O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Autor: F. Scott Fitzgerald

literatura americana / clássico / 
1001 livros

Editora: Penguin Companhia

Páginas: 256

Ano: 2011

Ano de publicação original: 1925

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Finalmente li O Grande Gatsby! Digo finalmente porque há uns 10 anos (ou mais) iniciei sua leitura e, achando muita loucura, a interrompi. Disse que um dia tentaria novamente, então me mantive longe do filme, de resenhas ou de qualquer outro meio que me desse algum detalhe da história. Gosto de surpresas, seja “quebrando a cara” ou me surpreendendo, rs.⠀

O grande Gatsby não é nada do que imaginei, nada do que minha “visão periférica” tinha vislumbrado. Não é sobre o glamour de uma era. Ou, melhor, até é. Mas é sobre o outro lado. O grande Gatsby é uma crítica social daquelas!⠀

A história, contada por Nick, vizinho de Gatsby, é escrita com uma leveza e aparente aleatoriedade (não tem como não referenciar com o jazz) que nem parece que vamos nos deparar com o que, de fato, nos deparamos.⠀

Não à toa, agora eu sei, figura sempre nas listas de livros que “devemos” ler.

 

 

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Sinopse: Nos tempos de Jay Gatsby, o jazz é a música do momento, a riqueza parece estar em toda parte, o gim é a bebida nacional (apesar da lei seca) e o sexo se torna uma obsessão americana. O protagonista deste romance é um generoso e misterioso anfitrião que abre a sua luxuosa mansão às festas mais extravagantes. O livro é narrado pelo aristocrata falido Nick Carraway, que vai para Nova York trabalhar como corretor de títulos. Passa a conviver com a prima, Daisy, por quem Gatsby é apaixonado, o marido dela, Tom Buchanan, e a golfista Jordan Baker, todos integrantes da aristocracia tradicional.

Na raiz do drama, como nos outros livros de Fitzgerald, está o dinheiro. Mas o romantismo obsessivo de Gatsby com relação a Daisy se contrapõe ao materialismo do sonho americano, traduzido exclusivamente em riqueza.

Aclamado pelos críticos desde a publicação, em 1925, O grande Gatsby é a obra-prima de Scott Fitzgerald, ícone da “geração perdida” e dos expatriados que foram para a Europa nos anos 1920.

O legado de Eszter, Sándor Márai

 

 

Autor: Sándor Márai
Lit. Húngara / Clássico
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 113
Ano: 2001
Ano de Publicação Original: 1939

 

Sabe quando você lê um livro e gosta tanto que compra – cega e obsessivamente -todos os outros do autor? Foi o que aconteceu quando li As Brasas, comprei tudo que encontrei de Sándor Márai, e não me arrependo.

O Legado de Eszter foi escrito uns poucos anos antes de As Brasas, e eu diria que é como uma prévia do que viria a ser a obra-prima do escritor. Como sempre, o enredo é muito simples e o foco está na condição humana, nos sentimentos, nos comportamentos.

Eszter e Nunu, uma antiga criada, recebem um comunicado de que Lajos voltará para lhes fazer uma visita, após vinte anos de ausência. Todos naquela casa se preparam para a chegada daquele homem sem caráter, sem escrúpulos, que fora cunhado de Eszter e o único homem que ela amou na vida.

Sem reviravoltas ou grandes floreios, Márai nos leva para dentro daquela casa, nos faz sentir todo o peso que paira sobre aquele lugar, sobre tudo que ele poderia ter sido e vivido. Vai nos sufocando com palavras carregadas de angústia e amargura, nos enfeitiçando com um texto limpo e delicado e, pouco a pouco, vai tirando as camadas que cobrem e sustentam Eszter, até que ela se transforme em pó, como se não aguentasse tamanha nudez.

Quem gostou de As Brasas certamente gostará de O legado de Eszter, pois segue a mesma linha intimista e dolorosa. Só não esperem que seja superior, não é, é um livro bem mais simples, mas maravilhoso. Vale a pena!

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“Passado algum tempo não é possível ‘acertar-se’ nada entre as pessoas; compreendi essa verdade desesperançada ali, no banco de pedra. O homem vive e remenda, repara, constrói e depois, por vezes, estraga a vida; mas com a passagem do tempo percebe que o todo, que se erigiu daquela forma, a partir dos erros e acasos, não é modificável. Lajos já não podia fazer mais nada. Quando alguém emerge do passado e anuncia em tom comovido que deseja acertar ‘tudo’, o propósito só pode suscitar compaixão e riso; o tempo já ‘acertou’ tudo, a seu modo singular, o único possível.”

Sinopse: Eszter e a velha criada Nunu já se acomodaram a uma existência de aldeia, quase solitária, pacata, acreditando-se livres das memórias de uma época em que a energia e o encanto de Lajos aturdiam a todos na casa. Naquele tempo, enfeitiçados por suas promessas, os pais e os irmãos de Eszter entregaram- lhe quase tudo o que tinham.

Entretanto, Eszter e Nunu recebem um dia um telegrama: Lajos anuncia que voltará, depois de uma ausência de vinte anos. As duas se debatem entre a esperança de que virá para saldar suas dívidas e o pressentimento do perigo – talvez venha em busca de algum resto da herança miúda deixada pelo pai de Eszter.

Atordoada por um turbilhão de sentimentos contraditórios, ela se prepara para a chegada. Lajos – que entre juras de amor por ela, Eszter, desposou sua irmã Vilma -, o falsificador de promissórias, o descrente, o fugitivo, o indigno de confiança, o que mente com lágrimas de verdade, foi o único homem que Eszter amou.

Assistimos, incrédulos, aos passos sedutores de Lajos, ensaiados, e à entrega angustiada mas inevitável de Eszter. Um fim paradoxal revela a lei ausente dos manuais de ética: o que um dia se iniciou tem de ser encerrado. Descobrimos que ´as decisões solenes e definitivas, que traçam o relevante na linha do destino de nossas vidas, são bem menos conscientes do que acreditamos mais tarde, nos momentos de rememoração e lembrança´. Na prosa límpida e precisa de Márai, ao emergirem das páginas, Eszter e Lajos se alinham aos personagens inesquecíveis da literatura universal.

Pais e Filhos, Ivan Turguêniev

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Autor: Ivan Turguêniev
Literatura Russa / Clássico / 1001 livros
Editora: Cosac Naify
Páginas: 352
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1862

 

Pais e Filhos foi lançado em 1862 e para que entendamos bem a grandiosidade desta obra devemos contextualizá-la muito bem. A Rússia passava por um momento de grande impacto social: o fim da servidão, regime em que o camponês era propriedade do dono da terra. Turguêniev, brilhantemente, não só faz um panorama deste novo cenário, como se aproveita dele para nos mostrar com mais intensidade as relações entre pais e filhos e as divergências de pensamento entre essas diferentes gerações.

Arkádi acaba de terminar a faculdade e resolve retornar, ao lado de seu amigo Bazárov, à propriedade de seus pais. Eis onde tudo começa. Da propriedade da família de Arkádi à da família de Bazárov, passando – estrategicamente (e, por que não, romanticamente?) – pela casa de Ana Serguêievna, Turguêniev vai nos apresentando as ideias e as atitudes das diferentes gerações, desde o pai que tenta se modernizar, às mães e seu amor irrestrito, até o tio conservador que não aceita tudo facilmente.

Bazárov se considera um niilista, aquele que não crê em nada, que se recusa a seguir regras e a reconhecer autoridades. É um personagem fantástico, mas de uma arrogância que me deu raiva. Turguêniev o coloca – aparentemente – em um pedestal, como se ele fosse o herói de tudo. Mas… mas… aparentemente. Ou, ironicamente!, já que o autor nos mostra que o niilismo de Bazárov não se sustenta por completo.

Então, quem estava certo? Os tradicionalistas ou os niilistas? Nem um, nem outro. Nem Pável, o tio conservador de Arkádi, nem Bazárov, seu antagonista. Turguêniev alfineta os dois lados, ambos sucumbem – aqui e acolá – ao que rechaçam.

E os pais? Sempre os pais! Sempre presentes, sempre ali, faça chuva ou faça sol! Dispostos a tudo, inclusive a não falar com seus filhos, se assim o desejarem. Como somos imaturos aos 20 e poucos anos! Como entendemos pouquíssimo da maternidade quando ainda não somos mães… Deu para sentir o que sentiram os pais de ambos os jovens, sem que Turguêniev precisasse sequer nos descrever.

O amor, diante de tanta negação, é, talvez, o maior vencedor desse livro. Ou sou eu que vejo amor em tudo… É para os braços dos pais que os filhos voltam, é nos braços da amada que os jovens querem estar, por mais que queiram romper com qualquer ideia do romantismo.

Turguêniev abordou diversos temas de forma simples, contando uma história que quase não tinha o que contar, mas que, incrivelmente, traz uma profunda reflexão para o leitor acerca das relações humanas. Nem niilismo, nem tradicionalismo, Pais e Filhos é muito mais que meros conceitos. Muito bom!

5 Estrelas

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Sinopse: Traduzido pela primeira vez diretamente do russo para o português, este clássico é responsável por uma das maiores polêmicas da literatura russa. No início da década de 1860, dois eventos transformaram significativamente a sociedade russa: o fim da servidão e a fundação do movimento Terra e Liberdade, organização secreta que lutava contra as autoridades e instituições oficiais. A abordagem desse contexto fez com que Pais e filhos despertasse uma das maiores fendas da história da literatura russa. O termo “niilista” se popularizou e Ivan Turguêniev (1818-1883) foi acusado de ser responsável por atos criminosos cometidos por radicais influenciados por sua obra. Na trama, o jovem Arkádi Nikolaitch, acompanhado de seu amigo e mentor Bazárov, volta à propriedade de sua família após formar-se na universidade. Bazárov é um personagem singular: despreza qualquer autoridade, é antissocial e se autoproclama um “niilista”.

Édipo Rei, Sófocles

édipo rei

 

 

Autor: Sófocles
Clássico / Tragédia Grega / Teatro Grego
Editora: Zahar
Páginas: 118
Ano: 2013
escrito por volta do ano de: 427 a.C.

 

Li Édipo Rei pela primeira vez ainda criança, em uma daquelas edições adaptadas, em prosa, que as escolas adotam. Não me lembrava dos detalhes, mas como gostara da leitura, sempre tive vontade de ler o texto na íntegra. Então, quando me deparei com essa edição caprichada – e comentada! – de O Melhor do Teatro Grego, que inclui Prometeu acorrentado, Édipo Rei, Medéia e As Nuvens, não pensei duas vezes em comprá-la.

O livro traz uma breve apresentação sobre o teatro grego, um pequeno glossário e, para cada peça, uma introdução, a peça comentada e o perfil dos personagens. Uma mão na roda para leitores não habituados a poemas trágicos.

A peça, escrita por Sófocles por volta do ano 427 a.C, começa na frente do palácio real de Tebas, onde um grupo de suplicantes, liderados pelo Sacerdote de Zeus, pede a Édipo que intervenha para que eles se livrem da peste que assola a cidade. Para isso, Édipo precisa encontrar o assassino de Laio, o antigo rei. Ao longo do livro, na busca de tal assassino, acompanhamos muitas descobertas e reviravoltas.

Apesar de ser uma história conhecida, prefiro não detalhar os acontecimentos, pois a maneira pela qual a verdade vai vindo à tona foi me empolgando ao longo do texto, embora eu conhecesse o destino de Édipo.

É inevitável pensar em quantos autores foram influenciados pela ironia trágica de Sófocles, e em quantos outros tantos sofreram influência dos já influenciados por ele, uma espécie de influência “por tabela”, sem, muitas vezes, nem se dar conta disso. O que me leva a pensar também sobre originalidade, se podemos chamar de original um autor contemporâneo ou se ele vai estar sempre à sombra dos mestres da antiguidade.

O texto não é nenhum bicho de sete cabeças, apesar de também não ser uma leitura tão simples. Com um pouco de boa vontade e concentração dá para ler com tranquilidade. A edição comentada valeu a pena e certamente me ajudou bastante.

Sempre que leio livros de outras épocas me pego pensando que o ser humano não muda, não evolui, como costumamos achar (sem parar para pensar). Sim, avançamos em ciência, tecnologia e afins, os costumes mudam, mas na essência somos os mesmos. Ainda se sente inveja, rancor, dor, alegria, compaixão… as pessoas ainda sofrem por amor, ainda traem umas às outras, ainda se vingam… Para uns, isso é óbvio, para outros, pode ser chocante.

Édipo Rei, com sua trágica ironia, nos toca e nos enternece. Fala de culpa, de erros, de autopunição e, desde então, nos faz refletir sobre destino e se podemos fugir dele. Dificilmente vai ser o seu livro preferido, mas nem por isso é menos fantástico. Vale a leitura e gostinho de saber um pouco mais sobre literatura.

5 Estrelas

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edipo rei sofocles

 

Sinopse: A consagrada tradução do especialista em grego, Mário da Gama Kury

Édipo, rei de Tebas, acredita ser filho do rei Pôlibo de Corinto e de sua rainha. Ele havia se tornado governante de Tebas depois de salvar a cidade desvendando o enigma da Esfinge que vinha devorando os tebanos, incapazes de decifrar os enigmas propostos pelo monstro. Como Laio, o rei de Tebas havia sido morto durante uma viagem, Édipo casa-se com a rainha viúva, Jocasta, e assume a coroa. Édipo havia deixado Corinto para sempre porque um oráculo profetizou que ele mataria seu próprio pai e se casaria com sua mãe. Na viagem de Corinto para Tebas, Édipo encontra um homem velho e cinco servos. Sem saber que se trata de Laio, seu verdadeiro pai, Édipo discute com ele e, num ataque de arrogância, mata o homem e seus servos. Por muitos anos Édipo governa Tebas como um grande e valente rei. Até que uma peste começa a dizimar os habitantes da cidade e Édipo ordena uma consulta ao oráculo Tirésias. Tirésias lhe revela então que todo infortúnio que se abate sobre a cidade é causado por ele próprio, por ter assassinado o pai e casado com a própria mãe.

O Corcunda de Notre Dame, Victor Hugo

o corcunda de notre dame victor hugo

Autor: Victor Hugo

Clássico / Literatura Francesa / 
1001 Livros

Editora: Zahar

Páginas: 496

Ano: 2013

Ano de Publicação Original: 1831

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Antes mesmo de terminar a leitura de Os Miseráveis, eu já sabia que ia querer ler tudo que Victor Hugo escrevera. Então, assim que concluí o que se tornou o melhor livro da minha vida, engatei em O Corcunda de Notre Dame com altas expectativas.

A história se passa na Paris de 1482 e não tem um personagem principal, como pode sugerir o título, mas vários. O Corcunda de Notre Dame nos fala não só do corcunda Quasímodo, mas também da cigana Esmeralda, do poeta pobretão Gringoire, do capitão mau caráter Phoebus e, principalmente, do arquidiácono Claude Frollo.

Assim como em Os Miseráveis, Victor Hugo dá tanta vida a cada personagem e os caracteriza tão incrivelmente bem que ficamos sem saber quem é o protagonista. Talvez, como acreditam muitos, a protagonista aqui seja a catedral, ou mesmo Paris e suas ruas. É tudo muito bem fundamentado e ricamente detalhado.

Quasímodo foi abandonado na catedral quando ainda era bebê e foi adotado por Claude Frollo, o arquidiácono, que o criou isolado dentro da Notre Dame e deu-lhe a função de sineiro. Ele, que já era coxo, deformado e caolho, desenvolveu uma surdez devido ao barulho dos sinos.

Esmeralda, muito ingênua, não tinha ideia de sua beleza. Era uma cigana linda, exuberante, que cantava e dançava nas praças com sua cabra, arrancando olhares e suspiros dos homens.

Prefiro não falar no papel de Esmeralda na relação entre Quasímodo e Frollo. Aliás, melhor não contar mais do desenrolar da história, dos amores e desamores, das torturas e crueldades, da miséria e seu contraste com o luxo da realeza.

Victor Hugo é extremamente detalhista, especialmente na primeira metade do livro. Ele fala de arquitetura, de como ela era uma forma de se contar e de se registrar uma história, ou a História. Descreve a catedral, as ruas e os prédios de Paris minuciosamente.

Por mais admirável que pareça a Paris do presente [séc.XIX], imaginem a Paris do século XV, reconstruam-na em pensamento, observem o céu através daquela aleia surpreendente de pináculos, de torres e de campanários, circulem pela imensa cidade, pela ponta das ilhas, acompanhem os arcos das pontes do Sena, sobrepondo-se às águas que tomam cores ora esverdeadas, ora amareladas, mais cambiante do que uma pele de serpente; recortem claramente sobre o horizonte azul o contorno gótico daquela velha Paris; façam-no flutuar na névoa de inverno que se agarrava às suas inúmeras chaminés; mergulhem-no numa noite profunda e reparem o estranho jogo de trevas e luzes no sombrio labirinto de edifícios; acrescentem um raio de lua que vagamente o desenha e deixem escapar da bruma os grandes picos das torres; ou retomem essa negra silhueta, reavivando com sombra os mil ângulos agudos das flechas e dos frontões e deixem que ela se realce, mais denteada que a mandíbula de um tubarão, contra o céu de cobre do poente.

Ele toma capítulos inteiros descrevendo a cidade ou a catedral, e interrompe, aqui e acolá, a história para explicar como funcionava coisa tal na época em questão, o que pode ser cansativo para alguns leitores. O que posso dizer como estímulo é que vale o esforço.

Em um capítulo específico, Victor Hugo nos coloca no alto da catedral, pede que olhemos adiante e começa a descrever tudo, tudo mesmo. Comecei esse capítulo lendo meio rápido, querendo chegar logo ao próximo, querendo voltar aos personagens. Então, parei e pensei “que outra oportunidade de visitar a Paris do século XV eu terei?” Recomecei o capítulo devagar, sem pressa, fechando os olhos e visualizando cada construção à minha frente. Foi um deleite, inebriante. Como arquiteta que sou, talvez tenha sido mais fácil, mas vale tentar.

O Corcunda de Notre Dame fala de amor, de amores, dos vários tipos de amor. Fala do amor de mãe, eterno, único, incondicional, o maior de todos. Fala do amor de um filho renegado para com o pai que o criou. Fala de amor romântico, utópico, sonhador e cego. Fala de amor não correspondido e como cada um reage diferente a ele. Fala do amor obsessivo, cruel, do amor que não é amor. Fala do amor entre irmãos, de compaixão e do amor desprendido, do amor que não quer nada em troca, que deseja a felicidade do outro acima de tudo.

Victor Hugo critica e ironiza a justiça, critica as desigualdades e as penalidades, o autoritarismo e o clero. Fala do perigo das generalizações, fala de preconceitos, de como ele pode afastar de você as coisas boas, de como ele pode afastar de você aquilo que você mais procura.

O livro tem personagens bem marcantes e bem construídos. Quasímodo passa por um conflito interno, uma angústia em relação ao seu pai adotivo e Esmeralda que é quase palpável. Tão real e profundo quanto, é o conflito que Frollo vive durante todo o livro. O que dizer da sachette que tanto mal desejou às ciganas? De partir o coração.

Na verdade, de partir o coração mesmo são as linhas finais dessa história. Emocionante, não há outra palavra.

É preciso que se diga ainda que esse livro não chega perto do que é Os Miseráveis, e não por ser fraco ou algo do tipo, mas simplesmente porque nada chega perto de Os Miseráveis. O Corcunda de Notre Dame é um livro excelente, apenas. rs 

5 Estrelas 4.5 corações

 

 

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Sinopse: Na Paris do século XV, a cigana Esmeralda dança em frente à catedral de Notre Dame. Ao redor da jovem e da igreja, dançam outros personagens inesquecíveis – como o cruel arquidiácono Claude Frollo, o capitão Phoebus, a velha reclusa Gudule e, claro, o disforme Quasímodo, o corcunda que cuida dos sinos da catedral. Com uma trama arrebatadora, que tem a cidade de Paris como bem mais do que um mero pano de fundo, Victor Hugo criou um dos grandes clássicos do romantismo francês, de leitura irresistível.

Essa Edição Comentada e Ilustrada inclui tradução, apresentação e notas de Jorge Bastos Cruz e mais de 50 ilustrações originais.

As Peças Infernais (Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica), Cassandra Clare

Anjo Mecânico – As Peças Infernais #1

anjo mecanico cassandra clare

 

Autora: Cassandra Clare
Fantasia / Young Adult
Editora: Galera Record
Páginas: 392
Ano: 2012

 

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5

Há algum tempo quero ler os livros da Cassandra Clare, mas temia ler mais do mesmo e cansar do mundo sobrenatural e fantasioso – um pouco do que aconteceu com as distopias. Quão errada estava eu! Se você tem os mesmos receios, não os tenha! Anjo Mecânico é superior a tudo que já li do estilo.

Esse é o primeiro livro da série As Peças Infernais, que se passa no mesmo mundo de Os Instrumentos Mortais, porém muitíssimos anos antes, na Londres vitoriana de 1878. Diferente da maioria dos leitores, não li nenhum livro da série Os Instrumentos Mortais (hoje já li rs), então não tenho como opinar por qual série a leitura deve ser iniciada.

Anjo Mecânico começa a contar a história de Tessa, uma novaiorquina que acaba de se mudar para Londres atendendo a um chamado de seu irmão Nathaniel. Tessa vai se ver presa pelas Dark Sisters, sem saber nenhuma notícia do seu irmão e cheia de poderes antes desconhecidos. Na busca por Nathaniel, ela descobre que tem um dom raro e passa a conhecer um mundo novo, cercado de seres do submundo e de caçadores de sombras, cercado de mistérios e magia, de amigos e inimigos. Nessa procura conhece, dentre outros, Jem e Will, amigos inseparáveis, nefilins, que tentarão, cada um a sua maneira, proteger a inocente Tessa.

Não é só um livro sobre vampiros, nefilins e bruxos. É muito mais. É sobre mistérios e segredos. Sobre mundos e submundos. Sobre anjos e demônios. O mundo que a Clare criou é surpreendente e espetacular. Diria que é mais um livro de fantasia do que de seres sobrenaturais. Somado a isso, ponha uma Londres da era vitoriana meio sombria, ricamente apresentada. Quer mais? Tem mais. Um triângulo amoroso começa a ser embasado de uma maneira singular, singela e original – ou o quão original um triângulo amoroso pode ser. E, apesar de não ser o foco principal da trama, ele vai ditar muitas das atitudes e dos fatos que ocorrem.

A escrita. O que falar da escrita de Cassandra Clare? Estupenda! O desenvolvimento do enredo é perfeito, a qualidade descritiva é muito boa e os personagens são contagiantes, fortes e carismáticos.

A autora fez de uma história juvenil, um livro para ser lido por jovens de qualquer idade, tenha ele dez ou cem anos. Fez do comum, um mundo encantador que nos tira do chão e nos faz virar página atrás de página, incessantemente. Entrou para o rol dos meus autores favoritos, sem pestanejar. Muitas estrelinhas e muita sede pelo próximo livro, Príncipe Mecânico.

4.5 Estrelas 4.5 corações

Príncipe Mecânico – As Peças Infernais #2

principe mecanico cassandra clare

AUTORA: CASSANDRA CLARE
FANTASIA / YOUNG ADULT
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 406
ANO: 2013

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5. Pode conter spoilers do livro anterior.

Como comentar um livro tão fantástico – em todos os sentidos – como esse? A euforia em torno dessa série era tão grande que fui convencida a lê-la e ao terminar o primeiro livro pensei ter entendido o motivo de tamanha fama, afinal o mundo criado pela autora é, de fato, fascinante e facilmente se destaca no meio de tantos livros do gênero. Mas foi na leitura de Príncipe Mecânico que eu fiquei atônica, sem ar e sem palavras.

Em Príncipe Mecânico temos a capacidade de Charlotte em comandar o Instituto de Londres posta à prova pelos Lightwoods, que dão um prazo para que ela encontre o temido Mortmain. Se Charlotte perder a posição de chefia, Tessa certamente não terá para onde ir e, por esse e outros motivos, todos no Instituto vão se empenhar ao máximo para provar que Charlotte é capaz, sim, de continuar no cargo. E é em torno dessa busca por Mortmain que os fatos acontecem.

No desenrolar da história, o triângulo amoroso, antes leve e juvenil, ganha destaque e profundidade e, se posso afirmar algo com veemência, é que ele vai partir seu coração em dois. Sempre que li histórias envolvendo três pessoas, tive minha preferência por um dos personagens facilmente escolhida e torcia para que a autora “desse um jeito” de encontrar um novo amor para a terceira pessoa e, pronto, estava tudo resolvido. No entanto, em As Peças Infernais, lhes digo, não há como escolher entre Will e Jem. Simplesmente não há! Esse deve ser o triângulo amoroso mais angustiante de toda a literatura juvenil e o mais bem construído também. Não tenho ideia de como Cassandra Clare vai desatar esse nó, pois seja qual for sua escolha, vai dilacerar o que sobrou de nós. E, Cassandra, se você matar o Jem…

Além do mundo de fantasia fascinante criado, o fato de a história se desenrolar em Londres, no ano de 1878, só me fez gostar ainda mais dessa trilogia, pois por vezes sentimos como se estivéssemos lendo algum clássico inglês, com linguajar mais formal, trajes e costumes condizentes com a época, ruas sombrias e carruagens. Toda a magia de uma era se une à fantasia dos personagens de forma que encanta e vicia.

Tessa: Se tornou uma das minhas personagens femininas preferidas. Ela é forte, carismática e prestativa, e suas atitudes e pensamentos são sempre condizentes com o perfil e caráter que lhe foi dado pela autora.

Will: Um garoto lindo, de fazer suspirar e delirar, mas que carrega uma maldição que o faz afastar todos que dele se aproximam. Como não amar um Will que, por trás de uma fachada de pedra, faz de tudo pelos amigos?

Jem: Um coração doce, do mais açucarado que você possa imaginar, mas que está morrendo lentamente, viciado em uma droga que ao passo que lhe tira a vida, também lhe mantém nela.

A amizade parabatai entre Will e Jem só poderia existir na ficção de tão utópica que é. Parte fundamental de toda a trama, ela acalenta – e nos destrói em um determinado momento.

Jessa: Sobre Miss Lovelace só digo uma coisa: vai lhe dar ainda mais raiva do que no primeiro livro.

Henry e Charlotte: O casal na liderança do Instituto que não teve tanto minha simpatia em Anjo Mecânico (não que não tenha gostado!), me ganhou e conquistou um lugarzinho só deles. Henry, vibrei com você! Rs

Todos os personagens, vilões ou mocinhos, são marcantes e muito bem desenvolvidos. Toda ação é precisa, bem embasada e estruturada de forma brilhante. Eu diria que a autora variou de surpreendente a incrível, de perfeito a mais que perfeito, de glorioso a estupendo. Se você ainda não leu porque não gosta de fantasia, bruxos ou qualquer coisa do tipo, vale a pena experimentar essa série e deixar que ela lhe agarre com unhas e dentes. Se dela não gostar, desista, você definitivamente não gosta de fantasia.

5 Estrelas 5 corações

 

Princesa Mecânica – As Peças Infernais #3

princesa mecanica cassandra clare
AUTORA: CASSANDRA CLARE
FANTASIA / YOUNG ADULT
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 434
ANO: 2013

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5. Pode conter spoilers dos livros anteriores.

E Cassandra Clare desatou o nó…

No segundo livro da série As Peças Infernais pensei em todas as possibilidades que a autora teria para desatar o nó que criou com o triângulo amoroso e nenhuma parecia aceitável, todas já doíam no peito antes mesmo de acontecerem. Jem morreria para que Tessa pudesse ficar com Will? Will deixaria que seu parabatai fosse feliz com sua amada Tessa? De qualquer forma teríamos ou o coração de um ou do outro partido – e consequentemente o nosso também se despedaçaria, não?

Princesa Mecânica se desenrola em torno da tentativa de destruir o exército mecânico criado por Mortmain e de descobrir suas verdadeiras intenções. Além disso, o consul, se sentindo ameaçado e desobedecido por uma mulher, tenta tirar o poder das mãos de Charlotte, que o alerta de todas as formas sobre As Peças Infernais de Mortmain. No meio de toda essa “guerra” ainda temos o turbilhão de emoções entre o trio Tessa, Jem e Will. Jem está a cada dia mais debilitado e Will cada vez mais disposto a ajudá-lo. Entre eles, uma Tessa dividida igualmente entre dois amores.

Se nos dois primeiros livros o foco é o trio principal, no terceiro volume os personagens Cecily, Sophie, Gideon, Gabriel, Charlotte, Henry e Magnus Bane são tão importantes quanto e tem suas vidas abertas para o leitor. Finalmente descobrimos a origem de Tessa, quem e o que ela é, e fiquei encantada acompanhando o raciocínio da autora.

Reafirmo o que disse sobre os livros anteriores: a escrita um pouco mais formal e o cenário de uma Londres vitoriana é mais que um deleite. Eu diria que a característica principal da série é a emoção, apesar de a ação e o mistério serem partes igualmente importantes. Os laços entre os personagens são tão fortes que superam os laços sanguíneos, e ver essa amizade madura e incondicional encanta e enche nossos olhos. O desprendimento e o amor imensurável aquece as entrelinhas de uma história pra lá de fantástica, que certamente deixa um vazio em que a lê.

Epílogo Ah, o epílogo! Sem palavras para descrevê-lo… Chorei as lágrimas que não caíram durante toda a série, me derramei sem parar até fechar o livro e colocá-lo de volta na linda jacket que o acompanha. Perfeito…devastador, alegre, angustiante, feliz, triste…perfeito!

5 Estrelas5 coraçõesfavoritos

as peças infernais

The Infernal Devices – Dos livros mais lindos da minha estante ❤

Juventude Brutal, Anthony Breznican

juventude brutal

 

Autor: Anthony Breznican
Ficção Realística
Editora: Pavana
Páginas: 496
Ano: 2015

 

 
Que leitura incrível!! Esse livro foi uma surpresa muito agradável, uma história bem melhor do que imaginei e diferente de tudo que já li. Não é o tipo de livro que eu escolheria na prateleira de uma livraria e talvez nem me interessaria se me contassem a história. Ainda bem que o ganhei e tive o prazer de lê-lo!!

Bullying?! Imaginei uma história batida, previsível e sem graça, daquelas que o garoto popular xinga e humilha o garoto sem jeito, o gordo, o tímido, o nerd, o feio, até que um dia precisa de sua ajuda, percebe que agia errado, se desculpa e muda da água para o vinho. Já li muitas histórias assim e uma hora elas cansam. Juventude Brutal não é nada disso. É cruel, é real! É viciante!

O romance de estreia do americano Anthony Breznican nos leva, aos anos 90, à St. Michael, uma escola particular católica conhecida pelos trotes que os veteranos fazem com os calouros. É lá que nos deparamos com o carismático Davidek, que logo faz amizade com Stein, um garoto cheio de enigmáticas cicatrizes no rosto, e com Lorelei, uma menina linda, mas nada popular, que está disposta a mudar essa situação. São os três personagens principais, todos calouros e meio solitários, apesar de suas qualidades, que irão passar por poucas e boas – ou muitas e ruins! – durante todo o primeiro ano do colegial.

Breznican abre o livro com um prólogo maravilhoso, de tirar o fôlego e aplaudir de pé. Uma das melhores introduções que já li, que trouxe com ela grandes expectativas e algumas teorias. Comparado ao prólogo, os primeiros capítulos são um tanto confusos e me entediaram um pouco. Porém, quando nos habituamos à escrita do autor e entendemos melhor a história que ele quer contar, é impossível largar o livro. Fazia tempo que eu não me deparava com uma leitura tão viciante!

A história é contada em 3ª pessoa e alterna o foco entre os personagens, o que nos aproxima bastante deles e nos permite enxergar tudo por diversos ângulos. A escrita é maravilhosa, feita com um esmero perceptível e um rico vocabulário. A estrutura da narrativa é muito boa, com uma montagem espetacular da personalidade daqueles jovens. Pouco a pouco, serpenteando entre as páginas, vamos descobrindo seus segredos e mistérios, vamos encaixando as peças que moldam suas atitudes e as compreendendo melhor.

Quando o bullying começa passei a me perguntar se tudo aquilo era meio caricatural, tamanha a crueldade. Parece exagerado, mas parei para pensar em casos reais que são noticiados comumente nos jornais e percebi que era, sim, um retrato de uma escola doente, com alunos problemáticos. Era a consequência de pais omissos e professores sem vocação.

Os personagens, mesmo os secundários, são muito bem construídos. Por trás de cada um deles há um porquê, há um motivo para cada atitude, por mais injustificável que seja. De alguns personagens senti raiva, de outros, pena. As histórias de suas vidas são de partir o coração e nos deixa meio melancólicos, como se sentíssemos todo aquele sofrimento. São personagens atemporais, adolescentes carentes de atenção, e, como tais, facilmente influenciáveis.

Preciso ainda dar destaque a Hanna, uma personagem espetacular. Talvez a melhor de todo o livro. Não quero dar spoilers, mas fiquei com uma dor no peito por ela muitas vezes. Aliás, é assim que nos sentimos em muitos, muitos trechos.

E os adultos? O que falar dos adultos desse livro? Todos culpados, todos negligentes! Famílias completamente desestruturadas, pais e professores que preferem se acomodar, que preferem não enxergar a tragédia diante de seus olhos. São injustos, até desumanos, e não param para ouvir o que os adolescentes tem a dizer.

Breznican conseguiu reunir em um só livro histórias terríveis de bullying e trote, histórias de amizade verdadeira, de traição, de mágoa, de segredos e de confiança. Conseguiu fazer uma crítica aos pais ausentes e aos educadores despreparados. Falou ainda em chantagem e seu poder de destruição.

Jovens precisam de bons exemplos, sem isso tudo desanda com facilidade. Eis a mensagem principal dessa história intensa, dura, real e triste.

Como não recomendar um livro que você não conseguia parar de ler? Fiquei sempre curiosa, querendo saber o que aconteceria, querendo entrar naquelas páginas e dar uns bons gritos e alguns conselhos. Esperava um final diferente, mais romanceado, mas, pensando bem, ele não poderia ter sido mais genuíno, mais real. Mesmo com toda dureza, é uma leitura viciante. Já falei isso, não?! :))

Os mocinhos nem sempre vencem no final. Às vezes, eles têm sorte de simplesmente continuarem sendo caras legais.

4.5 corações 5 Estrelas

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Ilustração que fizeram de uma cena do livro ❤

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Stein e Lorelei :)))

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...enquanto o bebê dormia... <3

…enquanto o bebê dormia… ❤

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Sinopse – Juventude brutal: Quando Peter Davidek é matriculado na escola católica St. Michael, a escola já colhe a reputação de ter se transformado em depósito de delinquentes e abrigo de religiosos estridentes. Em seu primeiro dia de aula, as tensões explodem: um aluno perde a cabeça e desfere um ataque violento contra os colegas que o atormentavam e contra os professores, que sempre assistiam a tudo sem tomar nenhuma providência. Nesse ambiente desesperador, Davidek se torna amigo dos também calouros Noah Stein, um garoto instável que leva no rosto as cicatrizes de um passado difícil, e Lorelei Paskal, uma menina linda e solitária que, empenhada em se tornar popular, só consegue fazer inimigos.
Para conseguir sobreviver ao primeiro ano na escola, o trio junta forças contra a cultura do bullying perpetuada por funcionários como a amarga srta. Bromine e o padre Mercedes, que usa os alunos como bode expiatório para desviar dinheiro da igreja. 

Como um conto de terror, Juventude brutal, acompanha os alunos da St. Michael em sua descoberta de que abraçar a maldade pode ser a única maneira de sobreviver.