A Bailarina de Auschwitz, Edith Eva Eger




Autora: Edith Eva Eger

Memórias / Holocausto

Editora: Sextante

Páginas: 304

Ano: 2019

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Edith Eger tinha apenas 16 anos quando foi levada com uma de suas irmãs para Auschwitz. Seus pais, como tantos outros, morreram nas câmeras de gás. Edith e Magda, sua irmã, sobreviveram. A Bailarina de Auschwitz poderia ser um relato de sofrimento e raiva, mas é uma delicada, porém forte, história de superação.

Edith nos traz não só um relato de seu período no campo de concentração, mas as memórias de toda sua vida, de como formou uma família e escolheu uma profissão, de como ajudou pacientes e de como eles foram fundamentais no seu processo de cura.

Quão íntimo nos tornamos do outro quando lemos suas memórias escritas com a maior honestidade? Sabe quando falamos que queremos guardar alguém em um potinho? Pois é… Ao abrir suas feridas, a enxergamos. Quanto mais a enxergamos, mais a admiramos. Quanto mais exposta, mais ela é útil, mais ela nos ensina. Edith nos mostra que sozinhos não somos nada, mas que somos os únicos responsáveis por cada decisão que tomamos, por cada escolha que fazemos.

É uma leitura que, embora faça chorar, revigora. Choramos suas angústias, mas vibramos com suas vitórias. Certamente toca o coração de quem lê, mesmo que uns mais, outros menos. Viktor Frankl foi seu grande incentivador e é, de fato, uma leitura que se assemelha a Em busca de um sentido. Ambos falam sobre a importância de buscar um sentido, de ter o amor no centro de nossas vidas, de aceitar o que já passou e de viver o presente. De escolher viver o agora. De entender que nunca é tarde para (re)começar.

Obrigada, Edith, por toda a sua grandeza e generosidade.

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Sinopse: A bailarina de Auschwitz é a história inspiradora e inesquecível de uma mulher que viveu os horrores da guerra e, décadas depois, encontrou no perdão a possibilidade de ajudar outras pessoas a se libertarem dos traumas do passado.

Crianças francesas não fazem manha, Pamela Druckerman

Autora: Pamela Druckerman

Não-Ficção / Educação Infantil / Cultura Francesa

Editora: Fontanar

Páginas: 272

Ano: 2012

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Subestimei demais este livro. Um dos motivos foi por ter ouvido falar que a autora recomendava deixar o bebê chorando por um bom tempo para discipliná-lo. E, bem, ela não faz isso. Na verdade, diferente do que imaginei, ela não recomenda nada. Pamela Druckerman apenas diz como as coisas são na França. Simples assim!

A autora, uma jornalista novaiorquina que se muda para Paris depois de se casar, começa a observar as diferenças comportamentais entre franceses e americanos quando engravida de sua primeira filha. Eu não esperava que o livro fosse quase um relato de uma experiência pessoal, então estranhei um pouco o começo, quando ela estava se apresentando, mas após entender o propósito do livro, passei a gostar bastante.

Quem espera um manual, uma lista de problemas e soluções ou algo do tipo, irá se decepcionar. O livro é mais para entender, de uma maneira descontraída e bem-humorada, a filosofia francesa de educar (que não é lá muito bem-humorada, rs)Se ela é boa ou ruim em médio e longo prazo não se sabe, mas ela parece funcionar ali, no quesito disciplina e boa alimentação, na primeira infância.

Entendendo essa filosofia, o leitor pode incorporar à sua rotina, dentro de seus princípios, os hábitos que julga bons, mas a verdade é que não dá para “ser francesa” fora da França. Os franceses parecem dispostos a seguir as mesmas regras sociais [sem nem perceber], incluindo corrigir deslizes dos filhos dos outros. A maneira como eles educam os filhos é muito homogênea, o que facilita a vida de todos. Não tem, por exemplo, uma tia oferencendo doce na hora errada ou deixando o sobrinho bagunçar toda a sua casa. É como se, em prol de uma sociedade sem crianças birrentas, todos se empenhassem.

Essa homogeneidade pode parecer fantasia da autora, mas já li o mesmo em outros livros, como Piquenique na Provence, de Elizabeth Bard, jornalista americana casada com um francês. O livro de Bard não foca na maternidade, mas como ela engravida e tem um bebê, seu relato se assemelha muito – muito mesmo – com o de Pamela.

Não existe muita novidade nas “técnicas” francesas, são os famosos limites, a diferença é que eles conseguem seguir com rigor e firmeza o que julgam correto.

O livro é bem escrito e muito bem estruturado, e, mesmo que não se concorde com toda a filosofia educacional francesa, há sim bons hábitos e boas dicas (muitas!) para serem incorporadas ao nosso dia-a-dia. De toda forma, tendo filhos ou não, é uma ótima leitura para quem gosta e quer entender um pouco mais do estilo de vida francês. Vale a leitura!

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Sinopse: Exaustão com o choro e a manha das crianças pequenas, falta de tempo para suas próprias necessidades e para um convívio romântico em casal, sofrimento com insegurança, preocupação excessiva, dependência e culpa. Tudo isso faz realmente “parte do pacote” de ter filhos? Pamela Druckerman começou a perceber que, na França, a resposta é um enfático não. A jornalista americana se muda para Paris logo após se casar. Lá, além das diferenças culturais mais conhecidas, começa a observar que as crianças se comportam de forma muito mais educada do que jamais viu. Estarrecida, ela percebe que os jantares nas casas dos franceses não são eventos caóticos em que crianças interrompem os adultos, brigam com os irmãos ou reclamam dos legumes. Esse é apenas um dos exemplos que a fazem querer descobrir qual é a mistura de autoridade e relaxamento dos pais que faz com que as crianças francesas sejam tão comportadas, sem ficarem reprimidas ou sem personalidade. Afinal, qual é o segredo para que durmam a noite toda? Para que não tenham ataques de birra em público? Para que sentem-se de maneira educada à mesa e experimentem muito mais do que nuggets e batatas? Para que desenvolvam a autoestima e se tornem articuladas? Os pais que ela observou em Paris parecem ter encontrado o equilíbrio perfeito entre ouvir os filhos e deixar claro que são os adultos que mandam. Dentro de um limite conhecido como cadre, essas crianças têm total liberdade e autonomia, mas fora dele, quem exerce autoridade são os pais. Pamela nota que os franceses conseguem balancear admiravelmente suas necessidades e as das crianças, não se acorrentam a um falso conceito de pais perfeitos e, ainda assim, são atentos, carinhosos e criam filhos educados e felizes. A autora empreende uma surpreendente jornada pela cultura francesa e passa a rever alguns conceitos da criação de filhos. Por anos, ela investiga as respostas a essas e outras questões, além de viver muitas experiências no próprio cotidiano, já que se torna mãe em Paris. O resultado é um relato inteligente, bem-humorado e ao mesmo tempo bem-fundamentado dos segredos dos franceses para ter filhos criativos e educados – e também um manual para os pais não se tornarem escravos de pequenos tiranos.

Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

como ser uma parisiense

 

 

Autoras: Sophie Mas; Audrey Diwan; Caroline de Maigret; Anne Berest
Mulheres / Moda / Paris / Não-Ficção
Editora: Fontanar
Páginas: 251
Ano: 2014

 

Esta semana fiquei sabendo que a Rocco iria lançar Piquenique na Provence, segundo livro de Elizabeth Bard, autora de Almoço em Paris (resenha aqui), e me bateu uma vontade imensa de ler algo sobre a cultura francesa [ainda que fútil]. Em uma busca rápida, Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo caiu em minhas mãos.

Pelo título apelativo, clichê e super comercial, comecei a leitura sabendo que ali dentro não tinha nenhuma fórmula mágica. E não tem! Não é um manual. Siga-o e se transformará em um Frankenstein.

O livro, escrito por quatro parisienses ditas autênticas, não tenta desconstruir o estereótipo da mulher francesa, pelo contrário, é montado em cima dele. É preciso que isso seja levado em consideração para que se possa gostar do livro, caso contrário, sairíamos dele achando que toda parisiense é, por exemplo, uma adúltera por natureza que termina sempre triste, melancólica e sozinha.

E, bem, isso não é verdade. Não pode ser verdade. Se assim fosse, os homens daquela cidade não seriam conhecidos pelo seu charme e galanteio, mas pelos enormes pares de chifres.

O texto é bem agradável, leve e até divertido. Peca quando tenta dar dicas amorosas, algo meio autoajuda, mas, no geral, por incrível que pareça, consegue montar, sim, um perfil do que é ser parisiense. Consegue, tópico por tópico, grifar no nosso imaginário a palavra simplicidade.

não entra no armário da parisiense

A parisiense é simples, é essa a conclusão. É na pouca maquiagem, no jeans de sempre, no cabelo natural, no pequeno defeito, nos livros que lê, no decote que esconde, no feminismo moderado, no guarda-roupa clássico, no sorriso comedido e na vontade de amar que mora seu charme. Parece fácil. Mas certamente não é.

Um livro escrito para mulheres, para entreter, para passar o tempo, para ler rapidinho, para abrir de vez em quando. Não é a última maravilha do mundo, mas vale a leitura e rende até alguns grifos. Aliás, a capa já vale um bocado. Très belle!

3.5 Estrelas

4 corações

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parisiense feminista cortejada

“Ser feminista e adorar ser cortejada não é necessariamente contraditório, muito pelo contrário.”

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Sinopse: O que torna a mulher francesa tão única e irresistível? A pergunta, que já foi feita milhares de vezes, agora é respondida de forma definitiva por quatro parisienses tão autênticas e charmosas quanto diferentes entre si. Em uma abordagem nova e divertida sobre o que é realmente ser uma parisiense hoje em dia como elas se vestem, se divertem e se comportam , a embaixadora da Chanel e musa da Lancôme Caroline de Maigret, a escritora Anne Berest, a produtora Sophie Mas e a jornalista Audrey Diwan são surpreendentemente francas e sem rodeios. Falando sobre filhos, relacionamentos, trabalho, estilo, cultura e muito mais, revelam seus segredos e defeitos, fazem piada dos próprios sentimentos e comportamentos complicados, e até admitem ser esnobes, um pouquinho egocêntricas e imprevisíveis. Mandonas e cheias de opiniões, sim, mas também meigas e românticas. Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo é um livro divertido e inspirador que desvenda o jeito de ser das francesas, mostrando o que elas pensam sobre estilo, cultura, comportamento e homens. Com dicas nem sempre politicamente corretas, é claro…

Adeus, China – O último bailarino de Mao, Li Cunxin

Adeus China Li Cunxin

 

Autor: Li Cunxin
Autobiografia / Não-Ficção
Editora: Fundamento
Páginas: 400
Ano: 2007

 

Depois de pouco mais de 2 anos, esse livro volta às minhas mãos – e todo rabiscado! Aliás, lindamente rabiscado! Explico.

Sabe aquele livro que você indica a todos os seus amigos, mas eles fazem cara de paisagem e não se animam pra ler? Sabe aquele livro maravilhoso, que você amou e quer que todos leiam? Sabe aquele livro que deixa marcas e grandes lições? Pois é, Adeus, China é um desses livros. Ou melhor, foi um desses livros.

O preço não ajudava, não tinha edição digital, o título não agradava e a capa tampouco era atraente, mas tive uma simples ideia. Um Livro Viajante! Colocaria o livro no Correio para rodar por todo o Brasil, visitando cada uma das casas dos leitores daquele grupo de leitura. Sugestão aceita, Adeus, China passou de mão em mão, ganhando recadinhos e rabiscos carinhosos e conquistando quem o lia.

Resultado? Todo mundo se surpreendeu e se emocionou. Recebi o livro hoje com um sorriso no rosto e uma vontade imensa de relê-lo.

Adeus, China – O último bailarino de Mao nos mostra a miséria daquele país sob o regime ditatorial de Mao e como um jovem conseguiu superar todas as barreiras e mudar completamente de vida.⠀

É uma autobiografia, mas parece um romance, um conto de fadas. É uma história de superação, de garra, de determinação. É uma história sobre família e os valores que realmente importam. É, também, uma linda e real história de amor, que me levou às lágrimas por diversas vezes.⠀

Um livro encantador, ninguém sai dele do mesmo jeito que entrou.🍂💛

*****

♥Para quem, como eu, gosta de ballet, um aviso: você vai ficar estupefato ao reconhecer alguns famosos nomes.

♥Quem for ler, ao pegar o livro NÃO folheie até as últimas páginas, resista! rs Nelas encontramos fotos que são verdadeiros spoilers e certamente tira o fator surpresa, tão importante para que nos emocionemos com a leitura.

♥Existe também um filme sobre essa história. NÃO veja o trailer antes! rs Confie em mim, não irá se arrepender! :)))

5 Estrelas 5 corações

favoritos

adeus china li cunxin bailarino de mao

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Sinopse: Em um vilarejo desesperadamente pobre do nordeste da China, um jovem camponês está sentado em sua velha e frágil carteira escolar, mais interessado nos pássaros lá fora do que no Livro Vermelho de Mao e nas nobres palavras nele contidas. Naquele dia, porém, homens estranhos chegam à escola – os delegados culturais de madame Mao. Estão à procura de jovens camponeses que, depois de receberem a formação necessária, possam tornar-se os fiéis guardiães da grande visão de Mao para a China. 

O garoto observa um dos colegas ser escolhido e levado para fora da sala. A professora hesita. Deve ou não deve? Quase desiste. Mas, afinal, no último momento, toca no ombro do oficial e aponta o garoto miúdo. “Que tal aquele?”, ela pergunta. 

Em um único momento, a possibilidade mais remota mudou de modo indescritível o curso da vida de um garoto. Ele faria parte de algumas das maiores companhias de balé do mundo. Um dia seria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao, o queridinho do ocidente. 

Esta é a história de Li Cunxin – uma narrativa que poderia ter desaparecido, como as vidas de outros milhões de camponeses, em meio à revolução e ao caos. É uma história de coragem, de amor de mãe e do anseio por liberdade de um jovem. O relato belo e precioso de uma vida inspiradora contado com honestidade.

Paris versus New York, Vahram Muratyan

paris versus new york capa

 

 

Autor: Vahram Muratyan
Não Ficção / Arte / Viagem
Editora: Intrínseca
Páginas: 226
Ano: 2012

 

Eu tinha me interessado por esse livro há um tempo nas minhas andanças pelas recomendações do GoodReads, mas imaginava algo completamente diferente. Sabia que era um livro ilustrado, mas nunca pensei que fosse apenas ilustrado.

Paris versus New York traz ilustrações comparativas de peculiaridades das duas cidades, como a diferença entre seus cafés, seus pães, seus museus e costumes.

As gravuras seguem sempre o mesmo estilo, cheio de cores e figuras sem contornos, o que deixou o livro charmoso, com um visual agradável. As comparações são bem interessantes, inteligentes e divertidas, especialmente se você conhece bem as duas cidades.

A edição é toda bonitinha, em capa dura, mas o livro é pequeno – quase do tamanho de uma mão aberta. É fofo, atraente e traz à memória lembranças – boas lembranças, claro! – porém, em poucos minutos já se viu tudo. Volto a dizer, é interessante, mas… talvez, sem querer desmerecer o talento gráfico do artista, seja um pouco descartável.  Bem, é ótimo para uma sala de espera 😉

3 Estrelas

Abaixo, deixo algumas imagens para vocês entenderem melhor o que é o livro antes de comprá-lo.

paris versus new york vahram muratyan capa

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Sinopse: Paris versus New York – Vahram Muratyan é um jovem artista gráfico de origem armênia criado em Paris. Em 2010, depois de uma longa temporada em Nova York, ele criou o blog Paris versus New York como uma espécie de registro visual de suas experiências, um bem-humorado confronto entre duas das mais míticas cidades do mundo. O sucesso foi surpreendente e o blog teve mais de cinco milhões de visitas em um ano. A sofisticada batalha visual, travada por um amante de Paris vagando por Nova York, se transformou em livro e firmou o artista como um designer renomado, com uma carteira de clientes que inclui grandes nomes da moda, entre eles Prada e Chanel.

Este amistoso confronto artístico é dedicado aos amantes de Paris, de Nova York e àqueles que estão divididos entre as duas cidades.

Projeto 1001 Livros

1001 livros para ler antes de morrer

Editor Geral: Peter Boxal

Editora: Sextante

Guia/ Livros sobre Livros

Páginas: 960

Ano: 2010

Lidos até o momento:

(Alguns títulos não tem resenha no blog por serem livros que li há bastante tempo)
O Amante, Marguerite Duras (resenha)
A biblioteca de babel, Jorge Luis Borges
Bonequinha de Luxo, Truman Capote (resenha)
As Brasas, Sándor Márai (resenha)
Capitães da Areia, Jorge Amado
A Casa dos Espíritos, Isabel Allende
As cidades invisíveis, Ítalo Calvino
O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas
David Copperfield, Charles Dickens
De amor e de sombra, Isabel Allende
Dom Casmurro, Machado de Assis
Dom Quixote, Cervantes
Doutor Fausto, Thomas Mann (resenha)
O Estrangeiro, Albert Camus
O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald (resenha)
Iracema, José de Alencar
Jane Eyre, Charlotte Brontë
Lavoura arcaica, Raduan Nassar
Lolita, Vladimir Nabokov (resenha)
Madame Bovary, Gustave Flaubert (resenha)
Memorial do Convento, José Saramago
Menino de Engenho, José Lins do Rego
Os Miseráveis, Victor Hugo (resenha)
A Moreninha, Joaquim Manoel de Macedo
O Nariz, Nikolai Gógol
Pais e Filhos, Ivan Turguêniev (resenha)
O papagaio de Flaubert, Julian Barnes (resenha)
O pequeno príncipe, Antoine de Saint-Exupéry
A Pianista, Elfriede Jelinek (resenha)
O poço e o pêndulo, Edgar Allan Poe (resenha)
Por quem os sinos dobram, Ernest Hemingway (resenha)
Quase memória, Carlos Heitor Cony
Ragtime, E. L. Doctorow (resenha)
Ratos e homens, John Steinbeck (resenha)
Rebecca, Daphne du Maurier
Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato
Senhora, José de Alencar
O sol também se levanta, Ernest Hemingway (resenha)
A Sonata a Kreutzer, Liev Tolstói (resenha)
O velho e o mar, Ernest Hemingway (resenha)
Vidas Secas, Graciliano Ramos

Sobre o Projeto:

Listas são sempre falhas e injustas, mas dificilmente um leitor voraz consegue resistir à tentação de abri-las, nem que seja por curiosidade. São inúmeras, e a cada dia surge uma nova. “Os 10 melhores romances de todos os tempos”, “15 livros para ler no verão”, “Os 100 maiores clássicos da literatura”, e por aí vai.

Estamos sempre em busca de bons livros e, mesmo que já tenhamos uma lista imensa para ler, é como se quiséssemos achar a melhor leitura, a melhor opção, aquele livro que vai entrar para a lista de favoritos e se tornar um queridinho.

Cheguei ao 1001 livros para ler antes de morrer querendo uma espécie de guia de bons livros. E parece que encontrei 🙂

O primeiro passo foi marcar o que eu já havia lido. Depois marquei os que quero ler, separando entre os que já tenho na estante e os que ainda não possuo.

Resolvi chamar de Projeto 1001 Livros a minha intenção de, aqui e acolá, escolher um dentre os desejados. Todas as resenhas de leituras do Projeto recebem a tag 1001 livros para que sejam facilmente localizadas e agrupadas.

Sobre o Conteúdo:

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Para chegar aos 1001 livros, o organizador da lista contou com a colaboração de uma equipe de escritores, críticos literários e jornalistas do mundo todo. Cada livro ganhou uma resenha e algumas informações sobre o autor. Adianto que a maioria das resenhas traz spoilers, o que pode ser frustrante em alguns casos.

Temos índices em ordem alfabética por título e por autor. Os livros com suas respectivas resenhas nos são apresentados em ordem cronológica, divididos em quatro partes: Antes de 1800, Anos 1800, Anos 1900, Anos 2000. Somos ainda presenteados com algumas imagens relacionadas ao autor ou ao livro, como ilustrações ou fotos da capa original de um clássico.

É uma espécie de guia – falho como qualquer outro – mas por reunir um número tão grande de sugestões, acaba por agradar e ser uma boa referência.

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Um teto todo seu, Virginia Woolf

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Autora: Virginia Woolf
Não Ficção / Literatura Inglesa / Feminismo
EDITORA: TORDESILHAS
PÁGINAS: 190
ANO: 2014

 

Feminismo na sua melhor forma: culto e ponderado

Ler Virginia Woolf, apesar de requerer muita concentração, é sempre um deleite, mas falar sobre o que se leu não é das tarefas mais fáceis, pois o brilhantismo com o qual aborda os temas nos deixa atônitos, sem palavras, como se não nos restasse nada a dizer além de repetir seus pensamentos.

Um teto todo seu surgiu a partir de duas palestras, intituladas As mulheres e a ficção, que ela ministrou em uma universidade em 1928. Alterando os textos e ampliando a palestra, ela traça um panorama sobre o papel da mulher na ficção (e na sociedade). Utilizando-se da ficção, Virginia sai de cena para dar lugar a uma ensaísta, Mary Benton, que vai ao Museu Britânico colher informações sobre a produção literária feminina e o que se escrevia sobre as mulheres até então. Ao longo do livro Virginia critica, com o humor refinado que lhe é peculiar, o machismo que encontra nas prateleiras do Museu, analisa escritoras como Jane Austen, Charlotte e Emily Bronte, e até cria uma irmã para Shakespeare, tão talentosa quanto ele, e nos explica com maestria o porquê dela não ter sido tão genial quanto o irmão.

De maneira concisa e clara nos leva à sua conclusão de que para se escrever bem há que se ter um teto todo seu e 500 libras no bolso por ano, há que se ter um espaço próprio, com chave para que ninguém lhe interrompa, e uma renda fixa para que a mente esteja tranquila, livre de preocupações e, principalmente, de amargor.

Diferente da maioria das feministas, especialmente das atuais, Virginia não exalta a mulher em detrimento do homem. Para ela ambos podem escrever bons livros, desde que esqueçam seu sexo e escrevam livres disso.

“É fatal, para qualquer um que escreva, pensar no próprio sexo. É fatal ser um homem ou uma mulher pura e simplesmente. […] E fatal não é uma figura de linguagem; pois qualquer coisa escrita sob esse preconceito consciente está fadada à morte. Deixa de ser profícua. Por mais brilhante, efetiva, poderosa e magistral que possa parecer durante um dia ou dois, vai murchar ao cair da noite.” (p.146)

“A totalidade da mente precisa estar aberta para termos a sensação de que o escritor está transmitindo sua experiência com perfeita plenitude. É preciso haver liberdade, é preciso haver paz. (p.147)

Por mais que Virginia tenha escrito esse ensaio em 1929, ele, provavelmente, nunca ficará obsoleto em sua essência. É impossível não trazer seu conteúdo para os dias atuais e ver o que evoluiu, e se evoluiu. Certamente, se Virginia “acordasse” hoje e piscasse os olhos três vezes para poder crer no que via ela pediria para dormir novamente e só acordar daqui a uns outros 85 anos. Não é que o feminismo tenha andado para trás ou para frente, mas é como se ele tivesse se perdido ali no meio do caminho.

A ideia de querer que a mulher seja totalmente igual ao homem é completamente equivocada, e Virginia, bem à frente do seu tempo (e do nosso!), já dizia isso:

“Seria mil vezes uma pena se as mulheres escrevessem como os homens, ou vivessem como eles, ou se parecessem com eles, pois se dois sexos é bastante inadequado, considerando a vastidão e variedade do mundo, como faríamos com apenas um?”(p.126)

“Toda essa peleja de sexo contra sexo, de qualidade contra qualidade; todo esse clamor por superioridade e essa imputação de inferioridade pertencem ao estágio colegial da existência humana, no qual há ‘lados’ e é necessário que um lado derrote o outro, e é de extrema importância subir em uma plataforma para receber das mãos do próprio diretor um troféu ornamentadíssimo. Conforme amadurecem, as pessoas deixam de acreditar em lados ou em diretores ou em troféus ornamentadíssimos.”(p.149)

Virginia conclui nos incentivando a escrever “todo tipo de livro, não hesitando diante de nenhum tema, por mais trivial ou vasto que seja”, e espera que tenhamos dinheiro suficiente para viajar e vagar, e, claro!, para ter um teto todo nosso.

Esse livro não foi nada do que imaginei – e que audácia (leia-se tolice) minha ter tido a pretensão de imaginar seu conteúdo! Um livro fantástico, daqueles para se ter à mão na cabeceira da cama. Leitura mais que recomendada.

4 corações 5 Estrelas

um teto todo seu virginia

Sinopse: Baseado em palestras proferidas por Virginia Woolf nas faculdades de Newham e Girton em 1928, o ensaio Um teto todo seu é uma reflexão acerca das condições sociais da mulher e a sua influência na produção literária feminina. A escritora pontua em que medida a posição que a mulher ocupa na sociedade acarreta dificuldades para a expressão livre de seu pensamento, para que essa expressão seja transformada em uma escrita sem sujeição e, finalmente, para que essa escrita seja recebida com consideração, em vez da indiferença comumente reservada à escrita feminina na época.
Esta edição traz, além do ensaio, uma seleção de trechos dos diários de Virginia, uma cronologia da vida e da obra da autora e um posfácio escrito pela crítica literária e colaboradora da Folha de S. Paulo Noemi Jaffe.