Uma Duas, Eliane Brum

Autora: Eliane Brum

Literatura Brasileira

Editora: Leya

Páginas: 176

Ano: 2011

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Uma Duas, da brasileira Eliane Brum, foi um dos livros mais bem comentados nos últimos meses nos grupos de literatura. Dizia-se que era um livro pesado, que doía no leitor. Pois bem, diante disso, pensei que eu seria mais uma leitora a gostar.⠀

O começo empolga, você devora as páginas, gosta da história e teme pelo que estar por vir. Mas isso tudo passa muito rápido, porque o que estava por vir fica logo bem claro e daí para frente não muda muito. Senti como se lesse a mesma coisa do início ao fim.⠀

Dói? Depende. No começo até dá para sentir a dor das personagens, mas depois fica tudo um pouco exagerado e não consegui sentir nada. Foi como se eu tivesse desligado o botão da emoção.⠀

Eu já havia lido há um bom tempo o livro A Pianista (resenha aqui), da austríaca Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel de Literatura de 2004, que tem a mesma temática de Uma Duas: uma relação difícil, doentia e perturbadora entre mãe e filha. A Pianista é, no entanto, sensacional! Denso, pesadíssimo, mas um primor. Talvez, por ter comparado um com o outro – e era inevitável fazê-lo – Uma Duas ficou bem aquém das minhas expectativas e deixou a desejar.⠀

Quer um livro pungente, mas muito bom? Leia A Pianista! Um Duas não é ruim, mas é uma leitura mais, digamos, simples que a da austríaca.

Sinopse: Esta obra trata da relação entre mãe e filha. Desde que seu pai deixou a família, diante de circunstâncias surpreendentes, a jornalista Laura e sua mãe, Maria Lúcia, mantêm uma relação distante, quase inexistente. Porém, um sério problema de saúde de Maria Lúcia acaba forçando a convivência das duas novamente.

O fazedor de velhos, Rodrigo Lacerda

 

Autor: Rodrigo Lacerda

Literatura Brasileira / Romance Juvenil

Editora: Cosac Naify

Páginas: 136

Ano: 2008

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O fazedor de velhos foi mais um daqueles livros que comprei às cegas em uma promoção e não me arrependi. Não é o melhor livro do mundo, mas é bem interessante, especialmente para o público ao qual é destinado, o juvenil.

O livro conta a história de Pedro, um garoto desiludido com os dissabores da adolescência e, depois, com a faculdade de História, que resolve pedir ajuda a uma figura esquisita, um professor que topara com ele outras duas vezes em situações embaraçosas.

Pedro, nosso narrador, passou a gostar de ler depois de muita insistência de seus pais, e, ao longo do livro, cita inúmeras obras para o leitor, de maneira despretensiosa e agradável. Chega a nos contar também alguns detalhes de Rei Lear, de Shakespeare, que ele precisara ler para um certo “desafio”.

Parece um daqueles livros que os professores passam na escola para dar uma respirada nos clássicos, só que é bem escrito e passa uma excelente mensagem. Assim como Pedro, muitos ficam perdidos, angustiados, querendo se encontrar no curso que escolheram, acertar nas escolhas da vida, mas quem dera se todos encontrassem um excêntrico fazedor de velhos por aí…

Livro curtinho, bem escrito, simples, sem firulas, sem glamour, com algumas boas lições de maturidade. Ótima leitura para o público juvenil.

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Sinopse: Com uma prosa fluente, lírica e bem-humorada, o escritor Rodrigo Lacerda, autor de Vista do Rio (Cosac Naify, 2003), mostra as experiências e descobertas de um adolescente que, sem se dar conta, torna-se adulto. Pedro é um jovem como outro qualquer, que gosta de jogar futebol de botão, ir ao Maracanã, pegar jacaré na praia, tomar sorvete. Mas algo o difere dos demais: a paixão pela literatura. Ele adora ler, emociona-se e se envolve de forma profunda com os livros. Numa fase em que se deseja ser muitas coisas ao mesmo tempo, ele conhece Nabuco, um enigmático professor que o auxilia na difícil tarefa de se colocar no mundo. A descoberta do amor também faz parte de seu amadurecimento: Pedro encanta-se por uma garota prática e racional, completamente diferente dele. As poéticas ilustrações de Adrianne Gallinari, em traço fino de nanquim sobre tecido de algodão rústico, complementam as evoluções na narrativa. Dialogando com leitores de todas as idades, o livro prova que a única coisa que resiste ao passar do tempo é o potencial humano para se emocionar.

Será o Benedito!, Mário de Andrade

 

 

Autor: Mário de Andrade
Conto / Literatura Brasileira
Editora: Cosac Naify
Páginas: 32
Ano: 2014
Ano de Publicação Original: 1939

 

Acho sensacional como os bons escritores conseguem dizer muito e emocionar tanto com tão poucas palavras. Será o Benedito! é um texto bem curtinho de Mário de Andrade, publicado pela primeira vez em 1939, que encanta pela simplicidade.

Em poucas linhas, o autor nos traz o menino do campo, aquele moleque cheio de sonhos e curiosidades, que vê no narrador, um adulto da cidade, uma possibilidade de conhecer mais do mundo.

Uma história tão singela, mas tão cheia de significados. Do jovem que escuta atento às experientes palavras do velho; da amizade e do vínculo que se cria a partir de pequenos gestos; e do arrependimento, do remorso, da chance perdida.

Será o Benedito! clama que não deixemos que o medo impeça a realização de um sonho, que não criemos problemas antes deles existirem de fato.

Linda e delicada história, que ganha ainda mais corpo nessa caprichada edição em capa dura, ricamente ilustrada, da saudosa Cosac Naify. É um livrinho que se lê em menos de 5 minutos, mas que deixa sua marca no leitor para sempre.

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Sinopse: Sexto volume da coleção ‘Dedinho de Prosa’, a crônica ‘Será o Benedito!’, de Mário de Andrade, um dos mais importantes nomes do modernismo brasileiro, e ilustrada por Odilon Moraes, retrata o encontro entre o homem maduro e o jovem menino, trazendo à tona os temas da amizade e da pureza, numa leve prosa cotidiana. Durante as férias na Fazenda Larga, o narrador encontra Benedito, um negrinho obcecado por conhecer a cidade grande, que ouvia atento a narração do visitante sobre os arranha-céus, chauffers, cantores de rádio, o presidente da República… As ilustrações de Odilon Moraes traduzem a separação dos dois universos – cidade e campo -, construída ao longo do texto. Ao final da edição, um glossário explica os termos menos usuais, e textos auxiliam na localização e importância da crônica em nossa história literária. 

Liturgia do Fim, Marilia Arnaud

liturgia do fim marilia arnaud

 

 

 

Autora: Marilia Arnaud
Literatura Brasileira
Editora: Tordesilhas
Páginas: 150
Ano: 2016

 

Quando Liturgia do Fim chegou, eu tinha uma pilha de livros em andamento e nenhuma intenção de começar mais uma leitura. Ao abrir o livro para folhear, me deparei com a informação de que a autora era minha conterrânea. Curiosa, pensei em ler os primeiros parágrafos para saber se valeria a pena lê-lo algum dia. Não consegui mais parar. Não dá pra parar. Não tem como parar.

Marilia Arnaud nos conta a história de Inácio, um professor e escritor apaixonado pelas palavras, que, expulso de casa aos 18 anos, vai viver na cidade grande, forma família, mas, sem conseguir se desligar do passado, retorna à casa trinta anos depois para ver como tudo está e o que sobrou de Perdição, lugar onde nasceu.

A primeira surpresa foi o fato de termos uma narrativa em primeira pessoa, com um personagem masculino, escrito por uma mulher. Isso nem sempre dá certo, mas, se comecei com a imagem da escritora na cabeça, poucas páginas depois ali só existia Inácio e ninguém mais. Muito convincente e verossímil.

A escrita da autora é a alma do livro. Marilia não tem a intenção de ser simplória, pelo contrário, usa e abusa do rico vocabulário da língua portuguesa. Sem medo, vale salientar. Usa regionalismos à vontade, sem, no entanto, cair no caricatural, acorda palavras adormecidas e traz outras tantas que eu nem imaginava que, de fato, existissem no dicionário. E o melhor, seu rebuscamento não soa pedante nem tira a fluidez da leitura.

Assim como seu personagem, a autora certamente é uma amante das letras. É notável o cuidado que teve em não repetir as palavras ao longo do livro. O resultado de tudo isso é um texto bonito, poético, de um lirismo que nos traz aquela vontade de ler em voz alta. E, confesso, li boa parte assim.

Outro ponto que gostei foi o fato de Marilia ter usado os diálogos “dentro” dos parágrafos, sem interrupções, sem formalidades, separados apenas por diferentes flexões verbais.

A história é um triste e duro retrato de um dos tipos de família sertaneja, daquela que gira em torno do patriarca machista, bruto, ignorante e intransigente. Revela em suas entrelinhas a esposa submissa, temente e sofrida; a mãe tensa e preocupada, que oculta do marido até as menores travessuras dos filhos para protegê-los; a doméstica que abdica de sua vida para tornar-se criada, para doar-se a uma família que não é a sua; os parentes “encostados”, sempre presentes; as crenças e os costumes regionais. Faz-nos questionar se realmente “o fruto não cai tão longe da árvore”.

Liturgia do Fim, além da boa forma, é de uma sensibilidade impressionante. É possível sentir a dor, a angústia e o desespero do personagem durante toda a leitura, que mais parece uma ferida aberta pulsando em nosso corpo. Impossível poupar elogios, impossível não recomendar.

5 corações 5 Estrelas

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liturgia do fim marilia arnaud tordesilhas

Sinopse: Inácio, escritor e professor universitário, um homem assombrado pela memória e pelos fantasmas de um segredo familiar, abandona a mulher e a filha, as salas de aula e a literatura para voltar a Perdição, lugar onde nasceu e viveu até os 18 anos. Com essa idade foi expulso de casa pelo pai, um homem rude e autoritário que educou os filhos com rigor e frieza. Numa narrativa descontinuada e sinuosa, em que presente e passado se alternam e se misturam, Inácio narra a infância e a adolescência em Perdição, a vida em família, a relação difícil com o pai, o terno entendimento com a mãe, a obsessão pela tia louca, os medos noturnos, o primeiro e único amor, a paixão pelos livros.

 

O Seminarista, Rubem Fonseca

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Autor: Rubem Fonseca
Literatura Brasileira / Romance Policial
Editora: Agir
Páginas: 184
Ano: 2009

 

Resolvi me associar a um clube de leitura que envia mensalmente um livro escolhido por um curador para ter a oportunidade de ler histórias que eu mesma não escolheria na livraria. Eu nunca havia lido nada de Rubem Fonseca (bingo!) e quando O Seminarista, escolhido por Luís Fernando Veríssimo, chegou, pensei, por que não?! Estava (estou!) lendo um calhamaço e um livro de leitura rápida para intercalar com ele veio bem a calhar.

Rubem Fonseca conta a história de um matador de aluguel e ex-seminarista, o Especialista, que, intermediado pelo Despachante, assassina sem pensar duas vezes as vítimas escolhidas pelos seus clientes. Cansado dessa vida que não lhe permite amigos (ou inimigos) e com dinheiro poupado para viver bem com seus hobbies, resolve se aposentar. Mas talvez essa profissão não permita tal aposentadoria e viver tranquilo com seu novo (único!) amor por não ser tão fácil.

Sabe Wagner Moura narrando os acontecimentos em Tropa de Elite? Foi exatamente a sensação que tive quando comecei a leitura desse livro. Narrado em primeira pessoa, O Seminarista tem um ritmo frenético, acelerado, tal qual um filme de ação. É fácil, rápido e gostoso de ler. Desde as primeiras linhas me vi presa na história, e só consegui parar de ler quando terminei a leitura um par de horas depois.

O mais esquisito de tudo é que, por ser um romance policial e ter um certo mistério a ser desvendado, eu deveria ter ficado curiosa com o final ou tentando descobrir quem era o vilão, mas isso não aconteceu. E não digo isso como algo ruim. A narrativa é tão boa que o final ou o mistério fica em segundo, terceiro ou sei lá que plano. O enredo está longe de ser original, então pouco me importava o fim. O desenrolar dos fatos e a leitura em si é que faz o livro valer a pena.

O autor não se aprofunda nos personagens, aliás, nos conta muito pouco ou quase nada, mas ainda assim simpatizei com eles. Na verdade, me sinto um pouco estranha em simpatizar com um matador de aluguel, mas, fazer o quê?, loucuras da literatura! Confesso, admito, assumo… gostei bastante de José e sua garota alemã.

Tem um determinado trecho que me deixou confusa, um certo alguém que reaparece (oi?), mas quando já estava prestes a voltar algumas páginas e tentar entender, resolvi deixar pra lá e não cascavilhar erros. Afinal, a intenção era se divertir.

E me diverti muito. Não é nada de, oh!, maravilhoso ou memorável, mas é uma leitura viciante, prazerosa e ágil, para se ler em poucas horas. Gostei.

3.5 Estrelas
 o seminarista rubem fonseca

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Sinopse: Ex-seminarista que vive lembrando frases latinas, o matador de aluguel José gosta de ler poesia e de assistir filmes, e recebe os serviços de um personagem misterioso chamado Despachante. Disposto a iniciar uma vida nova, ele começa a receber dicas de que seria alvo de um antigo cliente.

Conciso e intenso, neste romance encontramos Rubem Fonseca no domínio completo de seu estilo, com um final impactante e surpreendente.

Entre o amor e o silêncio, Babi A. Sette

Entre o amor e o silêncio

 

 

 

Autora: Babi A. Sette
Romance/ Literatura Brasileira
Editora: Novos Talentos/ Novo Século
Páginas: 528
Ano: 2014

Não sei se engoli esse livro ou se foi ele quem me engoliu, só sei que não conseguia parar de ler e me deliciar com tão linda história. Antes dos inúmeros comentários positivos que li nas redes sociais, foi a capa que me chamou a atenção. Singela, harmônica, de muito bom gosto, certamente foi um dos motivos que me fez iniciar o livro.

Entre o amor e o silêncio conta a história de Francesca, uma escritora que, após uma desilusão amorosa, decide não se envolver mais com ninguém e passa a se dedicar ainda mais ao livro que está escrevendo. Certo dia, resolve fazer trabalho voluntário em um hospital e passa a ler trechos de seu livro para pacientes em coma. Eis que conhece Mitchell, um todo-poderoso que sofreu um acidente de carro e vai fazer Francesca se apaixonar – e enlouquecer -, mesmo de “boca e olhos fechados.”

Escrito em 3ª pessoa e em uma linguagem caprichada e bem mais elevada que a maioria dos livros do gênero, ele é envolvente, meio mágico, encantador. Faz você virar páginas e mais páginas sem perceber, com um alvoroço maluco de quem quer saber o que acontece e com a calma prazerosa de quem está se deliciando com o primor das palavras e não quer chegar ao final. O único ponto, não diria negativo, mas um pouco estranho, é que no meio de tanto esmero há uns poucos – pouquíssimos – palavrões soltos desnecessários.

Não que sejam parecidas, mas a autora me lembrou de outras duas escritoras que gosto muito: a inglesa Rosamunde Pilcher e a francesa Janine Boissard. Não sei bem dizer o quê, mas era como se eu estivesse nos mesmos cenários encantadores sempre criados por elas, cercada por algum tipo de magia de suas personagens femininas. Talvez a culpa seja da pequena cidade italiana na qual a autora desenvolveu parte da trama; ou talvez – e mais provável – seja puro talento, afinal, cidades belas não escrevem bons livros.

Até cerca de 70% (p.370) a história é maravilhosa, agradabilíssima e me cativou completamente. Depois entra em uma série de clichês – talvez indispensáveis para agradar a um público maior, talvez não, quem sabe?! – mas não necessariamente ruins. Apenas clichês. Ao final, nos presenteia com um desfecho fofo, apaixonante, daqueles que a gente quer abraçar com força e não largar nunca mais.

É um lindo romance, que me surpreendeu e me deixou com um sorriso bobo no rosto. Uma bela história que merece ser lida por todos aqueles que possuem um coração açucarado. Che bella storia!

*

[ps: tem uns errinhos bobos que passaram batidos na revisão, mas isso não me atrapalhou em nada durante a leitura, então preferi não dar tanta importância a eles. No entanto, espero que na segunda edição eles sejam corrigidos.]

5 corações4.5 Estrelas

entre o amor e o silencio meu

Sinopse: Francesca Wiggs sofreu uma grande decepção amorosa e, desde então, está decidida a não se relacionar mais. Além de se dedicar a escrever o seu livro, ela resolve preencher os dias com um trabalho voluntário – a leitura para pacientes em coma proporcionaria para ela a distância para problemas com o coração. No entanto, um grande imprevisto ocorre quando ela passa a se sentir atraída pelo paciente. Mitchell, descrito como um poderoso magnata, seria a antítese de tudo o que ela busca em um homem… se não estivesse em coma. Precisar de alguém inconsciente seria um absurdo, não seria? Amar uma pessoa que nunca responde parece loucura! Francesca já havia entendido e sentia-se quase segura diante disso. Mas, e se Mitchell acordasse? A aproximação desses personagens tão diferentes revela um romance encantador e divertido, repleto de reviravoltas. Entre a vida e a morte, a ilusão e a realidade, o amor pode ser realmente o milagre que faz tudo mudar?