O Labirinto dos Espíritos (O Cemitério dos Livros Esquecidos #4), Carlos Ruiz Zafón

 

 

AUTOR: CARLOS RUIZ ZAFÓN
LITERATURA ESPANHOLA / mistério
EDITORA: planeta
PÁGINAS: 928
ANO: 2016

 

O Labirinto dos Espíritos é o quarto e último livro de O Cemitério dos Livros Esquecidos, uma das minhas séries favoritas. Os livros podem ser lidos fora de ordem, pois as histórias se sobrepõem e se complementam. Como o autor diz, é uma história com quatro portas de entrada diferentes, e isso é o mais mágico de tudo. Contudo, ainda prefiro a ordem de lançamento: A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos.

A Sombra do Vento tem seu foco em Daniel Sempere, O Jogo do Anjo em David Martín e Isabella Gispert e O Prisioneiro do Céu conecta os dois primeiros livros e nos dá um pouco mais de Fermín. Então, o que traz o quarto livro? Traz mais uma personagem forte, nos traz Alicia!

O enredo se desenvolve em torno do sequestro de Mauricio Valls, vilão já conhecido do leitor. Alicia e Vargas são contratados para ajudar a desvendar o caso, mas terminam descobrindo muito mais do que deveriam e arriscando suas vidas. Claro, os mistérios estão conectados com os livros anteriores.

É o mais policial dos quatro livros, especialmente a primeira metade – a que mais gostei. Como lhe é peculiar, Zafón recheia suas páginas com intrigas, desaparecimentos, assassinatos, drama, paixão e uma pitada de humor.

A sombria Barcelona de outrora continua a encantar, o cemitério continua mágico e inspirador e a livraria dos Sempere ainda nos deixa com aquele sorriso bobo no rosto.

O que dizer de Alicia? Essa personagem, uma referência a Alice no país das maravilhas, me encantou profundamente. Bem construída, cheia de camadas, dramática, complexa e, ao mesmo tempo, tão transparente. Vargas? Prefiro não entregar o jogo… (Zafónzito, quiero matarte!)

Assim como nos demais volumes, em O Labirinto a metaliteratura está sempre em cena. Zafón nos presenteia com uma literatura que referencia – e reverencia – grandes obras, mas de forma despretensiosa e sutil. É um livro de entretenimento de qualidade, bem escrito, muitíssimo bem construído e com personagens inesquecíveis. INESQUECÍVEIS! Como esquecer Daniel Sempere?! Impossível!

A história é toda redondinha, sem pontas soltas, mas tem algo que pode incomodar aos mais cricris. Ao longo das investigações, repete-se muito as mesmas informações, sempre com algum acréscimo, mas ainda assim são muitas repetições. Elas ajudam, na verdade, o leitor a não se perder em meio a tantas épocas e tantos fatos distintos. Fiquei o tempo todo pondo em ordem os acontecimentos, puxando da memória o que eu já sabia e rabiscando as novas peças do quebra-cabeças. Uma delícia!

É bom? Muito bom! Amei? Sem dúvidas! Porém senti falta de um algo a mais, talvez de um final mais apoteótico e mais surpreendente. Senti vontade de abraçar o livro em diversos momentos, mas, apesar de a história estar completíssima, queria mais. Queria que superasse A Sombra do Vento… e não supera. É o único defeito.

São quase mil páginas e eu leria outras tantas. Zafón consegue prender o leitor do começo ao fim, com um ritmo frenético e uma linguagem elegante e quase poética, com personagens que exalam amor pelos livros e faz derreter o coração daqueles que compartilham dessa paixão.

Assim como um dia encontrarei aquele guarda-roupa que leva a Nárnia e aquela plataforma que leva a Hogwarts… Cemitério dos livros esquecidos, me aguarde, um dia lhe encontrarei.  ❤

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resenha dos demais livros da série

A Sombra do Vento (aqui)

O Jogo do Anjo (aqui)

O Prisioneiro do céu (aqui)

Sinopse: Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere, já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo. Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível. “O Labirinto dos Espíritos” é uma história electrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com “A Sombra do Vento”, que alcança aqui toda a sua intensidade e tracejado, que por sua vez desenha uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

As Luzes de Setembro, Carlos Ruiz Zafón

Capa As luzes de setembro.indd
AUTOR: CARLOS RUIZ ZAFÓN
MISTÉRIO / JOVEM ADULTO / LIT. ESPANHOLA
EDITORA: SUMA DE LETRAS
PÁGINAS: 232
ANO: 2013
TRILOGIA DA NÉVOA #3

 

Zafón diz que seus quatro primeiros livros foram escritos pensando nas histórias que ele gostaria de ter lido aos treze anos. Apesar de concordar que são enredos juvenis, penso que são mais do que isso, são histórias que queremos ler na idade adulta, com um ar meio nostálgico, pensando que seria o que gostaríamos de ler na adolescência. São histórias que nos transportam aos treze ou quinze anos e, mesmo que não tenhamos vivido nada parecido com aquilo, facilmente nos identificamos com as sensações, os sabores e os medos. Dizer que as descrições de Zafón são perfeitas é quase um pleonasmo, pois, mesmo que o enredo não lhe convença ou lhe encante, não há como não delirar com suas minuciosas e poéticas palavras ou se imaginar em seus cenários ricamente detalhados.

As Luzes de Setembro se passa em 1937 na Normandia, para onde Irene, sua mãe e irmão se mudam após uma proposta de trabalho de Lazarus, um magnífico engenheiro dono de uma enorme – mágica e macabra – fábrica de brinquedos. Irene, perto dos 15 anos, conhece Ismael, por quem se apaixona e com quem vai viver a história mais tenebrosa e assustadora de sua vida ao tentar desvendar os mistérios que envolvem a magnânima mansão do fabricante de brinquedos.

Já nas primeiras páginas Irene me ganhou. Mais do que isso, comecei a entendê-la e a sentir tudo que sentia. Nessas mesmas primeiras páginas, o engenheiro Lazarus também mereceu um cantinho no peito e nem sei explicar o porquê. Talvez a magia que envolve brinquedos – brinquedos de verdade, sem botões ou manual de instrução – tenha me feito confiar nesse personagem e torcer para que sua intenções fossem as melhores. Porém, às vezes, quando as histórias envolvem brinquedos trazem com elas, além de seu lado mágico e fantástico, o lado macabro, melancólico e pavoroso. Quem nunca sonhou que os brinquedos falam – e festejam e brigam e lutam – enquanto você dorme? Quem nunca ouviu uma fábula sinistra sobre um anjo de madeira ou uma boneca de porcelana? E são essas lembranças de fatos que nunca nem aconteceram que Zafón nos traz à memória.

Devo lembrar, esses quatro livros juvenis não devem – nem haveria como – ser comparados com seus livros adultos. Leiam!, mas leiam para sentir a magia de anos que não voltam, leiam para se deleitar com a incrível evolução do autor, para deixar a nostalgia em primeiro plano, para sentir a época em que ter quinze anos e ser inocente podiam estar juntos na mesma frase, leiam para salivar com as maravilhosas descrições e vivenciar deliciosos e fantasmagóricos lugares, mas jamais leiam esperando A Sombra do Vento, pois ela não virá.

Se eu tentar classificar seus livros juvenis em ordem de preferência teria Marina no topo, seguido de As Luzes de Setembro e depois, empatados, O Príncipe da Névoa (aqui) e O Palácio da Meia-Noite (aqui). Mais que recomendo esse autor que tanto me encantou em A Sombra do Vento e que continua a me encantar, mesmo em seus livros mais simples. Como sempre, um Zafón é sempre um Zafón. 😉

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Sinopse: As Luzes de Setembro – Durante o verão de 1937, Simone Sauvelle fica de repente viúva e abandona Paris junto com os filhos, Irene e Dorian. Eles se mudam para uma cidadezinha no litoral da Normandia, e Simone começa a trabalhar como governanta para Lazarus Jann, um fabricante de brinquedos que mora na mansão Cravenmoore com a esposa doente.

Tudo parece caminhar bem. Lazarus demonstra ser um homem agradável, trata com consideração Simone e os filhos, a quem mostra os estranhos seres mecânicos quecriou: objetos tão bem-feitos que parecem poder se mover por conta própria. 

Irene fica encantada com a beleza do lugar – os despenhadeiros imensos, o mar e os portos – e por Ismael, o pescador primo de Hannah, cozinheira da casa. Ismael tem um barco, entende tudo sobre navegação e gosta de velejar sozinho, até conhecer Irene e vê-la de maiô… Os dois logo se apaixonam.

Entre Simone e Lazarus parece nascer uma amizade. Dorian gosta de ler e, muito curioso, quer entender como os bonecos de Lazarus funcionam. Todos estão animados com a nova vida quando acontecimentos macabros e estranhas aparições perturbam a harmonia de Cravenmoore: Hannah é encontrada morta, e uma sombra misteriosa toma conta da propriedade.

Irene e Ismael desvendam o segredo da espetacular mansão repleta de seres mecânicos e sombras do passado. Juntos enfrentam o medo e investigam estranhas luzes que brilham através da névoa em torno do farol de uma ilha. Os moradores do lugar falam sobre uma criatura de pesadelo que se esconde nas profundezas da floresta.

Em As luzes de setembro, aquele mágico verão na Baía Azul será para sempre a aventura mais emocionante de suas vidas, num labirinto de amor, luzes e sombras.

 

Livros do autor:

 

Romances Juvenis: (para todas as idades rs)

♣ Trilogia da Névoa (podem ser lidos fora de ordem):

#1 – O Príncipe da Névoa (1986) resenha aqui

#2 – O Palácio da Meia-Noite (1998) resenha aqui

#3 – As Luzes de Setembro (2005)

     – Marina (1999) ❤

Romances Adultos:

♣ O Cemitério dos Livros Esquecidos: (eles podem ser lidos como livros independentes, mas é preferível que se siga a ordem ideal)

#1 – A Sombra do Vento (2001) resenha aqui

#2 – O Jogo do Anjo (2008) resenha aqui

#3 – O Prisioneiro do Céu (2012) resenha aqui

#4 – ainda a ser publicado 😉

O Palácio da Meia-Noite, Carlos Ruiz Zafón

Capa O palacio da meia-noite.indd

 

AUTOR: CARLOS RUIZ ZAFÓN
MISTÉRIO / JOVEM ADULTO / LIT. ESPANHOLA
EDITORA: SUMA DE LETRAS
PÁGINAS: 272
ANO: 2013
TRILOGIA DA NÉVOA #2

 

Para que meu raciocínio seja entendido devo dizer que o primeiro livro que li de Zafón foi Marina, seu quarto livro, e logo passei para A Sombra do Vento (aqui), seu quinto livro e obra-prima. Zafón considera seus quatro primeiros livros como sendo literatura juvenil, embora o indique para todas as idades e peça que não os comparemos com seus romances adultos. De fato, apesar de Marina ter me encantado e ter ganho um pedacinho do meu coração, nada se compara a grandiosidade e densidade de A Sombra do Vento, com seus inúmeros personagens e épocas que se entrelaçam, seus assassinatos e as relações de ódio, ressentimento, arrependimento, amor, incesto e traição. Por mais que queiramos, não há como não fazer comparações ou criar grandes expectativas.

Já que queria ler toda a sua obra, decidi (re)começar pelo seu primeiro livro, O príncipe da Névoa (aqui), e seguir a ordem em que foram escritos. Portanto, aqui estou para falar do seu segundo romance, O Palácio da Meia-Noite, que assim como o primeiro, ainda não tem tanto a linguagem poética e metafórica que tanto me faz salivar e me enche os olhos. Se isso é o que espera, irá se decepcionar, certamente, mas se deseja apenas uma história cheia de mistério e fantasia – muita fantasia, diga-se de passagem – escrita por alguém que, de tanta despretensão, parecia não ter ideia de onde chegaria, poderá gostar e desfrutar de alguns momentos um tanto sombrios e macabros, no melhor sentido.

O Palácio da Meia-Noite se passa em Calcutá no ano de 1932, dezesseis anos após o nascimento dos gêmeos Ben e Sheere, que tiveram suas vidas separadas para que o temível Lahawaj não os encontrasse. Sheere fica com sua avó e Ben cresce em um orfanato. Com outros seis órfãos, Ben cria uma sociedade na qual prometem proteger uns aos outros acima de tudo. Quando Lahawaj reaparece, esses jovens não imaginam o rumo que suas vidas irão tomar e é aí que começa uma sequência de mistérios tenebrosos e mais que fantasiosos.

O começo do livro prometia muito mais do que ele realmente se mostrou. O foco nos dramas familiares, histórias do passado e os relacionamentos dos personagens foram bem interessantes e me prenderam bastante. Da metade para o fim é que a fantasia extrapolou todos os limites da realidade. Explico. Nos outros livros, nunca se sabia ao certo o que era realidade e o que era fantasia, não se sabia se os fatos narrados eram frutos da imaginação do personagem, se aquilo tinha acontecido ou não e podíamos encontrar um caminho para explicar tal fantasia. Aqui, não. Não há como. É fantasia pura, sem outra explicação.

Não posso deixar de citar suas descrições, sempre minuciosas, bem colocadas e meticulosas – sem se tornar prolixo – que facilmente nos transportam para o cenário descrito, nem suas maestrais idas e vindas no tempo. Não tem como não se encantar por esse maravilhoso contador de histórias e a peculiar magia que envolve cada uma de suas palavras.

Dos quatro de seus livros que eu havia lido até então, esse foi o que menos me cativou – apesar de ser notável a evolução textual entre ele e seu primeiro livro. De qualquer forma, recomendo para os que queiram, como eu, degustar de toda a sua obra, pedacinho por pedacinho, até que outro A Sombra do Vento chegue até nós. Um mais, um menos, mas vamos aprendendo que um Zafón é sempre um Zafón.<3

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Sinopse: O Palácio da Meia-noite – Ben e Sheere são irmãos gêmeos cujos caminhos se separaram logo após o nascimento: ele passou a infância num orfanato, enquanto ela seguiu uma vida errante junto à avó, Aryami Bosé. Os dois se reencontram quando estão prestes a completar 16 anos. 

Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos e que se reúnem no Palácio da Meia-Noite, Ben e Sheere embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história.

Uma idosa lhes fala do passado: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeters Gate, onde enfrentam o temível pássaro.

Cada um deles será marcado pela maior aventura de sua vida. Publicado originalmente em 1994, O Palácio da Meia-Noite segundo romance do fenômeno espanhol Carlos Ruiz Zafón traz uma narrativa repleta de fantasia e mistério sobre coragem e amizade. 

 

Livros do autor:

 

Romances Juvenis: (para todas as idades rs)

♣ Trilogia da Névoa (podem ser lidos fora de ordem):

#1 – O Príncipe da Névoa (1986) resenha aqui

#2 – O Palácio da Meia-Noite (1998)

#3 – As Luzes de Setembro (2005)

     – Marina (1999) ❤

Romances Adultos:

♣ O Cemitério dos Livros Esquecidos: (eles podem ser lidos como livros independentes, mas é preferível que se siga a ordem ideal)

#1 – A Sombra do Vento (2001) resenha aqui

#2 – O Jogo do Anjo (2008) resenha aqui

#3 – O Prisioneiro do Céu (2012) resenha aqui

#4 – ainda a ser publicado 😉

 

O Prisioneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón

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AUTOR: CARLOS RUIZ ZAFÓN
LITERATURA ESPANHOLA / ROMANCE
EDITORA: SUMA DE LETRAS
PÁGINAS: 248
ANO: 2012
SÉRIE: O CEMITÉRIO DOS LIVROS ESQUECIDOS #3

Não há como comentar sobre um livro de Zafón sem fazer comparações com A Sombra do Vento, sua obra-prima e um dos melhores livros que já tive o prazer de ler. É como se ali ele tivesse atingido o ápice e tudo o que escrevesse depois ficaria aquém. O Prisioneiro do Céu está, sim, bem aquém de A Sombra…, mas, ainda assim, é um livro fantástico.

É o terceiro livro da quadrilogia e, apesar de os livros poderem ser lidos fora de ordem, aconselho segui-la. Leva-nos de volta à Barcelona e às incríveis histórias que cercam os personagens da eterna livraria Sempère. Apresenta-nos o passado de Fermín e passamos a entender quem ele é e o que foi fazer ali. O Prisioneiro do Céu cria um elo ainda maior entre A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo e nos prepara, como se fosse um enorme prólogo, para o desfecho da história no próximo livro a ser lançado.

Honestamente, não quero que essa história tenha um final – tampouco consigo imaginar como seria. Não quero ter a sensação de que tudo acabou e de que já não paira mais sobre as vielas de Barcelona aquela névoa pesada que esconde os segredos mais obscuros e o passado de seus moradores. Quero continuar com a sensação de que O Cemitério dos Livros Esquecidos existe, escondido por entre o fascínio da sedutora Barcelona, disponível apenas para os Daniéis que surgem de tempos em tempos. Não sei o que me aguarda, mas definitivamente não é algo que eu queira ver finalizado.

Esse livro é o menos poético dos três e tive medo de me decepcionar quando iniciei a leitura. Estranhei os parágrafos e os capítulos curtíssimos e uma sucintez que nunca lhe foi característico. Não me parecia digno de Zafón e tive a impressão de que, movido pelo sucesso da série, ele o escreveu às pressas – provavelmente pressionado pela editora. Não me entendam mal, toda a magia própria de Zafón está ali, toda a rica trama e os intrigantes caminhos que se interligam em algum ponto estão ali, só que menos lapidados – porém, ainda um diamante.

Era o único livro do autor que eu ainda não tinha lido, pois o guardara propositadamente para não acabar com meu estoque-Zafón. Agora já era, o jeito é começar a reler, e é justamente isso que dá vontade de fazer quando terminamos uma leitura sua. Reler. Sempre. Embarcar naquela Barcelona inundada de mistérios, de ruas repletas de histórias, de pessoas cheias de segredos. Entrar na livraria Sempère, fazer companhia ao tão íntimo Daniel em suas aventuras, sorrir e se encantar com Fermín e suas artimanhas, sentir um cheiro difícil de descrever ao entrar nos labirintos daquele Cemitério enfeitiçado que pode até ter livros esquecidos, mas que jamais sairá da minha memória.

 

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Ordem de leitura da quadrilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos: (eles podem ser lidos como livros independentes, mas é preferível que se siga a ordem ideal)

#1 – A Sombra do Vento (2001) aqui

#2 – O Jogo do Anjo (2008) aqui

#3 – O Prisioneiro do Céu (2012)

#4 – ainda a ser publicado 😉

Romances Juvenis: (para todas as idades rs)

Trilogia da Névoa (podem ser lidos fora de ordem):

#1 – O Príncipe da Névoa (1986) aqui

#2 – O Palácio da Meia-Noite (1998)

#3 – As Luzes de Setembro (2005)

     – Marina (1999) ❤

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Meus Zafóns ❤

 

Sinopse: O Prisioneiro do Céu – Barcelona, 1957. Daniel Sempere e seu amigo Fermín, os heróis de A sombra do vento, estão de volta à aventura para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Já se passa um ano do casamento de Daniel e Bea. Eles agora têm um filho, Julián, e vivem com o pai de Daniel em um apartamento em cima da livraria Sempere e Filhos. Fermín ainda trabalha com eles e está ocupado com os preparativos para seu casamento com Bernarda no ano-novo. No entanto, algo parece incomodá-lo profundamente. Quando tudo começava a dar certo para eles, um personagem inquietante visita a livraria de Sempere em uma manhã em que Daniel está sozinho na loja. O homem misterioso entra e mostra interesse por um dos itens mais valiosos dos Sempere, uma edição ilustrada de O conde de Montecristo que é mantida trancada sob uma cúpula de vidro. O livro é caríssimo, e o homem parece não ter grande interesse por literatura; mesmo assim, demonstra querer comprá-lo a qualquer custo. O mistério se torna ainda maior depois que o homem sai da loja, deixando no livro a seguinte dedicatória: “Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro”. Esta visita é apenas o ponto de partida de uma história de aprisionamento, traição e do retorno de um adversário mortal. Daniel e Fermín terão que compreender o que ocorre diante da ameaça da revelação de um terrível segredo que permanecia enterrado há duas décadas no fundo da memória da cidade. Ao descobrir a verdade, Daniel compreenderá que o destino o arrasta na direção de um confronto inevitável com a maior das sombras: aquela que cresce dentro dele. Transbordando de intriga e emoção, O prisioneiro do céu é um romance em que as narrativas de A sombra do vento e O jogo do anjo convergem e levam o leitor à resolução do enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.

 

 

O Príncipe da Névoa, Carlos Ruiz Zafón

o príncipe da névoa

 

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Mistério / Jovem Adulto / lit. espanhola
Editora: Suma de Letras
Páginas: 184
Ano: 2013
Trilogia da Névoa #1

 

(Apesar de ter sido publicado no Brasil em 2013, esse é o primeiro livro do autor, publicado pela primeira vez em 1986.)

Zafón estava certo ao dizer que escreveu esse livro pensando no que gostaria de ter lido aos 13 anos, assim como estava certo ao dizer que pretendia atingir todas as idades, mesmo com um enredo juvenil. Atingiu-me e atingirá quem o ler, tenha 13, 30 ou 80 anos, afinal, quem não deseja voltar à essa fase da vida nas entrelinhas de uma história fantasiosa? Vi-me com dez anos, cercada de primos, na praia até então praticamente deserta onde costumávamos veranear e ouvir – e viver – deliciosas histórias cheias de mistérios que nos causavam arrepios, nos assombravam e levavam nossa imaginação às alturas. ¡Zafonsito, querido, te estimo muchísimo!

Estamos no ano de 1943 e Max, um garoto de 13 anos, acaba de se mudar – a contragosto – para uma praia com sua família por decisão de seu pai. Entediado, Max sai para vasculhar a área ao redor da casa e encontra um empoeirado e tenebroso jardim de estátuas que vai ser o começo de um mistério infindável e vai lhe tirar o sono e o sossego daqueles dias de verão. Conhece Roland, que o convida para um mergulho e para o qual Max leva sua irmã mais velha, Alicia. Enquanto isso, algo macabro acontece com Irina, a irmã mais nova, e seus pais voltam sua atenção completamente para ela.

Em meio a passeios de bicicleta, mergulhos na praia e conversas assustadoras, Roland, Max e Alicia vão se ver envoltos em magia e mistérios cujas origens nem imaginam, mas supõem que o guardião do farol, avô de Roland, as conheça e guarda mais segredos do que um dia revelou.

A história é muito boa, prende o leitor e até faz crescer o olhar, mas nem de longe tem o ar poético e metafórico de sua obra prima, A Sombra do Vento, ou até mesmo de Marina, seu quarto livro. O Príncipe da Névoa é seu primeiro romance e o próprio Zafón nos pede que não comparemos seus livros, mas é inevitável não notar a incrível evolução desse autor desde esse livro à sua obra prima. Uma característica marcante em todas as suas histórias, porém, é o tipo e caráter de seus protagonistas: garoto curioso, desconfiado, que oscila entre o medo e a coragem, mas sempre capaz de tudo pelos amigos.

Para quem deseja ler toda a obra desse escritor fabuloso, recomendo começar pelos seus livros juvenis, na ordem em que foram escritos, e só então passar para a magnífica e densa A sombra do Vento, e assim se deleitar ainda mais entre a fantasia e realidade que permeiam seus enredos.

Livro curtinho, simples, mas uma delícia.

4 corações 4 Estrelas

 

Romances Juvenis:

Trilogia da Névoa (podem ser lidos fora de ordem):

#1 – O Príncipe da Névoa (1986) aqui

#2 – O Palácio da Meia-Noite (1998)

#3 – As Luzes de Setembro (2005)

     – Marina (1999) ❤

Romances Adultos:

Quadrilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos

#1 – A Sombra do Vento (2001) aqui

#2 – O Jogo do Anjo (2008) aqui

#3 – O Prisioneiro do Céu (2001)

#4 – ainda a ser publicado 😉

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Sinopse: Em 1943, a família do jovem Max Carver muda para um vilarejo no litoral, por decisão do pai, um relojoeiro e inventor. Porém, a nova casa dos Carver está cercada de mistérios. Atrás do imóvel, Max descobre um jardim abandonado, contendo uma estranha estátua e símbolos desconhecidos.

Os novos moradores se sentem cada vez mais ansiosos: a irmã de Max, Alicia, tem sonhos perturbadores, enquanto ao outra irmã, Irina, ouve vozes que sussurram para ela de um velho armário. Com a ajuda de Roland, um novo amigo, Max também descobre os restos de um barco que afundou há muitos anos, numa terrível tempestade. Todos a bordo morreram na ocasião, menos um homem – um engenheiro que construiu o farol no fim da praia.

Enquanto os adolescentes exploram o naufrágio, investigam os mistérios e vivem um primeiro amor, um diabólico personagem surge na trama. Trata-se do Príncipe da Névoa, um ser capaz de conceder desejos a uma pessoa, ainda que, em troca, cobrasse um preço demasiadamente alto.

 

O Jogo do Anjo (O Cemitério dos Livros Esquecidos #2), Carlos Ruiz Zafón

 

o jogo do anjo

 

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Literatura Espanhola / Romance
Editora: Suma de Letras
Páginas: 410
Ano: 2008
Série: O Cemitério dos Livros Esquecidos #2

 

 

O Jogo do Anjo foi o sexto livro que li escrito por Zafón e, depois de um tempo, você aprende que se quiser A Sombra do Vento novamente terá que relê-lo, pois dificilmente o encontrará perdido em seus outros livros. Parece que essa Sombra o acompanhará pelo resto de sua vida e nada que escreva conseguirá ser livre de comparações, mesmo que seja algo grandioso. Então digo-lhes que li O Jogo do Anjo sem esperar algo parecido com sua obra prima – o que, de fato, não é – mas não pude deixar de me maravilhar e me encantar com suas histórias, como sempre.

Conta a história de David Martín, na Barcelona dos anos 20. Martín é um escritor de histórias policiais de sucesso, mas escreve sob um pseudônimo e sonha, um dia, escrever um livro que levará seu próprio nome. Ele é protegido de dom Pedro Vidal, um dos homens mais ricos de Barcelona, que está sempre disposto a ajudá-lo, mas cujos motivos só conhecemos muitas páginas depois. Cristina, a filha do motorista de Vidal e paixão de Martín, também deve sua vida a esse milionário e, junto a Martín, tentará pagar sua dívida de gratidão àquele que só lhe amparou. Após ser demitido, Martín vai em busca do sonho de seu livro, porém, algum tempo depois, se vê fracassado, humilhado, esquecido e acredita estar doente e à beira da morte. Diante desse cenário, recebe uma proposta tentadora do temível e enigmático Andreas Corelli, que vai mudar o rumo de sua vida.

O Jogo do Anjo nos traz também a livraria dos Sempère, tão conhecida após A Sombra do Vento, e temos o prazer de conhecer um pouco mais de seu passado. É o velho Sempere quem apresenta O Cemitério dos Livros Esquecidos a Martín, que por ele se deslumbra. Confesso que a princípio, na ânsia de compreender quem era quem, foi um pouco difícil fazer a ligação entre as datas e personagens que interligam as duas histórias, mas quando nos damos conta é impossível não por um sorriso no rosto. É fantástico como Zafón brinca com seus personagens, não só com os Sempere, mas o próprio Corelli já tinha feito sua aparição diabólica, mesmo que mínima, em As Luzes de Setembro.

Um dos melhores personagens desse livro, se não o melhor, é Isabella, uma aspirante a escritora que decide adentrar na vida de Martín e tenta de todas as formas trazê-lo de volta à vida. Talvez as partes em que aparece sejam as únicas que considero leves e graciosas, pois este é, de todos que já li, o romance mais sombrio e angustiante de Zafón.

Há quem diga que tem aspectos sobrenaturais, como os que envolvem Corelli, mas, vindo de Zafón, vejo tudo como uma grande metáfora, que só muda o ano e o lugar, mas que continuamos vivendo dia após dia, afinal, tem sempre alguém querendo comprar nossa alma; tem sempre alguém disposto a vendê-la, seja pela ambição ou pela vaidade; tem sempre a culpa de se ter feito algum mal, mesmo que inconsciente, e querer repará-lo; tem sempre alguém beirando a morte ou em meio ao fracasso prestes a aceitar qualquer proposta que lhe façam, independente do preço, e, uma vez corrompida a alma, é difícil – ou impossível – reverter os danos causados e as atrocidades feitas e, facilmente, o corrompido leva consigo para o fundo do poço as vidas de quem o cerca, dos que estima. É o jogo do diabo com cara de anjo, tal qual na vida real. Quanto vale a autoria de um livro? As palavras escritas podem ser compradas?

Tão metafórica foi a intenção do escritor que não existe aqui um certo e um errado, não existe um final exato nem a verdade absoluta do que realmente aconteceu. Ele deixa que o leitor junte os pontos da maneira que lhe convier.

Como já disse, não, não dá para comparar essa história com A Sombra do Vento, com seus inúmeros personagens que se entrelaçam em idas e vindas no tempo, mas continuamos a nos deleitar com a maestral habilidade de Zafón em contar histórias. Conta-nos de maneira única, poética e lírica. Conta-nos com tanta minúcia que nos faz sentir a dor e a miséria dos personagens e o cheiro fétido dos lugares por onde passam. Conta-nos com magia e mistério, através da paixão e do ódio, da benevolência de uns e da maldade diabólica de outros. Conta-nos com o prazer de quem tem o dom de enfeitiçar, mesmo com histórias tristes e pesadas.

E como quem vos fala é uma leitora mais que enfeitiçadas por suas palavras, não há como não recomendar O Jogo do Anjo ou qualquer um de seus livros, mesmo que estejam aquém da eterna Sombra do Vento. Mas não se enganem, esse livro não é um continho de fadas, ele é amargo, cheio de miséria e maldição.

5 corações 5 Estrelas

“Entrei na livraria e aspirei aquele perfume de papel e magia que, inexplicavelmente, ninguém ainda tinha tido a ideia de engarrafar.”

“O incompetente sempre se apresenta como capaz. O cruel, como piedoso. O pecador, como santo. O avarento, como generoso. O mesquinho, como patriota. O arrogante, como humilde. O vulgar, como elegante. E o tolo, como intelectual.”

Ordem de leitura da quadrilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos: (eles podem ser lidos como livros independentes, mas é preferível que se siga a ordem ideal)

#1 – A Sombra do Vento (2001) aqui

#2 – O Jogo do Anjo (2008)

#3 – O Prisioneiro do Céu (2011)

#4 – ainda a ser publicado 😉

Romances Juvenis:

Trilogia da Névoa (podem ser lidos fora de ordem):

#1 – O Príncipe da Névoa (1986) aqui

#2 – O Palácio da Meia-Noite (1998)

#3 – As Luzes de Setembro (2005)

     – Marina (1999) ❤

 

zafon

Meus “Zafóns” amados ❤

 

Sinopse: Em ‘O jogo do anjo’, o catalão Carlos Ruiz Zafón explora ângulos da cidade onde ambientou ‘A sombra do vento’. Enquanto guia seus leitores por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros, Zafón constrói uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade. Na Barcelona dos anos 20, David Martín é um jovem escritor fracassado, obcecado por um amor impossível e abatido por uma doença fatal. Até que vê sua sorte mudar ao receber uma oferta irrecusável.

 

 

A vida do livreiro A.J.Fikry, Gabrielle Zevin

a vida do livreiro ajfikry

 

Autora: Gabrielle Zevin
Ficção Realística / Livros sobre Livros
Editora: Paralela
Páginas: 192
Ano: 2014

 

Saiu hoje o resultado do Goodreads Choice Awards 2014, com os livros vencedores de cada categoria na importante votação popular que acontece uma vez por ano no GR. Na categoria Ficção, A vida do livreiro A.J. Fikry ficou com o 3° lugar.

A vida do livreiro A.J. Fikry chamou a minha atenção justamente pela palavrinha mágica livreiro. É natural que as pessoas que gostam de ler se interessem por livros que falam de livros, e aí minha imaginação já entra em parafuso e começo a ver magia para tudo quanto é lado, começo a imaginar uma bela livraria, uma pequena cidade e muitos leitores apaixonados. Bem, não é por aí que esse livro se desenrola, ele é realístico e pé no chão.

A.J. Fikry é o dono da única livraria de Alice Island, a Island Books, e está amargurado, de mal com a vida, sofrendo pela morte de sua mulher. As vendas vão mal e A.J. não se importa muito, continua rabugento. Até que um certo dia encontra algo no chão de sua livraria que vai mudar sua vida e fazer com ele se abra para a possibilidade de amar novamente.

A história é daquelas completamente plausíveis, daquelas que você até relaciona os personagens com pessoas que você conhece de tão real e corriqueira que ela é. Não tem firulas, enfeites e confetes. Não tem grandes mistérios, reviravoltas, amores arrebatadores nem nada. Ela é simples e é aí que está sua beleza.

A.J. é um personagem que você aprende a gostar ao longo do livro. Adorei o cinismo que a autora imprimiu no seu gosto literário e a maneira que ele se orgulha em criar Maya para ser uma nerdMaya é, para mim, a personagem central e me conquistou completamente com sua fofura e esperteza. Amelia também tem seu charme, tem uma paixão especial pelo que faz e uma simplicidade e carisma que envolvem o leitor.

Dos secundários, Ismay não me cativou, mas Lambaise é tão, mas tão típico que não tem como não simpatizar com ele. É aquele delegado que, bem, não lia, mas que de tanto aparecer na livraria e ter que comprar livro por um certo motivo, passa a lê-los para não desperdiçar o dinheiro gasto. Claro, encontra seu gênero literário favorito (ou se encontra nele) e passa a ser um leitor voraz. Daniel Parrish, apesar de não ser envolvente (e nem era a intenção da autora, talvez), é muito bem construído e tem um certo clichê, acredito eu, inerente a muitos escritores.

A escrita é…digamos…esquisita, mas não em um mau sentido. É difícil explicar, pois ao passo que me diverti bastante também achei um pouco…marcada demais. Não é que seja ruim, só não é comum, é como se fosse pausada. Boa, gostosa, mas, ao mesmo tempo, um pouco seca.

A edição brasileira tem alguns erros de revisão bem grosseiros, nada que atrapalhe demais a leitura – mas sentimos falta do capricho, não é verdade?

No geral, A vida do livreiro A.J. Fikry é uma leitura agradabilíssima, incrivelmente realística e um tanto divertida. É daquelas histórias para se ler em uma sentada, em um domingo à tarde, comendo pipoca. Tem um quê de tristeza, mas tudo é colocado de uma forma bem natural e bonita, demonstrando que a vida segue seu caminho, seu ciclo, que ela se renova e continua. Não superou minhas altas expectativas, mas, sem dúvidas, recomendo para todos aqueles que amam livros que falam de livros.

3.5 corações

4 Estrelas

a vida do livreiro

Sinopse: Uma carta de amor para o mundo dos livros “Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.