O doente imaginário, Molière

Autor: Molière

Adaptação: Marilia Toledo

Lit. Francesa / Teatro / Infantojuvenil

Editora: 34

Páginas: 144

Ano: 2010

Ano de Publicação Original: 1673

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Comprei O Doente Imaginário depois de ter me encantando com Molière em O Misantropo, mas não prestei atenção que a edição da Editora 34 se tratava de uma adaptação feita por uma autora de teatro para o público juvenil.⠀

É explicado na introdução que ela buscou preservar tanto o conteúdo como a forma original da peça, mas simplificando um pouco para que pudesse ser encenada para crianças. Bem, já estava com o livro em mãos, continuei.⠀

A história gira em torno do hipocondríaco Argan, o doente imaginário, que tenta casar a filha com um médico, para facilitar sua vida. A peça se transforma em uma enganação sem fim, com o médico prescrevendo remédios sem necessidade, a esposa tentando arrancar dinheiro do marido, a criada tentando ajudar a filha do doente a casar com quem ama e os pretendentes tentando se passar por boas e inteligentes pessoas.⠀

Dá para notar a intenção de Molière em criticar a hipocrisia de então [e sempre atual], mas certamente muito se perde no texto adaptado. Ciente de que li uma adaptação, preciso analisá-la como tal, mas confesso que esperava mais.⠀

Para o público infantojuvenil, no entanto, é bem divertido e interessante, especialmente como uma introdução ao mundo das peças. A edição traz também um resumo sobre como montar uma peça teatral.⠀

Recomendo, assim, como literatura infantojuvenil. Para quem queria o original, como eu, melhor procurar outra edição.

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Sinopse: Levada ao palco pela primeira vez em 1673, a peça O doente imaginário tornou-se um dos maiores clássicos da comédia e continua a ser encenada até hoje no mundo inteiro. A divertida intriga criada por Molière (1622-1673) tem por base o conflito entre a autenticidade e a hipocrisia. No centro da trama está o hipocondríaco Argan, figura ao mesmo tempo simpática e detestável, que permanece como um dos grandes personagens a que o célebre dramaturgo francês deu vida.
A premiada autora de teatro Marilia Toledo nos oferece agora a sua adaptação da obra, voltada aos jovens, que ressalta toda a graça do original, mantendo-se sempre fiel ao espírito crítico e bem-humorado de Molière. Além das geniais ilustrações de Laerte, a edição inclui um esclarecedor texto sobre o processo de montagem de uma peça teatral.

Doutor Fausto, Thomas Mann

Autor: Thomas Mann

Lit. Alemã / Clássicos / 
1001 Livros / Nobel

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 600

Ano: 2015

Publicação Original: 1947

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Comecei a leitura de Doutor Fausto sem ter muita noção da dimensão da obra que tinha em mãos. Sabia apenas que era uma releitura da famosa lenda fáustica alemã, na qual o médico vende sua alma ao diabo em troca de tempo de vida para fazer grandes descobertas científicas. Como amante da música, o que mais me interessava não era a lenda, mas o fato de narrar a vida de um compositor alemão, ainda que fictício.

Li aquelas primeiras páginas umas trocentas vezes. Ia e voltava, não entendia muita coisa. Então, resolvi continuar mesmo sem compreender tudo o que lia para ver no que dava. E o que surge diante dos meus olhos são capítulos maravilhosos, sensacionais, seja sobre música, seja sobre guerra, intercalados com uns capítulos malucos, de quebrar a cabeça.

Ambientado na Alemanha da primeira metade do século XX, Doutor Fausto nos conta a história do músico Adrian Leverkühn, narrada por Serenus, seu amigo de infância, que tem uma profunda admiração pelo compositor.

Após ter se relacionado com Esmeralda, uma prostituta, e contraído sífilis, Adrian, doente, faz um pacto com o diabo – em um capítulo de tirar o fôlego – no qual vende sua alma e a capacidade de amar em troca de 24 anos de uma carreira brilhante na música. Acompanhamos, estupefatos, todo esse período de apoteose musical até o momento em que ele decide convidar amigos para uma, digamos, apresentação final.

Até a metade do livro, apesar de ter uns capítulos de cair o queixo, eu não imaginava que ia gostar tanto desse livro. Foi uma leitura das mais difíceis que já fiz e a que me deixou mais eufórica quando concluí. Os capítulos finais são apoteóticos, indescritíveis. Eu tinha vontade de ler tudo em voz alta, de marcar todos os trechos, de mostrar a todo mundo aquilo que lia. Thomas Mann é genial.

Durante todo o livro o autor fala muito de música e composição, o que pode deixar a leitura ainda mais difícil para quem nada entende do assunto. Para quem ama a música, como eu, é de entrar em êxtase. Fala de polifonia, fuga, adagio, harmonia, coro… fala de partitura, de dodecafonia, faz referências a músicos como Wagner e traça paralelos com a 9a Sinfonia de Beethoven. É de pirar!

Além de tudo, o personagem ainda é considerado uma alegoria da Alemanha da época, daquela Alemanha que se rendera ao nazismo após a Primeira Guerra. Quando ficamos sabendo disso, tudo cresce ainda mais. É, repito, apoteótico, genial, sensacional.

Não tenho palavras para descrever como queria a experiência dessa leitura, que entrou, sem dúvidas, para minha lista de favoritos. Leiam! Vale cada gota de suor.

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Sinopse: Último grande romance de Thomas Mann, Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio — uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.

De verdade, Sándor Márai

Autor: Sándor Márai

Literatura Húngara

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 448

Ano: 2008

Ano de Publicação Original: 1941

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Mais um livro de Sándor Márai e aqui estou, novamente, tentando escolher as palavras adequadas para expressar o que ele me faz sentir.

De verdade fala sobre casamento e separação, sobre amores e dissabores, sob a perspectiva de quatro personagens, cujas histórias se completam – ou se despedaçam. Uma esposa que tentou a todo custo conquistar o amor de seu marido; um homem que nunca se libertou de uma antiga obsessão; uma mulher amargurada, que jamais aceitou o que a vida lhe deu; e um amante obrigado a fugir de seu país no pós-guerra.

Como sempre, Márai nos traz um enredo muito simples. São as palavras que brilham, que sufocam e que encantam. O autor vai lá no fundo da alma de seus personagens, para tocar e ferir o leitor sem piedade.

Márai consegue sugar todas as minhas forças e tirar todo o meu ar. É poético, denso, e fala com maestria sobre os sentimentos. Todos os sentimentos! Dá um peso quase palpável à mágoa que chega a doer.

A sensação que dá é que ele não lhe leva para dentro das páginas, mas para debaixo delas. E, como se não bastasse tudo isso, nos ambienta muito bem na Budapeste que ainda sofria com os horrores da guerra e nos mostra o declínio daqueles que tinham tudo e viram suas vidas se despedaçarem.

Sándor Márai tem o poder de me prender completamente na magia de suas tristes e sábias palavras. Vale, e como vale, a leitura.⠀

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Sinopse: Numa confeitaria de Budapeste, Ilonka conta a uma amiga a história de seu casamento desfeito, e relembra a inutilidade do esforço para conquistar a alma do ex-marido, encantado desde a juventude por Judit, uma simples criada. Depois, na atmosfera carregada de um café, Péter, o ex-marido de Ilonka, narra a um amigo a sua versão sobre a separação. 
Trinta anos mais tarde, na cama de um quarto de hotel em Roma, Judit fala ao novo namorado, músico, sobre a união fracassada com Péter, condenada de início pelo abismo existente entre seu ressentimento indissolúvel e as amarras impostas a seu parceiro, nobre por herança e filiação. 
Finalmente, em Nova York, o baterista de cabaré, o último confidente de Judit, faz uma crítica áspera da ditadura da sociedade de consumo, responsável pelo fim do sonho americano. 
Escrito ao longo de quatro décadas, e na voz de quatro narradores, De verdade disseca os conflitos do amor e do casamento, além de revelar os bastidores da burguesia decadente da Europa Central entre as duas grandes guerras. 
Demarcando com agudeza a fronteira intransponível que separa as classes sociais, o romance reabre as cicatrizes de uma capital agonizante, sitiada pelas tropas comunistas. 

Depois daquela montanha, Charles Martin

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Autor: Charles Martin
Drama / Literatura Americana
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016

 

Não gosto quando isso acontece. Tento sempre fazer com que isso não aconteça! Detesto quando todo mundo ama o livro e eu o acho… ok. Boa história, personagens cativantes e um lindo final, mas ainda assim, ok.

Depois daquela montanha conta a luta de Dr. Ben, um médico ortopedista, e de Ashley, uma jornalista, pela sobrevivência em condições extremas após um acidente de avião. Eles tentaram fugir de uma nevasca fretando um pequeno avião, na esperança de chegar a tempo para seus compromissos, mas se veem feridos em uma extensa área de floresta coberta com muita neve, a 3.500 metros de altitude e com temperaturas negativas. Ah, e sem comida.

Eu até poderia ter implicado com o fato de que em um caso real, nas condições narradas, qualquer pessoa morreria em questão de horas, mas o autor me prendeu de tal forma que eu relevei e me deixei levar.

Tudo vai super bem até que o autor começa a se explicar demais. Sabe quando conta uma história inteira só para justificar uma habilidade do personagem? Quando isso acontece poucas vezes, não vejo problema, mas para cada habilidade que Ben tinha – um verdadeiro ninja! -, havia uma história justificando, explicando como ele aprendera a fazer tal coisa. Achei isso um pouco forçado.

A linguagem é simplória, o que torna a leitura bem rápida. De fato, o autor capta a atenção do leitor desde as primeiras páginas e o deixa curioso até o fim, e é maravilhoso quando isso acontece. Lá pela metade do livro a história fica um pouco repetitiva e lenta, mas depois retoma o fôlego.

O desfecho é bonito e faz valer as páginas lidas, faz a gente refletir um pouco sobre a vida e seu valor. É um bom livro e não à toa vai virar filme. Aliás, ele é a cara de um filme e já vislumbro até a bela fotografia com neve, muita neve! Gostei, mas esperava um pouco mais. Talvez lê-lo sem criar grandes expectativas seja o segredo…

3.5 corações

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Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.

Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.

Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.

Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.

Publicado em mais de dez países, Depois Daquela Montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.

O Homem sentado no corredor – A doença da morte, Marguerite Duras

o homem sentado no corredor a doença da morte

 

Autora: Marguerite Duras
Literatura Francesa / Clássico Moderno / Contos
Editora: Cosac Naify
Páginas: 112
Ano: 2007

 

 

Poucos dias depois que li O Amante (resenha aqui), ainda curiosa para ler mais de Marguerite Duras, entro em um canal de vídeos que gosto e vejo a recomendação desses dois contos da autora. Pronto, seria – e foi – minha próxima leitura.

Duras escreve com uma melancolia de quem está a beira de amargas lágrimas. É como se seu texto escondesse um coração amargurado que finge que não se importa.

Os dois contos são bons, mas não me encantaram tanto assim. Novamente a escrita se sobrepõe ao enredo e, tal qual em O Amante, a sensação um ou dois dias depois é diferente da do momento do término da leitura.

Ao terminar a leitura a impressão que tenho é que aquilo foi pouco, que faltou algo, que tudo não passa “apenas” de uma bela escrita. Dias depois me pego pensando na cena de cada conto e eles crescem exponencialmente, ganham forma e se fixam na memória (justamente como aconteceu com o Amante).

Os dois contos fazem parte de um volume da incrível Coleção Mulheres Modernistas da Cosac Naify. Eles são bem curtinhos e para justificar o volume a edição vem com fonte grande e margens enormes, o que decepciona um pouco – no sentido de que queríamos mais ou talvez de que fomos enganados, de certo modo.

O homem sentado no corredor foi o conto que mais gostei. Uma leitura rápida, cujas cenas se passam em câmera lenta, bem arrastadas, sem pressa alguma. Marguerite consegue ficar bem em cima da tênue linha que separa o vulgar do elegante.

A Doença da Morte, embora bem mais profundo que o primeiro conto e aberto a muitas interpretações, é meio sem graça.

Os dois contos são ótimos para quem quer conhecer mais o estilo da autora, mas recomendar, recomendar mesmo, de coração, não é bem o caso.

3.5 Estrelas 3 corações

marguerite duras contos

Sinopse: O Homem Sentado no Corredor – A Doença da Morte – Depois de publicar três autoras de língua inglesa, a coleção Mulheres Modernistas traz a sua primeira escritora francesa. As duas novelas de Marguerite Duras (1914-1996) – conhecida principalmente pelo romance O amante e pelo roteiro do filme Hiroshima mon amour – que compõem este livro chamam a atenção pelo caráter fortemente confessional e amoroso, mas de uma amorosidade esquiva, rara e, sobretudo, muito distante do que costumamos encontrar nos textos de tônica amorosa. Os dois textos, de 1980 e de 1983, respectivamente, como que anunciam um tempo de amores rápidos, do pânico da intimidade e de uma velocidade inaugurada com “A uma passante”, de Baudelaire. Nas duas narrativas, é pelo desencontro, pela ausência e pela falta que se dá o embate amoroso entre os pares anônimos. A grande novidade no discurso amoroso de Duras se dá na invenção de um tipo de texto breve e intenso, no qual a narrativa já se inicia com a situação posta. O volume traz, ainda, um breve posfácio da autora sobre A doença da morte, a lista completa de suas obras – ficção, teatro, cinema, adaptações, gravações – e uma bibliografia sobre Duras no Brasil. A tradução do dramaturgo, poeta, ator e diretor Vadim Nikitin privilegia a crueza e a oralidade dessa prosa. A edição conta também com raras aquarelas do artista plástico alemão Anselm Kiefer.

O Diário de Suzana para Nicolas, James Patterson

o diário de suzana para nicolas james patterson

 

Autor: James Patterson
Romance
Editora: Arqueiro
Páginas: 224
Ano: 2011

 

Romântico, mas forçosamente triste…

É difícil falar sobre esse livro, pois por mais que pareça bem comercial ele também é acolhedor, de certa forma. James Patterson vende livro como quem vende água no verão, mas eu nunca havia lido nada dele antes. Conhecido por seus romances de suspense, me surpreendi quando vi seu nome na capa do livro para-morrer-de-chorar que tanto me recomendaram. Bem, eu não chorei.

O diário de Suzana para Nicolas conta a história de Katie, Matt, Suzana e Nicolas. Katie achava que havia encontrado o amor de sua vida até que, um dia, Matt, o namorado, rompe o relacionamento repentinamente. Alguns dias depois lhe entrega um diário, O diário de Suzana para Nicolas, que pode ser a explicação que ela precisava.

Bem, ou é um diário ou não é. Ponto. O fato de que aquilo ora parecia um diário, ora um livro de memórias me incomodou um pouco no começo. Em alguns trechos Suzana escrevia o “diário” no presente, em outros, no passado. Era estranho, mas fui me acostumando e quando relevei esse detalhe, consegui aproveitar melhor a história, que, diga-se de passagem, é interessante.

A escrita é simples, não tem nada de extraordinário, os parágrafos são curtos e os capítulos curtíssimos. Muitos só completam uma página e meia, o que dá a impressão de uma leitura ainda mais rápida. Isso não é necessariamente ruim, pelo contrário, penso que aqueles leitores mais “preguiçosos” podem se apaixonar por livros a partir da leitura deste aqui – e isso é positivo. O fato de eu não ter amado esse livro não tem a ver com isso. Explico.

Gosto de livros que me fazem chorar, pode parecer loucura, mas gosto. Sofrer pelos personagens, se angustiar, ficar com o coração acelerado, a respiração cortada e as mãos suadas “faz meu tipo”. Mas e chorar de tristeza? Não, não gosto de chorar de tristeza, gosto de chorar de emoção, mesmo que ela seja triste – e não sei se dá para perceber a diferença, mas eu a sinto. Tampouco consigo derramar uma lágrima quando isso é claramente o objetivo do autor. Tem trechos que é tudo muito descarado, muito forçado, ele tenta tanto que me dá a impressão que não sou eu quem sou fria, mas ele, o autor.

Entendo perfeitamente porque tantos amaram essa história, entendo mesmo. E apesar de não ter visto o filme, tenho a impressão de que “faria meu tipo”. Se prestarem atenção na curva das notas que as pessoas dão para essa história verão que ela forma um C. Tem tantas 5 estrelas quanto tem 1, e ali no meio quase nada. Um “C” perfeito, ou amam ou odeiam. Dizer que odiei seria uma mentira, mas não posso dizer que amei. Tem uns momentos super doces, bem românticos e bonitos que me fizeram sorrir. Dancei junto e cantei junto… mas não consigo perdoar a tentativa frustrada do autor de me emocionar. Isso sem falar nos seus personagens perfeitos, por perfeitos entendam não críveis, pouco plausíveis. Será que existe algum Matt por aí? Muito improvável.

Apesar de tudo, ainda recomendo para as românticas-choronas – vão se derramar.

2.5 corações3 Estrelas

o diario de suzana para nicolas capa

Sinopse: O Diário de Suzana para Nicolas – Depois de quase um ano juntos, o poeta Matt Harrison acaba de romper com Katie Wilkinson. A jovem editora, que não tinha qualquer dúvida quanto ao amor que os unia, não consegue entender como um relacionamento tão perfeito pôde acabar tão de repente.

Mas tudo está prestes a ser explicado. No dia seguinte ao rompimento, Katie encontra um pacote deixado por Matt na porta de sua casa. Dentro dele, um pequeno volume encadernado traz na capa cinco palavras, escritas com uma caligrafia que ela não reconhece: “Diário de Suzana para Nicolas”.

Ao folhear aquelas páginas, Katie logo descobre que Suzana é uma jovem médica que, depois de sofrer um infarto, decidiu deixar para trás a correria de Boston e se mudar para um chalé na pacata ilha de Martha’s Vineyard. Foi lá que conheceu Matt. E lá nasceu o filho deles, Nicolas.

Por que Matt teria lhe deixado aquele diário? Agora, confusa e sofrendo pelo fim do relacionamento, é nas palavras de outra mulher que Katie buscará as respostas para sua vida.

O diário de Suzana para Nicolas é uma história de amor que se constrói ao virar de cada página. Cada revelação é mais uma nuance sobre seus personagens. Cada descoberta é um fio a mais a ligar vidas que o destino entrelaçou.

O Duque e Eu (Os Bridgertons #1), Julia Quinn

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Autora: Julia Quinn
Romance de Época
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2013
Série Os Bridgertons #1

 

Ler esse livro foi meio que um desafio, uma tentativa de quebrar uma barreira. Não costumo ler romances de época, eles geralmente não me atraem, por mais bem recomendados que sejam. Julia Quinn e seus livros foram ficando famosos e aparecendo cada vez mais nos grupos de leitura. Os leitores são só elogios para sua série Os Bridgertons e – talvez pelo gênero já afastar de cara quem possivelmente não gostaria de suas histórias – comentários negativos são bem raros.

Há muito tempo havia comprado O Duque e Eu, mas fui deixando para trás, até que essa semana, procurando algo rápido e simples para ler, me perguntei: por que não? Comecei a leitura querendo gostar e, ao mesmo tempo, com uma sensação de que eu não gostaria. Bem, fui lendo e lendo e lendo, opa, terminei! E… taí, gostei.

A série é composta de 8 livros, um para cada irmão, e nesse primeiro volume conhecemos a história de Daphne Bridgerton, a quarta filha de Violet, uma mãe que está obcecada em lhe arrumar um casamento. No entanto, Daphne não tem tantos pretendentes assim, mesmo sendo uma mulher inteligente e interessante. É quando entra na história o cobiçado duque de Hastings, Simon Basset, amigo de seu irmão mais velho, Anthony. Simon, que passara alguns anos fora da cidade, não tem interesse algum em se casar. Nunca! Com ninguém!

A fim de se livrar das inúmeras mães que não se cansam de apresentar-lhe suas filhas, ele propõe a Daphne um acordo. Fingirá que a corteja, na certeza de que conseguirá manter essas mães afastadas e, em troca, a convence de que ela receberá muitas propostas, afinal, ser cortejada por um duque como ele atrairá bons pretendentes. É claro que o acordo não dá tão certo assim – ou dá certo até demais -, uma vez que eles se apaixonam. Mas, conseguirá Simon lidar com seus demônios? E Daphne, compreenderá o que se passa com ele?

Sim, é previsível. Mas eles sempre o são, faz parte do estilo. O que vai dizer se vale a pena ou não é a capacidade do autor de manter viva a curiosidade do leitor. Nesse quesito, Julia Quinn fez um ótimo trabalho. Por mais que eu previsse tudo que aconteceria, eu sempre queria saber como iria acontecer.

A leitura é tão trivial, tão rápida e abarrotada de diálogos, que não dá nem tempo de analisar demais ou pensar demais. Ela é o que é, sem muitas pretensões. Por vezes, eu tinha a sensação de estar lendo um daqueles contos de fadas, mas em versão estendida e sem ilustrações. Por outras, quase ouvia a voz do narrador daquelas fitas que contavam as histórias infantis que tanto escutei na infância.

Foi uma leitura gostosa, com um excesso de açúcar daqueles! O livro é escrito em 3ª pessoa (um acerto e tanto!) e é muito bem humorado e espirituoso, como um click-lit de outra época. No começo de cada capítulo existe um pequeno texto escrito por uma personagem misteriosa, uma colunista que sempre tem uma fofoca na ponta da língua. Com isso, é como se tivéssemos uma amostra do que será o capítulo, já que ela nos antecipa alguns fatos. Foi uma maneira bem sucedida de criar uma expectativa no leitor e mantê-lo preso. Pontos para a autora!

Os personagens são adoráveis e me conquistaram rapidinho, por mais clichê que fossem. É preciso dar o braço a torcer e admitir que a autora teve a capacidade de torná-los bem interessantes e carismáticos, o que é peça chave para o sucesso de sua série, já que ela planta aqui o interesse pelos próximos livros.

Sim, a leitura ficou dentro do esperado, nem acima, nem abaixo. Combina bem com uma panela de brigadeiro e aquele final de semana que você só quer relaxar. É uma comédia romântica fofa e bem clichê – preciso frisar, bem clichê – mas cumpre bem o que promete. Para quem, como eu, não é muito fã desse tipo de livro, mas está querendo uma leitura rápida, romântica e leve, vale a tentativa.

E que venha a história de Anthony Bridgerton! (Sim, quero ler o próximo! rs)

4 corações

2o duque e eu os bridgertons julia quinnSinopse: O Duque e Eu – Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo.
Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.
Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.