O Coronel Chabert, Honoré de Balzac

Autor: Honoré de Balzac

Lit. Francesa / novela

Editora: penguin-companhia

Páginas: 88

Ano: 2013

Ano de Publicação Original: 1832

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O Coronel Chabert é uma história incrível, curtinha, que faz parte da Comédia Humana de Balzac. Temos como cenário a França do começo do século XIX, que vivia uma época de inconstâncias políticas, e como personagem principal um homem, dito herói de uma batalha, que, dado como morto, ressurge anos depois para retomar sua esposa – já casada com outro e com filhos, e sua identidade.

Balzac é um mestre da escrita e da descrição dos costumes de sua época. Sabe retratar com fineza, elegância e fidelidade o comportamento humano diante do poder e diante da miséria. Faz de uma simples e breve história, um deleite para que a lê. Leiam!

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Sinopse: Tido como morto durante uma importante batalha, ao voltar para casa depois de anos de errância e sofrimento, o coronel Chabert já não encontra lugar no mundo. Sua mulher, herdeira de toda a fortuna, casou-se de novo e teve dois filhos; sua casa foi demolida;
até a rua em que morava foi rebatizada. No cenário político francês, a desordem do começo do século XIX, quando o Império cedia lugar à Restauração, cria uma dissonância ainda maior entre o protagonista e seu tempo. Despossado de seus bens e de seu nome, o antigo herói das guerras napoleônicas pede ajuda ao advogado Darville para se lançar com todas as forças em uma última batalha, pela retomada de sua identidade
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A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói

Autor: Lev Tolstói

Lit. Russa / Clássico / Novela / 1001 Livros

Editora: 34

Páginas: 96

Ano: 2006

Ano de Publicação Original: 1886

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A morte de Ivan Ilitch foi a terceira novela que li de Tolstói e, sem dúvidas, a mais impressionante. O autor surpreende não só pelo texto irretocável, mas por conseguir ser tão atual quanto se o tivesse escrito hoje.

Não é surpresa para ninguém que Ivan Ilitch morre. Está ali no título, está na primeira página da novela. Começamos com a notícia de sua morte e só depois passamos a conhece-lo, a saber o que fazia, quem era e como vivia.

Ivan era um juiz de instrução que, ao receber um bom cargo, termina tendo uma vida confortável. Viveu para o trabalho, para o sistema corrupto que lhe empregou, foi infeliz no casamento e vivia cercado de pessoas interesseiras, os ditos amigos. Até que, certo dia, uma doença lhe atinge e daí para frente ele só piora.

Tolstói alfineta não só o sistema judiciário russo da época, como também as relações de falsa amizade dos colegas de trabalho, que fingem ser amigos, mas na verdade estão de olho no cargo e na vida um do outro. Quão atual não é isso?

Ivan se vê sozinho, abandonado, despedaçado, enquanto o mundo ao seu redor continua a girar sem sua presença, ou melhor, sem se importar com sua ausência. Tolstói nos choca, sem piedade. Faz-nos ouvir os gritos e o silêncio de quem sabe que está morrendo, faz-nos sentir na pele o arrependimento de não ter cultivado melhores amizades, de não ter dado a devida atenção a quem merecia.

Tolstói nos mostra também como tratamos a morte com artificialidade. Não sabemos lidar com a morte. Não sabemos lidar com quem está morrendo. Mente-se. Finge-se.

E ainda que eu lhes diga todos os temas tratados, não há como ter noção da dimensão desse texto. É quase inacreditável que alguém o tenha escrito de tão sensacional. Você  se vê triste pelo enredo e pela dor de quem morre, mas estupefato pela narrativa grandiosa. Não importa quantas páginas tem, A morte de Ivan Ilitch é monumental.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença.

 

Carmen, Prosper Mérimée

Autor: Prosper Mérimée

Lit. Francesa / Clássico / Novela

Editora: Zahar / Editora 34

Páginas: 136

Ano: 2015

Ano de Publicação Original: 1845

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Desde que soube que a ópera Carmen, do compositor Georges Bizet, fora inspirada em um conto homônimo do francês Prosper Mérimée, quis conhecer seu texto. Carmen é uma das óperas que mais aprecio e também uma das mais populares no mundo. Eu esperava que a história original fosse boa, claro, mas não imaginava que gostaria tanto.

Carmen, ou Carmencita, é uma bela cigana de cabelos negros e olhos marcantes, que usa sua beleza para seduzir – e roubar – os homens. Por ela, D. José Navarro se perde e se transforma em um bandido perigoso, muito procurado, que vai contar sua trágica história de amor com a cigana para nosso narrador, que, claro, também se apaixonara pela carmencita.

O conto tem quatro partes, sendo a terceira delas a que serviu de base para a ópera de Bizet, e a quarta, apenas algumas explicações do autor sobre seus conhecimentos gitanos. Não sei se fui muito influenciada pelo espetáculo que eu já conhecia, mas o texto é realmente a cara de uma ópera e a Carmen do papel é tão sensacional quanto a dos palcos. Que personagem vibrante! Parece estranho falar assim de uma impostora, mas ela é, de fato, inesquecível.

A rica escrita de Mérimée foi a melhor surpresa da leitura. Cheia de orações em ordem indireta – que eu amo -, ela me transportou para um palco de ópera ao ar livre, e aí não sei até que ponto tem culpa o tradutor, ninguém menos que Mário Quintana.

Como amante da ópera, sou um pouco suspeita para falar do conto, pois posso ter sido muito influenciada pela música, já que ela tocou em minha cabeça durante toda a leitura. Só tem um defeito: é muito curto, ficamos salivando por mais e mais páginas, e elas não existem. Fora isso, um espetáculo! 

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Sinopse: A fama a precede, e ela é a primeira a sabê-lo. Tão logo entra em cena, a moça pergunta: “Já ouviu falar de Carmencita?”. E a verdade é que todos nós já ouvimos falar da bela boêmia muito antes de conhecê-la — ou, mais precisamente, muito antes de conhecê-la sob os traços que lhe emprestou Prosper Mérimée em Carmen, novela publicada em outubro de 1845 na Revue des Deux Mondes. De fato, a cigana não demorou a passar das páginas aos palcos e destes às telas. Primeiro veio a ópera do compositor Georges Bizet: Carmen logo se converteu numa das óperas mais encenadas do repertório lírico, contando com Friedrich Nietzsche e Otto von Bismarck entre seus admiradores. Depois foi a vez do cinema, com inúmeras adaptações, assinadas pelos diretores mais diversos, de Chaplin e Lubitsch a Saura e Godard. Nesse trânsito da literatura à ópera e ao cinema, a personagem foi se descolando do original impresso para seguir carreira própria, com notório sucesso. 
Mas o estrelato tem lá o seu preço. Justamente porque a reconhecemos sem demora como encarnação da femme fatale, a figura esquiva e movediça criada por Mérimée foi se fazendo frontal e inequívoca. A boêmia tornou-se familiar, o que não deixa de ser uma situação insólita para quem, como ela, sempre se recusou terminantemente a constituir família. Já não nos intrigamos mais, já não tentamos decifrá-la. Num certo sentido, Carmen — a personagem — foi se tornando ilegível na mesma medida em que multiplicava seus avatares. Para voltar a lê-la, é preciso devolvê-la a um texto, é preciso reler Carmen — a novela de 1845.

 

Um Coração Simples, Gustave Flaubert

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Autor: Gustave Flaubert
Clássico / Novela / Literatura Francesa
Editora: Grua Livros [Melville House]
Páginas: 80
Ano: 2015

 

A primeira coisa que fiz ao terminar Um Coração Simples foi procurar a data de sua publicação para confirmar minha suspeita de que a novela havia sido lançada após Madame Bovary (resenha aqui). E foi… quase 20 anos depois. Só alguém que já escreveu sua obra-prima poderia se dar ao luxo de publicar uma história cuja personagem principal é alguém como Félicité.

Félicité não tem nada de extraordinário para contar. É uma moça comum, pobre, humilde, simples, ordinária, que até chega a pensar que poderia ser feliz, que poderia ser amada. Tudo ilusão, nada acontece. Passa a trabalhar para uma senhora com dois filhos e lá seu altruísmo transborda. Nunca reconhecido, diga-se de passagem.

Flaubert constrói sua novela em cima de um enredo irrelevante, de uma moça insignificante, invisível, sem casa, sem família e sem amor, que enlouquece por um papagaio. Ainda assim, nos leva, admirados, da primeira à última página. A admiração se dá pela sua escrita, “apenas”.

Um Coração Simples mostra que, não à toa, Flaubert é um dos grandes mestres do Realismo. É mais contexto histórico que enredo, é mais escrita que história, é mais significado para o movimento literário do que uma leitura prazerosa. É uma leitura rápida, boa, mas talvez um pouco realismo demais pra mim.

4 Estrelas

*** Essa novela também foi lançada pela Editora Rocco, com o título Um Coração Singelo, assim como também faz parte do livro Três Contos, da ed. Cosac Naify.

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Sinopse: Com uma atenção aos detalhes da vida burguesa considerada quase escandalosa na época, Um coração simples fará com que muitos se lembrem, ou descubram, por que Gustave Flaubert foi aclamado como o primeiro grande mestre do realismo. Esta novela traz a história de uma mulher simples, Félicité, que trabalha décadas como criada para a Sra. Aubain, uma viúva de alguns recursos. Zela por tudo na casa, ajuda a criar os pequenos Paul e Virginie, mima seu sobrinho Victor, que entra em sua vida por acaso. Sua compreensão pouco sofisticada do mundo, pautada por suas realidades próximas e por sua própria história sem grandes acontecimentos, é acompanhada por um grandioso sentimento de amor, no sentido amplo da palavra. Escrita perto do fim da vida do autor, o trabalho era para ser uma homenagem a George Sand, que morreu antes do texto ficar pronto, e foi concebido em resposta a uma discussão entre ambos sobre a importância do realismo. Embora o texto mostre seu virtuosismo para contar detalhes e se baseie em uma de suas serviçais da vida real, Julie, Flaubert disse que a novela exemplificava sua declaração – ‘beleza é o objeto de todos os meus esforços’.

Um, dois e já, Inés Bortagaray

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Autora: Inés Bortagaray
Literatura Uruguaia / Novela / Road Trip
Editora: Cosac Naify
Páginas: 96
Ano: 2014

 

Que delícia de livro! Daqueles que faz a gente perder a hora e se encontrar pelas páginas, se identificar com cada pensamento, recordar momentos e reviver as longas viagens de carro da infância. Completamente despretensioso, Um, dois e já se mostrou uma leitura maravilhosa.

Narrado em primeira pessoa, no presente, por uma garotinha, a terceira de quatro irmãos, em uma viagem de família, rumo à praia para as costumeiras férias de verão. No banco traseiro, a personagem conta os postes, inventa brincadeiras, relembra momentos, adormece, sonha, se perde em pensamentos mil, implica com os irmãos, recebe bronca da mãe, se preocupa com o pai na direção, tudo isso enquanto conta os quilômetros para chegar sua vez de sentar-se à janela.

É impossível não se identificar, com tudo, com todos, com as situações e os pensamentos. Vi-me naquele carro, em uma estrada qualquer, entre tapas e beijos com a minha irmã, contando os minutos para o destino final. São momentos tão simples, tão sem “glamour”, tão aparentemente esquecíveis, mas que ficam marcados como boas lembranças. Ah, a infância…

Um, dois e já tem uma escrita linda, com personagens anônimos, porém incrivelmente próximos, com uma história que se passa em uma época indefinida – ou a ser definida de acordo com a infância de cada leitor – e um texto que dá pena de terminar.

Simples, curtinho, delicado e encantador.

5 Estrelas

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Sinopse: Primeiro livro da uruguaia Inés Bortagaray no Brasil, Um, dois e já é uma delicada ode às memórias afetivas. Na novela, a história é narrada em primeira pessoa por uma menina que conta a viagem de verão da família até um balneário uruguaio, dentro de um carro apertado, no início dos anos 80. A voz da narradora, ora lírica, ora jovial, mas nunca infantilizada, descortina a paisagem plana e melancólica do Uruguai, e revela a dinâmica familiar, na qual ela ocupa a peculiar e determinante posição de irmã do meio. Num relato repleto de humor e ironia, aparecem as disputas, as estratégias, alianças e brigas pelo lugar na janela e pela atenção paterna. Nos momentos de silêncio, ela cria histórias mentais, faz digressões, analisa os gestos do pai e da mãe, e pensa nas pequenas perdas da vida.

Uma Criatura Dócil, Fiódor Dostoiévski

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Autor: Fiódor Dostoiévski
Clássico / Lit. Russa / Novela
Editora: Cosac Naify
Páginas: 128
Ano: 2013
Ano de Publicação Original: 1876

 

Uma criatura dócil foi mais um daqueles livros que comprei no escuro, sem ler sinopse, confiando apenas no autor e na seleção da editora, e não me arrependi.

Dostoiévski narra a história de um penhorista, um homem egoísta, machista e irritante, que tenta entender a morte de sua esposa. Diante de seu corpo morto, ele, o narrador sem nome, nos conta como conheceu sua esposa, as circunstâncias do casamento e um pouco do cotidiano, refazendo sua trajetória a fim de descobrir as causas daquela morte.

A história em si não me agradou, mas a escrita é tão incrível que fica difícil achar algo ruim. A angústia daquele homem que não quer se culpar é sentida nas palavras e suas repetições. O conflito enorme que se passa em sua cabeça é exposto com maestria e é impossível não sentir um pouco de piedade, mesmo diante de um chato egocêntrico.

Pelos olhos do narrador, Dostoievski nos traz dois personagens cheios de camadas, complexos e muito bem apresentados, e critica aquele tipo de casamento, a impotência da esposa e a infelicidade de ambos.

O que dizer da última linha do texto? Será? É, talvez seja quase sempre assim, só percebemos quando não mais temos.

4 Estrelas 3 corações

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Sinopse: Nesta pequena obra-prima, Fiódor Dostoiévski se entrega a uma narrativa fantástica – como ele mesmo definiu – buscando compreender a relação de um casal marcada pela opressão e pela dominação. O leitor vai se deleitar com a singularidade do processo narrativo usado pelo autor para desenvolver a trama e transmitir suas ideias: um caminho tortuoso, repleto de guinadas e reviravoltas.

“Em cada linha sentimos a mola do ressentimento, o erotismo da intimidação, a anatomia da maldade. O diabo está nos detalhes.” [Augusto Massi]

Felicidade Conjugal, Lev Tolstói

FELICIDADE_CONJUGAL
AUTOR: LEV TOLSTÓI
CLÁSSICO / LITERATURA RUSSA / novela
EDITORA: 34
PÁGINAS: 128
ANO: 2010
PUBLICAÇÃO ORIGINAL: 1859

 

Comecei a ler Felicidade Conjugal esperando encontrar tudo, menos felicidade. Fiquei esperando o Tolstói amargo de A Sonata a Kreutzer (resenha aqui), e nada. Aquela doçura, aquele ar de romantismo, de amor bonitinho, estava soando estranho e sem propósito. Não conseguia entender qual era a do autor, já que estava tudo tão simples, tão…tão…comum, básico, normal.

O livro conta a história de uma menina do interior que perdera seus pais e passa a ser criada por uma governanta. Ela termina se encantando por um homem bem mais velho que ela, que era amigo de seu pai e fora encarregado de cuidar das partes legais da família. Eles se casam, apaixonados, mas esse amor tende a mudar, ou melhor, a se transformar.

Continuei a leitura pensando que o que lia era um Tolstói que ainda não desabrochara, um Tolstói ainda contido, até que, opa, como de supetão, lá pelos 60% da leitura, passo a enxergar um pouco suas intenções. Digo um pouco porque, mesmo tendo pensado que enxergara tudo, o que Tolstói quer nos falar de verdade aparece apenas nas últimas linhas.

E nessas últimas linhas tudo se conecta ou meio que se desmancha, como se todas as páginas anteriores desabassem sobre você. E então eu vi o quão delicado é todo o livro, como se tudo estivesse pendurado por um frágil e fino cordão prestes a se romper.

Tolstói fala sobre o amor conjugal e sua transformação em um texto de uma simplicidade impressionante, que parece que não vai levar a nada. Com um ar despretensioso, ele nos apresenta uma história super sensível, que abre caminho para uma reflexão profunda e que nos deixa uma mensagem triste, de certa forma, por “desromantizar” o amor, mas ainda assim singela e completamente realística.

4 Estrelas

4 corações

felicidade conjugal tolstoi

Sinopse: Publicada em 1859, quando o escritor tinha pouco mais de trinta anos, Felicidade conjugal é talvez a primeira obra-prima de Lev Tolstói e prenuncia um tema que terá importância fundamental na vida do autor russo — o tema do desejo, neste caso apreendido do ponto de vista feminino. Ao contrário do que ocorre em A Sonata a Kreutzer (1891), obra de andamento vertiginoso e com a qual este livro forma um estranho díptico, o tom dominante é dado aqui pela delicadeza da Sonata ao Luar, de Beethoven, peça que a narradora executa nas páginas de início e fim da novela.
Com um talento incomum para descrever os estados de alma de suas personagens, Tolstói põe em destaque a figura da jovem e bela Mária, que narra as várias etapas de sua vida amorosa, desde o primeiro despertar dos sentidos até o momento em que, tendo experimentado por si mesma o absurdo da existência, ela pode, enfim, voltar à própria vida.
Combinando sutileza e gravidade, o “observador genialmente perspicaz” que foi Tolstói — segundo as palavras de Boris Schnaiderman, que assina a tradução, as notas e o posfácio — escreveu uma novela em que “o humano e o literário encontram o seu máximo de expressão”.