Os Tambores de Outono (Outlander #4), Diana Gabaldon

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AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: Arqueiro
PÁGINAS: 576 (apenas PARTE I)
ANO: 2016
SÉRIE: OUTLANDER #4

 

A Arqueiro anunciou para março o lançamento da primeira parte do livro 4, Os Tambores de Outono. Minha resenha foi escrita em 2014, a partir da leitura das partes 1 e 2 das edições da Rocco (esgotadas). Portanto, meus comentários são das duas partes desse 4º livro, sem spoilers, claro!


Ou meu humor não anda nada bem ou esse livro me decepcionou, o que é duro de admitir, já que aprendi a amar essa série com todo meu coração. Fanatismos à parte, senti falta da Diana impactante dos livros anteriores, da Diana que me deixava ora com raiva ora suspirando, da Diana que me roubava o ar e me fazia ter vontade de jogar o livro na parede, da Diana da paixão avassaladora, das surpresas e da ansiedade. Parece que ela só acordou na segunda metade do livro, ainda assim, um pouco sonolenta.

Pensei ser praticamente impossível falar desse livro sem entregar seus segredos, e qual não foi minha surpresa quando li a sinopse ao término da leitura e constatei que está tudo ali. Tudo. Claire e Jamie resolvem, depois de algum tempo, que tentarão a vida na América e se fixam em uma propriedade concedida pelo Governador. Do outro “lado do tempo”, no “futuro”, acompanhamos um pouco do relacionamento de Roger e Brianna e suas descobertas sobre a vida de Jamie e Claire. Falarei menos que a sinopse, e se você não a leu, aconselho que não o faça. Os dois jovens descobrem algo importante que vai mudar (e movimentar) o rumo da história.

Parte I – Dói um pouco ter que admitir que as partes sobre Jamie e Claire na primeira metade do livro não eram as mais interessantes. Roger e Brianna roubaram a cena, mesmo que elas tenham sido pontuais. A autora escreve, escreve, escreve, e não diz muita coisa. Diana É prolixa, eu sei – e até gosto, mas aqui ela exagerou.

Parte II“Ufa, Diana acordou”, pensei. De fato, a história cresce significativamente e tem seus momentos dignos de aplausos. Há um encontro super emocionante e incrivelmente bem escrito, que é, para mim, o ponto alto de todas as mais de mil páginas. A história que se desenrola nessa segunda metade é muitíssimo interessante, mas mal aproveitada. Uma simples falta de diálogo – que não deveria ser comum entre Jamie e Claire e sua evidente maturidade – teve uma consequência que se arrastou até quase o final do livro.

Se gostei do livro? Sim, gostei. Citarei uma frase que a autora usa para descrever um acontecimento do livro e serve bem para resumir minhas impressões sobre ele. “É como no beisebol – assegurei a ela. – Longos períodos de tédio, pontuados por curtos períodos de intensa atividade.”

Deixo claro que não tenho problema com livros longos, mas não gosto quando as páginas e os pensamentos se repetem em demasia. Talvez tenha sido esse o problema em Os Tambores de Outono, mas, esperançosa de reencontrar a autora que me encantou, seguirei firme na série, especialmente porque, além de Jamie e Claire, agora existe a figura de Roger, que muito me agradou. A teimosia de Brianna me impediu de morrer de amores por ela, mas, verei o que me aguarda.

Em suma, uma excelente história, mas que decepcionou na forma em que foi contada. Ainda assim, recomendo a continuação da série. 😉

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*** Alerta de Spoiler *** 

Minha maior birra foi o estupro, definitivamente. Por que todos os personagens têm que sofrer algum abuso sexual? Acontecera com Jamie, com Fergus, com Ian e com Mary. Com Claire não foi estupro, mas ela “vendera” seu corpo como moeda de troca. E aqui em “Tambores” mais um. E um que me incomodou bastante, não pelo fato em si, mas pela tara da autora pelo assunto. Ficou caricato, passou do limite. Espero, sinceramente, que ela não o extrapole ainda mais nos próximos livros.

*** Fim do Spoiler *** 

Resenha dos outros livros da série:

A Viajante do Tempo

A Libélula no Âmbar

O Resgate no Mar

Sinopse: Será possível alterar o passado? 

Após tomar a difícil decisão de deixar a filha no século XX e viajar no tempo novamente para reencontrar seu grande amor, Claire Randall tem mais um desafio: criar raízes na América colonial do século XVIII ao lado de Jamie Fraser. Eles partem rumo à Carolina do Norte para encontrar um novo lar e contam com a ajuda de Jocasta Cameron, tia de Jamie e dona de uma propriedade na região.

Enquanto isso, em 1969, Brianna Randall se une a Roger Wakefield, professor de história e descendente do clã dos MacKenzie, para encontrar as respostas sobre as próprias origens e sobre Jamie, o pai biológico que nunca conheceu. 

Em meio às buscas, ambos encontram indícios de um incêndio fatal envolvendo os pais de Brianna. Mas Roger não pode lhe contar isso, porque sabe que a namorada tentaria voltar no tempo e salvá-los. Por outro lado, Brianna também não compartilha sua descoberta, pois tem certeza de que Roger tentaria impedi-la.

O Resgate no mar (Outlander #3), Diana Gabaldon

O resgate no mar Diana Gabaldon
Autora: Diana Gabaldon
Romance Histórico
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 1200 (Parte I e II)
Ano: 2015
Série: Outlander #3

 

 A Editora Saída de Emergência anunciou o lançamento do terceiro livro da série Outlander para o dia 16/05 e, assim como o da editora Rocco (edição esgotada), será dividido em duas partes. 


Supresa, choque, agonia, amor, aflição, felicidade…

Li os dois primeiros livros da série e resolvi dar um tempinho antes de começar o terceiro volume. Eu já nem lembrava mais porque eu parara a série, mas foi só ler algumas páginas que, puft, claro!, ou eu parava ou a Diana Gabaldon me despedaçava completamente!

Os comentários abaixo são sobre as partes 1 e 2 de O Resgate no Mar, e contém spoiler dos livros anteriores – se não os leu, melhor parar por aqui. Resenha do primeiro livro, A Viajante do Tempo, aqui; resenha do segundo livro, A Libélula no Âmbar, aqui.

Em A Viajante do Tempo Claire volta cerca de 200 anos no tempo através de uma fenda entre as pedras de Craigh na Dun, conhece Jamie, casa-se e se apaixona perdidamente. Entre muito amor, torturas, castigos e um toque de humor, a autora me conquistou e me fez amar esse casal em cada pequeno detalhe. Fez-me também sentir uma dor que eu jamais sentira em uma leitura, uma agonia quase insuportável, um gosto amargo, um cheiro ruim, uma raiva infinita de um certo Jack Randall e uma vontade imensa de fazer o que quer que estivesse ao meu alcance pelo Jamie, para curá-lo, para salvá-lo.

Passamos para A Libélula no Âmbar e, WTF?!, Diana joga um balde de água gelada bem em cima de nossas cabeças. Brianna Randall! Randall?! Claire e Jamie vinte anos separados?! O quê?! E começa a nos contar o que aconteceu com eles no período que antecedeu a tal separação. Não sei se devido ao choque inicial, mas confesso que achei esse livro longo demais, um pouco cansativo – apesar de ainda considerá-lo muitíssimo bom.

O Resgate no Mar é nossa esperança de entender o que aconteceu naqueles 20 dolorosos anos, ou melhor, é nossa esperança de que tudo não tenha passado de uma brincadeira – sem graça! – da sádica, ops, digo, da autora. É, principalmente, nossa esperança de um reencontro entre Claire e Jamie! *suspiros* 

Há o reencontro, a sinopse já estraga essa surpresa, mas enquanto ele não chega lemos sobre os anos de Jamie na prisão e vemos Roger e Brianna ajudarem Claire a reunir todas as informações possíveis sobre seu grande amor.

A maior parte da história continua sendo contada em primeira pessoa pela Claire, mas temos alguns trechos – sobre Jamie – em terceira pessoa. Oh, céus! Pensei que ia morrer de tanto medo e de tanta ansiedade a cada parágrafo, já que a autora adora maltratar o belo Fraser.

É impressionante como essa autora consegue escrever sobre…er…sobre nada e coisa alguma, mas de uma maneira tão envolvente que você nem percebe até que se dá conta de que leu duzentas páginas e nada avançou. Ledo engano! Tudo avançou, tudo tem uma razão, cada frase, cada ação, cada detalhe tem seu porquê e se conecta com algo lá na frente. Ela faz sumir, surgir e ressurgir personagens e histórias! E ai de quem se perder no meio do caminho!!

Como já era de se esperar, um turbilhão de sensações nos acompanha a cada capítulo, muitas sensações, todas, das mais diversas, das boas e das ruins. Porém, considero-as um pouco diferentes – e é difícil explicar o porquê, mas talvez seja por termos aqui situações distintas das que já vivemos nos primeiros livros.

Quantas paradas cardíacas tive? Não sei, algumas, mas cito três delas. Na primeira, lá pela página duzentos, meu coração ficou pequenininho. Não, Diana, não faça isso! Não! Jamie! Nãooooo!

Rá! Grande piada! Mal sabia eu que aquilo não era nada se comparado ao que a querida autora faria no início da parte II. Diana, sua filha d….., se esconda, mas se esconda bem escondidinha porque se eu lhe encontrar vou lhe matar e lhe cortar em pedacinhos, mas antes disso vou fazer você sofrer, vou apertar uma corda ao redor do seu pescoço até você ficar sem respirar, vou cravar minhas unhas no seu peito e só parar quando o sangue começar a jorrar, vou fazê-la tremer, vou torturá-la até você perceber que é EXATAMENTE isso que você faz comigo! Ah, Jenny merecia ser estrangulada e até no Jamie eu quis bater!

E quando você acha que fez as pazes, puft, seus olhos se arregalam quando um certo lorde John Grey aparece. Inspira, expira, pira… Talvez uma parada cardíaca não se encaixe bem aqui, já que meu coração disparou, prendi a respiração, fechei o livro, tomei um copo d’água, reuni todas as minhas forças e continuei – suando frio, mas continuei! Como pode tudo parecer tão palpável? As reações que temos são tão verdadeiras que torna-se embaraçoso ler diante de alguma plateia. Afinal, como explicar que você jogou o livro na parede enquanto rangia os dentes de raiva?!

É o livro mais fantasioso dos três, tem muitas coincidências e um certo misticismo a mais, mas é tão bom quanto A Viajante – ou até melhor. Minha única ressalva é a parte em que se passa dentro do navio, que me entediou e me deixou tão enjoada quanto se eu estivesse a bordo. Adoro o fato do toque de humor continuar presente e do amor entre os dois ser cada dia mais forte, mais sincero e maduro. Amo a sinceridade e a confiança que existe entre eles, amo as declarações e as provocações. É difícil explicar esse amor, um amor que espera e que supera, um amor que transcende o tempo e que só se fortalece. Um amor que compreende sem que palavra alguma precise ser dita. Um amor que faz bem, que ilumina, que é vivo; que me encanta mais e mais, sempre mais! Diana, sua vadia, até que amo você!!!

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Sinopse: O resgate no mar – Parte 1 – Há vinte anos Claire Randall voltou no tempo e encontrou o amor da sua vida – Jamie Fraser, um escocês do século XVIII. Mas, desde que voltara à sua própria época, ela pensava que ele tinha sido morto na Batalha de Culloden. Agora, em 1968, que seu amado pode estar vivo. A memória do guerreiro escocês não a abandona… seu corpo e sua alma chamam por ele em seus sonhos. Claire terá que fazer uma escolha: voltar para Jamie ou ficar com Brianna, a filha dos dois?

Jamie, por sua vez, está perdido. Os ingleses se recusaram a matá-lo depois de sufocarem a revolta de que ele fazia parte. Longe de sua amada e em meio a um país devastado pela guerra e pela fome, o rapaz precisa retomar sua vida.

As intrigas ficam cada vez mais perigosas e, à medida, que tempo e espaço se misturam, Claire e Jamie têm que encontrar a força e a coragem necessárias para enfrentar o desconhecido. Nesta viagem audaciosa, será que eles vão conseguir se reencontrar?

O Resgate no Mar – Parte 2 – Desde que voltara ao futuro grávida de Brianna, Claire acreditava que Jamie tivesse morrido durante a Batalha de Culloden (séc. XVIII). Ele, entretanto, continuava vivo. Mas era praticamente impossível abandonar a filha para reencontrar o homem que ela conheceu e amou quase 200 anos atrás. Será que Claire deveria arriscar mais uma viagem no tempo para reunir-se a ele?

A Libélula no Âmbar (Outlander #2), Diana Gabaldon

A libélula no ambar

 

 

AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: SAÍDA DE EMERGÊNCIA
PÁGINAS: 944
ANO: 2014

(Resenha de Outlander #1 aqui)

 

Não sei se conseguirei expressar o que senti com a leitura desse livro, talvez meus comentários se alternem entre frustração e admiração pela autora. O primeiro livro, A Viajante do tempo é fantástico, une uma escrita sem defeitos, uma história de amor arrebatadora e um panorama histórico extraordinário. É perfeito, e quando um autor escreve um livro assim, tem, na sua sequência, a difícil missão de cumprir as expectativas do leitor. E as minhas eram altas, altíssimas.

Diana Gabaldon abre o livro no ano de 1968 e isso me assustou. Muito! Bem, não o ano, mas o fato de Claire estar com sua filha de 20 anos, Brianna Randall. Randall?! Vinte anos?! Mais algumas páginas e o que descobrimos é como um balde de água gelada na cabeça. Não, não pode ser. Por que, Diana, por que?! Fechei o livro, me irritei, não quis acreditar… depois, esperando alguma mágica, me recompus e retomei a leitura, pois a ansiedade já me consumia. Eu me vi virando longas páginas, em uma ânsia incansável por respostas. Talvez eu já as tivesse, mas eram tão duras que o que eu buscava mesmo era um milagre, uma daquelas reviravoltas impossíveis que só os autores de ficção conseguem fazer. Esse início cruciante foi uma sacada de mestre, mas também foi uma faca de dois gumes. Eu não diria decepcionada, mas me vi frustrada e isso, certamente, atrapalhou um pouco a leitura. Mas, voilà

A autora é brilhante, não há como negar. Escreve com maestria e parece que gosta do tom de sua própria voz, pois não nos poupa de pormenores ou fatos que servem apenas para a caracterização e contextualização da época e do lugar. Há trechos em que ela se aproxima mais de um livro de História do que de um romance e, não fosse o fato de termos um casal de protagonistas mais do que cativantes, teria sido difícil passar por todos aqueles capítulos. Não me entendam mal, é interessante, nos leva àquelas batalhas, nos faz viver a pompa da Paris do século XVIII e as campestres Highlands escocesas em toda sua brutalidade, seus clãs e costumes. Faz-nos sentir a ignorância diante das doenças, muitas vezes consequência da falta de higiene. É fascinante e nos transporta àquela difícil época, todavia o excesso de informações que não mudariam em nada o rumo do romance desanima um pouco. Eu não gosto de encurtar os livros, adoro adjetivação em demasia e todos os floreios que um autor pode utilizar, mas aqui eu tenho a petulância de dizer que tiraria algumas páginas. Uai, são 944!

Ainda assim, continuo dizendo que Diana é incrível. Ora! Ela nos tira da zona de conforto, extrapola todos os limites, é crua, dura, sai do lugar-comum, foge de coisinhas pequenas e do eu-te-conheci-me-apaixonei-e-acabou. Vira e mexe traz à tona o estupro do livro passado e, ó, céus, isso dilacera meu coração e eu sofro tudo de novo. Aos desavisados, se preparem, pois não para por aí. É como se ela tivesse um estranho fetiche por cenas nauseantes, cenas de estupro, de sexo como moeda de troca, de prostituição de menor e de inflição de dor nas partes baixas masculinas. Tudo extremamente detalhado e gráfico. Causa-nos nojo, pavor, repulsa e até pena.

No entanto, quando ela quer, faz-nos derreter de amor, faz-nos sorrir e salivar. Jamie e Claire são personagens apaixonantes, dignos de reverência. Claire é forte, decidida, determinada. É prestativa, mas sem ser boba; é doce, mas não é ingênua. Oh, Claire! O que ela fez pelo Jamie foi de uma coragem que só um amor verdadeiro é capaz, e me abalou, muito…me angustiou… Jamie, Ah, o Jamie!, o que dizer desse grandalhão que dá vontade de botar no colo? O que dizer de sua honestidade e franqueza? O que dizer de seu amor incondicional pela Claire e das palavras carinhosas (e engraçadas) que lhe diz? E sua inocência, tão bem mensurada que aquece a alma? E seu senso de humor? E sua coragem e bravura? E seus cabelos ruivos, seu corpo caloroso e sua beleza estonteante? Jamie e Claire são personagens perfeitos! Geralmente personagens assim são tão inverossímeis que entedia, mas aqui ocorre o oposto. Eles foram o que manteve aceso o romance e o que fez cada infinita página valer a pena.

Apesar de termos um amor e uma amizade forte entre o casal, senti falta das provocações bem humoradas que existiam no primeiro livro e queria ter visto um pouco mais de paixão. A paixão ficou já bem para o final do livro, e, repito, quando a autora quer, ela faz com esmero. Fez-me tremer, queimar por dentro, de dor e de amor, de medo e de desespero.

É difícil dar 5 estrelas a um livro que não lhe emocionou como você queria. Tão difícil quanto, é diminuir uma estrela de tamanha veracidade, de uma trama tão grandiosa e bem desenvolvida, de um trabalho primoroso de pesquisa histórica, com personagens tão amados e bem construídos. Recomendo? Ora, claro!

4.5 corações 5 Estrelas

 

Minha coleção <3 - Em destaque o livro #2, A Libélula no âmbar, na época o mais difícil de encontrar ;)

Minha coleção ❤ ainda da editora Rocco

Sinopse: O soldado Jamie Fraser, por quem Claire se apaixona, precisa ajudar o príncipe Carlos Stuart a formar alianças que o apóiem na retomada do poder. Pressente-se, entretanto, que a rebelião fracassará. De fato, a tentativa de devolver o trono aos católicos arruinará os clãs escoceses. Enfrentando um velho rival, Claire tenta impedir muitas mortes cruéis e salvar o homem que ama. Assim são os primeiros capítulos de A libélula no âmbar , segunda etapa de Outlander, série de Diana Gabaldon, que começou com A viajante do tempo . O romance tem início quando, depois de assistir a uma cerimônia celta, Claire atravessa séculos de história e cai no mesmo lugar, só que no ano de 1743, e encontra Jamie, seu grande amor.

A Viajante do Tempo (Outlander #1), Diana Gabaldon

a viajante do tempo novo

 

 

AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: SAÍDA DE EMERGÊNCIA
PÁGINAS: 800
ANO: 2014

 

Lá estava eu, me sentindo “órfã” após o término de uma trilogia incrível e arruinada para qualquer história que não fosse, oh!, tão magnífica quanto aquela! Lia uns e outros e, mesmo gostando, sentia falta de algo grandioso. Um belo dia, não tão belo assim rs, pois esse livro foi dificílimo de encontrar (na época a ed. SdE ainda não tinha começado a relançar a série, então minha edição é da Rocco comprada em sebo) resolvi escutar as recomendações de umas amigas e ver o que de tão bom tinha em Outlander. Tudo que eu sabia era que a moça caía 200 anos no tempo, nada mais.

Primeira página: Inverness. Ponto. Ganhou-me! Se você é alucinada pela Escócia como eu, vai enlouquecer. Se não é, vai ficar.

A inglesa Claire, enfermeira durante da II Guerra Mundial, casou-se com Frank Randall, um professor universitário fascinado por História e por seus antepassados, pouco antes do início da Guerra, que logo os separou. Após a guerra, novamente reunidos, seguiram para Inverness – norte da Escócia. Lá, Claire vê uma cena esdrúxula e um tanto mística em Craigh na Dun – uma espécie de Stonehenge fictícia, um círculo de pedras misterioso – e resolve retornar ao local para ver se poderia encontrar algo por lá que explicasse tal cena. E é aí que tudo começa.

Claire passa por uma pedra, como uma fenda no tempo, e surge cerca de 200 anos antes, em 1743, no mesmo local, com as mesmas roupas que usava. Os homens das Highlands que a encontram não entendem quem é aquela mulher. Uma prostituta? Uma espiã? Uma bruxa? Na dúvida, levam Claire até que descubram quem ela realmente é. Eis que surge Jamie, e se seu coração pulsa e você precisa de ar para viver, anote minhas palavras: você vai cair de amores por Jamie, muito! E você vai sofrer por ele, tanto, tanto…

Para os mais avessos à fantasia, asseguro-lhes que a única parte que caracterizaria essa história como tal é a “queda” no tempo e nada mais. Todos os personagens são plausíveis e suas atitudes completamente condizentes com a época e o local. A autora mistura mitos da região, contos, religião, medicina, crenças, batalhas, brigas, amor e ódio… Nos transporta para uma época em que a tortura e o abuso eram rotineiros e os homens, uma espécie de brutamontes. As mulheres que conheciam ervas e misturas que curavam eram confundidas com bruxas e queimadas em praça pública ou condenadas à forca, atraindo curiosos que aplaudiam fervorosamente.

Se eu fizer uma analogia entre o livro e um castigo, eu diria que a autora começa com uma palmadinha, passa para um tapa, um soco, uma surra, até que, no final, açoita e deixa tudo em carne viva. Então, não se enganem com o início leve e divertido dessa história, pois certamente não é para os mais frágeis. Os capítulos finais são de uma dureza que eu jamais tinha experimentado em um livro. Aquilo doeu em mim, lá dentro, dilacerou meu coração, corroeu tudo que podia, esgaçou cada pedacinho do meu peito. Fechei e reabri o livro infinitas vezes, e quando parecia que a ferida ia cicatrizar, a autora vinha e botava o dedo, fazendo todo o sangue jorrar novamente. Por mais que eu tentasse – e eu tentei, ó, como tentei – não visualizar a cena, ela estava lá, a cada fechar de olhos, a cada pulsar, na minha cabeça. Oh, doce Jamie! O que eu faria por você?

Vi alguns poucos comentários na Amazon falando do “absurdo” de um certo castigo que ocorre lá pela metade do livro, que as pessoas não deviam admitir isso e bla-bla-bla. Que parte perderam da leitura? Certamente a de que a história se desenrola em meados do século XVIII, em plena região das Highlands escocesas! Se nos dias de hoje a lenda – mesmo contada como lenda – do monstro do Lago Ness ainda sobrevive e é um dos principais atrativos da cidade, imagine o que não era aquela região em 1700!

Apesar das torturas, boa parte dessa história é alegre e até engraçada. A maneira como os personagens principais se provocam nos mais inusitados momentos levaram algumas boas risadas minhas. Além disso, a excelente caracterização da época, dos costumes locais, da tradição dos kilts, da relação entre pai e filho e entre marido e mulher, da arquitetura e da natureza, as brigas entre os clãs, entre ingleses e escoceses, foram um deleite e um aprendizado à parte. A escrita é outro ponto alto, sempre envolvente e elegante, cativa o leitor desde as primeiríssimas páginas.

É uma bela história de amor entre duas pessoas de épocas tão diferentes, mas que encontram um no outro tudo o que precisam. Um é a base, o outro a estrutura. É daqueles amores assim, difícil de esquecer, que marca, que permanece, que dá saudades, que te prende. É daqueles amores inquebrantáveis, sólidos, raros, que abdica… Jamie e Claire, um herói e sua heroína, no mínimo, fascinantes.

5 corações 5 Estrelas

favoritos

 

A série está sendo relançada pela editora Saída de Emergência. Os dois primeiros livros já estão disponíveis. Os da Rocco, só em sebo e se você tiver muita sorte 😉

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Minha edição, ainda da editora Rocco ❤ ❤ ❤

Minha coleção <3

Minha coleção ❤ Em destaque o livro #2, A Libélula no âmbar, o mais difícil de encontrar na época 😉