Inverno de Praga, Madeleine Albright


Autor: Madeleine Albright

Memórias / II Guerra Mundial / 
História

Editora: Objetiva

Páginas: 480

Ano: 2014

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Madeleine Albright, nascida na Tchecoslováquia e filha de um diplomata judeu, foi a primeira mulher na História a ser nomeada Secretária de Estado norte-americano (governo Clinton).

Em uma narrativa cativante, Madeleine nos traz a História da Segunda Guerra Mundial sob um ângulo não tão comum, o tcheco. Ao inserir-se na História, trazendo consigo seus parentes (alguns, vítimas do Holocausto) e, em especial, a figura de seu pai, com suas opiniões e seus encontros com os líderes políticos da época, ela nos aproxima dos acontecimentos e nos traz muitas reflexões.

Começa falando um pouco da fundação da Tchecoslováquia e do seu primeiro presidente, T. G. Masaryk, um entusiasta da democracia. Fala do antes, do durante e do depois da Segunda Guerra. Mostra-nos o sofrimento de um povo que passou pelo nazismo e pelo comunismo.

Os que esperam – como o título indica – recordações pessoais podem se decepcionar. Elas são poucas, já que Madeleine era muito jovem naquela época. O livro é, na verdade, fruto de um extenso trabalho de pesquisa, não só histórica, mas de suas origens. O resultado é incrível, um relato bem escrito, bem estruturado e em nenhum momento cansativo.

Para quem gosta de História, um prato cheio.

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Sinopse: Antes que Madeleine Albright completasse 12 anos, sua vida foi abalada pela invasão nazista da Tchecoslováquia – o país onde nasceu -, pela Batalha da Inglaterra, pela destruição quase total das comunidades judaicas europeias, pela vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, pela ascensão do comunismo e pelo início da Guerra Fria. Em Inverno de Praga, a autora narra suas experiências e as de sua família durante os doze anos mais tumultuados da história moderna. Madeleine Albright reflete sobre a descoberta, muitos anos após o fim da guerra, da herança judaica de sua família; sobre a conturbada história de seu país natal; e sobre as escolhas morais que todos pertencentes à geração de seus pais tiveram de enfrentar. Inverno de Praga levará os leitores do castelo milenar na capital boêmia aos abrigos antibombas em Londres, da desolação do gueto de Terezín aos altos conselhos europeus e americanos. Ao mesmo tempo um livro de memórias extremamente pessoal e um incisivo trabalho de pesquisa, Inverno de Praga apresenta o passado através dos olhos de uma das mais fascinantes e respeitáveis figuras da política internacional dos dias atuais.⠀

Crianças Dinamarquesas, Jessica J. Alexander e Iben D. Sandahl

 

Autoras: Jessica J. Alexander &
Iben D. Sandahl

Educação / Cultura / Parentalidade

Editora: Fontana 

Páginas: 144

Ano: 2017

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Sou uma grande admiradora da arquitetura e do urbanismo dinamarquês, mas nunca tinha prestado atenção se seus habitantes eram ou não felizes. Crianças Dinamarquesas, mais do que nos ajudar a lidar com os conflitos dos filhos, vem nos mostrar um pouco do olhar leve e otimista daquele povo.

No famoso Crianças Francesas não fazem manha (resenha aqui) a autora nos traz um relato de sua experiência com a educação de sua filha, de situações que ela presenciou e de conversas que teve com educadores. Crianças Dinamarquesas é uma leitura mais rápida, menos “íntima”, bem mais impessoal. As autoras nos mostram como os dinamarqueses veem a vida e como isso influi na educação de seus filhos.

Na terra dos criadores do Lego, brincar é primordial. É brincando que se aprende a resolver problemas e a se adaptar às diversas situações que vão surgindo, de uma maneira leve e sem pressões. Alfabetização precoce é algo que eles rejeitam com firmeza, e as escolas tendem a respeitar o tempo de desenvolvimento de cada criança e a envolver em suas atividades crianças de diferentes idades e aptidões. Com isso, elas se acostumam a ajudar e respeitar umas às outras. É como se, ao contrário dos americanos, eles não tivessem a intenção de formar líderes, mas, sim, de formar equipes.

Eles são otimistas, mas são sinceros. Não enganam as crianças nem ignoram os problemas, ensinam a enfrentá-los sempre vendo o lado positivo da situação. Eles, assim como os franceses, não exageram nos elogios aos filhos. Eles elogiam o esforço, a dedicação, a estratégia, jamais a inteligência. Eles não rotulam, não dizem que fulana é preguiçosa, sicrano é ruim nisso, fulano é hiperativo.

Os dinamarqueses ensinam aos filhos a terem empatia, a serem resilientes e a ver tudo pelo lado positivo. Os pais mantêm a calma, são pacientes e não se estressam por qualquer bobagem. Encaram tudo com mais tranquilidade, não ligam para opinião dos outros e veem algumas atitudes desafiadoras dos filhos mais como uma fase passageira de descobertas do que como uma birra ou necessidade de disciplina.

Generalizando [generalizando mesmo], é como se os americanos quisessem criar líderes, os franceses crianças bem educadas e os dinamarqueses crianças felizes, preocupadas em ajudar umas às outras.

Se dá para ter uma mistura disso, não sei, mas que Crianças Dinamarquesas nos mostra um caminho mais leve, paciente e alegre a ser seguido, disso não tenho dúvidas. É uma leitura bem curtinha, tem seus clichês, mas é muito boa.

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Sinopse: Por mais de quarenta anos, a população da Dinamarca tem sido eleita a mais feliz do mundo pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD). Os dinamarqueses também foram considerados o povo mais feliz do mundo por todas as edições do Relatório Mundial da Felicidade, publicado pelas Nações Unidas. Qual seria, então, a fórmula desse sucesso? Depois de muita pesquisa, as autoras deste livro acreditam ter desvendado o segredo. E a resposta é bastante simples: toda essa felicidade vem da forma como os dinamarqueses são criados. A filosofia dinamarquesa de como educar os filhos gera resultados poderosos: crianças felizes, emocionalmente seguras e resilientes, que se tornam também adultos felizes, emocionalmente seguros e resilientes, e que reproduzem esse estilo de criação quando têm seus próprios filhos. Que tal, então, conhecer melhor esses costumes, atitudes e posturas? O método exige prática, paciência, força de vontade e autoconsciência, mas o resultado faz o esforço valer a pena. Não se esqueça de que esse será seu legado.

Será o Benedito!, Mário de Andrade

 

 

Autor: Mário de Andrade
Conto / Literatura Brasileira
Editora: Cosac Naify
Páginas: 32
Ano: 2014
Ano de Publicação Original: 1939

 

Acho sensacional como os bons escritores conseguem dizer muito e emocionar tanto com tão poucas palavras. Será o Benedito! é um texto bem curtinho de Mário de Andrade, publicado pela primeira vez em 1939, que encanta pela simplicidade.

Em poucas linhas, o autor nos traz o menino do campo, aquele moleque cheio de sonhos e curiosidades, que vê no narrador, um adulto da cidade, uma possibilidade de conhecer mais do mundo.

Uma história tão singela, mas tão cheia de significados. Do jovem que escuta atento às experientes palavras do velho; da amizade e do vínculo que se cria a partir de pequenos gestos; e do arrependimento, do remorso, da chance perdida.

Será o Benedito! clama que não deixemos que o medo impeça a realização de um sonho, que não criemos problemas antes deles existirem de fato.

Linda e delicada história, que ganha ainda mais corpo nessa caprichada edição em capa dura, ricamente ilustrada, da saudosa Cosac Naify. É um livrinho que se lê em menos de 5 minutos, mas que deixa sua marca no leitor para sempre.

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Sinopse: Sexto volume da coleção ‘Dedinho de Prosa’, a crônica ‘Será o Benedito!’, de Mário de Andrade, um dos mais importantes nomes do modernismo brasileiro, e ilustrada por Odilon Moraes, retrata o encontro entre o homem maduro e o jovem menino, trazendo à tona os temas da amizade e da pureza, numa leve prosa cotidiana. Durante as férias na Fazenda Larga, o narrador encontra Benedito, um negrinho obcecado por conhecer a cidade grande, que ouvia atento a narração do visitante sobre os arranha-céus, chauffers, cantores de rádio, o presidente da República… As ilustrações de Odilon Moraes traduzem a separação dos dois universos – cidade e campo -, construída ao longo do texto. Ao final da edição, um glossário explica os termos menos usuais, e textos auxiliam na localização e importância da crônica em nossa história literária. 

Purgatório (A Divina Comédia #2), Dante Alighieri

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AUTOR: DANTE ALIGHIERI
CLÁSSICO / LIT. ITALIANA / POEMA ÉPICO
EDITORA: 34
PÁGINAS: 224
ANO: 2010
ANO DE PUBLICAÇÃO ORIGINAL: APROX. 1304 – 1321

 

Os comentários abaixo não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que está lendo A Divina Comédia pela primeira vez, portanto, leiga na obra de Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

A Divina Comédia entrou para minha meta de leitura desse ano como um desafio e o quanto passei a gostar da obra foi uma grata surpresa. Fiz algumas pesquisas antes de iniciar o primeiro livro e coloquei alguns pontos que achei interessantes no post sobre Inferno (ver aqui). Para os leigos em Dante, como eu, a “ajuda” é imprescindível para uma melhor compreensão do texto.

A leitura de Inferno foi um pouco difícil, mas não tanto quanto a do Purgatório. O segundo livro requer muito, mas muito mais repertório e conhecimento do que o primeiro. Eu penei – em todos os sentidos – mas a medida em que fui avançando e compreendendo melhor os círculos, fui gostando mais do que lia.

Assim como em Inferno, no Purgatório também temos 9 círculos a serem percorridos por Dante. São dois ante-purgatórios e mais sete cornijas, cada uma correspondendo a um pecado capital.

Para a gigantesca montanha que é o Purgatório, vão aqueles que se arrependeram ainda em vida. No Canto IV, ficamos sabendo que a subida é tão íngreme que é necessário usar pés e mãos, mas que a medida em que avançamos, ela se torna cada vez mais fácil. (Diferente do Inferno, onde quanto mais se desce piores são os pecados, no Purgatório, quanto mais se sobe, mais leve e mais perto do céu se fica.)

Na porta do Purgatório (Canto IX), o anjo grava sete “Ps” na testa de Dante, que serão lavados um a um, a medida em que ele for passando de uma cornija para a outra. Passadas essas cornijas, Virgílio, que não tem acesso ao Paraíso, se despede de Dante.

A partir daí, foi, para mim, a parte mais empolgante e bonita do livro, quando chegamos ao Paraíso Terrestre – ou Jardim do Éden – encontramos Beatriz e vemos o arrependimento e purificação de Dante para que ele siga sua jornada.

Contando assim até parece bem simples, mas o livro é cheio de simbologias e referências para serem desvendadas. Há, certamente, quem vá compreendê-las sem ajuda, mas no meu caso fui salva pelas notas da edição da editora 34.

Por exemplo, leio no Canto XXIX,

“a virtude, da qual o juízo emana,
candelabros me fez reconhecer
e, nas vozes do canto, ouvir ‘Hosana'”,

os candelabros simbolizam os dons do Espírito Santo. Ou, ainda no mesmo canto,

“Vi, depois, de humilde semblante,
e atrás de todos vir sozinho um velho
de olhar dormente, embora penetrante.”

o velho simboliza o Apocalipse. Ou seja, dava para ter entendido o que estava escrito, mas não compreendido seu significado. Com as notas e as pesquisas tudo vai tomando forma, e é aí que entra o entusiasmo e a admiração pela obra.

Outro detalhe que enriqueceu a leitura foi ter acompanhado os famosíssimos desenhos que Gustave Doré fez para A Divina Comédia. (Como tenho uma outra edição antiga, ilustrada, fui seguindo a ordem das ilustrações por ela. Deixo aqui um link de um site  que tem todas as ilustrações de Doré separadas por livro.)

Recomendo para quem quer conhecer a obra e encorajo os que ainda tem medo dela. Não dá para compreender tudo, nem eu teria tamanha pretensão, mas repito o que disse em Inferno, não é um bicho de sete cabeças. Sigamos – felizes – para o Paraíso!

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Sinopse: O Purgatório é constituído por uma montanha altíssima que surge do mar no centro do hemisfério austral, contornada por cornijas, ou terraços, que vai se afinando até chegar ao plano do Paraíso Terrestre. A primeira parte da escalada é reservada às almas que, tendo-se arrependido só à última hora, devem aguardar a sua admissão, pela Porta de São Pedro, aos círculos superiores, onde cumprirão as penas diversas, correspondentes aos pecados praticados em vida e que os purgarão para depois serem admitidos ao Paraíso. Esses terraços desenvolvem-se em sete círculos, sobrepostos, nesta ordem: I – Orgulhosos; II – Invejosos; III – Iracundos; IV – Preguiçosos; V – Avaros e Prógigos; VI – Gulosos; e VII – Luxuriosos. Por Italo Eugenio Mauro

Liturgia do Fim, Marilia Arnaud

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Autora: Marilia Arnaud
Literatura Brasileira
Editora: Tordesilhas
Páginas: 150
Ano: 2016

 

Quando Liturgia do Fim chegou, eu tinha uma pilha de livros em andamento e nenhuma intenção de começar mais uma leitura. Ao abrir o livro para folhear, me deparei com a informação de que a autora era minha conterrânea. Curiosa, pensei em ler os primeiros parágrafos para saber se valeria a pena lê-lo algum dia. Não consegui mais parar. Não dá pra parar. Não tem como parar.

Marilia Arnaud nos conta a história de Inácio, um professor e escritor apaixonado pelas palavras, que, expulso de casa aos 18 anos, vai viver na cidade grande, forma família, mas, sem conseguir se desligar do passado, retorna à casa trinta anos depois para ver como tudo está e o que sobrou de Perdição, lugar onde nasceu.

A primeira surpresa foi o fato de termos uma narrativa em primeira pessoa, com um personagem masculino, escrito por uma mulher. Isso nem sempre dá certo, mas, se comecei com a imagem da escritora na cabeça, poucas páginas depois ali só existia Inácio e ninguém mais. Muito convincente e verossímil.

A escrita da autora é a alma do livro. Marilia não tem a intenção de ser simplória, pelo contrário, usa e abusa do rico vocabulário da língua portuguesa. Sem medo, vale salientar. Usa regionalismos à vontade, sem, no entanto, cair no caricatural, acorda palavras adormecidas e traz outras tantas que eu nem imaginava que, de fato, existissem no dicionário. E o melhor, seu rebuscamento não soa pedante nem tira a fluidez da leitura.

Assim como seu personagem, a autora certamente é uma amante das letras. É notável o cuidado que teve em não repetir as palavras ao longo do livro. O resultado de tudo isso é um texto bonito, poético, de um lirismo que nos traz aquela vontade de ler em voz alta. E, confesso, li boa parte assim.

Outro ponto que gostei foi o fato de Marilia ter usado os diálogos “dentro” dos parágrafos, sem interrupções, sem formalidades, separados apenas por diferentes flexões verbais.

A história é um triste e duro retrato de um dos tipos de família sertaneja, daquela que gira em torno do patriarca machista, bruto, ignorante e intransigente. Revela em suas entrelinhas a esposa submissa, temente e sofrida; a mãe tensa e preocupada, que oculta do marido até as menores travessuras dos filhos para protegê-los; a doméstica que abdica de sua vida para tornar-se criada, para doar-se a uma família que não é a sua; os parentes “encostados”, sempre presentes; as crenças e os costumes regionais. Faz-nos questionar se realmente “o fruto não cai tão longe da árvore”.

Liturgia do Fim, além da boa forma, é de uma sensibilidade impressionante. É possível sentir a dor, a angústia e o desespero do personagem durante toda a leitura, que mais parece uma ferida aberta pulsando em nosso corpo. Impossível poupar elogios, impossível não recomendar.

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Sinopse: Inácio, escritor e professor universitário, um homem assombrado pela memória e pelos fantasmas de um segredo familiar, abandona a mulher e a filha, as salas de aula e a literatura para voltar a Perdição, lugar onde nasceu e viveu até os 18 anos. Com essa idade foi expulso de casa pelo pai, um homem rude e autoritário que educou os filhos com rigor e frieza. Numa narrativa descontinuada e sinuosa, em que presente e passado se alternam e se misturam, Inácio narra a infância e a adolescência em Perdição, a vida em família, a relação difícil com o pai, o terno entendimento com a mãe, a obsessão pela tia louca, os medos noturnos, o primeiro e único amor, a paixão pelos livros.

 

Inferno (A Divina Comédia #1), Dante Alighieri

A divina comédia - Inferno

 

 

 

Autor: Dante Alighieri
Clássico / Lit. Italiana / Poema Épico
Editora: 34
Páginas: 232
Ano: 2010
Ano de Publicação Original: aprox. 1304 – 1321

Os comentários que se seguem não formam propriamente uma resenha, mas a impressão de leitura de alguém que leu Inferno pela primeira vez, portanto, leiga em Dante. Sugestões de textos elucidativos, de apoio ou de curiosidades acerca da obra de Dante são sempre bem-vindas. 

 

Básico: O que saber antes de começar a leitura

Antes de começar a leitura de Inferno, procurei textos de apoio na internet para ajudar na compreensão da obra. Em meio a tanta informação, encontrei alguns pontos interessantes.

O simbolismo do número 3, que remete à Santíssima Trindade, permeia toda a obra de Dante. A Divina Comédia é dividida em 3 partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma dessas partes é dividida em 33 cantos, que, por sua vez, são divididos em tercetos [utilizando a terza rima]. Na verdade, Inferno tem um canto a mais, que é a introdução, portanto, são 100 cantos no total [99+1]. Cada lugar tem 9 círculos a serem percorridos por Dante.  Ou seja, tudo múltiplo de 3.

Para entender a famosa terza rima de Dante, vou copiar as primeiras estrofes de Inferno, na tradução da Editora 34, que respeita a estrutura encadeada original:

1 A meio caminhar de nossa vida
2 fui me encontrar em uma selva escura:
3 estava a reta minha via perdida
4 Ah! que a tarefa de narrar é dura
5 essa selva selvagem, rude e forte,
6 que volve o medo à mente que a figura
7 De tão amarga, pouco mais lhe é a morte,
8 mas, pra tratar do bem que enfim lá achei,
9 direi do mais que me guardava a sorte.
10 Como lá fui parar dizer não sei;
11 tão tolhido de sono me encontrava,
12 que a verdadeira via abandonei.

E assim por diante. Para que saber disso? Para entender que nada é por acaso na estrutura do poema que você está prestes a ler. Tudo tem um significado, um simbolismo, e tudo é minucioso e grandioso.

Após essa primeira pesquisa, parti para os textos introdutórios da edição que eu tinha em mãos. Eles foram indispensáveis. Entendi o motivo pelo qual Dante escolheu Virgílio para ser seu Mestre no percurso e o porquê de ter escrito esse livro.

“Não há dúvida de que Dante escreveu a sua obra máxima com o fim de reformar moralmente o mundo que via imerso, para dizer o mínimo, numa situação trágica e pecaminosa.” (Italo Eugenio Mauro)

Não sei se teria compreendido metade do que entendi se não fossem esses textos. Dito isso, vale ressaltar o que dizem os especialistas: não se entende A Divina Comédia com apenas umas poucas leituras, nem se aproveita tudo o que nela há sem conhecer todos os personagens e fatos envolvidos. Ou seja, é preciso saber MUITO, ter muito conhecimento, ter lido os poemas épicos anteriores a Dante, entender qual era a situação do mundo na época, entre outros fatores, para realmente compreender A Divina Comédia.

Não estou nesse grupo, nem perto, mas a gente tem quer tentar, não é? Afinal, é preciso começar por algum ponto.

O que achei

Comecei a leitura pensando que encontraria um texto dificílimo, quase incompreensível. É, de fato, difícil, mas nada do outro mundo. O segredo, pra mim, foi ler tudo em voz alta, bem concentrada. Fui tentando desembaralhar as palavras, a sua ordem nas sentenças, mas logo percebi que, aos poucos, esse “desembaraço” fica automático.

Encontrei uma edição antiga do meu avô com as famosas ilustrações do também famoso Gustave Doré. Nela fui acompanhando os desenhos canto a canto, e isso foi, sem dúvidas, um algo a mais na leitura. Se você não tiver uma edição ilustrada, o amigo Google pode lhe ajudar facilmente, vale a pena!

O texto é um tanto assustador, chega a causar horror e medo, mas é fascinante. Os primeiros cantos foram incríveis, a leitura fluiu melhor do que eu esperava e me empolguei com tudo o que lia. Lá depois da metade do livro, talvez passada a euforia inicial, achei os cantos mais enfadonhos, só vindo a recuperar a empolgação no último canto, onde encontramos Lúcifer.

É um livro que quero reler mais pra frente, especialmente quando já tiver lido grandes epopeias como Ilíada, Odisseia e Eneida, por exemplo. Se recomendo? Sim, claro, afinal, como já disse, é preciso começar de algum ponto e, reafirmo, não é um bicho de sete cabeças.

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Inferno Dante Alighieri

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Sinopse: A meio do caminho, ou seja, da duração expectável de sua vida, Dante, consciente de se haver desviado do reto procedimento, encontra-se perdido numa alegórica “Selva Escura”. Encontra aí a figura de Virgílio, o poeta latino que, a pedido da alma beata de Beatriz, o grande amor da juventude de Dante, vem se lhe oferecer como guia para o Inferno e o Purgatório onde, pelo exemplo dos pecadores e de suas penas, Dante poderá encontrar o caminho de sua salvação. Dante aceita e os dois iniciam sua viagem. Antes da entrada para o Inferno eles passam por seu Vestíbulo: o “Limbo”, onde não há castigo, porém a possibilidade de salvação, que abriga as almas dos infantes falecidos antes da instituição do batismo e alguns grandes personagens do passado anterior a Cristo. O Inferno, que eles então adentram, é constituído por uma imensa cratera escavada nas profundezas do globo terrestre na queda do corpo do Anjo rebelde expulso do Paraíso. Começa nas proximidades da “selva selvagem” essa ampla cratera e vai se afinando até o centro da Terra onde se encontra o próprio Lúcifer que aí tem o encargo do Rei do Inferno. Por Italo Eugenio Mauro

Arsen, Mia Asher

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Autora: Mia Asher
Drama / Romance Adulto
EDITORA: KINDLE
PÁGINAS: 419
ANO: 2013

 

Quem é dos meus círculos de leitura provavelmente já me viu falando desse livro, que é um dos melhores e mais angustiantes que já li do gênero. Foi uma das primeiras leituras de 2014 e me marcou tanto que no meio do ano eu já o estava relendo. Sempre digo que quando gostamos demais de algo, nossa opinião se torna um pouco suspeita, mas… eu não poderia deixar faltar aqui o registro que fiz dele há mais de um ano assim que terminei a leitura (leia-se: emoções à flor da pele) 😉 Ah, só lembrando, ele é do tipo que ou se ama ou se odeia!


Deixem que eu abra meus comentários eliminando alguns possíveis futuros leitores que detestariam esse livro: temos aqui um triângulo amoroso, então visualizem em neon e caixa alta a palavra traição. Se o tema não lhe agrada ou se você é do tipo que não gosta de protagonista indecisa ou egoísta, perdida entre dois amores, por favor, não leia essa história (ou leia e se surpreenda rs). Mas se você acha que as pessoas cometem erros e não são sempre fadinhas perfeitas e encantadoras, pode mergulhar de cabeça.

Arsen conta a história de três pessoas: um marido perfeito, uma esposa cheia de dor e um belo garoto que se esconde atrás de uma fachada de playboy. Cathy e Ben estão juntos há 10 anos, casados há 6, e após alguns abortos o casamento já não é mais a lua de mel de outrora. Incapaz de segurar uma gravidez, Cathy se sente quebrada, defeituosa, envenenada, morta… Não se sente mulher o suficiente para o sempre-feliz-e-sem-defeitos Ben. Até que um dia se vê entre um homem e um garoto, um amor e uma paixão, entre Ben e Arsen, entre a razão e o desejo.

O livro é contado em primeira pessoa pela Cathy, mas temos a visão do Arsen e do Ben em alguns poucos capítulos. A escrita é informal e pode não agradar a todos, já que é bem gráfica e faz uso de alguns palavrões. O desenvolvimento e a estrutura da história são muito bem elaborados e a leitura flui com facilidade.

Cathy. Alguns não a suportaram, eu tentei entendê-la e enxergar nela uma pessoa real, que erra e que é egoísta, às vezes. Entendi suas dúvidas, seus medos, seu pavor, seu desespero. Entendi sua sensação de vazio. Entendi sua vontade de se sentir viva novamente, sem pressão ou sem a necessidade de ser perfeita. De verdade, eu a compreendi, mesmo quando me irritou, mesmo quando eu quis lhe dar uns tapas, lhe xingar, lhe chamar de vadia…eu a entendi. E sofri com ela. Muito. Existe uma cena extremamente forte, que me deixou com um nó na garganta e da qual não consigo me esquecer.

“Eu me sinto incompleta. Eu me sinto meio vazia, meio cheia.”

Ben. Oh, Ben! Personagem mais doce não há. Nem mais perfeito. Nem mais carinhoso. Nem mais fofo. A ausência de defeitos em Ben é, sem dúvidas, o maior motivo do repúdio que sentimos às atitudes de Cathy. Vimos o Ben jovem, quando conheceu e se apaixonou pela Cathy, e vimos o Ben adulto, maduro e casado. Vimos um Ben inquebrantável se quebrar. E chorei. Ó, céus!, como chorei e sofri com ele. Em um capítulo narrado por Ben, por volta dos 75% da leitura, a dor foi quase insuportável. A partir daí o leitor se vê esgaçado, estilhaçado em pedacinhos, soluçando como uma garotinha.

“O amor tem o poder de lhe destruir.”

Arsen. Um garoto que bem cedo descobriu o quanto a vida pode machucá-lo e resolveu se esconder da realidade. Um playboy que vive cercado de mulheres bonitas e famosas, que é capaz de fazê-las derreter, suspirar e até esquecer-se de quem são. Em um momento ou outro até quis que ele e Cathy se envolvessem, pois queria vê-la sorrir novamente, queria vê-la gritar de felicidade. Arsen tinha o poder de apagar seu sofrimento, de deixá-lo escanteado e esquecido nem que fosse por algumas horas. Mas não, não me apaixonei por ele e tampouco torci para que ficasse com a Cathy.

“Ninguém disse que trair fosse outra coisa que não um inferno. É nauseante. Eu não consigo parar de fazê-lo.”

É difícil rotular esse livro e encaixá-lo em algum gênero, pois há partes, as da adolescência dos personagens, em que se parece com um New Adult. No entanto, com o desenrolar da história, ficamos mais propensas a classificá-lo como um drama ou um romance adulto contemporâneo, pois os problemas são mais complexos do que um com-quem-quero-ficar ou quem-eu-quero-ser.

Aqui vemos o triste retrato do que é uma crise em um casamento, das consequências de uma traição, do sofrimento incessante que é ver – e sentir – tudo desabar. Até a metade da leitura eu diria que era um bom livro, mas talvez mais um no meio de tantos. Eu tenho tentado ser mais rígida, menos boazinha e mais racional na hora de avaliar os livros, mas os últimos 25% dessa história derreteram toda a minha razão. Essa última parte me fez chorar como poucos livros fizeram e não posso deixar de considerar isso como um talento da autora.

É uma história sobre casamento, infidelidade, traição, desejo, perdão, amor, paixão e perdas. É, principalmente, uma história sobre erros. É de partir o coração e de fazer você pensar e repensar seu comportamento, seu dia a dia, seu casamento. (E certamente, toca de maneira diferente os casados e os solteiros) É uma história que consome, comove, torce e espedaça o leitor. Não é um livrinho, ou talvez o seja se você não olhar bem nas entrelinhas as mensagens que ele nos deixa. Deixa-nos uma lição, ou muitas lições, eu diria. Quem brinca com fogo sempre se queima…Esteja preparado!!

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favoritosArsen Mia Asher Cover

Sinopse: One glance was all it took…

I’m a cheater.
I’m a liar.
My whole life is a mess.

I love a man.
No, I love two men…
I think.

One makes love to me. The other sets me on fire.
One is my rock. The other is my kryptonite.

I’m broken, lost, and disgusted with myself.

But I can’t stop. This is my story.
My broken love story.