A Garota no Trem, Paula Hawkins

a garota no trem paula hawkins

 

 

 

Autora: Paula Hawkins
Drama / Thriller Psicológico
Editora: Record
Páginas: 378
Ano: 2015

 

Quando eu soube que A Garota no Trem seria lançado esse mês no Brasil, não pensei duas vezes, larguei minha “organizada” lista e comecei a leitura. Ele fora lançado em inglês no início do ano e rapidamente viralizou no mundo inteiro. Com altas expectativas, fui conferir o que tinha de tão fenomenal nessa história.

Rachel, a garota no trem, faz todos os dias, no mesmo horário, o trajeto de Ashbury para Londres. Nesse percurso, quando o trem para em um sinal vermelho, Rachel olha as casas, em especial a de número 15. Lá observa, imagina e romantiza a vida de um casal, até que, certo dia, vê algo que a surpreende e a deixa atônita. Dias depois, descobre que Megan, que na sua cabeça se chamava Jess, está desaparecida e resolve ir à polícia contar o que sabe. Com isso, termina se metendo mais do que deveria nesse caso e na vida de gente que ela só via pela janela do trem.

Chamam de thriller psicológico, de livro de mistério, de suspense. Para mim, é um drama sem tirar nem pôr. Sim, tem um mistério, um quem-é-o-culpado, um o-que-aconteceu, mas acima de tudo está o drama de uma mulher sem forças para se reerguer, que encontra na bebida algumas horas de, não diria felicidade, mas de esquecimento.

Rachel é uma personagem incrível, muito bem construída, por mais fraca e digna de pena que seja. Confesso que todo aquele desleixo me deu agonia e vontade de lhe estapear para ver se acordava, se resolvia viver. Os demais personagens também são muito bons e bem verossímeis. Alguns me deram raiva, outros me enganaram.

Em meio a tantas narrativas comuns, lineares e sem dinamismo, A Garota no Trem se destaca com um texto excelente e meio fragmentado, escrito em primeira pessoa, alternando o ponto de vista entre três personagens. Começa bem lento, mas logo me fez entrar naquele espiral meio alucinatório, me deixou zonza, como se a personagem tagarelasse muita coisa ao mesmo tempo e eu precisasse ler aquelas linhas em velocidade alta ou como se eu estivesse tão embriagada quanto ela.

No início, como não havia lido a sinopse, não tinha ideia de qual era a da autora, que história ela queria contar, fiquei completamente às cegas. Demora um pouco para “acontecer” algo e a partir daí é difícil largar o livro. A autora tinha margem para terminar a história de diversas maneiras, todos podiam ser culpados. Suspeitei até da minha sombra! E, no final, gostei bastante do caminho escolhido.

A autora foi além do simples mistério. Fez-nos vivenciar a difícil luta de uma alcoólatra, nos deu uma mostra da vida de uma mulher em depressão, de alguém que se anula e projeta sua felicidade na felicidade dos outros, de alguém sem perspectivas, que acha que a vida dos outros é maravilhosa, que ninguém tem problemas, que a grama do vizinho é sempre mais verde. E nos prova que nem tudo é o que parece.

Fiquei pensando bastante com quantas estrelas o avaliaria. Por um lado, merece alguns aplausos. Por outro, é tão depressivo do começo ao fim que tira um pouco o prazer da leitura. Mas, sem dúvidas, é um livro que vale muito a pena.

4 corações
IMG_9828-0

IMG_9735

Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

Insidious, Aleatha Romig

INSIDIOUS Aleatha Romig

Autora: Aleatha Romig
Suspense / Dark / Thriller Psicológico
Editora: Romig Works
Páginas: 314
Ano: 2014

 

Meu primeiro contato com a autora Aleatha Romig foi em Consequences (ver aqui), uma série incrível, 5 estrelas, cheia de reviravoltas espetaculares, que logo se tornou uma queridinha. Desde então, espero ansiosamente por um novo livro seu.

Problema? Grandes expectativas!

Insidious conta a história de Victoria, uma jovem que se viu obrigada a se casar com o todo poderoso Stewart Harrington, mas não tinha ideia do submundo que entraria. Com o passar dos anos, ao ver toda a escuridão em que sua vida se transformara, Victoria começa a traçar um plano de vingança contra aqueles que lhe fizeram mal, só não contava com as inúmeras revelações que a faria repensar seus atos e desconfiar de tudo e de todos.

É uma trama cheia de mistérios sombrios e segredos obscuros que, a princípio, me lembrou Consequences. Eu cheguei até a associar os personagens das duas histórias: Victoria seria uma Claire; Stewart, um Tony; Lisa, Catherine; Brody, Harry. Até os 40% da leitura pensei se tratar de um livro feito especialmente para as amantes de Consequences, até que a autora se distanciou da sua obra prima (completamente).

Coincidentemente, foi a partir daí que a história começou a desandar. Desandar talvez não seja a melhor palavra, mas digamos que a “sujeira” que ela criou foi tão grande, tão complexa, tão… suja, que ficou tudo meio embaralhado e confuso, por vezes até repetitivo, como se ela soubesse (ou achasse) que precisava frisar tais detalhes para que o leitor não se perdesse.

É difícil categorizar os livros de Aleatha Romig, mas Insidious seria o que chamamos de dark romance – bem mais dark do que romance, na verdade. Nada é bonitinho, não tem palavras delicadas ou românticas, é tudo muito vulgar, embora a estrutura da narrativa seja boa.

A história é contada em primeira pessoa, com capítulos que se alternam entre passado e presente. O melhor do livro é, sem dúvida, a capacidade que ele tem de prender a atenção do leitor, exatamente como seus livros anteriores. É impossível parar de ler, é impossível não criar teorias ou não ter medo de torcer por alguém que possa vir a ser um vilão.

O final é bem apressado e deixa muitas questões sem respostas. O que parecia impossível de ser resolvido, puft, resolveu-se. Nem parecia com a Aleatha perfeitinha que conheci em Consequences.

A proposta do livro é até interessante, mas a autora deixou muitas pontas soltas. Da metade pro fim, os altos e baixos me deixaram em dúvida: uma, duas, três estrelas?! E o final me deixou sem reação, com um “an? Como assim?” na cabeça. Confesso que precisei ler algumas vezes para ver se tinha entendido bem. Quem for ler, não espere nada à altura de Consequences, pois Insidious está bem aquém. Ah, e nem deixe que aflore seu lado mais romântico, pois irá se decepcionar.

 

2 corações 2 Estrelas

 

Sinopse: Dark desires…Deadly secrets…Devious deceptions…Nothing is exactly as it seems in INSIDIOUS, the new erotic thriller from New York Times and USA Today bestselling author Aleatha Romig.

When a powerful man is willing to risk everything for his own satisfaction, only one woman can beat him at his own game: his wife. Or so she thinks…

“Let’s start with you calling me Stewart. Formalities seem unnecessary.”

Stewart Harrington is rich, gorgeous, and one of the most powerful men in Miami. He always gets what he wants. Anything is available to him for the right price.

Even me.

Being the wife of a mogul comes with all the perks, but being Mrs. Stewart Harrington comes with a few special requirements. I’ve learned to keep a part of myself locked away as my husband watches me submit to his needs. But the more he demands of me, the more beguiled he becomes and that’s to my advantage. So I keep fulfilling his fantasies and following his rules because he doesn’t know that what he’s playing is really my game. And winning is everything, right?

Insidious is a stand-alone novel and the first Tales from the Dark Side title. Due to the dark and explicit nature of this book, it is recommended for mature audiences only

Consequences: Consequences, Truth, Convicted – Aleatha Romig

Li a trilogia Consequences, da autora Aleatha Romig, no início de 2014 e ela entrou, sem dúvidas, na minha lista de melhores do ano. São livros tão cheios de reviravoltas que precisamos comentar com alguém, gritar, desabafar… não foi à toa que insisti para que algumas amigas lessem. Eu quis torturá-las, admito! Como prometido, vou colocar aqui as resenhas tal qual as escrevi quando terminei a leitura.

Consequences (Consequences #1)

 

consequences

 

 

 

Autor: Aleatha Romig
Thriller Psicológico / Dark Romance
Editora: Romig Works
Páginas: 372
Ano: 2011

 

Que essa resenha vai ser a mais confusa que já escrevi é a única certeza que tenho no momento. Uma hora da madrugada e eu penso “não tenho condições de digerir o que acabo de ler, preciso me recompor e amanhã escrevo meu comentário”. Mas, ora bolas, PERDI MEU SONO!

Consequences aparecia há um bom tempo na minha lista de recomendações do GoodReads e sua classificação bem alta chamou a minha atenção. No entanto, vi que alguns leitores haviam usado a tag “erotica” para classificá-lo e cansada de “mais do mesmo” no gênero deixei a recomendação de lado até poucos dias atrás. Então, devo esclarecer, esse livro NÃO é erótico e me pergunto se quem pensa assim leu todas as páginas dessa história. Provavelmente, não.

É o primeiro livro de uma trilogia (há mais livros, mas são apenas pontos de vistas e outras explicações) e conta a história de Claire Nichols, uma meiga e doce bartender que sonhava com sua carreira de meteorologista até ser brutalmente raptada pelo mega milionário Anthony Rawlings. Claire acorda em um quarto luxuoso na mansão de Anthony e para sobreviver vai ter que seguir suas duras regras. Anthony a faz acreditar que eles têm um acordo: ele assumiu suas dívidas e quando considerar que estão pagas, ela terá sua liberdade de volta, mas, para isso, precisa se comportar e ser treinada.

Esse livro me prendeu de uma forma absurda desde as primeiras páginas e mesmo quando eu pausava e fazia qualquer outra atividade, meus pensamentos continuavam nele.

Claire começa a desenvolver a Síndrome de Estocolmo e se o leitor não tiver um perfeito entendimento de tal, não compreenderá suas atitudes nem suportará essa personagem, que foi a criatura mais submissa e obediente de tudo que já li e se você detesta personagens submissas é provável que não consiga chegar ao final (de tirar o fôlego) dessa história e, assim sendo, não vai entender nada. NADA! Por isso, repito, tenha em mente os sintomas da síndrome, não questione o porquê de Claire não tentar fugir e, aconteça o que acontecer, chegue até a última página.

Síndrome de Estocolmo “é uma síndrome na qual as vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência. Pequenos gestos gentis por parte dos raptores são frequentemente amplificados […]. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos raptores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.”

Existe abuso? Sim. Talvez se eu tivesse lido a sinopse eu não teria lido esse livro, como fiz com tantos outros com o mesmo tema. Mas se esse é seu medo, devo dizer que a autora fez tudo muito tolerável. As cenas existem, estão ali, mas não são gráficas, não são detalhadas e, portanto, suportáveis.

Claire se viu ora apaixonada por Anthony, ora com ódio, mas sempre submissa. Sempre. Os pequenos gestos bondosos de Tony eram recebidos com um brilho no olhar e ela tentava botá-los sempre antes dos pontos negativos – que não eram poucos. Existem momentos “mágicos” nesse livro que deixam o leitor sorrindo até que você para e se pergunta “o quê?! Por que estou torcendo por ele? Por que quero ajudar esse psicopata? Por que quero pensar que ele pode ser uma boa pessoa?”. Sim, caro colega, somos acometidos pela síndrome tanto quanto a Claire. A autora maestralmente manipula nossa mente, torce, esgana, esgaça e espreme até você querer gritar e correr para o psicólogo mais próximo. Sim, há momentos em que você se vê apaixonada por um raptor e isso requer tratamento, não? Em outros você o repudia com todas as suas forças. Arghh…torturante!

Apesar do espiral de sensações, a leitura é fluida até os 50% do livro. A partir daí fica um pouco mecânica e repetitiva, mas dos 80% em diante tudo se explica – ou se complica – e a tensão do início parece boba se comparada a desses 20% finais. O coração acelera, palpita, lateja; a respiração falha, falta, sufoca; tudo desaba, tudo.

Nunca, nunca!, eu imaginaria um final desses e nada poderia ter me preparado para tal. As peças começam a se encaixar e todos os momentos vividos tem algum significado. É um thriller psicológico dramático de enlouquecer qualquer um. Não tenho como colocar em palavras a raiva que senti de um dos personagens ao terminar esse livro. Muita, muita raiva. O que? Como? Não! WTF! WTF! WTF! What the fuck!!. Ao passo que tudo se mexia dentro de mim, eu pensava “Que autora genial! Que desfecho de tirar o fôlego!”.

Consequences mexe tanto com o leitor que é difícil recomendá-lo, mas é tão genial que é mais difícil ainda não o fazer. Classificá-lo é ainda mais complicado, mas uma coisa é certa, se for ler, repito, chegue até a última página, caso contrário vai achar que se trata de um reconto da Bela e a Fera, e não, isso não é um conto de fadas.

5 corações 5 Estrelas

 

Truth (Consequences #2)

truth

 

AUTOR: ALEATHA ROMIG
THRILLER PSICOLÓGICO / DARK ROMANCE
EDITORA: ROMIG WORKS
PÁGINAS: 480
ANO: 2012

 

Assim como Consequences, Truth deveria vir com acompanhamento psicológico incluso. Esses livros, um tanto incomuns, manipulam sua mente e mexem com seus conceitos e convicções de tal forma que você mal se reconhece. Você pode amar ou odiar essa história e seus personagens, mas jamais ser indiferente. Sim, eu fui das que amei (e é preciso um pouco de coragem para dizer isso, rs), no entanto, entendo bem os motivos dos que não a suportaram.

Contém, inevitavelmente, spoilers do primeiro livro, Consequences. Se não leu o primeiro livro, pare por aqui 😉 

Terminamos Consequences enfurecidos, clamando por vingança e querendo que Anthony Rawlings apodreça na cadeia e pague por todos os seus erros. Queremos ver Claire se vingar, seguir em frente, encontrar o emprego dos seus sonhos e um novo amor. Mas…digamos, essa história não é tão previsível assim.

Truth começa pouco mais de um ano após a prisão de Claire, com o pedido (misterioso) de perdão aceito pelo Governador de Iowa. Perdoada, ela tenta seguir em frente e refazer sua vida, com novos amigos e novos ares, longe da perseguição e da loucura de seu ex-marido. Harry e Amber aparecem na vida de Claire dispostos a lhe ajudar, mas são tão perfeitos que eu me perguntava se alguma surpresa me aguardava nas páginas seguintes.

Harry, oh! (pausa para um suspiro), é o melhor “amigo” que alguém poderia querer, mas…(e é aqui que preciso do psicólogo) apesar de ter me conquistado e eu ter querido que ele e Claire se envolvessem, não era por ele que eu torcia. Pode um leitor em sã consciência querer que o raptor que abusou Claire física e sexualmente se torne uma boa pessoa? Arghhh… Sim, eu quis que o Tony se transformasse, mudasse, aprendesse a amar, se arrependesse, se rendesse. Talvez eu seja uma amante das “causas perdidas” (na literatura, que fique claro!), dos badboys durões que relutam em se apaixonar, dos homens poderosos que terminam vulneráveis, perdidos de amor. Mas como esquecer tudo que ele fez? Arghhh…impossível? É uma luta constante entre o amor e o ódio.

Pode alguém que nunca foi amado aprender a amar?

Conhecemos mais do passado de Tony, ou Anton, e por mais que nada justifique seu comportamento, nos ajuda a compreendê-lo um pouco, a entender seus sofrimentos e motivos, ainda que, repito, injustificáveis.

A história não tenta nos fazer esquecer o mal que Tony causou, nem fingir que ele nunca existiu. A questão é: pode Claire perdoar Tony e seguir em frente? Ou ainda, pode seguir em frente com ele? Perdoar implica em nunca cobrar do perdoado a dor, a dívida ou o sofrimento causado. Diante de um certo fato que acontece com Claire, como não entender sua decisão? Para os que a julgam, devemos lembrar que, sim, ela foi forte, resistiu, lutou e tentou até onde pôde. Do lado de cá das páginas é fácil pensar e agir com a razão, mas e do lado de lá e na situação em que ela se encontra?

“Perdoar é um dos mais nobres gestos de que é capaz o ser humano […] Quem sabe perdoar, praticamente atingiu a perfeição” (Pe. José Artulino Besen)

Que o devido crédito seja dado a essa autora, ela sabe como manter o leitor entretido, curioso e completamente dentro da trama. É daqueles livros que mesmo fora da leitura você se pega pensando na cena em que parou, com o coração apertado e uma sensação de que está vivendo aquilo. A leitura é cativante, apesar de nos dar a impressão de ser mais longa do que deveria. Admito que esperava um pouco mais, tendo em vista o primeiro livro, mas gostei do que li e de como a autora buscou sempre nos surpreender. Por mais que prevíssemos algo e pensássemos que já tínhamos resolvido as charadas, ela sempre nos trazia uma nova surpresa, um novo rumo, uma nova informação. Ela nos trouxe, inclusive, um vilão maior, o verdadeiro manipulador das peças desse jogo. Argh, e como eu não queria que fosse essa pessoa!

É provável que os capítulos que envolvem a personagem Sophia sejam importantes para o terceiro livro, mas aqui eles foram bem entediantes. Sophia e Derek não me prenderam nem um pouco.

Em contraponto, ver Tony “evoluindo”, tentando se controlar, se redimindo e se rendendo foi de aquecer o coração. A autora não o transforma em um anjo, nem tenta mudá-lo da noite para o dia, o que seria muito pouco plausível. As mudanças ocorrem paulatinamente e, não sem esforços, vemos Anthony lutando para ser menos controlador e tentar conquistar sua Claire.

Mal posso esperar para ler o desfecho dessa história, descobrir todos porquês e, apesar de já torcer para que Tony seja uma pessoa digna de perdão e de ser amada, espero que ele não me decepcione com nenhum erro, por menor que seja. Ele não pode ser menos que perfeito para que eu admita que, sim, merece a doce Claire, seu amor (e meu perdão!)

5 corações5 Estrelas

 

Convicted (Consequences #3)

convicted

 

 

AUTOR: ALEATHA ROMIG
THRILLER PSICOLÓGICO / DARK ROMANCE
EDITORA: ROMIG WORKS
PÁGINAS: 400
ANO: 2013

 

A série Consequences foi feita para aqueles que acreditam que as pessoas cometem erros – alguns gravíssimos, mas principalmente para aqueles que acreditam que essas pessoas podem mudar, se arrepender, pagar por seus deslizes e, um dia talvez, serem perdoadas. O terceiro livro, Convicted (Culpado), traz o desfecho – incrível – da história de Claire e Tony e fecha todas as lacunas abertas desde as primeiras páginas de Consequences. São três livros bem diferentes um do outro, cada um cheio de distintas e fortes sensações, que se completam perfeitamente.

Contém, inevitavelmente, spoilers dos dois primeiros livros, Consequences e Truth. Se ainda não os leu, melhor pular essa resenha 😉

Consequences nos apresentou aquele Anthony poderoso, amargo, cheio de ódio e vigantivo, um Anthony que nunca foi amado e não sabia o que era amar. A autora manipulou nossos sentimentos e brincou com o amor e o ódio; fez-nos detestarmos a nós mesmos por desejar que Tony, no fundo, fosse uma pessoa boa; e nos deu raiva, ó, céus, muita raiva. Então, o leitor entra em Truth querendo vingança, torcendo por uma Claire forte e racional. Conhecemos Harry e Amber, e quase até torcemos por Harry, quase. Verdades vêm à tona e temos um Tony mais dócil, um Tony que aprende a pedir perdão e que começa a entender as entrelinhas do amor. Existe um sonho que vai mudar todo o rumo da história – Oh! Pausa para um suspiro! A autora disponibilizou essa cena escrita pelos olhos de Anthony no GR e a preocupação que eu tinha dela não ter sido consensual evaporou em poucas linhas. O final de Truth, apesar de aceitável, foi um pouco esquisito, e só nesse terceiro livro o compreendemos.

O início de Convicted me deu medo. Mesmo. Muito. A história é reiniciada no ano de 2016 e o que lemos não é nada animador. Aliás, é apavorante. Ficamos curiosos para saber o que aconteceu para estarmos diante de tais fatos e seus porquês. A autora começa a intercalar cenas de 2016 com o “passado”. As verdades começam a surgir, as peças começam a se encaixar e, aos poucos, tudo vai se esclarecendo.

Em um determinado momento do livro, mesmo compreendendo as revelações feitas, eu tinha dúvidas (e receios) sobre como a autora faria para que o leitor perdoasse Tony por completo. Que explicações seriam plausíveis o suficiente para o que aconteceu no primeiro livro? E Aleatha Romig surpreendeu! Fez-nos perdoá-lo da melhor maneira possível. Alguns atos simplesmente não tem explicação ou justificativa aceitável, e o fato da autora não ter tentado inventar desculpas mirabolantes mereceu meu aplauso.

O que começou como um thriller psicológico fantástico termina como uma bela história de amor, de aprender a amar e ser amado. Como Tony saberia o que era o amor se nunca havia sido amado na vida? Se jamais tivera o carinho dos pais? Se seu maior exemplo era um avô arrogante e bruto? Claire, com sua doçura e seu amor incondicional, faz o coração de Tony derreter, faz com que ele queira ser uma pessoa melhor, digna e merecedora de seu carinho.

Ah, já ia me esquecendo de Meredith, como poderia?! Imaginem que ela foi fundamental nessa história. Meredith e Courtney nos trouxeram momentos en-can-ta-do-res nesse livro, dignos de verdadeiras amigas. Emily continuou me dando nos nervos. Arghh… E Sophia, não teve jeito, não me conquistou nem achei que merecesse tantos capítulos nesses dois últimos livros. Não posso deixar de mencionar Phil, também peça chave e não vou dizer se para o bem ou para o mal, para não tirar-lhes a graça. Harry e Amber, er…prefiro não comentar. Catherine, quem é ela mesmo?

Trilogia incrível, bem escrita, muitíssimo bem desenvolvida e sem pontas soltas. Uma trama perfeita, entre culpados e inocentes, entre o amor e o ódio, entre a vingança e o perdão.

É uma bela história de amor e de perdão, cheia de mistérios, dor, mentiras e arrependimentos, cheia de muros altos a serem escalados e de espinhos que machucam e fazem sangrar. Mas, além de tudo, é uma história que mostra que, sim, o amor pode mudar uma pessoa. O amor, sim, mudou o Tony como nunca imaginei que pudesse mudar.

5 corações5 Estrelas

Consequences-Series

A série fez tanto sucesso que a autora resolveu sair escrevendo mais outros tantos livros dentro dela. São livros contados pelo ponto de vista de Anthony e outras explicações (ou revelações?). Não senti necessidade alguma de ler mais do que os 3 livros principais, que já tem começo, meio e fim muito bem definidos. Aliás, não gosto quando os autores “se aproveitam” de uma história de sucesso e saem lançando mais um monte de “acréscimos”. No entanto, deixo aqui a ordem completa (e o apelo para só lerem os demais livros após os 3 principais, mesmo o #1.5 ou #2.5).

#1 – Consequences (2011)

#1.5 – Behind his eyes – POV de Anthony de Consequences (2014)

#2 – Truth (2012)

#2.5 – Behind his eyes – POV de Anthony de Truth (2014)

#3 – Convicted (2013)

#4 – Revealed – The Missing Years (2014)

#5 – Beyond the Consequences (2015)