A Elegância do Ouriço, Muriel Barbery

Autora: Muriel Barbery

Ficção Realística / Lit. Francesa /
1001 livros

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 352

Ano: 2008

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A Elegância do Ouriço é um daqueles livros que eu só não desisti no começo porque muita gente me recomendou de “todo coração”. Que bom que continuei! Não que o começo seja ruim, mas é um pouco “indefinido”, digamos. Fiquei meio perdida, sem ter ideia do que me aguardava por muitas e muitas páginas.⠀

A escrita é muito boa, embora eu tenha sentido falta de alguma diferença de voz entre as duas personagens narradoras. É um livro que você vai lentamente se afeiçoando aos personagens – e se identificando muito, de certa forma, com eles. Chega uma hora em que queremos abraçá-los, simplesmente.

Quando temos uma história narrada em primeira pessoa por personagens que tem QI bem acima da média, é um tanto inevitável que o autor pareça pretensioso ou esnobe, mas Muriel Barbery se saiu muito bem. Aliás, me deu a impressão de ter lido muito de sua própria vida.⠀

Um lindo e triste livro, com uma bonita e delicada mensagem e um final arrebatador. Vale ser lido! 

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Sinopse: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou por que não? duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A “Elegância do Ouriço”, seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor
extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões

 

Esqueceram de mim – Home Alone, John Hughes

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Autor: John Hughes
Ilustrador: Kim Smith
Literatura Infantil / Natal / Livros em Inglês
Editora: Quirk Books
Páginas: 40
Ano: 2015

 

Sou daquelas que já assistiu Esqueceram de Mim um zilhão de vezes e assistiria mais outras tantas vezes. Quando vi a carinha de Kevin Mcallister na livraria, não resisti.

O livro é recente, posterior ao filme, pegando carona no seu sucesso, mas… quem se importa? É bem infantil, com textos curtos, mas contempla bem todo o filme. As ilustrações são lindas, com cores vivas e bem a cara do Natal.

Home Alone é daqueles livros fofos que estimulam a leitura nos pequeninos, e como as crianças estão, a cada dia, aprendendo o inglês mais cedo, certamente vale o investimento. Uma fofura para os pequenos, uma nostalgia sem fim para os “grandinhos”, rs ❤

4 Estrelas

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home-alone

Esse livro:

Ilustrado *** Para ler em família *** Para crianças bilingues: Preschool 3 (4 a 8 anos)

HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Eight-year-old Kevin McCallister wished his family would disappear. He never thought his wish would come true! The classic movie you know and love is now an illustrated storybook for the whole family—complete with bumbling burglars, brilliant booby traps, and a little boy named Kevin who’s forced to fend for himself. Can he keep the crooks from entering his house? And will his family return in time for Christmas? With an amusing read-aloud story and enchanting, immersive illustrations, this charming adaptation can be enjoyed year after year alongside The Polar Express, How the Grinch Stole Christmas, and other Christmas storybook classics.

Édipo Rei, Sófocles

édipo rei

 

 

Autor: Sófocles
Clássico / Tragédia Grega / Teatro Grego
Editora: Zahar
Páginas: 118
Ano: 2013
escrito por volta do ano de: 427 a.C.

 

Li Édipo Rei pela primeira vez ainda criança, em uma daquelas edições adaptadas, em prosa, que as escolas adotam. Não me lembrava dos detalhes, mas como gostara da leitura, sempre tive vontade de ler o texto na íntegra. Então, quando me deparei com essa edição caprichada – e comentada! – de O Melhor do Teatro Grego, que inclui Prometeu acorrentado, Édipo Rei, Medéia e As Nuvens, não pensei duas vezes em comprá-la.

O livro traz uma breve apresentação sobre o teatro grego, um pequeno glossário e, para cada peça, uma introdução, a peça comentada e o perfil dos personagens. Uma mão na roda para leitores não habituados a poemas trágicos.

A peça, escrita por Sófocles por volta do ano 427 a.C, começa na frente do palácio real de Tebas, onde um grupo de suplicantes, liderados pelo Sacerdote de Zeus, pede a Édipo que intervenha para que eles se livrem da peste que assola a cidade. Para isso, Édipo precisa encontrar o assassino de Laio, o antigo rei. Ao longo do livro, na busca de tal assassino, acompanhamos muitas descobertas e reviravoltas.

Apesar de ser uma história conhecida, prefiro não detalhar os acontecimentos, pois a maneira pela qual a verdade vai vindo à tona foi me empolgando ao longo do texto, embora eu conhecesse o destino de Édipo.

É inevitável pensar em quantos autores foram influenciados pela ironia trágica de Sófocles, e em quantos outros tantos sofreram influência dos já influenciados por ele, uma espécie de influência “por tabela”, sem, muitas vezes, nem se dar conta disso. O que me leva a pensar também sobre originalidade, se podemos chamar de original um autor contemporâneo ou se ele vai estar sempre à sombra dos mestres da antiguidade.

O texto não é nenhum bicho de sete cabeças, apesar de também não ser uma leitura tão simples. Com um pouco de boa vontade e concentração dá para ler com tranquilidade. A edição comentada valeu a pena e certamente me ajudou bastante.

Sempre que leio livros de outras épocas me pego pensando que o ser humano não muda, não evolui, como costumamos achar (sem parar para pensar). Sim, avançamos em ciência, tecnologia e afins, os costumes mudam, mas na essência somos os mesmos. Ainda se sente inveja, rancor, dor, alegria, compaixão… as pessoas ainda sofrem por amor, ainda traem umas às outras, ainda se vingam… Para uns, isso é óbvio, para outros, pode ser chocante.

Édipo Rei, com sua trágica ironia, nos toca e nos enternece. Fala de culpa, de erros, de autopunição e, desde então, nos faz refletir sobre destino e se podemos fugir dele. Dificilmente vai ser o seu livro preferido, mas nem por isso é menos fantástico. Vale a leitura e gostinho de saber um pouco mais sobre literatura.

5 Estrelas

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edipo rei sofocles

 

Sinopse: A consagrada tradução do especialista em grego, Mário da Gama Kury

Édipo, rei de Tebas, acredita ser filho do rei Pôlibo de Corinto e de sua rainha. Ele havia se tornado governante de Tebas depois de salvar a cidade desvendando o enigma da Esfinge que vinha devorando os tebanos, incapazes de decifrar os enigmas propostos pelo monstro. Como Laio, o rei de Tebas havia sido morto durante uma viagem, Édipo casa-se com a rainha viúva, Jocasta, e assume a coroa. Édipo havia deixado Corinto para sempre porque um oráculo profetizou que ele mataria seu próprio pai e se casaria com sua mãe. Na viagem de Corinto para Tebas, Édipo encontra um homem velho e cinco servos. Sem saber que se trata de Laio, seu verdadeiro pai, Édipo discute com ele e, num ataque de arrogância, mata o homem e seus servos. Por muitos anos Édipo governa Tebas como um grande e valente rei. Até que uma peste começa a dizimar os habitantes da cidade e Édipo ordena uma consulta ao oráculo Tirésias. Tirésias lhe revela então que todo infortúnio que se abate sobre a cidade é causado por ele próprio, por ter assassinado o pai e casado com a própria mãe.

Eternidade por um fio (O Século #3), Ken Follett

eternidade por um fio capa
Autor: Ken Follett
Ficção Histórica
Editora: Arqueiro
Páginas: 1072
Ano: 2014

 

– Queda de Gigantes, O Século #1, resenha aqui.

– Inverno do Mundo, O Século #2, resenha aqui.


Eternidade por um fio coroa a incrível trilogia O Século, de Ken Follett, mas, embora ainda muito bom, é o livro mais fraco – ou menos bom – dos três.

Quando comecei Queda de Gigantes me encantei de cara com a capacidade de Follett de encaixar personagens fictícios nos momentos históricos de maneira primorosa. Uma mistura de ficção e realidade tão bem construída que nem percebemos a quantidade de páginas e logo estamos lendo o segundo livro, Inverno do Mundo, que é tão bom quanto o primeiro e nos deixa cheios de expectativas para esse terceiro volume. Como ele finalizaria a vida daquelas famílias? Que fatos históricos do pós guerra ele abordaria? Será que seria possível gostar da mesma maneira dos filhos e netos dos protagonistas das edições anteriores? Bem, foi assim, cheia de questionamentos que iniciei Eternidade por um fio.

Esse volume começa no ano de 1961 e acompanhamos toda a tensão da Guerra Fria, a aflição gerada com a Crise dos Mísseis de Cuba e as tentativas de se evitar uma nova guerra. Acompanhamos a briga pelo poder, a polarização EUA versus URSS, o comunismo versus capitalismo, a Cortina de Ferro e seu domínio soviético. Vemos erguerem o Muro de Berlim e a incalculável dor das famílias separadas. Follett fala também da Guerra do Vietnã e as inúmeras tentativas de justificá-la; nos mostra Martin Luther King e sua luta pela igualdade nos Estados Unidos. Acompanhamos os presidentes norte americanos, suas eleições e algumas de suas medidas mais importantes. Vemos políticos serem assassinados, civis serem presos. Na União Soviética, vemos entrar líder, sair líder e nada mudar. Em meio a tanta tensão, também temos o rock and roll e alguma menção ao movimento hippie. Claro, chegando à década de 80, vemos a queda do muro de Berlim e o comunismo ruir, levando consigo as barreiras que tanto causaram medo e sofrimento.

São inúmeros e importantes momentos históricos que se misturam aos personagens fictícios e nos fazem enxergar a História por diversos ângulos. Ao inserir a vida comum dos personagens, com suas paixões, medos e dúvidas, erros e acertos, glória e declínio, Follett nos aproxima da História, faz com que vejamos tudo mais de perto, um pouco menos mistificado. Não fosse a mania do autor de colocar sexo em tudo, diria que deveria ser leitura obrigatória nas escolas.

A leitura desses três livros me fez refletir sobre caráter e índole e sua relação com o posicionamento político de cada um. Follett me fez perceber que, em certos casos, mesmo estando do lado “errado” da política, a pessoa pode realmente acreditar que está fazendo o bem, que está lutando por melhorias. Tomando Grigori Peshkov como exemplo, foi um personagem bem querido, mesmo tendo morrido acreditando que o comunismo agia corretamente. Apesar de boa pessoa, o poder o cegou e ele não percebeu que passou a ter muitas regalias, as mesmas regalias que os monarcas tinham e que o levou às ruas para protestar no início do século XX.

O autor foi super feliz ao criar personagens verossímeis, nem completamente maus, nem totalmente santos, e conseguiu uma variedade impressionante em relação a personalidade de cada um. É incrível como ele consegue inserir pra lá de duzentos personagens e não ficamos perdidos – ou pelo menos não completamente rsrs. Por mais que tenhamos que parar algumas vezes para pensar em quem era o pai ou avô daquela pessoa, isso não atrapalha o andamento ou a compreensão da leitura.

Sei que é natural sentir falta dos protagonistas anteriores e achar estranho vê-los sendo mencionados apenas de vez em quando, mas devo dizer que essa nova geração não me conquistou como as outras. Minha ressalva está principalmente nas mulheres que ele criou. Poxa, Ken Follett, não é possível que não tenha existido uma mulher decente sequer nessa época!!! Por que “todas” tinham que ser infiéis ou bem assanhadas?

Outra ressalva está no fato de que todos os conservadores foram pintados como vilões, com Ronald Reagan, por exemplo, sendo simplesmente um assassino.

A escrita do autor continua simples, direta, sem firulas. É um pouco seca, mas se encaixa perfeitamente no que ele quer contar. Como lhe é peculiar, não nos poupa de detalhes cruéis da guerra e das atrocidades cometidas.

Preciso dar destaque a duas matriarcas: Ethel e Maud, minhas personagens favoritas de toda a série. A vida de Ethel Williams Leckwith me fez pensar em como a vida é uma caixinha de surpresas e me fez refletir por quantos acontecimentos passa alguém que vive por muito tempo e o quanto de experiência acumula. Gostaria que ela tivesse tido mais destaque nesse livro, mas ainda assim, gostei do que li. Maud? Tudo o que Maud passa é de partir o coração desde o livro anterior. Que irônico o destino, não? Quem diria que a pobre Ethel viveria tão bem e a rica Maud terminaria na Alemanha Oriental?

Posso passar ainda parágrafos e mais parágrafos comentando sobre essa trilogia de tão boa e cheia de conhecimento que ela é. Um banho de História, daqueles livros que acrescentam, que nos faz enxergar um pouco além. Uma trilogia que merece ser lida e recomendada sempre. Para quem não costuma ler ficções históricas, aconselho a tentativa, certamente irá se surpreender. É fato, nunca mais verei a História como antes.

3.5 corações 4.5 Estrelas

ken follett trilogia o século

 

Sinopse: Eternidade Por Um Fio – Durante toda a trilogia O Século, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução… e rock and roll!

Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas.

George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal.

Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado.

Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear.

Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia e para a história.

Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo. 

Ex-Libris: Confissões de uma leitora comum, Anne Fadiman

ex libris

 

Autora: Anne Fadiman
Não Ficção / Ensaios / Livros sobre Livros
Editora: Jorge Zahar
Páginas: 162
Ano: 2002

 

 

Não tem nada que me anime tanto a furar uma lista de livros para ler do que um livro sobre livros. Uma pequena frase na capa resume perfeitamente bem o que é Ex-Libris: Confissões de uma leitora comum e o que sentimos ao ler suas páginas: uma declaração de amor aos livros. Exatamente isso, sem tirar nem pôr.

Antes de tudo, é preciso esclarecer que Anne Fadiman não é uma leitora tão comum assim. É uma leitora voraz, uma completa viciada em livros e tudo que eles podem lhe oferecer, uma típica bibliófila apaixonada. Seus ensaios são um convite para uma conversa deliciosa entre duas leitoras, um passeio por seus pensamentos e pelas minúcias de sua família, cujos membros são tão obcecados pelo mundo da leitura quanto ela.

Facilmente nos identificamos com os Fadiman, com alguns de seus costumes e manias, com algumas de suas loucuras, com muitos de seus pensamentos. Imaginem o que é viver em uma família na qual todos são obsessivamente apaixonados por livros, pela arte de escrever e por escritores! Aos poucos, ensaio após ensaio, vamos entrando na intimidade desses personagens da vida real, e logo nos sentimos parte da família.

É quase como um diálogo, já que muitas vezes a respondi praticamente em voz alta, algumas vezes concordando com tudo, outras vezes discordando com um grito abafado “não, não faço isso”, mas sempre rindo.

Ela entra também em pontos importantes, como o porquê de algumas crianças gostarem de ler e outras não. Identifiquei-me bastante quando ela disse que sempre viu seus pais lendo, pois foi o que sempre aconteceu comigo. Na cabeceira do meu pai sempre teve um livro, assim como uma estante cheia deles em outro quarto. Nunca cheguei na casa do meu avô para não interrompê-lo no meio de uma leitura. Lia sentado em uma cadeira no terraço, mas sempre encontrei livros espalhados por toda a casa e sua biblioteca era como um paraíso cheio de magia. Muito pouco – ou nada – adianta mandar uma criança ler se quem ela admira e tem como exemplo nunca está lendo.

“Minha filha está com sete anos, e alguns outros pais de alunos da segunda série se queixam de que seus filhos não leem por prazer. Quando visito suas casas, o quarto das crianças se encontra atulhado de livros caros, mas o dos pais está vazio. Essas crianças não veem os pais lendo, como acontecia comigo a cada dia da minha infância.” 

Anne nos convida a novas experiências – novas para mim, pelo menos – como ler em voz alta. Demoraria muito para terminar um livro em voz alta, não é? Ela nos faz refletir que isso talvez não seja tão ruim assim.

“Ler em voz alta significa não pular trechos, não passar os olhos apenas, não fazer recortes. Na velocidade em que estamos indo, levaremos seis meses para por Ulisses em casa, em Ítaca – o que não é tão mal assim se considerarmos que ele levou dez anos. Na verdade, nosso ritmo vagaroso pode mostrar que tem algumas vantagens. O poema vai se desdobrando de forma gradual, sua velocidade numa marcha mais apropriada para jônios do oitavo século a.C. do que para novaiorquinos estressados dos dias de hoje, e, à medida que avança, vai nos desacelerando também. Ao começarmos, senti que éramos muito ocupados para ler Homero. Agora sinto que somos muito ocupados para não lê-lo.”

Fala dos livros usados, do prazer de visitar um sebo, dos que gostam das páginas surradas e dos que preferem os livros com cheirinho de novo. Eu adoro livros novos, Anne Fadiman diz que um dia já foi assim, e fiquei me perguntando se eu mudaria também.

“Nem todo mundo gosta de livros usados. As manchas, as marcas, os sublinhados e as migalhas de torradas ossificadas deixadas pelos donos anteriores podem provocar um certo nojo em leitores mais delicados, como roupa íntima de segunda mão.”

Repito, é um diálogo incessante: ela fala, você responde; você fala, logo ela lhe responde também. Adorei conhecer essa família e cada pequena loucura sua, adorei identificar alguns detalhes que temos em comum e adorei querer ser como eles, querer um dia ler todas aquelas obras incríveis dos gênios que já passaram por aqui. Foi um deleite, uma leitura maravilhosa para quem ama livros. Eu estava um pouco errada, não é um livro sobre livros, é um livro sobre amantes de livros.

4.5 corações 4.5 Estrelas

ex libris meu

 

Sinopse: Anne Fadiman conta nesse livro uma serie de acontecimentos de sua vida como leitora que os leitores conseguem se identificar . É , como diz em sua capa, uma declaração de amor aos livros.

Easy Virtue (Virtue #1), Mia Asher

easy virtue

 

Autora: Mia Asher
Romance Adulto
Editora: Kindle Editions
Páginas: 205
Ano: 2014
Virtue #1

 

Comecei 2014 lendo um livro maravilhoso, um drama incrível que me levou às lágrimas, um livro sobre casamento, traição e perdas, cujo título leva o nome de um de seus personagens, Arsen. Era o livro de estreia de Mia Asher e, após a leitura, prometi que leria tudo e qualquer coisa que ela escrevesse. Portanto, bastou Easy Virtue ser lançado para que eu largasse todas as leituras em andamento e focasse nele com exclusividade – mesmo que a sinopse não fosse nada do que eu quisesse ler.

As expectativas eram altas, altíssimas, e não foram atendidas. Eu esperava algo mais, algo único, emocionante. Na verdade, acho que eu queria mesmo era ler Arsen pela…quarta vez?! Eu já tinha preparado a caixa de lenços, os curativos e agulha e linha para remendar o coração, mas não precisei de nada disso. E isso me frustrou.

Easy Virtue conta, em 1ª pessoa, a história de Blaire, uma garota que, por nunca ter sido amada pelos pais, se tornou uma vadia sem coração, um enfeite na mão de quem quisesse lhe dar presentes caros. Amar não estava em seus planos, ser amada, tampouco. Eis que aparece duas pessoas em sua vida: uma pode fazer com que ela se apaixone; a outra, com que ela continue a mesma vagabunda de sempre.

A história é batida, previsível, sem encantos. Melhora consideravelmente da metade para o fim, mas, ainda assim, não me emocionou. A escrita da autora é boa, bem fluida, com cenas muito bem descritas, mas que no conjunto não me conquistaram.

Faltou algo, faltou um elemento surpresa e, puft, lá estava ele, na última linha do livro, precedido pela
aterrorizante frase “a continuar…”. WTF?! O quê? O que você fez, Mia? Quando o livro ia melhorar, a autora interrompe a história e só seguirá com ela em um segundo livro. Por que transformar uma história de 400 páginas em dois livros de 200? Por que deixar o leitor com um cliffhanger de puxar os cabelos?

Gostei desse livro? Não muito. Lerei o segundo? Sim. Estou com mil hipóteses na cabeça sobre o que acontecerá, sobre quem são Ronan e Lawrence de verdade. Fui enganada por algum deles?

Pelos meus comentários parece que li o pior livro do século, mas não é bem assim. O livro não é ruim, só é mais um no meio de tantos, e eu queria algo espetacular, algo que me deixasse com pelo menos metade da ressaca que tive com Arsen (yeah, perceberam minha fixação por Arsen? rs). Acredito que o segundo livro, sim, valerá a pena. Enquanto ele não chega, continuo frustrada…

3 corações

3 Estrelas

 

Sinopse: O amor é egoísta… Meu nome é Blaire. Eu sou a garota má. A outra mulher. A que nunca fica com o cara no final. Eu sou a caçadora de fortunas. A vadia. Aquela por quem ninguém torce. A que você ama odiar. Eu me odeio também… Todo mundo tem uma história. Está pronto para a minha?

Entre o amor e o silêncio, Babi A. Sette

Entre o amor e o silêncio

 

 

 

Autora: Babi A. Sette
Romance/ Literatura Brasileira
Editora: Novos Talentos/ Novo Século
Páginas: 528
Ano: 2014

Não sei se engoli esse livro ou se foi ele quem me engoliu, só sei que não conseguia parar de ler e me deliciar com tão linda história. Antes dos inúmeros comentários positivos que li nas redes sociais, foi a capa que me chamou a atenção. Singela, harmônica, de muito bom gosto, certamente foi um dos motivos que me fez iniciar o livro.

Entre o amor e o silêncio conta a história de Francesca, uma escritora que, após uma desilusão amorosa, decide não se envolver mais com ninguém e passa a se dedicar ainda mais ao livro que está escrevendo. Certo dia, resolve fazer trabalho voluntário em um hospital e passa a ler trechos de seu livro para pacientes em coma. Eis que conhece Mitchell, um todo-poderoso que sofreu um acidente de carro e vai fazer Francesca se apaixonar – e enlouquecer -, mesmo de “boca e olhos fechados.”

Escrito em 3ª pessoa e em uma linguagem caprichada e bem mais elevada que a maioria dos livros do gênero, ele é envolvente, meio mágico, encantador. Faz você virar páginas e mais páginas sem perceber, com um alvoroço maluco de quem quer saber o que acontece e com a calma prazerosa de quem está se deliciando com o primor das palavras e não quer chegar ao final. O único ponto, não diria negativo, mas um pouco estranho, é que no meio de tanto esmero há uns poucos – pouquíssimos – palavrões soltos desnecessários.

Não que sejam parecidas, mas a autora me lembrou de outras duas escritoras que gosto muito: a inglesa Rosamunde Pilcher e a francesa Janine Boissard. Não sei bem dizer o quê, mas era como se eu estivesse nos mesmos cenários encantadores sempre criados por elas, cercada por algum tipo de magia de suas personagens femininas. Talvez a culpa seja da pequena cidade italiana na qual a autora desenvolveu parte da trama; ou talvez – e mais provável – seja puro talento, afinal, cidades belas não escrevem bons livros.

Até cerca de 70% (p.370) a história é maravilhosa, agradabilíssima e me cativou completamente. Depois entra em uma série de clichês – talvez indispensáveis para agradar a um público maior, talvez não, quem sabe?! – mas não necessariamente ruins. Apenas clichês. Ao final, nos presenteia com um desfecho fofo, apaixonante, daqueles que a gente quer abraçar com força e não largar nunca mais.

É um lindo romance, que me surpreendeu e me deixou com um sorriso bobo no rosto. Uma bela história que merece ser lida por todos aqueles que possuem um coração açucarado. Che bella storia!

*

[ps: tem uns errinhos bobos que passaram batidos na revisão, mas isso não me atrapalhou em nada durante a leitura, então preferi não dar tanta importância a eles. No entanto, espero que na segunda edição eles sejam corrigidos.]

5 corações4.5 Estrelas

entre o amor e o silencio meu

Sinopse: Francesca Wiggs sofreu uma grande decepção amorosa e, desde então, está decidida a não se relacionar mais. Além de se dedicar a escrever o seu livro, ela resolve preencher os dias com um trabalho voluntário – a leitura para pacientes em coma proporcionaria para ela a distância para problemas com o coração. No entanto, um grande imprevisto ocorre quando ela passa a se sentir atraída pelo paciente. Mitchell, descrito como um poderoso magnata, seria a antítese de tudo o que ela busca em um homem… se não estivesse em coma. Precisar de alguém inconsciente seria um absurdo, não seria? Amar uma pessoa que nunca responde parece loucura! Francesca já havia entendido e sentia-se quase segura diante disso. Mas, e se Mitchell acordasse? A aproximação desses personagens tão diferentes revela um romance encantador e divertido, repleto de reviravoltas. Entre a vida e a morte, a ilusão e a realidade, o amor pode ser realmente o milagre que faz tudo mudar?