Ratos e homens, John Steinbeck

Autor: John Steinbeck

literatura americana / clássico / 
1001 livros / nobel de literatura

Editora: L&PM

Páginas: 144

Ano: 2005

Ano de publicação original: 1937

[comprar]

 

Estou bem sumida, o mestrado tem preenchido praticamente todo o tempo que eu tinha para ler [restando apenas o das inevitáveis salas de esperas da vida rs], e nem cogito conseguir parar para escrever uma resenha digna. Porém, não poderia deixar de falar de Ratos e Homens, de Steinbeck, Nobel de Literatura de 1962.⠀

Impactante! Leitura curta e rápida, mas grandiosa e cheia de significado. Fala sobre amizade e sonhos, muitos sonhos. Dos que, certamente, justificam o amanhecer de cada dia de quem os tem. De tão improváveis, tristes…⠀

Fala sobre… homens… e, caramba, ratos! Leiam! Que livro!

* *Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Comprar [aqui]Compre aqui Amazon

Sinopse: George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência.

Em Ratos e homens, Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.

A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói

Autor: Lev Tolstói

Lit. Russa / Clássico / Novela / 1001 Livros

Editora: 34

Páginas: 96

Ano: 2006

Ano de Publicação Original: 1886

[comprar]

A morte de Ivan Ilitch foi a terceira novela que li de Tolstói e, sem dúvidas, a mais impressionante. O autor surpreende não só pelo texto irretocável, mas por conseguir ser tão atual quanto se o tivesse escrito hoje.

Não é surpresa para ninguém que Ivan Ilitch morre. Está ali no título, está na primeira página da novela. Começamos com a notícia de sua morte e só depois passamos a conhece-lo, a saber o que fazia, quem era e como vivia.

Ivan era um juiz de instrução que, ao receber um bom cargo, termina tendo uma vida confortável. Viveu para o trabalho, para o sistema corrupto que lhe empregou, foi infeliz no casamento e vivia cercado de pessoas interesseiras, os ditos amigos. Até que, certo dia, uma doença lhe atinge e daí para frente ele só piora.

Tolstói alfineta não só o sistema judiciário russo da época, como também as relações de falsa amizade dos colegas de trabalho, que fingem ser amigos, mas na verdade estão de olho no cargo e na vida um do outro. Quão atual não é isso?

Ivan se vê sozinho, abandonado, despedaçado, enquanto o mundo ao seu redor continua a girar sem sua presença, ou melhor, sem se importar com sua ausência. Tolstói nos choca, sem piedade. Faz-nos ouvir os gritos e o silêncio de quem sabe que está morrendo, faz-nos sentir na pele o arrependimento de não ter cultivado melhores amizades, de não ter dado a devida atenção a quem merecia.

Tolstói nos mostra também como tratamos a morte com artificialidade. Não sabemos lidar com a morte. Não sabemos lidar com quem está morrendo. Mente-se. Finge-se.

E ainda que eu lhes diga todos os temas tratados, não há como ter noção da dimensão desse texto. É quase inacreditável que alguém o tenha escrito de tão sensacional. Você  se vê triste pelo enredo e pela dor de quem morre, mas estupefato pela narrativa grandiosa. Não importa quantas páginas tem, A morte de Ivan Ilitch é monumental.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Comprar [aqui]Compre aqui Amazon

Sinopse: Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença.

 

Filomena Firmeza, Patrick Modiano e Sempé

Autor: Patrick Modiano

Ilustrador: Jean-Jacques Sempé

Lit. Francesa / nobel / infantojuvenil

Editora: Cosac Naify

Páginas: 96

Ano: 2014

[comprar]

 

Quantas nuances tem esse pequeno grande livro? Quanto do amor entre pai e filha fica, ali, implícito no que Modiano não nos conta? Que lindeza de livro!

Patrick Modiano, vencedor do Nobel de Literatura de 2014, e Jean-Jacques Sempé, grande ilustrador francês, nos contam a história de Filomena, uma bailarina que, observando uma aula de ballet da filha, se lembra de sua própria infância em Paris, quando vivia sozinha com seu pai.

São memórias lindas, sensíveis, com aquela magia que só as boas lembranças da infância nos trazem. Filomena Firmeza tem um tom nostálgico, tem gostinho de infância, de inocência, de uma inocência cada dia mais rara. Tem gostinho de amor…

Modiano não nos conta tudo, deixa lacunas para serem preenchidas por nossa imaginação, por nossas verdades, por nossas versões. E assim, reforça ainda mais o laço de amor entre Filomena e seu pai, que o amava mesmo sem saber ao certo sua ocupação.

O que falar das ilustrações do cartunista Sempé? Quanta delicadeza, quanta sensibilidade… Não tem como separar o texto dos desenhos, foram feitos um para o outro. Tem um ar romântico, casa perfeitamente com a Paris de décadas atrás e deixa o leitor feito bobo. Perdi-me naqueles desenhos, dei vida e movimento a cada um deles em minha imaginação.

E posso confessar? Me senti uma criança quando terminei e quis recomeçar a leitura naquele mesmo instante. Sabe aquele “de novo!”? Pois é…

Comprar [aqui]Compre aqui Amazon

Esse livro:

Ricamente ilustrado *** Fala sobre a relação pai e filha *** Para ler em família *** Ótimo vocabulário

HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Este delicado livro de um dos mais importantes escritores franceses rememora uma bonita relação entre pai e filha, pelo traço único de Sempé. Filomena, já adulta, observa a filha na aula de balé, em Nova York, e se transporta para sua própria infância em Paris, quando morava com o pai, uma figura bastante peculiar, e se comunicava com a mãe (que já residia nos Estados Unidos) apenas por cartas. Com ele, brincava de subir ao mesmo tempo na balança para se pesar, fazia bagunça com o creme de barbear e caminhava até a escola de balé. Ali, Filomena tirava seus óculos e via um mundo sem nitidez – mas também sem aspereza. Um delicado relato sobre a importância do amor entre pais e filhos e um convite a revisitarmos a nossa própria infância.

O Barco das Crianças, Mario Vargas Llosa

O barco das crianças

 

Autor: Mario Vargas Llosa
Ilustradora: Zuzanna Celej
Ficção Juvenil / Lit. Hispano-americana /
Lit. Latino-americana / Nobel
Editora: Alfaguara
Páginas: 112
Ano: 2016

 

O Barco das Crianças é uma bela e comovente história escrita por ninguém menos que Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura de 2010, voltada para o público infantojuvenil.

História, ficção e fantasia se misturam nas conversas de um velhinho solitário e Fonchito, uma criança curiosa. De sua casa, Fonchito observava o velhinho sentado em um banco, contemplando o mar. Certo dia, ele resolve ir lá para descobrir o que tanto o homem olhava. A resposta vem em forma de uma história interessantíssima sobre a Cruzada das Crianças, contada pelo velhinho, um pouco por dia.

Aparenta ser um livro bem infantil, pelo título, capa, ilustrações e tamanho do texto, mas pode ser um pouco pesado para as crianças menores, já que fala da Cruzada das Crianças.

Uma mistura de lenda e História, essa Cruzada teria acontecido por volta do século XII, na Europa, e assim como as demais Cruzadas, tinha a intenção de recuperar Jerusalém e devolvê-la aos cristãos. As crianças teriam partido do porto de Marselha e as que não morreram de frio, de fome ou afogadas, terminaram vendidas como escravas. Ou talvez tenham terminado como nos conta o velhinho… quem sabe?!

O livro é lindo de todas as formas. As ilustrações [aquarelas] são muito bonitas, bem delicadas e tem um quê de nostalgia, tem algo que me fez lembrar-me de um livro infantil – da Coleção Mundo da Criança – que eu lia na casa da minha avó quando era pequena.

Llosa tenta resgatar nas crianças a vontade e o interesse delas em conversar com os mais velhos, em ouvir o que eles tem para lhes contar. Essa troca saudável entre gerações tão diferentes está cada dia mais rara, infelizmente. Pontos para o autor!

Além de ter muito conteúdo histórico para ser aprendido, O Barco das Crianças é meio mágico, deixa enigmas no ar e inúmeras possibilidades de interpretação.

Um livro um pouco triste, meio melancólico, mas encantador. Simples e, ao mesmo tempo, rico. Uma história singela, escrita com esmero para todas as idades. Uma contribuição e tanto de Vargas Llosa para o mundo da boa literatura infantojuvenil.

5 Estrelas 5 corações

favoritos blog

o-barco-das-criancas-mario-vargas-llosa

Comprar:

Compre aqui Amazon

 

 

Esse livro:

Ilustrado *** História *** Para ler em família *** Lida com a morte *** Texto rico

HdP - Selo Crescidinhos HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali, todas as manhãs. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história muito antiga e… extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Mario Vargas Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

As Brasas, Sándor Márai

as-brasas-sandor-marai

 

 

Autor: Sándor Márai
Clássico / 1001 Livros / Literatura húngara
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 176
Ano: 1999
Ano de Publicação Original: 1942

 

Eu tenho a mania de simpatizar – do nada – com alguns títulos que aparecem em listas de recomendações mesmo sem ter a mínima ideia do que vou encontrar ali. Foi o caso do espetacular As Brasas.

Listado como um dos 1001 títulos que devemos ler antes de morrer, o livro do húngaro Sándor Márai é de um lirismo encantador e de uma profundidade impressionante, especialmente dada a pouca quantidade de páginas.

Conta o reencontro de dois amigos – grandes amigos, melhores amigos! – após 41 anos de separação. Ou, mais precisamente, 41 anos e 43 dias, contados, aguardados, ensaiados… Por um determinado motivo, na busca de uma determinada resposta. Ou não…

Entramos no castelo de Henrik, o general, na Hungria e só conseguimos parar quando viramos a última página do livro. E nem deveríamos ler tal preciosidade tão rápido, é um livro para ser degustado lentamente. Além de ter um texto riquíssimo, a estrutura da narrativa e a ordem em que os fatos nos são apresentados são irretocáveis. Passado e presente se unem ali, naquela noite, no tão esperado encontro, naquele duelo cheio de amargura, naquele monólogo cujas palavras são como dolorosas punhaladas no peito.

Ah, o monólogo! Ou melhor, O monólogo. Meticuloso, intenso, de uma paciência angustiante, raras vezes interrompido por Konrad, o amigo. Sándor Márai inquieta e aflige o leitor lá por dentro, parece remexer com todos os nossos sentimentos. Ficamos atormentados, mas maravilhados.

Muito mais do que uma simples história, As Brasas nos traz a força das palavras – das ditas e das não ditas. Faz-nos refletir sobre amizade, inveja, traição e o imenso peso da dúvida. Mostra-nos as consequências de nossas decisões e a fragilidade dos nossos sentimentos. Um deslize, uma escolha… um desejo de vingança e a cegueira toma-lhe o brilho da vida.

De uma sensibilidade penetrante, As Brasas merece ser saboreado por todos os amantes das letras. Sensacional!

5 corações 5 Estrelas

favoritos blog

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Comprar:

Compre aqui Amazon

 

 

as-brasas-sandor-marai

Sinopse: Romance sobre a amizade, a paixão amorosa e a honra. Conta a história de dois homens que não se vêem há 41 anos. Foram amigos inseparáveis na infância, mas um dia, em 1899, um deles desapareceu. Algo muito grave aconteceu naquele dia, e é esse o enigma que agora, já no fim da vida, eles vão decifrar. Move-se entre os dois o fantasma de Kriztina, por quem eles travarão um duelo que se inicia como um civilizado jogo de esgrima, mas logo se torna uma luta árdua, embora os duelistas só disponham de uma arma: as palavras.

O húngaro Sándor Márai nasceu em 1900. Exilou-se em 1948, inconformado com a implantação do comunismo em seu país. Em 1979 fixou-se nos Estados Unidos, onde se suicidou. As brasas é sua primeira obra lançada no Brasil.

Os melhores livros lidos em 2016 e Três livros para 2017

Início de um novo ano, época de fazer um balanço de tudo que fizemos no ano que passou, do que gostamos, do que poderíamos ter feito melhor e dos desafios que cumprimos. Época também de traçar novos planos e de agradecer por tudo de bom que nos aconteceu.

E para quem fala sobre literatura, claro, é época de escolher as melhores leituras do ano e selecionar novos – e grandiosos – desafios!

Foram 7.846 páginas lidas em 2016, segundo o Skoob! Cumpri minha meta “quantitativa” (com qualidade, claro), mas não cumpri todos os desafios que me propus no início de 2016. Além dos 30 livros aleatórios, me desafiei a ler Guerra e Paz, A Divina Comédia e Anna Kariênina, {eu estava bem modesta rs}

De Guerra e Paz li umas 1350 páginas logo no início de 2016, estava adorando, mas quando cheguei ao 3° tomo desanimei. Não desisti, rs, pretendo retomar em 2017. Esse desânimo me levou a nem começar Anna Kariênina, do mesmo autor. (mas não saiu da meta!) Já A Divina Comédia {terminei Paraíso nos acréscimos do 2° tempo, ainda vem resenha por aí} foi uma experiência maravilhosa, uma ótima surpresa!

Mas, vamos ao que interessa, vamos aos melhores!

 

Melhor Leitura de 2016: Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa

Que livro! Que final! Que personagens! Só posso insistir que leiam, mas não deixem que minha euforia gere tantas expectativas. É um livro simples e genial ao mesmo tempo. É uma história comum, de gente comum, mas que tem algum pozinho mágico inexplicável em suas páginas que emociona e cativa o leitor.

Resenha aqui.

Melhor “Tem que Ler”: A Revolução dos Bichos, de George Orwell

A Revolução dos Bichos é sensacional! Ainda me pergunto porque não o li antes!!! Leitura obrigatória, sem dúvidas, bem elucidativa e cheia de citações de cair o queixo de tão atuais que são. Incrível!

“Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros.”

Resenha aqui.

 

Melhor Livro de Não-Ficção: A Civilização do Espetáculo, de Mario Vargas Llosa

A Civilização do Espetáculo traz reflexões e opiniões bem lúcidas e ponderadas de Vargas Llosa – vencedor do Nobel de Literatura de 2010 – acerca da cultura e do comportamento das pessoas nos dias de hoje. Foi uma leitura tão boa que acabei uma caixa de marcadores, rs, e ainda não consegui escrever uma resenha. Prometo fazê-la!!

 

 

Escolher os melhores nunca é fácil, já que cada livro (os bons!) traz algo especial. Eu poderia citar Édipo Rei (resenha aqui) como leitura que me surpreendeu, poderia citar O Pomar das Almas Perdidas (resenha aqui) como leitura que mais me tocou ou Liturgia do Fim (resenha aqui) como leitura mais poética e sensível. Poderia ainda citar O Barco das Crianças, de Vargas Llosa, como melhor infantojuvenil e Um, dois e já (resenha aqui) como leitura mais nostálgica. Foram ótimas leituras! Na verdade, tenho lido cada vez menos livros ruins pelo simples fato de que passei a abandonar, sem dó nem piedade, leituras que não me conquistam. Alguns eu insisto, mas geralmente me arrependo. rs! 2016 foi bom, mas pretendo que 2017 seja O ANO!  rsrs

 

Três livros para 2017 

Quero ler tanta coisa que foi bem difícil escolher os três desafios de 2017, rs. Mas, vamos lá, terminei escolhendo:

  1. A Montanha Mágica, de Thomas Mann
  2. Dom Quixote de la Mancha, de Cervantes
  3. David Copperfield, de Charles Dickens

david-copperfield-charles-dickens

dom-quixote

a-montanha-magica

 

 

 

 

 

Tenho outros calhamaços em andamento, como Decameron, de Boccaccio, e Outono da Idade Média, que passaram “automaticamente” para meta – e desafio – desse ano. Já adianto que os dois são INCRÍVEIS, leituras maravilhosas, para se ler aos poucos, sem pressa!

Quanto a meta quantitativa, não sei… A cada ano me importo menos com ela 🙂

Em 2016 tirei alguns poucos livros da Jarra de TBR – livros para ler, mas confesso que não me agradou muito a ideia de pegar um livro aleatório demais, já que pra mim cada momento pede um tipo de história diferente. No entanto, é ela quem faz andar – mesmo que lentamente – a pilha de livros “encostados”, então aqui e acolá vou puxar uma estrelinha dessas também.

IMG_1673

E a meta de vocês? Todo mundo organizando e planejando as leituras do ano?!

Aproveito para desejar a todos um Ano Novo maravilhoso, cheio de amor e muitas realizações, com histórias deliciosas, livros encantadores e personagens apaixonantes.

Muito obrigada a todos que me acompanharam por todo esse ano!

Grande abraço, com carinho,

Caroline Gurgel

 

Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa

travesuras_de_la_nina_mala

 

 

Autor: Mario Vargas Llosa
Nobel / Romance /
Lit. Latino-americana / Paris
Editora: Alfaguara
Páginas: 375
Ano: 2006

 

Comecei a ler Travessuras da Menina Má anos atrás, por recomendação – e muita insistência – do meu pai. Li algumas páginas e abandonei. Por mais que me dissessem que o livro era incrível, coloquei na cabeça que não iria gostar. Minha teimosia falou mais alto até… dias atrás, quando finalmente resolvi dar uma segunda chance. Ou seria terceira?

Que livro maravilhoso! Só não estou mais arrependida de não ter insistido antes na leitura porque penso que, de fato, li na hora certa. Talvez, talvez!, eu não tivesse mesmo gostado dele naquela época, quem sabe?!

Mario Vargas Llosa inicia seu romance na década de 50, no nobre bairro de Miraflores, em Lima, onde o ainda adolescente Ricardo, que tinha por objetivo de vida ir morar em Paris, se apaixona por Lily, uma chilena recém chegada ao país, que causa alvoroço por onde passa. Mas, Ricardo, o “bom menino”, vai descobrir que a menina má não é bem quem ela diz ser. Aliás, vai passar todo o livro redescobrindo isso.

Riu com prazer quando perguntou pelos meus planos a longo prazo e eu respondi: Morrer de velho em Paris

Não conto-lhes mais. Não devo. Não devem saber mais que isso. Não procurem saber mais que isso. Deixem que a surpresa lhes arrebate. Deixem que a aparente simplicidade no texto do autor lhes surpreenda. Deixem que esses personagens tão imperfeitos lhes encantem. Deixem-se levar por tantos caminhos, por tantas mentiras, por tantas insanidades. Entreguem-se, como eu deveria ter me entregado desde as primeiras páginas. Não o fiz. Só fui sugada depois do primeiro terço da história.

Tive raiva, muita raiva. Muita, muita raiva. E o que era para ser uma protagonista detestável, está aqui, marcada no meu peito. E o que era para ser um protagonista sem graça, de personalidade fraca, sem ambição, também está aqui, para sempre no meu coração. Que personagens incríveis! Memoráveis!

Quando você se depara com uma narrativa tão fluida como essa, você percebe o quanto já banalizou o uso dessa palavrinha em outros tantos comentários. O texto parece completamente despretensioso, como se o autor estivesse sentado lhe contando com extrema franqueza e naturalidade sua história. Aliás, é um relato tão sincero que autor e narrador se confundem e você tem certeza de que aquele escritor viveu muito daquilo.

Se pararmos para pensar com frieza, essa espontaneidade dá lugar a um texto muito bem estruturado. Mesmo com uma narrativa linear, seus capítulos parecem histórias dentro da história, com lugares e personagens secundários que aparecem, lhe conquistam e somem, como círculos que se fecham e juntos formam o romance.

Ao longo de todo o livro acompanhamos – com muitas alfinetadas – um pouco do cenário sociopolítico da segunda metade do século XX, especialmente da América Latina. E é aí que narrador e autor se mesclam ainda mais, embora Ricardo, já tradutor da UNESCO e vivendo em Paris, não se metesse muito com política.

Na verdade, Ricardo não se metia em muita coisa, a não ser que a sua menina má estivesse no meio. Aí, sim, ele corria o mundo para alcançá-la. E como ela aprontou! Argh…! Quantas pessoas tem a sorte de ter um Ricardito em suas vidas e o imenso azar de menosprezá-lo?

É uma história de amor, de um amor louco, intenso, obsessivo, que destrói tudo que toca. É uma história de encontros e desencontros, de uma paixão cega, eterna e insana, que chega a dar raiva no leitor. Mas é também uma história que nos faz pensar em quantas Lilys existem por aí, em quantas Lilys não já desperdiçaram seu Ricardito por pura ambição e vaidade. Será que uma pessoa tão gananciosa pode ser feliz na calmaria de uma vida comum? Teria sido feliz se não tivesse tentado tudo que quis ou teria passado a vida se questionando onde estaria se…

Que livro! Que final! Que personagens! Só posso insistir que leiam, mas não deixem que minha euforia gere tantas expectativas. É um livro simples e genial ao mesmo tempo. É uma história comum, de gente comum, mas que tem algum pozinho mágico inexplicável em suas páginas que emociona e cativa o leitor. E, se ao terminar a leitura, você estiver destroçada, precisando de um abraço, é isso aí, você sentiu tudo que senti.

5 corações 5 Estrelas

favoritos blog

travessuras da menina má llosa

Comprar

Compre aqui Amazon

 

 

Sinopse: O peruano Ricardo vê realizado, ainda jovem, o sonho que sempre alimentou – o de viver em Paris. O reencontro com um amor da adolescência o trará de volta à realidade. Lily – inconformista, aventureira e pragmática – o arrastará para fora do pequeno mundo de suas ambições. Ricardo e Lily – ela sempre mudando de nome e de marido – se reencontram várias vezes ao longo da vida, em diferentes cidades do mundo que foram cenários de momentos emblemáticos da História contemporânea. Na Paris revolucionária dos anos 60; na Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; na Tóquio dos grandes mafiosos dos anos 80; e na Madri em transição política dos anos 90. Assim, ao mesmo tempo em que conta a história de um amor arrebatador, Travessuras da menina má traça um quadro vigoroso das transformações sociais européias e convulsões políticas da América Latina. Muitas das experiências de vida de Vargas Llosa aparecem aqui, por meio de seus personagens – os tempos de penúria em Paris, seu trabalho como tradutor, sua simpatia pela revolução cubana e a ligação permanente com seu país de origem, o Peru. Criando uma tensão entre o cômico e o trágico, numa narrativa ágil, vigorosa e terna, que conduz o leitor nesta dança de encontros e desencontros, Mario Vargas Llosa joga com a realidade e a ficção para contar uma história em que o amor se mostra indefinível, senhor de mil faces, como a menina deliciosa e má.