Hamlet, William Shakespeare




Autor: William Shakespeare

Clássico / Teatro

Editora: Nova Fronteira

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Que leitura sensacional! Por mais que eu conhecesse a boa fama de Hamlet, não esperava gostar tanto dessa peça. 

Shakespeare nos apresenta o jovem Hamlet, sofrendo pela morte do pai, rei da Dinamarca, que morrera dois meses antes, e indignado com o recente casamento de sua mãe com o cunhado. O fantasma, teoricamente do rei morto, aparece para Hamlet, conta-lhe por quem fora assassinado e exige vingança. Para confirmar a veracidade dos fatos, Hamlet usa do artifício teatral para fazer com que o assassino confesse seu crime. A partir daí, claro, a tragédia começa a acontecer.

A atemporalidade dos temas tratados nos deixa embasbacados. Hamlet é considerada a maior tragédia sobre vingança e, como não poderia ser diferente, a partir dela se desdobram a loucura, a insanidade, os erros, a imprudência e a tragédia que a todos destrói.

Hamlet reina absoluto por toda a peça e nos causa muitas e distintas sensações, por vezes até contraditórias. Sentimos compaixão, piedade… Rimos e sentimos raiva. Como não se enfurecer ao vê-lo destratar Ofélia e perder seu grande amor?

Em Hamlet lemos, com sorriso largo, os famosos solilóquios. Impossível não abrir um sorriso ao ler “ser ou não ser, esta é a questão”. Reconhecemos esta e tantas outras frases célebres de Shakespeare, como a dita por Polônio: sobretudo sê fiel e verdadeiro contigo mesmo. Aliás, esta faz parte de uma fala sensacional de Polônio, de um riquíssimo e atual conselho que ele dá para seu filho Laertes.

Certamente uma peça a ser relida muitas vezes. Uma leitura fluida, prazerosa e, apesar dos pesares, divertida. E, vale frisar, não tenham medo de Shakespeare, deem-se este prazer!

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Habitar, Juhani Pallasmaa

Autor: Juhani Pallasmaa

Fenomenologia / Arquitetura

Editora: gustavo gili

Páginas: 128

Ano: 2017

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Habitar nos traz cinco ensaios do arquiteto e crítico finlandês Juhani Pallasmaa, que nos faz refletir sobre o lugar que moramos, sobre as memórias que temos e fazemos, o que sentimos e como sentimos.⠀

Com uma abordagem fenomenológica, Pallasmaa critica a arquitetura vulgar, a arquitetura que busca simplesmente ser única e inovadora, mas que carece de calor, de aconchego, de humanidade e deixa de lado as experiências sensoriais do usuário.⠀

Fala também de arte e de literatura, das imagens poéticas e daquilo que está dentro da gente, na nossa constituição biocultural.⠀

É um livro que cutuca, que traz de volta os pés para o chão e o olhar para o que realmente importa. Excelente, não só para arquitetos (para arquitetos é fundamental, rs).

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Sinopse: Este livro é uma compilação de cinco ensaios sobre a ideia de habitar do arquiteto e crítico finlandês Juhani Pallasmaa. Desde a abordagem fenomenológica que aparece no primeiro e mais longo artigo, “Identidade, intimidade e domicílio” (1994), até o significado da experiência do tempo na realidade empírica humana de “Habitar no tempo” (2015), o conjunto não somente trata das dimensões materiais, formais, geométricas e racionais da ideia de habitar como também investiga de maneira apaixonante as realidades mentais, subconscientes, míticas e poéticas da construção e da moradia.

Esqueceram de mim – Home Alone, John Hughes

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Autor: John Hughes
Ilustrador: Kim Smith
Literatura Infantil / Natal / Livros em Inglês
Editora: Quirk Books
Páginas: 40
Ano: 2015

 

Sou daquelas que já assistiu Esqueceram de Mim um zilhão de vezes e assistiria mais outras tantas vezes. Quando vi a carinha de Kevin Mcallister na livraria, não resisti.

O livro é recente, posterior ao filme, pegando carona no seu sucesso, mas… quem se importa? É bem infantil, com textos curtos, mas contempla bem todo o filme. As ilustrações são lindas, com cores vivas e bem a cara do Natal.

Home Alone é daqueles livros fofos que estimulam a leitura nos pequeninos, e como as crianças estão, a cada dia, aprendendo o inglês mais cedo, certamente vale o investimento. Uma fofura para os pequenos, uma nostalgia sem fim para os “grandinhos”, rs ❤

4 Estrelas

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Esse livro:

Ilustrado *** Para ler em família *** Para crianças bilingues: Preschool 3 (4 a 8 anos)

HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Eight-year-old Kevin McCallister wished his family would disappear. He never thought his wish would come true! The classic movie you know and love is now an illustrated storybook for the whole family—complete with bumbling burglars, brilliant booby traps, and a little boy named Kevin who’s forced to fend for himself. Can he keep the crooks from entering his house? And will his family return in time for Christmas? With an amusing read-aloud story and enchanting, immersive illustrations, this charming adaptation can be enjoyed year after year alongside The Polar Express, How the Grinch Stole Christmas, and other Christmas storybook classics.

O Homem sentado no corredor – A doença da morte, Marguerite Duras

o homem sentado no corredor a doença da morte

 

Autora: Marguerite Duras
Literatura Francesa / Clássico Moderno / Contos
Editora: Cosac Naify
Páginas: 112
Ano: 2007

 

 

Poucos dias depois que li O Amante (resenha aqui), ainda curiosa para ler mais de Marguerite Duras, entro em um canal de vídeos que gosto e vejo a recomendação desses dois contos da autora. Pronto, seria – e foi – minha próxima leitura.

Duras escreve com uma melancolia de quem está a beira de amargas lágrimas. É como se seu texto escondesse um coração amargurado que finge que não se importa.

Os dois contos são bons, mas não me encantaram tanto assim. Novamente a escrita se sobrepõe ao enredo e, tal qual em O Amante, a sensação um ou dois dias depois é diferente da do momento do término da leitura.

Ao terminar a leitura a impressão que tenho é que aquilo foi pouco, que faltou algo, que tudo não passa “apenas” de uma bela escrita. Dias depois me pego pensando na cena de cada conto e eles crescem exponencialmente, ganham forma e se fixam na memória (justamente como aconteceu com o Amante).

Os dois contos fazem parte de um volume da incrível Coleção Mulheres Modernistas da Cosac Naify. Eles são bem curtinhos e para justificar o volume a edição vem com fonte grande e margens enormes, o que decepciona um pouco – no sentido de que queríamos mais ou talvez de que fomos enganados, de certo modo.

O homem sentado no corredor foi o conto que mais gostei. Uma leitura rápida, cujas cenas se passam em câmera lenta, bem arrastadas, sem pressa alguma. Marguerite consegue ficar bem em cima da tênue linha que separa o vulgar do elegante.

A Doença da Morte, embora bem mais profundo que o primeiro conto e aberto a muitas interpretações, é meio sem graça.

Os dois contos são ótimos para quem quer conhecer mais o estilo da autora, mas recomendar, recomendar mesmo, de coração, não é bem o caso.

3.5 Estrelas 3 corações

marguerite duras contos

Sinopse: O Homem Sentado no Corredor – A Doença da Morte – Depois de publicar três autoras de língua inglesa, a coleção Mulheres Modernistas traz a sua primeira escritora francesa. As duas novelas de Marguerite Duras (1914-1996) – conhecida principalmente pelo romance O amante e pelo roteiro do filme Hiroshima mon amour – que compõem este livro chamam a atenção pelo caráter fortemente confessional e amoroso, mas de uma amorosidade esquiva, rara e, sobretudo, muito distante do que costumamos encontrar nos textos de tônica amorosa. Os dois textos, de 1980 e de 1983, respectivamente, como que anunciam um tempo de amores rápidos, do pânico da intimidade e de uma velocidade inaugurada com “A uma passante”, de Baudelaire. Nas duas narrativas, é pelo desencontro, pela ausência e pela falta que se dá o embate amoroso entre os pares anônimos. A grande novidade no discurso amoroso de Duras se dá na invenção de um tipo de texto breve e intenso, no qual a narrativa já se inicia com a situação posta. O volume traz, ainda, um breve posfácio da autora sobre A doença da morte, a lista completa de suas obras – ficção, teatro, cinema, adaptações, gravações – e uma bibliografia sobre Duras no Brasil. A tradução do dramaturgo, poeta, ator e diretor Vadim Nikitin privilegia a crueza e a oralidade dessa prosa. A edição conta também com raras aquarelas do artista plástico alemão Anselm Kiefer.

Histórias de Paris, Mario Benedetti

Historias de Paris - Mario Benedetti
Autor: Mario Benedetti
Ilustrador: Antonio Seguí
Contos / Lit. Latinoamericana
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 64
Ano: 2013

 

Mais um livro que leio por recomendação da Tatiana Feltrin, ou seja, mais um comprado “às cegas”. Quando o recebi fiquei surpresa, uai! Cadê o livro? Histórias de Paris tem apenas 64 páginas e nos traz 4 contos de Mario Benedetti já publicados anteriormente em livros distintos.

Geografias, Cinco anos de vida, O hotelzinho da rue Blomet e Só por distração são pequenos contos escritos com uma concisão impressionante. Uma prosa tão fluida que, mesmo breve, prende o leitor e transmite o forte sentimento, a dor e as mudanças de vida acarretadas pela ditadura e pelo exílio.

É incrível como, em tão poucas palavras, o autor conseguiu demonstrar de maneira tão leve – e ao mesmo tempo profunda – as consequências do exílio, as mudanças nos relacionamentos amorosos e as expectativas e desilusões de um exilado.

Preciso ainda comentar sobre a edição primorosa da Biblioteca Azul (Selo da Editora Globo). Que capricho!! Impresso em um papel de alta gramatura, margens largas, fonte em um tom de cinza escuro, folhas de cor bordô separando os contos e, por último, mas não menos importante, recheado de belíssimas ilustrações. A arte de Antonio Seguí foi um deleite à parte com seus desenhos em cores fortes e traço “grosseiro”, e certamente vai me fazer reabrir esse livro outras tantas vezes.

O único defeito é que acaba rápido, como uma “amostra grátis”, deixando um gostinho de quero-mais. Fora isso, recomendadíssimo!

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Sinopse: Histórias de Paris – “É de se esperar que neste espaço se fale do livro. Pois vou falar é do autor, um homem modesto, de sorriso suave e olhar melancólico, como corresponde a um uruguaio de estirpe. Um homem cálido e bondoso, tímido e cordial. E que soube defender suas ideias com uma paixão que contradizia a amabilidade no trato com as coisas da vida e as pessoas do mundo. Um homem chamado Mario Benedetti.
Quando cometeu sua única grande maldade – nos deixar para sempre – Mario estava com 88 anos. Tinha vivido de tudo, da infância de privações à militância que lhe custou um prolongado exílio. E havia escrito sem parar. Foram mais de 80 livros, ao longo de 63 anos.
Escreveu bons romances, contos formidáveis, ensaios, crítica literária, obras de teatro. E poesia. Foi e é um dos poetas mais lidos do idioma espanhol. Teve, entre seus muitos méritos de escritor, o de ter sido amado pelos jovens. Suas palavras foram roubadas por um sem fim de apaixonados, e ajudaram, gerações afora, a convencer amores esquivos.
Os amigos se despediram dele com leves pinceladas que, unidas, compõem seu retrato mais certeiro. “Que será de nós sem sua bondade inexplicável?”, perguntou Eduardo Galeano.
“Mario foi, acima de tudo, um homem bom”, confirmou outro poeta gigantesco, o argentino Juan Gelman. “Mario ocupava um lugar muito maior do que ele mesmo achava”, afirmou o português José Saramago.
Esse foi o Mario que conheci num dia de inverno de 1973, em Buenos Aires, onde eu morava e ele chegou exilado. Esse foi o escritor que se mostrou em tudo que escreveu. Os contos deste livro são Mario em estado puro. Ler cada um é estar diante dele, escutar sua voz mansa e pausada, confirmar uma capacidade de ternura pelo ser humano que poucas vezes vi igual – e que hoje é artigo cada vez mais raro nesse mundo ressecado. Esse mundo no qual Mario faz tanta falta.
Ler esses contos é como conversar com ele, ouvir Mário desfiando seu rosário de histórias num fim de tarde sereno de Montevidéu ou da vida.”

 

A Herdeira (A Seleção #4), Kiera Cass

Autora: Kiera Cass
Distopia / Young Adult
Editora: Seguinte
Páginas: 390
Ano: 2015
Série: A Seleção #4

 

Quem leu a trilogia A Seleção (ou o que era originalmente uma trilogia) e gostou ficou surpreso quando viu, alguns meses atrás, que seria lançado um quarto livro. Como a autora também havia lançado alguns extras, como os contos O Guarda e O Príncipe, fui me certificar se A Herdeira não seria mais um. Não era. Era a história da herdeira do casal protagonista, vinte anos depois, em uma nova seleção.

Se não leu a trilogia – A Seleção, A Elite e A Escolha – aqui saberá qual foi a escolha do príncipe. Portanto, se não quiser esse spoiler, melhor parar por aqui 😉

Espera. Seleção? Outra? Vinte anos depois? Então aquele mundo distópico que pensávamos ter terminado com o desfecho da trilogia ainda existia? Como? Fiquei receosa de ler que todo o esforço de America e Maxon fora em vão, mas… bem… eu me apaixonara pela trilogia, como deixar de ler essa continuação? Voilà!

A Herdeira conta a história de Eadlyn, princesa e filha mais velha de America e Maxon, que desde o nascimento é treinada para ser rainha. A divisão da população por castas foi desfeita vinte anos atrás, mas o povo anda descontente e está começando a se revoltar novamente com a monarquia. Para distrair e alegrar seu povo, o rei e a rainha sugerem que seja feita uma nova Seleção, para que Eadlyn encontre um marido e possa se preparar para assumir seu posto com alguém ao seu lado.

Comecei a leitura e o que eu mais temia aconteceu. A própria autora foi destruindo tudo que ela construiu nos três livros anteriores. As atitudes de Maxon e America, agora rei e rainha, não são compatíveis com a personalidade mostrada anteriormente. Lutaram tanto e vinte anos depois pensam como pensavam seus predecessores, se tornaram um pouco daquilo que eles condenavam. Querer distrair seu povo com uma nova Seleção foi o que mais me decepcionou.

Bem, na esperança de me sentir como uma adolescente apaixonada tal como na trilogia original, deixei esse “detalhe” passar, mas outros problemas vieram. A princesa Eadlyn é uma das personagens mais irritantes que já vi. Uma garota mimada que repete a hora toda que foi criada para ser rainha, que tem um grande peso nas costas e muito poder nas mãos. Ela se questiona sobre isso repetidas – e cansativas – vezes.

Até um pouco mais da metade, não me vi envolvida com nenhum dos candidatos e pensei várias vezes em desistir da leitura. Contudo, a história realmente melhora quando se aproxima do fim, quando alguns personagens vão conquistando seu espaço e mostrando um certo carisma. Até a princesa Eadlyn fica suportável!

A escrita, em primeira pessoa pelo ponto de vista de Eadlyn, é simples e flui com facilidade, mas, por repetir demais os mesmos pensamentos e questionamentos da princesa, se torna um pouco sem graça.

Então, não tem nada de bom? Sim, tem. O final! Não por descobrirmos que teremos continuação, mas pela promessa de que a história tomará outro rumo que não a cópia da trilogia anterior. Gostei do gancho que a autora deixou para o próximo livro. Por mais que ela termine de um jeito que deixa o leitor na mão, simplesmente interrompendo a história, eu pude ver uma luz no fim do túnel.

Se eu soubesse que teria continuação, certamente não teria lido agora e é o conselho que deixo: só leiam quando a série estiver completa. É frustrante começar uma história e esperar meses para concluí-la. Se eu tivesse ela completa na mão, quem sabe eu não estaria com uma opinião mais positiva?

Por enquanto, fica a decepção de não ter me apaixonado, de não ter me encantado, de não ter lido o conto de fadas que eu esperava. Continua a saudade de uma America maravilhosa e um Maxon que fazia suspirar.

 

2.5 corações

Capas de A Seleção

As lindas capas da série ❤

 

Comprar Série A Seleção:

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Sinopse: A Herdeira – Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia.

Hotelles: Quarto 1, Emma Mars

Hotelles

 

Autora: Emma Mars
Lit. Francesa / Lit. Erótica / Mistério
Editora: Rocco
Páginas: 496
Ano: 2015

 

Hotelles: Quarto 1 foi o livro sorteado do mês para leitura em conjunto de um grupo que participo. Pegou boa parte dos membros de surpresa: uns, já cansados de romances eróticos, não queriam ler nada do tipo nem tão cedo; outros, jamais haviam lido nada do gênero. Diante disso, devo dizer, Hotelles não tem nada a ver com a receita de bolo já batida do CEO poderoso que se apaixona pela mocinha ingênua e, assim, surpreendeu positivamente a maioria de nós. É literatura erótica – e é preciso distingui-la de romance erótico – com um enredo excelente, cheio de mistérios e enigmas que vão sendo desvendados ao longo da trama.

Annabelle “Elle” Lorand é uma francesa, aspirante a jornalista, que acaba se tornando uma acompanhante de luxo por influência de sua amiga, Sophia, e por precisar de dinheiro para pagar os caros tratamentos de saúde de sua mãe. Quando está com um cliente em um evento, acaba conhecendo David Barlet, que por ela se interessa, a ponto, inclusive, de lhe propor casamento. Estranhamente, Elle também se vê envolvida, de certa forma, com Louis Barlet, irmão de David.

Nesse período, ela recebe misteriosamente um caderno e passa a receber cartas anônimas, com conteúdo sexual, charadas e instruções, que a encorajam a pensar mais em quem ela realmente é e a escrever seus pensamentos pecaminosos do dia, para que ela possa revelar-se a si mesma.

O que escondem os irmãos Barlet? Quais suas reais intenções? O que é verdade e o que é mentira? Quem envia as cartas anônimas? Quem envia as instruções tão fielmente seguidas e bem desvendadas por Elle? Quem seria essa espécie de mestre cuja intenção era…hum…educar uma prostituta?

“Infelizmente, a realidade não é Caim e Abel […] Ela é sempre infinitamente mais emaranhada. E nosso papel é justamente o de destrinçar essa meada inextricável. O de puxar o fio desse novelo para depois mostrá-lo ao público, sem jamais imputar a quem quer que seja um suposto pecado original. Não existe uma causa primordial. Não há apenas um ponto visível na longa cadeia da casualidade. Compete a nós escolher um ponto e explicar por que o escolhemos.”

Fiquei cheia de perguntas, tentando entender aquela teia que envolvia e emaranhava os personagens, e isso foi a maior – e melhor – surpresa do livro. Eu não esperava um enredo com tantas intrigas, com tanto suspense e reviravoltas, com um jogo de mistérios a ser desvendado.

Hotelles é narrado em primeira pessoa, com um vocabulário rico e uma linguagem elegante – até onde pode ser um livro desse gênero, claro. Tem-se a sensação de estar sentada diante de uma antiga cortesã que conta sua história com um certo glamour decadente, típico da Paris do pecado. Aliás, tive a sensação de que não só a história se passava em algum período do passado, como também fora escrita nele.

Com um texto tão atemporal, a autora peca ao citar duas ou três vezes palavras como smartphone e 3g, desnecessárias a meu ver. Sem necessidade também são algumas das cartas escritas pela própria Elle, que vulgariza um pouco o livro.

É escolha das “hotelles” estender ou não a noite com os clientes, e quando isso é feito elas vão ao Hôtel des Charmes, um lugar onde cada quarto homenageia uma antiga e famosa cortesã parisiense. A autora descreve esses ambientes com uma riqueza de detalhes que me encantou. Conta também curiosidades daquelas que dão nome aos quartos e, mesmo que não tenham sido as pessoas mais importantes do mundo, me vi querendo bisbilhotar suas vidas.

“Toda ou quase toda a história amorosa de Napoleão Bonaparte se passou dentro deste pequeno perímetro. […] A algumas ruas daqui ele viu Joséphine pela primeira vez. E dentro desse palácio hoje desaparecido ele recebia a maior parte de suas inúmeras amantes.”

A autora cita, despretensiosamente, arte, arquitetura, decoração. Cita nomes como Liszt, Chopin ou Mata Hari. Conta-nos fofocas da Paris de outrora e faz com que caminhemos pelas suas ruas com propriedade. Brinda-nos com descrições de cheiros e fragrâncias, uma vez que a personagem principal tem uma sensibilidade olfativa impressionante.

Os personagens são bem desenvolvidos, mas não nos mostram a cara à primeira vista. Vamos vendo cair, uma por uma, as máscaras que lhes escondem, vamos descobrindo-lhes aos poucos.

Como ponto negativo, cito uma certa inverossimilhança em alguns fatos que acontecem. É difícil imaginar alguém aceitando e desvendando tão facilmente todos aqueles enigmas, mas tentei entrar na fantasia da autora.

É difícil recomendar de olhos fechados, pois certamente não é um livro que vá agradar a todos. Alguns, talvez, podem achar o ritmo um pouco lento; outros, podem sentir falta de romantismo, de amor.

É o primeiro livro de uma trilogia e o mais curioso é que o gancho para o segundo livro não está no final, mas no começo do primeiro livro. Ainda assim, tem um final satisfatório e não deixa aquela sensação de história incompleta. Quando os demais forem lançados, porém, certamente os lerei.

Em suma, um livro muito bem escrito, rico em detalhes, com personagens bem estruturados e uma trama envolvente, que faz o leitor querer virar página após página sem parar. A escrita, a originalidade e a imprevisibilidade da história foi o que me conquistou, e o fato de que tudo isso se passa em Paris foi um deleite à parte.

3.5 corações 4 Estrelas

 

“Ela estava sem nenhuma dúvida executando um serviço encomendado, mas, como todas as acompanhantes de alto luxo, sabia dar a seus gestos fabricados a ilusão do sentimento. Atriz, mais do que prostituta.”

“Então era verdade o que diziam: os olhares de desejo tinham o efeito de nos moldar, de exaltar em nós o que há se mais belo, de mais amável. E os olhares colados em mim na véspera tinham definitivamente me livrado dos resíduos adolescentes grudados até hoje. Eu tinha deixado minha antiga pele no Des Charmes e saído de lá nova, vestida com um novo eu capaz de se sentir belo e desejável. Que quisessem possuir este novo corpo não me parecia mais absurdo.”

“Eu não era a única que se metamorfoseara. Nele, a modificação era mais sutil ainda, no espaço de um segundo eu teria jurado captar nos seus lábios o mesmo sorriso canalha, cruel e canibal, que Louis pousava em suas presas.”

“As notas de baunilha e lavanda que escapavam pela janela entreaberta confundiam-se com o perfume das plantas. Tal era o poder de Louis Barlet: em toda parte deixar sua marca, moldar cada lugar, cada situação à sua exata imagem, reconfigurá-la apenas pelo poder de sua presença, como quis fazer comigo ao escrever meu nome pela cidade.”

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Sinopse: Hotelles: Quarto 1 – Um quarto de hotel no meio da tarde, na sempre sedutora Paris, é o cenário escolhido pela escritora francesa Emma Mars para contar a história de Annabelle, jovem jornalista que trabalha esporadicamente como acompanhante de luxo. É no Hôtel des Charmes que ela conhece o atraente David Barlet, um magnata da mídia com quem engrena um relacionamento, sem deixar de manter encontros com outros clientes. Presa a um arriscado e excitante jogo sexual, Annabelle protagoniza uma história rica em detalhes picantes, sem cair na vulgaridade. Espécie de versão contemporânea do clássico Bela da tarde, Hotelles – Quarto 1 é o primeiro de uma trilogia que mistura romance, mistério e intrigas, temperada com uma boa dose de sensualidade.

Mas nem tudo é um mar de rosas, pois entre eles há um segredo. Quem será o enigmático homem enviando a Elle mensagens que parecem adivinhar seus desejos mais secretos? Por que ela se submete a suas instruções e se deixa atrair novamente até o hotel, tornando-se prisioneira desse arriscado jogo sexual?

Acompanhe Elle na descoberta de suas fantasias e deixe-se levar também por essa história rica em detalhes, com uma mescla bem dosada de erotismo, suspense e mistério.