Calafrio, Sandra Brown

 

 

 

Autora: Sandra Brown
Romance Policial / Suspense
Editora: Rocco
Páginas: 448
Ano: 2007

 

 

Estava eu cá sem conseguir ler nada, nadica de nada, sem me empolgar com leitura alguma, quando resolvi pedir recomendações de romance policial a uma amiga que é fã do gênero. Por normalmente ter um ritmo frenético, esse tipo de livro costuma me tirar desse “bloqueio” literário. Deu certo. E muito certo! Sandra Brown conquistou uma leitora.⠀

Calafrio se passa em uma cidadezinha de uma região montanhosa e gelada da Carolina do Norte, onde 5 mulheres estão desaparecidas e a polícia local tenta, sem sucesso, desvendar o mistério. Quando Lilly está saindo de sua cabana no alto da montanha para deixar a cidade, a esperada e forte tempestade de neve já iniciara. Ela atropela um homem e eles se vêem obrigados a retornar à cabana. Lilly ainda consegue um pouco de sinal telefônico e deixa uma mensagem para o ex-marido e chefe de polícia Dutch Burton. O que Lilly não sabe é que o FBI vai chegar à cidade para ajudar nas investigações, tendo como principal suspeito Ben Tierney, o homem com quem está presa.⠀

O que temos? Um ex-marido ciumento tentando salvar sua ex-mulher, não se sabe se apenas da morte ou principalmente das garras do bonitão Tierney. Temos uma cidadezinha que vive de fofoca e de rumores, com uma polícia fraca e despreparada. Temos neve, muita neve.⠀

A narrativa acontece em 3ª pessoa e Sandra Brown envolve vários personagens na sua trama. Alternando o foco, ela vai contando as histórias e peculiaridades de cada um, montando possíveis suspeitos e possíveis heróis. A construção desses personagens é muito boa e faz com que criemos algumas teorias.⠀

Ela deu um nó na minha cabeça e eu pensava: o suspeito principal é muito óbvio para ser o culpado, mas talvez por ser tão óbvio, seja uma pegadinha da autora e ele seja de fato o procurado. O problema maior? Fiquei caidinha por Tierney e não queria que ele fosse o responsável por aqueles desaparecimentos.⠀

Estava tudo indo bem, mas normal, ok, até que, tcham ram, uau, uma frasezinha me deixou eufórica. E terminei o livro assim, entusiasmada, querendo ler tudo da autora! Esse tipo de livro tem apenas um objetivo: entretenimento. E Calafrio cumpriu seu papel com louvor. Muito bom!⠀

 

5 corações

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Sinopse: A bem-sucedida jornalista Lilly Martin queria apenas vender seu chalé nas montanhas e se livrar do último vínculo que mantinha com seu ex-marido, o delegado Dutch Burton. Mas uma violenta tempestade de neve adia um pouco mais sua saída da gélida e afastada Clearly, na Carolina do Norte: ao deixar a cidade, Lilly perde o controle do carro e atropela acidentalmente Ben Tierney. Sem outra escolha, os dois são obrigados a esperar juntos, em um chalé, o mau tempo passar. Com a estrada interditada, celulares sem sinal, linhas telefônicas inoperantes, pouca comida, nenhuma lenha e a água congelando nos canos, Lilly descobre que sua maior ameaça não é o clima, mas o homem misterioso com quem divide a casa.

Gelo Negro, Becca Fitzpatrick

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Autora: Becca Fitzpatrick
Suspense
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
Ano: 2015

 

 

Quando lemos livros de um autor e gostamos, de cara queremos ler seus novos lançamentos. Foi o que aconteceu quando vi o nome Becca Fitzpatrick, autora da série Hush Hush, na capa de Gelo Negro. A sinopse prometia um ótimo suspense, mas não foi bem o que aconteceu.

Gelo Negro conta a história de Britt, uma adolescente que vai passar o recesso de primavera fazendo trilha com sua melhor amiga, Korbie, na Cordilheira Teton. No meio do caminho elas são surpreendidas por uma nevasca fora de época e ficam presas na estrada, sem nem saber se a cabana para onde iriam está perto ou não. Ao sair para procurar abrigo, são “acolhidas” por Mason e Shaun, mas não imaginam com quem estão lidando.

A premissa é boa e daria uma história interessante, mas o desenvolvimento é fraco. Comecei a leitura me irritando com as duas amigas que a autora criou, com seus diálogos e atitudes bem infantis. Em pleno perigo e desespero elas ficam pensando em namorados, flertes e afins, o que torna tudo muito inverossímil e tosco.

Fui lendo e não conseguia entender qual o propósito da autora. Escrever um romance? Escrever um suspense? Não que haja problema em misturar romance e suspense, mas ela o fez de uma maneira esquisita. Imagine que você está correndo perigo, prestes a ser assassinada, e tudo o que você consegue pensar é sobre um ex namorado e como fará para encontrá-lo. Ou você está prestes a morrer congelada, ao lado de um assassino e cheia de pensamentos românticos. A autora força uma situação muito improvável de acontecer na realidade.

Outro ponto negativo é que ela cria “assassinos” quase tão bobinhos quanto as adolescentes. Eles precisam da garota para os guiarem pela floresta!!! E, pior, ela os guia com um mapinha que abre de vez em quando. Humm, um mapinha no meio de uma floresta sob uma nevasca…

O que me incomodou bastante foi que a autora não cria uma trama complexa para que o leitor fique curioso e vá tentando adivinhar. É como se ela fosse explicando tudo antes do tempo.

É claro que tem uma pequena reviravolta lá pelo final e o livro melhora um pouco, mas o que acontece é fácil de descobrir – ou desconfiar – desde o começo. Aliás, é tão óbvio que é como se ela desse um grito dizendo “estou enganando vocês, estão entendendo?”.

Não gosto de dizer isso, pois as pessoas tem gostos e visões diferentes uma das outras, mas não recomendo a leitura. Não é que seja tão ruim, e até entendo quem vá gostar, mas tem tantos livros melhores que fica difícil defender esse. Fiquei na dúvida entre 1 e 2 estrelas, mas resolvi dar as duas, pois a estrutura é fraca, mas a escrita não é ruim e o trabalho de revisão está todo perfeitinho. 🙂

2 Estrelas

Sinopse: Gelo Negro – Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.

Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.

O Voo da Libélula, Michel Bussi

O Voo da Libélula

 

 

Autor: Michel Bussi
Suspense / Drama
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Ano: 2015

 

O Voo da Libélula tem uma capa bonita, um título interessante, uma excelente sinopse, ótimas críticas e recomendações e, com isso, a promessa de uma leitura maravilhosa. E foi! Eu só não imaginava que estava diante de uma história tão envolvente.

Esse livro conta a história da pequena sobrevivente, um bebê de 3 meses, da queda de um avião, em 1980, na fronteira entre a França e a Suíça. O grande problema é que haviam dois bebês naquele voo, da mesma idade e com características semelhantes. Duas meninas, Lyse-Rose e Émilie. Em uma época em os exames de DNA ainda não existiam, duas famílias – uma pobre e uma rica – aparecem para brigar pela criança.

Diante de tantas incertezas, uma dessas famílias contrata um detetive particular, Crédule Gran-Duc, para tentar desvendar o caso. Por 18 anos, ele esteve mergulhado naquela história, tentando desvendar o mistério daquele voo, tentando descobrir se Lylie era Lyse-Rose ou Émilie, sem sucesso. Ele resolve se suicidar, mas antes escreve um diário, uma espécie de resumo de toda sua investigação, e o entrega para Lylie. Prestes a apertar o gatilho da arma que tiraria sua vida, Crédule Gran-Duc vê diante de seus olhos a solução que não enxergou em todos aqueles anos.

O autor começa sua história nos sensibilizando com o trágico acidente e o desespero daquelas famílias. Esse vai e vem de notícia triste, alegre, triste, com as duas famílias perdendo seus entes queridos, depois recebendo a notícia de que a bebê estava viva e, logo em seguida, descobrindo que ela pode estar realmente morta, me deixou aflita, um pouco angustiada e completamente imersa na trama.

A partir daí começa um suspense que me fez virar página após página, curiosa, tensa, sem querer parar. Ficamos nos perguntando se as evidências são o que parecem ou se o autor está apenas nos manipulando.

A história – no presente (no caso, 1998) – é contada em 3ª pessoa e nela acompanhamos Marc, suposto irmão de Lylie, ler o diário que recebeu. Esse diário é, na verdade, a maior parte do livro, onde conhecemos a vida das duas famílias envolvidas, nos 18 anos que se passaram após o acidente.

A escrita do diário é feita em 1ª pessoa, e ele é uma das ressalvas que tenho em relação a O Voo da Libélula. Demorei a me acostumar com seu tom, pois em alguns trechos parecia que o detetive falava comigo, no ano de 2015, e não com os personagens de 1998. Lentamente ele foi me convencendo de que não haviam tantas inconsistências assim, mas o incômodo permaneceu, especialmente quando repetia frases como “não tenha pressa, ainda vou chegar a esse assunto”. Achei isso bem desnecessário e, como ele ia e voltava no mesmo assunto, algumas partes ficaram repetitivas.

Apesar disso, gostei bastante do que li. Os dois personagens principais, Marc e Lylie, são adoráveis e bem construídos. O enredo nos traz algumas reviravoltas simples, mas boas. Ora achamos que sabemos de tudo, que o autor já entregou o jogo, ora percebemos que ele recolhe as cartas e que na verdade não nos contou ainda quase nada.

Fiquei esperando um final surpreendente, complexo, uma trama cheia de pontos, mas não foi bem o que aconteceu. Ele é bem simples, mas nem por isso ruim. Gostei do desfecho, do drama que se seguiu, da mistura do triste e melancólico com o bonito e esperançoso. Gostei de como me senti ao término na leitura, da boa sensação de ter estado e me envolvido com aquela criança que cresceu sem saber quem era, apreensiva, atormentada pelas incertezas, mas que se viu forte e cheia de esperança de dias melhores. Um bom livro, certamente.

4 corações 3.5 Estrelas


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Sinopse: O Voo da Libélula – Agraciado com 4 prêmios na França, entre os quais o Prix Maison de la Presse e o Prix du Roman Populaire, O voo da libélula teve seus direitos vendidos para 25 países e ganhará uma adaptação cinematográfica.

Na noite de 23 de dezembro de 1980, um avião cai na fronteira entre a França e a Suíça, deixando apenas uma sobrevivente: uma bebê de 3 meses. Porém, havia duas meninas no voo, e cria-se o embate entre duas famílias, uma rica e uma pobre, pelo reconhecimento da paternidade.

Numa época em que não existiam exames de DNA, o julgamento estende-se por muito tempo, mobilizando todo o país. Seria a menina Lyse-Rose ou Émilie? Mesmo após o veredicto do tribunal, ainda pairam muitas dúvidas sobre o caso, e uma das famílias resolve contratar Crédule Grand-Duc, um detetive particular, para descobrir a verdade.

Dezoito anos depois, destroçado pelo fracasso e no limite entre a loucura e a lucidez, Grand-Duc envia o diário das investigações para a sobrevivente Lylie e decide tirar a própria vida. No momento em que vai puxar o gatilho, o detetive descobre um segredo que muda tudo. Porém, antes que possa revelar a solução do caso, ele é assassinado.

Após ler o diário, Lylie fica transtornada e desaparece, deixando o caderno com seu irmão, que precisará usar toda a sua inteligência para resolver um mistério cheio de camadas e reviravoltas.

Em O voo da libélula, o leitor é guiado pela escrita do detetive enquanto acompanha a angustiada busca de uma garota por sua identidade.

Insidious, Aleatha Romig

INSIDIOUS Aleatha Romig

Autora: Aleatha Romig
Suspense / Dark / Thriller Psicológico
Editora: Romig Works
Páginas: 314
Ano: 2014

 

Meu primeiro contato com a autora Aleatha Romig foi em Consequences (ver aqui), uma série incrível, 5 estrelas, cheia de reviravoltas espetaculares, que logo se tornou uma queridinha. Desde então, espero ansiosamente por um novo livro seu.

Problema? Grandes expectativas!

Insidious conta a história de Victoria, uma jovem que se viu obrigada a se casar com o todo poderoso Stewart Harrington, mas não tinha ideia do submundo que entraria. Com o passar dos anos, ao ver toda a escuridão em que sua vida se transformara, Victoria começa a traçar um plano de vingança contra aqueles que lhe fizeram mal, só não contava com as inúmeras revelações que a faria repensar seus atos e desconfiar de tudo e de todos.

É uma trama cheia de mistérios sombrios e segredos obscuros que, a princípio, me lembrou Consequences. Eu cheguei até a associar os personagens das duas histórias: Victoria seria uma Claire; Stewart, um Tony; Lisa, Catherine; Brody, Harry. Até os 40% da leitura pensei se tratar de um livro feito especialmente para as amantes de Consequences, até que a autora se distanciou da sua obra prima (completamente).

Coincidentemente, foi a partir daí que a história começou a desandar. Desandar talvez não seja a melhor palavra, mas digamos que a “sujeira” que ela criou foi tão grande, tão complexa, tão… suja, que ficou tudo meio embaralhado e confuso, por vezes até repetitivo, como se ela soubesse (ou achasse) que precisava frisar tais detalhes para que o leitor não se perdesse.

É difícil categorizar os livros de Aleatha Romig, mas Insidious seria o que chamamos de dark romance – bem mais dark do que romance, na verdade. Nada é bonitinho, não tem palavras delicadas ou românticas, é tudo muito vulgar, embora a estrutura da narrativa seja boa.

A história é contada em primeira pessoa, com capítulos que se alternam entre passado e presente. O melhor do livro é, sem dúvida, a capacidade que ele tem de prender a atenção do leitor, exatamente como seus livros anteriores. É impossível parar de ler, é impossível não criar teorias ou não ter medo de torcer por alguém que possa vir a ser um vilão.

O final é bem apressado e deixa muitas questões sem respostas. O que parecia impossível de ser resolvido, puft, resolveu-se. Nem parecia com a Aleatha perfeitinha que conheci em Consequences.

A proposta do livro é até interessante, mas a autora deixou muitas pontas soltas. Da metade pro fim, os altos e baixos me deixaram em dúvida: uma, duas, três estrelas?! E o final me deixou sem reação, com um “an? Como assim?” na cabeça. Confesso que precisei ler algumas vezes para ver se tinha entendido bem. Quem for ler, não espere nada à altura de Consequences, pois Insidious está bem aquém. Ah, e nem deixe que aflore seu lado mais romântico, pois irá se decepcionar.

 

2 corações 2 Estrelas

 

Sinopse: Dark desires…Deadly secrets…Devious deceptions…Nothing is exactly as it seems in INSIDIOUS, the new erotic thriller from New York Times and USA Today bestselling author Aleatha Romig.

When a powerful man is willing to risk everything for his own satisfaction, only one woman can beat him at his own game: his wife. Or so she thinks…

“Let’s start with you calling me Stewart. Formalities seem unnecessary.”

Stewart Harrington is rich, gorgeous, and one of the most powerful men in Miami. He always gets what he wants. Anything is available to him for the right price.

Even me.

Being the wife of a mogul comes with all the perks, but being Mrs. Stewart Harrington comes with a few special requirements. I’ve learned to keep a part of myself locked away as my husband watches me submit to his needs. But the more he demands of me, the more beguiled he becomes and that’s to my advantage. So I keep fulfilling his fantasies and following his rules because he doesn’t know that what he’s playing is really my game. And winning is everything, right?

Insidious is a stand-alone novel and the first Tales from the Dark Side title. Due to the dark and explicit nature of this book, it is recommended for mature audiences only

Reviving Izabel ‘O Retorno de Izabel’ (Na Companhia de Assassinos #2), J. A. Redmerski

Reviving Izabel #2

 

Autora: J. A. Redmerski
Suspense / Romance / Thriller
Editora: Kindle Edition
Páginas: 373
Ano: 2013
Série: Na Companhia de Assassinos – #2

Obs.: A edição brasileira já tem título, O Retorno de Izabel, e previsão de publicação para Julho 2015. Veja a capa brasileira no final da resenha. 

Essa resenha contém spoilers do livro 1, A Morte de Sarai, portanto, se ainda não o leu, melhor não continuar 😉


 

A Morte de Sarai termina com um final satisfatório, talvez não o mais romântico ou ideal, mas, ainda assim, satisfatório e verossímil. Todavia, admito que deixa o leitor curioso, querendo saber o que acontece dali em diante e terminamos correndo para o segundo livro com altas expectativas. Eis o problema! O primeiro livro é muito bom, me deixou tensa do começo ao fim, completamente presa e super ansiosa, no entanto, sua continuação é cheia de altos e baixos. Ora lhe prende, ora lhe entedia.

O Retorno de Izabel começa um tempo depois do término de A morte de Sarai, e vemos nossa protagonista com uma sede de vingança, querendo planejar e cometer um assassinato sozinha. Sozinha! Por mais que Sarai não tenha medo de matar ou morrer, é inexperiente e termina se metendo em encrenca, atraindo mais vilões do que poderia imaginar. Porém, isso também atrai de volta Victor, que terá que decidir se treina Sarai como ela deseja e permanece ao seu lado ou se a convence a viver uma vida normal. Niklas e Fredrik também reaparecem, mas não sabemos mais em quem confiar – se é que podemos confiar em alguém.

O começo da história me irritou um pouco, com uma Sarai mais imatura do que pude imaginar, fazendo algumas burradas que me tiraram do sério. A trama só volta a entrar nos eixos quando Victor reaparece, trazendo consigo Fredrik, um personagem instigante e cheio de mistérios.

Assim como no livro 1, a autora continua com uma narrativa que parece mais um roteiro de filme, embora aqui isso tenha me incomodado um pouco. Talvez eu não saiba bem apontar as diferenças, mas é como se aqui ela descrevesse demasiadamente os passos dos personagens. Descrições são interessantes, mas ações óbvias demais que não acrescentam muito devem ser bem mensuradas para não encher o livro desnecessariamente.

Talvez a autora tivesse concluído melhor a história de Victor e Sarai ‘Izabel’ se acrescentasse mais umas 100 páginas ao primeiro livro, e não criando um segundo volume. Há trechos bem repetitivos, muitos “diálogos internos”, como se a autora sentisse a necessidade de esmiuçar demais, explicar demais tudo para o leitor, supondo que ele ainda não tivesse entendido seu raciocínio – quando na verdade tudo já tinha ficado bem claro.

Até os 85% a leitura é ora empolgante, ora previsível e comum. É quando a autora, tcham ram!, enfim me surpreende!! Ufa! Daquele trecho em diante ela fez valer a leitura e me reconquistou. Sabe quando você está arriando na cadeira, sonolenta, quase fechando os olhos e de repente algo lhe desperta completamente? Yeah!

Não é tão fascinante quanto o primeiro, mas ainda assim é uma leitura que vale a pena e foge do trivial. Confesso que Sarai perdeu uns pontinhos e ficou atrás de Victor e Fredrik na minha lista de personagens favoritos, mas o saldo ainda foi positivo. Se lerei o próximo livro? Não tenho dúvida, afinal, é sobre ninguém menos que o misterioso Fredrik. Estou ansiosíssima! 😉

 

3.5 corações 3.5 Estrelas

 

Capa brasileira de Reviving Izabel - O Retorno de Izabel - que será publicado pela Suma de Letras ainda esse ano.

Capa brasileira de Reviving Izabel ‘O Retorno de Izabel’ – que será publicado pela Suma de Letras ainda esse ano.

 

  • Ordem de leitura:

#1 – A Morte de Sarai (Resenha aqui)

#2 – Reviving Izabel (a ser publicado no Brasil em Julho 2015)

#3 – The Swan & the Jackal

#4 – Seeds of Iniquity

#5 – The Black Wolf (ainda sem capa)

 

Sinopse – Reviving Izabel: Determined to live a dark life in the company of the assassin who freed her from bondage, Sarai sets out on her own to settle a score with an evil sadist. Unskilled and untrained in the art of killing, the events that unfold leave her hanging precariously on the edge of death when nothing goes as planned.

Sarai’s reckless choices send her on a path she knows she can never turn back from and so she presents Victor with an ultimatum: help her become more like him and give her a fighting chance, or she’ll do it alone no matter the consequences. Knowing that Sarai cannot become what she wants to be overnight, Victor begins to train her and inevitably their complicated relationship heats up.

As Arthur Hamburg’s right-hand man, Willem Stephens, closes in on his crusade to destroy Sarai, she is left with the crushing realization that she may have bitten off more than she can chew. But Sarai, taking on the new and improved role of Izabel Seyfried, still has a set of deadly skills of her own that will prove to be all she needs to secure her place beside Victor.

But there is one test that Izabel must face that has the potential to destroy everything she is working so hard to achieve. One final test that will not only make her question her decision to want this dangerous life, but will make her question everything she has come to trust about Victor Faust.

 

A Morte de Sarai (Na Companhia de Assassinos #1), J. A. Redmerski

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Autora: J. A. Redmerski
Suspense / Romance / Thriller
Editora: Suma de Letras
Páginas: 255
Ano: 2015
Série: Na Companhia de Assassinos – #1

 

Por que eu não li esse livro antes? Porque a sinopse me enganou! Ou melhor, eu a interpretei errado. Por mais que minhas amigas o recomendassem, eu achava que o tema não me agradaria. Tráfico de mulheres? México? Não queria nada disso. Até que ele finalmente foi lançado no Brasil e resolvi dar uma chance…e WOW! Muito melhor – e mais diferente – do que eu poderia imaginar!

Se você vai ler A Morte de Sarai, esqueça o mocinho e a mocinha, esqueça o politicamente correto, esqueça o romance tradicional, pegue a pipoca, sente-se em uma poltrona confortável e prepare-se para ler um filme. Isso!, não escrevi errado, essa leitura foi o mais próximo de um filme que algumas páginas já me levaram. A Morte de Sarai é visual, em câmera rápida, sem tempo para respirar ou pensar demais, é acelerado, como um filme de ação.

Sarai era uma adolescente americana comum, até ser levada, aos 14 anos, por sua mãe para viver no México ao lado de Javier, um poderoso chefão do tráfico de drogas e de mulheres. Javier, que apaixonou-se pela menina, a mantém presa em cativeiro desde que sua mãe morreu. Há 9 anos trancada no meio do nada, Sarai nem sabe mais o que é ter uma vida normal, nem vê a chance de escapar viva daquele local, até que um americano aparece e lhe inspira uma certa confiança. Vitor é um assassino de aluguel, uma pessoa treinada para matar desde cedo, mas pode ser a chance de liberdade que Sarai tanto esperou. Será?

Sim, não tem mocinhos, heróis ou heroínas – ao menos não da maneira tradicional. Tem personagens cheios de dor, maltratados pela vida desde muito cedo, moldados por circunstâncias obscuras, que reagem de forma diferente das pessoas comuns às situações que lhes são impostas.

A excelente caracterização dos dois protagonistas é, sem dúvidas, o ponto alto dessa história. Parece que cada ato deles se encaixa perfeitamente em suas personalidades, por mais inverossímel que possa parecer. A autora os estruturou tão bem que tudo se torna crível e possível, que passamos a reagir como eles, a pensar como eles. Parece estranho, mas me afeiçoei a um assassino e a uma garota com um esquisito instinto de sobrevivência que mais parece um desejo de morrer.

A narrativa é em primeira pessoa, com os capítulos alternando entre os pontos de vista de Sarai e Vitor. A escrita é bem comum, mas só pode ter algum pó mágico que faz com que devoremos as páginas sem sentir.

Tal qual um filme de ação, A Morte de Sarai não é um livro que, Oh!, vai mudar a vida de alguém ou trazer reflexões profundas. É um livro de entretenimento maravilhoso, um suspense de tirar o fôlego, que lhe prende, lhe sufoca e lhe curiosa e tensa.

A sensação que tenho é de que a autora escreveu uma história, que geralmente teria o público masculino como alvo, com elementos que agradam e atraem mais as mulheres que os homens. Ela insere uma pitada de romance, de sentimento, de sensibilidade e redenção em meio a matança, fugas e planos de ação.

Para os que tem medo de ser uma leitura pesada – afinal, lida com tráfico de mulheres – digo que não é, pelo menos não como eu esperava. (Tampouco é um Julia Quinn, hein! rs) O tráfico existe, mas não é o foco da história. A Morte de Sarai fala mais da sobrevivência de uma garota que foi exposta à brutalidade e da sua adaptação em um mundo comum, se é que ela pode – e sabe – voltar a ser alguém comum.

A autora me ganhou pela surpresa, por uma certa originalidade, por escrever um romance diferente, com personagens incomuns, mas cativantes. J. A. Redmerski já havia me conquistado no seu livro Entre o agora e nunca, mas tinha me decepcionado bastante em Entre o agora e o sempre. Bem, fizemos as pazes aqui e quero ler toda a sequência, sem dúvidas.

Se você gosta de um thriller com um toque de romance, não hesite em ler esse aqui. Se você se acha romântica demais para ele, eu sugiro que tente – certamente irá se surpreender!!

E que venham os próximos! Estou preparada – e ansiosa!

 

5 corações

4 Estrelas

a morte de sarai capa

Sinopse: A Morte de Sarai – A autora do best-seller de “Entre o agora e o nunca” e “Entre o agora e o sempre” traz uma história de paixão e sobrevivência.

Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte. 

Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo. 

Em “A morte de Sarai”, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender àquele homem misterioso para sempre.

 

  • O primeiro livro foi publicado esse mês no Brasil, mas já temos 4 livros em inglês e mais 1 para ser lançado esse ano, segundo o GR. Segue a ordem de leitura:

#1 – A Morte de Sarai 

#2 – Reviving Izabel 

#3 – The Swan & the Jackal

#4 – Seeds of Iniquity

#5 – The Black Wolf (ainda sem capa)

Reviving Izabel #2 The Swan & the Jackal #3Seeds of Iniquity #4

Criança 44, Tom Rob Smith

criança 44

 

Autor: Tom Rob Smith
Suspense / Ficção Histórica
Editora: Record
Páginas: 434
Ano: 2008

 

Criança 44 estava na minha lista de leitura há muito tempo, mas sempre ficava para trás, até que foi sorteado como o livro do mês para o debate de um grupo de leitores do qual participo. É um suspense, não costumo ler muitos livros assim, mas o fato de ser ambientado no terrível pós-guerra stalinista despertou meu interesse.

Tom Rob Smith ambienta seu romance na opressora União Soviética de 1953 e nos conta a história de Liev Demidov, um agente da MGB, departamento de Segurança do Estado, que acreditava piamente no sistema stalinista. Por mais cruel e brutal que fossem, Liev apoiava sempre todas as “desculpas” do sistema, as “verdades” irrefutáveis, acreditava que os meios justificavam os fins e que tudo era um prol de uma sociedade igualitária.

Na bela sociedade soviética não existia assassinato, não existia infelicidade ou falta de qualquer suprimento. Se havia alguma morte, certamente tinha sido um acidente e nenhum cidadão ousava discordar. O medo calava a todos, ninguém nunca via nem ouvia nada. Eis que um dia um menino aparece morto nos trilhos de uma ferrovia e a família, desconfiada de que a criança fora assassinada, precisava ser silenciada. Liev fica incumbido de convencê-los de que tudo não passou de um acidente, mas, mesmo com toda sua cegueira em relação ao Estado, uma semente de desconfiança é plantada no respeitado agente.

Aos poucos, com o aparecimento de outras vítimas com morte semelhante, Liev passa a investigar os possíveis assassinatos em série, o que colocará a sua vida – e de sua família – em risco. Diante de tanta desumanidade, em quem confiar? Pode confiar na sua esposa, Raíssa Demidov? Quem é amigo e quem é inimigo? Quem fala a verdade?

O livro é narrado em 3ª pessoa e nos apresenta a barbárie da União Soviética do pós-guerra de forma crua. Entramos em um mundo frio, sem piedade, cruel e injusto, onde uns poucos da elite do Governo usufruem de regalias e mordomias e a maioria da população vive oprimida e marginalizada. Quanto mais leio histórias sobre o comunismo, mais nojo tenho do sistema. É duro imaginar que os cenários que vemos aqui um dia existiram e isso nos faz refletir sobre o mundo em que vivemos hoje, o quanto ainda precisamos evoluir ou se às vezes estamos retrocedendo alguns passos. Leituras como essa precisam estar sempre vivas, sempre presentes, para não nos deixar esquecer das atrocidades cometidas no passado e, assim, nos fazer pensar e tentar não permitir que tudo se repita.

Minhas expectativas em relação a essa leitura eram bem altas. Todo mundo havia amado, as recomendações eram muitas e os elogios, infinitos. Tinha acabado de ler Inverno do Mundo, de Ken Follett, uma ficção histórica riquíssima em detalhes, que se passa na Segunda Guerra Mundial e também entra um pouco no pós-guerra. Ou seja, eu vinha praticamente do mesmo ambiente escolhido por Tom Rob Smith. Vinha de uma leitura 5 estrelas e, portanto, demorei a gostar da trama de Smith, demorei a confiar em suas informações.

Por melhor que fosse a narrativa, não me via encantada pelos personagens, não me via dentro da história, nem entendia muito qual era a do autor. Parecia um bloqueio, um preconceito, como se naquelas primeiras duzentas páginas eu já tivesse decidido que não ia gostar do livro e pronto. Só não abandonei porque fui encorajada a continuar – e que bom que o fiz! A segunda metade do livro conseguiu, finalmente, me sugar.

Comecei a entender e a gostar da caracterização dos personagens, comecei a querer saber o que tinha acontecido e o que aconteceria, quem era quem, o que queriam e o porquê de seus atos. Finalmente dei meu braço a torcer e aplaudi a trama que o autor criou. A narrativa é muito bem estruturada, por mais que só percebamos isso nas últimas cem páginas. Os personagens passam de apáticos a carismáticos, de incompreensíveis a coerentes.

Em uma avaliação final, a leitura vale a pena e deixa um gostinho de quero mais. Honestamente, não saberia recomendá-lo para os fãs de suspense, uma vez que só me vi tensa nos últimos 30% da leitura. Para quem gosta de ficção histórica e de livros com jeito de script de filme é imperdível.

3 corações 4 Estrelas
criança 44 tom rob smith

  • O autor lançou mais dois livros protagonizados por Liev Demidov: O Discurso Secreto (2010) e Agente 6 (2013).
  • Criança 44 foi adaptado para o cinema e o lançamento no Brasil está marcado para maio deste ano. Os protagonistas serão interpretados pelos atores Tom Hardy e Noome Rapace. O trailer está incrível e dá a impressão de que teremos um filme tão bom quanto o livro. 

 

Sinopse: Tom Rob Smith leva o leitor à opressora Rússia de Stalin. Quando o corpo de um menino é encontrado sobre os trilhos de uma ferrovia, o agente Liev Demidov se surpreende ao saber que a família do garoto está convencida de que se trata de assassinato. Os superiores do oficial lhe dão ordens de ignorar o assunto, mas ele está determinado a encontrar a verdade por trás do terrível crime.