Os Pilares da Terra, Ken Follett

 

Autor: Ken Follett

Ficção histórica / Idade Média

Editora: Rocco

Páginas: 944

Ano: 2012

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Ken Follett já tinha me conquistado quando eu lera a trilogia O Século (Queda de Gigantes, Inverno do Mundo e Eternidade por um fio), mas, por mais que eu já esperasse gostar de Os Pilares da Terra, não imaginava que devoraria tão rápido suas quase mil páginas.

A história se passa na Inglaterra do século XII, em plena Idade Média, quando o clero tinha muito poder político e seus membros de alto escalão se metiam em negociações com a nobreza. A trama se desenrola em torno da construção da catedral do priorado de Kingsbridge e envolve muitos – e cativantes – personagens. Em meio a isso, temos grandes disputas ocorrendo, como uma guerra entre herdeiros do trono e de um condado.

Não temos apenas um protagonista, mas muitos personagens cuja importância não consigo enumerar, o que me parece uma característica já do autor e parte de sua fórmula de sucesso. Com isso, viramos as páginas sem perceber e não conseguimos parar de ler.

Além de toda a ação ininterrupta e do ritmo frenético, ainda nos deparamos com as descrições – mesmo que básicas – das catedrais da época e suas escolhas construtivas e arquitetônicas, como suas proporções, o formato dos arcos e das abóbadas, seus vitrais e a entrada de luz, tipo de pilares, uso de nervuras, distribuição de carga, quantidade de naves e a forma do coro. Um extra para arquitetos como eu, ou para quem se interessa pelo assunto.

A tudo isso, acrescente um pano de fundo histórico super interessante. Ken Follett, mesclando personagens fictícios a reais, nos transporta para a Idade Média e vivenciamos um pouco do funcionamento da vida do povo, do clero e da nobreza. Gostei, em especial, do fato de o autor não colocar todos os padres da época no mesmo “balaio”. Não eram todos corruptos, nem todos santos.

Ken Follett é, sem dúvida, um mestre do entretenimento e Os Pilares da Terra merece o sucesso que tem já há alguns anos.

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Sinopse: Um mergulho na Inglaterra do século XII através da saga da construção de uma catedral gótica. Emocionante, complexo, pontilhado de coloridos detalhes históricos, Os Pilares da terra, de Ken Follett, é um clássico que traça o painel de um tempo conturbado, varrido por conspirações, intrincados jogos de poder, violência e surgimento de uma nova ordem social e cultural. O livro, que há mais de 20 anos conquista novos leitores e já vendeu mais de 18 milhões de exemplares em 30 idiomas, volta agora às livrarias em volume único, capa dura, cuidadoso projeto gráfico e preço competitivo.

O Ruído do Tempo, Julian Barnes

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Autor: Julian Barnes
Ficção Histórica / Música
Editora: Rocco
Páginas: 176
Ano: 2017

 

Uma biografia meio romanceada de um dos maiores compositores do século XX, escrita por um autor consagrado com um Man Booker Prize. Foi assim que O Ruído do Tempo me foi apresentado. Prometia boa literatura e um pouco da vida de Shostakovich, uma deliciosa combinação.

O autor escolheu alguns episódios – sempre envolvidos com o governo comunista soviético – da vida de Shostakovich para abordar, então não temos aqui uma biografia completa e linear, nem um estudo sobre a sua música. Aliás, a música é pouco citada.

O Ruído do Tempo foca nos conflitos vividos pelo compositor, nas difíceis decisões que teve que tomar [ou que tomaram por ele] e que influenciaram completamente sua vida e carreira. Ficção e realidade se misturam quando entramos na mente de Shostakovich, nos seus pensamentos, nas suas angústias.

O primeiro e mais importante episódio narrado aconteceu em 1936, quando Stálin foi assistir a aclamada ópera de Shostakovich, a Lady Macbeth de Mtensk. Dias depois, saiu no Pravda, principal jornal da época, que aquilo era “confusão ao invés de música”. A obra foi censurada e Dmitri Shostakovich caiu em desgraça. É a partir daí que tudo se desenrola.

A sensação que temos é a de que Shostakovich era tão bom, mas tão bom, que o Governo, vendo que ele fazia muito sucesso com o público, resolveu usá-lo a seu bel-prazer. Seria uma ótima propaganda. Vejam como valorizamos a música! E Shostakovich teve que dançar conforme a música. Era isso ou morrer!

Covardia, fraqueza ou falta de opção? Sua vida ou sua integridade? Era um gênio, não um herói. Julian Barnes fala que ser covarde é mais complicado do que ser herói. Para ser herói basta uma morte simbólica, enquanto o covarde vive a angústia da mentira por toda uma vida. Será?

Há ainda um outro ângulo, uma outra possibilidade a ser considerada. Alguns acreditam que Shostakovich era irônico. Fingia ser a favor do regime, mas expressava o que bem queria em suas sinfonias. Há quem reconheça essa rebeldia em sua obra.

“O sarcasmo era perigoso para quem o empregava, identificável como linguagem do destruidor e do sabotador. Mas a ironia – talvez, às vezes, ele esperava – permitiria que conservasse o que valorizava, mesmo quando o ruído do tempo se tornava alto o bastante para quebrar vidraças. O que ele valorizava? Música, família, amor. Amor, família, música. A ordem de importância costumava variar. A ironia podia proteger a música? Desde que a música continuasse a ser uma linguagem secreta que permitia que contrabandeasse coisas pelos ouvidos errados. Mas não podia existir apenas como um código: às vezes era preciso dizer as coisas de forma direta. A ironia poderia proteger seus filhos? Maxim, na escola, com dez anos de idade, tinha sido obrigado a caluniar o pai publicamente numa prova de música. Nestas circunstâncias, de que servia a ironia para Galya e Maxim?”

O livro me trouxe muitas reflexões acerca dos musicistas e suas reais relações com os governos tirânicos. Até onde o público sabe a verdade? Até que ponto um artista abandonaria sua música? Até que ponto somos íntegros quando a vida de sua família corre perigo? Fugir, como fez Stravinsky, por exemplo, é uma opção?

Não bastasse tudo isso, a escrita de Barnes é fabulosa. Com uma narrativa não linear, daquelas que não se pode piscar, o autor me deixou estupefata, querendo ler tudo que já escrevera. Entrei pela música e saí deslumbrada com um livro sensacional!

5 Estrelas 5 corações

Para Ouvir:

Mesmo quem acha não conhece o compositor, certamente reconhecerá sua popular Valsa nº 2, que já foi tema de alguns filmes. Deixo aqui um vídeo da Valsa e o de uma de sua sinfonias mais bonitas, a Sinfonia nº 5.

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Sinopse: Em seu primeiro romance desde O sentido de um fim, vencedor do Man Booker Prize, e após o sensível ensaio sobre o luto Altos voos e quedas livres, Julian Barnes resgata e ficcionaliza a trajetória do compositor russo Dmitri Shostakovitch para retomar questões recorrentes em sua obra como a memória e a verdade. A história tem início em 1937, na União Soviética, quando Shostakovich tem certeza de que será preso, exilado na Sibéria, talvez até executado, após escrever um de seus maiores concertos, Lady Macbeth de Mtsensk, que não agradou ao governo. A partir daí, Barnes constrói (ou desconstrói) uma breve biografia de um dos grandes nomes da música do século XX, um personagem complexo e contraditório, com uma narrativa extremamente humana sobre integridade, coragem e poder que celebra, acima de tudo, a liberdade artística. Aclamado pela crítica estrangeira, O ruído do tempo já se destaca como uma das incontestáveis obras-primas de Julian Barnes.

O Barco das Crianças, Mario Vargas Llosa

O barco das crianças

 

Autor: Mario Vargas Llosa
Ilustradora: Zuzanna Celej
Ficção Juvenil / Lit. Hispano-americana /
Lit. Latino-americana / Nobel
Editora: Alfaguara
Páginas: 112
Ano: 2016

 

O Barco das Crianças é uma bela e comovente história escrita por ninguém menos que Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura de 2010, voltada para o público infantojuvenil.

História, ficção e fantasia se misturam nas conversas de um velhinho solitário e Fonchito, uma criança curiosa. De sua casa, Fonchito observava o velhinho sentado em um banco, contemplando o mar. Certo dia, ele resolve ir lá para descobrir o que tanto o homem olhava. A resposta vem em forma de uma história interessantíssima sobre a Cruzada das Crianças, contada pelo velhinho, um pouco por dia.

Aparenta ser um livro bem infantil, pelo título, capa, ilustrações e tamanho do texto, mas pode ser um pouco pesado para as crianças menores, já que fala da Cruzada das Crianças.

Uma mistura de lenda e História, essa Cruzada teria acontecido por volta do século XII, na Europa, e assim como as demais Cruzadas, tinha a intenção de recuperar Jerusalém e devolvê-la aos cristãos. As crianças teriam partido do porto de Marselha e as que não morreram de frio, de fome ou afogadas, terminaram vendidas como escravas. Ou talvez tenham terminado como nos conta o velhinho… quem sabe?!

O livro é lindo de todas as formas. As ilustrações [aquarelas] são muito bonitas, bem delicadas e tem um quê de nostalgia, tem algo que me fez lembrar-me de um livro infantil – da Coleção Mundo da Criança – que eu lia na casa da minha avó quando era pequena.

Llosa tenta resgatar nas crianças a vontade e o interesse delas em conversar com os mais velhos, em ouvir o que eles tem para lhes contar. Essa troca saudável entre gerações tão diferentes está cada dia mais rara, infelizmente. Pontos para o autor!

Além de ter muito conteúdo histórico para ser aprendido, O Barco das Crianças é meio mágico, deixa enigmas no ar e inúmeras possibilidades de interpretação.

Um livro um pouco triste, meio melancólico, mas encantador. Simples e, ao mesmo tempo, rico. Uma história singela, escrita com esmero para todas as idades. Uma contribuição e tanto de Vargas Llosa para o mundo da boa literatura infantojuvenil.

5 Estrelas 5 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** História *** Para ler em família *** Lida com a morte *** Texto rico

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Sinopse: Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali, todas as manhãs. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história muito antiga e… extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Mario Vargas Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

Miniaturista, Jessie Burton

MINIATURISTA

 

 

Autora: Jessie Burton
Ficção Histórica
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2015

 

Sempre gostei muito de histórias com brinquedos e/ou os artesãos que os fabricam. Esse mundo me fascina desde criança, seja ele mágico, como O Quebra-Nozes, ou meio macabro, como As Luzes de Setembro. Portanto, quando vi o burburinho em torno de um livro chamado Miniaturista quis ler de cara.

Miniaturista viralizou no ano passado no mundo todo, inclusive sendo finalista no GoodReads Choice 2014 na categoria Ficção Histórica e ganhando muitos outros prêmios. Então, ele tinha tudo para ser uma excelente leitura, não é? Tinha, mas não foi. Não para mim.

Miniaturista se passa no século XVII e conta a história de Nella, que aos 18 anos se casa com o comerciante Johannes para ter uma vida confortável, já que seu pai falecera deixando apenas dívidas. Chegando em Amsterdã para sua nova vida, Nella não encontra bem o que esperava de um casamento e de um lar, e vai ter que conviver com a cunhada nada agradável, Marin. De presente de casamento, seu marido lhe dá uma casa em miniatura, exatamente igual a que eles vivem, para que ela possa mobiliar e se distrair.

Bem, a premissa é bem interessante, mas o texto é arrastadíssimo, entediante e sem frescor. A época e o local escolhidos também são atraentes, mas o enredo deixa muito a desejar.

Longas conversas sobre o açúcar, como ele derretia na boca, como ele era isso ou aquilo, me deixou enfarada. O problema não era falar de açúcar, mas falar dele a hora toda, repetidamente.

Os personagens são apáticos, sem carisma algum, e muitas das atitudes deles são desconexas. A parte mais interessante, que até me deixou curiosa, é sobre o miniaturista. Queria muito entender os porquês e os “como”, mas as explicações dadas são muito vagas e continuamos curiosos, sem entender, sem saber. É tudo meio “nonsense”, sem nexo, fantasioso demais.

Então, o livro é muito ruim? Não gosto de dizer que um livro é ruim, a não ser que ele seja mal escrito, o que não é o caso. A escrita é, inclusive, boa, formal, com ótimas descrições, mas não simpatizei com o enredo.

Para alguns foi maravilhoso, até bonito. Para mim foi uma decepção, infelizmente. Leiam por sua conta em risco. rs

 

2 Estrelas 1 corações

Sinopse: No outono muito frio de 1686, Nella Oortman, de 18 anos, chega em Amsterdã para começar uma nova vida como esposa do ilustre comerciante Johannes Brandt. Mas sua nova casa, apesar de esplendorosa, não é acolhedora. Johannes é gentil, porém distante; sempre trancado em seu escritório ou no depósito onde guarda seus produtos, deixa Nella sozinha com a irmã dele, a maliciosa e ameaçadora Marin. A jovem não consegue se aproximar do marido e parece que o casamento nunca será consumado.
Mas o mundo de Nella muda quando Johannes lhe dá um extraordinário presente de casamento: uma réplica da casa deles em miniatura. A maquete é exatamente como a casa em que moram, com os mesmos quadros, tapeçarias e objetos de arte. Para mobiliar a casinha, Nella contrata os serviços de um miniaturista — um artista furtivo e enigmático, cujas criações são cópias perfeitas dos móveis e objetos da casa. O artesão envia a Nella itens finamente talhados, alguns que nem sequer foram requisitados, e bonecos que repetem e algumas vezes predizem os acontecimentos da cada vez mais estranha vida de Nella na casa.
O presente de Johannes ajuda a esposa a compreender o mundo da família Brandt, mas, à medida que ela descobre seus segredos, começa a temer os perigos crescentes que os cercam. 
Nessa sociedade religiosa e repressiva, em que o ouro só é menos venerado que Deus, ser diferente é uma ameaça às morais e nem um homem como Johannes está livre. Apenas uma pessoa parece capaz de enxergar o futuro que os aguarda. Seria o miniaturista a senha para a salvação ou o arquiteto da destruição?

Eternidade por um fio (O Século #3), Ken Follett

eternidade por um fio capa
Autor: Ken Follett
Ficção Histórica
Editora: Arqueiro
Páginas: 1072
Ano: 2014

 

– Queda de Gigantes, O Século #1, resenha aqui.

– Inverno do Mundo, O Século #2, resenha aqui.


Eternidade por um fio coroa a incrível trilogia O Século, de Ken Follett, mas, embora ainda muito bom, é o livro mais fraco – ou menos bom – dos três.

Quando comecei Queda de Gigantes me encantei de cara com a capacidade de Follett de encaixar personagens fictícios nos momentos históricos de maneira primorosa. Uma mistura de ficção e realidade tão bem construída que nem percebemos a quantidade de páginas e logo estamos lendo o segundo livro, Inverno do Mundo, que é tão bom quanto o primeiro e nos deixa cheios de expectativas para esse terceiro volume. Como ele finalizaria a vida daquelas famílias? Que fatos históricos do pós guerra ele abordaria? Será que seria possível gostar da mesma maneira dos filhos e netos dos protagonistas das edições anteriores? Bem, foi assim, cheia de questionamentos que iniciei Eternidade por um fio.

Esse volume começa no ano de 1961 e acompanhamos toda a tensão da Guerra Fria, a aflição gerada com a Crise dos Mísseis de Cuba e as tentativas de se evitar uma nova guerra. Acompanhamos a briga pelo poder, a polarização EUA versus URSS, o comunismo versus capitalismo, a Cortina de Ferro e seu domínio soviético. Vemos erguerem o Muro de Berlim e a incalculável dor das famílias separadas. Follett fala também da Guerra do Vietnã e as inúmeras tentativas de justificá-la; nos mostra Martin Luther King e sua luta pela igualdade nos Estados Unidos. Acompanhamos os presidentes norte americanos, suas eleições e algumas de suas medidas mais importantes. Vemos políticos serem assassinados, civis serem presos. Na União Soviética, vemos entrar líder, sair líder e nada mudar. Em meio a tanta tensão, também temos o rock and roll e alguma menção ao movimento hippie. Claro, chegando à década de 80, vemos a queda do muro de Berlim e o comunismo ruir, levando consigo as barreiras que tanto causaram medo e sofrimento.

São inúmeros e importantes momentos históricos que se misturam aos personagens fictícios e nos fazem enxergar a História por diversos ângulos. Ao inserir a vida comum dos personagens, com suas paixões, medos e dúvidas, erros e acertos, glória e declínio, Follett nos aproxima da História, faz com que vejamos tudo mais de perto, um pouco menos mistificado. Não fosse a mania do autor de colocar sexo em tudo, diria que deveria ser leitura obrigatória nas escolas.

A leitura desses três livros me fez refletir sobre caráter e índole e sua relação com o posicionamento político de cada um. Follett me fez perceber que, em certos casos, mesmo estando do lado “errado” da política, a pessoa pode realmente acreditar que está fazendo o bem, que está lutando por melhorias. Tomando Grigori Peshkov como exemplo, foi um personagem bem querido, mesmo tendo morrido acreditando que o comunismo agia corretamente. Apesar de boa pessoa, o poder o cegou e ele não percebeu que passou a ter muitas regalias, as mesmas regalias que os monarcas tinham e que o levou às ruas para protestar no início do século XX.

O autor foi super feliz ao criar personagens verossímeis, nem completamente maus, nem totalmente santos, e conseguiu uma variedade impressionante em relação a personalidade de cada um. É incrível como ele consegue inserir pra lá de duzentos personagens e não ficamos perdidos – ou pelo menos não completamente rsrs. Por mais que tenhamos que parar algumas vezes para pensar em quem era o pai ou avô daquela pessoa, isso não atrapalha o andamento ou a compreensão da leitura.

Sei que é natural sentir falta dos protagonistas anteriores e achar estranho vê-los sendo mencionados apenas de vez em quando, mas devo dizer que essa nova geração não me conquistou como as outras. Minha ressalva está principalmente nas mulheres que ele criou. Poxa, Ken Follett, não é possível que não tenha existido uma mulher decente sequer nessa época!!! Por que “todas” tinham que ser infiéis ou bem assanhadas?

Outra ressalva está no fato de que todos os conservadores foram pintados como vilões, com Ronald Reagan, por exemplo, sendo simplesmente um assassino.

A escrita do autor continua simples, direta, sem firulas. É um pouco seca, mas se encaixa perfeitamente no que ele quer contar. Como lhe é peculiar, não nos poupa de detalhes cruéis da guerra e das atrocidades cometidas.

Preciso dar destaque a duas matriarcas: Ethel e Maud, minhas personagens favoritas de toda a série. A vida de Ethel Williams Leckwith me fez pensar em como a vida é uma caixinha de surpresas e me fez refletir por quantos acontecimentos passa alguém que vive por muito tempo e o quanto de experiência acumula. Gostaria que ela tivesse tido mais destaque nesse livro, mas ainda assim, gostei do que li. Maud? Tudo o que Maud passa é de partir o coração desde o livro anterior. Que irônico o destino, não? Quem diria que a pobre Ethel viveria tão bem e a rica Maud terminaria na Alemanha Oriental?

Posso passar ainda parágrafos e mais parágrafos comentando sobre essa trilogia de tão boa e cheia de conhecimento que ela é. Um banho de História, daqueles livros que acrescentam, que nos faz enxergar um pouco além. Uma trilogia que merece ser lida e recomendada sempre. Para quem não costuma ler ficções históricas, aconselho a tentativa, certamente irá se surpreender. É fato, nunca mais verei a História como antes.

3.5 corações 4.5 Estrelas

ken follett trilogia o século

 

Sinopse: Eternidade Por Um Fio – Durante toda a trilogia O Século, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução… e rock and roll!

Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas.

George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal.

Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado.

Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear.

Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia e para a história.

Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo. 

Criança 44, Tom Rob Smith

criança 44

 

Autor: Tom Rob Smith
Suspense / Ficção Histórica
Editora: Record
Páginas: 434
Ano: 2008

 

Criança 44 estava na minha lista de leitura há muito tempo, mas sempre ficava para trás, até que foi sorteado como o livro do mês para o debate de um grupo de leitores do qual participo. É um suspense, não costumo ler muitos livros assim, mas o fato de ser ambientado no terrível pós-guerra stalinista despertou meu interesse.

Tom Rob Smith ambienta seu romance na opressora União Soviética de 1953 e nos conta a história de Liev Demidov, um agente da MGB, departamento de Segurança do Estado, que acreditava piamente no sistema stalinista. Por mais cruel e brutal que fossem, Liev apoiava sempre todas as “desculpas” do sistema, as “verdades” irrefutáveis, acreditava que os meios justificavam os fins e que tudo era um prol de uma sociedade igualitária.

Na bela sociedade soviética não existia assassinato, não existia infelicidade ou falta de qualquer suprimento. Se havia alguma morte, certamente tinha sido um acidente e nenhum cidadão ousava discordar. O medo calava a todos, ninguém nunca via nem ouvia nada. Eis que um dia um menino aparece morto nos trilhos de uma ferrovia e a família, desconfiada de que a criança fora assassinada, precisava ser silenciada. Liev fica incumbido de convencê-los de que tudo não passou de um acidente, mas, mesmo com toda sua cegueira em relação ao Estado, uma semente de desconfiança é plantada no respeitado agente.

Aos poucos, com o aparecimento de outras vítimas com morte semelhante, Liev passa a investigar os possíveis assassinatos em série, o que colocará a sua vida – e de sua família – em risco. Diante de tanta desumanidade, em quem confiar? Pode confiar na sua esposa, Raíssa Demidov? Quem é amigo e quem é inimigo? Quem fala a verdade?

O livro é narrado em 3ª pessoa e nos apresenta a barbárie da União Soviética do pós-guerra de forma crua. Entramos em um mundo frio, sem piedade, cruel e injusto, onde uns poucos da elite do Governo usufruem de regalias e mordomias e a maioria da população vive oprimida e marginalizada. Quanto mais leio histórias sobre o comunismo, mais nojo tenho do sistema. É duro imaginar que os cenários que vemos aqui um dia existiram e isso nos faz refletir sobre o mundo em que vivemos hoje, o quanto ainda precisamos evoluir ou se às vezes estamos retrocedendo alguns passos. Leituras como essa precisam estar sempre vivas, sempre presentes, para não nos deixar esquecer das atrocidades cometidas no passado e, assim, nos fazer pensar e tentar não permitir que tudo se repita.

Minhas expectativas em relação a essa leitura eram bem altas. Todo mundo havia amado, as recomendações eram muitas e os elogios, infinitos. Tinha acabado de ler Inverno do Mundo, de Ken Follett, uma ficção histórica riquíssima em detalhes, que se passa na Segunda Guerra Mundial e também entra um pouco no pós-guerra. Ou seja, eu vinha praticamente do mesmo ambiente escolhido por Tom Rob Smith. Vinha de uma leitura 5 estrelas e, portanto, demorei a gostar da trama de Smith, demorei a confiar em suas informações.

Por melhor que fosse a narrativa, não me via encantada pelos personagens, não me via dentro da história, nem entendia muito qual era a do autor. Parecia um bloqueio, um preconceito, como se naquelas primeiras duzentas páginas eu já tivesse decidido que não ia gostar do livro e pronto. Só não abandonei porque fui encorajada a continuar – e que bom que o fiz! A segunda metade do livro conseguiu, finalmente, me sugar.

Comecei a entender e a gostar da caracterização dos personagens, comecei a querer saber o que tinha acontecido e o que aconteceria, quem era quem, o que queriam e o porquê de seus atos. Finalmente dei meu braço a torcer e aplaudi a trama que o autor criou. A narrativa é muito bem estruturada, por mais que só percebamos isso nas últimas cem páginas. Os personagens passam de apáticos a carismáticos, de incompreensíveis a coerentes.

Em uma avaliação final, a leitura vale a pena e deixa um gostinho de quero mais. Honestamente, não saberia recomendá-lo para os fãs de suspense, uma vez que só me vi tensa nos últimos 30% da leitura. Para quem gosta de ficção histórica e de livros com jeito de script de filme é imperdível.

3 corações 4 Estrelas
criança 44 tom rob smith

  • O autor lançou mais dois livros protagonizados por Liev Demidov: O Discurso Secreto (2010) e Agente 6 (2013).
  • Criança 44 foi adaptado para o cinema e o lançamento no Brasil está marcado para maio deste ano. Os protagonistas serão interpretados pelos atores Tom Hardy e Noome Rapace. O trailer está incrível e dá a impressão de que teremos um filme tão bom quanto o livro. 

 

Sinopse: Tom Rob Smith leva o leitor à opressora Rússia de Stalin. Quando o corpo de um menino é encontrado sobre os trilhos de uma ferrovia, o agente Liev Demidov se surpreende ao saber que a família do garoto está convencida de que se trata de assassinato. Os superiores do oficial lhe dão ordens de ignorar o assunto, mas ele está determinado a encontrar a verdade por trás do terrível crime.

 

O menino do pijama listrado, John Boyne

o menino do pijama listrado

 

Autor: John Boyne

Ficção Histórica

Editora: Seguinte

Páginas: 186

Ano: 2007

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Quando você lê um livro tão bem recomendado, que vem com aquele “todo mundo gostou” e já ganhou alguns prêmios é inevitável criar grandes expectativas. Adiei essa leitura por muito tempo para poupar-me da tristeza que ela me traria e pensei que seria um 5 estrelas. Não foi. Ou foi, nem sei. Desde que terminei a leitura fico me perguntando se vale três, quatro ou cinco estrelas – o que é bastante estranho. Mas, vamos lá.
O Menino do Pijama Listrado conta a história de Bruno, um garotinho de 9 anos que morava em Berlim em uma adorável casa de cinco andares, como o próprio relata. Até que um dia seu pai recebe o Fúria para um jantar, torna-se comandante e recebe uma nova missão. Para cumpri-la precisará se mudar para Haja-Vista por um “futuro previsível” e levará toda sua família – a esposa, a filha mais velha, Gretel, e Bruno. Ao chegar lá Bruno não gosta do lugar, pois fica longe dos amigos e não tem crianças para brincar, até que um dia ele percebe que há, do outro lado da cerca, muitas famílias – com crianças! – e todas vestem um pijama listrado.

O Fúria – Führer – é, obviamente, Hitler e Haja-Vista, por mais tosco que pareça, é Auschwitz. E é aí que entra o primeiro problema. Por que uma criança alemã de 9 anos não sabe pronunciar Führer ou Auschwitz, mesmo tendo sido corrigido inúmeras vezes por sua irmã? Para deixar o livro mais leve e não citar os “nomes feios”? Talvez. E outra, que criança alemã, repito, de 9 anos nunca tinha ouvido falar em judeu?

Para mim a idade de Bruno é a falha dessa história, ele é inocente demais. Vejo suas ideias, conceitos e dificuldade de fala compatíveis com uma criança de 5 ou 6 anos. Eu poderia esquecer isso e pensar que ele viveu “preso” em casa, sob rédeas curtas dos pais que lhe “pouparam” dos detalhes do Nazismo. Mas não… Bruno tinha amigos e brincava na rua, por isso a minha estranheza.

Afora esses pormenores, o livro é incrível, de uma simplicidade que encanta. A narrativa é em 3ª pessoa, mas como é sob a perspectiva de Bruno não sabemos ou vemos nada além do que o próprio vê. A escrita é singela, quase infantil, mas ainda assim elegante.

Um ponto que o autor quer deixar evidente é de que as crianças são inocentes, puras, não nascem racistas nem com ódio no coração. Elas não veem a cor ou a religião do coleguinha, elas veem uma criança e a oportunidade de fazer um amigo. Os adultos, estes sim, podem transformá-las em pessoas más.

Devido ao tema, pensei que teria uma abordagem mais profunda, mas não, tirando as últimas páginas, é tudo muito “leve”, na medida do possível, claro. É como um livro que conta o Holocausto para crianças. Se é que se deve contar sobre o Holocausto às crianças! 

A pureza da criança é o que torna esse livro triste em uma bonita história. Recomendaria para crianças, mas não é um livro para crianças. Ou é? Ou as crianças tem que aprender desde cedo os horrores que já aconteceram neste mundo para que se tornem adultos mais conscientes e responsáveis, menos racistas?

Meu livro favorito do autor continua sendo O Palácio de Inverno (resenha aqui), este sim é fantástico, um dos melhores livros que já li. Quanto ao menino do pijama, melhor ler e tirar suas próprias conclusões, pois é livro favorito de muitos leitores por aí. 😉

4 Estrelas

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o menino do pijama listrado meu

Sinopse: Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.

Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.