O Barco das Crianças, Mario Vargas Llosa

O barco das crianças

 

Autor: Mario Vargas Llosa
Ilustradora: Zuzanna Celej
Ficção Juvenil / Lit. Hispano-americana /
Lit. Latino-americana / Nobel
Editora: Alfaguara
Páginas: 112
Ano: 2016

 

O Barco das Crianças é uma bela e comovente história escrita por ninguém menos que Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura de 2010, voltada para o público infantojuvenil.

História, ficção e fantasia se misturam nas conversas de um velhinho solitário e Fonchito, uma criança curiosa. De sua casa, Fonchito observava o velhinho sentado em um banco, contemplando o mar. Certo dia, ele resolve ir lá para descobrir o que tanto o homem olhava. A resposta vem em forma de uma história interessantíssima sobre a Cruzada das Crianças, contada pelo velhinho, um pouco por dia.

Aparenta ser um livro bem infantil, pelo título, capa, ilustrações e tamanho do texto, mas pode ser um pouco pesado para as crianças menores, já que fala da Cruzada das Crianças.

Uma mistura de lenda e História, essa Cruzada teria acontecido por volta do século XII, na Europa, e assim como as demais Cruzadas, tinha a intenção de recuperar Jerusalém e devolvê-la aos cristãos. As crianças teriam partido do porto de Marselha e as que não morreram de frio, de fome ou afogadas, terminaram vendidas como escravas. Ou talvez tenham terminado como nos conta o velhinho… quem sabe?!

O livro é lindo de todas as formas. As ilustrações [aquarelas] são muito bonitas, bem delicadas e tem um quê de nostalgia, tem algo que me fez lembrar-me de um livro infantil – da Coleção Mundo da Criança – que eu lia na casa da minha avó quando era pequena.

Llosa tenta resgatar nas crianças a vontade e o interesse delas em conversar com os mais velhos, em ouvir o que eles tem para lhes contar. Essa troca saudável entre gerações tão diferentes está cada dia mais rara, infelizmente. Pontos para o autor!

Além de ter muito conteúdo histórico para ser aprendido, O Barco das Crianças é meio mágico, deixa enigmas no ar e inúmeras possibilidades de interpretação.

Um livro um pouco triste, meio melancólico, mas encantador. Simples e, ao mesmo tempo, rico. Uma história singela, escrita com esmero para todas as idades. Uma contribuição e tanto de Vargas Llosa para o mundo da boa literatura infantojuvenil.

5 Estrelas 5 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** História *** Para ler em família *** Lida com a morte *** Texto rico

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Sinopse: Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali, todas as manhãs. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história muito antiga e… extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Mario Vargas Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

O Pântano das Borboletas, Federico Axat

o pântano das borboletas capa

 

 

Autor: Federico Axat
Literatura Hispano-americana
Editora: Tordesilhas
Páginas: 416
Ano: 2014

 

O Pântano das Borboletas tem uma combinação perfeita entre capa, título e sinopse excelentes que atrai o leitor de imediato. Comigo não foi diferente, logo quis ler sobre as peripécias de Sam, Billy e Miranda. O erro foi achar que eu sabia como se desenrolaria a história. Eu estava enganada, muito enganada. Federico Axat escreveu uma história que até parece previsível, mas não é.

O Pântano das Borboletas é narrado em primeira pessoa por Sam, um garoto de 12 anos que perdeu a mãe em um acidente de carro quando ele tinha apenas um ano, em circunstâncias ainda mal explicadas e cheia de teorias misteriosas. Sam nos conta as aventuras vividas no verão de 1985 ao lado do seu melhor amigo, Billy, e de Miranda, a nova amiga pela qual os dois garotos se apaixonam.

Miranda é a bela menina rica, delicada; Billy, o engenheiro de planos e aventuras, aquele que tem sempre uma ideia para desvendar qualquer mistério; Sam, o amigo de todas as horas, prestativo, ingênuo e bondoso, é o queridinho na granja-orfanato em que vive sob os cuidados dos Randall. Juntos, levam o leitor de volta à infância, à descoberta do primeiro amor e das amizades verdadeiras, daquelas que perduram para sempre.

É mais do que uma história sobre três garotos, é uma história sobre lealdade, cumplicidade, confidências e companheirismo. Fala de valores e princípios, de promessas, do carinho de não querer magoar o outro com alguma verdade dolorosa, de consideração, de respeito. Tem um tom melancólico e nostálgico, que nos remete àquela fase de transição entre a infância e a adolescência, sempre tão cheia de descobertas – nem sempre fáceis ou bonitas.

Muito mais do que o enredo, o que mais chama a atenção é a estética da narrativa. A história é contada com uma singeleza que encanta, sem pressa, sem pretensões ou atropelamentos. Parece que tem uma ternura nas palavras, é simples e, ao mesmo tempo, tem um certo lirismo. Dá, por vezes, a sensação de que tudo anda devagar demais, mas basta fechar o livro que a saudade lhe invade.

O autor foi de uma sensibilidade incrível ao escrever os diálogos com uma (i)maturidade bem mensurada, perfeitamente de acordo com a idade dos garotos. São garotos, falam, pensam e agem como garotos. E, justamente por isso, torna plausível as teorias conspiratórias dos mistérios que os envolvem. Ele nos deixa em dúvida se tudo aquilo é a interpretação daqueles meninos ou não, sobre o que é verdade e o que é imaginação.

Quando já me aproximava do final, a curiosidade era incontrolável. O que aconteceria? Como o autor daria verossimilhança àqueles fatos? Eis que chega o epílogo e, consigo, coerência, surpresa e um como-não-pensei-nisso?

Esse livro me ganhou pela originalidade e por me deixar às escuras, sem saber o que viria no próximo capítulo. O enredo é o de menos, a forma como tudo foi contado é o ponto alto e os protagonistas são inesquecíveis. O Pântano das Borboletas é para quem, mais do que das histórias, gosta de ler, simplesmente.

 

4 corações
5 Estrelas
o pântano das borboletas
Sinopse: Sam e Billy têm 12 anos e moram na pequena Carnival Falls. Amigos inseparáveis, eles percorrem o bosque de bicicleta e preparam-se para terminar a construção da sonhada casa na árvore. Compartilham tudo, inclusive a paixão por Miranda, a menina rica que acaba de se mudar para a cidade. Juntos, os três vivem as descobertas e as transformações típicas da idade e desvendam o mistério que assombra a vida de Sam: o paradeiro de sua mãe. Com esses ingredientes e doses generosas de lirismo, Federico Axat escreveu uma história admirável sobre a delicada passagem da infância para a adolescência e desta para a vida adulta.Mas não só. Romance de crescimento e suspense com incursões pelo fantástico, O pântano das borboletas reserva uma desconcertante reviravolta final: um segredo que, revelado, arremessa o leitor em um torvelinho de emoções e confere à trama um sentido totalmente novo.