Crianças francesas não fazem manha, Pamela Druckerman

Autora: Pamela Druckerman

Não-Ficção / Educação Infantil / Cultura Francesa

Editora: Fontanar

Páginas: 272

Ano: 2012

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Subestimei demais este livro. Um dos motivos foi por ter ouvido falar que a autora recomendava deixar o bebê chorando por um bom tempo para discipliná-lo. E, bem, ela não faz isso. Na verdade, diferente do que imaginei, ela não recomenda nada. Pamela Druckerman apenas diz como as coisas são na França. Simples assim!

A autora, uma jornalista novaiorquina que se muda para Paris depois de se casar, começa a observar as diferenças comportamentais entre franceses e americanos quando engravida de sua primeira filha. Eu não esperava que o livro fosse quase um relato de uma experiência pessoal, então estranhei um pouco o começo, quando ela estava se apresentando, mas após entender o propósito do livro, passei a gostar bastante.

Quem espera um manual, uma lista de problemas e soluções ou algo do tipo, irá se decepcionar. O livro é mais para entender, de uma maneira descontraída e bem-humorada, a filosofia francesa de educar (que não é lá muito bem-humorada, rs)Se ela é boa ou ruim em médio e longo prazo não se sabe, mas ela parece funcionar ali, no quesito disciplina e boa alimentação, na primeira infância.

Entendendo essa filosofia, o leitor pode incorporar à sua rotina, dentro de seus princípios, os hábitos que julga bons, mas a verdade é que não dá para “ser francesa” fora da França. Os franceses parecem dispostos a seguir as mesmas regras sociais [sem nem perceber], incluindo corrigir deslizes dos filhos dos outros. A maneira como eles educam os filhos é muito homogênea, o que facilita a vida de todos. Não tem, por exemplo, uma tia oferencendo doce na hora errada ou deixando o sobrinho bagunçar toda a sua casa. É como se, em prol de uma sociedade sem crianças birrentas, todos se empenhassem.

Essa homogeneidade pode parecer fantasia da autora, mas já li o mesmo em outros livros, como Piquenique na Provence, de Elizabeth Bard, jornalista americana casada com um francês. O livro de Bard não foca na maternidade, mas como ela engravida e tem um bebê, seu relato se assemelha muito – muito mesmo – com o de Pamela.

Não existe muita novidade nas “técnicas” francesas, são os famosos limites, a diferença é que eles conseguem seguir com rigor e firmeza o que julgam correto.

O livro é bem escrito e muito bem estruturado, e, mesmo que não se concorde com toda a filosofia educacional francesa, há sim bons hábitos e boas dicas (muitas!) para serem incorporadas ao nosso dia-a-dia. De toda forma, tendo filhos ou não, é uma ótima leitura para quem gosta e quer entender um pouco mais do estilo de vida francês. Vale a leitura!

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Sinopse: Exaustão com o choro e a manha das crianças pequenas, falta de tempo para suas próprias necessidades e para um convívio romântico em casal, sofrimento com insegurança, preocupação excessiva, dependência e culpa. Tudo isso faz realmente “parte do pacote” de ter filhos? Pamela Druckerman começou a perceber que, na França, a resposta é um enfático não. A jornalista americana se muda para Paris logo após se casar. Lá, além das diferenças culturais mais conhecidas, começa a observar que as crianças se comportam de forma muito mais educada do que jamais viu. Estarrecida, ela percebe que os jantares nas casas dos franceses não são eventos caóticos em que crianças interrompem os adultos, brigam com os irmãos ou reclamam dos legumes. Esse é apenas um dos exemplos que a fazem querer descobrir qual é a mistura de autoridade e relaxamento dos pais que faz com que as crianças francesas sejam tão comportadas, sem ficarem reprimidas ou sem personalidade. Afinal, qual é o segredo para que durmam a noite toda? Para que não tenham ataques de birra em público? Para que sentem-se de maneira educada à mesa e experimentem muito mais do que nuggets e batatas? Para que desenvolvam a autoestima e se tornem articuladas? Os pais que ela observou em Paris parecem ter encontrado o equilíbrio perfeito entre ouvir os filhos e deixar claro que são os adultos que mandam. Dentro de um limite conhecido como cadre, essas crianças têm total liberdade e autonomia, mas fora dele, quem exerce autoridade são os pais. Pamela nota que os franceses conseguem balancear admiravelmente suas necessidades e as das crianças, não se acorrentam a um falso conceito de pais perfeitos e, ainda assim, são atentos, carinhosos e criam filhos educados e felizes. A autora empreende uma surpreendente jornada pela cultura francesa e passa a rever alguns conceitos da criação de filhos. Por anos, ela investiga as respostas a essas e outras questões, além de viver muitas experiências no próprio cotidiano, já que se torna mãe em Paris. O resultado é um relato inteligente, bem-humorado e ao mesmo tempo bem-fundamentado dos segredos dos franceses para ter filhos criativos e educados – e também um manual para os pais não se tornarem escravos de pequenos tiranos.

O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger

 

 

Autor: J.D. Salinger
Clássico Moderno / Lit. Americana / 1001 livros
Editora: do Autor
Páginas: 251
Ano: 2015
Ano de Publicação Original: 1951

 

O apanhador no campo de centeio, de Salinger, estava na minha lista de leitura há bastante tempo, mas eu sempre adiava na esperança de que lançassem uma edição menos feia e com um preço melhor. Terminei gastando quase 80 reais nessa edição em capa mole, sem arte, com péssima diagramação e páginas brancas, muitas falhas de revisão e uma tradução que pode não agradar a todos.⠀

Quando comecei a leitura, estranhei o linguajar vulgar e as gírias esquisitas. Fui atrás do original e me deparei com um texto cheio de palavrões, gírias e muitas, muitas contrações. Meu desconforto com a edição brasileira pode ter sido pelo uso de gírias muito regionais que eu desconhecia. [Debatendo o livro com uma amiga, ela me disse que eram gírias antigas, usadas naquela época, e por isso mesmo ela gosta da tradução, que mantenha vivas essas expressões.] Em algumas situações, não dá pra entender mesmo a intenção da tradução, como quando alguém diz “Oba”, o colega responde “oba”, e no original era simplesmente “hi” e “hi”. Confesso, xinguei os tradutores, coitados, não tinham tanta culpa assim. É o tipo de escrita que, inevitavelmente, se perde na tradução, por melhor que ela seja. Se você lê em inglês, não pense duas vezes.⠀

The Catcher in the rye é narrado em 1ª pessoa por um adolescente cheio de conflitos, que acaba de ser expulso de mais uma escola. Holden não gosta de nada, não consegue se interessar por nenhuma atividade e está sempre meio revoltado com tudo e todos que o cercam. O protagonista critica tanto os outros que termina ele mesmo sendo digno de pena do leitor. [Teria aí alguma referência ao Misantropo de Molière?]

É assim, meio sem começo, sem meio ou fim, meio sem história. É como entrar na cabeça de um adolescente, mas de forma alguma é como se um adolescente o tivesse escrito. Ele não nos daria tantas informações irrelevantes e tão sem graça. Salinger conseguiu escrever um livro que diz muito através do superficial, do banal e do irrelevante. Todo esse dar-de-ombros, esse desejo de fuga e essa inconsistência resultou em um retrato do adolescente perdido.⠀

Tive uma adolescência tranquila, cheia de amigos, então não me identifiquei com o protagonista, mas certamente aquele que se isolou mais nessa fase da vida verá a si mesmo em algumas dessas páginas.⠀

A leitura não foi nada do que eu esperava [mas que mania pretensiosa essa de querer adivinhar o que nos trazem os clássicos, ein?!], mas foi incrível e com cara de que ressoará por muito tempo nas minhas lembranças.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

Esqueceram de mim – Home Alone, John Hughes

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Autor: John Hughes
Ilustrador: Kim Smith
Literatura Infantil / Natal / Livros em Inglês
Editora: Quirk Books
Páginas: 40
Ano: 2015

 

Sou daquelas que já assistiu Esqueceram de Mim um zilhão de vezes e assistiria mais outras tantas vezes. Quando vi a carinha de Kevin Mcallister na livraria, não resisti.

O livro é recente, posterior ao filme, pegando carona no seu sucesso, mas… quem se importa? É bem infantil, com textos curtos, mas contempla bem todo o filme. As ilustrações são lindas, com cores vivas e bem a cara do Natal.

Home Alone é daqueles livros fofos que estimulam a leitura nos pequeninos, e como as crianças estão, a cada dia, aprendendo o inglês mais cedo, certamente vale o investimento. Uma fofura para os pequenos, uma nostalgia sem fim para os “grandinhos”, rs ❤

4 Estrelas

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Esse livro:

Ilustrado *** Para ler em família *** Para crianças bilingues: Preschool 3 (4 a 8 anos)

HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Eight-year-old Kevin McCallister wished his family would disappear. He never thought his wish would come true! The classic movie you know and love is now an illustrated storybook for the whole family—complete with bumbling burglars, brilliant booby traps, and a little boy named Kevin who’s forced to fend for himself. Can he keep the crooks from entering his house? And will his family return in time for Christmas? With an amusing read-aloud story and enchanting, immersive illustrations, this charming adaptation can be enjoyed year after year alongside The Polar Express, How the Grinch Stole Christmas, and other Christmas storybook classics.

O silêncio da água, José Saramago

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Autor: José Saramago
Lit. Infantojuvenil / Nobel / Lit. Portuguesa
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 24
Ano: 2011

 

Diferente do que eu pensava, esse livro não foi escrito especialmente para o público infantil. O Silêncio da Água nos traz um conto não-ficcional extraído do livro Pequenas Memórias do autor. Por ser apropriado para crianças, recebeu ilustrações e uma bela edição póstuma em grande formato e capa dura.

Quando um vencedor de Nobel escreve um livro – no caso um conto – o leitor sempre espera algo genial. Confesso que terminei a leitura decepcionada, querendo algo a mais. Abri o computador para escrever o que achei do livro e tive vontade de relê-lo, mas nem precisei. A história foi tomando forma, foi crescendo, se agigantando tal qual o enorme peixe ilustrado na capa e, ao mesmo tempo, se tornando delicada, como uma simples, mas memorável, lembrança de infância.

Saramago nos conta uma pequena aventura de seu tempo de criança, quando vivia perto do rio Almonda e, ao ir lá pescar, encontra um grande peixe com o qual trava uma breve luta.

O autor sempre expressou seu desejo de que seus livros não deveriam ser adaptados para o português do Brasil, portanto temos aqui um linguajar que talvez soe estranho, mas nada que os pais não consigam explicar. Por mais que o texto seja bem curto e ilustrado, acredito que as crianças menores não consigam compreendê-lo ou achar graça. Já para as maiores, é uma ótima introdução a uma literatura mais realista, menos fabulosa e romântica.

4 Estrelas 3 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** Pouco texto, embora rico *** Palavras Novas

HdP - Selo Família HdP - Selo Crescidinhos

 

 

 

 

 

Sinopse: Em uma tarde silenciosa, um garoto vai pescar à beira do Tejo e é surpreendido por um peixe enorme que lhe puxa o anzol. Infelizmente, a linha arrebenta, deixando-o escapar. Ele corre até a casa dos avós, com a esperança de voltar, rearmar a vara e “ajustar as contas com o monstro”. Claro que, ao alcançar o mesmo ponto do rio, o menino não encontra mais nada, apenas o silêncio da água. Sua tristeza só não é completa pois o peixe, como ele diz, “com o meu anzol enganchado nas guelras, tinha a minha marca, era meu”. 
Esse menino foi José Saramago, que narra neste livro uma aventura de infância que, para ele, culmina em um despertar da lucidez. Ilustrado por Manuel Estrada, este pequeno conto autobiográfico se torna uma fábula de extraordinária beleza e sabedoria.

Um Coração Simples, Gustave Flaubert

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Autor: Gustave Flaubert
Clássico / Novela / Literatura Francesa
Editora: Grua Livros [Melville House]
Páginas: 80
Ano: 2015

 

A primeira coisa que fiz ao terminar Um Coração Simples foi procurar a data de sua publicação para confirmar minha suspeita de que a novela havia sido lançada após Madame Bovary (resenha aqui). E foi… quase 20 anos depois. Só alguém que já escreveu sua obra-prima poderia se dar ao luxo de publicar uma história cuja personagem principal é alguém como Félicité.

Félicité não tem nada de extraordinário para contar. É uma moça comum, pobre, humilde, simples, ordinária, que até chega a pensar que poderia ser feliz, que poderia ser amada. Tudo ilusão, nada acontece. Passa a trabalhar para uma senhora com dois filhos e lá seu altruísmo transborda. Nunca reconhecido, diga-se de passagem.

Flaubert constrói sua novela em cima de um enredo irrelevante, de uma moça insignificante, invisível, sem casa, sem família e sem amor, que enlouquece por um papagaio. Ainda assim, nos leva, admirados, da primeira à última página. A admiração se dá pela sua escrita, “apenas”.

Um Coração Simples mostra que, não à toa, Flaubert é um dos grandes mestres do Realismo. É mais contexto histórico que enredo, é mais escrita que história, é mais significado para o movimento literário do que uma leitura prazerosa. É uma leitura rápida, boa, mas talvez um pouco realismo demais pra mim.

4 Estrelas

*** Essa novela também foi lançada pela Editora Rocco, com o título Um Coração Singelo, assim como também faz parte do livro Três Contos, da ed. Cosac Naify.

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Sinopse: Com uma atenção aos detalhes da vida burguesa considerada quase escandalosa na época, Um coração simples fará com que muitos se lembrem, ou descubram, por que Gustave Flaubert foi aclamado como o primeiro grande mestre do realismo. Esta novela traz a história de uma mulher simples, Félicité, que trabalha décadas como criada para a Sra. Aubain, uma viúva de alguns recursos. Zela por tudo na casa, ajuda a criar os pequenos Paul e Virginie, mima seu sobrinho Victor, que entra em sua vida por acaso. Sua compreensão pouco sofisticada do mundo, pautada por suas realidades próximas e por sua própria história sem grandes acontecimentos, é acompanhada por um grandioso sentimento de amor, no sentido amplo da palavra. Escrita perto do fim da vida do autor, o trabalho era para ser uma homenagem a George Sand, que morreu antes do texto ficar pronto, e foi concebido em resposta a uma discussão entre ambos sobre a importância do realismo. Embora o texto mostre seu virtuosismo para contar detalhes e se baseie em uma de suas serviçais da vida real, Julie, Flaubert disse que a novela exemplificava sua declaração – ‘beleza é o objeto de todos os meus esforços’.

O Muro, Céline Fraipont e Pierre Bailly

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Autor: Céline Fraipont e Pierre Bailly
Graphic Novel
Editora: Nemo
Páginas: 192
Ano: 2013

 

Sou daquelas que não sabe a diferença entre um mangá, uma HQ e um comic. Lia [e adorava] histórias em quadrinho quando criança, mas confesso que esses para o público adulto nunca me atraíram. O Muro, que descobri ser uma graphic novel, foi minha estreia nesse meio, depois de muita insistência de uma amiga. Ela jurou que desse eu gostaria. E gostei.

A história se passa na Bélgica, em 1988, e tem como personagem principal uma garota de 13 anos chamada Rosie, cuja mãe casou-se novamente e foi morar em outro país e cujo pai mal pisa em casa por viajar muito a trabalho.

É a típica e trágica história da menina abandonada, da menina sem exemplos a seguir, da menina esquecida, carente e desprotegida, que desmorona com toda a sua solidão na primeira pessoa que lhe oferecer algum aconchego. Infelizmente, muitas vezes esse aconchego vem de quem também não tem muito além de uma garrafa de álcool a oferecer.

A história é bem previsível, embora seja realmente comovente. Os desenhos são maravilhosos, bem expressivos e um olhar cuidadoso perceberá que eles falam bem mais do que aparentam. O traço tem um ar intimista que me agradou, como se cada quadrinho gritasse em voz baixa.

Gostei da experiência, mas foi uma leitura “instantânea” demais para mim. Mesmo me demorando em cada quadrinho, ele, puff, acaba. Confesso que não fui fisgada para o mundo dos quadrinhos, mas, de fato, O Muro é tocante e vale a leitura.

4 Estrelas 4 corações

o muro graphic novel

o muro quadrinhos

Sinopse: O Muro é uma história poética, forte e pungente, desfiada por um desenho frio como o toque de um bisturi, que arrasta o leitor pelos caminhos obscuros de uma adolescência problemática ao som do punk rock. Estamos em 1988. Numa monótona cidadezinha do interior belga, Rosie, uma menina de 13 anos, se vê entregue à própria sorte: sua mãe fugiu com outro homem numa aventura amorosa, e seu pai vive mergulhado no trabalho. Roída por uma rotina morna e vazia, Rosie fica completamente desorientada. Assiste, impotente, à transformação de sua personalidade, ora apavorada, ora determinada, diante da melancolia que a invade e traça os contornos de sua nova vida

Os Tambores de Outono (Outlander #4), Diana Gabaldon

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AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: Arqueiro
PÁGINAS: 576 (apenas PARTE I)
ANO: 2016
SÉRIE: OUTLANDER #4

 

A Arqueiro anunciou para março o lançamento da primeira parte do livro 4, Os Tambores de Outono. Minha resenha foi escrita em 2014, a partir da leitura das partes 1 e 2 das edições da Rocco (esgotadas). Portanto, meus comentários são das duas partes desse 4º livro, sem spoilers, claro!


Ou meu humor não anda nada bem ou esse livro me decepcionou, o que é duro de admitir, já que aprendi a amar essa série com todo meu coração. Fanatismos à parte, senti falta da Diana impactante dos livros anteriores, da Diana que me deixava ora com raiva ora suspirando, da Diana que me roubava o ar e me fazia ter vontade de jogar o livro na parede, da Diana da paixão avassaladora, das surpresas e da ansiedade. Parece que ela só acordou na segunda metade do livro, ainda assim, um pouco sonolenta.

Pensei ser praticamente impossível falar desse livro sem entregar seus segredos, e qual não foi minha surpresa quando li a sinopse ao término da leitura e constatei que está tudo ali. Tudo. Claire e Jamie resolvem, depois de algum tempo, que tentarão a vida na América e se fixam em uma propriedade concedida pelo Governador. Do outro “lado do tempo”, no “futuro”, acompanhamos um pouco do relacionamento de Roger e Brianna e suas descobertas sobre a vida de Jamie e Claire. Falarei menos que a sinopse, e se você não a leu, aconselho que não o faça. Os dois jovens descobrem algo importante que vai mudar (e movimentar) o rumo da história.

Parte I – Dói um pouco ter que admitir que as partes sobre Jamie e Claire na primeira metade do livro não eram as mais interessantes. Roger e Brianna roubaram a cena, mesmo que elas tenham sido pontuais. A autora escreve, escreve, escreve, e não diz muita coisa. Diana É prolixa, eu sei – e até gosto, mas aqui ela exagerou.

Parte II“Ufa, Diana acordou”, pensei. De fato, a história cresce significativamente e tem seus momentos dignos de aplausos. Há um encontro super emocionante e incrivelmente bem escrito, que é, para mim, o ponto alto de todas as mais de mil páginas. A história que se desenrola nessa segunda metade é muitíssimo interessante, mas mal aproveitada. Uma simples falta de diálogo – que não deveria ser comum entre Jamie e Claire e sua evidente maturidade – teve uma consequência que se arrastou até quase o final do livro.

Se gostei do livro? Sim, gostei. Citarei uma frase que a autora usa para descrever um acontecimento do livro e serve bem para resumir minhas impressões sobre ele. “É como no beisebol – assegurei a ela. – Longos períodos de tédio, pontuados por curtos períodos de intensa atividade.”

Deixo claro que não tenho problema com livros longos, mas não gosto quando as páginas e os pensamentos se repetem em demasia. Talvez tenha sido esse o problema em Os Tambores de Outono, mas, esperançosa de reencontrar a autora que me encantou, seguirei firme na série, especialmente porque, além de Jamie e Claire, agora existe a figura de Roger, que muito me agradou. A teimosia de Brianna me impediu de morrer de amores por ela, mas, verei o que me aguarda.

Em suma, uma excelente história, mas que decepcionou na forma em que foi contada. Ainda assim, recomendo a continuação da série. 😉

4 corações 4 Estrelas

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Os Tambores de Outono nas edições da Rocco ❤

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*** Alerta de Spoiler *** 

Minha maior birra foi o estupro, definitivamente. Por que todos os personagens têm que sofrer algum abuso sexual? Acontecera com Jamie, com Fergus, com Ian e com Mary. Com Claire não foi estupro, mas ela “vendera” seu corpo como moeda de troca. E aqui em “Tambores” mais um. E um que me incomodou bastante, não pelo fato em si, mas pela tara da autora pelo assunto. Ficou caricato, passou do limite. Espero, sinceramente, que ela não o extrapole ainda mais nos próximos livros.

*** Fim do Spoiler *** 

Resenha dos outros livros da série:

A Viajante do Tempo

A Libélula no Âmbar

O Resgate no Mar

Sinopse: Será possível alterar o passado? 

Após tomar a difícil decisão de deixar a filha no século XX e viajar no tempo novamente para reencontrar seu grande amor, Claire Randall tem mais um desafio: criar raízes na América colonial do século XVIII ao lado de Jamie Fraser. Eles partem rumo à Carolina do Norte para encontrar um novo lar e contam com a ajuda de Jocasta Cameron, tia de Jamie e dona de uma propriedade na região.

Enquanto isso, em 1969, Brianna Randall se une a Roger Wakefield, professor de história e descendente do clã dos MacKenzie, para encontrar as respostas sobre as próprias origens e sobre Jamie, o pai biológico que nunca conheceu. 

Em meio às buscas, ambos encontram indícios de um incêndio fatal envolvendo os pais de Brianna. Mas Roger não pode lhe contar isso, porque sabe que a namorada tentaria voltar no tempo e salvá-los. Por outro lado, Brianna também não compartilha sua descoberta, pois tem certeza de que Roger tentaria impedi-la.