Depois daquela montanha, Charles Martin

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Autor: Charles Martin
Drama / Literatura Americana
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016

 

Não gosto quando isso acontece. Tento sempre fazer com que isso não aconteça! Detesto quando todo mundo ama o livro e eu o acho… ok. Boa história, personagens cativantes e um lindo final, mas ainda assim, ok.

Depois daquela montanha conta a luta de Dr. Ben, um médico ortopedista, e de Ashley, uma jornalista, pela sobrevivência em condições extremas após um acidente de avião. Eles tentaram fugir de uma nevasca fretando um pequeno avião, na esperança de chegar a tempo para seus compromissos, mas se veem feridos em uma extensa área de floresta coberta com muita neve, a 3.500 metros de altitude e com temperaturas negativas. Ah, e sem comida.

Eu até poderia ter implicado com o fato de que em um caso real, nas condições narradas, qualquer pessoa morreria em questão de horas, mas o autor me prendeu de tal forma que eu relevei e me deixei levar.

Tudo vai super bem até que o autor começa a se explicar demais. Sabe quando conta uma história inteira só para justificar uma habilidade do personagem? Quando isso acontece poucas vezes, não vejo problema, mas para cada habilidade que Ben tinha – um verdadeiro ninja! -, havia uma história justificando, explicando como ele aprendera a fazer tal coisa. Achei isso um pouco forçado.

A linguagem é simplória, o que torna a leitura bem rápida. De fato, o autor capta a atenção do leitor desde as primeiras páginas e o deixa curioso até o fim, e é maravilhoso quando isso acontece. Lá pela metade do livro a história fica um pouco repetitiva e lenta, mas depois retoma o fôlego.

O desfecho é bonito e faz valer as páginas lidas, faz a gente refletir um pouco sobre a vida e seu valor. É um bom livro e não à toa vai virar filme. Aliás, ele é a cara de um filme e já vislumbro até a bela fotografia com neve, muita neve! Gostei, mas esperava um pouco mais. Talvez lê-lo sem criar grandes expectativas seja o segredo…

3.5 corações

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Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.

Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.

Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.

Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.

Publicado em mais de dez países, Depois Daquela Montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.

A Garota no Trem, Paula Hawkins

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Autora: Paula Hawkins
Drama / Thriller Psicológico
Editora: Record
Páginas: 378
Ano: 2015

 

Quando eu soube que A Garota no Trem seria lançado esse mês no Brasil, não pensei duas vezes, larguei minha “organizada” lista e comecei a leitura. Ele fora lançado em inglês no início do ano e rapidamente viralizou no mundo inteiro. Com altas expectativas, fui conferir o que tinha de tão fenomenal nessa história.

Rachel, a garota no trem, faz todos os dias, no mesmo horário, o trajeto de Ashbury para Londres. Nesse percurso, quando o trem para em um sinal vermelho, Rachel olha as casas, em especial a de número 15. Lá observa, imagina e romantiza a vida de um casal, até que, certo dia, vê algo que a surpreende e a deixa atônita. Dias depois, descobre que Megan, que na sua cabeça se chamava Jess, está desaparecida e resolve ir à polícia contar o que sabe. Com isso, termina se metendo mais do que deveria nesse caso e na vida de gente que ela só via pela janela do trem.

Chamam de thriller psicológico, de livro de mistério, de suspense. Para mim, é um drama sem tirar nem pôr. Sim, tem um mistério, um quem-é-o-culpado, um o-que-aconteceu, mas acima de tudo está o drama de uma mulher sem forças para se reerguer, que encontra na bebida algumas horas de, não diria felicidade, mas de esquecimento.

Rachel é uma personagem incrível, muito bem construída, por mais fraca e digna de pena que seja. Confesso que todo aquele desleixo me deu agonia e vontade de lhe estapear para ver se acordava, se resolvia viver. Os demais personagens também são muito bons e bem verossímeis. Alguns me deram raiva, outros me enganaram.

Em meio a tantas narrativas comuns, lineares e sem dinamismo, A Garota no Trem se destaca com um texto excelente e meio fragmentado, escrito em primeira pessoa, alternando o ponto de vista entre três personagens. Começa bem lento, mas logo me fez entrar naquele espiral meio alucinatório, me deixou zonza, como se a personagem tagarelasse muita coisa ao mesmo tempo e eu precisasse ler aquelas linhas em velocidade alta ou como se eu estivesse tão embriagada quanto ela.

No início, como não havia lido a sinopse, não tinha ideia de qual era a da autora, que história ela queria contar, fiquei completamente às cegas. Demora um pouco para “acontecer” algo e a partir daí é difícil largar o livro. A autora tinha margem para terminar a história de diversas maneiras, todos podiam ser culpados. Suspeitei até da minha sombra! E, no final, gostei bastante do caminho escolhido.

A autora foi além do simples mistério. Fez-nos vivenciar a difícil luta de uma alcoólatra, nos deu uma mostra da vida de uma mulher em depressão, de alguém que se anula e projeta sua felicidade na felicidade dos outros, de alguém sem perspectivas, que acha que a vida dos outros é maravilhosa, que ninguém tem problemas, que a grama do vizinho é sempre mais verde. E nos prova que nem tudo é o que parece.

Fiquei pensando bastante com quantas estrelas o avaliaria. Por um lado, merece alguns aplausos. Por outro, é tão depressivo do começo ao fim que tira um pouco o prazer da leitura. Mas, sem dúvidas, é um livro que vale muito a pena.

4 corações
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Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

A Velocidade da Luz, Javier Cercas

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Autor: Javier Cercas
Drama / literatura espanhola
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 248
Ano: 2013

 

Quando Tatiana Feltrin disse que A Velocidade da Luz foi um dos melhores livros que ela leu em 2013, não hesitei. Confiando no gosto da vlogueira, comecei a leitura às cegas, sem ter lido sinopse ou sequer alguma resenha e, portanto, não tinha ideia do que me aguardava.

A Velocidade da Luz conta a história de um espanhol aspirante a escritor – o narrador, que sonha em escrever um livro, e Rodney Falk, um americano veterano da guerra do Vietnã. O narrador deixa a Espanha para lecionar língua espanhola em uma universidade em Urbana, no estado americano do Illinois, onde faz uma amizade estrita com o ex-combatente. Em posse das cartas que Rodney enviara ao pai durante a guerra, o narrador tentará compreender o que de fato aconteceu e escrever a história do amigo.

Ao passo que o autor discorre sobre as dificuldades de se narrar uma história, tenta entender o ex-combatente e toda a bagagem que se traz de uma guerra. É uma história de glória e declínio. De degradação, de bebedeira e traição, de fracasso – e das consequências disso nas amizades e na família.

Não tenho como falar pelos que leram a sinopse, mas, para mim, a história é intrigante e completamente imprevisível. Lá pela página 80 eu ainda não tinha ideia do que viria, nem ao menos conseguia enumerar algumas possibilidades. O livro é cheio de citações que tocam o leitor, mas não do tipo “bonitinhas”. Não. São verdades crudelíssimas sobre o comportamento humano, nem sempre admitidas.

Há os que consideram boa parte desse livro como autobiográfica, pois a história do narrador assemelha-se consideravelmente com a do autor, seus livros, sua cidade natal, seu estilo de vida e o período em que lecionou em Urbana, onde, de fato, conheceu um veterano de guerra.

A escrita mantém um padrão elevadíssimo e faz a leitura fluir muito bem. O autor vai e volta no tempo com destreza, dentro do mesmo capítulo e, muitas vezes, no mesmo parágrafo. Gostei do que li, mas devo admitir que não é meu “tipo” de livro. É sério demais – mas não me entendam mal, não que eu não goste de histórias sérias, pois gosto, mas aqui é tudo muito cru, duro, sem floreios, sem cor, meio deprimente. É sério, mas não emociona. É sentimental, mas não comove. Não a ponto de ser meu-tipo-favorito-de-livro, de me encantar. Talvez seja daqui a uns 15 ou 20 anos, mas não hoje. Porém, não posso negar que se trata de um excelente autor e um digno livro.

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Sinopse: Embaralhando ficção e realidade – os dados biográficos do narrador do romance coincidem em grande parte com os do autor –, Cercas agarra à unha aqui o tema da solidão do escritor diante do caos irredimível do mundo. Como encontrar uma voz própria em meio a essa algaravia? Como enunciar algo que não acrescente simplesmente ruído ao ruído?
O enredo de A velocidade da luz, grosso modo, é a relação entre um escritor espanhol e um veterano norte-americano da guerra do Vietnã, Rodney Falk, que ele conheceu na Universidade de Urbana, uma cidadezinha próxima a Chicago. Com base em suas lembranças de Falk e nas cartas que este mandava do front ao pai, o escritor/narrador pretende entender os enigmas do amigo americano e produzir um livro a respeito.
Assim como em Soldados de Salamina, a história narrada é também uma discussão sobre a tentativa de narrá-la. Como quem monta um quebra-cabeças infernal, o narrador busca reconstituir a trajetória de um homem dilacerado pelos horrores da guerra para dar a ela algum sentido. A tarefa, desde logo, é impossível, mas, como se diz a certa altura do romance, só merecem ser contadas as histórias que não se pode contar.
Com espantoso domínio literário, entrelaçando com maestria a ação e a reflexão, Cercas nos conduz do interior da Catalunha ao interior de Illinois, de Barcelona a aldeias vietnamitas, saltando as décadas para a frente e para trás, sempre fazendo de conta que ainda está à procura da melhor maneira de dizer o que tem a dizer. O resultado é um livro fascinante e perturbador, em que a arte de narrar encontra ao mesmo tempo seu questionamento mais agudo e sua mais alta expressão.

Mentirosos, E. Lockhart

MENTIROSOS
Autora: E. Lockhart
Young Adult/ Drama / Mistério
Editora: Seguinte
Páginas: 272
Ano: 2014

 

Mentirosos foi o livro vencedor do GoodReads Choice 2014, uma premiação popular da maior rede social de leitores do mundo, na categoria Young Adult. Foi assunto do momento alguns meses atrás nos grupos de leitura, os comentários sempre incluíam palavras como surpreendente e inesperado, e apesar de ter ficado curiosa, só agora resolvi tirá-lo da pilha de livros para ler.

Sim, é inesperado, tem seu quê de originalidade, é um tantinho surpreendente, mas, talvez pela alta expectativa, deixou um pouco a desejar.

Mentirosos conta a história de 4 melhores amigos: Cadence, primeira neta e provável herdeira dos Sinclair, Johnny e Mirren, seus primos, e Gat, um amigo. Juntos, eles, os mentirosos, passam as férias de verão na propriedade dos Sinclair, uma família rica e tradicional, que não permite erros e não admite falha, cujos membros vivem em uma briga mascarada por uma maldita herança. Em um dos verões, Cadence sofre um estranho acidente que lhe deixa com amnésia e fortes dores de cabeça. Ela não se lembra do que aconteceu naquele dia, e todos se recusam a lhe dizer qualquer informação, já que foi recomendado que ela se recorde sozinha, aos poucos. Por que?

Comecei a leitura sem saber muito o que esperar. Sabia apenas que tinha um final um tanto chocante, então já fui preparada para alguma surpresa.

A proposta do livro é bem interessante, a estrutura da narrativa é muito boa e a escrita é agradável. É narrado em primeira pessoa pela Cadence e tem um tom que me deixou encasquetada durante toda a leitura tentando entender o que era aquilo, procurando, sem sucesso, alguma palavra para classificá-lo, mas que no final fez todo o sentido.

Mesmo considerando a história bem escrita, não foi uma leitura gostosa. Os personagens são meio apáticos, sem carisma, e tampouco consegui me transpor para os cenários descritos. O passar de páginas era apenas para descobrir o que acontecera ou qual a proposta da autora.

Não dá pra entender bem o propósito do livro, embora por um lado dê pra enxergar uma crítica às famílias que só pensam em dinheiro, em herança e terminam vivendo uma farsa e se destruindo.

É um livro interessante, mas é um pouco como ler uma mentira, então leiam por sua conta em risco. 😉

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Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence – neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.

Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

Beleza Perdida (Making Faces), Amy Harmon

beleza perdida amy harmon

 

Autora: Amy Harmon
Drama / Ficção Realística
Editora: Verus
Páginas: 300
Ano: 2015

Li esse livro no ano passado no original e me encantei. Fiquei super feliz quando soube, essa semana, que ele seria lançado no Brasil, com previsão para maio. Segue, então, minha resenha 😉


Nunca julgue um livro pela capa, quantas vezes você não já ouviu isso? Beleza Perdida definitivamente não deve ser julgado pelo forte garoto que exibe seus músculos na capa (falo da capa original, ver aqui), até porque ele nem sequer aparece sem camisa na história. Achei a escolha um pouco apelativa e contraditória, já que se trata de uma história com mensagens cristãs.

Beleza Perdida se passa em uma pequena cidade chamada Hanna Lake, de onde cinco melhores amigos partem para a guerra no Iraque, mas só um deles retorna. Fern Taylor é uma garota comum, sonhadora, que adora ler – e escrever – romances. De um coração grandioso, ela está sempre ao lado de seu primo, Bailey, que é portador da Distrofia de Duchenne e só se movimenta com a ajuda de uma cadeira de rodas. Mas Fern não se acha à altura de Ambrose Young, o tal garoto da capa, bonito, alto, forte, um dos melhores atletas do time de luta da escola, invencível, imbatível, apaixonável… até que ele volta da guerra cheio de marcas e cicatrizes por dentro e por fora.

Esse livro foi me surpreendendo. Pensei que seria focado em um amor separado pela guerra ou que seria sobre a guerra em si, e estava errada. Quando eu pensava que a autora deveria ter abordado com mais profundidade isso ou aquilo, logo ela me mostrava claramente que sua intenção era outra.

Tudo parece se encaixar no tempo certo, apesar do ritmo lento. A narrativa é feita em terceira pessoa (que saudades eu estava disso!) e vai e volta no tempo, com memórias pertinentes, que se enquadram bem e enriquecem a história.

Os personagens, mesmo os secundários, tem sua importância e são muito bem desenvolvidos, e esse, talvez, seja o ponto alto do livro. Não há nada solto em suas personalidades, e mesmo o humor – na maioria das vezes, negro – de Bailey é bem feito.

O pai de Fern é o pastor da igreja da cidade e isso dá brechas para inspiradoras mensagens de fé e de reflexões sobre os planos de Deus, sem que pareça que se está falando de religião (ou muito menos que queira converter alguém).

A autora parece ter muita segurança no que escreve, seja sobre a distrofia e as deficiências de Bailey, seja pelas cicatrizes de guerra de Ambrose ou pelo caráter de Fern. Perguntei-me por diversas vezes se existiria na vida real algum portador de Duchenne tão bem humorado, tão feliz e bondoso quanto Bailey, que me fez rir, me divertiu e me deu boas lições de vida. A autora não parecia ter escrito nada às escuras ou sem embasamento, o que confirmei ao ler seus agradecimentos ao término do livro. Neles vemos que cada personagem foi inspirado em alguém muito próximo a ela. ❤

Eu preparara as lágrimas para um livro triste, mas me vi cercada de esperança e ensinamentos, mesmo que algumas partes tenham sido extremamente dolorosas. É uma história tão crível que mais parece uma biografia, você se vê dentro dela, se emociona e sofre como se conhecesse todos ali e morasse naquela cidade. É uma história que fala de superação, de vitórias e derrotas, de generosidade e altruísmo. Fala, sobretudo, de grandes perdas, de todo tipo de perda. Fala de amizade e de amor, de um amor puro, genuíno, sem máscaras; fala especialmente da verdadeira beleza, da que realmente importa, daquela que carregamos dentro de nós e que só quem nos ama consegue enxergar.

Mesmo diante de tantas tragédias, o livro não é apelativo, mas, sim, completamente inspirador! Uma lição de vida – ou melhor, várias lições de vida. Lindo, lindo, lindo! Recomendo, sem dúvidas.

5 corações 4.5 Estrelas

Outros livros da autora:

– A Different Blue (ver resenha aqui)

– The Law of Moses

– Running Barefoot

 

Sinopse: Beleza Perdida – Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.

Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.

Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Proibido, Tabitha Suzuma

Proibido Tabitha Suzuma

Autora: Tabitha Suzuma
Romance / Drama / Young adult *
Editora: Valentina
Páginas: 304
Ano: 2014

 

*Livro lido e resenhado em março de 2014, no original Forbidden.

Em lágrimas, eu digo: essa foi uma das histórias mais tristes e devastadoras que já li. Ponto. É tocante e extremamente bem desenvolvida, entrou na minha lista de favoritos, mas ainda assim digo: não leiam! Como alguém escreve um livro assim? Como alguém para e escreve sobre dois irmãos que se apaixonam?

Proibido conta a história de Lochen e Maya, os mais velhos de uma família de cinco irmãos, cujo pai os abandonara para viver com outra mulher do outro lado do mundo – e os esquecera -, e cuja mãe é uma alcoólatra que mal dorme em casa e tampouco se preocupa com os filhos. A falta de estrutura familiar é sentida em cada um dos cinco personagens principais e foi muito bem desenvolvida. (Eu me recuso a tratar a mãe como algo que não um lixo, então, não, ela não é um personagem principal.)

Lochen. Dezessete anos, o homem da casa e nenhum amigo. Entra em pânico só de pensar em falar com alguém na escola ou durante a aula. Emudece, empalidece, falta-lhe ar e, principalmente, faltam-lhe as palavras. Sua melhor amiga, confidente e a única pessoa com quem se sente bem: Maya.

Maya. Dezesseis anos, tão nova mas tristemente banida de uma etapa tão importante da vida, de uma adolescência que não pôde desfrutar, que para ela nunca existiu. Ao invés de festas e namoros, divide as responsabilidades da casa com Lochan, seu melhor amigo.

Kit. Eu odeio esse garoto, não deveria, mas o odeio. Um adolescente irritante de treze anos que nunca aceitou as ordens de seu irmão – nem o sumiço e a indiferença do pai – e fez de tudo para chamar a atenção de todos. Argh! Ele me tirou do sério!

Tiffin, um menino de 8 anos, cheio de energia. E Willa, uma garotinha de cinco aninhos e, talvez, a única coisa fofa em todo o livro.

Uma bagunça. O retrato das consequências de pais desastrosos e de um divórcio mal feito. Das consequências de se tornar adulto antes do tempo, forçado pela vida. Maya e Lochen. Um fazia o jantar, o outro colocava a irmãzinha para dormir. Um ensinava a tarefa, o outro dava banho e contava histórias. Dois jovens cuja alegria fora tirada por uma mãe estúpida, doente e negligente, que se vestia como uma vadia e estava sempre de ressaca, vomitando pelos cantos, e pelo desprezo de um pai.

Dois irmãos que se vêem com um sentimento que transcende o amor fraternal, que extrapola os limites da legalidade, que dói e perfura a alma. Um sentimento puro, mas proibido.

Tão delicado, tão frágil, tão quebrantável, e ainda assim tão forte, expressivo, intenso… Vi-me lendo com os olhos bem abertos e a garganta seca; a respiração curta, partida; um silêncio ensurdecedor que só me fazia ouvir as batidas altas do meu próprio coração. tum-tum, tum-tum, tum-tum. Um nó na garganta, uma dor no peito… Piedade. Angústia. Pena.

Como achar que não poderiam se amar se parecia que tinham sido feitos um para o outro? Como achar que aquilo era errado? E, ao mesmo tempo, como achar que seria certo? Seria aquele sentimento um amor carnal ou um forte amor fraternal perdido e enganado pelas circunstâncias da vida? Em outras circunstâncias, teriam se apaixonado? Se não tivessem sido sugados pela solidão que os destruía, teriam se apaixonado?

A autora soube escrever uma história única, que me prendeu e me deixou curiosa, com o coração apertado a cada página. Será que um dia se declarariam? Assumiriam tal sentimento? Não digo o rumo que a história toma, mas reforço o quão avassaladora ela é. Começa triste, seu desenrolar é triste e termina devastadoramente triste. Nada, absolutamente nada me fez sorrir. Nada tirou a dor que se implantou em meu coração logo nas primeiras páginas. Não há alívio, só há sufoco. Por que ler um livro assim? Não sei. Definitivamente, não sei. Talvez nos faça pensar, refletir… Talvez nos abra a cabeça, nos deixe menos preconceituosos, menos intolerantes… Não sei…ou talvez tenhamos um lado masoquista, simplesmente.

Devo ainda comentar sobre o público para o qual este livro é destinado. A Amazon o classifica como young adult – ou jovem adulto – que corresponderia a jovens de 12 a 18 anos e, bem, esses leitores não tem estrutura emocional suficiente para ler essa história. Não é moralismo, um adolescente lê o que quer, mas o conteúdo é pesado, não só pela tensão sexual, mas principalmente pela perturbação e descontrole emocional. Se foi desconfortável lê-la aos 29 – e sem ter um irmão para colocar no lugar do Lochan – aos 18 teria sido demasiadamente atordoante.

Nos primeiros vinte por cento da leitura eu supus o que me aguardaria ao final da história, e acertei, infelizmente. Mas nada, nem o fato de eu ler já imaginando o que viria, nada poderia ter me preparado para tal e, portanto, não adiantaria que eu aqui gritasse para alertá-los, pois seja como for, essa história vai lhes consumir e lhes fazer chorar. Muito. Preparados não estarão, mas estejam avisados.

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Sinopse: Proibido – Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã.

Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

Arsen, Mia Asher

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Autora: Mia Asher
Drama / Romance Adulto
EDITORA: KINDLE
PÁGINAS: 419
ANO: 2013

 

Quem é dos meus círculos de leitura provavelmente já me viu falando desse livro, que é um dos melhores e mais angustiantes que já li do gênero. Foi uma das primeiras leituras de 2014 e me marcou tanto que no meio do ano eu já o estava relendo. Sempre digo que quando gostamos demais de algo, nossa opinião se torna um pouco suspeita, mas… eu não poderia deixar faltar aqui o registro que fiz dele há mais de um ano assim que terminei a leitura (leia-se: emoções à flor da pele) 😉 Ah, só lembrando, ele é do tipo que ou se ama ou se odeia!


Deixem que eu abra meus comentários eliminando alguns possíveis futuros leitores que detestariam esse livro: temos aqui um triângulo amoroso, então visualizem em neon e caixa alta a palavra traição. Se o tema não lhe agrada ou se você é do tipo que não gosta de protagonista indecisa ou egoísta, perdida entre dois amores, por favor, não leia essa história (ou leia e se surpreenda rs). Mas se você acha que as pessoas cometem erros e não são sempre fadinhas perfeitas e encantadoras, pode mergulhar de cabeça.

Arsen conta a história de três pessoas: um marido perfeito, uma esposa cheia de dor e um belo garoto que se esconde atrás de uma fachada de playboy. Cathy e Ben estão juntos há 10 anos, casados há 6, e após alguns abortos o casamento já não é mais a lua de mel de outrora. Incapaz de segurar uma gravidez, Cathy se sente quebrada, defeituosa, envenenada, morta… Não se sente mulher o suficiente para o sempre-feliz-e-sem-defeitos Ben. Até que um dia se vê entre um homem e um garoto, um amor e uma paixão, entre Ben e Arsen, entre a razão e o desejo.

O livro é contado em primeira pessoa pela Cathy, mas temos a visão do Arsen e do Ben em alguns poucos capítulos. A escrita é informal e pode não agradar a todos, já que é bem gráfica e faz uso de alguns palavrões. O desenvolvimento e a estrutura da história são muito bem elaborados e a leitura flui com facilidade.

Cathy. Alguns não a suportaram, eu tentei entendê-la e enxergar nela uma pessoa real, que erra e que é egoísta, às vezes. Entendi suas dúvidas, seus medos, seu pavor, seu desespero. Entendi sua sensação de vazio. Entendi sua vontade de se sentir viva novamente, sem pressão ou sem a necessidade de ser perfeita. De verdade, eu a compreendi, mesmo quando me irritou, mesmo quando eu quis lhe dar uns tapas, lhe xingar, lhe chamar de vadia…eu a entendi. E sofri com ela. Muito. Existe uma cena extremamente forte, que me deixou com um nó na garganta e da qual não consigo me esquecer.

“Eu me sinto incompleta. Eu me sinto meio vazia, meio cheia.”

Ben. Oh, Ben! Personagem mais doce não há. Nem mais perfeito. Nem mais carinhoso. Nem mais fofo. A ausência de defeitos em Ben é, sem dúvidas, o maior motivo do repúdio que sentimos às atitudes de Cathy. Vimos o Ben jovem, quando conheceu e se apaixonou pela Cathy, e vimos o Ben adulto, maduro e casado. Vimos um Ben inquebrantável se quebrar. E chorei. Ó, céus!, como chorei e sofri com ele. Em um capítulo narrado por Ben, por volta dos 75% da leitura, a dor foi quase insuportável. A partir daí o leitor se vê esgaçado, estilhaçado em pedacinhos, soluçando como uma garotinha.

“O amor tem o poder de lhe destruir.”

Arsen. Um garoto que bem cedo descobriu o quanto a vida pode machucá-lo e resolveu se esconder da realidade. Um playboy que vive cercado de mulheres bonitas e famosas, que é capaz de fazê-las derreter, suspirar e até esquecer-se de quem são. Em um momento ou outro até quis que ele e Cathy se envolvessem, pois queria vê-la sorrir novamente, queria vê-la gritar de felicidade. Arsen tinha o poder de apagar seu sofrimento, de deixá-lo escanteado e esquecido nem que fosse por algumas horas. Mas não, não me apaixonei por ele e tampouco torci para que ficasse com a Cathy.

“Ninguém disse que trair fosse outra coisa que não um inferno. É nauseante. Eu não consigo parar de fazê-lo.”

É difícil rotular esse livro e encaixá-lo em algum gênero, pois há partes, as da adolescência dos personagens, em que se parece com um New Adult. No entanto, com o desenrolar da história, ficamos mais propensas a classificá-lo como um drama ou um romance adulto contemporâneo, pois os problemas são mais complexos do que um com-quem-quero-ficar ou quem-eu-quero-ser.

Aqui vemos o triste retrato do que é uma crise em um casamento, das consequências de uma traição, do sofrimento incessante que é ver – e sentir – tudo desabar. Até a metade da leitura eu diria que era um bom livro, mas talvez mais um no meio de tantos. Eu tenho tentado ser mais rígida, menos boazinha e mais racional na hora de avaliar os livros, mas os últimos 25% dessa história derreteram toda a minha razão. Essa última parte me fez chorar como poucos livros fizeram e não posso deixar de considerar isso como um talento da autora.

É uma história sobre casamento, infidelidade, traição, desejo, perdão, amor, paixão e perdas. É, principalmente, uma história sobre erros. É de partir o coração e de fazer você pensar e repensar seu comportamento, seu dia a dia, seu casamento. (E certamente, toca de maneira diferente os casados e os solteiros) É uma história que consome, comove, torce e espedaça o leitor. Não é um livrinho, ou talvez o seja se você não olhar bem nas entrelinhas as mensagens que ele nos deixa. Deixa-nos uma lição, ou muitas lições, eu diria. Quem brinca com fogo sempre se queima…Esteja preparado!!

5 corações 5 Estrelas

favoritosArsen Mia Asher Cover

Sinopse: One glance was all it took…

I’m a cheater.
I’m a liar.
My whole life is a mess.

I love a man.
No, I love two men…
I think.

One makes love to me. The other sets me on fire.
One is my rock. The other is my kryptonite.

I’m broken, lost, and disgusted with myself.

But I can’t stop. This is my story.
My broken love story.