A Elegância do Ouriço, Muriel Barbery

Autora: Muriel Barbery

Ficção Realística / Lit. Francesa /
1001 livros

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 352

Ano: 2008

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A Elegância do Ouriço é um daqueles livros que eu só não desisti no começo porque muita gente me recomendou de “todo coração”. Que bom que continuei! Não que o começo seja ruim, mas é um pouco “indefinido”, digamos. Fiquei meio perdida, sem ter ideia do que me aguardava por muitas e muitas páginas.⠀

A escrita é muito boa, embora eu tenha sentido falta de alguma diferença de voz entre as duas personagens narradoras. É um livro que você vai lentamente se afeiçoando aos personagens – e se identificando muito, de certa forma, com eles. Chega uma hora em que queremos abraçá-los, simplesmente.

Quando temos uma história narrada em primeira pessoa por personagens que tem QI bem acima da média, é um tanto inevitável que o autor pareça pretensioso ou esnobe, mas Muriel Barbery se saiu muito bem. Aliás, me deu a impressão de ter lido muito de sua própria vida.⠀

Um lindo e triste livro, com uma bonita e delicada mensagem e um final arrebatador. Vale ser lido! 

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Sinopse: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou por que não? duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A “Elegância do Ouriço”, seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor
extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões

 

Juventude Brutal, Anthony Breznican

juventude brutal

 

Autor: Anthony Breznican
Ficção Realística
Editora: Pavana
Páginas: 496
Ano: 2015

 

 
Que leitura incrível!! Esse livro foi uma surpresa muito agradável, uma história bem melhor do que imaginei e diferente de tudo que já li. Não é o tipo de livro que eu escolheria na prateleira de uma livraria e talvez nem me interessaria se me contassem a história. Ainda bem que o ganhei e tive o prazer de lê-lo!!

Bullying?! Imaginei uma história batida, previsível e sem graça, daquelas que o garoto popular xinga e humilha o garoto sem jeito, o gordo, o tímido, o nerd, o feio, até que um dia precisa de sua ajuda, percebe que agia errado, se desculpa e muda da água para o vinho. Já li muitas histórias assim e uma hora elas cansam. Juventude Brutal não é nada disso. É cruel, é real! É viciante!

O romance de estreia do americano Anthony Breznican nos leva, aos anos 90, à St. Michael, uma escola particular católica conhecida pelos trotes que os veteranos fazem com os calouros. É lá que nos deparamos com o carismático Davidek, que logo faz amizade com Stein, um garoto cheio de enigmáticas cicatrizes no rosto, e com Lorelei, uma menina linda, mas nada popular, que está disposta a mudar essa situação. São os três personagens principais, todos calouros e meio solitários, apesar de suas qualidades, que irão passar por poucas e boas – ou muitas e ruins! – durante todo o primeiro ano do colegial.

Breznican abre o livro com um prólogo maravilhoso, de tirar o fôlego e aplaudir de pé. Uma das melhores introduções que já li, que trouxe com ela grandes expectativas e algumas teorias. Comparado ao prólogo, os primeiros capítulos são um tanto confusos e me entediaram um pouco. Porém, quando nos habituamos à escrita do autor e entendemos melhor a história que ele quer contar, é impossível largar o livro. Fazia tempo que eu não me deparava com uma leitura tão viciante!

A história é contada em 3ª pessoa e alterna o foco entre os personagens, o que nos aproxima bastante deles e nos permite enxergar tudo por diversos ângulos. A escrita é maravilhosa, feita com um esmero perceptível e um rico vocabulário. A estrutura da narrativa é muito boa, com uma montagem espetacular da personalidade daqueles jovens. Pouco a pouco, serpenteando entre as páginas, vamos descobrindo seus segredos e mistérios, vamos encaixando as peças que moldam suas atitudes e as compreendendo melhor.

Quando o bullying começa passei a me perguntar se tudo aquilo era meio caricatural, tamanha a crueldade. Parece exagerado, mas parei para pensar em casos reais que são noticiados comumente nos jornais e percebi que era, sim, um retrato de uma escola doente, com alunos problemáticos. Era a consequência de pais omissos e professores sem vocação.

Os personagens, mesmo os secundários, são muito bem construídos. Por trás de cada um deles há um porquê, há um motivo para cada atitude, por mais injustificável que seja. De alguns personagens senti raiva, de outros, pena. As histórias de suas vidas são de partir o coração e nos deixa meio melancólicos, como se sentíssemos todo aquele sofrimento. São personagens atemporais, adolescentes carentes de atenção, e, como tais, facilmente influenciáveis.

Preciso ainda dar destaque a Hanna, uma personagem espetacular. Talvez a melhor de todo o livro. Não quero dar spoilers, mas fiquei com uma dor no peito por ela muitas vezes. Aliás, é assim que nos sentimos em muitos, muitos trechos.

E os adultos? O que falar dos adultos desse livro? Todos culpados, todos negligentes! Famílias completamente desestruturadas, pais e professores que preferem se acomodar, que preferem não enxergar a tragédia diante de seus olhos. São injustos, até desumanos, e não param para ouvir o que os adolescentes tem a dizer.

Breznican conseguiu reunir em um só livro histórias terríveis de bullying e trote, histórias de amizade verdadeira, de traição, de mágoa, de segredos e de confiança. Conseguiu fazer uma crítica aos pais ausentes e aos educadores despreparados. Falou ainda em chantagem e seu poder de destruição.

Jovens precisam de bons exemplos, sem isso tudo desanda com facilidade. Eis a mensagem principal dessa história intensa, dura, real e triste.

Como não recomendar um livro que você não conseguia parar de ler? Fiquei sempre curiosa, querendo saber o que aconteceria, querendo entrar naquelas páginas e dar uns bons gritos e alguns conselhos. Esperava um final diferente, mais romanceado, mas, pensando bem, ele não poderia ter sido mais genuíno, mais real. Mesmo com toda dureza, é uma leitura viciante. Já falei isso, não?! :))

Os mocinhos nem sempre vencem no final. Às vezes, eles têm sorte de simplesmente continuarem sendo caras legais.

4.5 corações 5 Estrelas

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Ilustração que fizeram de uma cena do livro ❤

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Stein e Lorelei :)))

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…enquanto o bebê dormia… ❤

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Sinopse – Juventude brutal: Quando Peter Davidek é matriculado na escola católica St. Michael, a escola já colhe a reputação de ter se transformado em depósito de delinquentes e abrigo de religiosos estridentes. Em seu primeiro dia de aula, as tensões explodem: um aluno perde a cabeça e desfere um ataque violento contra os colegas que o atormentavam e contra os professores, que sempre assistiam a tudo sem tomar nenhuma providência. Nesse ambiente desesperador, Davidek se torna amigo dos também calouros Noah Stein, um garoto instável que leva no rosto as cicatrizes de um passado difícil, e Lorelei Paskal, uma menina linda e solitária que, empenhada em se tornar popular, só consegue fazer inimigos.
Para conseguir sobreviver ao primeiro ano na escola, o trio junta forças contra a cultura do bullying perpetuada por funcionários como a amarga srta. Bromine e o padre Mercedes, que usa os alunos como bode expiatório para desviar dinheiro da igreja. 

Como um conto de terror, Juventude brutal, acompanha os alunos da St. Michael em sua descoberta de que abraçar a maldade pode ser a única maneira de sobreviver.

Beleza Perdida (Making Faces), Amy Harmon

beleza perdida amy harmon

 

Autora: Amy Harmon
Drama / Ficção Realística
Editora: Verus
Páginas: 300
Ano: 2015

Li esse livro no ano passado no original e me encantei. Fiquei super feliz quando soube, essa semana, que ele seria lançado no Brasil, com previsão para maio. Segue, então, minha resenha 😉


Nunca julgue um livro pela capa, quantas vezes você não já ouviu isso? Beleza Perdida definitivamente não deve ser julgado pelo forte garoto que exibe seus músculos na capa (falo da capa original, ver aqui), até porque ele nem sequer aparece sem camisa na história. Achei a escolha um pouco apelativa e contraditória, já que se trata de uma história com mensagens cristãs.

Beleza Perdida se passa em uma pequena cidade chamada Hanna Lake, de onde cinco melhores amigos partem para a guerra no Iraque, mas só um deles retorna. Fern Taylor é uma garota comum, sonhadora, que adora ler – e escrever – romances. De um coração grandioso, ela está sempre ao lado de seu primo, Bailey, que é portador da Distrofia de Duchenne e só se movimenta com a ajuda de uma cadeira de rodas. Mas Fern não se acha à altura de Ambrose Young, o tal garoto da capa, bonito, alto, forte, um dos melhores atletas do time de luta da escola, invencível, imbatível, apaixonável… até que ele volta da guerra cheio de marcas e cicatrizes por dentro e por fora.

Esse livro foi me surpreendendo. Pensei que seria focado em um amor separado pela guerra ou que seria sobre a guerra em si, e estava errada. Quando eu pensava que a autora deveria ter abordado com mais profundidade isso ou aquilo, logo ela me mostrava claramente que sua intenção era outra.

Tudo parece se encaixar no tempo certo, apesar do ritmo lento. A narrativa é feita em terceira pessoa (que saudades eu estava disso!) e vai e volta no tempo, com memórias pertinentes, que se enquadram bem e enriquecem a história.

Os personagens, mesmo os secundários, tem sua importância e são muito bem desenvolvidos, e esse, talvez, seja o ponto alto do livro. Não há nada solto em suas personalidades, e mesmo o humor – na maioria das vezes, negro – de Bailey é bem feito.

O pai de Fern é o pastor da igreja da cidade e isso dá brechas para inspiradoras mensagens de fé e de reflexões sobre os planos de Deus, sem que pareça que se está falando de religião (ou muito menos que queira converter alguém).

A autora parece ter muita segurança no que escreve, seja sobre a distrofia e as deficiências de Bailey, seja pelas cicatrizes de guerra de Ambrose ou pelo caráter de Fern. Perguntei-me por diversas vezes se existiria na vida real algum portador de Duchenne tão bem humorado, tão feliz e bondoso quanto Bailey, que me fez rir, me divertiu e me deu boas lições de vida. A autora não parecia ter escrito nada às escuras ou sem embasamento, o que confirmei ao ler seus agradecimentos ao término do livro. Neles vemos que cada personagem foi inspirado em alguém muito próximo a ela. ❤

Eu preparara as lágrimas para um livro triste, mas me vi cercada de esperança e ensinamentos, mesmo que algumas partes tenham sido extremamente dolorosas. É uma história tão crível que mais parece uma biografia, você se vê dentro dela, se emociona e sofre como se conhecesse todos ali e morasse naquela cidade. É uma história que fala de superação, de vitórias e derrotas, de generosidade e altruísmo. Fala, sobretudo, de grandes perdas, de todo tipo de perda. Fala de amizade e de amor, de um amor puro, genuíno, sem máscaras; fala especialmente da verdadeira beleza, da que realmente importa, daquela que carregamos dentro de nós e que só quem nos ama consegue enxergar.

Mesmo diante de tantas tragédias, o livro não é apelativo, mas, sim, completamente inspirador! Uma lição de vida – ou melhor, várias lições de vida. Lindo, lindo, lindo! Recomendo, sem dúvidas.

5 corações 4.5 Estrelas

Outros livros da autora:

– A Different Blue (ver resenha aqui)

– The Law of Moses

– Running Barefoot

 

Sinopse: Beleza Perdida – Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.

Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.

Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

O Pintassilgo, Donna Tartt

O Pintassilgo
Autora: Donna Tartt
Pulitzer 2014 / Ficção realística
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 721
Ano: 2014

 

Quando marco para ler um livro que ganhou um prêmio como o Pulitzer já vou preparada para uma leitura, no mínimo, “diferente”. Tanto pode ser boa como ruim, mas geralmente foge do comum. Terminei O Pintassilgo sem saber muito para que lado enveredar, mas continuo com o primeiro pensamento: diferente. Em que sentido? No modo como uma história simples foi contada – e alongada – por mais de 700 páginas.

O Pintassilgo conta a história de Theo, um garoto nova-iorquino que sobreviveu ao atentado terrorista que matou sua mãe. Sem ter para onde ir, termina acolhido na família de Andy, um amigo rico, e passa a ser um estranho naquele ninho. Tempos depois, seu pai reaparece e o leva para viver com ele e sua namorada em Las Vegas. É lá que ele conhece Boris (por que existem tantos Boris nesse mundo, por quê?!), um garoto encrenca, e a partir de onde tudo começa a desandar. Quando volta a Nova Iorque, passa a trabalhar em um antiquário com Hobie, um senhor que lhe ensina técnicas de restauração. Será que esse trabalho pode reverter os danos que “las vegas” lhe causou?

Não sabia bem o que esperar desse livro e seu início logo me mostrou que seria preciso paciência, que a história em si nem era o mais importante. Como já sabia pela sinopse que a mãe do garoto morria, pensei que leria isso logo de cara, mas não é o que acontece. São páginas e mais páginas, fatos e mais fatos, detalhes e mais detalhes até que tudo aconteça. Dizer que a autora foi bem prolixa pode soar como algo negativo, mas direi mesmo assim. Prolixa. Muito! No entanto, mesmo alongada, a leitura não foi entediante. Arrastada, sim. Chata, não. E isso pode parecer contraditório, mas foi bem o que senti, e talvez seja um dos fatores que diferencia um bom escritor de um ruim.

Donna Tartt nos passa a sensação de que ela é facilmente distraída por qualquer assunto que lhe venha a mente. É como se ela estivesse nos contando algo importante, mas qualquer besouro que passe por perto merece suas quinzes páginas de história. E com isso temos um livro pra lá de extenso, com uma história que não sai muito do lugar, mas que dá brechas para reflexões profundas. Não quero usar a palavra tédio, pois não a acho adequada, já que a autora tem o talento de nos deixar presos, atentos, sem pestanejar, fascinados com o que nos conta, mas por muitas vezes tudo é muito maçante.

O livro é escrito em primeira pessoa e em longos capítulos, mas estes se subdividem em pequenas partes, o que acelera um pouco a leitura. A escrita é muito boa, flui com uma facilidade impressionante e, incrivelmente, não é repetitiva. Digo isso porque a vida do protagonista, essa sim, é repetitiva. Os anos passam, ele muda de amigos, de casa, de cidade, de emprego, de amores, mas é como se sua vida fosse a mesma um dia após o outro, como se ele ainda estivesse preso naquele museu onde aconteceu o atentado. Ou, talvez, como se ele não devesse ter sobrevivido, simplesmente, como se não houvesse escapatória para episódios assim.

O Pintassilgo nos mostra – lentamente – as consequências de perder seu referencial de vida tão cedo, nos mostra como um adolescente precisa de bons exemplos, de atenção, de cuidado e, principalmente, de orientação. É o livro dos “se”. E se ele tivesse… e se não estivesse… e se ela não pudesse… e se… e se… e se… Será que somos quase sempre produtos do meio? Será que a boa índole prevalece? Existem pessoas mais influenciáveis que as outras?

É bem conflitante falar desse livro, pois se por um lado ele é fantástico, por outro, sua história é bastante depressiva e triste. A autora realmente me fez refletir sobre os Theos perdidos pelo mundo, sobre como se tornam facilmente invisíveis, como são vulneráveis e rapidamente engolidos por qualquer escape, por mais momentâneo e arriscado que seja. Há vida sem um propósito, sem um sonho, sem uma meta?

Um dos pontos altos do enredo é que ele está sempre mencionando arte, seus pintores e pinturas. Para quem gosta de arte, como eu, isso é, digamos, uma “tomada de fôlego” no meio de todo esse turbilhão.

É difícil dizer que recomendo, pois é estranho indicar uma história um tanto deprimente como essa. Aos que, mesmo sabendo de sua melancolia e prolixidade, ainda se interessaram pelas reflexões que ele traz, certamente terão uma leitura interessante.

3 corações 4.5 Estrelas
o pintassilgo donna tartt

Sinopse: Quando Theo Decker, nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe, o pai o abandona e a família de um amigo rico o adota. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com os quais não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma lembrança poderosa de seu último momento ao lado dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte.
Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração.
O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.
 

Um mais um, Jojo Moyes

Um mais Um - Jojo Moyes
Autora: Jojo Moyes
Ficção Realística
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2015

 

Um mais um, finalista na categoria Melhor Ficção do GoodReads Choice 2014, é o romance mais recente publicado pela escritora Jojo Moyes. Ao contrário da maioria de seus leitores, eu não li seus outros livros, nem mesmo o famoso Como eu era antes de você. Como eu sabia que eram leituras bem tristes, fui adiando e adiando, esperando o melhor momento de conhecer a autora, até que me deparei com um comentário que dizia que seu novo livro era fofo. Claro, corri para ler, e É fofo…e divertido…e leve… e gostoso!

Jess é uma faxineira que se desdobra em mil para botar comida dentro de casa, para dar o que pode a sua filha, Tanzie, e a seu enteado, Nicky, que ficou de brinde quando seu ex-marido a deixou. Esses dois adolescentes e um cachorro chamado Norman é tudo o que Jess tem. Nicky é o garoto estranho, meio gótico, que usa delineador e sofre bullying na escola. Tanzie é uma garotinha genial, fera em matemática, que recebe uma oferta de bolsa de estudos para estudar em uma escola particular. Lá, ela poderia desenvolver suas habilidades de maneira satisfatória e teria, certamente, um futuro melhor. Mas é aí que começam os problemas: Jess não tem dinheiro para cobrir as despesas extras e só o prêmio de uma Olimpíada de Matemática poderia dar a Tanzie essa chance. Problema número dois? A prova é feita na Escócia e eles não tem como chegar lá. É quando Ed, o Sr. Nicholls, um gênio da computação, cheio de problemas e precisando se afastar da sua vida profissional, entra na história e a aventura – divertidíssima – pelas estradas rumo à Escócia começa.

Um mais um é narrado em 3ª pessoa, mas os capítulos indicam qual dos personagens é o foco do momento. A escrita é bem simples, informal, com vocabulário comum, e a leitura flui facilmente, com uma boa velocidade. É daquelas leituras que você não quer parar, que não cansa nem por um capítulo e que, quando você menos espera, já passou da metade. Uma delícia!

Nunca esperei rir tanto nesse livro. Ele tem o tipo de humor que me agrada, o humor sutil, sem ser escrachado, intencional ou forçado. Faz-nos rir de situações que não seriam risíveis, mas que, de alguma forma, se tornam engraçadas. Lembrou-me bastante do filme A pequena Miss Sunshine, indicado ao Oscar de melhor filme em 2007. Aliás, é bem provável que a autora tenha se inspirado nele, o que não quer dizer que seja uma mera cópia. Um mais um tem, sim, seu valor.

Até a metade do livro o sorriso não saiu do meu rosto, mas na segunda parte ele se alternou com umas pontinhas de angústia e drama, porém, sem nunca perder a leveza. Afinal, pensava eu, a autora é conhecida por sua dramaticidade, não é?

Além de ser uma história super agradável, Um mais Um também nos traz boas reflexões acerca de família, valores, amigos e dinheiro. Faz-nos pensar um pouco se valorizamos o que realmente importa e nos deixa uma mensagem bem positiva de que tudo pode dar certo quando fazemos o que é correto, de que temos que ser otimistas e dar um passo de cada vez.

Tinha achado a capa um pouco esquisita, meio infantil, mas quando a road trip começa e embarcamos junto com Ed, Jess, Tanzie, Nicky e Norman naquele carro não pude deixar de sorrir cada vez que eu a via. Adorei os bonequinhos e toda sua simplicidade, eles se encaixam super bem na história.

Sem dúvidas, é um livro mais que recomendado, para todas as idades e todos os gostos, para aquela tarde tranquila, para aquele dia em que você só quer relaxar. Se você gosta de uma leitura simples e espirituosa, não tem como não se envolver com esses personagens. 😉 Já falei que é leve? rs

5 corações 4 Estrelas

jojo moyes um mais um kindle

 

Sinopse: Em seu novo romance, Jojo Moyes prova, de uma maneira engraçada e extremamente comovente, que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. Há dez anos, Jess Thomas ficou grávida e largou a escola para se casar com Marty. Dois anos atrás, Marty saiu de casa e nunca mais voltou.

Fazendo faxinas de manhã e trabalhando como garçonete em um pub à noite, Jess mal ganha o suficiente para sustentar a filha Tanzie e o enteado Nicky, que ela cria há oito anos. Jess está muito preocupada com o sensível Nicky, um adolescente gótico e mal-humorado que vive apanhando dos colegas. Já Tanzie, o pequeno gênio da matemática, tem outro problema: ela acabou de receber uma generosa bolsa de estudos em uma escola particular, mas Jess não tem condições de pagar a diferença. Sua única esperança é que a menina vença uma Olimpíada de Matemática que será disputada na Escócia. Mas como eles farão para chegar lá?

Enquanto isso, um dos clientes de faxina de Jess, o gênio da computação Ed Nicholls, decide se refugiar em sua casa de praia por causa de uma denúncia de práticas ilegais envolvendo sua empresa. Entre ele e Jess ocorre o que pode ser chamado de ódio à primeira vista. Mas quando Ed fica bêbado no pub em que Jess trabalha, ela faz questão de deixá-lo em casa, em segurança. Em parte agradecido, mas principalmente para escapar da pressão dos advogados, da ex-mulher e da irmã — que insiste em que ele vá visitar o pai doente —, Ed oferece uma carona a Jess, os filhos e o enorme cão da família até a cidade onde acontecerá o torneio.

 

A vida do livreiro A.J.Fikry, Gabrielle Zevin

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Autora: Gabrielle Zevin
Ficção Realística / Livros sobre Livros
Editora: Paralela
Páginas: 192
Ano: 2014

 

Saiu hoje o resultado do Goodreads Choice Awards 2014, com os livros vencedores de cada categoria na importante votação popular que acontece uma vez por ano no GR. Na categoria Ficção, A vida do livreiro A.J. Fikry ficou com o 3° lugar.

A vida do livreiro A.J. Fikry chamou a minha atenção justamente pela palavrinha mágica livreiro. É natural que as pessoas que gostam de ler se interessem por livros que falam de livros, e aí minha imaginação já entra em parafuso e começo a ver magia para tudo quanto é lado, começo a imaginar uma bela livraria, uma pequena cidade e muitos leitores apaixonados. Bem, não é por aí que esse livro se desenrola, ele é realístico e pé no chão.

A.J. Fikry é o dono da única livraria de Alice Island, a Island Books, e está amargurado, de mal com a vida, sofrendo pela morte de sua mulher. As vendas vão mal e A.J. não se importa muito, continua rabugento. Até que um certo dia encontra algo no chão de sua livraria que vai mudar sua vida e fazer com ele se abra para a possibilidade de amar novamente.

A história é daquelas completamente plausíveis, daquelas que você até relaciona os personagens com pessoas que você conhece de tão real e corriqueira que ela é. Não tem firulas, enfeites e confetes. Não tem grandes mistérios, reviravoltas, amores arrebatadores nem nada. Ela é simples e é aí que está sua beleza.

A.J. é um personagem que você aprende a gostar ao longo do livro. Adorei o cinismo que a autora imprimiu no seu gosto literário e a maneira que ele se orgulha em criar Maya para ser uma nerdMaya é, para mim, a personagem central e me conquistou completamente com sua fofura e esperteza. Amelia também tem seu charme, tem uma paixão especial pelo que faz e uma simplicidade e carisma que envolvem o leitor.

Dos secundários, Ismay não me cativou, mas Lambaise é tão, mas tão típico que não tem como não simpatizar com ele. É aquele delegado que, bem, não lia, mas que de tanto aparecer na livraria e ter que comprar livro por um certo motivo, passa a lê-los para não desperdiçar o dinheiro gasto. Claro, encontra seu gênero literário favorito (ou se encontra nele) e passa a ser um leitor voraz. Daniel Parrish, apesar de não ser envolvente (e nem era a intenção da autora, talvez), é muito bem construído e tem um certo clichê, acredito eu, inerente a muitos escritores.

A escrita é…digamos…esquisita, mas não em um mau sentido. É difícil explicar, pois ao passo que me diverti bastante também achei um pouco…marcada demais. Não é que seja ruim, só não é comum, é como se fosse pausada. Boa, gostosa, mas, ao mesmo tempo, um pouco seca.

A edição brasileira tem alguns erros de revisão bem grosseiros, nada que atrapalhe demais a leitura – mas sentimos falta do capricho, não é verdade?

No geral, A vida do livreiro A.J. Fikry é uma leitura agradabilíssima, incrivelmente realística e um tanto divertida. É daquelas histórias para se ler em uma sentada, em um domingo à tarde, comendo pipoca. Tem um quê de tristeza, mas tudo é colocado de uma forma bem natural e bonita, demonstrando que a vida segue seu caminho, seu ciclo, que ela se renova e continua. Não superou minhas altas expectativas, mas, sem dúvidas, recomendo para todos aqueles que amam livros que falam de livros.

3.5 corações

4 Estrelas

a vida do livreiro

Sinopse: Uma carta de amor para o mundo dos livros “Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.

A Different Blue, Amy Harmon

a different blue
Autora: Amy Harmon
Drama/ Ficção Realística
Editora: Create Space
Páginas: 454
Ano: 2013

Resolvi ler A Different Blue após ter me encantado com a leitura de Making Faces, outro livro da autora, que me fez querer ler tudo que ela já escrevera. Assim como Making Faces, A Different Blue é cheio de mensagens bonitas e inspiradoras, mas não o supera.

Blue Echohawk não sabe quem é, de onde veio, não sabe seu verdadeiro nome nem precisamente a idade que tem. Abandonada pela mãe quando tinha cerca de dois anos, Blue foi criada por Jimmy, que lhe deu carinho até o dia que pode. Com idade suficiente para estar na faculdade, Blue ainda cursa o último ano do High School. Ela se esconde sob a máscara de garota confiante e desejada, mas o novo professor de História, o jovem Wilson, consegue, em suas aulas, enxergar através dela, consegue perceber que tem algo ali que precisa de um resgate. Ele consegue ver uma garota carente, perdida, bonita, mas que precisa se encontrar.

A história é narrada em primeira pessoa pela Blue e tem ritmo extremamente lento e melancólico, que me incomodou um pouco. Os personagens contam muitas histórias e lendas, algumas interessantes, outras nem tanto. Alguns trechos são bastante descritivos sobre histórias ou personagens que não me interessavam, e isso cansou, de certa forma. No entanto, em outros, me via fascinada por aqueles relatos e por aquelas mensagens inspiradoras.

Adorei as aulas do professor Wilson, porém, não as considero plausíveis ou compatíveis com qualquer aula de História real. Entendo (e concordo) quando a autora explica que História e Literatura se misturam, por ser sempre um relato, real ou fictício. No entanto, as aulas de reflexão e autoconhecimento não se encaixam bem no ensino da História e considero que melhor seria se ele fosse professor de Literatura e ponto final. Apesar disso, me encantei com o professor, seu charmoso sotaque britânico, sua paciência e sapiência, seu carinho e sua vontade de ensinar de forma diferente, sua vontade de mudar aqueles alunos, de fazê-los querer ser cada vez melhores.

Mr. Darcy Wilson (sim, Mr. Darcy! Jane Austen feelings!) é um personagem envolvente e cativante, arrebatou meu coração e me deixou sorrindo, mas… como assim ele só tem 22 anos?! Garoto prodígio, compreendo. Inteligente acima da média, compreendo. Cursou a faculdade antes do tempo, compreendo. Apaixonado por História e mitos desde pequeno, compreendo. Um professor incrível, compreendo. Tamanha sabedoria e maturidade, não consegui compreender. Honestamente, ele para mim tinha por volta dos 30 anos (considerando-o precoce). Passar em testes de inteligência com pouca idade é crível, mas sabedoria e maturidade se adquire com as experiências da vida, quando você sabe ouvi-las, enxergá-las e sugar o melhor delas. Mas, esqueçamos os pontos negativos, pois com pouca ou muita idade, ele é apaixonante.

Blue. Gostei dela desde o começo, achei seu personagem muitíssimo bem construído, especialmente seu talento com as esculturas em madeira. Seus defeitos e qualidades foram sempre muito bem colocados. Ela, porém, toma uma decisão que achei descabida, levando em consideração sua trajetória. Tenho a sensação de que só escrevi sobre os pontos negativos desse livro, então preciso ressaltar que é uma belíssima história, com uma escrita quase poética e uma trama muito bem construída. É uma história sobre uma garota que precisava se encontrar consigo mesma, precisava descobrir quem ela era, precisava entender que ela não era descartável, que existia um futuro, que ela podia amar e ser amada, que ela tinha qualidades e um talento formidável. Precisou que um certo Mr. Darcy aparecesse e a amasse imensamente…most ardently!*

*Mr.Darcy é um personagem de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e “I love you… most ardently” é uma citação sua.

3.5 corações 4 Estrelas Espero que alguma editora no Brasil publique os livros dessa autora. São lindas e tocantes histórias que merecem ser lidas =)

a different blue meu

Sinopse: Blue Echohawk não sabe quem é. Ela não sabe seu nome verdadeiro ou quando nasceu. Abandonada aos dois anos de idade, foi criada por um vagabundo e não frequentou a escola até que tivesse dez anos de idade. Aos dezenove anos, quando a maioria das pessoas de sua idade está frequentando a faculdade ou seguindo em frente com a vida, ela está apenas no último ano do ensino médio. Sem mãe, nem pai, nem fé, nem futuro, Blue Echohawk é uma aluna difícil, para dizer o mínimo. Resistente, dura e abertamente sexy, ela é o oposto completo do jovem professor britânico que decide que está pronto para o desafio, e coloca a encrenqueira sob sua asa. Esta é a história de um joão-ninguém que se torna alguém. É a história de uma amizade improvável, na qual a esperança cura e a redenção se torna amor. Mas se apaixonar pode ser difícil quando você não sabe quem você é. Apaixonar-se por alguém que sabe exatamente quem ele é e exatamente o porquê de ele não poder retribuir seu amor talvez seja impossível.  

Outros livros da autora:

– Making Faces

– The Law of Moses

– Running Barefoot

making faces running barefoot the law of moses