidade e o que é fantasia no trabalho de um autor? Partindo de um dado aparentemente prosaico, o escritor britânico Julian Barnes desenvolve uma prosa deliciosa em que todos os gêneros são transgredidos – romance, biografia, crítica literária – e em que o resultado surpreende a cada passo. Raras vezes inteligência e versatilidade andaram tão juntas. Ou foram reconhecidas com tanta unanimidade. Por este livro Barnes recebeu o prêmio Médicis, na França, e o Geoffrey Faber Memorial, na Inglaterra.

Paris versus New York, Vahram Muratyan

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Autor: Vahram Muratyan
Não Ficção / Arte / Viagem
Editora: Intrínseca
Páginas: 226
Ano: 2012

 

Eu tinha me interessado por esse livro há um tempo nas minhas andanças pelas recomendações do GoodReads, mas imaginava algo completamente diferente. Sabia que era um livro ilustrado, mas nunca pensei que fosse apenas ilustrado.

Paris versus New York traz ilustrações comparativas de peculiaridades das duas cidades, como a diferença entre seus cafés, seus pães, seus museus e costumes.

As gravuras seguem sempre o mesmo estilo, cheio de cores e figuras sem contornos, o que deixou o livro charmoso, com um visual agradável. As comparações são bem interessantes, inteligentes e divertidas, especialmente se você conhece bem as duas cidades.

A edição é toda bonitinha, em capa dura, mas o livro é pequeno – quase do tamanho de uma mão aberta. É fofo, atraente e traz à memória lembranças – boas lembranças, claro! – porém, em poucos minutos já se viu tudo. Volto a dizer, é interessante, mas… talvez, sem querer desmerecer o talento gráfico do artista, seja um pouco descartável.  Bem, é ótimo para uma sala de espera 😉

3 Estrelas

Abaixo, deixo algumas imagens para vocês entenderem melhor o que é o livro antes de comprá-lo.

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Sinopse: Paris versus New York – Vahram Muratyan é um jovem artista gráfico de origem armênia criado em Paris. Em 2010, depois de uma longa temporada em Nova York, ele criou o blog Paris versus New York como uma espécie de registro visual de suas experiências, um bem-humorado confronto entre duas das mais míticas cidades do mundo. O sucesso foi surpreendente e o blog teve mais de cinco milhões de visitas em um ano. A sofisticada batalha visual, travada por um amante de Paris vagando por Nova York, se transformou em livro e firmou o artista como um designer renomado, com uma carteira de clientes que inclui grandes nomes da moda, entre eles Prada e Chanel.

Este amistoso confronto artístico é dedicado aos amantes de Paris, de Nova York e àqueles que estão divididos entre as duas cidades.

Não conte a ninguém, Harlan Coben

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Autor: Harlan Coben
Policial / Mistério
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Ano: 2009

 

Sabe quando você tem uma lista de livros para ler, começa todos e, um a um, nas primeiras páginas vai dizendo “esse agora não”? Pois bem, era assim que eu estava, nada “descia”. Então, pensei, nunca li nada do Harlan Coben, tenho um livro dele guardado há um bom tempo, por que não? Livros de mistério são sempre bons para quebrar esse “bloqueio”, já que – normalmente – eles deixam o leitor curioso. E foi justamente a curiosidade que me fez virar as páginas de Não Conte a Ninguém.

A história gira em torno de Beck, um médico cuja esposa fora brutalmente assassinada, 8 anos antes, quando eles estavam juntos em um lago. Beck e Elizabeth eram apaixonados desde que eram crianças e ele nunca a esqueceu. Um dia, recebe um email misterioso com informações que só ele e Elizabeth poderiam saber e passa a desconfiar que ela possa estar viva. Nesse mesmo período, dois corpos, que podem estar ligados ao assassinato, aparecem e tudo o que se sabia pode mudar.

E agora, ela está viva? Ele está delirando? Com quem ele pode contar? Em quem confiar? Ficamos cheios de porquês e querendo descobrir todo o mistério em questão. Tem quem descubra tudo logo de cara, mas não sou dessas. Até elaboro teorias, penso em possibilidades, acerto alguma coisa, mas tudo muito vago. Para quem mata a charada rapidinho, não sei se é um livro interessante, pois a graça está só, e somente só, no desenrolar dos fatos.

A escrita é bem pobre e isso me surpreendeu bastante, dada a fama do autor. Ele sabe contar a história, sabe deixar os ganchos no final de cada capítulo, sabe como prender o leitor, mas é só. Ok, saber fazer isso tudo já é muito, mas, mesmo tendo gostado do livro, eu confesso que esperava um pouco mais, mais Uaus! e Ohs! durante a leitura.

O livro todo tem um ar de filme, é muito visual, rápido, sem grandes aprofundamentos. Aliás, me senti assistindo aos filmes que via quando era adolescente, desses filmes policiais a lá Tela Quente.

Por ter sido lançado no ano 2000, o “atraso” tecnológico me deu um pouco de agonia – e aí, claro, não é culpa do autor, é loucura minha mesmo. Ele fala em internet discada, em bipe, Yahoo, Netscape, e isso marca bem uma época que talvez esteja próxima demais. Isso me fez lembrar de um livro que li em 2013 e usava drones como algo super tecnológico. Apenas dois anos depois qualquer pessoa pode usar um deles e isso tira um pouco a graça da história de quem a lê hoje, me entende? Ou é loucura minha? Talvez enfatizar demais marcas, modelos e tecnologia de uma determinada época deixe o livro com um prazo de validade curto.

Apesar dos pesares, o livro me prendeu do começo ao fim, eu não conseguia parar de ler. E quando isso acontece é preciso reconhecer que ele cumpriu seu papel de entretenimento. Muito bem, por sinal. Quero ler outros livros do autor, especialmente quando quiser algo que me prenda bem. Para quem gosta de livro com cara de filme, é uma boa pedida. 😉

não conte a ninguém

Sinopse: Não Conte a Ninguém – Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer. 

O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa.

Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: Como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido?

Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência.

Não conte a ninguém foi o livro mais aclamado de 2001, indicado para diversos prêmios, entre eles Edgar, Anthony, Macavity, Nero e Barry. Em 2006 foi adaptado para o cinema numa produção francesa vencedora de quatro Cesars (o Oscar francês), inclusive de melhor ator e diretor.

A voz do arqueiro (Archer’s Voice), Mia Sheridan

 

Autora: Mia Sheridan
Romance / New Adult
Editora: Arqueiro
Páginas: 338
Ano: 2015

 

Li Archer’s Voice ano passado quando foi lançado nos EUA e achei super fofo. Esse romance lindo, que será lançado em breve no Brasil sob o título A Voz do Arqueiro, não poderia ficar de fora do blog 😉 Segue a resenha tal qual a escrevi ao terminar a leitura:


Eu só li a sinopse desse livro após concluir sua leitura e, diferente de muitos de seus leitores, eu não havia lido Leo nem Stinger, portanto, não conhecia a autora. Os muitos comentários elogiosos no GoodReads acabaram chamando a minha atenção e tags como montanha-russa-de-sensações e melhor-livro-da-vida me deixaram mais que curiosa e cheia de expectativas.

A sinopse não faz jus. Ponto. Simples assim. Talvez palavra ou texto nenhum faça jus ao Archer, mas vou tentar expressar tudo o que senti e tudo o que eu queria ter sentido.

Bree era uma garota comum até sofrer um trauma e ficar desnorteada. Pensando em fugir daquela realidade por um tempo, pega a estrada e vai parar em uma cidadezinha do Maine, onde logo se depara com Archer Hale em uma situação um tanto embaraçosa, mas o que ela não sabe é que aquele rosto camuflado em uma barba cheia e longos cabelos, esconde uma pessoa ferida, isolada, solitária e desacreditada, que perdeu os pais em um acidente aos sete anos de idade e não fala nada desde então. Sim, o Archer é muito, mas muito machucado…

A empatia é imediata. Não há como não se apaixonar pelo Archer, não querer colocá-lo no colo e curar suas feridas. Não há como não querer ajudá-lo, abraçá-lo, querer vê-lo sorrir, acalentá-lo… Não há como não querer traçar suas feições e cicatrizes com a ponta dos dedos, tocá-lo, acariciar seus cabelos, beber de seus olhos… Não há como não amá-lo…

Archer passou a maior parte de sua vida escondido, como se fosse invisível para os moradores daquela pequena cidade, sentido-se culpado, como se não merecesse o carinho de ninguém…um estranho, um completo estranho que não se comunica, não reage nem interage.

Até que Bree aparece e o que lemos deixa nosso coração bem apertadinho. Esses dois personagens bem machucados fizeram meu peito doer e deixaram um nó na minha garganta durante todo o livro. Bree conseguirá trazer a vida de volta ao Archer?

A autora foi de uma sensibilidade incrível, em especial na primeira metade desse livro, nas descobertas do Archer. Ver aquele homem inocente e ingênuo se descobrir, se encontrar, querer ser melhor para a Bree, querer fazê-la feliz, querer amá-la, querer saber como amá-la, como tocá-la, é comovente, aquece a alma e me deixou com um sorriso bobo no rosto. Sem dúvida, Archer é um dos melhores personagens que já tive o prazer de ler. Sua pureza me encantou, me cativou. O sentimento que surge entre ele e a Bree é tão genuíno, tão sincero e intenso que ficamos desesperados para que tudo dê certo.

Can we kiss some more? he asked, his eyes shining with desire

(Tradução livre: “Podemos nos beijar um pouco mais? ele perguntou, seus olhos brilhando de desejo”) Só quem leu vai entender a intensidade dessa simples frase. Tão, tão inocente que dá vontade de se encaixar em seu abraço e não sair mais dali.

A autora foi bastante feliz em não levar adiante joguinhos e desentendimentos, que são tão óbvios que cansam. Sabe aquele tipo que você conta uma mentira para separar um casal e o casal sempre acredita no mentiroso? Argh, muito novelão, não gosto! Ela até os cria, mas não dá brecha alguma para que se desenvolvam, e a verdade é sempre a primeira a chegar. Pontos para a Sra. Sheridan!

Outro ponto alto é a pequena cidade e seus moradores. Eu estava quase fazendo as malas e indo morar perto daquele lago, para tomar um café na Maggie, ser vizinha da Anne e sorrir com as histórias da Melanie e da Liza. A autora realmente conseguiu me transportar para aquele cenário e, assim como Bree, eu não queria ir embora. Deixa-nos ver também que, mesmo cercado de pessoas bem intencionadas, de bom coração e que queriam ajudá-lo de alguma forma, Archer não recebeu esse amparo. Ajudar requer dedicação, requer tempo, e por melhor que fossem as intenções daqueles moradores, ninguém se dispôs a tentar. Talvez Mia Sheridan tenha deixado essa lição de que não adianta querer ajudar só em seu pensamento, não adianta supor que não vai conseguir nada porque ninguém o fez antes ou porque não há solução. Com amor, sempre há solução. Bree nos provou isso!

Devo dizer, porém, que quanto mais do final eu me aproximava, mais frustrada eu ficava, e não sei explicar o motivo. Talvez a primeira metade tenha sido tão brilhante que minhas expectativas foram crescendo sem freios e fiquei desejando mais… mas mais o quê? Não sei. Talvez, eu tenha esperado derramar as lágrimas que ficaram presas na garganta durante todo o livro. Talvez o tom demasiadamente melancólico da narrativa as tenha prendido fortemente no meu peito. Talvez tenha sido isso, eu queria que elas fluíssem, extrapolassem…e isso não aconteceu.

Não tenho dúvidas de que Archer vai ficar marcado para sempre em minha memória como aquele garotinho que se descobriu homem, um homem forte, batalhador e merecedor. Aquele homem que lutou pelo o amor e que foi transformado por ele. Bree…I Bree you! linda Bree, também tem um cantinho no meu coração, pois sem ela não há Archer, sem Archer não há Bree.

Apesar de eu ter achado o final um tantinho apressado, meio topificado, e o epílogo fraco se comparado ao espiral de sensações do livro, recomendo essa linda história de amor de olhos fechados. Archer, já sinto saudades… Espero que se encantem e se emocionem pela beleza dessas incríveis páginas.

…not all great acts of courage are obvious to those looking in from the outside. 

(“Nem todos os atos de coragem são óbvios àqueles que olham de fora” – tradução livre)

I want to be able to love you more than I fear losing you, and I don’t know how. Teach me, Bree. Please teach me. Don’t let me destroy this.

(Eu quero ser capaz de amar você mais do que temo lhe perder, e eu não sei como. Ensine-me, Bree. Por favor, me ensine. Não me deixe destruir isso. – tradução livre)

3 Estrelas 5 corações

Sinopse: A Voz do Arqueiro – Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor.

Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar.

Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde.

Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma
mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de
um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda.

Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

Sweet Thing, Renee Carlino

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Autora: Renne Carlino
New Adult / Romance
Editora: Atria Books
Páginas: 320
Ano: 2013

 

(Uma boa opção para quem procura um livro simples em inglês.)

Eu me interessei por Sweet Thing há algum tempo quando uma amiga do GR o avaliou, bem entusiasmada, com cinco estrelinhas. Depois de olhar as lindas capas e sua alta pontuação, coloquei-o na pequenina fila de leitura, cheia de expectativas. Eu queria ter amado esse livro, estava preparada para colocá-lo em um cantinho especial da minha estante, mas, apesar de ter gostado, isso não aconteceu.

Sweet Thing conta a história de Mia, uma garota de 25 anos apaixonada por música, e de Will, um guitarrista incrivelmente doce e talentoso, cinco anos mais velho que ela. Eles se conhecem em um vôo, quando Mia está deixando sua cidade para ir morar em Nova York e tomar conta do café de seu pai, que acabou de falecer. Mia não quer que a música deixe de ser um hobby, não quer ter que viver dela, pois teme a insegurança da profissão. Porém, Will entra na sua vida e uma amizade enorme vai surgir entre os dois e vai deixá-la confusa e indecisa sobre seu futuro. Claro, a amizade se transforma em um lindo amor – mas, aviso, isso demora horrores para acontecer!

O começo desse livro é incrível, singelo, bem doce e leve. É daqueles começos que você pensa que vai amar o livro com todo seu coração. A autora logo demonstra ter uma sensibilidade tocante para escrever cenas leves e críveis do dia a dia. Encantei-me rapidamente pelos personagens, especialmente pelo Will. A história e as situações me lembraram muito da Colleen Hoover, mas tem um ritmo lento a lá Sarah Dessen – o que pode não agradar a muitos.

Não me incomodei com o tempo dos acontecimentos, mas a indecisão sem fim da protagonista Mia mexeu com meus nervos. Eu sou daquelas que dificilmente se irrita com as mocinhas, mesmo quando todos reclamam delas, mas essa Mia testou toda a minha paciência. Como descrevê-la? Confusa, indecisa, medrosa, complicada, insegura… mas extremamente real. Uma personagem cheia de defeitos e muitíssimo bem caracterizada. Aliás, todos os personagens foram muito bem construídos.

Talvez, justamente pela história parecer tão real, tão crível, tenha sido tão frustrante. A cada capítulo eu pensava agora vai, e não ia. Ainda assim, eu não conseguia largar o livro de jeito algum, pois a leitura é deliciosa e as cenas são bem leves, apesar de tudo.

Will é o fofo dos fofos, o personagem que leva toda a trama adiante. Forte, decidido, confiante, ele é tudo o que Mia não é, ainda que sejam almas gêmeas. Ele entende seus receios, suas dúvidas… compreende-a melhor que ela mesma.

Não sei bem explicar o que senti nesse livro, pois gostei muito do que li, gostei da escrita e do toque leve e divertido das cenas, mas não amei – e eu queria muito tê-lo feito. Adoro livros que envolvem muita música, e com esse não foi diferente, mas eu queria algo mais. Queria mais do Will e da Mia, ficar um pouquinho mais perto deles, ver sua felicidade, cantar mais algumas canções… Fiquei desejando mais! E, bem, fiquei super feliz quando soube que existia o Sweet Little Thing, um extra que a autora fez atendendo aos pedidos de seus leitores.

Devo dizer-lhes, então, que Sweet Little Thing foi tudo o que faltou em Sweet Thing. Apaixonantemente delicioso!

Sweet Little Thing não chega a ser um segundo livro, é como se fosse um grande epílogo. E o melhor? É narrado pelo Will! Adorei ler esse “epílogo” sob seu ponto de vista, ri muito, cantei mais ainda e me apaixonei perdidamente com sua doçura.

São 120 páginas de puro amor, mas de um realismo impressionante. Doce, doce, doce… não haveria título melhor para tão singela história. Ela faz valer a pena todas as páginas do primeiro livro, faz você ficar com um sorriso bobo no rosto, faz você ouvir aquelas belas canções e viver aqueles maravilhosos momentos. Lindo, lindo, lindo!!!

3 Estrelas 3 corações

 

Sinopse: Sweet Thing – Mia Kelly is a twenty-five-year-old walking Gap ad who thinks she has life figured out when her father’s sudden death uproots her from slow-paced Ann Arbor to New York City’s bustling East Village. There she discovers her father’s spirit for life and the legacy he left behind with the help of an old café, a few eccentric friends, and one charming musician.

Will Ryan is good-looking, poetic, spontaneous, and on the brink of fame when he meets Mia, his new landlord, muse, and personal heartbreaker.

A story of self-discovery and friendship, Sweet Thing shines light on the power of loving and letting go.