Aladim (As mil e uma noites)

 

Autor: Desconhecido

Clássico / Contos

Editora: Zahar

Páginas: 144

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Comentários feitos a partir da leitura da edição de As mil e uma noites da Nova Fronteira, da versão de Antoine Galland. 

Com o lançamento da live-action de Aladdin, algumas editoras aproveitaram para lançar suas edições do conto milenar que serviu de inspiração para o filme da Disney. Lembrei, então, que eu tinha o livro d’As mil e uma noites, do qual Aladim faz parte, e comecei a leitura. ⠀

O início do conto é bem interessante e a história tem aquele tom que dá a sensação de estarmos ouvindo alguém narrando em voz alta enquanto lemos (Senti algo parecido com a leitura do Decamerão, de Boccaccio). Do meio pro final, no entanto, ela perde um pouco o ritmo, se torna um tanto repetitiva.⠀

Como já era de se esperar, as diferenças entre o conto e a versão da Disney são muitas. A Disney sempre dá um jeito de transformar essas histórias em românticos contos de fada [além de adaptá-las para crianças].⠀

Aqui não temos tapete mágico, nem a promessa de um mundo ideal, Aladim tem mãe, Jasmine se chama a princesa de Badrulbudur, não temos Abu, o gênio não tem graça alguma 🤷🏻‍♀️ e os desejos não são limitados a três, mas (tediosamente) infinitos.⠀

Sim, a história da Disney é mais envolvente e, eu diria, rica – e ainda tem a trilha sonora maravilhosa, mas vale, sim, a pena conhecer o conto original.

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Sinopse (Edição Zahar): A história que inspirou o novo filme da Disney agora na coleção Clássicos Zahar 

Aladim finalmente ganha uma merecida edição individual que oferece ao leitor toda a riqueza deste conto de As mil e uma noites, como narrado por Sherazade. 

Habitualmente retratada como simples aventura infantil, a história do adolescente rebelde que luta pelo amor da princesa e pela lâmpada mágica mostra-se aqui muito mais rica e complexa. 

Esta nova versão, organizada pelo estudioso Paulo Lemos Horta e traduzida para o português a partir da aclamada versão inglesa de Yasmine Seale, recupera detalhes, sutilezas e a força narrativa do original. Podemos ouvir a voz feminina e única de Sherazade hipnotizando o Sultão que ameaça matá-la quando a história acabar – mantendo-o assim à espera do episódio seguinte, tal como nós. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

 

Assassinato no Expresso do Oriente, Agatha Christie

 

 

Autora: Agatha Christie
Crime / Mistério / Lit. Inglesa
Editora: Harper Collins Brasil
Páginas: 200
Ano: 2014
Ano de Publicação Original: 1934

 

Li muito Agatha Christie na adolescência e eu lá com meus 11 anos me sentia a própria adulta carregando seus livros pra lá e pra cá. A rainha do crime me encantava! 💕 Com o tempo fui deixando a autora de lado, até que, no mês passado, vi o trailer da nova adaptação para o cinema de Assassinato no Expresso do Oriente, que eu lera há uns 20 anos, e fiquei com vontade de fazer uma releitura para ver se ainda me apaixonaria por seus mistérios.

Nessa história, Hercule Poirot embarca no Expresso do Oriente, um trem de luxo, que, devido a uma forte nevasca, precisa fazer uma parada no meio do caminho. É nesse meio-tempo que acontece um assassinato e, claro, o famoso detetive tenta desvendar quem, dentre os passageiros, cometeu tal crime.

Não à toa seus livros continuam a vender tanto. Assassinato no expresso do oriente é simples, sem ser bobo, tem bom vocabulário, é rico em personagens e prende bem o leitor. Confesso que tudo ficou um pouco aquém das lembranças de outrora, mas ainda assim uma boa leitura.

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Sinopse: Nada menos que um telegrama aguarda Hercule Poirot na recepção do hotel em que se hospedaria, na Turquia, requisitando seu retorno imediato a Londres. O detetive belga, então, embarca às pressas no Expresso do Oriente, inesperadamente lotado para aquela época do ano.

O trem expresso, porém, é detido a meio caminho da Iugoslávia por uma forte nevasca, e um passageiro com muitos inimigos é brutalmente assassinado durante a madrugada. Caberá a Poirot descobrir quem entre os passageiros teria sido capaz de tamanha atrocidade, antes que o criminoso volte a atacar ou escape de suas mãos.

O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger

Autor: J.D. Salinger

Clássico Moderno / Lit. Americana / 1001 livros

Editora: do Autor

Páginas: 251

Ano: 2015

Ano de Publicação Original: 1951

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O apanhador no campo de centeio, de Salinger, estava na minha lista de leitura há bastante tempo, mas eu sempre adiava na esperança de que lançassem uma edição menos feia e com um preço melhor. Terminei gastando quase 80 reais nessa edição em capa mole, sem arte, com péssima diagramação e páginas brancas, muitas falhas de revisão e uma tradução que pode não agradar a todos.⠀

Quando comecei a leitura, estranhei o linguajar vulgar e as gírias esquisitas. Fui atrás do original e me deparei com um texto cheio de palavrões, gírias e muitas, muitas contrações. Meu desconforto com a edição brasileira pode ter sido pelo uso de gírias muito regionais que eu desconhecia. [Debatendo o livro com uma amiga, ela me disse que eram gírias antigas, usadas naquela época, e por isso mesmo ela gosta da tradução, que mantenha vivas essas expressões.] Em algumas situações, não dá pra entender mesmo a intenção da tradução, como quando alguém diz “Oba”, o colega responde “oba”, e no original era simplesmente “hi” e “hi”. Confesso, xinguei os tradutores, coitados, não tinham tanta culpa assim. É o tipo de escrita que, inevitavelmente, se perde na tradução, por melhor que ela seja. Se você lê em inglês, não pense duas vezes.⠀

The Catcher in the rye é narrado em 1ª pessoa por um adolescente cheio de conflitos, que acaba de ser expulso de mais uma escola. Holden não gosta de nada, não consegue se interessar por nenhuma atividade e está sempre meio revoltado com tudo e todos que o cercam. O protagonista critica tanto os outros que termina ele mesmo sendo digno de pena do leitor. [Teria aí alguma referência ao Misantropo de Molière?]

É assim, meio sem começo, sem meio ou fim, meio sem história. É como entrar na cabeça de um adolescente, mas de forma alguma é como se um adolescente o tivesse escrito. Ele não nos daria tantas informações irrelevantes e tão sem graça. Salinger conseguiu escrever um livro que diz muito através do superficial, do banal e do irrelevante. Todo esse dar-de-ombros, esse desejo de fuga e essa inconsistência resultou em um retrato do adolescente perdido.⠀

Tive uma adolescência tranquila, cheia de amigos, então não me identifiquei com o protagonista, mas certamente aquele que se isolou mais nessa fase da vida verá a si mesmo em algumas dessas páginas.⠀

A leitura não foi nada do que eu esperava [mas que mania pretensiosa essa de querer adivinhar o que nos trazem os clássicos, ein?!], mas foi boa, sim. (apesar dos pesares)

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: O Apanhador no Campo de Centeio na edição brasileira narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.

Adeus, China – O último bailarino de Mao, Li Cunxin

Adeus China Li Cunxin

 

Autor: Li Cunxin
Autobiografia / Não-Ficção
Editora: Fundamento
Páginas: 400
Ano: 2007

 

Depois de pouco mais de 2 anos, esse livro volta às minhas mãos – e todo rabiscado! Aliás, lindamente rabiscado! Explico.

Sabe aquele livro que você indica a todos os seus amigos, mas eles fazem cara de paisagem e não se animam pra ler? Sabe aquele livro maravilhoso, que você amou e quer que todos leiam? Sabe aquele livro que deixa marcas e grandes lições? Pois é, Adeus, China é um desses livros. Ou melhor, foi um desses livros.

O preço não ajudava, não tinha edição digital, o título não agradava e a capa tampouco era atraente, mas tive uma simples ideia. Um Livro Viajante! Colocaria o livro no Correio para rodar por todo o Brasil, visitando cada uma das casas dos leitores daquele grupo de leitura. Sugestão aceita, Adeus, China passou de mão em mão, ganhando recadinhos e rabiscos carinhosos e conquistando quem o lia.

Resultado? Todo mundo se surpreendeu e se emocionou. Recebi o livro hoje com um sorriso no rosto e uma vontade imensa de relê-lo.

Adeus, China – O último bailarino de Mao nos mostra a miséria daquele país sob o regime ditatorial de Mao e como um jovem conseguiu superar todas as barreiras e mudar completamente de vida.⠀

É uma autobiografia, mas parece um romance, um conto de fadas. É uma história de superação, de garra, de determinação. É uma história sobre família e os valores que realmente importam. É, também, uma linda e real história de amor, que me levou às lágrimas por diversas vezes.⠀

Um livro encantador, ninguém sai dele do mesmo jeito que entrou.🍂💛

*****

♥Para quem, como eu, gosta de ballet, um aviso: você vai ficar estupefato ao reconhecer alguns famosos nomes.

♥Quem for ler, ao pegar o livro NÃO folheie até as últimas páginas, resista! rs Nelas encontramos fotos que são verdadeiros spoilers e certamente tira o fator surpresa, tão importante para que nos emocionemos com a leitura.

♥Existe também um filme sobre essa história. NÃO veja o trailer antes! rs Confie em mim, não irá se arrepender! :)))

5 Estrelas 5 corações

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adeus china li cunxin bailarino de mao

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Sinopse: Em um vilarejo desesperadamente pobre do nordeste da China, um jovem camponês está sentado em sua velha e frágil carteira escolar, mais interessado nos pássaros lá fora do que no Livro Vermelho de Mao e nas nobres palavras nele contidas. Naquele dia, porém, homens estranhos chegam à escola – os delegados culturais de madame Mao. Estão à procura de jovens camponeses que, depois de receberem a formação necessária, possam tornar-se os fiéis guardiães da grande visão de Mao para a China. 

O garoto observa um dos colegas ser escolhido e levado para fora da sala. A professora hesita. Deve ou não deve? Quase desiste. Mas, afinal, no último momento, toca no ombro do oficial e aponta o garoto miúdo. “Que tal aquele?”, ela pergunta. 

Em um único momento, a possibilidade mais remota mudou de modo indescritível o curso da vida de um garoto. Ele faria parte de algumas das maiores companhias de balé do mundo. Um dia seria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao, o queridinho do ocidente. 

Esta é a história de Li Cunxin – uma narrativa que poderia ter desaparecido, como as vidas de outros milhões de camponeses, em meio à revolução e ao caos. É uma história de coragem, de amor de mãe e do anseio por liberdade de um jovem. O relato belo e precioso de uma vida inspiradora contado com honestidade.

As Peças Infernais (Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica), Cassandra Clare

Anjo Mecânico – As Peças Infernais #1

anjo mecanico cassandra clare

 

Autora: Cassandra Clare
Fantasia / Young Adult
Editora: Galera Record
Páginas: 392
Ano: 2012

 

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5

Há algum tempo quero ler os livros da Cassandra Clare, mas temia ler mais do mesmo e cansar do mundo sobrenatural e fantasioso – um pouco do que aconteceu com as distopias. Quão errada estava eu! Se você tem os mesmos receios, não os tenha! Anjo Mecânico é superior a tudo que já li do estilo.

Esse é o primeiro livro da série As Peças Infernais, que se passa no mesmo mundo de Os Instrumentos Mortais, porém muitíssimos anos antes, na Londres vitoriana de 1878. Diferente da maioria dos leitores, não li nenhum livro da série Os Instrumentos Mortais (hoje já li rs), então não tenho como opinar por qual série a leitura deve ser iniciada.

Anjo Mecânico começa a contar a história de Tessa, uma novaiorquina que acaba de se mudar para Londres atendendo a um chamado de seu irmão Nathaniel. Tessa vai se ver presa pelas Dark Sisters, sem saber nenhuma notícia do seu irmão e cheia de poderes antes desconhecidos. Na busca por Nathaniel, ela descobre que tem um dom raro e passa a conhecer um mundo novo, cercado de seres do submundo e de caçadores de sombras, cercado de mistérios e magia, de amigos e inimigos. Nessa procura conhece, dentre outros, Jem e Will, amigos inseparáveis, nefilins, que tentarão, cada um a sua maneira, proteger a inocente Tessa.

Não é só um livro sobre vampiros, nefilins e bruxos. É muito mais. É sobre mistérios e segredos. Sobre mundos e submundos. Sobre anjos e demônios. O mundo que a Clare criou é surpreendente e espetacular. Diria que é mais um livro de fantasia do que de seres sobrenaturais. Somado a isso, ponha uma Londres da era vitoriana meio sombria, ricamente apresentada. Quer mais? Tem mais. Um triângulo amoroso começa a ser embasado de uma maneira singular, singela e original – ou o quão original um triângulo amoroso pode ser. E, apesar de não ser o foco principal da trama, ele vai ditar muitas das atitudes e dos fatos que ocorrem.

A escrita. O que falar da escrita de Cassandra Clare? Estupenda! O desenvolvimento do enredo é perfeito, a qualidade descritiva é muito boa e os personagens são contagiantes, fortes e carismáticos.

A autora fez de uma história juvenil, um livro para ser lido por jovens de qualquer idade, tenha ele dez ou cem anos. Fez do comum, um mundo encantador que nos tira do chão e nos faz virar página atrás de página, incessantemente. Entrou para o rol dos meus autores favoritos, sem pestanejar. Muitas estrelinhas e muita sede pelo próximo livro, Príncipe Mecânico.

4.5 Estrelas 4.5 corações

Príncipe Mecânico – As Peças Infernais #2

principe mecanico cassandra clare

AUTORA: CASSANDRA CLARE
FANTASIA / YOUNG ADULT
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 406
ANO: 2013

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5. Pode conter spoilers do livro anterior.

Como comentar um livro tão fantástico – em todos os sentidos – como esse? A euforia em torno dessa série era tão grande que fui convencida a lê-la e ao terminar o primeiro livro pensei ter entendido o motivo de tamanha fama, afinal o mundo criado pela autora é, de fato, fascinante e facilmente se destaca no meio de tantos livros do gênero. Mas foi na leitura de Príncipe Mecânico que eu fiquei atônica, sem ar e sem palavras.

Em Príncipe Mecânico temos a capacidade de Charlotte em comandar o Instituto de Londres posta à prova pelos Lightwoods, que dão um prazo para que ela encontre o temido Mortmain. Se Charlotte perder a posição de chefia, Tessa certamente não terá para onde ir e, por esse e outros motivos, todos no Instituto vão se empenhar ao máximo para provar que Charlotte é capaz, sim, de continuar no cargo. E é em torno dessa busca por Mortmain que os fatos acontecem.

No desenrolar da história, o triângulo amoroso, antes leve e juvenil, ganha destaque e profundidade e, se posso afirmar algo com veemência, é que ele vai partir seu coração em dois. Sempre que li histórias envolvendo três pessoas, tive minha preferência por um dos personagens facilmente escolhida e torcia para que a autora “desse um jeito” de encontrar um novo amor para a terceira pessoa e, pronto, estava tudo resolvido. No entanto, em As Peças Infernais, lhes digo, não há como escolher entre Will e Jem. Simplesmente não há! Esse deve ser o triângulo amoroso mais angustiante de toda a literatura juvenil e o mais bem construído também. Não tenho ideia de como Cassandra Clare vai desatar esse nó, pois seja qual for sua escolha, vai dilacerar o que sobrou de nós. E, Cassandra, se você matar o Jem…

Além do mundo de fantasia fascinante criado, o fato de a história se desenrolar em Londres, no ano de 1878, só me fez gostar ainda mais dessa trilogia, pois por vezes sentimos como se estivéssemos lendo algum clássico inglês, com linguajar mais formal, trajes e costumes condizentes com a época, ruas sombrias e carruagens. Toda a magia de uma era se une à fantasia dos personagens de forma que encanta e vicia.

Tessa: Se tornou uma das minhas personagens femininas preferidas. Ela é forte, carismática e prestativa, e suas atitudes e pensamentos são sempre condizentes com o perfil e caráter que lhe foi dado pela autora.

Will: Um garoto lindo, de fazer suspirar e delirar, mas que carrega uma maldição que o faz afastar todos que dele se aproximam. Como não amar um Will que, por trás de uma fachada de pedra, faz de tudo pelos amigos?

Jem: Um coração doce, do mais açucarado que você possa imaginar, mas que está morrendo lentamente, viciado em uma droga que ao passo que lhe tira a vida, também lhe mantém nela.

A amizade parabatai entre Will e Jem só poderia existir na ficção de tão utópica que é. Parte fundamental de toda a trama, ela acalenta – e nos destrói em um determinado momento.

Jessa: Sobre Miss Lovelace só digo uma coisa: vai lhe dar ainda mais raiva do que no primeiro livro.

Henry e Charlotte: O casal na liderança do Instituto que não teve tanto minha simpatia em Anjo Mecânico (não que não tenha gostado!), me ganhou e conquistou um lugarzinho só deles. Henry, vibrei com você! Rs

Todos os personagens, vilões ou mocinhos, são marcantes e muito bem desenvolvidos. Toda ação é precisa, bem embasada e estruturada de forma brilhante. Eu diria que a autora variou de surpreendente a incrível, de perfeito a mais que perfeito, de glorioso a estupendo. Se você ainda não leu porque não gosta de fantasia, bruxos ou qualquer coisa do tipo, vale a pena experimentar essa série e deixar que ela lhe agarre com unhas e dentes. Se dela não gostar, desista, você definitivamente não gosta de fantasia.

5 Estrelas 5 corações

 

Princesa Mecânica – As Peças Infernais #3

princesa mecanica cassandra clare
AUTORA: CASSANDRA CLARE
FANTASIA / YOUNG ADULT
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 434
ANO: 2013

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5. Pode conter spoilers dos livros anteriores.

E Cassandra Clare desatou o nó…

No segundo livro da série As Peças Infernais pensei em todas as possibilidades que a autora teria para desatar o nó que criou com o triângulo amoroso e nenhuma parecia aceitável, todas já doíam no peito antes mesmo de acontecerem. Jem morreria para que Tessa pudesse ficar com Will? Will deixaria que seu parabatai fosse feliz com sua amada Tessa? De qualquer forma teríamos ou o coração de um ou do outro partido – e consequentemente o nosso também se despedaçaria, não?

Princesa Mecânica se desenrola em torno da tentativa de destruir o exército mecânico criado por Mortmain e de descobrir suas verdadeiras intenções. Além disso, o consul, se sentindo ameaçado e desobedecido por uma mulher, tenta tirar o poder das mãos de Charlotte, que o alerta de todas as formas sobre As Peças Infernais de Mortmain. No meio de toda essa “guerra” ainda temos o turbilhão de emoções entre o trio Tessa, Jem e Will. Jem está a cada dia mais debilitado e Will cada vez mais disposto a ajudá-lo. Entre eles, uma Tessa dividida igualmente entre dois amores.

Se nos dois primeiros livros o foco é o trio principal, no terceiro volume os personagens Cecily, Sophie, Gideon, Gabriel, Charlotte, Henry e Magnus Bane são tão importantes quanto e tem suas vidas abertas para o leitor. Finalmente descobrimos a origem de Tessa, quem e o que ela é, e fiquei encantada acompanhando o raciocínio da autora.

Reafirmo o que disse sobre os livros anteriores: a escrita um pouco mais formal e o cenário de uma Londres vitoriana é mais que um deleite. Eu diria que a característica principal da série é a emoção, apesar de a ação e o mistério serem partes igualmente importantes. Os laços entre os personagens são tão fortes que superam os laços sanguíneos, e ver essa amizade madura e incondicional encanta e enche nossos olhos. O desprendimento e o amor imensurável aquece as entrelinhas de uma história pra lá de fantástica, que certamente deixa um vazio em que a lê.

Epílogo Ah, o epílogo! Sem palavras para descrevê-lo… Chorei as lágrimas que não caíram durante toda a série, me derramei sem parar até fechar o livro e colocá-lo de volta na linda jacket que o acompanha. Perfeito…devastador, alegre, angustiante, feliz, triste…perfeito!

5 Estrelas5 coraçõesfavoritos

as peças infernais

The Infernal Devices – Dos livros mais lindos da minha estante ❤

O Amante, Marguerite Duras

o amante marguerite duras cosac naify

 

Autora: Marguerite Duras
Literatura Francesa / romance / clássico moderno
Editora: Cosac Naify
Páginas: 112
Ano: 2007
Publicação Original: 1984

 

Antes de tudo, é preciso desmistificar Marguerite Duras. Sempre ouvi falar que seu estilo era para poucos e confesso que deixei O Amante guardado na estante por um bom tempo, esperando o momento de estar disposta a lê-lo com bastante atenção, afinal, era um livro “difícil”. Então, digo, não é esse bicho de sete cabeças que pintam.

O Amante conta um período da vida de uma mulher quando, aos 15 anos e meio, ela inicia precocemente sua vida sexual. A menina, que um dia foi rica, é pobre, mas é branca e vive na colônia francesa na Indochina – onde hoje é o Vietnã. Lá conhece um chinês, um homem mais velho que passa a ser seu amante, o amante de Cholen, em um relacionamento que envolve dinheiro. Marguerite nos conta como foi essa relação, tendo como pano de fundo a família problemática da protagonista: uma mãe depressiva, um irmão mais velho viciado que rouba o que pode da mãe e um irmão mais novo e frágil.

O livro é considerado a obra mais autobiográfica de Duras, a própria autora admite isso, mas há os que acreditam que ela construiu o próprio mito, que ninguém jamais saberá o que aconteceu de fato, que ninguém jamais saberá quem ela foi de verdade. Diz-se, ainda, que O Amante surgiu a partir de um conjunto de fotografias, quando seu filho pediu-lhe que ela narrasse os momentos gravados naquelas imagens. De fato, a leitura nos dá a sensação de realmente estarmos ouvindo uma senhora contar parte de suas memórias de adolescente, com um misto de nostalgia e melancolia. 

A história em si é muito simples. A arte está na brilhante estrutura da narrativa, que foge completamente dos padrões clássicos. Marguerite nos presenteia com um estilo original, um texto fragmentado, cheio de memórias soltas. A impressão que temos é a de que aquilo jamais formará uma história coesa – mas forma, claro! Aliás, eis aí a genialidade da autora.

Ela brinca com os tempos verbais magistralmente. Escreve sobre o passado ora no pretérito, ora no presente; às vezes, em primeira pessoa, se aproximando da personagem, às vezes, em terceira, se distanciando dela, como se falasse de outra mulher.

Amei a história? Não tanto. É um daqueles livros que vou marcar para reler daqui a uns dez anos, para ter uma nova percepção e ver tudo com um olhar um pouco mais maduro. Ainda assim, foi uma ótima leitura, com um texto de uma sensibilidade que salta aos olhos.

É um livro indispensável para quem gosta de literatura e admira uma narrativa irretocável. É uma aula de escrita concisa e elegante, como um tapa na cara de autores prolixos.

E aqui estou, finalizando esta resenha e pensando: por que escrevi que não gostei tanto da história se ela não me sai da cabeça, se todas as memórias lidas parecem vivas e se tenho a sensação de que elas jamais se apagarão? Não sei, vai ver é o poder dos bons escritores. 😉

5 Estrelas

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer”, de Peter Boxall (Clique aqui para ver mais resenhas da lista)

marguerite duras o amante

Sinopse: O Amante – Considerado o livro mais autobiográfico da escritora, dramaturga e cineasta Marguerite Duras (1914-1996), “O amante”, escrito em 1984, recebeu o Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa e se consagrou como sua obra mais célebre. O romance narra um episódio da adolescência de Duras: sua iniciação sexual, aos quinze anos e meio, com um chinês rico de Saigon. Se as personagens e fatos são verídicos, a escrita os transfigura e transcende; não sabemos em que medida a história é verdadeira. Os encontros amorosos são, ao mesmo tempo, intensamente prazerosos e infinitamente tristes; a vida da família contrapõe amor e ódio, miséria material e riqueza afetiva. A presença da mãe, sua desgraça financeira e moral, do irmão mais velho, drogado, cruel e venal, e do irmão mais novo, frágil e oprimido, constituem uma existência predominantemente triste, e por vezes trágica, de onde Duras extrai um esplendor artístico que se reflete em sua própria pessoa – personagem enigmática, quase de ficção. Tem sido dito que ler este livro é como folhear um álbum de fotografias – a narrativa se desenrola em torno de uma série de imagens fascinantes. Esse trabalho primoroso com as imagens também pode ser verificado nos mais de vinte filmes dirigidos por Duras e na possibilidade de seus textos se transformarem em filmes, como o fez Jean-Jacques Annaud com “O amante” em 1991.

Álbum de Casamento (Quarteto de Noivas #1), Nora Roberts

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Autora: Nora Roberts
Romance
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2013
Quarteto de Noivas #1

 

Pelo Carter, vale…

Sabe aquele dia em que você está uma pilha de nervos, estressada, com dor de cabeça e não tem analgésico que resolva? Bem, eu estava assim, sem querer pensar em nada, necessitando de algo leve e divertido que me fizesse relaxar. Foi exatamente o que Álbum de Casamento me fez. Relaxar.

É o primeiro de uma série de quatro livros, e cada um conta a história de uma das quatro amigas. Melhores amigas desde a infância, elas costumavam brincar de se casar e de organizar a cerimônia infinitas vezes, até que crescem e fazem daquela brincadeira sua profissão.

Neste primeiro volume temos a história de Mac, uma fotógrafa que registra o amor, mas não acredita nele, já que seus pais se separaram quando ela ainda era uma menininha e se casaram novamente outras tantas vezes. Eis que surge Carter, um professor todo certinho, que na época do colégio já era apaixonado por ela e que vai mudar sua vida para melhor.

Engoli as cem primeiras páginas e adorei. As conversas entre as amigas são deliciosas, bem realísticas e leves. Os preparativos dos casamentos e as próprias festas são divertidas e, de novo, bem reais. Nora Roberts realmente tem o dom de visualizar cenas triviais de amizade e colocá-las no papel com destreza. São cenas em que você sorri e pensa “é assim mesmo que acontece”. Mas, como nem tudo são flores, depois do primeiro terço da história isso fica muito repetitivo e um pouco entediante. Chegou uma hora em que eu não aguentava mais ler sobre as flores da decoração, o desenho do bolo, o piti da mãe da noiva ou a organização da agenda da Parker, a amiga coordenadora dos eventos.

Não fosse o Carter, eu o teria abandonado. Carter é o melhor desse livro, sem dúvidas. Encantei-me com esse personagem e ele fez a leitura valer a pena. Um professor atrapalhado (leia-se atrapalhadíssimo), daqueles com PhD, apaixonado pela profissão. Um nerd super fofo, doce, carinhoso e romântico, que fez a Mac acreditar no amor.

É uma história pra lá de previsível, mas teve seus bons momentos, que, claro, contou com a presença do Carter. É a vida como ela é quando ela resolve ser bonitinha. Um livro bem açucarado, que remete àqueles filmes românticos que os homens odeiam e as mulheres adoram. Para dias estressantes, certamente uma boa pedida, mas nada imperdível.

3.5 corações 3 Estrelas

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Sinopse Álbum de Casamento: Álbum de Casamento – Quando crianças, as amigas Parker, Emma, Laurel e Mac adoravam fazer casamentos de mentirinha no jardim. E elas pensavam em todos os detalhes. Depois de anos dessa brincadeira, não é de surpreender que tenham fundado a Votos, uma empresa de organização de casamentos bem-sucedida. Mas, apesar de planejar e tornar real o dia perfeito para tantos casais, nenhuma delas teve no amor a mesma sorte que tem nos negócios. Até agora. Com várias capas de revistas de noivas no currículo, a fotógrafa Mac é especialista em captar os momentos de pura felicidade, mesmo que nunca os tenha experimentado em sua vida. Por causa da separação dos pais e de seu difícil relacionamento com eles, Mac não leva muita fé no amor. Por isso não entende o frio na barriga que sente ao reencontrar Carter Maguire, um colega de escola com o qual nunca falara direito. Carter definitivamente não é o seu tipo. Professor de inglês apaixonado pelo que faz, ele cita Shakespeare e usa paletó de tweed. Por causa de uma antiga quedinha por Mac, fica atrapalhado na frente dela, sem saber bem como agir e o que falar. E mesmo assim ela não consegue resistir ao seu charme. Agora Carter está disposto a ganhar o coração de Mac e convencê-la de que ela é capaz de criar suas próprias lembranças felizes.