Por quem os sinos dobram, Ernest Hemingway



Autor: Ernest Hemingway

Clássico Moderno / 1001 livros /
Nobel / Literatura Americana

Editora: Bertrand Brasil

Páginas 672

Ano: 2012

Ano de publicação original: 1940

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Eu já havia me apaixonado profundamente por Hemingway quando comprei Por quem os sinos dobram, mas ele passou muito tempo na minha estante esperando, talvez, mais maturidade da leitora aqui. Jamais imaginei que gostaria tanto deste livro.

Hemingway nos leva à guerra civil espanhola através de um personagem norte-americano, Robert Jordan, cuja missão era a de explodir uma ponte. Nas montanhas, conhece outros companheiros, cada um com seu papel naquela luta. E são os dias de convivência com esses novos colegas e de preparação da sua tarefa que acompanhamos neste livro.

Com uma escrita ridiculamente simples, certinha, direta, sem firulas, Hemingway nos transporta para o meio daquele bando e nos faz sentir o cheiro da embriaguez do álcool, do medo e da ansiedade. Com diálogos curtos, conversas banais e alguns xingamentos, Hemingway trata da condição humana. Faz-nos refletir sobre o valor da vida do outro, da vida do inimigo; sobre a ideologia que cega e manipula; sobre as atrocidades cometidas de cada lado da guerra; mostra-nos uma guerra em que não há heróis, mas mortos.

Por quem os sinos dobram é daqueles livros que não dá vontade de largar, especialmente nas primeiras 300 páginas – que passam sem nem sentirmos. ⠀ ⠀ ⠀
Hemingway diz muitíssimo mais do que está escrito, e talvez aí resida a genialidade do autor. Uma joia da literatura do século XX, sem dúvidas. De tão simples, incrível.

5 Estrelas

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer”, de Peter Boxall (Clique aqui para ver mais resenhas da lista)

** Autor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1954 (Clique aqui para ver mais resenhas de vencedores de Nobel)

Sinopse: Aclamado pela crítica como o melhor livro de ficção sobre a Primeira Guerra Mundial.Esta comovente história, cujo pano de fundo é a Guerra Civil Espanhola, narra três dias na vida de um americano que se ligara à causa da legalidade na Espanha. Robert Jordan é um americano integrante das Brigadas Internacionais, que luta ao lado do governo democrático e republicano, recebendo a missão de dinamitar uma ponte. Com ele está um grupo de guerrilheiros/ciganos, integrado por Pilar, mulher com extraordinária força de vontade, o perigoso Pablo e a bela Maria.Por quem os sinos dobramapresenta ao leitor uma das mais inesquecíveis histórias de amor da literatura moderna.Tal clássico da literatura trabalha o lado humano dos personagens diante da Guerra Civil Espanhola e, apesar de uma obra de muitas páginas, transcorre em leitura leve e poética. As nuances pessoais e íntimas daqueles que viveram aquele tempo encorpam as páginas do que se apresenta como obra histórica do conflito espanhol. Nenhum homem é uma Ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da Terra. Se um Pequeno Torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti. – John Donne

Ratos e homens, John Steinbeck

Autor: John Steinbeck

literatura americana / clássico / 
1001 livros / nobel de literatura

Editora: L&PM

Páginas: 144

Ano: 2005

Ano de publicação original: 1937

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Estou bem sumida, o mestrado tem preenchido praticamente todo o tempo que eu tinha para ler [restando apenas o das inevitáveis salas de esperas da vida rs], e nem cogito conseguir parar para escrever uma resenha digna. Porém, não poderia deixar de falar de Ratos e Homens, de Steinbeck, Nobel de Literatura de 1962.⠀

Impactante! Leitura curta e rápida, mas grandiosa e cheia de significado. Fala sobre amizade e sonhos, muitos sonhos. Dos que, certamente, justificam o amanhecer de cada dia de quem os tem. De tão improváveis, tristes…⠀

Fala sobre… homens… e, caramba, ratos! Leiam! Que livro!

* *Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência.

Em Ratos e homens, Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.

O conto da ilha desconhecida, José Saramago

Autor: José Saramago

Lit. Portuguesa / Nobel

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 64

Ano: 1998

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Que livrinho sensacional! O conto da ilha desconhecida, de Saramago, foi uma grata surpresa. Pequeno no tamanho, gigante nas reflexões que nos traz.⠀

Saramago nos conta sobre um homem que bate à porta do rei para lhe fazer um pedido esquisito: um barco para encontrar uma ilha desconhecida. Depois de muita insistência, eis que o barco lhe é concedido, mas isso não significa que o homem esteja pronto para navegar.⠀

Assim que terminei a leitura, parei e pensei, preciso reler. Agora! Imediatamente. E o fiz. Reli. E deveria [o farei] reler esse conto outras tantas vezes na vida.⠀

Começa com uma crítica aos governos e à burocracia, usando para isso uma espécie de telefone-sem-fio, mostrando a inutilidade de se ter tanta gente fazendo um trabalho que meia dúzia de pessoas poderia desempenhar com maior eficácia. E isso é só um mero detalhe no mar de metáforas que se seguem.⠀

O conto da ilha desconhecida fala de autoconhecimento, das suas dificuldades, de como achamos que não há nada novo a ser descoberto, e Saramago nos convida a nos questionarmos: como saber se não há nada novo? Como veremos a ilha se não sairmos da ilha?⠀

Saramago nos mostra uma “porta das decisões”, por mais difícil que seja ultrapassá-la, não há volta, mas pode haver alívio. Ele fala sobre determinação e perseverança, sobre como é difícil conseguir um barco, e que, mesmo depois de consegui-lo, navegá-lo pode não ser tão fácil.⠀

Para cada leitor, certamente há uma interpretação diferente, portanto não creio ter “estragado” o livro para vocês com minha opinião. Confesso que esperava um final mais pomposo, mas isso não tira o brilho dessa pequenina história cheia de significado.

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Sinopse: Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas.
Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Antes, entretanto, ela é submetida a uma série de embates com o status quo, com o estado consolidado das coisas, como se da resistência às adversidades viesse o mérito e do mérito nascesse o direito à concretização. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a idéia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou.
“…Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós…”, lemos a certa altura. Nesse movimento de tomar distância para conhecer está gravado o olho crítico de José Saramago, cujo otimismo parece alimentado por raízes que entram no chão profundamente.
Inédito em livro, O conto da ilha desconhecida é ilustrado por oito aquarelas de Arthur Luiz Piza.

Doutor Fausto, Thomas Mann

Autor: Thomas Mann

Lit. Alemã / Clássicos / 
1001 Livros / Nobel

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 600

Ano: 2015

Publicação Original: 1947

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Comecei a leitura de Doutor Fausto sem ter muita noção da dimensão da obra que tinha em mãos. Sabia apenas que era uma releitura da famosa lenda fáustica alemã, na qual o médico vende sua alma ao diabo em troca de tempo de vida para fazer grandes descobertas científicas. Como amante da música, o que mais me interessava não era a lenda, mas o fato de narrar a vida de um compositor alemão, ainda que fictício.

Li aquelas primeiras páginas umas trocentas vezes. Ia e voltava, não entendia muita coisa. Então, resolvi continuar mesmo sem compreender tudo o que lia para ver no que dava. E o que surge diante dos meus olhos são capítulos maravilhosos, sensacionais, seja sobre música, seja sobre guerra, intercalados com uns capítulos malucos, de quebrar a cabeça.

Ambientado na Alemanha da primeira metade do século XX, Doutor Fausto nos conta a história do músico Adrian Leverkühn, narrada por Serenus, seu amigo de infância, que tem uma profunda admiração pelo compositor.

Após ter se relacionado com Esmeralda, uma prostituta, e contraído sífilis, Adrian, doente, faz um pacto com o diabo – em um capítulo de tirar o fôlego – no qual vende sua alma e a capacidade de amar em troca de 24 anos de uma carreira brilhante na música. Acompanhamos, estupefatos, todo esse período de apoteose musical até o momento em que ele decide convidar amigos para uma, digamos, apresentação final.

Até a metade do livro, apesar de ter uns capítulos de cair o queixo, eu não imaginava que ia gostar tanto desse livro. Foi uma leitura das mais difíceis que já fiz e a que me deixou mais eufórica quando concluí. Os capítulos finais são apoteóticos, indescritíveis. Eu tinha vontade de ler tudo em voz alta, de marcar todos os trechos, de mostrar a todo mundo aquilo que lia. Thomas Mann é genial.

Durante todo o livro o autor fala muito de música e composição, o que pode deixar a leitura ainda mais difícil para quem nada entende do assunto. Para quem ama a música, como eu, é de entrar em êxtase. Fala de polifonia, fuga, adagio, harmonia, coro… fala de partitura, de dodecafonia, faz referências a músicos como Wagner e traça paralelos com a 9a Sinfonia de Beethoven. É de pirar!

Além de tudo, o personagem ainda é considerado uma alegoria da Alemanha da época, daquela Alemanha que se rendera ao nazismo após a Primeira Guerra. Quando ficamos sabendo disso, tudo cresce ainda mais. É, repito, apoteótico, genial, sensacional.

Não tenho palavras para descrever como queria a experiência dessa leitura, que entrou, sem dúvidas, para minha lista de favoritos. Leiam! Vale cada gota de suor.

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Sinopse: Último grande romance de Thomas Mann, Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio — uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.

O Barco das Crianças, Mario Vargas Llosa

O barco das crianças

 

Autor: Mario Vargas Llosa
Ilustradora: Zuzanna Celej
Ficção Juvenil / Lit. Hispano-americana /
Lit. Latino-americana / Nobel
Editora: Alfaguara
Páginas: 112
Ano: 2016

 

O Barco das Crianças é uma bela e comovente história escrita por ninguém menos que Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura de 2010, voltada para o público infantojuvenil.

História, ficção e fantasia se misturam nas conversas de um velhinho solitário e Fonchito, uma criança curiosa. De sua casa, Fonchito observava o velhinho sentado em um banco, contemplando o mar. Certo dia, ele resolve ir lá para descobrir o que tanto o homem olhava. A resposta vem em forma de uma história interessantíssima sobre a Cruzada das Crianças, contada pelo velhinho, um pouco por dia.

Aparenta ser um livro bem infantil, pelo título, capa, ilustrações e tamanho do texto, mas pode ser um pouco pesado para as crianças menores, já que fala da Cruzada das Crianças.

Uma mistura de lenda e História, essa Cruzada teria acontecido por volta do século XII, na Europa, e assim como as demais Cruzadas, tinha a intenção de recuperar Jerusalém e devolvê-la aos cristãos. As crianças teriam partido do porto de Marselha e as que não morreram de frio, de fome ou afogadas, terminaram vendidas como escravas. Ou talvez tenham terminado como nos conta o velhinho… quem sabe?!

O livro é lindo de todas as formas. As ilustrações [aquarelas] são muito bonitas, bem delicadas e tem um quê de nostalgia, tem algo que me fez lembrar-me de um livro infantil – da Coleção Mundo da Criança – que eu lia na casa da minha avó quando era pequena.

Llosa tenta resgatar nas crianças a vontade e o interesse delas em conversar com os mais velhos, em ouvir o que eles tem para lhes contar. Essa troca saudável entre gerações tão diferentes está cada dia mais rara, infelizmente. Pontos para o autor!

Além de ter muito conteúdo histórico para ser aprendido, O Barco das Crianças é meio mágico, deixa enigmas no ar e inúmeras possibilidades de interpretação.

Um livro um pouco triste, meio melancólico, mas encantador. Simples e, ao mesmo tempo, rico. Uma história singela, escrita com esmero para todas as idades. Uma contribuição e tanto de Vargas Llosa para o mundo da boa literatura infantojuvenil.

5 Estrelas 5 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** História *** Para ler em família *** Lida com a morte *** Texto rico

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Sinopse: Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali, todas as manhãs. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história muito antiga e… extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Mario Vargas Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

O silêncio da água, José Saramago

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Autor: José Saramago
Lit. Infantojuvenil / Nobel / Lit. Portuguesa
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 24
Ano: 2011

 

Diferente do que eu pensava, esse livro não foi escrito especialmente para o público infantil. O Silêncio da Água nos traz um conto não-ficcional extraído do livro Pequenas Memórias do autor. Por ser apropriado para crianças, recebeu ilustrações e uma bela edição póstuma em grande formato e capa dura.

Quando um vencedor de Nobel escreve um livro – no caso um conto – o leitor sempre espera algo genial. Confesso que terminei a leitura decepcionada, querendo algo a mais. Abri o computador para escrever o que achei do livro e tive vontade de relê-lo, mas nem precisei. A história foi tomando forma, foi crescendo, se agigantando tal qual o enorme peixe ilustrado na capa e, ao mesmo tempo, se tornando delicada, como uma simples, mas memorável, lembrança de infância.

Saramago nos conta uma pequena aventura de seu tempo de criança, quando vivia perto do rio Almonda e, ao ir lá pescar, encontra um grande peixe com o qual trava uma breve luta.

O autor sempre expressou seu desejo de que seus livros não deveriam ser adaptados para o português do Brasil, portanto temos aqui um linguajar que talvez soe estranho, mas nada que os pais não consigam explicar. Por mais que o texto seja bem curto e ilustrado, acredito que as crianças menores não consigam compreendê-lo ou achar graça. Já para as maiores, é uma ótima introdução a uma literatura mais realista, menos fabulosa e romântica.

4 Estrelas 3 corações

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Esse livro:

Ilustrado *** Pouco texto, embora rico *** Palavras Novas

HdP - Selo Família HdP - Selo Crescidinhos

 

 

 

 

 

Sinopse: Em uma tarde silenciosa, um garoto vai pescar à beira do Tejo e é surpreendido por um peixe enorme que lhe puxa o anzol. Infelizmente, a linha arrebenta, deixando-o escapar. Ele corre até a casa dos avós, com a esperança de voltar, rearmar a vara e “ajustar as contas com o monstro”. Claro que, ao alcançar o mesmo ponto do rio, o menino não encontra mais nada, apenas o silêncio da água. Sua tristeza só não é completa pois o peixe, como ele diz, “com o meu anzol enganchado nas guelras, tinha a minha marca, era meu”. 
Esse menino foi José Saramago, que narra neste livro uma aventura de infância que, para ele, culmina em um despertar da lucidez. Ilustrado por Manuel Estrada, este pequeno conto autobiográfico se torna uma fábula de extraordinária beleza e sabedoria.

O sol também se levanta, Ernest Hemingway

 

 

Autor: Ernest Hemingway
Lit. Americana / Nobel / Clássico / 1001 livros
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 272
Ano: 2001
Ano de Publicação Original: 1926

 

Não sou das maiores entusiastas do minimalismo, ao menos não na literatura, mas Hemingway sempre desmonta minhas implicâncias. Mais uma vez, veio provar que não importa o estilo, quando quem o escreve tem um quê de genialidade.

O sol também se levanta nos traz o dia a dia de Jake, um jornalista e o narrador dessa história, de Lady Brett Ashley, uma viúva por quem todos se encantam [inclusive Jake], de Robert Cohn, um escritor em busca de inspiração, e de Mike, um playboy meio escanteado, e a ida deles à Festa de San Fermín, em Pamplona. Juntos formam um grupo de expatriados ingleses e norte-americanos – inspirados no círculo de amizade do próprio autor – vivendo em Paris no período após a Primeira Guerra Mundial.

O livro foi escrito em 1926 e é preciso que o leitor se atente não só ao contexto do pós-guerra, mas ao das touradas. Até então a Festa de San Fermín e suas touradas não eram alvos de protestos. Era simplesmente uma grande e vibrante festa com séculos de tradição. Ser contra as touradas não me fez, portanto, gostar menos desse livro.

Hemingway tem um estilo muito peculiar de texto que é seco, direto, sucinto e aparentemente simples. Usa praticamente tudo que eu digo que não gosto em um livro, como frases curtas, diálogos em excesso [e também curtíssimos] e quase nada de adjetivos. O resultado deveria ser um livro sem graça, com personagens rasos. Deveria. Seria. Se não fosse Hemingway.

Ele diz muito mais do que está escrito, passamos a conhecer profundamente seus personagens sem que ele tenha sequer nos apresentado. Talvez, conseguir deixar implícito nas palavras não ditas a personalidade de cada um seja tão ou mais difícil quanto dizê-las em alto e bom som.

Eles parecem superficiais, mas são apenas personagens marcados pela Guerra, que, mesmo ambiciosos em sua vida artística e intelectual, carecem de sonhos e se embebedam para fugir da realidade e fingir divertimento em busca de inspiração. São integrantes da famosa Geração Perdida, batizada por Gertrude Stein.

É impressionante como o autor conseguiu captar e retratar bem essa geração, não só de forma ficcional como nesta obra, mas também em Paris é uma festa (resenha aqui), livro póstumo com suas memórias dos anos vividos em Paris.

O sol também se levanta é vívido, mesmo que um pouco degradante. É gostoso de ler, mesmo que suas páginas só contemplem um bando de bêbados. É simples sem ser, é complexo sem aparentar. Talvez não seja para todos os gostos {nada o é}, mas vale a tentativa, ao menos pela embriaguez sem que sequer precisemos beber.

4.5 Estrelas 4 corações

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Capa nova <3

Capa nova

 

 

 

 

 

 

Sinopse: O sol também se levanta é uma obra vigorosa que retrata, em estilo direto e despojado, os conflitos e frustrações dos norte-americanos e ingleses que vivem em Paris após a Primeira Guerra Mundial. Numa linguagem acelerada, Hemingway cria personagens que logo se inserem no convívio do leitor, destacando-se, entre eles, como figuras marcadas e marcantes, Jake Barnes, jornalista emasculado por um ferimento de guerra, Lady Brett Ashley, jovem viúva inglesa por quem ele estava apaixonado, Robert Cohn, o escritor em busca de seu caminho, Mike Campbell, o playboy inglês que também fazia a corte a Lady Brett, e Pedro Romero, o toureiro espanhol com quem ela tem um caso.

Para O Sol Também se Levanta Hemingway elaborou tipos humanos complexos, representando assim uma geração contaminada pela ironia e pelo vazio diante da vida, com seus valores morais destruídos pela guerra e irremediavelmente perdidos. Temas como a solidão e a morte, os preferidos do escritor, são explorados de forma brilhante. Escrito originalmente em 1926 e publicado em 1927, este é considerado por muitos como sua obra mais refinada em termos de técnica literária.