O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Autor: F. Scott Fitzgerald

literatura americana / clássico / 
1001 livros

Editora: Penguin Companhia

Páginas: 256

Ano: 2011

Ano de publicação original: 1925

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Finalmente li O Grande Gatsby! Digo finalmente porque há uns 10 anos (ou mais) iniciei sua leitura e, achando muita loucura, a interrompi. Disse que um dia tentaria novamente, então me mantive longe do filme, de resenhas ou de qualquer outro meio que me desse algum detalhe da história. Gosto de surpresas, seja “quebrando a cara” ou me surpreendendo, rs.⠀

O grande Gatsby não é nada do que imaginei, nada do que minha “visão periférica” tinha vislumbrado. Não é sobre o glamour de uma era. Ou, melhor, até é. Mas é sobre o outro lado. O grande Gatsby é uma crítica social daquelas!⠀

A história, contada por Nick, vizinho de Gatsby, é escrita com uma leveza e aparente aleatoriedade (não tem como não referenciar com o jazz) que nem parece que vamos nos deparar com o que, de fato, nos deparamos.⠀

Não à toa, agora eu sei, figura sempre nas listas de livros que “devemos” ler.

 

 

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: Nos tempos de Jay Gatsby, o jazz é a música do momento, a riqueza parece estar em toda parte, o gim é a bebida nacional (apesar da lei seca) e o sexo se torna uma obsessão americana. O protagonista deste romance é um generoso e misterioso anfitrião que abre a sua luxuosa mansão às festas mais extravagantes. O livro é narrado pelo aristocrata falido Nick Carraway, que vai para Nova York trabalhar como corretor de títulos. Passa a conviver com a prima, Daisy, por quem Gatsby é apaixonado, o marido dela, Tom Buchanan, e a golfista Jordan Baker, todos integrantes da aristocracia tradicional.

Na raiz do drama, como nos outros livros de Fitzgerald, está o dinheiro. Mas o romantismo obsessivo de Gatsby com relação a Daisy se contrapõe ao materialismo do sonho americano, traduzido exclusivamente em riqueza.

Aclamado pelos críticos desde a publicação, em 1925, O grande Gatsby é a obra-prima de Scott Fitzgerald, ícone da “geração perdida” e dos expatriados que foram para a Europa nos anos 1920.

A Garota no Trem, Paula Hawkins

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Autora: Paula Hawkins
Drama / Thriller Psicológico
Editora: Record
Páginas: 378
Ano: 2015

 

Quando eu soube que A Garota no Trem seria lançado esse mês no Brasil, não pensei duas vezes, larguei minha “organizada” lista e comecei a leitura. Ele fora lançado em inglês no início do ano e rapidamente viralizou no mundo inteiro. Com altas expectativas, fui conferir o que tinha de tão fenomenal nessa história.

Rachel, a garota no trem, faz todos os dias, no mesmo horário, o trajeto de Ashbury para Londres. Nesse percurso, quando o trem para em um sinal vermelho, Rachel olha as casas, em especial a de número 15. Lá observa, imagina e romantiza a vida de um casal, até que, certo dia, vê algo que a surpreende e a deixa atônita. Dias depois, descobre que Megan, que na sua cabeça se chamava Jess, está desaparecida e resolve ir à polícia contar o que sabe. Com isso, termina se metendo mais do que deveria nesse caso e na vida de gente que ela só via pela janela do trem.

Chamam de thriller psicológico, de livro de mistério, de suspense. Para mim, é um drama sem tirar nem pôr. Sim, tem um mistério, um quem-é-o-culpado, um o-que-aconteceu, mas acima de tudo está o drama de uma mulher sem forças para se reerguer, que encontra na bebida algumas horas de, não diria felicidade, mas de esquecimento.

Rachel é uma personagem incrível, muito bem construída, por mais fraca e digna de pena que seja. Confesso que todo aquele desleixo me deu agonia e vontade de lhe estapear para ver se acordava, se resolvia viver. Os demais personagens também são muito bons e bem verossímeis. Alguns me deram raiva, outros me enganaram.

Em meio a tantas narrativas comuns, lineares e sem dinamismo, A Garota no Trem se destaca com um texto excelente e meio fragmentado, escrito em primeira pessoa, alternando o ponto de vista entre três personagens. Começa bem lento, mas logo me fez entrar naquele espiral meio alucinatório, me deixou zonza, como se a personagem tagarelasse muita coisa ao mesmo tempo e eu precisasse ler aquelas linhas em velocidade alta ou como se eu estivesse tão embriagada quanto ela.

No início, como não havia lido a sinopse, não tinha ideia de qual era a da autora, que história ela queria contar, fiquei completamente às cegas. Demora um pouco para “acontecer” algo e a partir daí é difícil largar o livro. A autora tinha margem para terminar a história de diversas maneiras, todos podiam ser culpados. Suspeitei até da minha sombra! E, no final, gostei bastante do caminho escolhido.

A autora foi além do simples mistério. Fez-nos vivenciar a difícil luta de uma alcoólatra, nos deu uma mostra da vida de uma mulher em depressão, de alguém que se anula e projeta sua felicidade na felicidade dos outros, de alguém sem perspectivas, que acha que a vida dos outros é maravilhosa, que ninguém tem problemas, que a grama do vizinho é sempre mais verde. E nos prova que nem tudo é o que parece.

Fiquei pensando bastante com quantas estrelas o avaliaria. Por um lado, merece alguns aplausos. Por outro, é tão depressivo do começo ao fim que tira um pouco o prazer da leitura. Mas, sem dúvidas, é um livro que vale muito a pena.

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Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

Gelo Negro, Becca Fitzpatrick

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Autora: Becca Fitzpatrick
Suspense
Editora: Intrínseca
Páginas: 304
Ano: 2015

 

 

Quando lemos livros de um autor e gostamos, de cara queremos ler seus novos lançamentos. Foi o que aconteceu quando vi o nome Becca Fitzpatrick, autora da série Hush Hush, na capa de Gelo Negro. A sinopse prometia um ótimo suspense, mas não foi bem o que aconteceu.

Gelo Negro conta a história de Britt, uma adolescente que vai passar o recesso de primavera fazendo trilha com sua melhor amiga, Korbie, na Cordilheira Teton. No meio do caminho elas são surpreendidas por uma nevasca fora de época e ficam presas na estrada, sem nem saber se a cabana para onde iriam está perto ou não. Ao sair para procurar abrigo, são “acolhidas” por Mason e Shaun, mas não imaginam com quem estão lidando.

A premissa é boa e daria uma história interessante, mas o desenvolvimento é fraco. Comecei a leitura me irritando com as duas amigas que a autora criou, com seus diálogos e atitudes bem infantis. Em pleno perigo e desespero elas ficam pensando em namorados, flertes e afins, o que torna tudo muito inverossímil e tosco.

Fui lendo e não conseguia entender qual o propósito da autora. Escrever um romance? Escrever um suspense? Não que haja problema em misturar romance e suspense, mas ela o fez de uma maneira esquisita. Imagine que você está correndo perigo, prestes a ser assassinada, e tudo o que você consegue pensar é sobre um ex namorado e como fará para encontrá-lo. Ou você está prestes a morrer congelada, ao lado de um assassino e cheia de pensamentos românticos. A autora força uma situação muito improvável de acontecer na realidade.

Outro ponto negativo é que ela cria “assassinos” quase tão bobinhos quanto as adolescentes. Eles precisam da garota para os guiarem pela floresta!!! E, pior, ela os guia com um mapinha que abre de vez em quando. Humm, um mapinha no meio de uma floresta sob uma nevasca…

O que me incomodou bastante foi que a autora não cria uma trama complexa para que o leitor fique curioso e vá tentando adivinhar. É como se ela fosse explicando tudo antes do tempo.

É claro que tem uma pequena reviravolta lá pelo final e o livro melhora um pouco, mas o que acontece é fácil de descobrir – ou desconfiar – desde o começo. Aliás, é tão óbvio que é como se ela desse um grito dizendo “estou enganando vocês, estão entendendo?”.

Não gosto de dizer isso, pois as pessoas tem gostos e visões diferentes uma das outras, mas não recomendo a leitura. Não é que seja tão ruim, e até entendo quem vá gostar, mas tem tantos livros melhores que fica difícil defender esse. Fiquei na dúvida entre 1 e 2 estrelas, mas resolvi dar as duas, pois a estrutura é fraca, mas a escrita não é ruim e o trabalho de revisão está todo perfeitinho. 🙂

2 Estrelas

Sinopse: Gelo Negro – Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira Teton, um lugar cheio de mistérios. Antes mesmo de chegar à cabana nas montanhas, ela e a melhor amiga, Korbie, enfrentam uma nevasca avassaladora e são obrigadas a abandonar o carro e procurar ajuda. As duas acabam sendo acolhidas por dois homens atraentes e imaginam que estão em segurança.

Os homens, porém, são criminosos foragidos e as fazem reféns. Para sobreviver, Britt precisará enfrentar o frio e a neve para guiar os sequestradores para fora das montanhas. Durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, um homem se mostra mais um aliado do que um inimigo, e Britt acaba se deixando envolver. Será que ela pode confiar nele? Sua vida dependerá dessa resposta.